Somente pelo Sangue
****
Mal encarou Eve. Eve encarou Mal.
Mal tamborilou os dedos ansiosamente na mesa do restaurante. Eve brincou com seu copo d'água e o anel de condensação que ele deixava.
"Então... você é minha irmã?" Mal perguntou.
Eve deu de ombros. "Pelo que parece. A gente pode fazer um teste de DNA pra ter certeza, eu acho."
"Quer dizer... você meio que se parece comigo."
"É, foi o que eu pensei também, quando vi uma foto sua pela primeira vez. Temos os mesmos olhos. E as maçãs do rosto."
"E nossos pais—"
"Nunca os conheci mais do que você. Tinha esperança de que estivessem com você, mas era pouca esperança."
Mal brincou com o garfo, depois desistiu quando quase o derrubou no chão.
"Sempre quis conhecê-los," ele disse. "Achei que seria legal."
"Quase acho que prefiro não conhecer," Eve disse baixinho. "Quer dizer, eu os conheceria num piscar de olhos se alguém oferecesse, mas ou eu os odiaria e ficaria infeliz, ou os amaria e acho que isso me mataria."
"Entendo isso," Mal disse. "Eu... meu Deus, eu tenho uma irmã. Ainda estou tentando assimilar isso. Eu—"
Ele foi interrompido pela chegada da garçonete com a comida. Nem Mal nem Eve correram para comer, embora ambos mexessem na comida, empurrando-a pelo prato.
"Fico feliz que você não seja um idiota," Eve disse. "Tive medo de que fosse, e eu me sentiria uma idiota por ter te procurado."
"Quem disse que não sou?"
"Eu digo."
"Acabamos de nos conhecer."
"É, eu sei. O que posso dizer, sou uma romântica incurável."
Mal franziu a testa. "Isso não pode ser sobre romance, eu—"
"Não desse tipo. Sabe, o romance de um grande reencontro emocionante. Parentes perdidos há muito tempo. Esse tipo de coisa."
"... com seu irmão?"
"De novo, não esse tipo de romance. Sou irremediavelmente otimista, melhorou?"
"Um pouco. De quanto otimismo estamos falando?"
Eve considerou. "Otimista o suficiente para procurar uma família que me abandonou por vinte anos."
"Eita."
"Não estou te culpando, claro. Você não sabia."
"Não sabia," Mal concordou. "Mas agora sinto que talvez eu também devesse ter procurado."
"Provavelmente não. As chances nunca foram muito boas."
"Boas o bastante, porém."
Eve sorriu torto. "É, parece que sim, né?"
Mal retribuiu o sorriso, um pouco mais timidamente. "Então, hm, além de ser órfão e tal, como tem sido sua vida?"
Eve riu e finalmente começou a beliscar a comida. "Já mergulhando de cabeça, né?"
"A menos que você tenha um assunto melhor."
"Eu, hm, tenho uma pergunta meio constrangedora, na verdade."
"Ah é?"
"É."
"Bem, pergunte, eu acho."
Eve desviou o olhar por um segundo, depois respirou fundo. "Isso é um abuso da gota, mas... tecnicamente não tenho onde morar no momento, e estou meio lisa. Não queria que fosse assim, não quando nos conhecemos, mas será que eu poderia—"
"Ficar com você?"
"É. Só por um tempo. Pensei em me mudar pra região, arrumar um emprego ou algo assim. Eu realmente tentaria não te incomodar por muito tempo."
"Você... você está se mudando pra cá?"
Eve se encolheu um pouco. "Estou indo rápido demais, né? Eu sabia. É que... preciso me afastar de onde eu morava, e... e perto do meu irmão parece um bom lugar pra tentar."
Mal balançou a cabeça rapidamente. "Não é rápido demais. Não foi isso que quis dizer. Eu... acho que é meio empolgante. Não sei como vai funcionar, ou mesmo se vamos nos aguentar, mas—"
"Nunca tive um irmão mais velho pra odiar," Eve disse, com um sorriso provocador nos lábios. "Pode ser divertido."
"Também nunca tive uma irmãzinha pentelha. A gente... a gente provavelmente vai ser muito disfuncional, né?"
"É uma possibilidade."
****
"Então... acho que você fica com o sofá," Mal disse. "Te ofereceria um quarto de hóspedes se tivesse um."
"Haha, é," Eve disse. "Vai ficar ótimo. Vou tentar mesmo me mudar de novo assim que puder."
"Claro. Bem, hm, vou te mostrar o resto do apartamento. Pode largar suas coisas onde quiser."
"Ok."
Mal conduziu Eve por um breve tour que abrangia seu espaço. Não havia muito o que mostrar, e Eve só demorou um pouco no quarto dele.
"Algo interessante?" ele perguntou.
"Não, nada. Só estava verificando, sabe, evidências de coisas femininas."
"Coisas femininas?"
"Tipo se você tinha outra garota dormindo aqui às vezes."
"... Não tenho namorada no momento. Podia ter perguntado."
Eve deu de ombros. "Claro, mas era constrangedor."
"Mais constrangedor do que isso?" Mal perguntou.
"Bem... talvez não. É prerrogativa de irmã ser enxerida, mas."
"Já estou me arrependendo disso?"
"Espero que não."
Eles voltaram para o sofá. Eve se jogou nele, testando sua cama temporária.
"Vou te deixar se instalar," Mal disse. "Depois—"
"Me instalar? Tenho tipo duas coisas pra desempacotar. A maior parte do resto é roupa que basicamente vai ter que ficar nas malas por enquanto."
"Mesmo assim. E eu ia dizer que posso pedir comida mais tarde, e... você quer assistir um filme essa noite ou algo assim?"
Eve sorriu. "Quero. Não precisa ficar nervoso por perguntar. Não está me convidando pra um encontro nem nada."
"Eu sei disso. Você é minha irmã. O que ainda é estranho dizer em voz alta." Mal coçou a nuca. "Ainda realmente não sei nada sobre você. Não sei o que fazer com uma irmã que conheci hoje."
"Você podia puxar meu cabelo e quebrar meus brinquedos, eu acho. Temos anos pra compensar."
"Que brinquedos? Você é velha demais pra...."
Eve sorriu abertamente.
"... você trouxe um vibrador, não trouxe?"
"Não só um, mas sim."
"Eeeeeu vou dar uma volta."
"Ei, eu não ia usar eles agora! Volta aqui!"
"Ainda vou dar uma volta. Trago comida na volta."
"É, bem... ok. Até mais."
Eve cruzou os braços e ficou sentada sozinha depois que Mal saiu.
"Isso foi estranho. Fui estranha demais, né?"
"É, Eve. Foi estranho demais. Não fala dos seus brinquedos sexuais quando conhece seu irmão. Erro clássico."
"Ah, cala a boca, Eve. O que você sabe?"
"Sei que não se gaba da coleção de vibradores pra alguém que acabou de conhecer. Que também é seu irmão."
"... Eu te odeio às vezes."
"É, eu sei."
Eve balançou a cabeça. "Eeeeeu já estou falando sozinha. Que ótimo começo."
****
"Ei, voltei," Mal disse.
Eve estava ocupada no laptop, mas sorriu com cautela para ele quando ele entrou com sacolas de comida em uma mão. "Ei. Desculpa ter sido estranha mais cedo."
"Hm?"
"Sabe. Sobre os vibradores."
"Ah. Sem grilo. Tá com fome? Quer começar o filme agora e comer depois, ou comer e depois começar o filme?"
Eve franziu a testa. "Como assim 'sem grilo'? Eu acabei de te assustar pra fora do seu próprio apartamento."
"Ha, não. Eu consigo lidar com a menção de brinquedos sexuais, obrigado."
"Mas você—"
"Eve, eu precisava sair um pouco, mas foi uma desculpa com timing cômico, mais do que tudo. É que, tipo, eu realmente tenho uma irmã hoje, o que é novo, e você está morando comigo agora, o que também é novo."
"Temporariamente," Eve esclareceu.
"Claro, temporariamente," Mal concedeu. "Mas ainda assim, era isso que eu precisava processar. É... muita coisa. É bom, mas é muita coisa."
"Ah. Bem... ok então."
"Você realmente acha que sou tão sensível assim?"
"Não sei. Acabei de te conhecer."
Mal assentiu. "Verdade."
"E eu meio que sou sua irmã e tal. Algumas pessoas podem ter dificuldade de conciliar isso com eu ter necessidades sexuais."
Mal coçou a cabeça. "Acho que sim. Quer dizer, não sei como deveria ser, mas com toda essa história de 'nem saber da sua existência até recentemente', não sei se tenho muitas neuras com esse tipo de coisa."
"Isso faz meio que sentido. Você é meu irmão, mas principalmente só de sangue."
"Certo."
Eve mordeu o lábio suavemente. "Você acha que é tarde demais pra sermos irmãos?"
"Não. Não acho que seja tarde demais. Mas o relacionamento é diferente do que se tivéssemos sido criados juntos, acho que não tem como evitar."
"É." Eve suspirou e colocou o laptop de lado para se encolher com as pernas apertadas contra o peito. "É."
Mal sentou-se ao lado dela. "Se ajudar, eu posso puxar seu cabelo e gritar pra você ficar fora do meu quarto."
"Heh, pode ajudar, na verdade. O que irmãs mais novas fazem? Deduram você e quebram suas coisas?"
"Acho que irmãos mais novos quebram suas coisas. Talvez... ficar pedindo carona e revirar os olhos pra tudo que eu digo?"
"Aff, que seja," Eve disse revirando os olhos dramaticamente.
"É, exatamente."
Eve começou a rir, e Mal não ficou muito atrás.
"Acho que isso vai funcionar bem," Eve disse.
"É. Eu também. Comida?"
"Sim, por favor."
Eles comeram em pontas opostas do sofá enquanto assistiam a um filme. De vez em quando, cada um olhava para o outro, avaliando, às vezes só sorrindo um pouco.
****
"Aff, por que é tão difícil achar um emprego bom?" Eve gemeu.
"É a vida," Mal disse.
"Vou acabar, tipo, trabalhando em fast food ou algo assim nesse ritmo," Eve disse.
"Ah, vai com calma. Você só está nisso há uma semana."
"É, bem, você é a única família que eu tenho. Não quero começar a te explorar demais."
"Como assim começar?" Mal provocou.
"Ei! Grosseiro. Vou arrumar um empregão e um lugar muito melhor que o seu, aí vamos ver quem ri."
Mal riu e deu um tapinha na cabeça de Eve ao passar. "Esse é o espírito."
Eve ficou quieta e olhou para Mal. Ele se virou e corou ligeiramente com a intensidade dos olhos dela nele.
"O quê?" ele perguntou.
"Você acabou de dar um tapinha na minha cabeça."
"Ah. Desculpa."
