Último Verão
— O que a gente faz primeiro? — Bren perguntou.
— Não sei. — Edward disse. — Nunca fiz isso antes.
— Nem eu. — ela respondeu. — A gente devia só tirar a roupa?
Bren tinha sido a vizinha do lado dele literalmente desde sempre. Ela nasceu uma semana antes dele. As famílias eram vizinhas e as mães, melhores amigas. Há pouco mais de dezoito anos, eles se conheceram ainda de fraldas, com poucos dias de vida. Então talvez não fosse totalmente certo dizer que nunca tinham se visto pelados, mas com certeza não desde que aprenderam que meninos e meninas eram diferentes.
Brincavam juntos na mesma casa antes de saber que meninos e meninas deviam brincar com coisas diferentes. Depois que souberam, brincavam juntos assim mesmo, ela com bonecas e festinhas de chá, ele com caminhões e soldadinhos.
Tiveram outros amigos quando ficaram mais velhos, mas os caminhos deles viviam se cruzando. As amigas dela se misturavam com os amigos dele. Ficavam juntos às vezes, só os dois. Outras vezes ficavam com amigos em comum. Outra coincidência: os sobrenomes dos dois começavam com as mesmas duas letras, então sentavam juntos na aula quando o professor organizava os lugares por ordem alfabética. Sentavam juntos por opção quando não era o caso.
Foram quase inseparáveis até mais ou menos os doze anos. Os amigos começaram a provocar porque eles andavam sempre juntos. Cederam à pressão dos colegas e se afastaram. Exceto quando não se afastavam. Quando ninguém mais estava disponível, ou quando só queriam se ver. Andavam de bicicleta juntos, exploravam o bairro juntos, exploravam as matas juntos.
Conforme cresciam, o corpo deles dizia que queriam a companhia do sexo oposto, mas a amizade era tão próxima que nenhum dos dois percebia que eram de sexos opostos. Ela falava pra ele dos meninos por quem se interessava. Ele falava pra ela das garotas por quem tinha paquera. Quando o alvo do interesse ainda não totalmente formado de um era amigo do outro, faziam papel de cupido um pro outro.
Edward tinha notado que o corpo de Bren tinha se desenvolvido, é claro. Costumava afastar esses pensamentos da cabeça. Eram amigos, e amigos não pensavam assim um no outro. Não se evitavam exatamente, mas os momentos a sós tinham ficado estranhos tantas vezes que começaram a procurar outras pessoas pra sair. As carteiras de motorista, os amigos com carro, os interesses cada vez mais amplos, tudo isso os levou mais longe de casa, e um do outro.
Mas ainda eram vizinhos. Era o comecinho do verão depois do último ano do colégio. Ele estava cortando a grama da frente. Era um trabalho fácil com o cortador elétrico, e ele nem suou. Bren apareceu quando ele estava guardando o cortador na garagem.
— Quero te mostrar uma coisa. — ela disse. Edward reparou de relance na blusa de algodão leve que ela usava, ombros de fora, e no short capri. Notou como os ombros dela ficaram fortes depois que ela começou a nadar meio sério, e os pequenos volumes abaixo deles. Notou a pele lisa e macia cobrindo pernas longas e torneadas. Notou a feminilidade no rosto dela — o equilíbrio perfeito dos olhos com o nariz e os lábios — e como isso mal se escondia atrás da expressão séria e atenta que ela costumava usar.
Baniu o pensamento com a mesma rapidez e olhou pra garota com quem tinha crescido, a garota que conhecia a vida toda, que era como uma irmã pra ele. — O quê? — ele perguntou, tirando as luvas de trabalho e enxugando a testa com uma toalha.
— Vem. — ela disse, e se virou pra porta da casa dela sem olhar pra trás. Eles se conheciam tão bem que geralmente sabiam o que o outro estava pensando, o que fariam, e ela não tinha dúvida de que ele a seguiria.
Ela o levou pra dentro de casa e em direção às escadas. — Meus pais estão viajando. — ela avisou, sabendo que ele olharia em volta pra dar oi pra mãe dela. — Finalmente decidiram que eu podia ficar sozinha em casa sem dar festas loucas e destruir tudo. Disseram que eu podia receber amigas, mas nenhum menino.
— Eu sou um menino. — ele disse.
Ela riu. — É, mas você não conta.
— Ah, entendi. — Podia ter doído, mas ele sabia que ela quis dizer que os pais dela não pensavam nele desse jeito. E nem ela. — O que você quer me mostrar?
Ela o levou até o quarto. — Aqui dentro. — disse.
Ele a seguiu. Era o mesmo quarto de sempre. Ela nunca foi moleca, mas também não era patricinha. Era muito inteligente, uma aluna séria, e sempre teve o dom de saber o que estava rolando quando ele ainda não se tocava.
O quarto dela era cheio do tipo de coisa que uma garota acumula ao longo da vida, algumas que ele via desde as primeiras lembranças de brincar ali, outras eram novas pra ele, objetos pessoais de uma jovem madura. Bichos de pelúcia enfileirados numa prateleira. Um deles, um tiranossauro surrado que ele conhecia a vida toda como "Rex", estava no travesseiro sobre uma colcha vermelha-escura de uma cama arrumada com capricho. Livros ocupavam outra prateleira. Livros infantis gastos. Apostilas de química orgânica. Tudo entre um e outro.
— Então, o que é? — ele perguntou.
Ela foi até uma escrivaninha onde tinha uma mistura de quebra-cabeças, uma pilha pequena de livros, uma pilha de blocos de anotações cheios de rabiscos, garatujas e o que pareciam ser anotações sérias, e um laptop. De uma caixa de metal barata, ela tirou uma carta.
Edward leu, então abaixou as mãos, o papel segurado em uma delas esquecido, sua presença física esmagada pelo conteúdo. Era a carta de aceitação da faculdade dela. Ele tinha recebido a sua na semana anterior. Não tinha percebido antes, mas aquilo tornava tudo real. Aquele era o último verão juntos. O último na mesma cidade, no mesmo estado.
— Você já se perguntou quanto do que a gente é vem de todo o tempo que passamos juntos? — ela perguntou.
Ele nunca tinha pensado nisso, mas era o tipo de observação que ela sempre fazia. O tipo de coisa que ela via, que ela questionava, que ele raramente via. Ela fazia ele pensar sobre essas coisas. Eles eram parte um do outro, de tantas maneiras.
— A gente já compartilhou tantas primeiras vezes. — ela disse. Ela tinha chorado no ombro dele na primeira vez que terminou com um namorado, depois de um único encontro casto. Ele tinha ido até ela na primeira vez que terminou com alguém. Foram pro fliperama e não trocaram uma palavra, mas ela estava lá. Se abraçaram depois disso, o primeiro abraço dele com uma mulher que não era a mãe nem uma tia. Antes disso, compartilharam a primeira curiosidade sobre seus corpos em crescimento, sem se tocar, só espiando. Antes disso, tantas primeiras vezes do crescimento. Primeiro joelho ralado, primeiro osso quebrado — quando ele caiu de uma árvore —, primeira vez que fugiram de casa e chegaram só na casa ao lado.
