Renascimento Pt. 01
Capítulo 1
Olá a todos! Desculpem pela longa pausa. Aproveitem esta nova história!Rhea inspecionou o corte em seu pescoço pelo retrovisor. Droga de corretivo não adiantou nada. Ela imaginava que era pedir demais tentar cobrir um ferimento tão recente, mas esperava que pelo menos escondesse o pior.
Ela suspirou e olhou pela janela para a escola primária. Ainda não havia sinal de nenhum de seus filhos. Ela se abaixou para vasculhar a bolsa e puxou o corretivo que guardava dentro. Talvez outra camada resolvesse. Poderia parecer um pouco estranho, mas era melhor do que os filhos fazerem perguntas demais.
Até hoje, eles ainda achavam que o pai era simplesmente um empresário ocupado, viajando para longas conferências de trabalho e missões da empresa. Ele não se importara em corrigi-los, e Rhea achava melhor que pensassem nele assim, pelo menos por um tempo.
Mas ela sabia a verdade. Dois anos depois do casamento, descobrira a primeira amante dele. Quando o confrontou, ele deu de ombros com uma desculpa meia-boca e seguiu em frente. Um ano depois, descobriu que ele nem havia parado de ver a primeira e arranjara outra amante. Quando o pressionou, descobriu que o histórico de traições dele remontava ao noivado.
No início, ficou arrasada, como qualquer mulher ficaria. Com o tempo, o desespero deu lugar a algo parecido com alívio. Ele visitava cada vez menos o lar, e não estava por perto para machucá-la ou às crianças. Ela tocou o corte e estremeceu.
Ele chegara em casa tarde da noite passada, depois que as crianças estavam na cama. Descobrira que a louça não fora lavada e ficara furioso. Pegara uma faca, a segurara apesar de seus esforços, e cortara cuidadosamente seu pescoço. Doeria menos se ele estivesse apenas bêbado e golpeasse descontroladamente. O castigo frio e calculado doía muito mais.
De repente, as portas traseiras do carro se abriram, e seus filhos entraram deslizando. "Oi, mãe!"
Ela tirou a mão do pescoço e puxou a gola para cima. "Como foi a escola, Ash? Aprendeu algo empolgante?"
A jovem Ashley sorriu. "Acho que falaram de adjetivos ou algo assim. Não me lembro direito."
Rhea revirou os olhos. Duvidava. "Tá, mas o que você estava aprendendo?" Ashley adorava lembrar a todos ao redor de sua inteligência. Rhea entrava no joguinho de superioridade dela, mas sabia que não poderia durar para sempre se Ashley quisesse ter amigos.
Ashley deu de ombros. "Decidi revisar formações geológicas. Sabia que quando camadas horizontalmente paralelas de rocha sedimentar são depositadas sobre camadas inclinadas e erodidas, forma-se uma discordância angular?"
Rhea sorriu e balançou a cabeça. "Não, querida. Eu não sabia disso." Ela olhou pelo retrovisor para o filho. "E você, Zach? Aprendeu algo interessante na escola?"
Ele não respondeu, apenas olhando pela janela. Depois de um momento de silêncio, Ashley se intrometeu. "Zach brigou hoje."
Rhea ofegou e se virou para olhar para ele. "Zach! O que... Por que...?"
Ashley sorriu maliciosamente. "Acho que teve a ver com a May."
Isso fez Zach sair do torpor. Ele encarou Ashley. "Eu só odeio valentões. É só isso."
Rhea suspirou. "Zach, você sempre pode falar com um adulto. Tenho certeza que eles podem—"
"Mas eles não vão!" Ele cruzou os braços. "Adultos só ficam sentados conversando sobre isso. Eles falam com eles, e depois acham que está tudo bem." Ele se virou para olhar pela janela novamente. "Mas acho que o Greg não vai mais incomodá-la. Não mais."
Rhea mordeu o lábio. O que ela ia fazer com ele? As intenções dele eram boas — sempre eram boas —, mas ele era muito impulsivo. Ela conhecia o Greg. Na verdade, conhecia a mãe do Greg. Ele era um garoto corpulento, do sexto ano. Zach ainda nem tinha entrado na puberdade. Provavelmente não chegava nem ao ombro do outro garoto.
A escola não deveria ter ligado para ela? De olho na estrada, ela enfiou a mão na bolsa para pegar o telefone. 3 chamadas perdidas. Ela estremeceu. Deve ter acontecido durante o trabalho.
"Você vai castigá-lo, mamãe?" Ash perguntou inocentemente.
Rhea suspirou. "Não. Acho que ele já passou por castigo suficiente. Estou mais preocupada com o que a escola tinha a dizer então—"
Sem aviso, o telefone começou a tocar estridentemente. Ela tinha programado um alarme? "Ash, querida, você pode verificar meu telefone?"
Ash se inclinou para pegar o telefone e leu o que estava escrito. "Parece ser daquele aplicativo Gravity que a Grina baixou. 'Impacto iminente'."
A cabeça de Rhea girou. "Tem certeza? Diz algo sobre ser um alarme falso?"
Ash balançou a cabeça e franziu a testa. "Por quê? O que está acontecendo?"
A melhor e única amiga de Rhea, Grina, revelara ser uma sobrevivencialista de carteirinha. Era completamente paranoica com o fim do mundo e se juntara a uma organização, Gravity, para financiar abrigos nucleares. Ela insistia para Rhea assinar o serviço, então Rhea comprara a assinatura mínima.
"Ligue para a Grina, Ash." Rhea lutou para manter a voz calma. "Preciso falar com ela."
Ash obedeceu em silêncio enquanto Zach observava, confuso. Rhea respirou fundo várias vezes, as mãos apertando o volante. Aquele alerta só podia significar uma coisa...
