Contos eróticos para ler inteiros.

Corno e Traição

Mas Aconteceu Há Anos

traicao_lili35 min

— Alô?

— Jerry! Sou eu.

Era Kelly, a irmã mais velha de Jerry. Ela parecia tensa.

— Oi, Kelly. O que houve?

— É o papai. Ele piorou muito. Tive que ligar para você.

Jerry se encolheu. O pai dele tinha acabado de completar 68 anos quando sofreu um infarto três meses atrás. Ele passou por uma cirurgia de ponte de safena tripla bem-sucedida, ficou uma semana no hospital e depois recebeu alta quando se estabilizou.

— O que aconteceu? — perguntou Jerry. — Ele estava bem quando estive aí.

— Eu sei. Mas é que... ele entrou em depressão. O médico disse que ele teve um derrame.

— Um derrame! Puxa vida. — exclamou Jerry. — Mas na semana passada o médico tinha certeza de que ele estava indo bem. Achei que ele tivesse se recuperado e estivesse bem em casa.

— Ele está em casa. Quer dizer, na casa do tio Tony, claro. O derrame foi supostamente leve, mas com a saúde dele debilitada, até um derrame leve é grave.

— É mesmo... ainda bem que não foi pior. — respondeu ele. Ele sabia que os pais tinham se mudado para a casa dos amigos, os Blaylock, depois da cirurgia.

O pai dele sempre fora o parceiro mais forte no casamento. Era o porto seguro da mãe emocionalmente frágil. Jerry se lembrava de desde pequeno que a mãe nunca lidava muito bem com estresse. Então, quando o marido teve um infarto, não foi surpresa que ela recorresse à velha amiga Agnes Blaylock e ao marido dela, Anthony.

Embora não fossem parentes de sangue, eram amigos da família desde sempre. Jerry, Kelly e a outra irmã, Katie, consideravam os Blaylock quase como parte da família. Todos cresceram chamando-os de tio Tony e tia Agnes.

— É. Está feio, Jerry. Nunca o vi assim. Você pode voltar? Papai precisa muito de nós agora, a mamãe também.

— Sei que precisam. — concordou ele. — Tudo bem, vou resolver as coisas com a Olivia. Mas não sei se ela consegue mais folga no trabalho. Talvez só eu volte.

— Certo. Venha rápido se puder. Papai não está nada bem.

— E a mamãe, como está?

Houve uma pausa antes de Kelly responder hesitantemente:

— Ela está bem.

Isso soou estranho, pensou Jerry. Ele esperava que ela explicasse mais. Em vez disso, houve outra longa pausa antes de Kelly dizer em tom sério:

— Tem uma coisa que eu preciso conversar com você. É bem importante.

— Sério? O que é?

— Não quero falar sobre isso por telefone. Vejo você quando chegar. Só me manda uma mensagem antes de chegar. Preciso falar com você em particular primeiro, antes de vermos o papai.

— Isso soa misterioso. Não pode me dar uma pista?

— Só venha logo. Eu te conto tudo quando você chegar.

— Certo. Te vejo em alguns dias, então.

— Obrigada, Jerry. A gente agradece muito. Mal posso esperar para te ver.

— Eu também, Kelly. Até logo.

Jerry desligou. Aquele fim de conversa foi estranho. Ele não conseguia imaginar o que ela precisava contar que não pudesse dizer por telefone. Teria que descobrir depois.

Jerry sabia que a saúde do pai não andava boa ultimamente. Ele nunca foi muito de ir à academia e não tinha rotina de exercícios. Mas trabalhou duro por muitos anos como mecânico de automóveis. Foi convocado logo depois do colégio, treinado no serviço militar e consertou veículos militares durante sua passagem na Guerra do Vietnã.