— É verdade. — ele disse, ainda segurando a declaração que encerrava a proximidade de uma vida inteira.
— Depois deste verão... — ela disse, os olhos marejados. — Vamos estar a milhares de quilômetros de distância.
— A gente pode manter contato. — ele disse, a garganta apertando.
— Pode. Mas faculdade significa vidas novas. Vamos fazer amigos novos — amigos que não se conhecem —, vamos namorar pessoas, vamos ter interesses que o outro não vai compartilhar, ou nem saber que existem. Vamos começar carreiras, famílias. Não vai ser a mesma coisa. Vamos estar separados. Provavelmente pra sempre.
— A gente pode... — ele não a insultaria dizendo aquilo. Sabia que promessas assim não eram como a vida realmente funciona. — Ainda temos o verão. — disse, fazendo uma promessa precipitada na cabeça de passar cada minuto dele só curtindo com ela. Assim que pensou, soube que até isso ficaria pra trás na correria de olhar pras novas vidas pela frente.
— Temos. Mas vamos estar ocupados. — ela disse. Ela via o quadro todo, sempre um ou dois passos na frente dele.
— Você quer transar? — ela perguntou.
Aquilo o tirou do desânimo. Ele já tinha fantasiado uma garota perguntando isso pra ele. Mas ela não podia estar falando sério. — Claro que quero. — ele disse, caindo naquela camaradagem de brincadeira confortável que tinham. — Por quê, você conhece alguém?
Ela olhou pra ele, uma lágrima escorrendo pelo rosto. Ele não conseguiu interpretar o olhar. Ela parecia triste e conformada, mas tinha algo mais também.
— O quê? — ele perguntou, genuinamente confuso. Ele não podia dizer que isso nunca tinha passado pela cabeça... com a Bren. Mas nunca levou a ideia a sério o bastante nem pra fantasiar. Ela era sua melhor amiga.
— Nossa última primeira vez juntos. — ela disse.
Ele a encarou, os olhos arregalados. — Mas... a gente é...
— Melhores amigos. Melhores amigos que nunca vão ter outra chance. Melhores amigos que são ambos virgens e prestes a ir pra faculdade transbordando de inocência. Você é meu melhor amigo, e eu não consigo nem imaginar outra pessoa no mundo com quem compartilhar isso.
— Mas a gente vai estar separado. Não vamos poder... A gente não pode começar nada agora.
— Não vamos. Não vamos nos apaixonar, não vamos ficar juntos pra sempre. Ficamos juntos a vida toda, e isso está prestes a acabar. Eu não quero que acabe, mas tem que ser. Tem que ser, não importa o que a gente faça no resto do verão.
— Você está terminando comigo antes do tempo? — ele disse, tentando forçar uma piada leve pela garganta apertada.
— Só amigos. — ela disse, as lágrimas escorrendo livremente pelo rosto agora. — Sem término. A gente não vai namorar. A gente só vai ser amigo. O mesmo que sempre fomos. Melhores amigos não terminam, só vão se afastando.
Ele não sabia bem como se sentia sobre isso. Queria estar apaixonado na primeira vez. Estar perdidamente, alguém com quem ele sentisse — que pelo menos pudesse acreditar na hora — que ficaria pelo resto da vida. Mas se perguntou se algum dia amaria alguém tanto quanto amava ela, a garota com quem esteve desde sempre. A garota com quem não estaria no futuro. Ela era a sua garota. Era a sua garota de sempre, mas só olhando pra trás. Ele conseguiria aceitar sabendo que era só um verão, sabendo que o dia em que isso acabaria já era um quadrado vermelho vivo no calendário?
— Tá. — ele disse simplesmente. Se perguntou se eram os hormônios decidindo, mas quando olhou pros olhos dela, cheios de lágrimas e saudade do que não podia ser, e a boca dela, mal se curvando num sorriso fraco, soube que não podia dizer não. Não podia deixá-los ir, ainda não. — Quando? — perguntou. — Onde?
Ela se afastou dele e fechou a porta, então voltou a ficar na frente dele.
As lágrimas dela pararam de correr, deixando trilhas que secavam devagar nas bochechas. A garganta dele afrouxou um pouco. Eles podiam esquecer setembro. Tinham junho, julho e agosto. Ele fez a conta na cabeça. 73 dias até partirem, até cada um encher o SUV dos pais com o que precisassem pra começar vidas novas, as coisas sem as quais não podiam viver ou que não suportariam deixar pra trás. Eles iriam em direções opostas. Ele os imaginou cada um grudado no vidro traseiro do respectivo carro enquanto partiam em direções opostas, vendo o outro sumir na vasta distância do futuro.
— O que a gente faz primeiro? — Bren disse.
— Não sei. — Edward disse. — Nunca fiz isso antes.
— Nem eu. — ela respondeu. — A gente devia só tirar a roupa?
— Ainda não. — ele disse, de repente decidido. Deu um passo à frente e segurou o rosto dela com as mãos. Limpou com os polegares as lágrimas que secavam. Ela virou a cabeça entre as mãos dele e beijou cada palma, usando a própria mão pra pressionar a dele contra os lábios. Então o encarou de novo.
Ele inclinou a cabeça até a dela e encostou os lábios nos dela, hesitante no começo, depois com mais firmeza. Inclinaram a cabeça e cercaram as bocas um do outro com os lábios. Ela empurrou a língua pra fora, depois a recolheu. A boca dela pressionando a dele ficou incerta por um instante, então ela apertou mais, e as línguas exploravam a boca um do outro.
Separaram-se com um mútuo suspiro de ar depois de um minuto que Edward achou que eram anos. Ambos riram, em parte com o absurdo e a falta de jeito de como estavam fazendo aquilo, em parte pra afastar a dor iminente. Se abraçaram, os braços dele nos ombros dela, os dela no peito dele. Ele afundou o rosto no espaço entre o pescoço e o ombro dela, ela afundou o seu contra o ombro e o peito dele. Mas ambos sentiram aquele beijo, e ele pareceu real. — Não diz que me ama. — ela disse, a voz abafada na axila dele.
— Não diz você também. — ele disse contra o pescoço dela. Sabia que nunca suportaria aquele dia em setembro se dissesse. Se ela dissesse. Não suportaria saber que era verdade.
Desfizeram o abraço depois de longos minutos parados, se apertando forte, desejando que setembro nunca chegasse.
— Tem certeza? — Edward perguntou.
— Tenho. — Bren respondeu. — Você?
— Tenho. Mas talvez a gente devia esperar. — Ele não tinha certeza se aquele era o momento certo. As coisas estavam tão intensas. Talvez não estivessem pensando direito, talvez precisassem entrar no clima certo.