Guerra nuclear. A equipe do Gravity organizara (provavelmente de forma ilegal) um grupo de satélites para detectar armas nucleares se aproximando. Normalmente, quando disparava, a mensagem dizia "Impacto Iminente: Teste de Simulação" ou "15% de chance de Armamento". Ela desativara as notificações havia muito tempo.
Ash colocou no viva-voz. "Alô? Rhea, você recebeu a mensagem?"
"Grina, o que está acontecendo? Do que se trata isso tudo?"
"É pra valer, Rhea," Grina disse sombriamente. "É o fim do mundo."
"Os noticiários ou alarmes ou algo assim não deveriam estar nos dizendo isso?" Rhea olhou nervosamente para o céu. "O que te deixa tão certa?"
"Os satélites do Gravity detectaram 215 unidades separadas descendo em direção à atmosfera. Isso não é brincadeira."
As sobrancelhas de Ash se franziram. "Mãe...?"
Rhea respirou trêmula. "O que fazemos?"
"Vá para o abrigo. Eu te encontro lá. Temos apenas cerca de meia hora, então arrumem suas coisas rápido." Então ela desligou.
A mente de Rhea disparou. Ela sentiu vontade de vomitar. Num instante, tomou sua decisão. Preferia que fosse um alarme falso e estar segura dentro de um abrigo a ignorar e descobrir que era real. Ela desviou para entrar na faixa em direção à rodovia.
Ash ficou em silêncio ao lado do irmão. Pelo menos ela percebera que não era hora de conversar. Seus olhos estavam arregalados e alertas.
Zach ainda parecia confuso com toda a situação e, como de costume, ficou de boca fechada. Rhea estava grata a ambos. Não podia lidar com a distração de uma explicação quando ela mesma não entendia direito o que estava acontecendo.
A primeira providência era levá-los para o abrigo. Nada em casa valia o risco de suas vidas. Depois, se tivesse tempo, ela iria correndo para casa pegar algumas coisas deles. Por ora, só precisava chegar ao abrigo.
Ela só tinha ido uma vez, mas o trajeto era bem memorável. Com apenas uma leve hesitação, ela pisou firme no acelerador e viu o velocímetro subir.
A viagem foi um trajeto em pânico e misterioso. O resto do mundo seguia tranquilamente, alheio ao que estava por vir. Ou então ela estava sendo ridícula e paranoica. Não sabia qual realidade preferiria.
Depois do que pareceu uma eternidade, chegaram ao abrigo. "Crianças, vamos." Ela rapidamente soltou o cinto e saiu. "Precisamos nos mexer."
Eles obedeceram sem questionar, embora ela pudesse ver que estavam ardendo de curiosidade. Ela os agarrou cada um por um braço e praticamente os arrastou para dentro do prédio.
As paredes brancas brilhantes e as salas bem iluminadas ajudaram a aliviar seu nervosismo. Ela se ajoelhou e colocou a mão nos ombros deles. "Agora, fiquem aqui. Eu volto em alguns—"
"Sistema de defesa automático ativado. Portas fechando em 3... 2... 1..."Rhea só pôde olhar em choque enquanto a enorme porta blindada suspensa descia e os trancava ali dentro. "O quê? Mas ainda temos vinte minutos!" Ela correu para a porta bem no momento em que a onda de choque atingiu.
Foi como nada que ela já tinha experimentado. O mais próximo que chegou foi quando era mais jovem, pulando no trampolim com os amigos, brincando de "Quebrar o Ovo". Ela ficava encolhida, e todos pulavam ao redor, tentando lançá-la com força suficiente para que ela se soltasse e se abrisse.
Só que não havia um trampolim macio e acolchoado. Aquilo era titânio duro e inflexível. As luzes desapareceram quase imediatamente, e com seu último pensamento consciente, ela rezou para que seus filhos ficassem bem.
Então a escuridão a tomou.
*************
Vários anos depois...
***************
Rhea cantarolava baixinho enquanto mexia as rações de sopa. Os anos passaram de forma simples e tranquila.
Ninguém mais conseguira chegar ao abrigo a tempo. Provavelmente acharam que os trinta minutos eram mais do que suficientes para pegar algumas coisas antes de chegar. Ela não sabia por que os cálculos estavam tão errados, e não havia como saber agora.
De qualquer forma, a falta de pessoas significava que havia recursos mais do que suficientes para eles. O abrigo fora preparado para durar 10 anos para cerca de cinquenta pessoas, e com apenas três deles, parecia que poderia durar muito mais. Infelizmente, por alguma razão, a comida vencia em vinte.
Ela ergueu os olhos para o relógio. Não havia datas ou anos nele, apenas o tempo restante que ficariam trancados ali. Estava chegando a três anos e alguns dias. Em alguns dias, eles celebrariam um aniversário. Não era o aniversário de terem ficado trancados ali — em vez disso, celebrariam adiantado quando poderiam sair.
A sopa borbulhante a tirou de seus pensamentos. "Crianças! É hora do jantar!"
Ashley chegou primeiro. Ela se tornara uma jovem espantosamente bonita, esguia e graciosa. Seus olhos brilhavam com uma inteligência incrível, mais brilhante do que nunca.
"Então, o que vamos comer hoje?" O rosto de Ashley azedou ao cheirar. "Sopa de novo não..."
"Eu sei que não é a sua favorita, Ash, mas vai ser a primeira a acabar. Precisamos comê-la primeiro."
"Ainda tem cinco anos de validade, mãe!" Ashley se acomodou em sua cadeira. "Acho que vou pular a de hoje."
