Contos eróticos para ler inteiros.

Incesto

Somente pelo Sangue

dineiaalvarez66 min

Nota da Autora: Todos os personagens têm mais de dezoito anos.

****

Mal encarou Eve. Eve encarou Mal.

Mal tamborilou os dedos ansiosamente na mesa do restaurante. Eve brincou com seu copo d'água e o anel de condensação que ele deixava.

"Então... você é minha irmã?" Mal perguntou.

Eve deu de ombros. "Pelo que parece. A gente pode fazer um teste de DNA pra ter certeza, eu acho."

"Quer dizer... você meio que se parece comigo."

"É, foi o que eu pensei também, quando vi uma foto sua pela primeira vez. Temos os mesmos olhos. E as maçãs do rosto."

"E nossos pais—"

"Nunca os conheci mais do que você. Tinha esperança de que estivessem com você, mas era pouca esperança."

Mal brincou com o garfo, depois desistiu quando quase o derrubou no chão.

"Sempre quis conhecê-los," ele disse. "Achei que seria legal."

"Quase acho que prefiro não conhecer," Eve disse baixinho. "Quer dizer, eu os conheceria num piscar de olhos se alguém oferecesse, mas ou eu os odiaria e ficaria infeliz, ou os amaria e acho que isso me mataria."

"Entendo isso," Mal disse. "Eu... meu Deus, eu tenho uma irmã. Ainda estou tentando assimilar isso. Eu—"

Ele foi interrompido pela chegada da garçonete com a comida. Nem Mal nem Eve correram para comer, embora ambos mexessem na comida, empurrando-a pelo prato.

"Fico feliz que você não seja um idiota," Eve disse. "Tive medo de que fosse, e eu me sentiria uma idiota por ter te procurado."

"Quem disse que não sou?"

"Eu digo."

"Acabamos de nos conhecer."

"É, eu sei. O que posso dizer, sou uma romântica incurável."

Mal franziu a testa. "Isso não pode ser sobre romance, eu—"

"Não desse tipo. Sabe, o romance de um grande reencontro emocionante. Parentes perdidos há muito tempo. Esse tipo de coisa."

"... com seu irmão?"

"De novo, não esse tipo de romance. Sou irremediavelmente otimista, melhorou?"

"Um pouco. De quanto otimismo estamos falando?"

Eve considerou. "Otimista o suficiente para procurar uma família que me abandonou por vinte anos."

"Eita."

"Não estou te culpando, claro. Você não sabia."

"Não sabia," Mal concordou. "Mas agora sinto que talvez eu também devesse ter procurado."

"Provavelmente não. As chances nunca foram muito boas."

"Boas o bastante, porém."

Eve sorriu torto. "É, parece que sim, né?"

Mal retribuiu o sorriso, um pouco mais timidamente. "Então, hm, além de ser órfão e tal, como tem sido sua vida?"

Eve riu e finalmente começou a beliscar a comida. "Já mergulhando de cabeça, né?"

"A menos que você tenha um assunto melhor."

"Eu, hm, tenho uma pergunta meio constrangedora, na verdade."

"Ah é?"

"É."

"Bem, pergunte, eu acho."

Eve desviou o olhar por um segundo, depois respirou fundo. "Isso é um abuso da gota, mas... tecnicamente não tenho onde morar no momento, e estou meio lisa. Não queria que fosse assim, não quando nos conhecemos, mas será que eu poderia—"

"Ficar com você?"

"É. Só por um tempo. Pensei em me mudar pra região, arrumar um emprego ou algo assim. Eu realmente tentaria não te incomodar por muito tempo."

"Você... você está se mudando pra cá?"

Eve se encolheu um pouco. "Estou indo rápido demais, né? Eu sabia. É que... preciso me afastar de onde eu morava, e... e perto do meu irmão parece um bom lugar pra tentar."