Ela pareceu magoada e disse:
— Nunca ia acontecer. Ficaria estranho demais. — Ele sabia que ela tinha razão. Se se separassem agora, ambos remoeriam o assunto até se verem de novo. Criariam dúvidas, dúvidas ridículas e triviais. Começariam a achar que adiar também adiaria o inevitável, que evitar tudo evitaria a dor depois. Cada um imaginaria o outro com as mesmas dúvidas. O encontro seguinte seria impossivelmente constrangedor, ou pior, e eles começariam a se afastar muito antes do necessário.
Ele viu tudo isso nos olhos dela. Ela não estava mais chorando. Tinha um olhar decidido, uma máscara sobre uma emoção turbulenta, o queixo erguido que dizia que ela arrancaria qualquer vitória, por menor e mais fútil que fosse, de qualquer tragédia que estivesse por vir. O clima não parecia propício à intimidade, mas tampouco a situação favorecia que se abandonassem.
— Não quero deixar você. — ela disse, a voz ainda trêmula. — Não sem... nossa última primeira vez juntos. Não sem aprender a última coisa que ainda resta aprender um sobre o outro.
Ele quis fazer uma piada. Ela tinha dado abertura, e eles já tinham se provocado antes. Teria parecido os velhos tempos. Mas teria parecido uma traição. Como baratear a vida inteira deles.
— E agora, então? — ele perguntou enquanto ficavam ao alcance do braço sem se tocar.
— A gente devia tirar a roupa. — ela disse. Simples assim. Parte da mente dele foi pras suas fantasias. Fantasias da primeira vez, com a garota perfeita, o amor perfeito e eterno. A sensação de querer e ser querido, de antecipação. De se revelarem lentamente um pro outro sem dizer, sem premeditação.
— Não tudo de uma vez. — ele disse.
— Certo. Boa ideia. Parte de cima primeiro?
— Claro. — ele disse, alcançando a gola da camiseta pra tirar por cima da cabeça. Quando conseguiu ver de novo, ela estava ali olhando pra ele, pro peito dele. Ela não fez movimento nenhum pra tirar a blusa.
Ela deu meio passo e encurtou a distância entre os dois, pôs a mão espalmada no peito dele. Moveu a mão em pequenos círculos, evitando os mamilos. Olhou pra ele em busca de aprovação, de encorajamento. Ele sorriu pras duas coisas.
A outra mão foi pro ombro dele, e a mão no peito logo a seguiu pro outro. Ela ficou com aquela expressão de concentração que ele conhecia bem. A expressão neutra mas focada que ela tinha ao olhar um inseto no microscópio na aula de ciências ou ao ver o professor de matemática resolver um problema complexo de cálculo. A expressão de precisar entender algo desesperadamente, e saber que podia.
As mãos dela foram devagar dos ombros até o pescoço, sentindo os músculos. Ele fazia musculação de vez em quando, nada sério, mas gostava. Isso lhe dera peitorais levemente definidos e ombros desenvolvidos. Só uns quilinhos a mais impediam que ele tivesse tanquinho sem arredondar a barriga de forma óbvia. Ela moveu as mãos do pescoço, brevemente pras bochechas dele, olhando-o nos olhos e sorrindo.
As mãos dela desceram pelo peito dele e contornaram as costelas, pelas laterais. Ela o examinava como uma cega lendo cada protuberância e ondulação. As mãos voltaram pelo peito e cobriram os mamilos dele. Passou os dedos por cima e eles reagiram. Ela olhou pra ele de novo. — Nunca vi você de verdade. — ela disse.
— Claro que viu. — ele respondeu. Ela já o tinha visto sem camisa antes. Na piscina, fazendo jardinagem num dia quente, jogando futebol americano ou futebol sem camisa na escola ou com os amigos.
— Não, eu já vi você, mas nunca olhei pra você.
Ele entendeu. Sabia que se... não, quando, ele olhasse pro peito nu dela, sentiria o mesmo. Já a tinha visto de maiô, visto as formas atenuadas dela. Mas nunca tinha visto os seios nus dela. Nunca tinha realmente olhado pra eles, mesmo cobertos.
Os dedos dela roçaram nos mamilos dele. Ela pareceu intrigada com o fato de eles endurecerem. Pôs a ponta do dedo na boca e rolou sobre o mamilo dele. Soprou levemente. Então envolveu os braços ao redor dele e o beijou.
A exploração lenta com os dedos dela era algo que ele nunca tinha sentido antes, algo que nunca soubera que desejava sentir. Era novo, e com isso vieram novos sentimentos. Com os sentidos aguçados e a tensão crescente no ar, o toque dos braços nus dela em sua pele, o volume macio dos seios dela pressionados contra seu peito, ele sentiu algo novo. Algo elétrico. As mãos dela exploraram suas costas, suas omoplatas, a linha da espinha, sua cintura. O beijo dela estava mais apaixonado agora, menos hesitante, mais exigente.
Ela se afastou. "Minha vez", disse. Falou no tom de uma concessão à justiça, de dar a ele o que ele dera a ela. Ele interpretou como o oposto: ele dando a ela o que ela dera a ele.
Ele queria explorá-la. Não totalmente por luxúria. Ela era tão familiar para ele quanto alguém poderia ser, mas ele nunca a vira de verdade. Não desse jeito.
Ela tirou a camisa e, antes que ele pudesse apreciar vê-la de sutiã, ele também já tinha sumido, amassado no chão ao lado da camisa dele. Ele encarou a peça, pensando em como era provocante, como a sugestão era, de certa forma, mais excitante que a realidade revelada. Então olhou para ela, olhou de verdade.
Ele inspirou fundo. Começou a dizer algo, mas sua boca só ficou aberta. Ele nunca tinha visto seios de verdade antes, mas tinha certeza de que eram os seios mais perfeitos que já vira e que jamais veria. O desejo de alcançá-los imediatamente, de segurá-los com cuidado, de deixá-los se encaixarem perfeitamente em suas palmas, de apertá-los, era avassalador, mas ele resistiu. Eles se projetavam suavemente do peito dela, sem cair, sem serem planos. Ela não tinha um bronzeado escuro, mas seus seios eram brancos no formato dos maiôs. Aréolas marrom-claras os coroavam, com mamilos macios no centro.
Ele imitou a exploração dela, com a mão espalmada no peito dela, apenas sentindo as curvas do colo modesto. Fez pequenos círculos, sentindo a pele lisa, empurrando levemente cada seio. Eles cediam um pouco e sua forma mudava sutilmente com a leve pressão. Ele subiu a mão pelo peito até o pescoço dela, segurando-o suavemente de um lado enquanto a outra mão segurava o outro lado. Levou as mãos às bochechas dela e sorriu.
Passou brevemente pelos ombros dela, depois desceu pelos lados, sentindo as curvas externas dos seios, como acabara de sentir as internas. Finalmente, trouxe-os completamente para as mãos. Apertou-os suavemente, sentindo o peso, a firmeza que cedia. Esfregou o polegar sobre os mamilos enquanto os olhava intensamente, observando a resposta deles. Teve um momento de dúvida e olhou para ela. Ela estava sorrindo para ele.
