Troca de Desejos
Outono de 1989
Dando uma rápida olhada em cada casa enquanto corria pelo quarteirão, Neil Tyler tentava lembrar como era a casa que procurava. Já fazia três anos desde que a visitara, e aquilo tinha sido por, no máximo, uma hora. Ele só lembrava que ficava na Rua Franklin, um pouco depois da Sorveteria Frosty Dreams. Não era tanto a casa que importava, mas a mulher que morava nela. Pelo menos, o rapaz de vinte e um anos esperava que ela ainda morasse lá.
Neil tinha acabado de passar do meio do quarteirão quando parou de repente, olhando por cima do ombro para a pequena caixa de correio que ficava na base da escada que levava à varanda da casa pela qual acabara de passar. O metal estava castigado pelo tempo e precisava de pintura, mas ele conseguiu distinguir um grande K na lateral; o resto do nome tinha se desgastado.
‘Pode ser essa’, disse para si mesmo, enquanto voltava e abria o portão de madeira igualmente gasto.
Chegando à caixa de correio, abriu a portinhola e tirou uma das cartas que estavam lá dentro, um sorriso enchendo seu rosto ao ler o nome na janela do endereço. Era essa.
Subindo na varanda, estava prestes a tocar a campainha, mas hesitou ao considerar o que ia dizer. Ele pareceria bem idiota se a pessoa que morasse ali não fosse quem procurava, mas, por outro lado, se sentiria ainda pior se fosse e alguém tivesse chegado antes.
‘Quantas Veronica Kings pode haver em McKinley Falls?’, pensou consigo mesmo ao estender a mão para a campainha de novo, especialmente uma Veronica King que fosse como seu amigo tinha descrito ao telefone.
Longos momentos se passaram enquanto esperava, o suficiente para considerar que ela talvez nem estivesse em casa. Poderia deixar um bilhete, claro, pensou, mas viu-se sem saber como explicar o que estava fazendo ali sem soar um pouco maluco.
O problema se resolveu sozinho, no entanto, quando a porta interna se abriu bruscamente e, através do mosquiteiro, Neil pôde ver uma mulher esguia na casa dos cinquenta e poucos anos, vestindo um vestido xadrez preto e branco, cujas mangas chegavam ao meio do antebraço e a barra logo abaixo dos joelhos. Um palmo inteiro mais baixa do que seus um metro e setenta e oito, seu cabelo castanho curto mostrava consideravelmente mais fios grisalhos desde a última vez que a vira, mas, fora isso, pouco mudara em sua aparência. Ela até ainda usava os mesmos óculos de aro dourado estilo vovó que um dia tinham sido sua marca registrada.
— Posso ajudar? — Veronica perguntou, observando o homem mais jovem através do mosquiteiro.
— Sra. King, não sei se a senhora se lembra de mim — Neil começou a dizer, exibindo seu melhor sorriso —, mas meu nome é Neil Tyler. Eu fui um dos seus alunos na Jackson High.
Diante disso, Veronica abriu a porta externa para ver melhor seu visitante inesperado. Ele tinha cabelo escuro, cortado curto, e vestia uma camiseta esportiva larga e jeans, um conjunto que dificilmente o destacaria entre as centenas de alunos que ela tinha ensinado apenas na última década. Ela estudou o rosto dele com atenção, vasculhando a memória enquanto tentava localizar o rapaz.
— Sim, eu me lembro — disse ela. — Foi há dois, não, três anos. Você estava na minha turma de formandos e no time de beisebol. O ano antes de eu me aposentar.
O sorriso de Neil se alargou ainda mais. O fato de ela se lembrar dele ia tornar o que ele veio fazer ali um pouco mais fácil — ou pelo menos ele esperava que sim.
— Mas o que você está fazendo aqui? — Veronica perguntou.
— Sra. King, isso pode parecer um pouco estranho, mas, por favor, tenha paciência comigo por um instante — respondeu Neil. — Por acaso, a senhora esteve na Armstrong Comics hoje de manhã?