Apesar de ter tido uma função não combatente, Frank Kilroy sempre teve orgulho de seu serviço militar. Ele nunca falava disso com ninguém fora da família. Mesmo com a família, só em raras ocasiões mencionava algo. Se perguntassem, ele sempre dizia que era seu dever servir e que tinha orgulho disso.

Uma vez Jerry perguntou se ele alguma vez teve vontade de fugir do alistamento. Ele disse isso como piada para provocar o pai um pouco. O olhar severo e a resposta firme — "Nunca! Nem nesta vida!" — que o pai disparou de volta deixaram claro que aquilo nunca fora uma opção. Jerry nunca mais brincou com isso.

Jerry sabia um pouco sobre o tempo dele no Vietnã. Frank ficou estacionado longe das principais áreas de combate. Mas aparentemente não longe o suficiente, porque depois de alguns anos ele se envolveu em um tiroteio. Foi gravemente ferido quando uma explosão lançou estilhaços em seu pescoço e pernas.

O ferimento no pescoço sarou, mas o da perna foi complicado. Desde então, ele manca visivelmente. Frank terminou seus quatro anos de serviço numa cama de hospital em Saigon, antes de ser enviado de volta aos Estados Unidos. Foi alguns anos depois que ele conheceu Edith, sua esposa. Casaram-se e logo tiveram Kelly. Dois anos depois veio Katie.

Decidiram que duas meninas bastavam. Então Edith passou a tomar pílula e pelos dez anos seguintes foram uma família de quatro pessoas. Foi uma surpresa descobrir que Edith engravidara de novo quando estava com trinta e poucos anos. E assim chegou o acidental bebê da pílula, Jerry, que eles amaram tanto quanto as outras filhas, apesar da surpresa.

Quando chegou do trabalho, Jerry contou à esposa Olivia sobre a saúde debilitada do pai. Como esperado, ela já tinha usado todos os dias de férias na última visita para ver o sogro. Não podia se dar ao luxo de tirar mais folgas. Então Jerry tirou alguns dias de folga na semana seguinte, saiu de casa na sexta-feira à noite depois do trabalho, colocou as malas no carro e deu um beijo de despedida na esposa. Era uma viagem de quatro horas até sua cidade natal, mas ele estava com pressa e tentou chegar mais rápido.

A alguns quilômetros do destino, ele mandou uma mensagem para a irmã.

Uma resposta chegou: "Me encontre na lanchonete Kasson's. Você sabe onde é, né?"

Jerry respondeu: "Sim. 20 minutos."

Kelly já estava sentada num reservado e acenou para ele. Os cabelos castanho-claros e as feições claras lembravam a mãe deles, que era loira natural. Katie também puxara a ela, com cabelos claros e pele clara.

Jerry sempre sentiu que puxava ao pai, embora fosse mais alto que ele e tivesse cabelo mais escuro. Também era mais musculoso que o pai, tinha cabelo escuro, quase preto, e conseguia deixar a barba crescer em algumas semanas. Mesmo quando se barbeava de manhã, tinha uma sombra de barba bem visível quando voltava do trabalho.

Kelly pulou do assento e eles trocaram um abraço caloroso e um beijo.

— Que bom que você veio, Jerry.

— Claro. Quero ajudar.

Jerry notou a preocupação no rosto dela. Algo sério a estava incomodando. Pediram café e cada um comeu um doce. Quando a garçonete saiu, Kelly lançou um olhar sóbrio ao irmão mais novo e baixou rapidamente o olhar.

— Não sei como te contar isso... — disse ela, olhando para a mesa e mordendo o lábio.

— Fala logo, Kelly. Sei que está te incomodando.

— Tá bom. — Ela respirou fundo e soltou o ar. — Jerry, tem uma coisa que você não sabe sobre a nossa família. Envolve o tio Tony.

— Certo...

— Você lembra que a mamãe e os Blaylock são amigos desde a faculdade.

— Isso eu sabia.

— Mamãe e tia Agnes moravam juntas. Todos estudaram na mesma faculdade e foi lá que conheceram o tio Tony.