"Seus seios são lindos", ele disse baixinho. "Perfeitos."
"Peitos", ela disse.
Aquilo o tensionou. Foi como acionar um interruptor, passando da exploração inocente para carícias necessitadas. Sua melhor amiga tinha peitos. Na mente dele, ela nunca tivera. Ela queria que ele não visse seus seios, mas que olhasse para seus peitos, com todo o significado e a intenção. Ela queria ser vista. Não como uma amiga de infância, mas como uma mulher. Ele queria atender, e seu corpo já começara a responder, muito à frente dele.
"Seus peitos são perfeitos", ele disse, hesitante, a inocência residual começando a cair por terra, mas ainda se agarrando. Ela sorriu.
"Ainda temos um caminho a percorrer, não temos?", ela perguntou.
Ele assentiu.
"Você quer ir até o fim?", ela perguntou, com uma expressão que dizia que ela conhecia muito bem o duplo sentido.
Ele assentiu. E engoliu em seco. "Vire-se", ele disse, com uma voz de comando. Os olhos dela se arregalaram, e ela se virou. Ele deu um passo para trás dela, o mais perto que pôde sem deixar que sua ereção parcial a tocasse. Colocou as mãos nos ombros dela, segurando-os, sentindo sua força delicada. Os rigores da natação transpareciam, definindo os ombros dela e uma suave curvatura deles até a cintura, onde os quadris se avolumavam antes de desaparecer sob o cós do short.
"Você está duro?", ela perguntou por sobre o ombro. Ele hesitou tempo suficiente para que a pergunta fosse respondida em silêncio. "Tudo bem. Pode ficar mais perto."
Ele moveu os pés um quarto de passo e fez contato com ela. Ela se reclinou para trás, pressionando-se contra a dureza dele, as costas nuas contra o peito dele. Ele a envolveu com os braços e levou a boca ao pescoço dela. Inspirou o cheiro dela. O aroma levemente perfumado do cabelo, o almíscar da pele. Sentiu a bunda macia dela cedendo à pressão de seu pênis que enrijecia.
Ele moveu a boca ao redor do pescoço dela, os braços sob os seios. Beijou a nuca, o outro lado, depois subiu para atrás da orelha. Ela ronronou. Ele passou por sobre o ombro e viu os seios dela de cima, os mamilos firmes, a pele ao redor enrugada de tensão. Ela se remexeu levemente contra ele mais abaixo. Ergueu os braços para segurar de leve a cabeça dele.
Ele moveu as mãos para cima e segurou os seios dela. Os peitos, lembrou a si mesmo. Eles estavam quentes e mais firmes. Beliscou os mamilos com os dedos, e ela respondeu, pressionando as costas com mais força contra ele. Ele sentiu a pressão dela contra sua dureza agora completa, e isso provocou um arrepio nele.
As coisas estavam acelerando, sua necessidade crescendo, a inocência deles se desfazendo. Sua melhor amiga estava se tornando uma mulher, sob seu olhar, sob suas mãos, pelo toque de seus lábios. Haveria mais, muito mais, antes que essa transição se completasse. Ele deslizou as mãos pela lateral dela, até o cós do short. Ela o deteve.
"Ainda não", ela disse, e se virou. "Tire suas calças."
Ele olhou para ela. Eles não estavam mais brincando. Ele sustentou o olhar dela enquanto levantava um pé, depois o outro, tirando os sapatos e as meias. Olharam-se nos olhos enquanto ele desafivelava as calças e as deixava cair aos pés, junto com a cueca boxer. Ele nunca estivera nu diante de outra pessoa fora de um vestiário. Nunca fora visto nu por ninguém que se importasse. Nenhum olho além do seu próprio presenciara sua ereção.
Ela deu um passo à frente. Colocou as mãos nos quadris dele, os polegares fazendo círculos preguiçosos no alto da virilha, enquanto seus olhos permaneciam nele. Quase fez cócegas, mas havia mais do que isso em seu toque. O pênis dele se estendia entre eles, rígido, balançando suavemente.
Ela se ajoelhou sem tirar os olhos dos dele. Ele se perguntou se ela estava prestes a colocá-lo na boca, mas em vez disso ela apenas olhou, finalmente, para sua ereção com aquele olhar atento e examinador. Lentamente, moveu as mãos sobre os quadris dele, descendo pelas coxas. Olhou para onde suas mãos traçavam a forma dos músculos dele, depois de volta para o pênis. Moveu as mãos para a parte interna das coxas, e ele afastou as pernas para dar espaço.
Ela inclinou a cabeça, examinando-o de diferentes ângulos. Mudou o peso do corpo, para olhar de cima e de baixo. Moveu as mãos para cima até que seus dedos roçassem levemente o escroto, então recuou um pouco. Olhou para ele com uma pergunta nos olhos. Ele assentiu. "Só não aperte isso", ele disse.
Ela sorriu um sorriso pequeno, como de posse, por ter descoberto uma vulnerabilidade. Segurou os testículos dele com os dedos. Ele nunca soube que era tão sensível ali. O toque mais leve dela provocava arrepios por todo o seu corpo. Ele os sentiu se contraírem na mão dela, e a primeira tensão profunda de uma tempestade se formando. Ela olhou para ele. "Me mostra como você faz", ela disse.
Ele pareceu confuso.
"Como você se masturba", ela disse.
Ele hesitou, momentaneamente envergonhado. Mas a confiança dela, sua atitude prática de estudar um mistério, e o fato de que ela sabia que era melhor não perguntar 'se', afastaram a vergonha. Ele envolveu a mão em si mesmo.
"Acaricia seu pau", ela disse, como se saboreasse as palavras na boca, sentindo-as na língua e nos lábios pela primeira vez com significado. Ele não era mais seu amigo de toda a vida; eles não eram mais as crianças que passaram tanto tempo inocente juntos. Ele era um homem, com um pau. Com um pau duro, e ele o segurava da maneira ancestral. A cabeça e o último centímetro do corpo saíam de seu punho, apontando obscenamente para o rosto dela. Ele lentamente empurrou a mão para a frente para cobri-los, esticando a pele para lubrificar o atrito. Ela pareceu surpresa.
Ele moveu a mão para a frente, depois para trás. De novo, um pouco mais rápido. Olhou para os olhos dela, a centímetros de distância. Para os lábios dela, ainda mais perto, e suas bochechas macias, seu nariz fofo. Sua mente se acelerou com pensamentos de pintá-los com um caos de listras brancas. Sentiu sua mente dar uma guinada. Ele se conteve.
"Dessa vez não", ela disse, percebendo a mudança nele, a direção que sua mente tomara. Depois, "então é assim que funciona. Você usa outra coisa às vezes?"
Ele não queria falar. Mas também não queria que aqueles momentos acabassem, que completassem sua transformação tão cedo. Queria saber que sua melhor amiga ainda estava ali, na frente dele, na forma daquela mulher. "Às vezes, mas nem sempre é conveniente", ele disse, maravilhado com a naturalidade com que admitia aquilo.