Rhea franziu a testa. "Mocinha, você não pode ficar pulando refeições. Está definhando."
Ashley deu de ombros sem se comprometer. "Não estou morrendo de fome, e não estou exibindo sintomas de desnutrição. Vou ficar bem." Ela se levantou para voltar ao quarto.
Rhea a segurou pela gola. "Você vai pelo menos ficar para o jantar, mesmo que não vá comer. Precisamos do nosso tempo em família."
Ashley gemeu. "Estamos presos juntos nesta casa há vários anos. Acho que já tivemos tempo em família mais do que suficiente."
Foram interrompidos pela entrada de Zach. Ele crescera alto e puxara ao pai, bonito e temperamental. Estava coberto de terra e carregava nos braços vários objetos esféricos indistinguíveis.
Ashley sorriu. "Nossa, Zach, você parece que acabou de ser cagado por um búfalo."
Ele a ignorou e largou os melões no balcão. "Estão maduros. Preciso terminar de colhê-los." Ele hesitou. "Posso pular o jantar hoje para terminar?"
Rhea suspirou. "Como eu disse para sua irmã, não. Precisamos desse tempo juntos."
Ashley torceu o nariz. "Ela fez sopa de novo."
Zach cheirou fundo. "Legal. Eu adoro sopa."
Ashley ergueu as mãos com nojo. "Você é mesmo um porco. Age como um, e com certeza parece um."
Rhea bateu o dedo no queixo. "Ela tem razão, Zach. Talvez você devesse se lavar primeiro."
Zach suspirou. "Mas eu vou me sujar de novo depois do jantar."
Rhea se inclinou para pegar a mão dele e deu um pequeno aperto. "Acho que você pode se dar ao luxo de relaxar uma noite."
Ele a encarou inexpressivamente. "O que eu faria?"
Ela não sabia o que dizer. A maioria dos pais estaria tentando fazer os filhos fazerem alguma coisa, especialmente sem escola. Ela tinha que encontrar maneiras de fazê-los relaxar e aproveitar.
Ela cedeu. "Tudo bem, você pode tomar banho quando terminar hoje. Mas no festival eu espero que vocês dois larguem os livros e ignorem a fazenda por apenas um dia, ok?"
Ashley se inclinou para sussurrar no ouvido de Zach. "Ela não falou nada sobre a academia. Talvez a gente possa ir pra lá em vez disso." Ela não fez nenhum esforço para ser discreta.
Rhea franziu a testa bem-humorada. "Ou a academia! Por um dia, quero que vocês sejam apenas crianças normais, está bem?"
Eles assentiram. "Nós prometemos." Ash cutucou o irmão. "Promete, Zach?"
"Prometo."
Satisfeita, Rhea serviu porções de sopa e ofereceu uma tigela para cada um. Ashley usou uma colher para sorver levemente, enquanto Zach comeu rápido, tentando terminar para voltar à fazenda.
Rhea sorriu tristemente enquanto comia a sua. Ele odiava a sopa tanto quanto Ashley, talvez mais. Mas por pior que as coisas ficassem, ele nunca reclamava.
Ash, por outro lado, reclamava como forma de entretenimento. Ela reclamava de TUDO, usando isso como ferramenta para aprimorar suas habilidades argumentativas. Rhea não entendia bem o porquê, mas se acostumou.
Felizmente, Zach se acostumara com as provocações dela. Começara quando eles estavam entrando na adolescência, mais ou menos quando Zach ficou mais alto que a irmã. Ela o provocara implacavelmente sobre tudo, desde sua altura até sua fala lenta e as mudanças de voz... Tudo.
No início, ele ficara magoado, mas depois de uma longa conversa, Rhea e ele decidiram que era a versão de Ash de demonstrar afeto. Eles não contaram a ela, obviamente, mas ficou cada vez mais claro com o passar dos anos.
Depois do jantar, para surpresa de Rhea, em vez de sair correndo como Ash, Zach ficou para ajudar com a louça.
Ele lavava enquanto ela secava, um acordo tácito. Rhea inclinou a cabeça. "Algo em sua mente, querido?"
Zach suspirou. "Precisamos mesmo esperar três anos? Isso não tem uma anulação ou algo assim?"
Rhea pousou a tigela que estava secando. "Esse cronômetro não é arbitrário. É o tempo que o computador calcula até que o exterior seja seguro novamente. Relativamente seguro, isto é."
Zach franziu a testa. "Talvez o computador esteja errado. Os receptores de resíduos nucleares não detectaram nada o tempo todo."
"E é por isso," Rhea o lembrou, "que precisamos ser tão cuidadosos. O sistema pode estar com defeito, e nesse caso—"
"Nós nunca sairíamos." Zach se virou para olhar para a mãe. "Mas eles parecem estar funcionando perfeitamente. Talvez tudo isso tenha sido só um engano. Talvez seja por isso que você não captou nada no rádio."
Rhea hesitou. "Eu também não consigo sintonizar outras estações."
"Talvez seja uma falha de design da base! De qualquer forma, não há nada que diga que lá fora é realmente perigoso, exceto esse cronômetro."
Rhea bufou e colocou as mãos na cintura. "Não estou disposta a arriscar a segurança de vocês por impaciência. Você sentiu aquela onda de choque. Algo aconteceu — algo grande. Eu, por minha vez, vou confiar no computador." Seu rosto se abrandou. "E peço que você faça o mesmo. Mesmo que não possa confiar no computador, confie em mim. Pode confiar na sua mãe?"
Zach suspirou. "Tá. Tudo bem. Vamos esperar."
Rhea caminhou até ele e o abraçou, para sua surpresa. Ele ainda estava coberto de lama secando, mas ela não se importou. Fazia um tempo que não lhe oferecia afeto físico.