— Isso eu também sei. Uns dois anos depois da faculdade, mamãe conheceu papai numa festa, e aqui estamos nós. E daí?

— Bem, eles são amigos desde então. Mamãe e papai se casaram, e alguns anos depois Tony e Agnes também se casaram.

— Sim. Mamãe foi madrinha da Agnes.

— Isso. Não sei se você sabe disso. Antes de você nascer, papai teve que sair da cidade por alguns meses para fazer um curso numa escola de mecânica. Ele era novo na empresa e as aulas eram bem longe de casa. A empresa disse que ele só poderia voltar para casa uma vez durante o treinamento, e só por alguns dias. Ele usou o benefício de veterano para pagar. Durante esse tempo em que esteve fora, parece que mamãe ficou deprimida e pirou um pouco.

— Pirou? Como assim?

Kelly balançou a cabeça e soltou:

— Ela fez uma besteira, Jerry. Teve um caso com o Tony.

— O QUÊ? — ele gritou alto demais. Outros clientes olharam, então ele tentou controlar a voz e disse em tom mais baixo: — A mamãe? Teve um caso? Com o tio Tony? Que diabos!

— Sim. Mamãe é uma idiota, isso sim. Agora eu sei.

Jerry se recostou no assento e tentou se recompor da notícia inesperada. A mãe dele traiu o pai com Tony Blaylock? Inacreditável.

— Quando você descobriu? — perguntou a ela.

Kelly desviou o olhar, parecendo culpada.

— Eu soube disso quase desde o começo.

— Como é possível?

— Eu sabia que ela estava saindo com ele quando papai estava naquele curso. Ela arranjava uma babá para nós e ele passava para buscá-la em casa. Ela dizia que iam jantar fora ou ao cinema. Papai e Tony eram amigos e ele vivia lá em casa de qualquer jeito. Na época, eu só achava que ele estava sendo gentil, tentando animar ela porque mamãe estava tão triste com papai longe.

— Você não achava estranho ele buscá-la e levá-la para jantar? E a Agnes, onde estava?

— Na época não achei nada demais. — disse Kelly, tentando sinceramente fazê-lo entender. — Agnes estava com eles algumas vezes. Então ela sem dúvida sabia o que estava acontecendo. Eles apareciam em casa para buscar mamãe, e todos saíam rindo e tagarelando alegremente. Parecia bem inocente. Outras vezes, ele ia lá em casa sozinho e fazia algum pequeno serviço que mamãe precisava. Eu achava que era só um amigo ajudando enquanto papai estava fora. Era só isso que eu pensava na época, e mamãe me deixou pensar assim. Só fui perceber que ela estava traindo ele com o Tony quando eu já estava no ensino médio.

— Demorou tanto para você perceber?

— Me desculpe, Jerry. Eu devia ter contado antes. Mas acho que eu era bem ingênua naquela época. Agora eu sei melhor.

— Não se preocupe, Kelly. Você era só uma criança e não tinha como saber.

Houve uma pausa antes de Jerry perguntar:

— Então a Katie também sabe, presumo?

Ela lançou um olhar triste.

— Não posso ter segredos dela. Você sabe, irmãs.

— Sim, entendo.

A mente de Jerry girava com a notícia. Ele nunca esperava algo assim. Observou a irmã mais velha se remexer no assento, os olhos vagueando enquanto respirava fundo de novo. Isso era um mau sinal.

— Tem mais, não é?

— Sim. Infelizmente. — respondeu ela com tristeza. — Isso é muito difícil. Odeio ter que te contar. Mas não vou dourar a pílula. Já houve segredos demais.

Ela olhou diretamente para o rosto dele e declarou com franqueza:

— Jerry, não tenho certeza se o papai é seu pai biológico.

— O quê? Eu? Meu Deus! Sério?