"Não, não me importo. Só... isso pareceu tão coisa de irmão mais velho."
"Dar tapinha na sua cabeça?"
"É, sabe," Eve disse. "Tipo um jeito afetuoso, mas também deliberadamente condescendente."
"Hm. Talvez eu sirva pro cargo, afinal."
Os lábios de Eve se contraíram em meio sorriso. "É, talvez sirva."
****
Só algumas semanas depois Eve fez algum progresso na busca de emprego. Ela chegou em casa muito animada um dia, ansiosa para compartilhar.
"Ei, adivinha?"
Mal se virou e lhe deu um olhar pensativo. "O quê?"
"Nem vai tentar adivinhar?"
"Você encontrou um emprego?"
Eve franziu a testa ligeiramente. "Ok, chute de sorte."
"Bem, se você não queria que eu adivinhasse, por que você—"
"Adivinha que tipo de emprego, porém?"
"... Stripper?"
"Ah! Você realmente acha que eu faria isso?"
"Não sei. Provavelmente não," Mal disse. "Só não queria adivinhar certo de novo e estragar sua graça."
"Bem, você podia ter adivinhado algo que me fizesse soar melhor."
"Ah, desculpa. Carpintaria?"
"Carpintaria?"
"É uma profissão sólida," Mal disse. "Mas pra ser honesto, talvez devêssemos mergulhar nas suas neuras sobre trabalho sexual. Não precisa ser estigmatizado, sabe. E você daria conta."
"Estou trabalhando meio período numa biblioteca," Eve disse, cedendo. "O que é essa história de eu dar conta de ser stripper?"
"Bem, só dizendo. Parabéns pelo emprego, aliás. Parece um lugar acima da média pra trabalhar."
"É o que espero." Eve sorriu maliciosamente. "Você me acha gostosa."
"De um jeito objetivo, claro."
"Mesmo eu sendo sua irmã."
"Só de sangue."
"Haha, você está ficando vermelho. Você me acha gostosa sim."
Mal suspirou. "Bem, essa linha de provocação deu um belo tiro pela culatra."
"É, deu mesmo. Ah, vou me divertir tanto com isso."
"Será que pode não fazer isso?"
Eve pestanejou. "Qual é o problema, maninho? Tá muito tímido perto da garota gostosa agora?"
Mal revirou os olhos, deu um passo mais perto de Eve, e então abruptamente estendeu a mão e bagunçou o cabelo dela. Ele deixou o cabelo meio despenteado antes de Eve se afastar bruscamente e cobrir a cabeça, soltando um som agudo de surpresa e desaprovação no processo.
"Ei!"
"Acho que teria sido divertido crescermos juntos," Mal disse.
"Bem, óbvio," Eve disse. "Sou um encanto."
"E tão modesta também."
"Poderia ter sido constrangedor, porém, você tendo uma quedinha por mim o tempo todo quando éramos crianças e tal. Poderia ter—"
"Última vez que te faço um elogio, juro."
Eve sorriu, ainda tentando alisar o cabelo. "Mas eu agradeço."
"Aham."
"Acho que posso sempre tentar ser a bibliotecária sexy. É meio que uma meta divertida pra mim."
"É, faça isso," Mal disse. "Você é tão idiota."
"Tanto faz. Você adora."
****
"Acho que posso começar a procurar um lugar," Eve disse.
Mal olhou para ela do outro lado do sofá. "O quê? Por quê?"
"Como assim por quê? Porque não quero dormir no seu sofá pra sempre, e agora tenho dinheiro entrando."
"Você ainda está em meio período."
"É, bem, não disse que a busca seria fácil. Tenho certeza que você não quer eu por perto o tempo todo."
"Por que você diz isso? Eu... tem sido bom ter você por perto."
Eve inclinou a cabeça. "É?"
"É. Não sei, é tipo... é muito menos solitário," Mal disse. "Meio que sinto falta de privacidade, mas tem muito menos conversa comigo mesmo ultimamente."
Eve bufou. "Você acha que sente falta de privacidade? Você pelo menos tem um quarto."
"Ah, certo. Acho que isso tudo é meio ruim pra você, né?"
"Não. Não diria isso. Gosto muito de ter um irmão, e sinto que meio que te conheci bem em alguns aspectos, mas... sabe, somos ambos adultos. Precisamos do nosso espaço."
"Você pode usar meu quarto pra se masturbar se quiser."
"Ai meu Deus! Não foi isso que quis dizer."
"É parte do que você quis dizer."
"Bem... é, parte. Mas tipo... não posso pegar seu quarto toda vez que precisar de espaço."
"Ah, podemos tentar. Posso dormir no sofá às vezes até."
Eve franziu a testa. "Bem, você definitivamente não precisa fazer isso."
"Não é altruísmo. Só significa que vou me sentir melhor quando começar a te cobrar aluguel."
"Ha, que seja. Eu devia pagar algum aluguel de qualquer jeito. Você não precisa ficar com a cama ruim."
Mal coçou a nuca. "E se... e se a gente procurasse um lugar maior juntos?"
"O quê?"
"Sabe. Se você quiser."
"Você realmente me quer por perto esse tanto?"
Mal deu de ombros. "Não sei se você está só brincando, mas é, acho que quero. Sei que ainda é estranho às vezes, e a gente sofre com privacidade, e não nos conhecemos completamente, mas... isso é parte de ter um irmão, não é?"
"Acho que sim. Talvez."
"Só acho que seria legal ter mais disso."
Eve jogou o cabelo. "Você pode se arrepender. Uma vez que estiver preso a mim de verdade, posso me tornar intolerável."
"Bem, foda-se. Aí a gente briga e se xinga e vai emburrado pro quarto."
"... foda-se, isso soa incrível mesmo. Estamos fazendo isso?"
"Quer dizer, talvez."
"Ok." Eve mordeu o lábio, então se moveu desajeitadamente para mais perto de Mal. "Eu... não estou muito acostumada com pessoas me querendo por perto a longo prazo, na verdade."
Mal colocou o braço em volta dela. "Somos família."
"É. Somos, né?"
****
"Esse lugar é até bem bonitinho," Eve disse. "E no nosso orçamento. Especialmente com a biblioteca me dando mais horas. Eles gostam de mim lá, aparentemente."
"Acho que você estava certa sobre ser a bibliotecária sexy," Mal disse.
"Todo mundo ama uma bibliotecária sexy," Eve concordou, imperturbável. "Gosto desses dois quartos de um lado do apartamento, e acho que a cozinha e a sala são quase iguais ao seu lugar."
"Mais espaço no balcão, porém," Mal disse. "Vitória definitiva aí."
"Espaço no balcão é o que te convence?"
Mal suspirou. "Sinal certo de ser adulto. Realmente me convence."
"Ha, o maninho tá ficando velho," Eve disse. "E eu ainda sou jovem e fofa."
"Você trabalha em uma biblioteca. É tipo o emprego mais adulto que você podia arranjar."
"Ah, isso não é verdade. Jovens podem trabalhar em bibliotecas."
"Claro, se forem almas velhas, eu acho."
Eve fez biquinho. "Você só está tentando me provocar."
"Bem, duh."
"Isso não é legal."
"Você começou."
"Não comecei."
"Começou sim."
"Não comecei!"
"Começou sim!"
Eve e Mal se encararam por um momento.
"Então, quer pegar esse lugar ou o quê?" ele perguntou.
Eve deu de ombros. "Vamos pensar, mas devíamos definitivamente começar a falar em assinar algo."
"É, concordo."
****
"Isso é tão empolgante pra caramba," Eve disse.
"Você não tem cama," Mal disse.
"Ok, sim, tecnicamente. Mas eu tenho um quarto. A cama está a caminho."
Mal olhou em volta do quarto que Eve começara a arrumar. Estava bem vazio até agora, com um buraco notável onde ela queria a cama.
"Onde você vai dormir até lá?"
"Bem, ainda tem o sofá. Ou posso só me virar no chão por algumas noites."
Mal balançou a cabeça. "Isso parece meio anticlímax."
"Não tenho ideia melhor."
"Bem... por que você não divide minha cama?"
"O quê?"
"Só por algumas noites ou algo assim."
"... na sua cama. Com você."
"Não de um jeito estranho. Você é minha irmã."
Eve ergueu uma sobrancelha. "Só de sangue."
"Ah, para. Foi só uma ideia."
"É uma boa, na verdade. Só acho que... bem, nem sempre fico quieta enquanto durmo. Você deveria ver quantas vezes rolei do sofá."
"Sério?" Mal perguntou. "Muitas, foi?"
"Bom... duas, eu acho. Mas aconteceu, esse é o ponto."
"Haha, ok. Bem, é com você. Não me importo de um jeito ou de outro."
****
Eve pensou demais no assunto. Ela sabia que estava pensando demais, e sabia que estava sendo meio covarde enquanto andava na ponta dos pés até a porta do Mal, depois parava e voltava, e repetia a sequência.
Ele estava deitado na cama lendo quando ela finalmente criou coragem e enfiou a cabeça pela porta.
"Aquela oferta ainda está de pé?" ela perguntou.
Mal assentiu. "Mmhm. Estou quase terminando um capítulo aqui."
"Legal. Você, hã, está de roupa debaixo das cobertas, né?"
Mal bufou. "Sim, Eve. Muitas vezes não estaria. Mas não vou tentar, tipo, te enganar pra vir pra cama comigo enquanto estou pelado."
"Que bom irmão."
Eve se aproximou, hesitando antes de rastejar pra cama, mas acabou dando de ombros e simplesmente fazendo.
"Não aguentava mais o sofá," ela disse, como se precisasse se explicar.
"Eu entendo."
"Se isso acabar sendo estranho demais, pelo menos consegui uma noite numa cama de verdade."
"Justo."
"Você se importa mesmo?"
Mal colocou o livro de lado, mas não apagou a luz do abajur ainda. "Me importo, na verdade. Só estou tentando ficar de boa. Na verdade, não durmo, tipo, com alguém faz um tempo."
"Você quer dizer só dormir?"
"Sim. Dos dois jeitos, na real. Eu não... tenho dificuldade em criar laços próximos. Sinto que me autossaboto fácil demais. E acho que pegação e coisas assim não são muito a minha praia."
Eve afundou um pouco mais sob as cobertas. "Acha difícil confiar nas pessoas?"
"Mais ou menos? Acho que tenho dificuldade em acreditar que alguém vai continuar gostando de mim. Tipo... como se eu tivesse um prazo de validade de quanto tempo alguém curte minha companhia."
"Isso faz sentido."
"O quê?"
"Não, desculpa, não sobre você. Só quis dizer que também me sinto assim às vezes. E, honestamente, nem é totalmente injustificado. As pessoas podem ser muito babacas às vezes."
