Contos eróticos para ler inteiros.

Romance e Paixão

O Hacker

Sione_986 min

Nota da Autora: Fazia um tempo que eu não escrevia algo tão curto. Foi bom tirar isso da cabeça com menos de 20.000 palavras. Obrigada, Tim413413 – pelo menos estou começando a facilitar um pouco a edição.

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Caixas de correio tinham sido coisas inócuas durante a maior parte da minha vida. O último ano fez a minha se tornar algo a temer. Era uma simples caixa de metal branca, apoiada sobre uma travessa de madeira branca. Esta, por sua vez, estava montada num poste vertical branco de quatro por quatro, cimentado firmemente no chão na beira da entrada da garagem. Três rosas vermelhas desabrochadas estavam pintadas na lateral da caixa, unidas por uma videira verde artística. Lembrei-me de tê-la escolhido tantos anos atrás. Achei-a bonita e agora só via os espinhos não representados das rosas.

A morte do meu marido, há um ano e meio, tinha removido a maior parte da cor do mundo. Câncer foi o assassino, uma luta que enfrentamos com dinheiro que não tínhamos. Ele o vencera uma vez antes, quando éramos recém-casados, com radiação e quimioterapia agressivas. Pensei que o venceríamos de novo. Quando o seguro acabou, pegamos emprestado. Quando atingimos o limite do crédito, mentimos e pegamos mais emprestado. Tom não estava aqui para ver o rio de lama financeira deixado no rastro da sua doença. Ele soube no final e recusou tratamento, tentando diminuir o fardo. Eu teria assumido a dívida nacional se isso significasse mais um dia. Meus argumentos caíram em ouvidos surdos e amorosos. Ele morreu nos meus braços, em casa, onde pertencia.

Abri as mandíbulas da caixa de correio e enfiei a mão em sua garganta. Retirei um pequeno maço de cartas, a maioria coberta de tinta vermelha. Meu coração se contraiu como sempre fazia. Ainda não estava acostumada a estar completamente sem dinheiro. Eu tinha aplacado as sanguessugas financeiras por mais de um ano, distribuindo o dinheiro do seguro de vida em parcelas conservadoras. Agora, aquela torneira secara. A culpa era minha. Eu sustentara Tom na faculdade, nunca buscando um diploma para mim. Meu emprego de contadora, para o qual eu não era qualificada, dado por uma amiga querida, não chegava nem perto de prover os fundos de que eu precisava. Involuntariamente, uma lágrima correu pela minha bochecha. A vida tinha me estuprado.

Fiquei parada no final da entrada da garagem, separando as contas por prioridade. Uma fatura vencida da companhia hipotecária me tirou o fôlego. Eu me esquecera de que a tinha adiado. Olhei para a pequena casa térrea, tijolos marrons salpicados até a metade da frente com revestimento bege por cima até o telhado. Era para ser nossa casa inicial. Agora, eu teria sorte se continuasse sendo minha única casa. As contas de luz e telefone juntaram-se à hipoteca no topo da pilha. As três contas médicas persistentes, MasterCard e a conta do chaveiro foram para o fundo.

"Mãe, o jantar está pronto", Natalie gritou da porta da frente. Coloquei as cartas ao meu lado, escondendo as odiosas letras vermelhas. Dezesseis anos, com todos os problemas do ensino médio sobre os ombros, ela crescera rápido demais sem o pai. Fora o anjo de Tom, quase a ponto de gerar meu ciúme quando ela podia desviar a atenção dele de mim apenas entrando no quarto. Levei uma semana para fazê-la voltar à escola após a morte do pai. Agora, ele era uma lembrança querida, e o pensamento em garotos que Tom não aprovaria se tornara o mundo dela.