"Você pensa em mim?", ela perguntou.
Dessa vez ele ficou chocado. "Hum... não... não por mais de uma fração de segundo, de qualquer forma." E ele nunca pensara, mesmo. Uma vez, uma imagem dela passara por sua mente no momento do clímax, mas ele nunca buscara deliberadamente aquela imagem para chegar lá. "Você?", ele perguntou.
"Em você? Não. Nunca. Comecei uma vez, mas não quis ter nenhuma ideia preconcebida sobre isso."
Ela acabara de admitir que estava pensando naquilo há um tempo? "Quanto tempo?", ele perguntou.
"Desde a formatura", ela disse. Fazia duas semanas e meia. "Pareceu tão definitivo, como o fim. Parecia que já estávamos separados para sempre." Ela baixou o olhar para o chão. "Comecei a... a fantasiar com você." Ela olhou diretamente nos olhos dele. "Comecei a me masturbar pensando em você. Em lembranças suas. Mas percebi que não precisava ser assim. Ainda não era o fim. Podia haver mais do que lembranças e fantasias."
Ele não queria pensar em fins agora. Aquela carta parecia uma sentença de morte. Ela ergueu o olhar novamente, com os olhos distantes.
"Parece bem grande", ela disse após uma pausa pensativa. Ele detectou um traço de medo na expressão dela. Não dele — ele jamais iria querer isso —, mas da ferramenta que ele logo usaria para invadir o corpo dela. Ele tinha sua vulnerabilidade, sim, mas não podia ser nada comparado ao que ela enfrentaria. Deitar de costas, pernas abertas, nada escondido dele, nada entre ela e sua necessidade, completamente indefesa, desejando desesperadamente e temendo desesperadamente sua intrusão em seu espaço mais íntimo, mais sagrado.
Ela roçou a cabeça do pau dele com os dedos, envolveu-a com as pontas dos dedos, pressionando-os ao longo do corpo até que sua palma pressionasse a ponta. Ela estava totalmente no controle, por enquanto. Poderia fazê-lo gozar ali mesmo. Todo o corpo dele se tensionou, uma reação ao que sabia ser o destino final, mesmo sabendo que não era. Ele estava cercado. De forma frouxa, desajeitada, mas estava dentro de algo, fechado. Seu corpo queria terminar sua tarefa. Ele inspirou ruidosamente, e ela puxou a mão.
O pau dele pulsou e a surpreendeu. "Ele pode se mexer?", ela perguntou. Ele contraiu os músculos da base e o fez balançar para frente e para trás uns dois centímetros no ar. Ela riu. Ela se inclinou e o envolveu com a mão. Apertou levemente e imitou o movimento de acariciar que ele mostrara.
O corpo dele explodiu novamente. Não em orgasmo, mas em sensação crua. Ele a sentiu em toda parte. Nos últimos minutos, experimentara uma sensação nova atrás da outra. Uma sensação absolutamente impressionante atrás da outra. Ele nunca soube como aquilo podia ser. Fantasiara essas coisas, e mais, mas eram apenas a mais pálida sombra da realidade. Antes que ela pudesse acariciá-lo uma segunda vez, ele disse "É melhor você parar com isso." Sua voz estava baixa, quase rouca, e saiu mais ameaçadora do que pretendia.
Ela congelou. "Aperta", ele disse.
"Isso não vai fazer você gozar?", ela perguntou, de forma prática.
"Não", ele sabia que pressão suficiente podia fazer sua necessidade crescente recuar, por um tempinho. Uns preciosos minutos. Mas exigia muito. "O contrário. Não mova a mão, só aperte. Uniformemente, não muito em um ponto só."
Ela apertou, hesitantemente, com medo, sem saber onde o prazer terminava e a dor começava.
"Está duro", ele disse. "É sólido. Mais forte."
Ela apertou com mais força agora, mas hesitou, certa de que era demais. "Mais forte", ele disse.
"Dói?", ela perguntou.
"Não. É... não sei como descrever. Dói, como um músculo. A pressão alivia, sem realmente aliviar. Por um tempo. Mais forte."
Ela colocou sua força nisso. Seus músculos de nadadora pressionaram e mantiveram por um momento. Foi o suficiente. Ele assentiu com alívio.
Ela olhou para ele com os olhos arregalados.
"Sua vez", ele disse.
Ela estremeceu. Levantou-se, os olhos não se afastando do pau dele enquanto se erguia. Sua trégua temporária com a urgência dele não diminuiu em nada sua presença visível.
Ele a observou. Viu os seios dela subindo e descendo e balançando firmemente com os ajustes de equilíbrio. Ela deu um passo para trás e enfiou os polegares no cós. "Seja gentil", ela disse. Ele assentiu.
Ele estava nervoso de novo. Aquela seria sua primeira vez. Tudo. E com sua melhor amiga, o amor de sua vida, até então. Ela estava prestes a se revelar totalmente para ele, e eles estavam prestes a se fundir do jeito dos homens e mulheres desde o alvorecer da raça humana. Ele estava prestes a penetrá-la, pela primeira vez dela e dele. Todas as preocupações de sempre o atingiram de uma vez. Como ele se sairia, se ela realmente o deixaria ou se ele de alguma forma estragaria tudo, quanto tempo duraria, se passaria vergonha.
Então estava ali, exposto para ele. Pelos castanho-claros, felpudos e suavemente encaracolados, cobriam-na desde abaixo da dobra do ventre para baixo, curvando-se por baixo. Ela se depilara, ao contrário dele. Seus olhos seguiram o caminho da penugem para baixo e entre as pernas dela, até uma bolsa macia fendida por uma fenda fina. Ele sabia que poderia empurrá-la para trás na cama e ter o que queria, o que precisava, em um segundo. Sabia que ela o deixaria.
Mas ele não queria que aquilo terminasse tão cedo. Deu um passo à frente e colocou as mãos nos quadris dela. A ponta de seu pau balançava diante dele, e ele moveu os quadris para a frente para fazer um leve contato com a barriga dela. Ela o olhou com os olhos semicerrados, o lábio inferior fazendo um biquinho para fora da boca. Ele puxou os quadris dela para mais perto, deslocando os seus para que seu pau se desviasse para o lado e pressionasse toda a sua extensão entre eles. Ele a beijou, envolvendo-a nos braços.
A pele nua dela tocou a dele de alto a baixo. Outra sensação diferente de tudo que ele imaginara percorreu seu corpo. Em todas as suas fantasias sobre sexo, tocar coxas, barrigas, peitos nus juntos nunca entrara nelas. Elas se concentravam no óbvio e, não tendo experiência para alimentar mais, limitavam-se ao visual. Às visões: da mulher, dele mesmo, de mãos em partes sensíveis, de fricção.
Ele não tivera base para incluir essa sensação. Para incluir o calor, o agarre levemente pegajoso de pele contra pele, o cheiro da pele em si. Ele sentiu a eletricidade, não focada em um único ponto de contato, mas espalhada totalmente sobre ambos como um campo, flexionando e pulsando no éter.