Ele ficou rígido antes de retribuir o abraço. Durante o confinamento, ela lera sobre aquela coisa chamada Linguagens do Amor. Não era preciso ser um gênio para saber que a dele era toque físico.
Ele a apertou. "Valeu, mãe." Ele lentamente a soltou. "Vou voltar para a horta agora."
Rhea sorriu ao vê-lo sair. Ele estava se tornando um jovem responsável.
Ela voltou a lavar a louça, perdida em pensamentos. Como seria o futuro dele? Ela não sabia. Tudo dependeria do que acontecesse quando abrissem aquela porta. Mas não parecia promissor.
Os rádios estavam em contato com todas as outras bases Gravity no mundo. Ela verificara inúmeras vezes o manual de solução de problemas, sempre com o mesmo resultado. Nenhuma resposta.
A resposta óbvia parecia clara, mas ela detestava considerá-la. Era possível que todas as outras bases tivessem sido destruídas. Nada mais que ela imaginara fazia sentido, exceto que centenas de outras bases tivessem decidido simultaneamente não falar com ela, o que parecia muito menos provável.
Com o passar dos anos, parecia cada vez mais provável que o indizível tivesse acontecido.
A família dela era os únicos sobreviventes do planeta Terra. Talvez houvesse algumas bases perdidas feitas por algum louco independente, mas ela duvidava. Se bases de titânio profissionalmente sustentadas, produzidas pela Gravity, podiam ruir, as caseiras tinham poucas chances.
"Mãe! Mãe!" Ashley correu para a sala, segurando um livro nos braços. "Encontrei!"
Rhea se virou para olhar para a filha. "O quê? Encontrou o quê?"
Ashley sorriu. "O manual do Habitante!" Ela estendeu o livro.
Rhea olhou surpresa. Ela estava começando a achar que ele não existia. A biblioteca da base estava repleta de livros do mundo todo — milhares, talvez milhões deles. Eram completamente desorganizados e, como tal, era difícil localizar um livro específico.
O Manual do Habitante era aparentemente as instruções para o líder da base. Já que Grina deveria ocupar esse papel, Rhea simplesmente presumiu que ele estivera com ela no momento do Evento. Aparentemente, ela estava errada."Isso é uma notícia maravilhosa!" Rhea sorriu e pegou o livro. "Bom trabalho, Ash! Muito obrigada!" Ela estendeu a mão para acariciar a cabeça de Ash.
Ash revirou os olhos. "Estou ficando meio velha para isso, mãe. Da próxima vez, vamos ficar só no aperto de mão."
Ashley se virou e voltou para a biblioteca enquanto Rhea se sentava para ler o manual. Por ANOS ela vinha se virando nos trinta, tentando descobrir como fazer tudo funcionar. Pelo menos os rádios tinham o próprio manual.
Quando ela o abriu, ficou surpresa ao notar que ele começava com uma lista de objetivos.
- Fechar a base.
- Estabelecer contato com outras bases.
- Determinar hierarquia e prosseguir com a governança.
Rhea franziu a testa. "Então o que eu faço se ninguém atender?" ela perguntou em voz alta. Ela folheou até a página que falava sobre a nova líder da Guilda.
Todos vocês fizeram um juramento quando assinaram que salvariam a raça humana da extinção. Essa é a prioridade número um. Primeiro, salvar sua base; segundo, salvar outras bases; e terceiro, repovoar o mundo. Caso tenham os recursos, estarão vinculados ao juramento.Rhea franziu o cenho. Quando foi que ela fez um jura- Não, espere. Provavelmente fazia parte daqueles termos que ela assinou. Ela suspirou e largou o livro. Não parecia orientado a equipamentos. Talvez os equipamentos tivessem o próprio conjunto de regras.
Salvar sua base era um objetivo fácil de aceitar. Ela salvaria seus filhos a qualquer custo — sim, incluindo o resto do mundo. Ela já tinha repassado o cenário várias vezes na cabeça, e a resposta era sempre a mesma. Sem dúvidas ali.
Salvar outras bases? Ela sabia que havia outra do outro lado da cidade. Na improvável eventualidade de que as pessoas lá ainda estivessem vivas, ela estava disposta a ir verificar depois que a porta se abrisse. Isso não deveria ser problema.
E, a menos que isso acontecesse, o terceiro requisito nem era uma opção. Não é como se eles tivessem recursos para-
Rhea fechou os olhos. Não. Eles eram uma família. Abriu o livro de novo e releu a primeira parte. Você fez um juramento para salvar a raça humana da extinção. Com certeza, eles não queriam dizer a QUALQUER custo, certo?
Bem, independentemente do que o livro dissesse, ela tinha seus limites. Não ia fazer algo tão vil quanto incesto. Fechou o livro e foi direto para a cama.
********
Na manhã seguinte, enquanto todos se reuniam para o café da manhã, Rhea mexia seu mingau de aveia sem entusiasmo.
Ashley ergueu uma sobrancelha. "Mãe? Você está bem?"
"Hm?" Rhea ergueu o olhar distraidamente. "Ah, sim. Estou bem, querida."
Ela não pareceu convencida, mas não disse nada. O resto da refeição transcorreu em silêncio. Depois que terminaram, Zach rapidamente se desculpou para voltar à fazenda.
Ashley ficou. "Mãe... Você leu alguma coisa naquele livro? Tem más notícias?"
Rhea hesitou. "Não. Pelo menos... Nada com que se preocupar."
Ashley cruzou os braços. "Tá, então o que está te incomodando? Você mal comeu e está distraída a manhã toda. Não te via assim desde que éramos crianças."