Mal balançou a cabeça rapidamente. "Não é rápido demais. Não foi isso que quis dizer. Eu... acho que é meio empolgante. Não sei como vai funcionar, ou mesmo se vamos nos aguentar, mas—"

"Nunca tive um irmão mais velho pra odiar," Eve disse, com um sorriso provocador nos lábios. "Pode ser divertido."

"Também nunca tive uma irmãzinha pentelha. A gente... a gente provavelmente vai ser muito disfuncional, né?"

"É uma possibilidade."

****

"Então... acho que você fica com o sofá," Mal disse. "Te ofereceria um quarto de hóspedes se tivesse um."

"Haha, é," Eve disse. "Vai ficar ótimo. Vou tentar mesmo me mudar de novo assim que puder."

"Claro. Bem, hm, vou te mostrar o resto do apartamento. Pode largar suas coisas onde quiser."

"Ok."

Mal conduziu Eve por um breve tour que abrangia seu espaço. Não havia muito o que mostrar, e Eve só demorou um pouco no quarto dele.

"Algo interessante?" ele perguntou.

"Não, nada. Só estava verificando, sabe, evidências de coisas femininas."

"Coisas femininas?"

"Tipo se você tinha outra garota dormindo aqui às vezes."

"... Não tenho namorada no momento. Podia ter perguntado."

Eve deu de ombros. "Claro, mas era constrangedor."

"Mais constrangedor do que isso?" Mal perguntou.

"Bem... talvez não. É prerrogativa de irmã ser enxerida, mas."

"Já estou me arrependendo disso?"

"Espero que não."

Eles voltaram para o sofá. Eve se jogou nele, testando sua cama temporária.

"Vou te deixar se instalar," Mal disse. "Depois—"

"Me instalar? Tenho tipo duas coisas pra desempacotar. A maior parte do resto é roupa que basicamente vai ter que ficar nas malas por enquanto."

"Mesmo assim. E eu ia dizer que posso pedir comida mais tarde, e... você quer assistir um filme essa noite ou algo assim?"

Eve sorriu. "Quero. Não precisa ficar nervoso por perguntar. Não está me convidando pra um encontro nem nada."

"Eu sei disso. Você é minha irmã. O que ainda é estranho dizer em voz alta." Mal coçou a nuca. "Ainda realmente não sei nada sobre você. Não sei o que fazer com uma irmã que conheci hoje."

"Você podia puxar meu cabelo e quebrar meus brinquedos, eu acho. Temos anos pra compensar."

"Que brinquedos? Você é velha demais pra...."

Eve sorriu abertamente.

"... você trouxe um vibrador, não trouxe?"

"Não só um, mas sim."

"Eeeeeu vou dar uma volta."

"Ei, eu não ia usar eles agora! Volta aqui!"

"Ainda vou dar uma volta. Trago comida na volta."

"É, bem... ok. Até mais."

Eve cruzou os braços e ficou sentada sozinha depois que Mal saiu.

"Isso foi estranho. Fui estranha demais, né?"

"É, Eve. Foi estranho demais. Não fala dos seus brinquedos sexuais quando conhece seu irmão. Erro clássico."

"Ah, cala a boca, Eve. O que você sabe?"

"Sei que não se gaba da coleção de vibradores pra alguém que acabou de conhecer. Que também é seu irmão."

"... Eu te odeio às vezes."

"É, eu sei."

Eve balançou a cabeça. "Eeeeeu já estou falando sozinha. Que ótimo começo."

****

"Ei, voltei," Mal disse.

Eve estava ocupada no laptop, mas sorriu com cautela para ele quando ele entrou com sacolas de comida em uma mão. "Ei. Desculpa ter sido estranha mais cedo."

"Hm?"

"Sabe. Sobre os vibradores."

"Ah. Sem grilo. Tá com fome? Quer começar o filme agora e comer depois, ou comer e depois começar o filme?"

Eve franziu a testa. "Como assim 'sem grilo'? Eu acabei de te assustar pra fora do seu próprio apartamento."

"Ha, não. Eu consigo lidar com a menção de brinquedos sexuais, obrigado."