"Estou indo, querida", disse com um sorriso forçado. Tentar esconder de Natalie o quão pobres tínhamos nos tornado era exaustivo. Ela já tinha problemas suficientes com o dever de casa e o cruel rito de passagem do ensino médio. Limpei os olhos depois que ela se enfiou de volta na casa. Enquanto eu subia a entrada da garagem, percebi, pelo canto do olho, meu novo vizinho, Jared Thompson, me observando. Olhei para ele, ajoelhado, aparando a borda do gramado com tesouras. Seus olhos voltaram ao trabalho como se eu não fosse notar. A aba do seu boné de beisebol cobria qualquer necessidade de me cumprimentar. Um homem estranho. Eu o conhecera brevemente quando ele se mudou, dois meses atrás. A conversa foi difícil, já que ele nunca formava frases completas. Respostas de uma palavra que me impediam de educadamente descobrir qualquer coisa sobre ele. Além de alguns ois e acenos, não tínhamos conversado desde então.

Jared era igualmente enigmático com outros vizinhos. Era um mistério para a vizinhança. Deduzimos que ele morava sozinho simplesmente pela falta de ver outras pessoas e nenhum carro adicional. Alguns dos móveis que ele trouxe pareciam ter um toque feminino, mas nenhuma mulher apareceu. Suas costeletas grisalhas distintas contrastavam com seu rosto jovial. Supunha-se que ele estivesse no início dos quarenta, possivelmente divorciado. Eu supunha viúvo, já que imaginava que os móveis teriam acompanhado a esposa num divórcio. Havia uma sombra de tristeza ao redor dele que criava uma barreira para qualquer um que tentasse se aprofundar. Eu sabia que a morte faz isso com uma pessoa. Jared não levantou a cabeça de novo, então abortei meu aceno amigável e entrei em casa.

"Está cheirando bem." Sorri para Natalie. Ela assumira a função do jantar, eu o café da manhã. Isso facilitava a vida, e eu precisava desesperadamente de mais facilidade. Depois de um dia inteiro de trabalho, cozinhar não era exatamente uma tarefa que eu ansiava. Foi a fome de Natalie que a fez oferecer seus serviços. Não estaríamos comendo antes das seis se ela esperasse eu fazer o papel de chef. Ela, claro, morreria de fome até lá.

"A Pizzaria do Suggi me ofereceu um emprego", Natalie disse, sem me olhar. Eu prendi a respiração, colocando as cartas viradas para baixo no balcão da cozinha. O ano letivo mal começara. Um emprego de verão era uma coisa, mas isso poderia prejudicar suas notas. Ela sabia que eu não aprovaria. Era por isso que ela estava concentrada em mexer o macarrão.

"Querida, eu não acho que..."

"Eu vou aceitar", Natalie me interrompeu. Ela se virou para mim, quase uma mulher. "Eu sei o que está nessas cartas que você tenta esconder. Eu posso pelo menos comprar minhas próprias roupas e gasolina." Minha garganta inchou.

"Isso não é problema seu", eu engasguei, apontando para as cartas. "Seu trabalho é tirar boas notas e construir um futuro." Ela se virou de volta para o macarrão. Percebi que eu não tinha dito não.

"É sexta à noite e oito horas no sábado; possivelmente outra noite se alguém ligar dizendo que está doente", Natalie continuou, "já tenho idade, então está decidido." Meus olhos começaram a ficar marejados.

"Eu não quero isso para você", eu disse firmemente, com autoridade de mãe.

"E eu também não queria que o papai morresse", Natalie disse suavemente. Vi seus ombros tremerem quando ela disse aquilo. Fui até ela enquanto eu perdia o controle das minhas lágrimas. Ela se virou para mim, suas próprias lágrimas apenas começando. Eu a abracei, minha filha, minha vida, uma mulher em tudo menos na idade.

"Vai ajudar", eu concedi entre soluços. Tivemos um choro há muito necessário. Um pouco do macarrão queimou no fundo da panela.

