Queimando Pontes
Nota do Autor: Esta história foi revisada e editada para se adequar às diretrizes de envio do Prosa Íntima. Existe uma versão parecida por aí, mas com um título diferente e um final diferente. Ambas as histórias são protegidas por direitos autorais deste autor.
Aviso: ESTA NÃO É UMA HISTÓRIA PARA SE SENTIR BEM! Não há final feliz aqui. Então, se esse tipo de história te incomoda ou 'te deixa pra baixo', hum... POR FAVOR, NÃO LEIA! Há muitas outras histórias por aí que você pode gostar. Rsrs!
Obrigado ao findingmyvoice por tornar esta leitura melhor. Quaisquer erros que encontrar são meus, já que sempre tendo a mexer nas minhas histórias depois de recebê-las de volta de um editor.
A propósito — SIM, estou em aulas de controle da raiva. As de reforço, é claro. <sorri e mostra os dentes> ****
Doug
Fiquei saboreando minha bebida, olhando para o preguiçoso pôr do sol texano. Cara, vou sentir falta disso. Não vou sentir falta do calor do verão, mas tem algo em ficar no seu quintal, em novembro, vestindo só bermuda e camiseta, que eu poderia ter me acostumado. Ah... e o cheiro do churrasco texano... droga, já estou com água na boca!
Me virando, olhei para o churrasco da família que acontecia às minhas costas. A reunião era em minha homenagem, comemorando minha recente promoção a supervisor da oficina. Era rotulada como 'festa para adultos', e a meia dúzia de funcionários da empresa com seus cônjuges estavam lá sem crianças. Eu agradecia por isso, porque tinha toda a intenção de transformar aquilo na minha festa de despedida.
Quando tive a chance, fui até minha caminhonete. Peguei o que imaginei que precisaria como 'recurso visual'. Suspeitava que me pediriam para fazer algum tipo de discurso, e eu queria torná-lo memorável. Enfiei minha Glock 9mm na parte de trás da calça jeans e me certifiquei de que não estava visível sob o blazer.
Voltando pelo meio dos convidados, vi meu chefe vindo em minha direção. Tommy Peterson era um sujeito grande e gordo, com um sorriso que poderia iluminar metade de Dallas. Mesmo na casa dos cinquenta, o homem tinha uma presença que ao mesmo tempo exigia respeito e deixava você à vontade.
Ao lado dele caminhava Martha, sua esposa, o meu problema. Tá bom, talvez ela não seja o problema. Talvez seja apenas a idiota que fica abrindo a maldita porta e deixando o verdadeiro problema entrar! Não importa, de qualquer jeito, isso se resolve hoje!
Martha Peterson estava mais do que um pouco acima do peso, mas ainda tinha boa aparência, mesmo na casa dos cinquenta. Ela tinha aquele tipo de personalidade que atraía as pessoas e a tornava 'Mamãe' ou 'Vovó' para quase todo mundo. O problema era que ela acreditava no velho ditado 'Mamãe sabe o que é melhor'.
Desde que me mudei para cá, onze meses atrás, ela tinha feito da missão de sua vida me arranjar a mulher 'perfeita'. Não importava o que eu fizesse ou dissesse, ela não conseguia enfiar naquela cabeça dura que eu simplesmente não estava interessado em namorar. Ainda estou tentando superar meu primeiro casamento.
Talvez se eu tivesse gritado ou feito algum escândalo, ela teria entendido a dica. Mas isso não é do meu feitio. Tendo a ser quieto, educado e reservado. Acho que se eu tivesse sido mais babaca... bem, isso vai mudar!
Lá estavam elas, Martha e várias das outras esposas, todas sorrindo como gatos que pegaram um rato. Tinham encontrado a garota 'perfeita' para mim, e ali estava ela, sentada com elas. Ela era linda, com pouco mais de um metro e meio, mas de corpo bonito, cabelo longo e loiro, e um rosto muito bonito. É claro que ela sempre estava ótima porque trabalhava num salão de beleza.
Eu tinha que dar o braço a torcer, também achei que ela era a garota 'perfeita' para mim... até uns dois anos atrás! Infelizmente, a garota 'perfeita' que vinham empurrando para mim nos últimos meses era minha ex-esposa, Teresa.
O fato de saberem disso é o que realmente me deixava puto. Eu não tinha contado a verdadeira história por trás do meu divórcio porque não era da porra da conta deles! Eu disse a eles que não queria namorá-la, nem falar com ela, ou mesmo estar no mesmo estado que ela. Agora, ali estava ela, cercada por um bando de mulheres extremamente satisfeitas consigo mesmas por finalmente colocar minha ex-esposa e eu cara a cara.