Rhea se remexeu, desconfortável. "Não é apropriado discutir... Especialmente com minha filha."
Ashley zombou. "O que isso quer dizer? Olha, você vai me contar ou eu vou ter que descobrir sozinha?"
Aquela não era uma ameaça vazia. Ela realmente descobriria. Rhea suspirou. "É só... Aqui. Deixa eu te mostrar."
Ela pegou o Manual do Habitante e o abriu na página. "Aqui diz que eu fiz um juramento para salvar a raça humana."
"Tá... E qual é o problema? Você está indo muito bem até agora."
Rhea fez uma careta. "Diz que, se tivermos os recursos, devemos repovoar a Terra."
"Aham."
Rhea esperou a ficha cair, mas ela nunca caiu. "Tecnicamente, nós TEMOS os recursos."
Ashley a encarou sem expressão. "Temos? Tá bom, então a gente repovoa. Ainda não estou vendo o problema."
Rhea piscou. "O quê?"
Ashley inclinou a cabeça. "O quê, você não quer engravidar de novo? É esse o problema?" Ela bufou. "Isso é meio broxante da sua parte, vou te falar."
Rhea encarou a filha, horrorizada, até que se deu conta. "Ashley, como você acha que os humanos se reproduzem?"
Ashley franziu a testa. "Certas mulheres ficam grávidas e dão à luz."
"Você sabe como elas ficam grávidas?"
Ashley inclinou a cabeça. "Elas tomam pílulas anticoncepcionais. Certo?" Ela estreitou os olhos. "Estou perdendo alguma coisa?"
Rhea enterrou o rosto nas mãos. Claro que ela não saberia. O Evento tinha acontecido antes que eles tivessem idade para a Conversa. Depois, eles ficaram tão ocupados e ambos eram tão capazes que ela simplesmente achou que eles tinham entendido sozinhos. Olhando para trás, isso foi bem idiota.
Não importava o quão inteligente sua filha fosse, simplesmente não havia nenhum material que dissesse qualquer coisa sobre sexo! Não dava para esperar que ela adivinhasse!
Rhea suspirou. "É... um pouco mais complicado que isso."
Ash se acomodou no colo da mãe e se aninhou contra seu peito. "Então me conta. Você nunca falou sobre isso de verdade."
"Bem, primeiro de tudo, precisa de um homem."
Ash processou aquilo rapidamente. "O Zach conta? Acho que sim, porque você disse que temos tudo que precisamos. Ainda não estou vendo problema."
Rhea envolveu Ash com os braços. "Não é qualquer homem. Um amante. Tipo um marido."
Ash assentiu. "Ah, tô vendo o problema. Mas a gente não tem nenhum desses."
Rhea permaneceu em silêncio enquanto a ficha lentamente caía para Ashley. "Espera, você tá dizendo que teria o Zach como amante?"
Rhea fez uma careta. "Estou ficando velha demais para ter filhos. E esse é exatamente o problema. Não posso simplesmente ter meus filhos..." Ela deixou a frase no ar, sem saber como continuar. "Enfim, eu me recuso a cumprir meu juramento. Ponto final."
Ashley ponderou sobre aquilo. "Você não parece muito em paz com essa conclusão."
Rhea deu de ombros. "Eu supero."
Ashley ergueu uma sobrancelha. "Você levou quatro anos para superar não conseguir um cartão de Pokémon para o Zach no aniversário de seis anos dele. Goste ou não, mãe, você odeia promessas quebradas."
"Isso é diferente!" Rhea exclamou, exasperada. "Eu não sabia com o que estava concordando!"
Ashley saiu do colo. "Continue dizendo isso para si mesma. Quem sabe um dia funciona." Ela beijou a bochecha da mãe. "Boa sorte. Vou para a biblioteca."
Rhea fez uma careta e apoiou o queixo nas mãos enquanto Ashley saía. Ela daria um jeito de superar isso.
Ela tinha que superar.
***************
Ashley franziu a testa. A mãe tinha ido para a cama cedo, reclamando de dor de cabeça, mas Ash sabia a verdade. Ela ainda estava estressada por quebrar uma promessa - mesmo uma promessa idiota como aquela.
Ela olhou para o irmão, que comia seu cachorro-quente do outro lado da mesa. "Ei, Zach. Você notou que tem algo errado com a mãe?"
Ele ergueu o olhar para ela. "Acho que sim. Imaginei que vocês duas tivessem brigado ou algo assim."
Ash revirou os olhos. "Não exatamente. Ela descobriu que está quebrando uma promessa."
Zach inclinou a cabeça. "O quê? Que promessa?"
Ela cruzou as mãos e apoiou o queixo nelas. "Ela disse que precisa que a gente se reproduza."
Zach engasgou com o cachorro-quente. "Perdão, o quê?"
Ashley deu de ombros. "Aparentemente, ela fez um juramento de que faria o que fosse preciso para repovoar o planeta. E, já que ela está ficando velha demais, precisa que eu tenha um filho."
Zach franziu a testa, tirando as migalhas do uniforme. "E por que você precisa de mim?"
Ashley hesitou. "Aparentemente, homens são necessários para as mulheres engravidarem. Ela não entrou em detalhes, o que é estranho, mas deixou uma coisa clara." Ela se inclinou sobre a mesa de repente para colocar o rosto bem na frente do dele. "Ela disse que a gente precisava ser amantes para funcionar."
Os olhos de Zach se arregalaram, e ele engoliu em seco. "A-amantes? Sério? Achei que irmãos não podiam ser namorados!"
Ashley suspirou e se recostou. "Aparentemente, podem, mesmo que seja meio estranho. Olha, eu odeio a ideia tanto quanto você, mas detesto ver a mãe assim. Já faz semanas. Se a gente não tentar pelo menos uma vez, acho que isso vai assombrá-la pelo resto da vida."