Natalie insistiu em saber o quão profundamente endividadas estávamos. Passei o jantar contando a ela metade, o que era o dobro do que eu deveria ter contado. Na idade dela, as somas pareciam astronômicas. Ela devia estar pensando em milhares, não em centenas de milhares. Eu fazia ligações diárias para evitar uma falência que nos faria perder a casa. Oscilava constantemente entre ceder e me mudar para algum apartamento decrépito, mas Natalie já tivera perturbações suficientes em sua vida.

"Por que você não me contou antes?" Natalie perguntou. Seus olhos estavam mais arregalados do que os de uma garota de dezesseis anos deveriam estar.

"Eu sou sua mãe", respondi, como se isso explicasse tudo. Recorri ao clichê inútil. "Você vai entender quando tiver seus próprios filhos." Ela entenderia, mas isso estava, esperançosamente, a muitos anos de distância.

"Mas você comprou aquela assinatura idiota de revista", Natalie disse incrédula. Era para uma arrecadação de fundos da escola dela.

"Eu não queria que você fosse a única que não vendeu nenhuma", respondi fracamente. Foi vaidade estúpida. Alguma ideia de que Natalie seria diminuída se não vendesse uma assinatura.

"Isso é bobagem...", Natalie disse, então inclinou a cabeça ligeiramente, "obrigada." Eu sorri. Era a intenção que contava. "Vamos ter que nos mudar?"

"Talvez", eu disse baixinho. Com o tempo, a resposta seria sim. Eu não tinha certeza de quanto mais eu conseguiria adiar o inevitável. Na verdade, era melhor ter isso às claras. Eu me sentia uma fracassada, mas não vi isso nos olhos de Natalie. "Sinto muito", acrescentei debilmente. Ela me abraçou de novo. Pelo menos a verdade teve o benefício de nos fazer concordar pela primeira vez.

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Ouvi a gravação e decidi continuar em inglês. O menu foi disparado, e eu escolhi três para o atendimento ao cliente. Um ano pagando coisas atrasadas, e você aprende os sistemas. Nem todas as multas por atraso são iguais. Você pode remover a maioria com apenas uma simples ligação. A TriDeed Mortgage era uma dessas empresas. Essa ligação seria bastante embaraçosa, já que seria minha terceira tentativa de remover uma multa. Eu tinha o mercado imobiliário deprimido a meu favor. Executar uma hipoteca não era um empreendimento lucrativo para as companhias hipotecárias quando o patrimônio líquido do devedor era quase inexistente. O meu estava nessa categoria.

"TriDeed Mortgage, aqui é a Monica. Como posso ajudar?" A voz era agradável. Sempre eram. Decidi que a verdade estava em ordem. Eles não podem tirar sangue de uma pedra.

"Oi Monica, aqui é Linda Henderson", comecei, retribuindo o tom amigável. "Recebi ontem uma notificação de pagamento atrasado com uma multa de US$ 78."

"Pode me dar seu endereço, por favor?" Monica interrompeu antes que eu começasse minha súplica. Ditei o endereço e esperei enquanto ouvia ela digitando no teclado. Não era um bom sinal. Meu histórico de pagamentos ia aparecer na tela antes que eu pudesse defender meu caso. "Um momento, por favor", ela disse antes de me colocar em espera. Música ambiente genérica começou. Esperei alguns minutos e, pensando que eu tinha me perdido no sistema telefônico deles, quase desliguei para tentar ligar de novo.

"Sra. Henderson?" Monica voltou.

"Sim." Uma longa espera nunca é um bom sinal.

"Parece que houve um erro de sincronia. A fatura foi gerada antes do processamento do seu pagamento. Pode destruir essa fatura com nossas desculpas." Monica soava contrita. Fiquei estupefata.

"Ah... me desculpe", gaguejei, "estou um pouco confusa. Eu estava ligando para pedir a remoção da multa."