A pergunta parecia mesmo estranha, tanto que ela demorou um instante antes de responder.
— Na verdade, eu passei lá — confirmou ela, hesitante. — Por quê, há algum problema?
— Ah, nada, Sra. King — disse Neil, jubiloso —, nada mesmo.
— Bem, talvez seja melhor você entrar e me contar do que se trata — disse Veronica. — Realmente não tenho o hábito de ter conversas na varanda da frente.
Com isso, ela se afastou e deixou o rapaz entrar, fechando as duas portas atrás dele. O pequeno hall de entrada mal tinha espaço para uma pessoa ficar de pé, então Neil imediatamente se viu na sala de visitas. A decoração estava uns trinta anos ultrapassada, o que corresponderia à época em que a Sra. King se mudara para a casa com seu falecido marido. Ele, o adolescente lembrava de ter ouvido na escola, morrera depois de uma doença repentina no ano anterior ao dele ter sido seu aluno.
— Por que não se senta? — disse Veronica, acenando na direção do sofá. — Acabei de fazer chá. Aceita uma xícara?
Neil não era muito chegado a chá, mas, pensando que deveria se comportar da melhor forma possível, disse que adoraria uma.
Como a chaleira já estava pronta, levou apenas um minuto para ela pegar outra xícara no armário e colocá-la na bandeja que já trazia sua própria xícara e um pequeno prato de biscoitos; tudo ela colocou na mesinha baixa em frente ao sofá. Depois se sentou na poltrona reclinável do lado oposto. Esperou Neil provar a bebida antes de perguntar de novo o que ele estava fazendo ali.
— Então me diga, Neil — disse ela depois de tomar um gole de sua própria xícara —, por que o fato de eu ter estado na loja de quadrinhos hoje de manhã é tão importante para você?
Neil respirou fundo, esperando não ter vindo em uma caça aos gambozinos. Afinal, ele estava agindo com base em informações passadas por Billy Tomlinson, que não era a ferramenta mais afiada do galpão, como dizem.
— Sra. King, a senhora disse ao dono da Armstrong's que tinha uma edição número um da Ultra Woman e Mega Girl que queria vender? — perguntou Neil.
— Meu Deus, é sobre isso? — perguntou Veronica.
Aquilo não era nem sim nem não, mas Neil achou que seria rude repetir a pergunta. Felizmente, uma vez superada a surpresa, ela pareceu mais do que feliz em responder.
— Na verdade, o que eu disse a ele foi que eu tinha vários livros que queria vender e queria saber se ele poderia se interessar — disse ela. — Meu marido era colecionador, entende. Eles estão num dos armários dele desde que ele, bem... De qualquer forma, finalmente decidi que era hora de desocupar o espaço.
— E um deles era Ultra Woman #1? — perguntou Neil, afinal, incapaz de esperar mais.
— Sim, esse foi um dos títulos que mencionei — ela confirmou por fim. — Eu não tinha realmente nenhuma lista comigo. Parar na loja foi uma ideia meio de impulso depois de sair do banco na rua de baixo. Esse e mais alguns outros foram os únicos títulos de que lembrei.
— E o que o Sr. Armstrong disse? — perguntou então o rapaz.
— Os outros títulos não pareceram interessar a ele, bem, pelo menos não tanto, mas ele pareceu bem interessado no livro da Ultra Woman — ela continuou. — Tanto que me fez uma oferta em dinheiro ali na hora, sem nem ver o estado.
Neil se perguntou por um segundo quais seriam os outros livros, mas decidiu que era melhor focar naquele por que tinha vindo.
— A senhora aceitou a oferta dele? — perguntou Neil, com preocupação no tom.
— Não, eu disse a ele que teria que pensar no assunto — disse Veronica, para alívio de Neil. — Para ser honesta, ele pareceu ansioso demais.
— Posso perguntar quanto ele ofereceu? — inquiriu Neil, tentando fazer a pergunta soar como mera curiosidade.
— Ele disse que estaria disposto a pagar até vinte e cinco dólares se o livro estivesse em boas condições — ela respondeu.
