Contos eróticos para ler inteiros.

Masturbação e Brinquedos

A Cadeira

alcina44 min

Nota da Autora: Esta história poderia se encaixar em várias categorias. Para evitar que alguém seja pego desprevenido, ela contém algumas nuances de N/C, algumas de bondage e outros temas. É uma fantasia erótica, então se você tem dificuldade para suspender a descrença, provavelmente não é para você. Agradecimentos a Blackshang e Cloudy pela edição e leitura de impressão.

*

Candice estremeceu ao sair do carro. A antiga casa do avô sempre lhe causava essa reação. A mansão vitoriana decadente parecia ter saído diretamente do set de um filme de terror slasher.

O velho havia partido, e com sua morte vieram as brigas de costume pela fortuna. Webster tinha sido um velho desgraçado, malvado e sinistro, e seu testamento foi sua última chance de dar alfinetadas nos netos, todos os quais o decepcionaram de alguma forma.

O primo Tom, o favorito de Webster para odiar, ficou com duas empresas. Parecera tão surpreendente que todos acharam que o velho estava tentando fazer as pazes… até que Tom descobriu que ambas estavam falindo, sendo investigadas pela CVM e outros órgãos governamentais, e enfrentando ações coletivas devastadoras. No fim das contas, ele teria sorte se saísse com a roupa do corpo.

A prima Christy ganhou um suprimento vitalício de camisinhas e pílulas anticoncepcionais. A dica nada sutil de Webster de que ela trepava demais. E assim foi. O velho desgraçado atingiu todo mundo. Menos ela.

Sua mãe fora a filha favorita dele, na medida em que ele gostava de algum dos filhos. Candice fora mantida cuidadosamente longe dele. Nas poucas vezes em que esteve perto, sempre permaneceu educada e quieta. A verdade era que ele lhe dava arrepios, e, quando ficou mais velha, sempre sentiu que ele a despia com os olhos. Felizmente, fora transferida para o escritório de Tóquio logo após a formatura e passara a maior parte dos últimos cinco anos fora do país.

Por isso, perdeu o infame escândalo na confraternização anual de Natal. O velho explodiu com todo mundo, da mãe dela aos bisnetos. Sua tia "paz e amor", Becky, acreditava que o velho estava possuído por um espírito maligno na casa. Chegou até a tentar fazer um exorcismo nele, para grande irritação do velho.

Webster Carpenter era vingativo como ninguém, e ela não se sentia à vontade ali, mesmo dois anos depois de ele estar na cova. Ainda assim, a casa e a propriedade valiam uns bons dez milhões. A condição dele de que ela morasse lá por um ano fora um choque. Ela esperava simplesmente vendê-la sem nem visitar. Para sua sorte, havia um escritório em White Plains, ali perto, e ela conseguiu uma transferência por um ano. Seria um trajeto infernal, mais de duas horas de ida. Mesmo assim, parecia um preço pequeno a pagar considerando o esquema geral das coisas.

A chave que o advogado lhe dera girou facilmente na velha fechadura e a porta se abriu. Como esperava, tudo dentro estava coberto por uma camada de poeira. Era exatamente como ela sempre se lembrava da infância, desde o grande retrato do avô no hall de entrada até a aparência um pouco desgastada dos móveis antigos. Ela esperava que alguns parentes estivessem à disposição para ajudar na limpeza, mas o advogado a dissuadiu de ligar. Aparentemente, houve uma briga terrível pelos móveis, e todo aquele lado da família não falava mais com o lado dela. Segundo ele, os primos estavam ressentidos pelo fato de ela ter herdado a casa e a mobília. Havia também a questão dos vinte e cinco milhões desaparecidos. Aparentemente, o primo Rich achava que estavam na casa.

A polícia o prendeu duas vezes por invasão. Os primos todos contestaram o testamento, mas Web havia previsto isso. O executor fora autorizado a sacar uma anuidade para custear as batalhas judiciais. O testamento era à prova de balas, de qualquer forma, então tudo já estava resolvido antes mesmo de ela voltar aos EUA.

Candice sabia que era errado pensar mal dos mortos, mas não podia deixar de acreditar que o testamento fora escrito exatamente com esse propósito. Semear discórdia. Seria bem a cara do velho.