— Sim. Sinto muito. Acho que você pode ser filho biológico do tio Tony.

A voz de Kelly embargou ao fazer a declaração. Então ela desabou e levou as mãos ao rosto. Começou a soluçar um pouco enquanto olhava para o irmão de cabelo escuro, que estava estupefato.

— Você está brincando. Só pode ser. Meu Deus. — Uma lágrima veio aos olhos dele, e ele a enxugou rapidamente antes que ela visse.

— Não. Mas queria estar. — respondeu ela, fungando. — Mas não tenho certeza. Espero estar errada. Falei com a mamãe sobre isso outro dia. Ela disse que também não sabe ao certo. Mas acha que foi o Tony que a engravidou naquela época. Você nasceu um pouco mais de 9 meses depois que eles começaram o caso. E a sua semelhança com o Tony é difícil de negar. Papai nunca mencionou nada, então acho que ele não percebeu a possibilidade até...

Kelly levou um momento para parar de fungar e falar.

— ...até que mamãe deixou escapar há algumas semanas. Que burra ela é. Ele ainda estava se recuperando do infarto quando ela contou sobre o caso. Desde então, papai está super deprimido. Provavelmente foi por isso que ele teve o derrame, porque a notícia o abalou muito.

— Merda. — disparou Jerry, com raiva. — Sei que ele está arrasado. Maldita seja. Depois de todo esse tempo, por que diabos mamãe tinha que abrir a boca grande dela, ainda mais com ele num estado tão frágil?

— Provavelmente foi uma confusão de remédios. — disse Kelly. — É o que todos nós achamos. Mamãe toma antidepressivos há um tempo. Você sabe como ela é. Mas ela trocou de médico recentemente. Acho que conheceu ele no hospital quando papai estava fazendo a cirurgia.

— Um médico novo? Para quê?

— Ah, sei lá. Mamãe sempre foi hipocondríaca. Ela estava rondando o hospital e com certeza conheceu um monte de médicos lá. Deve ter convencido um a aceitá-la como paciente. Imagino que ela não contou a ele todos os remédios que estava tomando na época, porque ele receitou um novo medicamento para os nervos dela, e infelizmente entrou em conflito com alguns que ela já tomava. Isso a deixou meio delirante e ela soltou a história toda para o papai durante uma discussão.

Jerry recostou no assento, atordoado, a mente trabalhando a mil para absorver toda aquela nova informação perturbadora.

— Então ele pode não ser meu pai de verdade? — suspirou Jerry, pensativo.

— NÃO! Ele É seu pai de verdade! — exclamou Kelly. — Meu Deus, Jerry, nunca pense diferente, por favor!

— Eu sei, eu sei. Claro que ele é. — respondeu ele, encabulado. — Você está absolutamente certa, Kelly. Ele é meu pai e eu o amo. Sendo meu pai biológico ou não, sei que ele me ama, sempre me amou. Ele sempre será meu pai de verdade.

— Obrigada. — fungou Kelly, estendendo a mão sobre a mesa para segurar as dele. Por alguns momentos comoventes, irmão e irmã ficaram de mãos dadas, compartilhando a dor. Kelly odiou contar a verdade ao irmão. Mas ele precisava saber.

Depois de alguns instantes, Jerry disse, balançando a cabeça:

— Mas que confusão. Tony é um cretino por se aproveitar dela, e mamãe é uma idiota. Pobre papai. Só imagino como ele se sente com a traição dela. A família é tudo para ele. Não acredito que mamãe pôde ser tão incrivelmente burra. Um segredo que ela guardou por décadas é revelado de repente quando papai está lutando pela vida. Qual a chance disso?

— Ele não reagiu nada bem.

— Então qual é a situação agora? Ele ainda está na casa dos Blaylock?

— Sim. Por enquanto, pelo menos. Só imagino que ele odeie isso, viver sob o mesmo teto que o antigo amante da esposa. Mas ele está bem indefeso, e mamãe não vai para casa cuidar dele. Ela disse que está chateada e precisa da ajuda do Tony...