— Vinte e cinco dólares... — repetiu Neil, quase engasgando com o valor.
— Pela sua reação, presumo que o livro valha mais do que isso?
— Pode ser — confirmou Neil, cautelosamente —, dependendo do estado de conservação e tal.
— Também tive essa impressão — disse Veronica. — Por isso passei na Woodland Books depois que saí da Armstrong's e consultei um guia de preços. Eu vi um exemplar sobre o balcão na loja de quadrinhos e me perguntei por que o Sr. Armstrong não o tinha consultado antes de fazer a oferta.
— Ah — disse Neil, vendo suas próprias chances de fazer uma oferta baixa pelo livro se desvanecendo.
— Pelo visto você também esperava fazer uma matança, por assim dizer, me oferecendo menos do que vale — afirmou Veronica.
Neil abriu a boca para dizer algo, mas nenhuma palavra saiu.
— Ah, não se preocupe, não estou ofendida — sorriu a mulher mais velha. — Todo mundo quer algo por menos do que vale. E o preço listado naquele livro só é válido se você encontrar alguém disposto a pagar esse tanto, não é mesmo?
— Posso perguntar quanto a senhora pretende conseguir por ele? — disse Neil, presumindo que a pergunta dela fosse retórica.
— Bem, certamente não o que o guia dizia — sorriu Veronica. — Na verdade, antes de passar na loja de quadrinhos, eu provavelmente teria dado o lote todo para algumas crianças do bairro. Eles eram importantes para meu falecido marido, não para mim. Pessoalmente, eu achava tudo aquilo uma grande bobagem.
O pensamento de que ela quase tinha dado o livro para algum garoto que provavelmente o teria destruído depois de ler fez o rosto de Neil empalidecer. Embora não estivesse na categoria de Action Comics #1 ou mesmo Amazing Fantasy #15, Ultra Woman e Mega Girl #1 ainda era um dos quadrinhos mais procurados dos últimos vinte anos. Foi o livro que transformou a Creative Comics de uma empresa com dificuldades na número três do setor. Com uma tiragem inicial de menos da metade de uma tiragem normal, ainda existiam poucos exemplares. Ah, tinha havido várias reimpressões nos anos seguintes, mas era a primeira tiragem que contava — pelo menos para um colecionador.
— Você é colecionador de quadrinhos, Neil? — perguntou Veronica, a pergunta parecendo supérflua, já que ele estava ali perguntando sobre um gibi.
— Quase desde que aprendi a ler — ele respondeu.
— Preciso dizer que acho isso surpreendente — ela acrescentou. — Nunca imaginei você como alguém ligado em gibis.
— Por que isso? — perguntou Neil.
— Porque você não parecia ser desse tipo — respondeu ela. — Como eu disse antes, você estava no time de beisebol da escola, certo?
— Sim, eu jogava na terceira base — confirmou ele.
— E, como também me lembro, você era bastante popular com as garotas — acrescentou ela. — Pelo menos, sempre parecia estar cercado por um monte delas.
— Acho que era — ele sorriu. — Mas o que isso tem a ver com gostar de quadrinhos?
— Eu só nunca pensei que as duas coisas combinassem — explicou Veronica. — Sempre achei que a maioria dos leitores de quadrinhos fossem rapazes desajeitados e com pouca vida social, não homens jovens populares como você.
Neil balançou a cabeça silenciosamente, mas não o bastante para ser realmente perceptível. Com frequência demais essa era a percepção que os leitores de quadrinhos tinham de pessoas que nunca abriram a capa do que descreviam pejorativamente como ‘gibizinhos’.
— Mas seu marido curtia quadrinhos — rebateu Neil, como se isso invalidasse a teoria dela.
— Sim, e ele era um nerd de primeira ordem — sorriu Veronica. — Eu o amava, mas ele ainda era um nerd.
Neil nunca tinha conhecido o falecido Sr. King, mas pelas fotos que viu no aparador, ele parecia um cara bem comum. Alguém por quem ele passaria na rua sem nem notar. Uma daquelas fotos era do dia do casamento deles e eles pareciam um par combinado.