Zach fez uma careta. "Só precisa ser por um tempinho, certo?"
"Pelo que eu entendi, provavelmente. Casais se divorciam."
Ele pensou por um momento. "Tá. Se é isso que precisa para ter a mãe de volta... Eu topo."
Ela sorriu com canto de boca. "Só não espere que eu fique toda melosa com você."
Zach zombou. "Até parece."
Eles ficaram sentados em silêncio, contemplando o que tinham acabado de concordar. Finalmente, Zach falou. "Então... O que a gente tem que fazer?"
"Acho que a gente pergunta para a mãe."
*************
Rhea estava deitada em sua cama, um braço cobrindo os olhos. Se ao menos Grina tivesse chegado a tempo. Elas não eram as melhores amigas, mas agora ela ficaria grata por QUALQUER UM — tinha uma sobrinha e um sobrinho, Rhea tinha quase certeza. Se qualquer um deles estivesse aqui, as respostas seriam fáceis.
Talvez eles não tivessem levado o incesto em conta? No fundo, ela duvidava. Eles tinham deixado bem claro que, exceto por homicídio puro e simples, queriam que a vida continuasse.
Com sua promessa de lado, valeria a pena? Todo o futuro da humanidade repousava sobre seus ombros. Eles eram, ela sentia cada vez mais confiança, os últimos humanos vivos. Poderia realmente deixar a humanidade morrer porque ela tinha nojo de seus filhos?
Talvez pudessem simplesmente esperar até a porta se abrir. Então teriam certeza de que não havia mais ninguém, nenhuma outra alternativa.
Mas isso não era apenas racionalizar, adiar o inevitável? No momento em que a porta se abrisse, eles não estariam mais seguros. Se qualquer um deles se machucasse ou morresse, isso poderia acabar com tudo ali mesmo. Não, se ela fosse forçá-los a procriar, teria que ser antes disso.
Mas ela conseguiria levar isso adiante? Não tinha certeza. A simples ideia a fazia querer vomitar. Seus rostos manchados de lágrimas, o olhar de traição enquanto ela os empurrava para algo antinatural... Ela estremeceu ao pensar.
Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. "Sim?"
Ashley abriu a porta. "Ei, mãe? Você ainda está encanada com aquele negócio da promessa, não está?"
Rhea se sentou na cama e sorriu tristemente. "Sim, querida. Tem algo que eu possa ajudar vocês?"
Zach seguiu a irmã para dentro do quarto. "Nós estávamos pensando-" ele começou, mas a irmã o interrompeu. "Isso precisa parar. Nós conversamos e achamos que podemos fazer."
Rhea congelou. "O que você disse?"
"Podemos nos tornar amantes para reproduzir, pelo menos por um tempinho. Mas, hã," Ashley desviou o olhar, "nós não sabemos bem o que fazer. É só dizer que somos amantes, ou..."
Rhea balançou a cabeça lentamente. "Vocês não sabem o que estão dizendo..."
Zach travou o maxilar. "Nós não nos importamos. Você fez uma promessa. Além disso, a gente não vai viver para sempre. Sabemos que somos provavelmente os últimos sobreviventes. E..." Ele suspirou. "Nós realmente queremos nossa mãe de volta."
Rhea os encarou por um longo momento. Todos os pensamentos de rostos chorosos e traição se dissiparam. Ela não havia lhes dado crédito suficiente. Eles tinham idade para tomar as próprias decisões agora. Ela deveria ter percebido que eles poderiam lidar com isso.
Mas... ainda havia tanta coisa que eles não sabiam. Eles ainda concordariam se soubessem? Ela não sabia.
Rhea sorriu para eles. "Se é isso que vocês querem, vamos começar amanhã."
Eles trocaram olhares nervosos. "Não se preocupem tanto. Qualquer um de vocês pode desistir quando quiser, está bem? Não vou forçar vocês a fazer nada que não queiram." Só de dizer isso, o aperto em seu estômago diminuiu. "Tudo bem?"
Zach pareceu visivelmente aliviado. "Obrigado, mãe."
Ash estreitou os olhos. "Quanto tempo isso vai levar?"
Rhea suspirou. "Isso depende de muitas coisas. Por enquanto, descansem. Conversamos de manhã."
Ashley hesitou antes de assentir. "Tá bom. Boa noite, mãe!"
"Boa noite, querida."
Quando eles saíram, Rhea caiu de volta no travesseiro.
O que ela tinha acabado de concordar?
**************
O café da manhã seguinte transcorreu em um silêncio tenso. Ash e Zach trocaram olhares nervosos o tempo todo, o que só amplificava a ansiedade de Rhea. As crianças se dispensaram rapidamente para seus afazeres separados.
Enquanto Rhea lavava a louça, suas dúvidas rapidamente aumentaram. Ela não podia fazer isso. Era óbvio que eles não estavam completamente confortáveis com aquilo e, mesmo que estivessem, isso não tornava a coisa certa. Ela era a mãe deles, pelo amor de Deus. Era para ela os proteger dessas coisas!
Ela respirou fundo. Não. Como mãe deles, ela precisava respeitar a decisão deles. Isso não era algo casual, afinal. Eles estavam discutindo o destino do mundo. Ela nem tinha pedido para eles fazerem isso. Eles tinham se voluntariado.
Ela voltou a pensar em como daria a Conversa. Seria constrangedor com certeza. Ela não tinha livros didáticos ou modelos convenientes — afinal, se houvesse algum na biblioteca, Ash não estaria confusa.