Eles ficaram ali, beijando-se, abraçando-se, movendo-se minimamente um contra o outro. Era o último abraço deles, o último que podia ser dito inocente. O último como melhores amigos, não dizendo adeus, ainda não, mas se tornando algo mais, para nunca mais voltarem a ser o que eram. Apesar da nudez, da excitação, aquilo parecia quase casto.
Isso não duraria. Ele se sentiu espremido entre as barrigas deles, o calor dela abaixo. Sentiu os quadris dela se moverem, as mãos dela em suas costas explorando mais agressivamente, descendo além dos quadris, para trás dele. As dele fizeram o mesmo, abrindo trilhas de vontade própria, até a cintura dela, até a bunda e a fenda onde as nádegas se comprimiam.
Como que por acordo, eles interromperam o beijo, com a respiração pesada. Separaram a parte superior dos corpos sem perder o contato abaixo. Ele moveu uma mão até o seio dela e apertou com avidez. Beijou a nuca, descendo pelo peito, entre os seios.
Então ele se ajoelhou rapidamente.
Ele investigou com os olhos. Ela ficou imóvel e permitiu. Ele absorveu cada detalhe. Os pelos seguiam o plano surpreendentemente quase reto sob o monte de Vênus, mal escondendo o avermelhado dos lábios, o capuz se elevando e o vislumbre ainda tímido dos lábios internos saindo da fenda. A garota com quem ele crescera, agora plena e claramente uma mulher, com seu almíscar subindo às narinas dele vindo do sexo exposto. Ele nunca conhecera aquele cheiro antes, mas o reconheceu imediatamente. Nascera sabendo-o.
Suas mãos nos quadris dela novamente, moveram-se para dentro, as pontas dos dedos roçando levemente as dobras da virilha e provocando um tremor nela. Ele alcançou por trás e a puxou para si. Virou a cabeça e a pressionou contra a barriga dela, apertou o corpo dela contra sua cabeça. Bebeu o cheiro, os dedos começando a procurar o centro dela por trás. A outra mão virou a palma para cima, alcançou, sentiu os primeiros fios de pelos pubianos, pressionou levemente a pele sob eles, arrastou-se por entre eles.
Ainda não a tocara, mas a proximidade e a antecipação enviaram uma onda através dela. Ele olhou para ela, e os olhos dela estavam escuros e sombrios. Ela o encarou de cima. Submissão e desafio no mesmo olhar, o controle dela escapando enquanto ele tomava mais dela. Ela assentiu sutilmente, frouxamente, como se o pescoço não tivesse mais força para sustentar a cabeça.
Ele estendeu um dedo e empurrou mais, para baixo, para dentro. Sentiu umidade, tênue e promissora. Sentiu a pele sob as pontas dos dedos mudar, inchar e se tornar mais maleável. Sentiu uma fenda, e dentro dela uma pequena crista elevada.
A umidade dela já estava em seu dedo, facilitando o percurso. Ele o deslizou mais ao longo daquela crista, arrancando um gemido conforme o movimento levava o dedo sobre a borda e em direção ao abismo. Os outros dedos seguiram, cercando aquela crista, pressionando-a levemente entre eles enquanto o dedo médio se curvava para frente, seguindo os contornos dela mais para dentro, para cima agora que ela estava de pé diante dele.
Ela balançou nos pés e a barriga convulsionou. A umidade se tornou umidade verdadeira enquanto o dedo dele sondava, encontrou uma abertura e pressionou contra ela. Ele empurrou, a palma pressionando o monte de Vênus dela. Ela moveu a mão sobre a dele e a segurou com firmeza. Ele olhou para ela. "Ainda não." ela disse. "Isso não."
Ele assentiu para ela, sabendo da barreira que ainda restava a essa sondagem. Queria derrubá-la, mas não daquele jeito.
Ela se virou, apresentando-se a ele por trás. Ele beijou uma nádega, depois a outra, então embalou os lábios dela na mão enquanto absorvia a visão à sua frente. Não estava interessado em explorar a nova revelação, mas o formato dela também era uma parte necessária, um complemento da imagem diante dele. De algum modo, ver aquilo parecia ainda mais íntimo, mais completamente exposto. Agora ela não escondia absolutamente nada dele.
Ele se levantou e colocou uma mão em cada um dos quadris dela, puxando-a para si, pressionando-se contra ela. O comprimento dele se aninhou na fenda da bunda dela, as bolas fazendo contato suave. Ela olhou por sobre o ombro para ele, sorriu e balançou lentamente a cabeça.
"Desse jeito não." o olhar dela dizia. "Desta vez não." Era claro que aquilo era uma característica significativa da vida de fantasia dele, mas não era hora para o fantástico. Ele queria desesperadamente olhar nos olhos dela quando a penetrasse. Ver o rosto dela, vê-la o vendo, ver o medo e a aceitação e a necessidade dela.
Ela agarrou a ponta da colcha e a lançou para fora da cama, do outro lado do quarto, num só movimento. Fez o mesmo com o lençol de cima e o cobertor. Ela se virou para ele e o beijou profundamente.
"Você é meu melhor amigo." ela disse, então sentou na cama. Os olhos dela estavam quase no nível dos quadris dele. Do pau dele. Ela olhou um pouco para baixo, para ele, então para os olhos dele. Ela curvou a cabeça e beijou a ponta, olhando de novo para ele. Depois outra vez, desta vez cercando a cabeça com os lábios, a língua dela passando rapidamente pela ponta. Então ela se afastou, arrastou os quadris para trás e virou-se para deitar a cabeça num travesseiro. Esticou as pernas retas, juntas, os seios mal se achatando contra o peito, a cunha de pelos dividindo o V entre as pernas.
Ela ficou ali deitada, pronta para ele, esperando, respirando pesadamente. Ele colocou um joelho na cama, depois o outro. Mudou o peso e passou uma perna por sobre o corpo dela, virando-se em cima dela, o peso nas mãos ao lado dos ombros dela. Ele viu apreensão nos olhos dela, incerteza. Viu-a entregar o controle.
Ele o tomou. Sentiu o peso das bolas e do pau inchado pendendo abaixo dele naquela postura desconhecida. Aproximou o rosto do dela e a beijou faminto. Não era mais permissão que ele buscava nos olhos dela. Ele pressionou os quadris para baixo para descansar o pau na barriga dela. Os pelos pubianos dela fizeram cócegas nas bolas dele, outra sensação nova e alucinante.
"Não quero que isso acabe tão cedo" ele disse.
"Temos o verão todo."
"Não para isso. Isso nunca mais vai acontecer." ele disse.
O rosto dela se contorceu. "Só existe uma primeira vez" ela disse.