— Se eu puder voltar ao que a senhora estava dizendo há um instante — disse Neil, tentando reconduzir a conversa ao motivo de sua visita. — Quanto a senhora esperava conseguir pelo livro?
— Ainda não decidi — sorriu Veronica. — Você tinha alguma oferta em mente?
— Acho que teria que ver o livro primeiro — respondeu Neil —, para avaliar o estado e tal.
— Isso parece justo — respondeu Veronica. — Deixe-me ir buscá-lo.
Enquanto ela saía da sala e seguia pelo corredor até o que fora o escritório do marido, Neil teve de repente um pensamento perturbador. Como ninguém tinha visto o livro ainda, podia muito bem ser uma das edições reimpressas. Não sendo colecionadora, dificilmente se esperaria que a Sra. King soubesse a diferença.
— Aqui está — anunciou Veronica, voltando pelo corredor com o livro na mão.
O livro tinha sido guardado em um saco plástico protetor, o que Neil tomou como um bom sinal de que era uma primeira edição genuína.
— Por favor, tenha cuidado com ele — disse Veronica ao entregá-lo. — Raymond sempre teve o cuidado de não deixar ninguém manusear seus livros de qualquer jeito.
— Claro — concordou Neil, aceitando o saco e removendo cuidadosamente o livro de dentro, colocando-o na mesinha de centro enquanto virava as páginas com cuidado. Ele já tinha lido várias das edições reimpressas, mas ver o original era realmente incrível.
— Como pode ver, está em excelente estado — comentou Veronica.
E estava, concordou Neil, pensando ao mesmo tempo que aquilo poderia ser a joia da sua coleção.
— Na verdade, se não fosse a assinatura na capa, eu diria que está em perfeito estado — acrescentou Veronica.
‘Assinatura?’, repetiu Neil mentalmente, amaldiçoando em silêncio quem quer que tivesse estragado aquele tesouro rabiscando-o.
Ele fechou o livro rápida mas cuidadosamente enquanto seus olhos percorriam a capa colorida em busca do que Veronica mencionara.
— Puta que pariu! — exclamou Neil de repente.
— Há algum problema? — perguntou Veronica, surpresa por um instante com o palavrão de seu ex-aluno.
— Isso está autografado! — exclamou Neil num tom ainda mais animado.
Ali, no canto inferior direito, estava o autógrafo de Joanna Simon, a criadora da série.
— Isso o torna menos valioso? — perguntou Veronica. — Mais ou menos um ano antes de falecer, Raymond me levou a Nova York para uma daquelas, como é que chamam, ah sim, convenções de quadrinhos. Conhecemos uma jovem adorável que ele disse ter algo a ver com o livro e ela o autografou para ele.
‘Dane-se o que o guia de quadrinhos dizia’, pensou Neil, ‘isso não tem preço.’
— Então, quanto você acha que vale? — Veronica lhe perguntou.
— Mais do que eu jamais poderia pagar — admitiu Neil, surpreendendo a si mesmo com sua honestidade.
— Sério? — ela disse.
— Você encontra o colecionador certo, e estou achando que isso pode valer uns quatro, talvez quinhentos dólares.
— Tudo isso? — disse Veronica, acrescentando à medida que o valor era assimilado. — Isso presumindo que eu pudesse encontrar esse colecionador, claro.
Neil assentiu com a cabeça, pensando que era verdade. Fora a eventual Comic Con, não havia muitos lugares para vender quadrinhos de alto valor como aquele — pelo menos não por preços assim. Por mais que odiasse admitir, o Sr. Armstrong tinha toda razão quando disse a um amigo de Neil que procurava vender sua coleção que os livros que estavam nela não tinham valor até que ele os tivesse; porque era ele quem tinha acesso ao mercado mais amplo.
— Eu diria que até o Sr. Armstrong teria que lhe dar um preço mais justo quando soubesse que está autografado — ofereceu Neil.
— Bem, mesmo assim, não tenho certeza se gostaria de vendê-lo para ele — declarou Veronica —, não depois de ele ter tentado se aproveitar da minha ignorância.