Teresa provavelmente não tinha contado a eles muito sobre como nosso casamento terminou, porque ela costumava omitir pequenas coisas quando não queria encarar algo. Ela tinha um jeito que encantava quase todo mundo que conhecia. Ela contou que havia cometido um erro e que eu me recusava a falar com ela e perdoá-la. Ela interpretou perfeitamente o papel de 'esposa arrependida e magoada'. Isso, mais sua rotina de 'Rezo por uma chance de mostrar a Doug o quanto eu realmente o amo', fez Martha e sua panelinha comêrem na mão dela.
Tommy se levantou, dirigiu-se ao grupo e finalmente me apresentou.
Hora do show!
"Eu gostaria de agradecer a todos vocês por terem vindo esta noite. Eu sei que isto era para ser uma comemoração, e acho que de certa forma é.
"Tommy me ofereceu o cargo de supervisor da oficina e quero agradecê-lo por isso. Mas, senhor, vou ter que recusar porque a partir de hoje... eu me demito. Desculpe aparecer com isso assim de repente, e entenderei se o senhor não quiser me dar uma boa referência, mas vou embora amanhã, aconteça o que acontecer."
Observei os rostos surpresos enquanto Tommy abria a boca para dizer algo.
"Doug, isto é uma festa e a minha casa", ele disse severamente.
"Sem desrespeito ao senhor. O senhor foi mais do que justo comigo e lhe devo uma explicação, mas há outros aqui", eu disse friamente, "a quem eu com certeza não devo nada."
"Doug?" Martha disse.
"Martha, acho que você e o resto do seu pequeno coven já fizeram mais do que o suficiente para mim. Deixei muito claro que não queria namorar ninguém, e com certeza deixei claro que não queria estar nem perto da minha ex-esposa. Aparentemente, o que eu quero não é importante. Então, ou eu falo agora ou vou embora para sempre. A escolha é sua, qualquer uma das duas me parece muito boa agora."
O grupo ficou em silêncio, exceto pelo som de Teresa chorando.
"Muito bem, então vou contar uma pequena história..."
Teresa ergueu os olhos para mim e balançou lentamente a cabeça, seus olhos me implorando para não continuar.
"Vocês veem, há cerca de dois anos, deixei minha pequena cidade natal na Geórgia pela primeira vez na vida. Deixei para trás um casamento destruído e uma família que me virou as costas. Vim para cá onze meses atrás tentando começar uma vida nova, mas parece que não consigo fugir do meu passado. Ele continua me encontrando, com a ajuda de outros."
Lancei um olhar fulminante para Martha até que ela desviou o olhar.
"Casei com minha namorada do colégio cinco anos atrás. Ela era tudo o que eu sempre quis ou sonhei. Nos casamos depois que ela se formou, e por três anos achei que tínhamos o casamento perfeito. Ela trabalhava num salão de beleza e eu numa das oficinas da minha família. Meu pai é dono de várias oficinas no norte da Geórgia, então foi lá que aprendi a ser mecânico.
"Mas, assim como o Jardim do Éden tinha uma serpente... meu casamento também tinha. Infelizmente, minha serpente acabou sendo meu irmão caçula, Billy.
"Billy é três anos mais novo que eu, mas sempre foi o centro das atenções na minha família. Ele é supostamente um dependente químico em recuperação, e tem sido assim desde os quinze anos, quando largou a escola.
"Por toda a minha vida, meus pais cuidaram dele, se sacrificaram, e a mim, pelo que fosse melhor para Billy. Eu ouvi 'Doug, temos que ajudá-lo, ele está doente' mais vezes do que posso contar.
"Então, três anos atrás, quando soube que ele tinha sido despejado do último muquifo, não fiquei surpreso. Minha família, incluindo minha esposa, queria que ele ficasse conosco até conseguir ser internado em outra clínica de reabilitação. Minha resposta não foi 'não', foi 'De jeito nenhum!'
"Tanto minha esposa quanto meus pais ficaram 'chocados e horrorizados' por eu poder ser tão frio e virar as costas para o meu irmão. Na minha cabeça, eu não virei as costas para ele, só não estava sendo conivente. Nas semanas seguintes, eles fizeram da minha vida um inferno, me pressionando até eu concordar em deixar Billy vir e ficar.
"E minha recompensa por tentar ser um 'bom' irmão mais velho?"
Olhei furioso para minha ex-esposa, tentando me acalmar.