Kelly acrescentou em tom amargo:

— ...e claro que o velho tio Tony está mais do que feliz em ajudar.

Ela engoliu em seco para conter a amargura e continuou:

— Mas, como você pode imaginar, papai agora o odeia. Ele deixou isso bem claro para o Tony. E não deixa mamãe ajudá-lo em nada, nem Agnes.

— Então como ele está se virando?

— Nada bem, claro. Ele precisa de ajuda. Sem mamãe assumir, não tinha mais ninguém, então ele foi levado para a casa dos Blaylock. Tony deu a ele um quarto próprio em sua casa e contratou uma enfermeira para cuidar dele. Ele também tem um fisioterapeuta. Claro que o Tony pode bancar.

— Sim. O desgraçado é cheio da grana. Todos sabemos disso.

— É tão triste, Jerry. Tenho ido visitá-lo regularmente. Mas ele não quer falar comigo nem com a Katie. Acho que ele descobriu que a gente sabia, mas não contou a ele. Agora ele sente que a família inteira o traiu. Ele está tão deprimido que quase choro quando o vejo.

— Posso imaginar. Pobre coitado. Que recompensa doentia por todo o trabalho duro dele. Ele foi um marido fiel e um ótimo pai a vida toda. Honesto, trabalhador, um grande provedor, e olha no que deu. Merda.

Irmão e irmã ficaram sentados olhando para a mesa, imersos em pensamentos. Depois de um tempo, Kelly olhou para o outro lado da mesa para fitar o irmão.

— Eu sei que isso é um choque para você. Odeio ter que contar. — admitiu ela. — Mas eu te amo, Jerry. Todos nós amamos. Não pense que isso muda alguma coisa entre nós. Katie sabe que estou falando com você e diz o mesmo. Ela não pôde estar aqui agora. Vai aparecer amanhã. Ela manda lembranças, a propósito.

— Obrigado, Kelly. Você sempre será minha irmã, não importa o que aconteça, Katie também.

Kelly chamou a garçonete para a conta e perguntou a ele:

— Você está pronto para visitar o papai?

— Sim. Preciso muito vê-lo e ajudá-lo se puder. Só espero que ele não leve isso tão a sério. Você sabe como ele é.

— Sim. Ele sempre teve um senso de justiça muito rígido. É tudo certo ou errado para ele, sem meio-termo. Por isso ele está tão magoado. Ele não consegue aceitar o pedido de desculpas de mamãe nem as razões dela para ter agido assim. Ele é um homem arrasado, Jerry. Acho que ele não disse três palavras para mamãe desde que tiveram a briga. E ele só fulmina o Tony com o olhar.

"Não posso culpá-lo, mesmo depois de tanto tempo." Ele disse, "A mamãe sabe do caso dela há décadas, mas para o papai ainda é uma ferida recente no coração. O amor que ele achava que a mamãe sentia por ele agora está manchado para sempre."

"Hmph. A mamãe com certeza não pensa assim." Kelly disse com sarcasmo. "Ela age como se tivesse contado que bateu o carro. A mamãe diz que o caso dela é coisa do passado e que não fica com o Tony há anos. Ela não entende por que ele está levando tão a sério. Eu falei que o fato de o caso ter terminado há um tempo não torna menos doloroso para o papai. Isso caiu em cima dele há pouco tempo e ele ainda está sofrendo. Ele ainda está super chateado."

Jerry e Kelly foram em carros separados. Ao entrarem na longa entrada da garagem, Jerry contemplou a visão familiar da grande casa dos Blaylock. Era uma mini mansão de dois andares, com um enorme quintal ajardinado, uma piscina e um jardim de flores circular. O Tio Tony era dono de três concessionárias de carros e alguns outros negócios. Sua casa era um símbolo de riqueza naquela pequena comunidade.