***

Levou a maior parte de sua semana de férias para tirar pó, esfregar, varrer e polir. Remover o retrato soturno do avô do hall fora sua primeira medida. A empresa de colchões veio na segunda para trocar o colchão da grande cama de dossel. Candice dormiu no sofá em vez de subir. Uma ida à cidade rendeu lençóis novos, travesseiros, fronhas, cortinas e bugigangas. Ela estava muito feliz por seu tempo no Japão a ter impedido de acumular muita tralha própria, pois o velho lugar já estava abarrotado de móveis de qualquer jeito. Ela gostaria de vender alguns, não só para liberar espaço, mas para ter algum dinheiro para comprar algumas coisas, mas estava proibida de fazê-lo até o ano terminar.

Ela amontoou a maioria das coisas do quarto de Webster em um quarto extra e reformou a suíte master para ficar mais aberta e alegre. Candice também renovou parcialmente a cozinha e a sala de estar. Estava acostumada a viver em apartamento, então simplesmente fechou o resto dos quarenta e poucos cômodos. Seu plano era viver apenas nos três cômodos enquanto enfrentava os outros um por um, anotando cuidadosamente o que havia neles. Esperava ter alguma documentação sobre algumas peças antes de poder chamar os leiloeiros para se livrar de tudo.

Mesmo com uma aparência nova, a suíte master parecia desconfortável para ela, e muitas vezes dormia no sofá, especialmente quando o inverno chegava e a grande lareira o tornava o cômodo mais aconchegante da velha casa cheia de correntes de ar.

***

Candice acordou sobressaltada. Olhou rapidamente ao redor do quarto. Algo a despertara, mas não sabia o quê, e sentiu calafrios na espinha. O lugar velho era sinistro, o velho fora sinistro, e de repente sentiu como se alguém a estivesse observando.

Ela quase se convenceu de que era sua mente pregando peças quando notou uma estante perto da lareira que estava deslocada. Os livros ainda estavam enfileirados ordenadamente, mas a própria estante parecia inclinada para fora. Sua curiosidade superou o temor e ela se levantou. Aproximou-se da estante e então percebeu que ela estava realmente inclinada para fora. Candice pousou a mão na madeira lisa e puxou. Para sua surpresa, a estante se abriu para fora em dobradiças silenciosas, revelando uma escada escura.

Ela queria investigar, mas seus medos eram mais fortes que a curiosidade, então decidiu esperar até de manhã. Candice não conseguiu encontrar nenhum trinco ou fecho, então usou uma cadeira para manter a porta secreta aberta.

Na manhã seguinte, armada com seu confiável revólver .357 e uma lanterna, entrou na pequena abertura e desceu a escada estreita depois de uma busca minuciosa não revelar nenhum interruptor de luz ou cordão de puxar no teto.

A escada dava para um grande cômodo quadrado, de cerca de nove por nove metros. Diferente da escada, Candice encontrou facilmente um interruptor e o acionou. Uma luz indireta e suave iluminou o ambiente. O chão era coberto por um carpete felpudo e grosso. As paredes eram desprovidas de adornos, mas revestidas em um carvalho claro que parecia dar ao cômodo uma espécie de calor. No centro do aposento havia uma cadeira estranha, que parecia ser o único móvel.

Era uma peça maciça, de madeira escura, sobre um estrado de metal elevado. O encosto era reto e estofado em couro vermelho macio. Os braços tinham formas curiosas, mas também eram revestidos em couro vermelho. As pernas eram estranhas, pernas estilo Queen Anne, mas também estofadas onde as panturrilhas descansariam.

O estrado de metal parecia, na verdade, fazer parte da cadeira, agora que ela olhava melhor; o assento era de metal nu, com apenas uma almofada redonda de couro vermelho para apoiar o traseiro. Ela conseguia ver o contorno de escaninhos em vários lugares, mas não encontrava nenhum trinco para abri-los.

Esculturas intrincadas de demônios lascivos e rostos femininos extasiados decoravam a peça toda. Os apoios de braço terminavam em cabeças de dragão ferozmente carrancudas. A cadeira tinha uma sensação vagamente sinistra, e ela passou longe ao investigar a única outra característica do cômodo: um pequeno console com um grande botão vermelho e seis botões menores enfileirados que a lembravam dos botões do antigo toca-fitas de oito faixas no carro do avô.

Ela tentou todos os botões, mas nada aconteceu. Provavelmente estavam ligados a algum equipamento de som ou coisa assim, ela pensou.