Ele a beijou. Pressionou-se contra ela sem deixar o peso cair totalmente sobre ela. Ela se contorceu sob ele e ele mudou o equilíbrio para liberar uma das mãos. Levou-a ao seio dela. Ao peito dela. Ele o apalpou, apertando, esfregando o mamilo. Curvou a cabeça e levou a boca até ele, depois ao pescoço dela enquanto ela jogava a cabeça para trás. Ela apresentou a garganta aberta a ele em rendição total. Gemeu enquanto ele a mordiscava, simbolicamente tomando a vida, o sangue dela, em sua boca.
Ele mudou o peso de novo, liberou as duas mãos. Cercou cada seio com uma mão, e a boca num mamilo, depois no outro, depois entre eles e de volta outra vez.
Ele mamou pelo que pareceu horas. Ela gemeu e suspirou. Começou a se contorcer sob ele e ele sentiu as coxas dela pressionarem para fora enquanto a necessidade de abri-las encontrava as coxas dele ao redor.
Ele se deslocou para trás sobre os joelhos e moveu a cabeça para baixo. Olhou para ela, os olhos dela estavam arregalados e desesperados. Beijou a barriga, a paciência agora tênue. Ela também estava se perdendo na própria urgência. Ele arrastou a língua pela mata dela e até o topo da fenda. Empurrou-a o mais para baixo que as coxas juntas permitiam. Ela gemeu e empinou os quadris, pressionando as pernas para fora contra as coxas dele.
Ele levantou um joelho, e a perna dela disparou por ele, abrindo-a mais para a visão dele, para a língua dele. Ele abaixou o joelho de volta e levantou o outro. As pernas dela ficaram abertas num instante, ele ajoelhado entre elas. Ele viu tudo. Maravilhou-se com a visão, com o cheiro avassalador, com a umidade visível. As imagens que vira não faziam justiça àquela cena. Os lábios dela estavam abertos, ele podia ver tudo. Os grandes e pequenos lábios, o clitóris uma sentinela orgulhosa acima da entrada, aguardando apenas a oferenda adequada para conceder acesso.
Ele levou um dedo a ela e o pressionou para dentro até onde ousou. Arrastou aquele dedo para cima, enganchando-o para mover-se sobre o nódulo duro. Moveu a língua para baixo para encontrá-lo. Moveu a língua contra ela, lambendo e sondando, sentindo cada dobra, cada ruga, cada suavidade e cada firmeza. Ela se contorceu. Ele olhou para ela, a cabeça jogada para trás. Ela estava alheia.
Ele continuou. A dor nas bolas alcançava todo o comprimento do pau. Sabia que não duraria quando se unisse a ela e queria que ela também estivesse lá. Não sabia ao certo como aquilo era, mas ela estava respirando pesadamente, os seios apontando para o céu com o arco das costas, os mamilos estendidos. Ele os alcançou, apertando com os braços estendidos. As mãos dela se agitaram contra a barriga, para os seios e de volta aos quadris, encontrando-o em toda parte em vez do que queriam tocar.
Então encontraram a cabeça dele. Ela empurrou a testa dele, empurrou a cabeça para trás, para longe. Ele olhou nos olhos dela. Ela estava alerta, consciente de novo, o olhar penetrando nele. Ela respondeu à pergunta nos olhos dele. "Quase" ela disse.
"Quero me lembrar disso." ela disse. "Quero saber. Ver. Nunca quero esquecer."
Ele também precisava fixar o momento na mente. Lembrar-se como realmente foi, não como uma reconstrução a partir de lampejos dispersos de sensação e visão. "Vou me lembrar de você pelo resto da vida." ele disse, e se arrependeu. Aquilo tocava perto demais da finitude daquele verão. Ele olhou para ela, o olhar momentaneamente assustado e triste. Ela assentiu. Ele afastou a dor e estava pronto para experimentá-la, toda ela.
Ela ajeitou os joelhos dele para frente até o que ele achou ser o ponto certo. Ele se agarrou com dedos e polegar, o eixo rígido arqueando no ar ao menor movimento. Ele a tocou com ele. Ela se curvou para frente, esticando o pescoço para ver. Ele viu o rolo suave na barriga dela, encolhendo-se para trazer o ponto de contato à sua visão. Viu o modo como os seios dela se comprimiam e pressionavam para fora. As pernas estavam quase contra as costelas agora, os quadris curvados para frente.
Ele mudou os quadris e pressionou para frente, colocando-se contra a abertura dela. Precisou mover os joelhos de novo, para ganhar melhor posição. Quando a encontrou, o pau rígido posicionado na abertura dela com os quadris puxados para trás, ela colocou uma mão na barriga dele e assentiu para ele. Ela olhou para baixo, para si mesma, e para ele, para eles, quase um, mas ainda seres separados pela última vez.
Ele empurrou para frente e sentiu resistência. Ela parecia tensa, e ele continuou empurrando devagar. Sentiu a resistência dela ceder, e ela fez uma careta. A mão na barriga dele o conteve. Ele desviou os olhos da visão de sua masculinidade agora se concretizando, ela se abrindo ao redor dele para aceitá-lo dentro de si. Ele olhou nos olhos dela. Ela parecia dolorida e o manteve imóvel com a mão. Ele não ousou se mover.
Então ela assentiu timidamente, hesitante, e a mão aliviou a pressão na barriga dele, mas permaneceu tensa. Ele empurrou mais e a sentiu deslizar ao redor. Havia um pouco de fricção demais, e a mão dela o conteve de novo. Ele puxou para trás, depois entrou lentamente de novo. Chegou mais longe antes de sentir uma fricção que agarrou e parou. Recuou um pouco e deslizou para frente outra vez. Finalmente sentiu o corpo pressionar contra o dela. Ela suspirou, e a mão caiu.
Ela se deitou de novo depois de testemunhá-lo totalmente dentro dela. Eles exploraram os olhos um do outro, a amizade para sempre mudada. Suas vidas para sempre mudadas. Cada um olhou para o outro de novo, como se se encontrassem pela primeira vez. Era verdade, eram pessoas diferentes agora. Ele procurou, sem saber o que estava procurando. Mas então ele viu. Sua melhor amiga. Ela ainda estava lá, ainda dentro daquele corpo que ele só agora conhecia tão plenamente. Ela sorriu aquele velho sorriso para ele, e ele o retribuiu, assegurando-a de que ele também ainda estava lá.
"Devagar" ela disse.
Ele saiu lentamente e deslizou de volta, centímetro por centímetro, pressionando-a para se abrir. Ele se moveu num ritmo constante e estava totalmente dentro de novo. "Mais uma." ela disse. Ele repetiu a estocada lenta e completa, observando, observando a si mesmo penetrá-la, observando os olhos dela aceitarem.
Ela estava respirando pesadamente. Ela estendeu os braços e ele mudou o peso de novo, caindo sobre ela nas mãos. Com os próprios quadris curvados para frente, ele tinha a alavancagem que precisava. Eles se beijaram. Ele se moveu apenas gentilmente dentro dela, outra longa e lenta estocada. Ela envolveu os braços ao redor do pescoço dele e os tornozelos ao redor dos quadris dele. Eles romperam o beijo e ele fixou os olhos nos dela. Ele podia ver os joelhos dela na visão periférica. "Mais rápido" ela sussurrou no ouvido dele.