"Mas você—"

"Eve, eu precisava sair um pouco, mas foi uma desculpa com timing cômico, mais do que tudo. É que, tipo, eu realmente tenho uma irmã hoje, o que é novo, e você está morando comigo agora, o que também é novo."

"Temporariamente," Eve esclareceu.

"Claro, temporariamente," Mal concedeu. "Mas ainda assim, era isso que eu precisava processar. É... muita coisa. É bom, mas é muita coisa."

"Ah. Bem... ok então."

"Você realmente acha que sou tão sensível assim?"

"Não sei. Acabei de te conhecer."

Mal assentiu. "Verdade."

"E eu meio que sou sua irmã e tal. Algumas pessoas podem ter dificuldade de conciliar isso com eu ter necessidades sexuais."

Mal coçou a cabeça. "Acho que sim. Quer dizer, não sei como deveria ser, mas com toda essa história de 'nem saber da sua existência até recentemente', não sei se tenho muitas neuras com esse tipo de coisa."

"Isso faz meio que sentido. Você é meu irmão, mas principalmente só de sangue."

"Certo."

Eve mordeu o lábio suavemente. "Você acha que é tarde demais pra sermos irmãos?"

"Não. Não acho que seja tarde demais. Mas o relacionamento é diferente do que se tivéssemos sido criados juntos, acho que não tem como evitar."

"É." Eve suspirou e colocou o laptop de lado para se encolher com as pernas apertadas contra o peito. "É."

Mal sentou-se ao lado dela. "Se ajudar, eu posso puxar seu cabelo e gritar pra você ficar fora do meu quarto."

"Heh, pode ajudar, na verdade. O que irmãs mais novas fazem? Deduram você e quebram suas coisas?"

"Acho que irmãos mais novos quebram suas coisas. Talvez... ficar pedindo carona e revirar os olhos pra tudo que eu digo?"

"Aff, que seja," Eve disse revirando os olhos dramaticamente.

"É, exatamente."

Eve começou a rir, e Mal não ficou muito atrás.

"Acho que isso vai funcionar bem," Eve disse.

"É. Eu também. Comida?"

"Sim, por favor."

Eles comeram em pontas opostas do sofá enquanto assistiam a um filme. De vez em quando, cada um olhava para o outro, avaliando, às vezes só sorrindo um pouco.

****

"Aff, por que é tão difícil achar um emprego bom?" Eve gemeu.

"É a vida," Mal disse.

"Vou acabar, tipo, trabalhando em fast food ou algo assim nesse ritmo," Eve disse.

"Ah, vai com calma. Você só está nisso há uma semana."

"É, bem, você é a única família que eu tenho. Não quero começar a te explorar demais."

"Como assim começar?" Mal provocou.

"Ei! Grosseiro. Vou arrumar um empregão e um lugar muito melhor que o seu, aí vamos ver quem ri."

Mal riu e deu um tapinha na cabeça de Eve ao passar. "Esse é o espírito."

Eve ficou quieta e olhou para Mal. Ele se virou e corou ligeiramente com a intensidade dos olhos dela nele.

"O quê?" ele perguntou.

"Você acabou de dar um tapinha na minha cabeça."

"Ah. Desculpa."

"Não, não me importo. Só... isso pareceu tão coisa de irmão mais velho."

"Dar tapinha na sua cabeça?"

"É, sabe," Eve disse. "Tipo um jeito afetuoso, mas também deliberadamente condescendente."

"Hm. Talvez eu sirva pro cargo, afinal."

Os lábios de Eve se contraíram em meio sorriso. "É, talvez sirva."

****

Só algumas semanas depois Eve fez algum progresso na busca de emprego. Ela chegou em casa muito animada um dia, ansiosa para compartilhar.

"Ei, adivinha?"

Mal se virou e lhe deu um olhar pensativo. "O quê?"

"Nem vai tentar adivinhar?"

"Você encontrou um emprego?"

Eve franziu a testa ligeiramente. "Ok, chute de sorte."

"Bem, se você não queria que eu adivinhasse, por que você—"

"Adivinha que tipo de emprego, porém?"