"Isso é verdade." Mal apagou a luz e se remexeu desajeitadamente no seu lado da cama, se ajeitando com cuidado para não invadir a linha imaginária entre ele e Eve. "Espero não parecer muito grudento às vezes. Eu realmente só gostaria de te manter na minha vida por um tempo."
"Você pode acabar ficando preso a mim, na verdade. Laço de sangue e tal."
"É. Família. De vez em quando... não."
"O quê?"
"Não quero falar."
"Obviamente quer," Eve disse. "Ou não teria começado."
"Quero dizer... ok. Às vezes o pensamento simplesmente vem na minha cabeça, sem rima nem razão, de que eu tenho uma irmã. E meio que me faz sorrir."
"Aww. Isso é legal."
"Cala a boca."
"Não estou zoando," Eve insistiu. "Isso é realmente legal."
"Ok. Bem, vou dormir antes que me envergonhe mais."
Mal rolou de lado, de costas para Eve. Ela considerou por um momento, depois rolou pra perto e o abraçou por trás.
"Também estou feliz por ter um irmão," ela sussurrou.
"Obrigado. Você está... vai soltar?"
"Em um minuto."
Eve não queria soltar. Era bom demais só segurar, e se agarrar ao irmão.
Mal não falou mais nada sobre o assunto. Cada um só ficou ali deitado e sentiu a respiração mútua desacelerar.
"Ainda está acordado?" Eve perguntou baixinho.
Mal grunhiu. "Sim."
"Estou te mantendo acordado?"
"Não. Isso é... legal."
"Bom. A gente pode trocar se você quiser, no entanto."
Mal considerou. "Não," ele finalmente decidiu.
"Não? Só não?"
"É."
"Por quê?"
"Você vai me fazer falar?"
"Bem, não sei o que você--"
"Provavelmente vou ficar duro," Mal disse. "Não seria de propósito. É só... você sabe. Deitado na cama com uma garota. Coisas acontecem."
"Sou sua irmã."
"Só de sangue."
"Hmph. Acho que ainda sou uma garota, né?"
"Até onde sei, sim."
"Mas isso ainda está ok?" Eve perguntou.
"Sim. Isso é bom."
"Ok."
****
Mal e Eve acordaram no seu próprio tempo na manhã seguinte. Continuaram enroscados desde a noite, basicamente iguais a como tinham ido dormir.
Nenhum dos dois se mexeu por um tempo, mesmo quando perceberam que o outro também estava acordado. Qualquer reconhecimento desse fato parecia que quebraria algum tipo de encanto.
"Um de nós tem que se mexer em algum momento," Mal sussurrou.
"Não sei se isso é verdade," Eve murmurou de volta.
"Bem, ou isso ou vai ficar bem constrangedor quando um de nós fizer xixi na cama."
"Constrangedor pra você, talvez. Você é quem vai se dar pior de qualquer jeito."
"É assim que você quer jogar?"
"Na verdade não. Mas acho que se fazer xixi em você for o único jeito de estabelecer dominância..."
Mal riu, depois suspirou e se soltou do abraço de Eve. Sentou na beira da cama por um momento, imóvel.
"Já estou menos confortável," Eve disse. "Não sei se gosto disso."
"Nem eu."
"Então deita de volta por alguns minutos."
"Não posso."
"Por que não?"
Mal suspirou. "Sabe tesão de acordar?"
Eve bufou baixinho. "Sei o que é."
"Bem, estou com um."
"Haha, sério?"
"Não é tão engraçado."
"É um pouco engraçado."
"É só uma coisa que acontece," Mal enfatizou.
"Eu sei. E aconteceu enquanto você dormia com sua irmã," Eve explicou pacientemente. "Essa é a parte engraçada."
"Coincidência. Nada mais."
"Ainda assim engraçado."
Mal estreitou os olhos, depois girou lentamente até que a barraca em sua cueca ficasse virada para Eve. Eve sorriu abertamente para a evidência da sua ereção, depois guinchou quando ele se arrastou para mais perto dela.
"Ainda engraçado?" Mal perguntou de leve.
"Haha, eca, tira isso da minha cara," Eve riu, dando tapinhas no irmão.
"Achei que você tinha dito que era engraçado."
"É! Mas não quero na minha cara desse jeito."
Mal se arrastou para mais perto de novo. "Assim?"
Eve guinchou e girou para poder chutar Mal. Ele agarrou os tornozelos dela, embora não conseguisse segurar os dois ao mesmo tempo e mantê-la parada.
Os dois riram e brincaram com seu impasse por mais um tempinho; Mal tentando enfiar sua ereção em Eve, e Eve tentando mantê-lo à distância. Nenhum dos dois tinha vantagem particular, e eles mais ou menos tiveram que se contentar com um empate.
"Você deveria ir... fazer o que tem que fazer," Eve disse. "O que quer que fosse."
"Eu ia fazer. Você insistiu que eu voltasse pra cama."
"Não se você vai esfregar seu pênis em mim."
"Certamente não é isso que vou fazer," Mal disse.
"Eu sei, porque estou te expulsando da cama."
"Só enfiei um pouco na sua cara. Muito diferente de esfregar em você toda."
"Ah. Me enganei então." Eve deu um empurrão firme em Mal com os pés, e quase o derrubou da cama.
Mal riu e saiu cambaleando, desequilibrado por um momento antes de se firmar. Ele foi mancando para o banheiro enquanto Eve só olhou para ele indo embora.
Uma vez sozinho, e especialmente depois de entrar no chuveiro, Mal olhou pensativamente para sua ereção. Ela não estava indo embora sozinha tão cedo. Ele talvez tivesse que fazer algo a respeito. E, na verdade, ele poderia realmente querer fazer algo a respeito.
Seus olhos se fecharam e ele suspirou involuntariamente ao envolver a mão ao redor do seu pau. Não era só tesão de acordar. Ele estava com tesão. Muito, muito tesão.
Isso era meio que um mau sinal, de certa forma. Eve era sua irmã. A sensação dela apertada contra ele a noite toda não deveria estar persistindo tanto, e definitivamente não deveria fazê-lo se sentir assim.
Mas estava tudo bem. O corpo dele só não sabia a diferença. Ela era calorosa e feminina, e disparou algumas reações automáticas nele. Era só isso. Provavelmente.
Enquanto Mal se masturbava com culpa no chuveiro, Eve não estava muito melhor na cama dele. Quase assim que ele saiu, Eve tinha a mão na calcinha. Ela não tinha ousado enfiar a mão por baixo ainda, mas definitivamente estava sentindo a vontade.
O problema era que ela ainda estava deitada na cama dele, e o leve cheiro dele estava ao seu redor. Ele pairava nos lençóis, e no corpo dela. Ela só queria ele de volta com ela, abraçando mais, estando juntos. Ela nem tinha certeza se realmente queria tê-lo afastado com tanta força. Tinha sido brincalhão, claro, mas se ele tivesse enfiado o pau na cara dela, se ela tivesse simplesmente deixado...
Não, isso era errado. Mal era seu irmão. Só tecnicamente, talvez, mas isso não era a mesma coisa que só morar com um cara qualquer. Ela não podia simplesmente ficar com tesão nele por capricho.
Ela estava com tesão, porém. Isso não ia sumir com lógica.
Eve enfiou os dedos por baixo da calcinha. Ela podia se masturbar. Não precisava significar nada. Assim como Mal ter tesão de acordar. Podia nem estar relacionado a dormirem juntos. Podiam ser só hormônios estranhos agindo.
Ela podia meio que explicar isso como sendo a primeira vez que dormia numa cama de verdade em um tempo. Dormir no sofá simplesmente não era tão propício para brincar consigo mesma.
Eve se esfregou, vagamente ciente de que estava em um cronômetro, de certo modo. Mal voltaria mais cedo ou mais tarde, e ela precisava terminar até lá. Ela não tinha um grande senso de urgência, no entanto. Ela ouviria quando o chuveiro desligasse, o que lhe daria bastante aviso. Ela poderia gozar até lá.
Um tempo depois, Mal terminou de se masturbar no chuveiro e demorou para se secar e voltar para o seu quarto. Eve ainda estava deitada na sua cama, e no começo ele pensou que ela tinha dormido de novo. Ela virou a cabeça preguiçosamente para encará-lo, indicando que ela estava, de fato, acordada. Ela só não estava com pressa de se mexer.
"Sonolenta esta manhã ou o quê?" Mal perguntou.
Eve deu de ombros. "É bom estar numa cama de novo."
"Mesmo tendo que compartilhar?"
"... Honestamente, até gostei dessa parte."
Mal corou de leve. "Sim, eu também."
****
Eve cantarolava para si mesma enquanto colocava livros nas prateleiras naquela manhã. Ela não pretendia ser irritantemente animada, embora em retrospecto ela certamente estivesse.
"O que te deixou tão feliz esta manhã?"
Eve se virou para Anya, sua colega de trabalho e alguém que ela tinha começado a considerar uma amiga ultimamente.
"Ah, nada," Eve disse.
"Nada?"
"Bom..."
Anya sorriu. "É alguma coisa, não é? Ou alguém?"
"Talvez."
Anya sorriu mais abertamente. "Então de quem estamos falando? Um cara novo na sua vida? Ou... uma garota nova?"
Eve balançou a cabeça, atrapalhada. "Ai meu Deus, não. Não é o que você está pensando."
"Não? Merda, estou sendo muito insistente por detalhes, não estou?" Anya suspirou. "Gosto deste trabalho, mas sinto falta da quantidade enorme de fofoca do meu último."
"Prometo que fofocaria com você se tivesse alguma."
"É?"
"Sim. Mas, tipo, eu só dormi com alguém e--"
"Ooh!"
"Não desse jeito!" Eve acrescentou rapidamente. "Quero dizer literalmente só dormir. Dormimos na mesma cama. Só isso."
"E você está tão feliz assim depois?"
"Foi... sim. Sim, acho que estou."
"Então ainda tenho interesse," Anya disse. "Mas é melhor eu voltar ao trabalho por agora. Se você conseguir pensar em alguns jeitos de descrever isso de forma mais picante, por favor, fique à vontade."
Eve revirou os olhos e terminou de guardar o carrinho cheio de livros.
Ela e Anya continuaram conversando de vez em quando ao longo do dia. Eve desviou Anya para falar sobre sua própria vida amorosa por um tempo, mas honestamente Eve meio que queria discutir a sua própria coisa, ela só não estava super confortável em deixar certos detalhes escaparem. Fora de contexto, provavelmente soaria como se ela quisesse transar com o irmão, e ela não precisava desse tipo de rumor a assombrando.
"Então você gosta desse cara misterioso, sim?" Anya disse.
Eve corou. "Bem... sim. Mas não do jeito que você está insinuando."