"Como eu disse, Sra. Henderson", Monica repetiu, "os computadores às vezes se adiantam e faturam erroneamente. Pedimos desculpas. O departamento de títulos está finalizando a hipoteca, e a senhora pode esperar receber a escritura em um ou dois dias." Deixei o telefone cair. Betty, minha colega de cubículo, olhou. Rapidamente peguei o fone.

"Minha escritura?" perguntei estupidamente.

"Sim", Monica continuou, "recebemos o saldo do empréstimo em 7 de abril. Leva até dez dias para ser compensado e verificado pelo nosso departamento de títulos. Mais uma vez, pedimos desculpas pelo erro. Eu sei como uma fatura dessas pode fazer a gente se sentir – especialmente quando é indevida." Quase desliguei. Eu tinha uns dez anos, jogando Banco Imobiliário, a última vez que tive um erro bancário a meu favor. Minha fibra moral entrou em ação. Tive que forçá-la.

"Ah... lá... eu não", respirei fundo e comecei de novo. "Monica, eu não quitei o empréstimo." Honestidade é dolorosa às vezes.

"Oh." Monica fez uma pausa por um segundo. "Um momento, por favor." De volta à música ambiente. Betty olhou para mim. Ela sabia algo dos meus problemas financeiros. A meia conversa a intrigou. Cobri o fone com a mão.

"Eles dizem que minha hipoteca está quitada", eu disse a Betty baixinho.

"E você está discutindo?" Betty retrucou. Dei de ombros e balancei a cabeça. Betty riu. "Honestidade nem sempre é a melhor política." Sorri com o humor dela.

"Eles vão encontrar o erro mais cedo ou mais tarde", eu rebati. No mínimo, eles se sentiriam obrigados a remover minha multa pela minha honestidade.

"Sra. Henderson?" Dessa vez era uma voz masculina.

"Sim." Eu me virei de Betty.

"Sou Rick Carlson, do departamento de títulos. Entendo que a senhora acredita que cometemos um erro."

"Sim", eu ri, "parece que vocês acham que eu quitei minha hipoteca. Por mais adorável que isso soe, temo não ter esse tipo de dinheiro."

"Verifiquei novamente a aplicação dos fundos, e tudo parece em ordem. Estou olhando para uma imagem do cheque. Ele veio acompanhado de uma carta que nomeia explicitamente sua hipoteca pelo número e endereço." Meu rosto estava corando e eu começava a suar. Eu não conhecia ninguém com esse tipo de dinheiro.

"Hum... De quem é o nome no cheque?" perguntei. Abanei-me com uma pasta na minha mesa.

"É um cheque administrativo; não tem nome", eu estava me sentindo tonta. Isso tinha que ser algum tipo de piada. "Apenas a quantia de US$ 127.356,23, que era o seu saldo devedor."

"Eu... eu não enviei isso." Minha voz tremia. Euforia misturada com um medo desconhecido.

"O cheque foi compensado, Sra. Henderson." Acho que ele podia ouvir minhas reservas. "Está tudo em ordem. Alguém deve ter lhe dado um presente." Ele riu. "Eu certamente não brigaria."

"Claro... não... o que isso significa?"

"Significa que sua casa está livre e desembaraçada, eu já autorizei o envio da escritura." Minhas emoções tomaram conta de mim. A tensão dos últimos anos inundou meus olhos. Betty rolou sua cadeira para perto da minha.

"Alguém pagou minha casa", murmurei para Betty, com a boca longe do fone. Ela me passou um lenço de papel da mesa. Limpei os olhos.

"Sra. Henderson?" Rick perguntou, achando que tinha me perdido. Um pensamento horrível me ocorreu.

"Eles podem pegar de volta?" perguntei. Minha voz mais firme.

"Bem, suponho que tudo seja possível", Rick respondeu, "seria terrivelmente difícil a essa altura. Talvez através de uma ordem judicial." Ele fez uma pausa por um momento. "Se a senhora realmente não enviou o dinheiro, então suponho que possa haver implicações fiscais."

"Impostos?" perguntei. Ninguém nunca me dera dinheiro assim antes.