"... Stripper?"

"Ah! Você realmente acha que eu faria isso?"

"Não sei. Provavelmente não," Mal disse. "Só não queria adivinhar certo de novo e estragar sua graça."

"Bem, você podia ter adivinhado algo que me fizesse soar melhor."

"Ah, desculpa. Carpintaria?"

"Carpintaria?"

"É uma profissão sólida," Mal disse. "Mas pra ser honesto, talvez devêssemos mergulhar nas suas neuras sobre trabalho sexual. Não precisa ser estigmatizado, sabe. E você daria conta."

"Estou trabalhando meio período numa biblioteca," Eve disse, cedendo. "O que é essa história de eu dar conta de ser stripper?"

"Bem, só dizendo. Parabéns pelo emprego, aliás. Parece um lugar acima da média pra trabalhar."

"É o que espero." Eve sorriu maliciosamente. "Você me acha gostosa."

"De um jeito objetivo, claro."

"Mesmo eu sendo sua irmã."

"Só de sangue."

"Haha, você está ficando vermelho. Você me acha gostosa sim."

Mal suspirou. "Bem, essa linha de provocação deu um belo tiro pela culatra."

"É, deu mesmo. Ah, vou me divertir tanto com isso."

"Será que pode não fazer isso?"

Eve pestanejou. "Qual é o problema, maninho? Tá muito tímido perto da garota gostosa agora?"

Mal revirou os olhos, deu um passo mais perto de Eve, e então abruptamente estendeu a mão e bagunçou o cabelo dela. Ele deixou o cabelo meio despenteado antes de Eve se afastar bruscamente e cobrir a cabeça, soltando um som agudo de surpresa e desaprovação no processo.

"Ei!"

"Acho que teria sido divertido crescermos juntos," Mal disse.

"Bem, óbvio," Eve disse. "Sou um encanto."

"E tão modesta também."

"Poderia ter sido constrangedor, porém, você tendo uma quedinha por mim o tempo todo quando éramos crianças e tal. Poderia ter—"

"Última vez que te faço um elogio, juro."

Eve sorriu, ainda tentando alisar o cabelo. "Mas eu agradeço."

"Aham."

"Acho que posso sempre tentar ser a bibliotecária sexy. É meio que uma meta divertida pra mim."

"É, faça isso," Mal disse. "Você é tão idiota."

"Tanto faz. Você adora."

****

"Acho que posso começar a procurar um lugar," Eve disse.

Mal olhou para ela do outro lado do sofá. "O quê? Por quê?"

"Como assim por quê? Porque não quero dormir no seu sofá pra sempre, e agora tenho dinheiro entrando."

"Você ainda está em meio período."

"É, bem, não disse que a busca seria fácil. Tenho certeza que você não quer eu por perto o tempo todo."

"Por que você diz isso? Eu... tem sido bom ter você por perto."

Eve inclinou a cabeça. "É?"

"É. Não sei, é tipo... é muito menos solitário," Mal disse. "Meio que sinto falta de privacidade, mas tem muito menos conversa comigo mesmo ultimamente."

Eve bufou. "Você acha que sente falta de privacidade? Você pelo menos tem um quarto."

"Ah, certo. Acho que isso tudo é meio ruim pra você, né?"

"Não. Não diria isso. Gosto muito de ter um irmão, e sinto que meio que te conheci bem em alguns aspectos, mas... sabe, somos ambos adultos. Precisamos do nosso espaço."

"Você pode usar meu quarto pra se masturbar se quiser."

"Ai meu Deus! Não foi isso que quis dizer."

"É parte do que você quis dizer."

"Bem... é, parte. Mas tipo... não posso pegar seu quarto toda vez que precisar de espaço."

"Ah, podemos tentar. Posso dormir no sofá às vezes até."

Eve franziu a testa. "Bem, você definitivamente não precisa fazer isso."

"Não é altruísmo. Só significa que vou me sentir melhor quando começar a te cobrar aluguel."