"Não sei ao certo que conversa meu irmão de merda usou com minha esposa para fazê-la abrir as pernas para ele, mas funcionou. Claro, nenhum dos dois nunca se preocupou em me contar. Dois meses depois, recebi a ótima notícia... 'Querido, estou grávida'. Como um idiota, fiquei emocionado, já que estávamos tentando ter um filho há um ano.
"Imaginem minha surpresa, alguns meses depois, quando o médico nos disse que havia algo errado com o bebê. Que o bebê tinha um pequeno defeito cardíaco comum em mulheres que usavam cocaína. Minha esposa, claro, negou ter usado drogas. Então o médico disse algo que transformou meu mundo num pesadelo.
"Ele disse que havia estudos que diziam que o abuso de drogas não precisava ser da mãe. Estudos preliminares mostravam que o esperma de um dependente químico poderia causar defeitos congênitos. Comecei a ficar furioso.
"Ele me perguntou se eu andava usando drogas. Quando eu disse que não, ele disse que defeitos congênitos ainda eram um mistério e devia haver outra razão.
"Minha esposa, aquela em quem eu confiava mais do que qualquer pessoa neste mundo, me disse que eu era o pai da criança. Mas as coisas não estavam batendo.
"Quando o bebê nasceu, fizeram a cirurgia. Foi considerada um sucesso total. Mas não sou um completo idiota, então fiz um exame de DNA. Quando os resultados chegaram, era definitivo... eu era tio!
"Eu surtei. Joguei todas as coisas da minha esposa adúltera para fora de casa, peguei minha Glock e fui atrás daquele merda que um dia chamei de irmão.
"Procurei em todo lugar, mas não consegui encontrá-lo. Meus pais o tinham escondido em alguma clínica de reabilitação em outro estado. Então, como eles sabiam? Bem, aí vem outro chute no saco. Parece que meu irmão esperou uma semana inteira antes de contar a eles que tinha compartilhado a razão de viver do irmão mais velho. Aí os quatro ficaram de braços cruzados, torcendo para que eu nunca descobrisse o segredinho deles!
"Entrei com o divórcio no dia seguinte. Assim que minha esposa vadia recebeu a intimação, começou a enxurrada sem fim de besteira dela e dos meus pais.
"Fiquei semanas sem falar com a puta traidora. Não suportava olhar para ela nem ouvir sua voz. Eu estava em choque. Todos os meus sonhos foram destruídos. Fui passado para trás e enganado por aqueles que diziam me amar.
"Depois de uma semana de merda sem parar dos meus pais, concordei em falar com ela.
"Ouvi todas as desculpas. Ele estava deprimido e disse que não tinha motivo para viver. Ela ficou com pena dele. Ela só estava tentando consolá-lo e foi longe demais. A maconha que ele fumava nublou a mente dela. Foi só aquela noite. Foi só uma 'trepada por pena' e não significou nada.
"Parece que a primeira tentativa foi tão ruim que ele começou a falar em suicídio. Na segunda vez, ela restaurou sua vontade de viver. Minha ex-esposa, tentando ganhar santidade um pau de cada vez! Dá para se perguntar se ela tem visitado abrigos de sem-teto e espalhado sua... alegria."
Cuspi a bile que estava se acumulando na minha boca. Teresa ficou ali sentada, chorando baixinho.
"Tanto Teresa quanto meus pais estavam em cima de mim como moscas na merda, mas não estavam sozinhos. Recrutaram outros para 'conversar' comigo.
"Meu favorito foi quando o pastor da igreja que minha família frequenta há gerações me fez uma visita. Minha família era grande doadora da igreja e tinha financiado vários projetos de construção deles.
"Ele falou sem parar sobre perdão. Depois de um tempo, cansei e concordei em perdoar, mas com duas condições. A primeira era que ele pregasse um sermão no domingo sobre cobiçar a esposa do irmão. A segunda era que, no domingo seguinte, eu poderia ficar diante de toda a congregação e dar meu 'testemunho' antes de perdoá-los publicamente.
Sorri ao me lembrar da reação dele.
"Nunca mais ouvi falar dele.
"Claro que meus pais continuaram insistindo," eu rosnei. "Ouvi toda a baboseira esperada deles. Eu precisava ser um homem melhor do que isso. Teresa cometeu um erro, mas seu coração era bom. Minha esposa e meu bebê precisavam de mim, e um homem 'de verdade' não os abandonaria. Eles me educaram melhor do que isso. E continuaram falando sem parar.
"Meu pai finalmente me disse como estava decepcionado comigo por não perdoar Teresa e Billy. Eu disse a ambos como estava decepcionado com eles como pais. Depois disso, mandei ver e disse exatamente o que pensava deles! Foi muito feio.