"Estou supondo, não sou especialista em impostos", Rick respondeu, "a senhora teria que falar com um contador para descobrir."

"Então eu não preciso mais enviar dinheiro para vocês?" Eu queria verificação. Queria isso escrito em pedra. Queria ter certeza de que não estava sonhando.

"Não", Rick respondeu claramente, "seu empréstimo foi quitado." Encerrei a ligação ali, agradecendo a ele, enquanto me perguntava se estava sonhando.

"Quem pagou sua hipoteca?" Betty perguntou, quando o fone estava de volta ao gancho.

"Não tenho a menor ideia", respondi. "Seja quem for, é adorável e maravilhoso." Olhei para Betty, "Eu estava perto da falência – que diabos, eu estava falida."

"Você acha que eles querem algo de você?" Betty continuou.

"Não sei", suspirei longamente, permitindo que minha mente percebesse que meu salário iria muito, muito mais longe. Havia uma luz, uma luz abençoada, no fim do meu túnel cheio de dívidas. "Não tenho nada de valor."

"Sexo", Betty brincou.

"Tenho certeza de que eu não valeria tanto", ri. Eu não ficava com ninguém desde a morte de Tom – dívidas demais e todo o estresse que as acompanha. Namoro não estava em alta nos meus pensamentos, não que eu pudesse imaginar substituir Tom de qualquer forma.

"Seus órgãos então", Betty continuou.

"É isso", ri, "eles querem meu rim."

"Estou feliz por você", Betty disse como amiga, "você merece uma folga." Eu assenti e então apontei para o Sr. Brewster, que vinha pelo corredor. Rapidamente voltamos aos nossos terminais e começamos a processar contas a receber. Tive dificuldade em não sorrir. Eu não fazia ideia de por que alguém faria algo assim por mim e percebi que não me importava. Era a melhor coisa que me acontecera em anos. Eu ia me esbaldar nisso enquanto pudesse.

Passei meu horário de almoço com Betty tentando adivinhar quem teria feito tal coisa. As únicas pessoas que conhecíamos com esse tipo de dinheiro não me conheciam de verdade. O dono da empresa para a qual eu trabalhava, Franklin Construction, era uma. Eu só o encontrara uma vez. Ele era um cara legal com uma esposa legal e uma ninhada inteira de filhos. Não havia como eu estar no radar dele. Eu não tinha parentes próximos vivos no mundo. Acreditava que poderia haver uma tia-avó, por casamento, ainda viva. Eu só a conhecia por uma foto antiga. Encontrei-a uma vez quando eu tinha cinco anos. Ela devia estar na casa dos noventa. Eu não conseguia imaginar, se ela tivesse o dinheiro, que o daria a mim anonimamente. Duvido que ela sequer se lembrasse de mim.

Com o tempo, eu descobriria. Prometi a Betty que ela seria a primeira a saber. Tudo parecia mais leve. Eu poderia pagar algumas coisas e começar a colocar em dia as contas médicas. Eu devia muito a alguém. Era um tipo diferente de dívida – sem cifrões.

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Parei na loja do chaveiro no caminho para casa. Era uma loja de um homem só. Randy era esse homem. Sua esposa, ou pelo menos eu supunha que fosse, estava atrás do balcão com ele. Pareciam estar se preparando para fechar.

"Boa noite, Sra. Henderson", Randy anunciou quando eu me aproximei deles. Como ele se lembrava do meu nome, eu não tinha ideia.

— Oi — sorri, minha riqueza recém-descoberta transbordando em felicidade. — Vim colocar minha conta em dia. Desculpe pelo atraso no pagamento. A esposa dele me deu um sorriso forçado. Percebi que ela considerava pagamentos atrasados algo muito ruim. Randy apenas deu de ombros.