"Ha, que seja. Eu devia pagar algum aluguel de qualquer jeito. Você não precisa ficar com a cama ruim."

Mal coçou a nuca. "E se... e se a gente procurasse um lugar maior juntos?"

"O quê?"

"Sabe. Se você quiser."

"Você realmente me quer por perto esse tanto?"

Mal deu de ombros. "Não sei se você está só brincando, mas é, acho que quero. Sei que ainda é estranho às vezes, e a gente sofre com privacidade, e não nos conhecemos completamente, mas... isso é parte de ter um irmão, não é?"

"Acho que sim. Talvez."

"Só acho que seria legal ter mais disso."

Eve jogou o cabelo. "Você pode se arrepender. Uma vez que estiver preso a mim de verdade, posso me tornar intolerável."

"Bem, foda-se. Aí a gente briga e se xinga e vai emburrado pro quarto."

"... foda-se, isso soa incrível mesmo. Estamos fazendo isso?"

"Quer dizer, talvez."

"Ok." Eve mordeu o lábio, então se moveu desajeitadamente para mais perto de Mal. "Eu... não estou muito acostumada com pessoas me querendo por perto a longo prazo, na verdade."

Mal colocou o braço em volta dela. "Somos família."

"É. Somos, né?"

****

"Esse lugar é até bem bonitinho," Eve disse. "E no nosso orçamento. Especialmente com a biblioteca me dando mais horas. Eles gostam de mim lá, aparentemente."

"Acho que você estava certa sobre ser a bibliotecária sexy," Mal disse.

"Todo mundo ama uma bibliotecária sexy," Eve concordou, imperturbável. "Gosto desses dois quartos de um lado do apartamento, e acho que a cozinha e a sala são quase iguais ao seu lugar."

"Mais espaço no balcão, porém," Mal disse. "Vitória definitiva aí."

"Espaço no balcão é o que te convence?"

Mal suspirou. "Sinal certo de ser adulto. Realmente me convence."

"Ha, o maninho tá ficando velho," Eve disse. "E eu ainda sou jovem e fofa."

"Você trabalha em uma biblioteca. É tipo o emprego mais adulto que você podia arranjar."

"Ah, isso não é verdade. Jovens podem trabalhar em bibliotecas."

"Claro, se forem almas velhas, eu acho."

Eve fez biquinho. "Você só está tentando me provocar."

"Bem, duh."

"Isso não é legal."

"Você começou."

"Não comecei."

"Começou sim."

"Não comecei!"

"Começou sim!"

Eve e Mal se encararam por um momento.

"Então, quer pegar esse lugar ou o quê?" ele perguntou.

Eve deu de ombros. "Vamos pensar, mas devíamos definitivamente começar a falar em assinar algo."

"É, concordo."

****

"Isso é tão empolgante pra caramba," Eve disse.

"Você não tem cama," Mal disse.

"Ok, sim, tecnicamente. Mas eu tenho um quarto. A cama está a caminho."

Mal olhou em volta do quarto que Eve começara a arrumar. Estava bem vazio até agora, com um buraco notável onde ela queria a cama.

"Onde você vai dormir até lá?"

"Bem, ainda tem o sofá. Ou posso só me virar no chão por algumas noites."

Mal balançou a cabeça. "Isso parece meio anticlímax."

"Não tenho ideia melhor."

"Bem... por que você não divide minha cama?"

"O quê?"

"Só por algumas noites ou algo assim."

"... na sua cama. Com você."

"Não de um jeito estranho. Você é minha irmã."

Eve ergueu uma sobrancelha. "Só de sangue."

"Ah, para. Foi só uma ideia."

"É uma boa, na verdade. Só acho que... bem, nem sempre fico quieta enquanto durmo. Você deveria ver quantas vezes rolei do sofá."

"Sério?" Mal perguntou. "Muitas, foi?"

"Bom... duas, eu acho. Mas aconteceu, esse é o ponto."

"Haha, ok. Bem, é com você. Não me importo de um jeito ou de outro."