"Finalmente, quando me perguntaram se eu tinha lido a carta de desculpas do meu irmão e que eu não deveria culpar Billy porque ele estava doente... eu surtei de novo. Disse a eles que tinha limpado a bunda com a carta dele. Também disse para nunca mais mencionarem o nome do meu irmão para mim. Eles não acreditaram... então decidi convencê-los."
Encarei minha plateia, certificando-me de que tinha sua total atenção. Alcançando as costas, saquei minha Glock. Houve vários suspiros e mais do que alguns palavrões.
Agradeci a Deus por estar na casa de Tommy e Martha. Normalmente, sacar uma arma no Texas faria você levar um tiro. Mas eu sabia que Martha havia proibido qualquer arma de ser trazida para sua casa, então eu seria o único portando. O arsenal que meus colegas de trabalho geralmente carregavam teria sido deixado em suas caminhonetes ou outros veículos.
Abaixei minha voz para um rosnado ameaçador e continuei.
"Vejo que vocês tiveram a mesma reação que meus pais. Lembro-me das palavras que falei para eles naquele dia.
"'Vocês mencionam o nome daquele filho da puta mais uma vez, e eu vou caçar aquele desgraçado e enfiar uma bala na porra da cabeça dele. Juro por Deus, vocês vão estar enterrando seu filho favorito ainda nesta semana.'"
Fiz uma pausa para ver a cor sumir do rosto de várias pessoas. Eu tinha deixado claro meu ponto.
"Aparentemente, meus pais acreditaram em mim, já que não falam comigo desde aquele dia. Pena que não posso dizer o mesmo da minha ex-esposa.
"Imaginei que poderia realmente machucar alguém se ficasse mais tempo lá, então me mudei para o outro lado do estado, para o Alabama, para esperar meu divórcio sair. Deixei para Teresa e para o filho tudo, menos alguns dólares que eu precisava para recomeçar. Acho que devo ser grato por ter levado seis meses para ela me encontrar. Soube que ela teve algum tipo de colapso e precisou ser hospitalizada. Parece que ela tentou se matar... e falhou. Foi tipo a tentativa dela de permanecer fiel ao marido, quase, mas não foi dessa vez!"
Encarei Teresa enquanto ela enterrava o rosto nas mãos. Seus ombros arfavam enquanto ela soluçava. Eu gostaria de dizer que senti pena dela, mas não senti. Ela me tornou o que sou agora ao arrancar meu coração. Tudo o que restou foi a dor do meu passado e uma raiva que tenho que lutar para controlar todos os dias.
Nos últimos dois anos, descobri que não conseguia seguir em frente. O fato de Teresa continuar me perseguindo não ajudava.
Ela sempre disse que éramos almas gêmeas, destinados a ficar juntos através do tempo. Achei aquilo meio bobo, como se ela tivesse lido em algum lugar e simplesmente gostasse do som. Hoje tenho minhas dúvidas.
Nunca me senti tão sozinho, como se uma parte de mim estivesse faltando. Dou por mim olhando ao meu lado, querendo perguntar o que ela acha. Às vezes, até estendi a mão para pegar a dela, mas ela nunca está lá. Sinto meu coração ficando mais frio e a raiva crescendo cada vez que isso acontece. Antes disso, ela sempre esteve lá para mim.
Lembrei da minha formatura. Meu pai não estava lá porque Billy tinha se metido em encrenca de novo. Papai tinha ido à delegacia buscá-lo e falar com um juiz. Minha mãe estava tão preocupada que era um caco, então eu disse a ela para simplesmente ir e se juntar ao papai.
Então, minha festa de formatura incluiu meus amigos e alguns parentes, mas ninguém da minha família imediata. Tentei esconder minha decepção, mas Teresa percebeu na hora. Ela fez questão de que eu me sentisse amado naquela noite, várias vezes. Realmente tinha sido minha noite especial.
Acordei no meio da noite depois da festa, deitado na cama com seu corpo nu aninhado ao meu. Percebi meus pais parados na porta do quarto, nos encarando. Lentamente me levantei, vesti minha cueca boxer e caminhei até a porta do quarto.
Meu pai queria dizer algo sobre Teresa estar ali, mas pensou melhor. Minha mãe tinha lágrimas nos olhos. Ambos sussurraram suas desculpas para mim por terem perdido minha festa. Menti e disse que não foi grande coisa.
Lembro de ter dito a eles que logo me mudaria e iria morar com meu primo até que Teresa e eu pudéssemos nos casar. Então fechei a porta na cara deles.
Minha atenção voltou para a plateia quando um casal começou a se levantar. Limpei a garganta e balancei a cabeça. Eles rapidamente se sentaram de novo.