A última coisa que ela queria era que eles ficassem desconfortáveis. Dormir com seu irmão já seria alarmante por si só. Acrescente a isso o fato de ser a primeira vez deles, e virava um pesadelo. Nem saber o que era sexo antes de começar? Eles ficariam traumatizados para o resto da vida.
Ela ficou sem tempo para planejar. Só tinha construído um rascunho grosseiro quando o jantar chegou. Enquanto preparava as quesadillas, ela tentou terminar de organizar, com pouco sucesso.
O jantar não foi melhor que o café da manhã. Se alguma coisa, o silêncio era quase sufocante. Rhea respirou fundo algumas vezes para acalmar os nervos no estômago. "Acho que não vamos comer muito esta noite, né?"
Zach deu um sorriso amarelo para a piada dela, mas Ash nem levantou o olhar. Rhea suspirou. Isso ia ser difícil.
De repente, Zach se levantou. "Não estou com fome. Estou pronto." Apesar do nervosismo aparente, ele conseguiu soar confiante. "Você está pronta, Ash?"
Ela não respondeu por vários segundos. "Tá. Vamos acabar logo com isso." Ash se levantou e olhou para Rhea. "Aonde vamos?"
Rhea assentiu. "Vamos para a sala." Todos se arrastaram até o cômodo bem decorado.
Um grande sofá ficava no meio da sala, de frente para uma TV inútil. Nenhum filme tinha sido armazenado ali, e eles não tinham trazido nenhum. Era melhor assim, Rhea supôs. Sem distrações.
Todos se sentaram no sofá, com uns trinta ou sessenta centímetros de distância. Ash mordeu o lábio. "Então... Como a gente começa?"
"Bem..." Rhea começou, mas a voz lhe falhou. Os rostos expectantes deles pareciam assustados. Seus velhos medos começaram a se insinuar novamente.
"Vamos começar com... abraço!" Ela jogou seus planos pela janela. "Já faz um tempo que vocês dois se abraçaram, não é?"
Eles se entreolharam. "Acho que sim..." Ash disse lentamente.
Zach abriu os braços meio desajeitado. Ashley se aproximou e lentamente se inclinou, envolvendo os braços ao redor dele. Zach soltou um suspiro profundo enquanto a acolhia em seus braços.
O corpo esguio de Ash se encaixou perfeitamente no corpo alto e musculoso de Zach. Ela quase desapareceu sob seus braços fortes enquanto se abraçavam. Enquanto Rhea observava, o abraço passou de hesitante para relaxado em questão de segundos.
Ela sorriu quando a tensão se dissipou. Não conseguia se lembrar da última vez que eles tinham se tocado, muito menos se abraçado. Ela estava um pouco confusa sobre as linguagens do amor de Ash, mas, ao observá-los, teve quase certeza de que era a mesma do irmão.
Os olhos de Zach se fecharam enquanto ele saboreava um abraço da irmã. Eles lentamente começaram a balançar para frente e para trás, enquanto Ash enterrava o rosto no pescoço de Zach.
Depois de alguns minutos, Zach se afastou. "Isso foi legal."
Ashley bocejou e se espreguiçou. "É, não foi tão ruim. Nossa, mãe, você nos deixou tão preocupados."
Rhea fez uma careta. "Ah, ainda não terminamos. Isso foi só o começo."
Ash soltou um suspiro exagerado. "Tá. O que a gente tem que fazer agora?"
Rhea hesitou. "Bem... Agora vocês têm que se beijar."
Zach estremeceu enquanto Ash gemia. "Sério? Esperava que isso fosse opcional!"
Bem, tecnicamente era. Na verdade, ela não tinha certeza por que os estava fazendo fazer isso. Talvez isso os preparasse para os passos seguintes?
"Se você não se sente confortável, pode desistir a qualquer hora."
Ash franziu os lábios, pensativa.
Zach aproveitou a oportunidade para intervir. "Covarde," ele murmurou baixinho.
Ash virou a cabeça para olhar para ele. "Como é?"
Zach deu de ombros. "Você vai fazer isso ou não? Esse é o tipo de coisa para o qual eu estava preparado, mas se você está tendo dúvidas..."
Ash avançou e tomou os lábios dele com os seus em um beijo rápido antes de se virar. "Pronto, a gente se beijou."
Rhea balançou a cabeça. "Mais demorado que isso, querida." Ela não conseguia acreditar que estava tendo essa conversa. Ela se remexeu, ignorando o calor crescente em seu âmago. "Você sabe que isso não conta."
Ash fez cara feia, mas se virou. Franzindo o rosto, ela tocou os lábios nos dele. Eles ficaram ali, beijando-se rigidamente, por alguns segundos antes de Zach se afastar. "Assim?"
Rhea revirou os olhos. "Não. Aqui..." Seu coração estava acelerado. "Deixem-me mostrar. Assim provavelmente será mais fácil."
Ela se levantou e atravessou o sofá para sentar ao lado do filho. Ela não estava fazendo isso. Não. Isso era cruzar a linha. Rhea ignorou seu cérebro e se inclinou para frente.
Zach ficou tenso quando os lábios dela tocaram os seus. Nossa, como eu senti falta de beijar. Ela o beijou com ternura, suavemente. Está tudo bem, querido. Você não precisa ter medo.
Aos poucos, ele começou a relaxar. Ela levou uma mão até o rosto dele, envolvendo-o, e pressionou mais, intensificando o beijo.
Ele soltou um grunhido de surpresa e começou a responder. Rhea estremeceu quando os lábios dele encontraram os seus — de verdade, não apenas fisicamente.
Ela se permitiu mais alguns segundos antes que sua consciência gritante a puxasse de volta. Suas bochechas estavam quentes. "Assim."