Após uma investigação minuciosa, convenceu-se de que o cômodo era apenas um porão inofensivo, possivelmente a sala de AV do avô. O que quer que tivesse estado ali, já não estava mais.

Ela desligou a luz, subiu a escada e fechou a porta, ouvindo o clique ao se fechar. Talvez descobrisse o mecanismo de abertura mais tarde, quando tivesse energia para se preocupar. Por ora, preferia-a fechada, mesmo sabendo que era bobagem.

***

Candice acordou sobressaltada. A sensação de que havia olhos sobre ela estava lá de novo, mas, como antes, não viu ninguém no quarto. Estava prestes a fechar os olhos de novo quando notou a porta secreta entreaberta. Ela ficou arrepiada e os pelos da nuca se eriçaram. Levantou-se e enrolou o roupão apertado nos ombros.

Achou que podia detectar um brilho fraco no fundo da escada, como se as luzes estivessem acesas lá embaixo. Pegando o revólver, aproximou-se com cautela do topo da escada. Agora não havia dúvida de que a luz estava acesa no cômodo estranho.

— Olá? — chamou.

O silêncio saudou seu chamado, e ela se sentiu idiota por tentar. Estava sozinha na casa, mas, por mais que tentasse se convencer, não se sentia assim. Ela esgueirou-se para o espaço no patamar e espiou a escuridão.

— Olá? — chamou de novo. Tinha um pé no primeiro degrau quando a estante bateu com força. Candice saltou, enquanto a passagem inteira mergulhava na escuridão, com apenas o brilho fraco da iluminação do cômodo mais ao fundo visível. Ela se encolheu no canto e prendeu a respiração, o revólver à sua frente nas mãos trêmulas. Nada se moveu, não havia som algum, e depois que seus olhos se ajustaram, percebeu que nem estava tão escuro assim. Irritada consigo mesma por deixar seus medos infantis tomarem conta, começou a empurrar a estante, mas ela estava firmemente fechada.

Procurou um trinco, um fecho, algo que a destrancasse, mas depois de meia hora empurrando cada saliência no hall, começou a entrar em pânico.

— Respira — disse em voz alta.

Ninguém construiria uma porta secreta que não pudesse ser aberta por dentro, ela pensou. Se a passagem só dava acesso a um cômodo, então o mecanismo de abertura provavelmente estava localizado lá. Lembrou-se do console estranho no andar de baixo e de fato riu. Claro. A porta provavelmente podia ser trancada e destrancada de lá eletronicamente. Isso explicaria tanto o console quanto o motivo de a porta ficar se abrindo sozinha. Era tão antigo que provavelmente estava com defeito. Também explicaria por que nada acontecera quando ela apertou o botão antes: a porta já estava aberta naquela hora.

Tranquilizada por suas racionalizações, ou ao menos tentando parecer blasé diante de sua incerteza, ela começou a descer os degraus. Embaixo, virou e passou pelo pequeno arco de pedra para dentro do cômodo. Como imaginava, as luzes estavam acesas, proporcionando um brilho indireto, suave e acolhedor. Ela foi até o console estranho e apertou o botão grande, mas nada aconteceu. Apertou mais algumas vezes, mas ainda assim nada.

Ela lutou contra o pânico crescente e tentou pensar. Ninguém sentiria sua falta até segunda-feira, no mínimo. E mesmo que alguém viesse, talvez nunca a encontrassem ali embaixo. Examinou o console de novo. Apertou cada um dos seis botões menores, um por vez, mas nada aconteceu.

Frustrada, bateu no botão grande de novo. Ouviu um zumbido e girou, quase atirando às cegas. A parede comprida, a mais distante dela, estava girando. Quando se fechou com um clique, ela estava de frente para uma tela de televisão gigante. Quando nada mais aconteceu, ela se aproximou, mas ela não tinha botão nem dial.

Após vários minutos de investigação, voltou ao console e hesitante apertou o botão grande de novo. Como mágica, a tela da televisão girou de volta e a parede lisa retornou.

Quando ela o apertou de novo, a tela da televisão girou de volta. Candice examinou o painel de controle de novo e percebeu que o quinto botão ainda estava pressionado. Pressionou outro até a metade, até o quinto saltar, e então apertou o botão grande. Nada.

Candice pressionou o sexto botão, mas nada aconteceu. Ela já esperava. Bateu no botão grande e saltou quando a tela ganhou vida e o som irrompeu de alto-falantes ocultos. O programa era aparentemente um filme pesado de BDSM, com muitos gemidos e lamentos teatrais. Candice até sorriu.