"Bem, eu não entendo. Como é que você está dormindo na cama com alguém, vem trabalhar super feliz depois, e você nem sequer--"
"Ele é meu irmão," Eve finalmente deixou escapar. Ela queria contar de qualquer jeito, mesmo tendo quase certeza de que as consequências não valiam a pena.
"Ele é seu... ah."
"Acabamos de nos encontrar. Nunca o conheci enquanto crescia. Então, você sabe, realmente não foi nada além de só dormir."
Os olhos de Anya estavam arregalados. "Aw, sério? Isso é... meio que bonito."
"É?"
"Sim. Um irmão perdido há muito tempo, e vocês dois estão se unindo assim. Até dormindo juntos."
"Só porque minha cama nova ainda não chegou," Anya se apressou em acrescentar.
"Claro, claro. Honestamente, às vezes sinto que gostaria de poder simplesmente abraçar alguém sem ter que ser toda uma coisa. Tipo, você sabe, geralmente você tem que transar para chegar nas partes boas."
Eve inclinou a cabeça. "Isso é... um jeito de ver."
"Desculpa, isso soou super estranho quando eu disse? Sinto que soou super estranho."
"Não, nem tanto. Ainda sou a garota dormindo com o irmão."
Anya riu. "Bem, eu talvez não colocasse assim se fosse você."
Eve também riu baixinho. "Bom ponto. Mas, hã, você não precisa realmente transar com ninguém se não quiser."
Anya assentiu. "Eu sei. Mas, tipo, eu não me importo. E como eu disse, você não consegue as coisas boas se não fizer. Relacionamentos platônicos não envolvem muito abraço, andar de mãos dadas e sussurrar coisas românticas um para o outro."
"Isso é meio verdade."
"E na verdade estou com um garoto de quem gosto muito agora. Ele é um amorzinho total."
"Bem, isso é bom."
Anya sorriu. "É sim. De qualquer forma, se fosse eu, acho que inventaria qualquer desculpa para continuar me enroscando no seu irmão. Parece uma coisa boa para mim, e claramente te deixou feliz."
"Deixou. Você não acha que seria estranho, no entanto?"
"Talvez. Mas estranho nem sempre é ruim. É só algo diferente, e às vezes o jeito que as pessoas fazem as coisas normalmente não é o melhor, na verdade."
"Verdade." Eve suspirou. "Tenho muito em que pensar."
****
"Você conta para as pessoas sobre mim?" Eve perguntou.
"Sobre você?" Mal perguntou. "Claro. Você é minha irmã. Todos os meus amigos sabem de você. Você conheceu alguns deles."
"Ah, claro. Mas, tipo, que dormimos juntos noite passada, por exemplo."
"Não, isso não. Por quê?"
"Posso ter contado sem querer para a Anya no trabalho hoje."
"Sem querer?"
"Não de propósito, quero dizer."
"Eu sei o que sem querer significa," Mal disse. "Quero dizer, por que você contaria para ela que dormimos juntos?"
"Acho que só queria contar para alguém. Ela sabe que não fizemos, você sabe, nada além de dormir."
"Isso é bom."
"Acho que ela estava com inveja, na verdade," Eve disse pensativamente. "Pelo menos um pouco."
"... o quê?"
"Precisaríamos conversar mais sobre isso, mas acho que talvez ela não goste tanto de sexo, e a ideia de alguém para dormir que não quer sexo soou muito boa para ela."
"Eu não diria que não quero sexo," Mal disse. "Isso é--"
"Comigo?!"
"Não! Só no geral, quero dizer. Obviamente. Você é minha irmã."
Eve deu de ombros. "Só de sangue."
"Eve!"
"Desculpa."
"Se você vai tornar isso estranho, vou ter que te expulsar da cama."
Eve fez biquinho. "Você não expulsaria sua própria irmã da cama, expulsaria?"
"Tenta."
Mal não tinha certeza total do que estava acontecendo com Eve, mas estava bem ciente de que era um momento confuso na vida de ambos. Ele também não queria expulsá-la da cama de jeito nenhum, independentemente do que tinha dito.
Eve veio e se sentou com ele no sofá por um tempo. Ela pegou o braço dele, se aninhou nele, depois colocou o braço dele de volta ao redor dela. Ele deixou acontecer, e até a puxou mais forte contra ele enquanto só estavam ali juntos.
"Serei honesta," Eve disse depois de um tempo. "Não acho que estou realmente procurando um namorado ou algo assim hoje em dia."
"Está só me contando?" Mal perguntou. "Ou... quer dizer por minha causa?"
"A segunda." Eve suspirou. "Acho que Anya está certa sobre algumas coisas. Tipo... tipo, muito do que eu gostaria de um relacionamento é conforto e companheirismo e abraço, de qualquer forma."
"E sexo?"
"Bem, sim, um pouco disso, eu acho. Mas quão importante é, realmente?"
"Depende de para quem você pergunta, eu acho."
"Justo. Quão importante é para você?"
Mal mordeu o lábio. "Acho que me sinto desconfortável respondendo essa pergunta."
Eve olhou para ele com olhos grandes e suaves. "Por quê? Não quer falar sobre sexo com sua irmã?"
"Talvez não enquanto você está sentada tão perto."
"Pff. Bebê grandão."
"Bem, quão importante é para você então?"
Eve ficou quieta por um momento até Mal cutucá-la.
"Eu disse--"
"Eu ouvi você," Eve disse. "Eu... não sei."
"Você não sabe?"
"Não."
"Você nunca..."
Eve se remexeu um pouco. "Não. Nunca."
"Ah."
"Isso é estranho?"
"Não acho."
"Só nunca senti vontade. Como se houvesse alguém que eu amasse desse jeito."
"Isso, hã, não precisa ser sobre amor," Mal apontou.
"Isso é verdade, eu acho. E honestamente houve algumas pessoas por quem me senti atraída."
"Sexualmente?"
Eve deu de ombros. "Elas me deixam com tesão."
"Isso é um começo."
"Mas não sei, é uma coisa ficar com tesão e pensar em alguém enquanto estou na cama. É--"
"Só pensando?" Mal perguntou.
"O quê mais?"
"Nada."
"... você quis dizer se eu me masturbo pensando em alguém, não foi?"
"Não com essas palavras."
Eve estreitou os olhos ligeiramente. "Achei que não queria falar sobre isso com sua irmã."
"De fato, já estou me arrependendo da pergunta", Mal disse. "Se é isso que você está insinuando."
"Uh, hum. Enfim, não sei. Tesão é uma coisa. Mas realmente transar com alguém... quer dizer, teria que haver uma conexão, certo? Atração mútua. Confiança. Essas coisas."
"De novo, acho que nem sempre."
"Bom, pra mim teria. Eu... eu não costumo me aproximar de pessoas com facilidade."
"Você se mudou pra minha casa quase imediatamente", Mal disse. "Isso foi bem fácil."
"É, bem... você é meu irmão."
"Só de sangue."
"É mais que isso agora." Eve olhou para Mal. "É mais que isso, certo?"
Mal assentiu firmemente. "Com certeza. Você tem razão. Mas naquela época era só isso."
"Verdade. Estou feliz com o jeito que você se revelou."
"Ha, igualmente."
****
Eve se enfiou na cama com Mal de novo. Não discutiram, ela simplesmente fez. Ficaram deitados separados por um tempo no escuro, sem falar, só pensando.
"Sabe por que eu uso Eve?" Eve finalmente perguntou.
"... porque é seu nome?" Mal arriscou.
"Não. Legalmente é Samantha. Meu nome do meio é Evelyn."
"Ah. Daí Eve."
"Sim. Mas também, tipo... isso vai soar estranho."
Mal virou a cabeça na direção de Eve. Seus olhos já tinham se ajustado o suficiente ao escuro para que ele pudesse ver o contorno do rosto dela. "Você não precisa me contar se não quiser. Eu nem saberia que Eve não era seu nome se você não tivesse acabado de falar."
"Eu quero te contar."
"Ok."
"Mas...."
Mal rolou na direção dela e colocou o braço sobre a barriga dela. "Pode falar."
"Ok", Eve disse com uma voz mais baixa. "Sabe, tipo, a famosa Eva?"
"A famosa--"
"Da bíblia."
"Ah. Essa aí."
"Sim. Tipo a primeira mulher, do jeito que a história conta."
Mal assentiu. "Claro. Você adotou o nome dela?"
"Mmhm. Mas é meio que... tipo, Eva nunca teve família, certo? Um dia ela simplesmente aparece lá, sem pais, sem irmãos, nada." Eve deu de ombros. "Pareceu certo."
"Consigo entender", Mal disse. "Embora alguém poderia argumentar que ela tinha um irmão."
"Como alguém poderia argumentar isso?"
"Bem... se ela e Adão foram ambos feitos pela mesma pessoa...."
"Ah. Tipo, eles eram irmãos." Eve ruminou sobre isso por um momento, então deu uma risadinha. "Bom, isso seria meio ruim. Segundo a história, eles tiveram filhos juntos e tudo mais."
"Acho que quando são só os dois, talvez eles não se preocupassem tanto com pressões sociais e tal."
"É por isso que irmãos não transam? Pressão social?"
"Vou ser honesto, não pensei muito nisso."
"É justo." Eve rolou de lado, ficando de costas para Mal. "Sua vez de ser a colher grande, aliás."
"Você cem por cento vai ter um pau duro de manhã na bunda se fizermos isso."
"Vou sobreviver."
Mal hesitou só um instante. "Ok."
Eve suspirou contente quando Mal se aconchegou atrás dela como concha. "Acho que gosto de ser a colher pequena."
"Todo mundo gosta. É a colher melhor."
"Você não sabe disso."
"Talvez não." Mal se remexeu e se acomodou mais confortavelmente. "Gostei que você me contou isso. Sobre seu nome e tudo."
"Você é a única pessoa para quem eu contei."
"Mmm."
"Mal?"
"Sim?"
"Quando estávamos conversando antes... você já transou, não foi?"
Mal gemeu. "Você espera até agora para trazer isso de novo?"
"Aparentemente, sim. Você não precisa responder."
"Eu... tudo bem. Tive algumas vezes. Houve uma garota... não durou, digamos assim. Acho que ficaria com vergonha até de mencionar se você já não tivesse me contado que nunca esteve com ninguém."
"Por que vergonha?"
"Porque não fiz muita coisa, e mesmo o que fiz não foi bom."
"Por que eu me importaria de qualquer jeito?" Eve murmurou. "Eu poderia ser uma super vagabunda e não me importaria com o que você andou fazendo. Não faz diferença."
"Talvez não. São aquelas pressões sociais aparecendo de novo, eu acho."
"Claro. Coisinhas chatas, né?"
"Podem ser."
Os irmãos ficaram em silêncio por um instante, até que Eve lentamente sorriu e falou de novo.
"Falando em coisas que aparecem...."
Mal suspirou. "Bem, eu te avisei que isso poderia acontecer."