****

Eve pensou demais no assunto. Ela sabia que estava pensando demais, e sabia que estava sendo meio covarde enquanto andava na ponta dos pés até a porta do Mal, depois parava e voltava, e repetia a sequência.

Ele estava deitado na cama lendo quando ela finalmente criou coragem e enfiou a cabeça pela porta.

"Aquela oferta ainda está de pé?" ela perguntou.

Mal assentiu. "Mmhm. Estou quase terminando um capítulo aqui."

"Legal. Você, hã, está de roupa debaixo das cobertas, né?"

Mal bufou. "Sim, Eve. Muitas vezes não estaria. Mas não vou tentar, tipo, te enganar pra vir pra cama comigo enquanto estou pelado."

"Que bom irmão."

Eve se aproximou, hesitando antes de rastejar pra cama, mas acabou dando de ombros e simplesmente fazendo.

"Não aguentava mais o sofá," ela disse, como se precisasse se explicar.

"Eu entendo."

"Se isso acabar sendo estranho demais, pelo menos consegui uma noite numa cama de verdade."

"Justo."

"Você se importa mesmo?"

Mal colocou o livro de lado, mas não apagou a luz do abajur ainda. "Me importo, na verdade. Só estou tentando ficar de boa. Na verdade, não durmo, tipo, com alguém faz um tempo."

"Você quer dizer só dormir?"

"Sim. Dos dois jeitos, na real. Eu não... tenho dificuldade em criar laços próximos. Sinto que me autossaboto fácil demais. E acho que pegação e coisas assim não são muito a minha praia."

Eve afundou um pouco mais sob as cobertas. "Acha difícil confiar nas pessoas?"

"Mais ou menos? Acho que tenho dificuldade em acreditar que alguém vai continuar gostando de mim. Tipo... como se eu tivesse um prazo de validade de quanto tempo alguém curte minha companhia."

"Isso faz sentido."

"O quê?"

"Não, desculpa, não sobre você. Só quis dizer que também me sinto assim às vezes. E, honestamente, nem é totalmente injustificado. As pessoas podem ser muito babacas às vezes."

"Isso é verdade." Mal apagou a luz e se remexeu desajeitadamente no seu lado da cama, se ajeitando com cuidado para não invadir a linha imaginária entre ele e Eve. "Espero não parecer muito grudento às vezes. Eu realmente só gostaria de te manter na minha vida por um tempo."

"Você pode acabar ficando preso a mim, na verdade. Laço de sangue e tal."

"É. Família. De vez em quando... não."

"O quê?"

"Não quero falar."

"Obviamente quer," Eve disse. "Ou não teria começado."

"Quero dizer... ok. Às vezes o pensamento simplesmente vem na minha cabeça, sem rima nem razão, de que eu tenho uma irmã. E meio que me faz sorrir."

"Aww. Isso é legal."

"Cala a boca."

"Não estou zoando," Eve insistiu. "Isso é realmente legal."

"Ok. Bem, vou dormir antes que me envergonhe mais."

Mal rolou de lado, de costas para Eve. Ela considerou por um momento, depois rolou pra perto e o abraçou por trás.

"Também estou feliz por ter um irmão," ela sussurrou.

"Obrigado. Você está... vai soltar?"

"Em um minuto."

Eve não queria soltar. Era bom demais só segurar, e se agarrar ao irmão.

Mal não falou mais nada sobre o assunto. Cada um só ficou ali deitado e sentiu a respiração mútua desacelerar.

"Ainda está acordado?" Eve perguntou baixinho.

Mal grunhiu. "Sim."

"Estou te mantendo acordado?"

"Não. Isso é... legal."

"Bom. A gente pode trocar se você quiser, no entanto."

Mal considerou. "Não," ele finalmente decidiu.

"Não? Só não?"

"É."

"Por quê?"

"Você vai me fazer falar?"

"Bem, não sei o que você--"

"Provavelmente vou ficar duro," Mal disse. "Não seria de propósito. É só... você sabe. Deitado na cama com uma garota. Coisas acontecem."

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