Ele começou a se mover, uma estocada seguindo a outra sem pausa. Ele não duraria, mas queria que ela o acompanhasse. Ele se moveu num ritmo moderado, deixando-a se recompor, mantendo-se no limite tanto quanto podia. Mas não tinha experiência nisso, ainda não sabia como controlar. Queria deixar a mente vagar para adiar o auge que sabia iminente.
"Fica aqui." ela disse, vendo. "Lembra disso. Não se preocupa comigo."
"Quero você comigo." ele disse.
"Estou bem aqui." ela lhe disse.
Ele se moveu mais rápido. A barriga dela subiu para ele, as costas arquearam. Os quadris dela puxaram para trás, depois ela os impulsionou para ele, a barriga curvando para se apertar ao redor dele. As mãos dele estavam na cama de novo, sustentando o peso. As dela começaram a se mover selvagemente enquanto ele se movia para dentro e para fora dela tão rápido quanto os músculos podiam carregá-lo.
Era tarde demais para ele. Ele estava à beira e a correnteza o levaria, não importava como resistisse. O mundo ficou em foco nítido, ele via tudo em detalhes vívidos, como se o quarto inteiro estivesse banhado em luz. O tempo pausou por um batimento cardíaco, dois. Ele sentiu que podia examinar a cena à vontade. Viu o rosto dela contorcido, as costas arqueadas sob ele. Viu a si mesmo invadi-la. Viu-a cercando-o, consumindo-o.
E então o momento se tornou outra coisa. Ele se moveu freneticamente, depois mudou para estocadas fortes e duras cronometradas com as convulsões que percorriam todo o seu corpo. Ele não via nada, um caleidoscópio aleatório de clarões através de olhos firmemente fechados. Sentiu a vida inteira correr através dele e para dentro dela. Recuperou o fôlego e olhou para baixo, justo quando outro espasmo o abalou. Ele a viu gemer, sem ouvir. Viu-a arfando sem ouvir. Os ouvidos zumbiam, o corpo vibrava.
Ele ejaculou jorro após jorro dentro dela, e ela o consumiu. Aquilo durou uma vida inteira. A mente dele lampejou memórias, aleatórias, fora do tempo, deles em suas bicicletas na floresta, do joelho ralado dela, dela chorando pelo encontro fracassado, dela correndo para a casa dele onde seus pais lhe deram jantar e a acompanharam de volta para casa. Ele a encheu com tudo que tinha, suas memórias, seu universo, tudo convergindo num único ponto do qual seu amor por ela fluía.
Ela empinou sob ele enquanto ele começava o lento retorno ao mundo. Ela gritou. "Continua." e ele continuou, voltando ao ritmo frenético. Músculos que nunca havia usado daquele jeito antes estiravam e doíam, mas ele os manteve trabalhando como se suas vidas dependessem disso. Ele a fodeu com abandono, o próprio sêmen lubrificando o calor do movimento.
Levou só um momento. Ele não havia amolecido, e um espasmo final o agarrou mais uma vez. Ela gritou. A dor nos músculos começou a dominá-lo, mas ele ficou com ela. Ela se contorceu, agarrou os quadris dele, puxando-a profundamente para dentro de si com as mãos e as pernas.
Ela finalmente tensionou e arqueou as costas como uma acrobata, o topo da cabeça pressionado no travesseiro. As mãos congelaram em garras e ele sentiu os dedos dos pés dela se curvarem na bunda dele. O corpo dela foi tomado por convulsões. Ele ficou com ela até que ela finalmente desabou e empurrou a barriga dele com a mão.
Eles ficaram deitados na cama depois. Edward sentiu a umidade combinada deles encharcando os lençóis sob ele enquanto estava de costas. Bren estava meio de lado, meio de costas contra ele, virada para o outro lado. Ele tinha um braço ao redor dela, o outro para o lado. Ele sentiu o batimento cardíaco dela e os suaves inchaços da respiração. "O verão vai passar tão rápido assim." ela disse. Ele sentiu umidade escorrer contra ambas as têmporas e o corpo dela balançando suavemente. Ambos sabiam quão rápido um verão podia passar.
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Edward carregou o SUV dos pais com tudo que precisaria para a vida no dormitório da faculdade, tudo que não suportava deixar para trás, com uma exceção. Ele olhou para a casa vazia ao lado em cada ida até a garagem. Os pais de Bren estavam em casa, mas a casa parecia abandonada, oca, desprovida de vida.
O verão deles tinha passado num turbilhão de tudo que ele sempre sonhara, e pareceu realizar muitos dos sonhos dela também. Passou num piscar de olhos. Eles passaram cada dia juntos e cada noite, sem esconder nada. Não havia tempo para se esgueirar, e ambos os pares de pais aceitaram. Quase como se soubessem que estava chegando por quase duas décadas.
Conforme o sol descia mais baixo no céu dia após dia, uma sombra se arrastou sobre o idílio deles e sobre a cama compartilhada. Ela não dizia que dia estava partindo, mas ele sabia que sua partida era só um pouco mais de uma semana, e a dela podia ser a qualquer momento.
Uma noite enquanto estavam deitados na cama, depois de fazerem amor lenta e ternamente, ela disse. "Eu não te amo."
Doía ouvir aquilo, mas ele sabia que doeria ainda mais ouvir a afirmação. Ele olhou para ela. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. Ela enterrou o rosto no ombro dele e o agarrou como se não quisesse nunca soltar, e ele soube que tinha sido a última vez deles. "Eu também não te amo." ele disse, a voz engasgada, e sentiu o corpo dela sacudir com soluços. A própria visão dele nublou, e lágrimas correram pelas laterais da cabeça, pingando no cabelo e nas orelhas.
No dia seguinte ela se foi sem dizer adeus. Com o passar dos anos, ele alternadamente a amaldiçoaria ou agradeceria por isso, mas ele sabia que era para o melhor. Melhores amigos nunca terminam, ela dissera.
Eles nunca mais se viram. Nunca se falaram, nunca se cruzaram nas redes sociais, mas fizeram parte um do outro para sempre. Ele se lembrou dela pelo resto da vida, e por nenhum instante teria trocado a dor deste dia pelo vazio de nunca tê-la vivido, nunca ter aprendido as últimas lições que tinham a ensinar um ao outro, nunca ter aprendido a se conhecer como muito mais que melhores amigos.
Ele não guardava fotos dela, exceto uma. Foi tirada mais de dezoito anos antes daquele verão. Estavam deitados juntos numa cama, enrolados em cueiros, rostinhos amassados, punhos cerrados. Ele nunca conseguia ter certeza de qual dos dois era ela, mas suspeitava que fosse ele o que estava chorando.
Enquanto o pai afastava o SUV, ele se virou para olhar pela janela traseira, vendo as duas casas vazias recuarem para o passado.