— Talvez você não fosse tão careta assim, afinal — disse para o cômodo silencioso, e bateu no botão grande de novo, o que matou o show.

— Mas você era um luddita — acrescentou, reconhecendo agora que o console funcionava de um jeito bem primitivo. Você pressionava um botão, depois batia no botão grande, como numa caixa registradora. Percebendo isso, ela pressionou o primeiro botão e tentou. A parede em frente à cadeira girou, revelando outra tela grande.

O segundo revelou um armário na parede dos fundos. Era um guarda-roupa, e Candice queria investigar, mas primeiro queria abrir a porta.

O terceiro abriu um pequeno armário tipo cofre na parede acima do console. Candice verificou, mas parecia vazio.

O quarto botão abriu painéis deslizantes no teto. Correntes, cordas e até uma daquelas cadeiras de bondage pretas flutuantes foram lentamente baixadas. Adicionalmente, duas seções do piso deslizaram para trás, e um grande cavalo e uma cruz de Malta subiram e travaram no lugar com cliques audíveis. Ela notou que também havia uma tela grande embutida no teto, diretamente acima da cadeira.

Ela foi até a escada, mas a porta ainda parecia fechada. Candice foi e abriu o guarda-roupa. Dentro havia chicotes, algemas, coleiras, catsuits de látex justos com recortes apropriados, máscaras, saltos agulha, algemas de mão, equipamentos de bondage e várias variedades de vibradores e consolos, tudo arrumado ordenadamente.

— Nossa, Webster, você devia ser algum tipo de tarado — disse, balançando a cabeça.

No fundo do guarda-roupa, encontrou outro botão, incrustado num quadrado de latão; quando o pressionou, uma pequena bandeja, como uma gaveta de caixa registradora, se estendeu na altura da cintura.

Apertar o botão uma segunda vez fechou a gaveta, e uma terceira a abriu de novo.

Deixando o guarda-roupa, voltou ao console. Enquanto o examinava, notou que o cofre que ela pensava estar vazio, na verdade continha uma única folha de papel. Puxou-a e examinou. Era um diagrama tosco de boneco palito com poucas palavras. Mostrava o guarda-roupa e um boneco palito.

1. Localize o botão no painel B (fundo do guarda-roupa) 2. Coloque a roupa na bandeja. 3. Feche a gaveta. 4. Localize o Botão C, canto inferior direito do console A.

Não dava nenhuma indicação do que esse botão faria.

— Isso está me deixando assustada — ela disse para o cômodo vazio.

Colocou o papel na cadeira com o revólver, depois voltou a procurar o botão que abriria a porta. Após vários minutos de busca, ficou frustrada e sentiu seus medos ressurgirem. Olhou para o guarda-roupa, para o papel na cadeira e deu de ombros.

Candice respirou fundo, removeu seu roupão transparente e apertou o botão. Quando a gaveta apareceu, colocou seu roupão nela e apertou o botão. A gaveta fechou, mas nada aconteceu. Ela foi e investigou o console, mas nenhum botão novo apareceu.

Voltou ao guarda-roupa, pressionou o botão e ele abriu, revelando seu roupão. Candice se sentiu bobagem, mas tirou o sutiã e a calcinha e os adicionou à gaveta; ainda assim, nada.

— Merda — disse em voz alta, imaginando se os eletrônicos tinham pifado. Seria típico da sua sorte. Então outra ideia lhe ocorreu. Talvez o roupão transparente e as roupas de baixo não pesassem o suficiente? Ela abriu a gaveta de novo e acrescentou um dos catsuits e um par de saltos agulha. Dessa vez, quando a gaveta fechou, ouviu um zumbido e um clique.

— Bingo! — exclamou animada, correndo para o console.

Lá, atrás de um painel corrediço, havia um botão azul. Ela o pressionou e ouviu um chiado suave atrás de si. Virou-se rapidamente, mas não conseguiu ver nada diferente. Pressionar o botão de novo não fez nada.

Frustrada e com raiva, voltou ao guarda-roupa e apertou o botão. Sentia-se pequena e vulnerável o suficiente, e queria suas roupas de volta.

— Que porra é essa?! — explodiu quando o botão clicou, mas a gaveta não apareceu.

Ela o esmagou mais várias vezes, mas nada aconteceu.