"Você sugeriu que seria de manhã", Eve disse.
"Pois é, bem... aparentemente não."
"Você ainda vai conseguir dormir?"
"Acho que sim. Quer que eu fique do meu lado da cama?"
Eve balançou a cabeça. "Não."
"Sério?"
"Sim, o quê, uma pequena ereção vai me incomodar?"
"Pequena?!"
"Hehe, ok, uma ereção enorme. A maior ereção que o mundo já conheceu."
"Você não está melhorando a situação", Mal disse.
"Genuinamente é o maior pau que já tive me cutucando enquanto tento dormir", Eve disse.
"Isso é... ok, chega de discutir o tamanho do meu pênis, obrigado."
"Ok."
****
Mal ainda estava duro na manhã seguinte. De fato, foi preciso cada mínima gota de força de vontade que ele tinha para não começar a se esfregar na bunda de Eve quando acordou. Seria certamente uma pequena gafe, ele decidiu.
A lógica ditava que ele deveria levantar e ir bater uma no chuveiro ou algo assim. A lógica, infelizmente, não estava vencendo.
Eve finalmente se mexeu, e depois de um pouco de rebolado que fez ambos sentirem coisas perigosas, ela pulou da cama e saiu do quarto com passos suaves sem olhar para trás.
Mal sabia que precisava checar com sua irmã e garantir que as coisas estavam ok, mas antes disso ele precisava lidar consigo mesmo. Ele puxou as cobertas para baixo, e sua cueca box, então envolveu o punho ao redor do pau. Estava tão carente esta manhã, pulsando antes mesmo de começar a acariciá-lo. Uma consequência de ter ficado encaixado contra a bunda de uma garota a noite toda, ele supôs.
"Ei, você--"
Eve parou bruscamente quando entrou de volta no quarto. Ela e Mal travaram os olhos um no outro, nenhum dos dois ousando se mover.
"Bem, isso foi rápido", Eve finalmente disse.
"É, desculpa", Mal disse. "Eu... eu estava com tesão."
"Por minha causa?"
"Sim, por sua causa."
"Ah." Eve se aproximou sorrateiramente e se ajeitou na cama de joelhos. "Você está tão duro."
"Bem... sim."
Mal pegou o cobertor para cobrir-se de novo. Eve o deteve.
"Não se cubra agora", ela sussurrou.
"Meu deus, Eve. Não me tente."
"Quem está tentando? Você ia bater uma de qualquer jeito."
"Esperei até você sair do quarto", Mal disse.
"O quê, tipo cinco segundos depois que eu saí?"
"... talvez."
Eve olhou diretamente nos olhos de Mal. Até então ela estivera encarando principalmente o pau dele.
"Quero ver você fazer isso", ela disse suavemente.
"Sério?"
"Sim."
"Por quê?"
"Porque estou com tesão, eu acho. Acho que eu sabia o que dormir juntos de novo ia fazer comigo. E eu quis mesmo assim."
Mal assentiu e moveu a mão só um pouco no seu membro. "Tive que bater uma ontem de manhã também, logo depois de entrar no chuveiro."
"... talvez eu tenha me esfregado na sua cama enquanto você fazia isso."
"Meu deus!"
"Eu sei." Eve se remexeu, saltitando levemente sobre os joelhos. "Então você vai fazer?"
"Isso é ruim."
"Ninguém está fingindo que não é."
Mal tentou relaxar e se deitar. Sua mão estivera enrolada no pau esse tempo todo. Ele começou a acariciar de novo enquanto sua irmã se ajoelhava e assistia de olhos arregalados.
Eve observou seu punho subir e descer, encarando atenta e curiosa todo o processo. Era basicamente o que ela imaginara que seria, o que de fato vira em coisas online, mas testemunhar na realidade era algo totalmente diferente. Ela não conseguia acreditar no quão excitada podia ficar só de assistir um garoto bater punheta.
Bem, não um garoto qualquer. Seu irmão. Irmãs definitivamente não deveriam encorajar seus irmãos a bater punheta enquanto elas assistiam. Ela tinha bastante certeza disso. Talvez fizesse diferença o fato de não terem crescido como irmãos. Talvez isso tornasse ok. Provavelmente não, no entanto.
Mal observou Eve enquanto ela o encarava. O jeito que ela mordia o lábio, cerrava os punhos, e lentamente se remexia enquanto ele batia punheta meio que o excitava ainda mais. As coisas que ele estava pensando não eram dignas de jamais serem reconhecidas, mesmo que estivessem vindo da sua própria cabeça.
Eve continuou se aproximando cada vez mais em incrementos quase imperceptíveis, embora fosse bastante óbvio que ela se mexera quando já estava pairando sobre Mal e seu pau.
"É melhor quando outra pessoa faz isso?" Eve perguntou suavemente.
"Pode ser", Mal disse. "Por quê?"
Eve deu de ombros. Mal a olhou desconfiado, mas ela não se moveu imediatamente nem disse nada.
"Nunca ninguém fez isso para mim antes", Mal admitiu. "Então acho que realmente não sou a melhor pessoa para perguntar."
Eve inclinou a cabeça, os olhos ainda fixos no punho dele subindo e descendo. "Ah, não? Nem aquela garota com quem você transou?"
"Especialmente não ela. Ela tinha umas visões estranhas sobre as coisas. Criação religiosa, acho. Só podíamos transar com as luzes apagadas, debaixo das cobertas. Eu... acho que nunca sequer a vi nua, quanto mais consegui que ela me tocasse assim."
Eve mordeu o lábio de novo, os dedos se abrindo e fechando. Ela chegou a uma decisão e lançou a mão para o pau de Mal, empurrando-o para o lado e envolvendo-o em seu lugar.
"Como se sente isso?" ela perguntou.
Mal ofegou. "Eve!"
"O quê?"
"Isso é...."
"Bom? Ruim?" ela sugeriu prestativa.
"Quer dizer, bom, mas não sei se é uma boa ideia."
"Ah, isso é fácil", Eve disse. "Definitivamente não é uma boa ideia."
Ela acariciou a mão tentativamente para cima e para baixo. Seu irmão estava tão duro. Pulsando, até. E estava meio escorregadio do próprio pré-gozo.
Eve mal conseguia ficar parada. Isso era facilmente a coisa mais excitante que ela já fizera, e já estava mexendo com ela. Coisas do tipo extremamente quentes e molhadas.
"Sempre é assim?" Eve perguntou.
"O que você quer dizer?"
"Seu... quando você está duro. É assim que se sente?"
"Bem, sim. É basicamente assim que funciona. Não muda muito."
Eve assentiu distraidamente. "Faz sentido."
Mal a observou enquanto ela brincava com ele. Ela estava tão concentrada no que fazia. Era incrivelmente fofo e sexy ao mesmo tempo.
E a sensação dela, o jeito que ela o tocava e acariciava, era o tipo de coisa que podia deixar um garoto louco. Não só a sensação física, mas a percepção de que ela estava curiosa e explorando, se divertindo ao mesmo tempo que queria fazê-lo se sentir bem. Ele não estava acostumado com esse tipo de coisa, mas decidiu que era algo que precisava na sua vida.
"Isso é muito bom", Mal disse suavemente.
Eve corou e brincou com o cabelo como desculpa para não encará-lo por um momento. Ela manteve uma mão nele o tempo todo, sem querer jamais soltar.
Os dois estavam presos nesse jogo perigoso deles. Eve sabia que era culpa dela, que ela havia começado, mas agora parecia um pouco fora de controle. Talvez já fosse assim desde o começo.
"Eu não deveria fazer isso, no entanto", Eve disse.
"Sim, já sabíamos disso."
"Por que você deixou?"
"Deixar você? Por que você fez?"
"... eu queria ver como era."
Mal assentiu. "Igualmente, eu acho. Não tenho realmente pensado nisso tudo com muita clareza."
"É difícil pensar com clareza agora", Eve disse.
"É verdade."
Mal puxou Eve para mais perto, fazendo-a se inclinar sobre ele. Ele ergueu a cabeça e a beijou.
"Você não pode fazer isso!" Eve sibilou.
"Por que não?"
"Sou sua irmã!"
"Só de sangue."
"Esse é exatamente o tipo de irmã que você não pode beijar!"
Mal a beijou de novo. "Eu te levaria mais a sério se você não me batesse punheta com mais força toda vez que eu te beijo."
"... cala a boca."
"Ok."
"E... e me beija de novo."
Mal sorriu torto. "Claro."
Eve se deixou cair para frente, deitando-se metade em cima de Mal. Ela continuou batendo punheta nele, segurando firme na mão. Seus beijos eram irresistíveis. Ela podia muito facilmente deixar que a consumissem por inteiro.
Mal estava apaixonado pelo calor de sua irmã em cima dele. O jeito que ela se sentia contra ele e se remexia nele, o jeito que ela cheirava e o gosto que tinha. A mão dela em seu pau mantinha uma grande parte de sua atenção, como era de se esperar. Beijá-la e tê-la perto ocupava todo o restante do seu foco.
O vaivém da mão de Eve eventualmente fez Mal gozar. Ele gemeu em êxtase orgásmico. Ela guinchou de surpresa com a explosão repentina.
"Ai meu deus", Eve sibilou. "Você consegue sentir isso?"
"Claro que consigo sentir isso", Mal gemeu. Seus olhos reviraram enquanto seu gozo espirrava sobre ambos.
"Você está pulsando tão forte."
"Mmhm."
"E você me encheu de porra."
"Desculpa."
"Não está, não."
Mal riu e puxou Eve para perto para outro beijo. "Não", ele concordou. "Não estou."
Eve se deixou ser envolvida nos braços do irmão e se afogar em mais e mais beijos. Ela se sentia tão quente e segura com ele. Suja do gozo dele, sim, mas tão feliz e excitada que nem a incomodava. Ela só queria os lábios e as mãos dele nela.
"Aquilo foi muito bom", Mal disse. "Obrigado."
Eve prendeu o lábio dele entre os dentes e o mordiscou brincalhona. "Eu não fiz nada."
"Você me fez gozar."
"Só sem querer. Eu só queria ver como era."
"Com um pênis? Ou... comigo?"
"Ambos."
Mal suspirou. "É uma pena que você seja minha irmã. Seria tão fácil me apaixonar por você."
Eve ergueu a cabeça e afastou parte do cabelo bagunçado do rosto. "O quê?"
"Desculpa, isso foi intenso demais. Eu quis dizer--"
"Não, tudo bem. Entendo. Me preocupo às vezes de estar me agarrando demais a você. Você é a única família que tenho e... e já não sei o que faria sem você."
"Você realmente não precisa fazer nada que não queira, no entanto."
Eve mordeu o lábio. "Acho que você não precisa se preocupar com isso", ela murmurou.