Com cuidado, coloquei minha Glock ao meu lado e dava para ouvir os suspiros de alívio. Olhei para eles e continuei minha história.
"Quando ela finalmente me encontrou, ela se mudou para o mesmo parque de trailers onde eu morava. Depois que consegui uma ordem de restrição contra ela e ainda registrei mais uma dúzia de queixas, percebi que precisava me mudar de novo. O divórcio finalmente saiu, então arrumei as malas e vim para cá, para o Texas.
"Ela não mencionou esse pequeno detalhe da ordem de restrição para vocês quando contou a historinha triste do nosso casamento, não é, Martha?"
Martha agora começava a chorar enquanto balançava a cabeça.
"Também achei que não. Ela é muito boa em deixar de fora pequenos detalhes importantes.
"Quando cheguei ao Texas, tive a sorte de encontrar alguém como o Tommy, que me ajudou a recomeçar. Ele me deu a chance de provar meu valor e não ficou bisbilhotando muito meu passado.
"Eu tinha deixado claro que não queria falar sobre meu passado e, depois de se certificar de que eu não estava fugindo da lei, ele aceitou numa boa. De novo, uma pena que a esposa dele não quis ouvir.
"Eu não tinha contado a ninguém para onde estava indo, nem mesmo para os poucos amigos que ainda tinha na Geórgia. Então, imaginem minha surpresa quando, há três meses, minha ex-esposa se mudou para a cidade. Uma alegria ainda maior foi quando a esposa do meu chefe decidiu tentar me juntar de novo com minha ex-esposa infiel!"
Martha tentou falar, mas eu a interrompi.
"Você teve sua chance, mas com certeza nunca me ouviu! Agora é a minha vez", vociferei com raiva suficiente para calá-la.
"Deixei claro uma porção de vezes no último ano que não queria namorar e não queria discutir nem ter que explicar meu passado. E com toda certeza não queria voltar com minha esposa. Mas, aparentemente, o que eu quero não vale merda nenhuma."
Martha soluçava.
"Doug, sinto muito. Eu não sabia..."
Eu a cortei ali mesmo.
"Não sabia?" cuspi. "Desde quando você precisa 'saber' para respeitar a privacidade dos outros? Quem diabos você pensa que é para alguém ter que te explicar antes que você dê a cortesia básica de se meter fora da vida dele?"
Eu percebi que minhas palavras tinham acertado o alvo. Era hora de encerrar esse triste espetáculo.
"Então, Martha, quero agradecer a você e a esses outros fofoqueiros, por tornarem meus últimos dois meses um inferno na terra. Eu desejaria tudo de bom para vocês, mas isso seria uma mentira deslavada. Pessoalmente, espero que vocês se virem uns contra os outros e tornem a vida uns dos outros miserável."
Olhei para baixo e vi o rosto de Teresa manchado de lágrimas.
"Por favor, amor, por favor", ela implorou. "Por favor, me dê outra chance!"
"Eu já te disse para cair fora de perto de mim, Teresa. Vá para casa, para o seu filho."
"Não posso, a menos que traga o pai dele de volta comigo."
"Você quer encontrar o pai do garoto? Vá procurar em alguma clínica de reabilitação ou em alguma sarjeta. Se está falando de mim, então isso nunca vai acontecer. Se você não estava acompanhando nossa historinha... eu com toda certeza não sou o pai do garoto!"
Peguei minha Glock, coloquei-a de volta no cinto e me virei para atravessar a multidão. Eles se abriram mais rápido que as pernas de uma vagabunda de trailer em uma festa da NASCAR. Ouvi vários pedidos de desculpas e alguns até me olharam nos olhos. Quando cheguei na entrada da garagem, ouvi Teresa gritar atrás de mim.
"NÃO! Doug, espera, por favor, não vá. Não consigo viver sem você, Doug!" ela gritou enquanto caía no chão chorando. "Você precisa voltar para casa, você simplesmente precisa..."
Eu me virei e olhei para ela.
"Escuta aqui, vadia, não dou a mínima se você enfiar uma lâmina nos pulsos ou não, só fique bem longe de mim!"
Vi todo mundo me encarando.
"Parece que ainda não consigo fazer ninguém me ouvir, porra", rosnei e caminhei até minha caminhonete.
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Teresa
Os médicos me dizem que gravar meus pensamentos é uma boa terapia e que isso vai me ajudar a me descobrir. Pessoalmente, acho que eles são cheios de merda. Eles não parecem entender que eu perdi meu Doug. Ele é minha rocha, minha alma gêmea, meu amante, meu melhor amigo e, até recentemente, meu marido.