— Pedaço de lixo! — ela gritou, chutando a cadeira e machucando o pé descalço no processo. Virou-se e voltou para pegar a arma, que ainda estava sobre a cadeira. Quando se aproximou, notou um pedaço de papel no chão. Seria aquele o som que ouvira quando apertou o botão azul pela primeira vez? Apressou-se e encontrou uma pequena fenda, parecida com aquelas de onde saíam recibos em máquinas de somar antigas. Obviamente, o papel viera da fenda na base da cadeira.

O papel era outro diagrama tosco. Mostrava uma figura de palito e a cadeira.

1. Sente-se 2. Localize o botão vermelho, atrás do painel X 3. Pressione o botão

Ela examinou o diagrama e viu que o botão vermelho supostamente ficava atrás da cabeça de dragão esculpida no apoio de braço direito. Por mais que empurrasse ou tentasse forçar, nada funcionava; parecia totalmente sólido e parte da cadeira. Deu de ombros e sentou-se. A princípio, nada aconteceu, mas após vários momentos tensos, a mandíbula do dragão se abriu e um pequeno botão vermelho, montado em um suporte prateado, se estendeu para fora.

Candice deu de ombros e apertou o botão vermelho. De aberturas ocultas, algemas de aço forradas de feltro saltaram, prendendo seus tornozelos e um braço.

— Mas que porra é essa? Ah, merda.

Ela lutou e se debateu, mas nenhuma força parecia fazer qualquer diferença. Apertou o botão de novo, e gritou maldições contra ele, enquanto o botão lentamente se retraía e a boca do dragão se fechava.

Com a mão livre, tentou encontrar um jeito de abrir a algema que prendia sua mão, mas foi inútil. Por fim, a adrenalina passou e ela afundou na cadeira.

— Muito bem, garota, você precisa pensar. Pensa, pensa, pensa — disse em voz alta.

Essa tecnologia é antiga. Tudo precisa estar exatamente certo. O botão do guarda-roupa falhou até que o peso estivesse correto. Ela se lembrou do diagrama. A figura de palito estava sentada ereta, com ambos os braços nos apoios. Talvez não funcionasse a menos que todas as algemas tivessem disparado? Sua arma estava no chão, onde a colocara antes de sentar, mas por mais que se esticasse, não conseguia pegá-la, e mesmo que conseguisse, e daí? Teria a mesma chance de se machucar quanto de se libertar, atirando a esmo nas algemas.

Candice ponderou por um longo tempo. Por fim, chegou a uma conclusão: teria que deixar o outro braço ser preso. Antes de fazê-lo, porém, forçou-se a revisar mentalmente uma última vez. Ela tinha uma mão livre, mas sem ferramentas de algum tipo, estava firmemente presa. Todo o resto naquele quarto bizarro parecia ser ativado apenas com um comando específico. Poderia manter o braço livre, mas, ao fazê-lo, talvez nunca acionasse o dispositivo que a libertaria.

Com um suspiro resignado, colocou o braço no outro apoio. Nem sequer se assustou quando a algema se fechou com força. Esperou, mas nada aconteceu.

— Merda — exclamou.

Um milhão de pensamentos selvagens passaram por sua cabeça, mas eram inspirados pelo pânico, e ela acabou se acalmando. Viu-se falando em voz alta, tanto para ter som quanto para manter as coisas claras.

— Vão sentir minha falta no trabalho na tarde de segunda. Quando Cindy não conseguir me contatar, provavelmente vai chamar a polícia. Calcula aí, umas vinte e quatro horas até eu ser oficialmente uma pessoa desaparecida. A polícia vai me encontrar, pelada, no cenário de um filme pornô de sadomasoquismo. Muito fofo, Vovô Web, o que foi que eu fiz pra você, caralho?

Ela jogou a cabeça para trás e deu um pulo quando um colar de metal saltou e prendeu sua cabeça ao encosto alto da cadeira. Aquilo pareceu acionar um relé, e ela ouviu vários gemidos, rangidos e sibilos mecânicos antes que a tela de TV à sua frente se acendesse. Candice fitou enquanto a câmera focalizava o Vovô Web. Em vez do velho assustador que ela sempre conhecera, ele estava bronzeado, nu da cintura para cima e com um grande sorriso no rosto. Parecia mais alto, menos austero e vinte anos mais jovem do que ela se lembrava de sua última visita.

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