"Ah, é? Então se eu--"
Eve gritou e pulou para longe antes que Mal pudesse envolvê-la em seus braços de novo. "Pare! Tenho que ir trabalhar. Nunca vou sair da cama nesse ritmo."
"Poderíamos ligar dizendo que estamos doentes."
"Não me tente. Preciso desse emprego ou vou ter que folgar às suas custas de novo."
"Você poderia me pagar com punhetas."
"É, você ia gostar, hein?"
Mal sorriu enquanto Eve saltava da cama. "Você pelo menos quer que eu tente te fazer gozar?"
"Não."
"Tem certeza? Você parece meio excitada."
"Estou", Eve disse, tentando não pensar em quão molhada sua calcinha estava, e quão quente e palpitante ela estava por dentro. "Mas meio que gosto. Nunca me senti exatamente assim antes. Quero que dure."
"Você é mais forte do que eu, então. Eu teria precisado bater punheta se você já não tivesse feito isso para mim."
"É diferente. Não tenho uma ereção aparecendo por aí para todo mundo ver."
"Sim, é verdade. Melhor vestir umas calças, ou sua calcinha vai--"
"Sim, sim, está encharcada." Eve sorriu timidamente. "Você fez isso comigo, sabia."
Mal pareceu totalmente satisfeito consigo mesmo. "Sim, eu fiz."
****
Eve estava toda enrolada em seus próprios pensamentos no trabalho. Ela se movia principalmente no piloto automático, assustando-se com frequência até mesmo com interações rotineiras com outras pessoas.
"O que está havendo com você?" Anya perguntou.
"Hm? O que você quer dizer?" Eve disse.
"O que você acha que eu quero dizer? Você esteve atordoada o dia todo e fica sorrindo sozinha quando acha que ninguém está olhando."
Eve balançou a cabeça. "Isso... não é verdade."
"É sim. Estive entediada até os ossos o dia todo e não consigo sequer arrancar uma conversa de você para aliviar a dor, então não tive nada para fazer a não ser observar." Anya apontou um dedo acusador. "E você, mocinha, está feliz com alguma coisa."
"Ah. Desculpa."
"Não precisa se desculpar. Mas podia pelo menos compartilhar um pouco. Me dar algo interessante para pensar."
"Eu-- ah, Mal!"
Anya se virou para ver Mal entrando, como Eve já havia notado. Mal acenou e começou a se aproximar.
"Espera, esse é o Mal?" Anya perguntou. "Seu irmão?"
Eve assentiu feliz. "Sim."
"Ah. Ok, bem, agora estou interessada."
"Desculpa, você não pode tê-lo."
"Não era por isso que eu estava interessada", Anya disse.
"Por que, então?"
"Por causa do jeito que seu rosto se iluminou quando você o viu. Quase como se estivesse apaixonada."
Eve sorriu radiante. "É, quase, né?"
"Ei", Mal disse quando chegou perto o suficiente. "Não quero interromper."
"De forma alguma", Anya disse com um aceno vago da mão.
"O que você está fazendo aqui?" Eve perguntou, movendo-se perigosamente perto do irmão. Ela não tinha superado o quão excitada ele a deixara aquela manhã.
"Pensei que talvez pudéssemos jantar depois do trabalho?" Mal disse. "Sei que você provavelmente ainda não saiu, mas--"
"Ah, não se preocupe com isso", Anya disse. "Posso terminar sozinha. O dia foi parado."
"Sério?" Eve disse. "Obrigada."
"Não se preocupe. Vá se divertir."
"Vou." Eve olhou rapidamente em volta, então roubou um beijo de Mal.
Os olhos de Anya se arregalaram comicamente. "Ai meu deus!"
"Isso não costuma acontecer", Mal disse.
"Ele é um bom irmão", Eve disse, como se isso explicasse tudo.
"Você me disse que não estavam fazendo nada assim", Anya sibilou, olhando em volta assim como Eve tinha feito um momento atrás para se certificar de que ninguém mais estava observando.
"A gente não estava," Eve disse. "As coisas mudaram." Ela deu de ombros. "Além disso, você teria descoberto mais cedo ou mais tarde de qualquer jeito. Mesmo se eu não tivesse sido uma tonta total hoje."
"Podia ter deixado para depois," Mal sugeriu.
"Pff, por quê?" Eve disse. Ela apertou a mão de Mal na sua. "Você me faz feliz."
Mal corou. "Bem... que bom."
"Ok, isso é incrivelmente fofo," Anya disse. "E... talvez bem perturbador também. Mas também... caramba, não sei. Só vão se divertir, tá?"
"A gente vai," Eve disse com firmeza.
"E caprichem nos chamegos," Anya acrescentou.
"Com certeza," Mal concordou, colocando um braço em volta de Eve e a guiando gentilmente para longe.
"Viu," Eve disse baixinho quando estavam fora do alcance dos ouvidos. "Ela acha a gente adorável."
"E estranhos."
"Bem... é. Mas ainda assim."
"Você tem certeza que foi uma boa ideia contar para ela?"
Eve balançou a cabeça. "Não. Mas não tenho certeza se qualquer coisa disso é boa ideia. Não vou deixar isso me parar."
Mal ficou quieto e pensativo por um momento. "Acho que... acho que eu tenho certeza, na verdade."
"Não, não tem."
"Por que não posso ter?"
"Porque você não esteve mais certo do que eu esse tempo todo."
Mal assentiu e apertou a mão de Eve com suavidade. "É verdade. Mas aí você me beijou na biblioteca agora há pouco, e... e ficou muito claro para mim que você é a pessoa com quem eu quero fazer coisas assim."
Eve olhou de lado para Mal. "O beijo?"
"Mmhm."
"Não eu ter te masturbado esta manhã?"
"Bem, isso ajudou. Mas não. Aquilo foi divertido e excitante, e foi especial. Mas tem algo em te beijar em público."
"Ah é?"
"Sabe, tipo, é mais oficial."
"Não teve nada de oficial naquilo," Eve disse.
"Teve sim," Mal insistiu. "Foi você muito desafiadoramente dizendo ao mundo ao seu redor que este é o garoto que você quer beijar, e você não se importa quem saiba."
"Quer dizer... eu contei para uma pessoa, e eu me importo muito com quem sabe."
"Ainda assim. Foi bom, e pareceu certo."
Eve se sentiu toda quente e formigando por dentro e andou mais perto de Mal. "É mesmo?"
"É. Tipo, acho que não importa que você seja minha irmã. Acho que você é quem eu deveria estar. Acho que eu já sabia disso de qualquer jeito, e aquele beijo realmente me forçou a ver isso."
Eve parou de repente, e Mal a olhou com preocupação súbita.
"Se tudo bem," ele acrescentou tardiamente.
"Claro que tudo bem, bobo," Eve disse. "Só que importa sim que eu sou sua irmã. Eu... eu te amo porque você é meu irmão, e por causa de tudo. Mas sermos irmãos... isso é parte de nós. Ninguém pode tirar isso. Mesmo que tenham tentado tanto tempo atrás."
"Você está certa, claro."
Mal lentamente se aproximou para beijar Eve. Ela ficou parada, feliz, apenas inclinando a cabeça para encontrar os lábios dele. Eles estavam em uma rua pública onde qualquer um podia ver. Não estava muito movimentada, e provavelmente ninguém os reconheceria, mas ainda assim era muito exposto.
O coração de Eve bateu mais forte no peito depois do beijo. "A gente devia jantar, ou nunca vamos fazer nada," ela murmurou.
"Como assim, você não quer ficar aqui fora beijando seu irmão a noite toda?" Mal provocou.
"Mmm, eu quero fazer isso, na verdade. Por isso mesmo que a gente tem que ir agora."
"Ah."
****
Os irmãos passaram o tempo no restaurante prestando muito mais atenção um no outro do que na comida. Os olhares sonhadores de um para o outro, os sorrisos constantes e risadinhas abafadas, e as pequenas brincadeiras de pés por baixo da mesa teriam sido absolutamente enjoativos se eles tivessem que sentar e assistir outro casal se comportar daquele jeito.
"A gente não vai ser aquele casal, vai?" Eve perguntou.
"Que casal?"
"Sabe, o tipo irritantemente meloso."
"Não consigo imaginar por que você pensaria isso," Mal disse. "Estou só saindo para uma refeição perfeitamente normal com minha irmã, como irmãos às vezes fazem."
"Pff, claro. E o jeito que você esteve me encarando como se não pudesse esperar pela primeira oportunidade de me beijar de novo?"
"Você sabe, como irmãos às vezes fazem."
Eve caiu na gargalhada e teve que cobrir a boca com a mão até se acalmar de novo. "As pessoas estão olhando," ela sussurrou.
"E daí? Elas não sabem que você é minha irmã."
"Você fica anunciando a cada duas frases, se alguém estiver prestando atenção."
"Fico? Ops."
"Ah sim, ops. Só espera até eu te levar para casa."
Mal sorriu radiante. "Mal posso esperar."
"Mmm, aposto que não pode."
Eles foram brevemente interrompidos pela garçonete voltando. A pobre garota parecia mais nervosa cada vez que voltava, embora nenhum dos dois tivesse certeza de quanta conversa ela tinha escutado até agora.
"Provavelmente é só porque somos um casal tão fofo," Mal disse.
"É. Provavelmente só isso," Eve concordou.
"Não porque ela sabe que somos irmão e irmã em um encontro."
Eve riu. "Você continua falando alto! Todo mundo vai saber nesse ritmo."
"Talvez eu não me importe."
"Talvez eu também não. Às vezes a gente não é muito inteligente, né?"
"Podemos não ser. Provavelmente essa coisa de irmãos, sermos tão parecidos e tudo."
Eve mordeu o lábio e lançou a Mal um olhar excepcionalmente sonhador. "É o que nos torna especiais."
"Falando nisso, você acha que a gente se apaixonar um pelo outro é por sermos irmãos? Tipo nosso laço de sangue ou algo assim?"
Eve fez uma pausa para pensar na pergunta. "Huh, não sei, na verdade. Acho que eu teria gostado de você de qualquer jeito, mas também não acho que a gente teria se conhecido tão rápido. E talvez nem tivéssemos nos conhecido."
"Isso é bem verdade." Mal estendeu a mão e segurou a de Eve, passando o polegar sobre os nós dos dedos dela. "E além disso?"
Eve olhou para os dois lados e baixou a voz. Ela olhou fundo nos olhos de Mal enquanto falava. "Acho que gosto muito de estar nos braços do meu irmão mais velho. Me faz sentir segura e amada."
Mal estremeceu e mordeu o lábio. "Eu também me sinto seguro e amado com minha irmãzinha."
"Isso é laço de sangue, você acha?" Eve perguntou suavemente. "Ou a gente só tem problemas?"
"Pode ser os dois."
"Ah, claro."