Frank Kilroy e Anthony Blaylock formavam uma dupla improvável de amigos. O sucesso nos negócios de Tony, contrastando com a situação financeira modesta dos Kilroy, tornava a amizade deles ao longo dos anos algo improvável. Claro, agora que Jerry sabia do caso de Tony com sua mãe, fazia muito mais sentido.

Jerry e Kelly foram recebidos na porta por uma Tia Agnes de semblante sombrio. Kelly e Agnes se abraçaram e beijaram, depois Jerry abraçou a mulher mais velha. O abraço foi rígido e ficou estranho quando se afastaram. Ela ainda era uma mulher bonita, esbelta, bem vestida, com o cabelo prateado perfeitamente arrumado.

"Obrigada por vir, Jerry." Agnes lhe disse com sinceridade. "Espero que ver você aqui anime seu pai."

"Também espero."

Enquanto eram conduzidos à sala de estar, o Tio Tony apareceu. Ele tinha mais de um metro e oitenta e sua figura robusta estava vestida com um terno de seda caro. Nos pés, sapatos de verniz que pareciam caros. Sorrindo confiante, o homem mais velho deu um passo à frente, abraçou Kelly e apertou a mão de Jerry. Jerry notou seu cabelo preto penteado para trás, salpicado de grisalho. Isso lhe dava um ar distinto.

"Bom ver você de novo, Jerry." Tony disse com um sorriso. "Queria que as circunstâncias fossem melhores. Mas estou muito feliz que você está aqui."

"Eu também... Tony." Jerry estava prestes a chamá-lo de Tio Tony, mas se conteve.

"Alguém aceita uma bebida?"

"Não, obrigada." Kelly respondeu e Jerry apenas balançou a cabeça.

"Onde está o papai?" Ele perguntou.

"No escritório." Tony disse, apontando orgulhoso para uma sala grande. "Arrumamos tudo especial para ele quando teve alta. Cama hospitalar completa, cadeira de rodas motorizada, tudo. Qualquer coisa que ele precisar, é só pedir."

"Pode deixar."

Jerry e Kelly deixaram o homem alto e foram para o antigo escritório. Jerry ficou chocado com o quão pequeno e indefeso seu pai parecia. O homem robusto e confiante que ele admirou a vida toda era uma casca encolhida do que costumava ser. Sua cabeça pendia para o lado enquanto olhava apaticamente para os visitantes. Ele estava na cadeira de rodas perto da janela. Jerry se aproximou e o abraçou. Frank levantou o braço que ainda funcionava e deu ao filho um aperto de mão fraco.

"Oi, pai. Sinto muito que você teve uma recaída." Jerry disse tentando puxar conversa.

Frank assentiu debilmente. Seu rosto não mostrava emoção, mas seus olhos estavam fixos no rosto do filho. Ele tentou dizer algo, mas as palavras saíram embaralhadas.

Jerry se inclinou para ouvir a fala fraca do homem. Começou a se afastar, assentindo como se tivesse entendido. Mas Frank segurou determinado a mão do filho, lutando para se repetir várias vezes até ver um pouco de reconhecimento nos olhos de Jerry. Durante a conversa truncada, Tony e Agnes tinham saído da sala para lhes dar privacidade.

Jerry finalmente entendeu que ele estava dizendo que o amava e que sempre seria seu filho. Jerry sentiu lágrimas vindo aos olhos. Ouviu um fungado ao lado e olhou para Kelly. Ela ouviu o que Frank disse e começou a chorar, cobrindo o rosto com as mãos. Jerry também começou a se emocionar.

"Você também, pai." Jerry disse ao velho, com a voz trêmula. "Eu te amo. Sempre amarei. Fiquei sabendo do problema com a mamãe. Mas isso não importa nem um pouco para mim. Nada muda entre nós. Nunca vai mudar, pai."

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