Ash os observava, as faces vermelhas. Ela parecia um pouco perturbada, o que preocupou Rhea. "Vá em frente. Ensine sua irmã o que você aprendeu."
Ash abriu a boca para comentar, mas não antes de Zach se inclinar para capturar os lábios dela com os seus. Ela imediatamente se enrijeceu quando Zach realmente a beijou.
Ele levou uma mão atrás da cabeça dela e aprofundou o beijo. Ela soltou um gemido enquanto seus olhos se fechavam e seus braços se enrolaram no pescoço dele.
Rhea sorriu satisfeita ao ver seus filhos se beijarem intensamente. Parecia... certo, de alguma forma. Nem um pouco estranho.
Certo demais. O calor em seu âmago estava esquentando um pouco. Ela sempre teve um certo apetite, mas na maioria das vezes conseguia simplesmente ignorá-lo. Ali, com seus filhos se agarrando, estava difícil ignorar.
Ash estremeceu quando a mão de Zach envolveu suas costas. Rhea sentiu uma pontada de ciúmes ao lembrar como era o beijo dele. Com um pouco de prática, ele se tornaria um beijador maravilhoso.
"Hum, não quero interromper..." Rhea tocou os ombros deles. "Mas tem mais uma coisa que posso mostrar."
Zach se afastou, deixando Ash ofegante. "Espera, sério?"
Rhea aproveitou a oportunidade para tomar a boca dele novamente. Ela conseguia sentir o gosto da irmã nele. Para sua surpresa, ele beijou de forma bem diferente agora. Depois de alguns segundos dele se reajustando a beijar a mãe em vez de Ash, eles voltaram a um ritmo.
Foi quando Rhea mostrou um movimento novo. Sem aviso, ela abriu a boca e roçou a língua nos lábios dele. Ele deu um pulo de surpresa, mas ela conseguiu segurá-lo e manter o contato. Cautelosamente, ele abriu os lábios e deixou a língua se juntar à dela.
Ela reprimiu um gemido quando ele pressionou sua boca. Ele entendeu rápido demais. Antes que ela percebesse, ele estava empurrando com veemência para dentro da boca dela, explorando cada canto.
Ela gemeu baixinho e agarrou a gola dele, puxando-o para si.
"Ei, pessoal. Acho que é minha vez! O que vocês estão fazendo?"
Com grande relutância, Rhea se afastou. "Ash está certa, Zach. Vá, mostre a ela o que você aprendeu."
Zach mal se virou antes de Ash pular para beijá-lo ansiosamente.
Os gemidos de Ash só pioravam as coisas para Rhea. Ela se mexeu, tentando criar fricção entre as coxas inconscientemente. Precisava clarear a cabeça.
Os dois não fizeram nenhum movimento para se tocar além do alcance ocasional para se apoiar e intensificar o beijo.
"Muito bem, vocês dois. Acho que está na hora de dormir."
Zach se afastou para olhá-la, para o desgosto óbvio de Ash. "Espera, já acabou?"
Rhea riu baixinho e balançou a cabeça. "Não, mas não quero sobrecarregá-los na primeira noite. Não temos pressa, sabem."
Ash limpou a garganta. "Certo. Bem, vejo vocês amanhã." Ela se levantou rapidamente e fugiu do quarto.
Zach ergueu uma sobrancelha. "O que foi aquilo?"
Rhea suspirou. "Acho que ela não está acostumada a se sentir vulnerável perto de você. Não se preocupe."
Zach recostou-se no sofá. Rhea lançou um olhar furtivo para onde a ereção robusta dele estava apenas começando a diminuir. "Então, o que vamos fazer amanhã?"
"Será surpresa." Ou seja, ela não fazia ideia. "Por enquanto, você deve descansar. Temos muito tempo."
Zach assentiu, mas parecia querer dizer mais. "Tem algo que quer dizer?"
Ele fechou a boca. "Não. Boa noite, mãe."
"Boa noite, querido."
No momento em que ele saiu, Rhea suspirou aliviada. Ela precisava aliviar um pouco da pressão. Ela se levantou do sofá com um gemido, se espreguiçou e foi para o banho.
Depois de se despir e ficar sob a água quente, Rhea olhou ao redor em busca de objetos longos e com formato adequado para satisfazê-la. Infelizmente, até o chuveirinho era fixo. Parece que seus dedos teriam que servir.
Fechando os olhos, Rhea se recostou na parede e abaixou os dedos até a sua fenda. Ela não se masturbava com frequência, nenhuma vez desde o Evento. Ainda assim, ela sabia o que fazer para se excitar. Ela suavemente passou os dedos sobre o clitóris, permitindo que as ondas de prazer fluíssem por seu corpo.
Apesar da impaciência, ela se permitiu saborear as carícias gentis por vários minutos. Quando estava satisfeita, ela imediatamente saltou para se esfregar vigorosamente em círculos. Em alguns minutos, ela gozou com um grito baixinho de prazer.
Não foi o mais satisfatório, mas foi bom o suficiente. Ela respirou fundo algumas vezes, abraçando as correntes de prazer pós-orgasmo que a percorriam.
Depois de se limpar e sair do banho, percebeu que já fazia quase uma hora. Ela deu uma espiada em cada um dos quartos deles.
Zach já estava dormindo profundamente, enquanto Ash andava de um lado para o outro no quarto, murmurando baixinho para si mesma. Ela estava agindo de forma estranha com toda essa situação. Não que a situação não fosse estranha, mas essa não era a reação que Rhea esperava.
Com um suspiro, ela foi para a cama. Afinal, eles fizeram progresso.
Ela só precisava torcer para não estragar tudo.
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