"Eve... se eu te abraçar de novo como na noite passada..."
Eve sorriu como se soubesse exatamente o que Mal não tinha dito. "Acho que talvez eu esteja torcendo por isso."
"Ah, uau."
"Mmhm."
"Talvez... talvez a gente saia daqui então?"
"Para você me levar para casa e fazer coisas indizíveis com sua irmã?"
Mal arqueou uma sobrancelha. "Agora quem está transmitindo?"
"Eu falei baixo. Ninguém ouviu."
"Devíamos ir antes que a gente se meta em confusão."
Eve assentiu. "É. Para não nos metermos em confusão. Certo."
****
Os irmãos chegaram em casa e quase imediatamente começaram a se agarrar. Eve se agarrou a Mal, inadvertidamente o puxando para fora de equilíbrio e se jogando contra a parede. Ficar se beijando enquanto estava presa contra a parede daquele jeito meio que funcionou para ela.
"Acho que foi bom a gente ter vindo para casa," Mal murmurou. "Você está realmente excitada, hein?"
Eve beijou seu irmão mais algumas vezes. "A piada é sua. Eu estive excitada o dia todo."
"Eu teria feito você gozar esta manhã."
"Eu sei. Mas aí eu poderia ser capaz de pensar nas coisas de forma lógica."
Mal franziu a testa. "Isso parece uma coisa boa de se conseguir fazer."
"Talvez. Mas nem tanto quando eu quero transar com meu irmão."
"Eve..."
"Porque eu quero, sabe. Acho que talvez eu já soubesse que queria esta manhã."
"Foi por muito pouco esta manhã," Mal concordou suavemente.
"Você também acha, né?"
"Tá brincando? Acordar ao seu lado daquele jeito, aí você brincando comigo?"
"E os beijos," Eve disse.
"É, isso também."
"Então... você queria transar comigo?"
"Não sei. Não sei o que eu queria fazer." Mal beijou Eve de novo. "Acho que sei agora, no entanto."
Eve sorriu. "Imagina se você não tivesse gozado esta manhã o quanto você estaria precisando."
"Não sei disso. Acho que quando você me fez gozar... isso me fez precisar de você muito mais do que se eu só estivesse com tesão o dia todo."
Eve deu de ombros. "Diferença de opinião então. Eu preciso tanto disso agora."
"De mim?"
"De você. Claro que de você. Meu irmão. Não há ninguém como você. Não para mim."
Mal acariciou a bochecha de Eve, olhando fundo nos olhos dela. "Minha irmã..."
"Mmhm!"
"Acho que vou precisar começar a tirar suas roupas."
"Hehe, exatamente o que toda irmã quer ouvir."
"Pff, cala a boca. É o que esta irmã quer ouvir."
Eve assentiu ansiosamente e envolveu os braços atrás do pescoço de Mal, puxando seus rostos para perto. "Você está certo, sabe."
"Eu sei."
Eles se beijaram mais, agarrando-se firmemente um ao outro. Eve então soltou um gritinho quando Mal deslizou as mãos por baixo da camisa dela e a empurrou para cima pelo corpo.
"Ah, uau, você está realmente fazendo isso," ela ofegou.
"Claro," ele disse.
"Você me quer nua."
"Simmm."
Eve prendeu a respiração enquanto deixava seu irmão remover sua camisa. Mal a olhou com tanta necessidade e adoração depois que ela relaxou e se pressionou de volta contra ele.
"Vou permitir," Eve declarou.
Mal bufou. "Isso estava em questão?"
"Bem... eu não faço isso com qualquer um, sabe."
"Só comigo?"
"Mmhm!"
Mal beijou Eve com fome, prendendo-a contra a parede novamente por um momento. "Você está nervosa," ele acusou em um sussurro fraco.
"Talvez."
"Você não precisa estar. Sou eu."
"É por isso," Eve disse. "Nunca me importei tanto com alguém. E... e nunca precisei tanto que alguém gostasse de mim."
"Eve, eu gosto de você. Você sabe disso. Eu... eu te amo, até. Você não precisa se preocupar."
Mal acariciou a bochecha dela. Eve se inclinou para o toque dele, fazendo grandes olhos carentes para ele.
"Estou preocupada de ser ruim de cama," ela disse timidamente. "Posso ser... posso ser ruim em um monte de coisas que você quer fazer. Eu--"
Mal riu e passou as mãos pela pele quente e nua de Eve. "Você acha que eu sei o que estou fazendo?"
"Mais do que eu."
"Talvez. Talvez um pouco. Eve... eu não quero que você seja boa nisso. Só quero que você seja você. E quero estar com você. Não me importo se a gente nem transar. Não precisamos se você não quiser."
"Você parece bem ansioso para alguém que não se importa," Eve disse.
"Estou. Mas se você disser não, tudo bem."
"Eu não quero dizer não, bobo. Só... estou nervosa."
Mal sorriu torto. "Vai ser como esta manhã," ele disse. "Quando você entrou e brincou comigo. Você não estava nervosa então, né?"
"Nem tanto," Eve admitiu. "Não do mesmo jeito. Você acha que talvez a gente pudesse começar devagar assim?"
"Como você achava que íamos começar?"
"Não sei. Não sei o que você queria."
"Eve, é o que nós dois queremos. Não é só sobre mim."
"Isso é verdade." Eve mordeu o lábio. "Mal... posso tirar sua camisa agora?"
"Por que você está perguntando?"
Eve sorriu timidamente e puxou a camisa do irmão. Eles se juntaram de novo, sem camisa e carentes. Mesmo enquanto se beijavam mais, Eve já estava atrapalhada com as calças de Mal.
Mal ficou muito feliz em ser despido primeiro, se era isso que deixava sua irmã mais confortável. Ele gentilmente os guiou na direção do seu quarto no processo, já que parecia um bom lugar para acabar.
Os irmãos deixaram um rastro de roupas espalhadas pelo chão do apartamento no caminho. A nudez crescente deles combinava com sua necessidade cada vez maior um do outro, e certamente alimentava o jeito como se apalpavam e paravam para amassos mais quentes e desleixados.
"Isso é melhor mesmo," Eve murmurou ao redor dos lábios de Mal enquanto seus dedos circulavam o pau dele, já tão duro em sua mãozinha quente.
"Você gosta mesmo de mim pelado, hein?" Mal provocou.
"É reconfortante."
"É isso que é?"
"Mmhm."
"Bem, você pode me ter assim quando quiser."
"Isso é bom de ouvir."
Eve acariciou seu irmão, sentindo a segurança e o tesão que vinham de já ter feito isso uma vez antes.
Ela ainda estava de calcinha, a única peça de roupa entre eles. Mal ficava cutucando-a, silenciosamente pedindo permissão para removê-la também. Eve o rechaçou gentilmente só por um momento enquanto reunia coragem, antes de finalmente olhar direto nos olhos dele com todo o amor que uma irmãzinha poderia reunir.
"Você pode me ter nua quando quiser também," ela disse.
O olhar no rosto de Mal não tinha preço.
Incapaz de suportar mesmo aquele pequeno momento de intensidade, Eve se lançou para trás na cama. Ela quicou algumas vezes ao aterrissar, então deliberadamente ficou deitada com as pernas um pouco abertas e encarou seu irmão em um convite silencioso.
Mal aceitou a proposta de Eve. Ele deu um passo à frente, então se inclinou para engatinhar entre as pernas dela.
"Que tal sempre?" ele disse.
"Bem, talvez não tão frequentemente."
"Por que não?" Mal perguntou, beijando Eve na parte interna da coxa, logo acima do joelho.
"Tenho que ir trabalhar e coisas assim ainda."
"Talvez eu te mande nua."
Eve guinchou e chutou os pés petulantemente. "Nãão!"
"Talvez eu mande, no entanto."
"Você não faria isso comigo."
"Não, não faria. Mas é divertido pensar nisso."
Eve queria fazer beicinho, mas era difícil reunir entusiasmo para isso quando Mal continuava a beijar subindo por suas coxas. Ela nunca tinha sido tocada assim antes. Nunca tão intimamente pelos lábios de alguém.
Mal sorriu para si mesmo com o jeito que Eve derreteu sob seus avanços. Ele não estava planejando nada em particular com seus beijos, mas estava conseguindo uma baita reação dela mesmo assim.
Ele beijou até a calcinha dela, até beijando por cima dela e sentindo como estavam molhadas em seus lábios. Eve estava gratificantemente encharcada já, e sua calcinha grudava docemente em sua boceta.
Eve tremeu enquanto Mal puxava sua calcinha pelas pernas. Seu corpo inteiro era uma mistura de nervos, antecipação e uma ânsia inacreditável.
"Agora o que você vai fazer comigo?" ela perguntou, olhos brilhando com necessidade mal contida.
"O que você acha?" Mal perguntou, passando as mãos pelas coxas nuas de Eve e admirando a visão dela.
"Não sei."
"Acho que você sabe."
Mal beijou subindo pelas coxas de Eve de novo, direto para sua boceta. Não havia nenhum pedaço fino de roupa no caminho desta vez. Apenas ela. Apenas sua irmã.
Eve ofegou com o jeito que os lábios de Mal acariciavam suas áreas sensíveis. "Acho... acho que vamos transar."
"Mmm, é o que eu acho também."
"Vai ser bom, né?"
"Espero que sim."
"Você poderia ser mais reconfortante que isso."
Mal sorriu para Eve. "Não sei como isso vai ser. Mas tudo parece bom com você até agora, e eu meio que te amo, então estou otimista."
Eve estendeu a mão para bagunçar o cabelo de Mal. "Eu meio que te amo também. E talvez eu nem me importe tanto se for bom. Só quero estar com você."
"Isso eu posso prometer."
"Bom. Eu preciso de você."
Mal beijou a boceta de Eve de novo, então engatinhou por cima do corpo dela, dando mais alguns beijos no caminho.
"Como você precisa de mim?" ele perguntou.
"Comigo. Me amando." Eve engoliu nervosamente. "Em mim."
"Eve..."
Mal beijou o pescoço dela, pressionando-se contra ela. Ele estava tão duro e pronto para ela, precisando de sua irmã tão desesperadamente.
"Faz," ela sussurrou.
As mãos de Eve encontraram o pau de Mal. Ela o guiou para sua boceta, urgindo-o em direção ao seu objetivo mútuo.
Mal empurrou um pouco ansiosamente demais algumas vezes, deslizando para fora da fenda molhada de Eve no processo. Ele teve que ir com calma e deixá-la ajudar. Juntos eles o colocaram dentro dela, afundando lentamente em sua bocetinha quente.
"Malll," Eve gemeu.
"Quer que eu pare?"
"Não! Só... você está em mim."
"Mmhm."
"Estamos conectados."
Mal brincou ociosamente com os seios de Eve enquanto se deleitava na sensação da boceta dela ao redor de seu pau. "Sempre estivemos."