— Como está essa fechadura nova? — Randy perguntou. — Chegaram a pegar a pessoa? Ele falava sobre o arrombamento. Alguém usou um pé de cabra na porta dos fundos quatro meses atrás, danificando a fechadura antiga. Aconteceu enquanto a Natalie estava na escola e eu no trabalho. Ficamos assustadas por algumas semanas, mas superamos.

— A tranca nos faz sentir seguras, obrigada — respondi. — Não pegaram ninguém, e ainda não encontramos nada faltando. Acho que tentaram roubar a casa errada. Eu realmente não tinha nada de grande valor. Coisas de venda de garagem, no máximo. Peguei meu talão de cheques. — Deixei a conta em casa. Quanto devo?

— $168,50 — a esposa dele disparou de memória. Dava pra ver que ela não estava satisfeita comigo.

— Sinto muito por ter demorado tanto — repeti para a esposa. Ela abrandou um pouco no olhar. Preenchi o cheque e entreguei a ela. Ela aceitou com elegância. Foi maravilhoso quitar outra dívida, mesmo sendo uma das menores. Ontem, era tão intransponível quanto o Himalaia.

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Entrei na garagem e saí para levantar o portão. O motor quebrou uns seis meses atrás, zombando da minha pouca força nos braços. Sorri, pensando que talvez pudesse pagar o conserto em breve. Sempre podia adiar as contas médicas. Eles entendiam, desde que eu continuasse fazendo pequenos pagamentos. Ainda estava afogada em dívidas, mas agora tinha um bom par de nadadeiras pra me manter na superfície.

— Sra. Henderson? — Jared Thompson me surpreendeu, surgindo do meio do paisagismo. Sua calça jeans tinha manchas molhadas nos joelhos, as luvas manchadas de verde. Devia estar arrancando ervas daninhas.

— Boa noite, Jared. Por favor, me chame de Linda.

— Linda — ele recomeçou. Soou bem saindo da boca dele. Quase como se gostasse de dizê-lo. — Me sinto sem jeito, nunca fui pai, mas achei que devia dizer algo. Sei que gostaria de saber, se fosse pai. — Eu via que ele estava desconfortável, quase se esquivando da própria intenção. Isso tinha a ver com a Natalie. Não tinha certeza se queria ouvir o que ele tinha a dizer.

— O que foi? — perguntei. Com meu sorriso desfeito, ele pareceu ainda menos confiante. Olhou para as mãos por um momento, depois ergueu o olhar. Havia determinação nos olhos quando voltaram aos meus.

— Sua filha, Natalie, não é? — Jared começou. Assenti e cruzei os braços sob o peito. — Ela tem uma visita todo dia depois da escola. — Permaneci sem expressão, imaginando onde aquilo ia parar. Não sabia se a raiva seria apropriada. Sabia que não estava encantada com ele metendo o nariz onde não era chamado. Ele deve ter visto no meu rosto. — Sinto muito, não é da minha conta. Estou invadindo a privacidade da sua família. — Jared se virou com toda a intenção de ir embora.

— O que foi, Jared? — perguntei, tentando controlar o veneno na voz. Ele tinha razão, não era da conta dele, mas já que começou, tinha que terminar. Ele se virou, os lábios franzidos. Percebi que se arrependia de ter começado a conversa.

— É um garoto mais velho — Jared continuou. — Não quero insinuar que esteja acontecendo algo, mas ele sempre vai embora antes de você chegar. — Ele balançou a cabeça, parecendo enojado consigo mesmo. Eu, por outro lado, agora estava interessada. — É só que... achei que você devia saber. O garoto dirige um Lexus. Um garoto rico... todo dia... só achei... olha, já fui jovem. Se eu tivesse sido um garoto rico, suspeito que teria... Sinto muito, acho que realmente passei dos limites.

— Você está vigiando a minha casa? — perguntei. Ele ergueu as mãos até a altura do peito e começou a recuar. Eu tinha colocado ira demais na voz. Não era dirigida a ele, era para a Natalie. Ela só não estava lá para recebê-la.

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