Eve riu. "É, mas não assim. Não fisicamente."
"Verdade. É uma sensação diferente. Ainda gosto de ser seu irmão."
"Mmm, claro." Eve envolveu os braços em volta de Mal e o puxou para perto para um beijo. "Isso não muda nossa conexão de sangue."
"Nada nunca vai mudar."
"Isso mesmo."
Mal afundou mais fundo em sua irmã, fazendo-a guinchar enquanto a enchia. "Você é tão gostosa," ele respirou.
"Obrigada," Eve disse timidamente.
Eve ofegou e se perdeu em algumas sensações novas e maravilhosas enquanto Mal se movia gentilmente para frente e para trás em sua boceta. Ela soltou um gemido involuntário em certo ponto, então fez questão de fazê-lo mais de propósito assim que percebeu que isso encorajava seu irmão. Ela só queria mais e mais.
"Ainda está tudo bem?" Mal perguntou.
Eve assentiu. "É tão booom."
"Bom, porque não sei se consigo parar."
"Mmm, nunca pare."
Mal riu suavemente. "Tenho que parar alguma hora."
"Nãão."
Eve entrelaçou os dedos no cabelo de Mal e guiou a cabeça dele para onde pudesse beijá-lo mais. Ele continuou enfiando nela enquanto eles se beijavam de um jeito bem desleixado e descoordenado.
Era tudo bem desleixado e bagunçado, realmente. Suas bocas e línguas estavam fazendo uma bagunça um no outro, e o enfiar do pau de Mal dentro de Eve estava fazendo sons cada vez mais obscenos. Ela estava tão incrivelmente molhada, e quanto mais forte Mal se movia, mais óbvio era em nível auditivo.
Eve amava e precisava daquilo. Ela estava indefesa sob seu irmão, necessitando de cada coisinha que pudesse ter dele. Ela queimava e derretia por ele ao mesmo tempo.
Mal estava igualmente fisgado e envolvido. Ele não conseguiria parar de transar com a irmã nem que tentasse. Eve era tão gostosa e perfeita, e ela devorava o ser dele das melhores maneiras possíveis. Ele a desejava como nada mais, e ficou completamente perdido no prazer compartilhado.
"Você vai me fazer gozar", Mal sussurrou.
Eve mordeu o lábio e assentiu para o irmão com olhos grandes e carentes. "Tá."
"Tem certeza?"
"Não me faça implorar."
Mal bufou de divertimento, depois gemeu e enterrou o rosto no pescoço de Eve. Ela acariciou o cabelo dele e o embalou enquanto as estocadas ficavam mais selvagens e menos controladas.
Porra quente explodiu do pau de Mal para dentro da buceta receptiva de Eve. Ela ofegou com a sensação nova e repentina, depois gemeu alto, misturando seus sons de prazer com os dele. Os dois foram um dueto de ruídos incompreensíveis por um tempo, lentamente substituídos por sons de beijos mais desleixados.
Mal se esvaziou no clímax mais satisfatório de sua vida, dando toda a sua porra para Eve da maneira mais inapropriadamente íntima possível. Parecia tão perfeito e certo gozar dentro dela, se unirem ainda mais perto do que nunca.
Mal riu baixinho enquanto desabava sobre Eve e a deixava continuar o acariciando ternamente.
"Qual é a graça?" Eve murmurou.
"Bem... antes a gente só era ligado por sangue", Mal disse.
"Hm, e daí?"
"E daí que agora também por porra."
"Pff, ok. Preciso anotar que você fica bobão quando goza."
"Não bobão. Só apaixonado."
Eve corou furiosamente e continuou embalando Mal para que ele não olhasse pra ela e notasse o rubor nas bochechas. "Definitivamente bobão."
"Haha, ok."
"Mas... você pode ficar apaixonado por mim se quiser. Acho."
"Ah, obrigado. Talvez eu fique."
"Bem, bom."
"Ok."
Eve acariciou o cabelo de Mal mais um pouco. "Acho que é pra você sair de cima de mim em algum momento", ela refletiu.
"Você quer que eu saia?"
"Não particularmente."
"Então não vou."
Eles ficaram deitados juntos por um tempo, nenhum dos dois se movendo além de se tocarem ternamente. Mal poderia facilmente ter pegado no sono em cima da irmã nua e amorosa. Eve se sentia segura e confortada com o corpo dele esticado sobre o dela, como o melhor tipo de cobertor pesado.
Mal eventualmente rolou para o lado, se espreguiçando com um longo suspiro.
"Achei que não ia me deixar", Eve fez beicinho.
"Você não queria mesmo que eu ficasse em cima de você pra sempre, queria?" Mal perguntou.
"Talvez não." Eve rolou preguiçosamente para cima de Mal, montando nele e se sentando no colo dele, logo abaixo do pau. "Você está duro de novo", ela observou, cutucando gentilmente a ereção dele.
"É, foi por isso que precisei me mexer", Mal disse. "Era isso ou... ou eu ia querer de novo."
Eve sorriu torto enquanto movia a buceta para mais perto para esfregar nele. "Não sei por que você achou que eu ia me importar", ela disse numa voz suave e ofegante.
"Nem eu, pensando bem."
"Eu ainda não gozei, sabe."
"Desculpa. Você deve estar quase explodindo, hein?"
Eve deu de ombros. "Na verdade não. Eu meio que gosto. Essa necessidade constante por você, excitada o dia todo, sem fim à vista."
"Eu não aguentaria."
"Mas é tão gostoso."
"Não dói depois de um tempo?"
"Eu não posso ter bolas azuis como você, sabe."
"Heh, verdade. Ainda assim, você devia gozar."
Mal estendeu a mão para a buceta de Eve. Ela gemeu baixinho e o deixou esfregar ao redor do clitóris por um momento.
Eve gentilmente afastou a mão de Mal enquanto agarrava o pau dele e se afundava nele. Uma vez acomodada, ela lhe deu um olhar profundo e intenso e assentiu enquanto ele colocava o polegar de volta no clitóris dela.
"Melhor comigo dentro de você, hein?" Mal perguntou.
"Simmm."
Eve começou a se balançar para frente e para trás um pouco. Ela guiava os dedos de Mal de vez em quando enquanto ele a esfregava, sendo tocada exatamente onde queria pelo irmão.
Mal estava absolutamente encantado com a visão da irmãzinha se esfregando em cima dele, tão nua e excitada e precisando gozar. Ele esfregou o clitóris dela amorosamente, sentindo o coração aquecer a cada gemidinho e gemido dela. Cada expressão de prazer dela enviava arrepios por ele, e combinado com ela o cavalgando, ele estava todo acelerado de novo.
Eve choramingou conforme se aproximava, se contorcendo descontroladamente e dificultando para Mal manter contato firme com o clitóris dela. Ela não conseguia se controlar. Não importava o quão bom fosse estar excitada e apaixonada pelo irmão, ela de fato precisava muito de uma liberação.
Ela gozou forte numa enxurrada de emoção e deleite físico. Foi uma sensação incrível e linda, mas também quase a levou às lágrimas pelo peso daquilo.
A mão de Mal estava na bochecha dela, afastando uma pequena umidade do canto do olho. Ela se inclinou no toque dele e o deixou a confortar.
"Talvez eu tenha deixado isso por tempo demais", Eve admitiu.
"Bem, vamos saber para a próxima."
"Heh, é." Eve beijou a palma da mão do irmão. "Me dá um momento?"
"Claro."
Mal passou as mãos suavemente sobre Eve. Ela ainda estava montada nele, ofegando levemente e com um brilho de suor agora. Ela parecia radiante para ele, e ele não queria nada mais do que tocá-la e abraçá-la, buscar conforto um no outro e saber que estava tudo bem enquanto estivessem juntos.
Ou talvez houvesse uma coisa que ele queria mais do que isso. Quando Eve começou a cavalgá-lo de novo, movendo os quadris de maneiras tão sutis e sensuais, ele imediatamente se perdeu de volta na emoção da união deles. Eve até sorriu timidamente para ele, sabendo exatamente o que ele estava sentindo.
"Você não precisa", Mal disse.
"Quem disse algo sobre precisar?" Eve retrucou.
Os olhos dela dançavam com malícia enquanto ela quicava no pau de Mal. Mal lentamente retribuiu um olhar divertido.
"É assim, então?"
Ela assentiu. "Ainda não terminei. Você pode pedir para parar se quiser."
"Pff, nem pensar. Eu... eu não sei se algum dia vou querer parar."
"Mmm, eu também."
Os irmãos continuaram transando intermitentemente por um longo tempo. Eles faziam pausas e tentavam coisas novas, mas encontravam verdadeira dificuldade em se manterem afastados um do outro. Só a exaustão eventual os impediu de passar a noite toda nisso.
Eve estava deitada ofegante ao lado de Mal, olhando ternamente para ele. Ele levou a mão dela aos lábios e beijou os dedos dela até que ela finalmente riu e puxou a mão de volta.
"Isso... isso foi tão bom", Eve disse.
"Eu sei. Foi incrível", Mal disse.
"Você gozou tanto dentro de mim."
"Haha, bem, você não parava de me fazer gozar."
"Hm, talvez. Acho que se estamos apaixonados assim... isso vai acontecer muito."
"É, acho que talvez aconteça." Mal lhe deu um olhar sério. "Sabe... o dia que você me encontrou é a melhor coisa que já me aconteceu."
"Melhor que hoje?"
"Chega perto, mas sim, na verdade. Eu poderia viver sem sexo, mesmo que fosse difícil voltar agora. Mas eu não poderia voltar a viver sem minha irmã."
Eve corou furiosamente. "Cala a boca. Isso é... isso é uma coisa fofa demais para se dizer."
"Mas é verdade."
"Eu sei. E estou feliz. Só não consigo lidar com muito romance agora, acho."
"Isso não foi romântico. Foi familiar."
"Bem, seja o que for", Eve disse, se inclinando para beijar Mal no nariz, "foi legal. E não se preocupe, você não vai ter que se preocupar em viver sem mim. Não vou a lugar nenhum. Eu também não quero viver sem meu irmão." Ela se aconchegou mais perto. "Agora me abraça bem enquanto eu tento não derreter."
"Ok."
Mal envolveu os braços em volta de Eve, pressionando os corpos deles juntos. A respiração e os batimentos cardíacos deles pareciam se fundir em um só, a conexão de sangue deles assumindo o controle.
Ser irmãos os tinha unido, e continuava sendo uma conexão importante para eles. Mas agora eles tinham conexões emocionais e físicas, e essas também eram importantes. Eles não tinham um vínculo familiar tradicional, mas era deles, e era o que eles precisavam em suas vidas. Agora eles eram um irmão e uma irmã; felizes, apaixonados, e juntos.