— Eu quase tentei também — admitiu Neil.
— Mas você não o fez — observou ela.
Neil achou prudente não destacar que isso só aconteceu porque ela não lhe dera a chance.
— Eu realmente gostaria de ter o dinheiro — disse Neil, enfiando o livro de volta no saco antes de devolvê-lo a Veronica. — Você não faz ideia do que um gibi como esse significa para um colecionador.
— Posso ver que é tão importante para você quanto era para meu marido — disse Veronica, enquanto verificava se o gibi estava novamente lacrado em sua capa protetora —, mesmo que eu não entenda por quê.
— Acho que você deve achar tudo isso muito bobo — comentou Neil, repetindo o comentário dela de antes —, homens adultos se empolgando com o que a maioria das pessoas considera um livro de criança.
Pareceu estranho para Veronica, pelo menos por um instante, ouvir Neil se referir a si mesmo como um homem adulto, mas, refletindo, era o que ele era. Já fazia anos desde que ele se sentara no fundo da sala de aula dela.
— Sei que disse isso antes — respondeu ela após uma pausa —, mas realmente não deveria. Todo mundo tem suas pequenas paixões, e não cabe a ninguém julgar o valor delas. Você também pode achar algumas das minhas estranhas.
Neil não conseguia imaginar a que ela estava se referindo, mas o grosso do comentário dela o fez se sentir melhor. Mas só um pouco, já que vinha acompanhado da constatação de que, afinal, ele não ia colocar as mãos num pedaço da história dos quadrinhos. Ainda assim, ele tinha conseguido segurá-lo nas mãos, e isso tinha que valer pelo menos alguma coisa.
— Acho que devo guardar isto de volta na caixa de armazenamento — Veronica disse enquanto se levantava da cadeira e voltava pelo corredor.
Enquanto ela fazia isso, Neil provou um dos biscoitos que antes não tinha tocado, surpreso ao descobrir que além de serem caseiros, eram extremamente bons.
-=-=-=-
Veronica ficou fora um tempo consideravelmente maior para guardar o livro do que o que levara para buscá-lo. Tanto que Neil se perguntou se talvez ela esperasse que ele fosse embora sozinho. Mas pensou também que, se essa não tivesse sido a intenção dela, seria rude sair sem se despedir.
— Desculpe a demora — Veronica falou ao voltar para a sala com uma expressão estranha no rosto. — Eu... eu tive que atender ao chamado da natureza.
Pela hesitação dela, Neil teve a sensação de que tinha sido algo mais do que aquilo, mas depois descartou o pensamento como algo que não era da sua conta. Foi legal, no entanto, descobrir que sua antiga professora era humana, afinal. Algo que ele e seus amigos poderiam ter contestado no passado.
— Acho que devo ir, então — Neil disse depois de terminar um segundo biscoito. — Quero agradecer por você ter dedicado um tempo para me mostrar o livro.
— Ah, você precisa ir tão cedo? — Veronica perguntou, surpreendentemente. — Eu raramente tenho a chance de saber o que aconteceu com meus alunos depois que saem da minha responsabilidade.
— Acho que posso ficar mais um pouco — Neil disse, pensando consigo mesmo que aqueles biscoitos eram realmente bons.
— Você está na faculdade ou trabalha? — Veronica perguntou enquanto se servia de um dos biscoitos também.
— Se a senhora se lembra de mim, deve se lembrar de que eu não era exatamente material para faculdade — Neil riu. — Eu trabalho para o meu pai, ele é empreiteiro geral. Na verdade, faço isso em meio período quase desde que conseguia segurar uma ferramenta na mão.
— Você deve ter mãos talentosas — a mulher mais velha observou.
— É o que meu pai diz — Neil respondeu com outra risada.
— Você se imagina fazendo disso o trabalho da sua vida? — ela perguntou.
— Na verdade, poderia — ele respondeu.
— Então você tem muita sorte — Veronica acrescentou. — Poucas pessoas sabem o que querem fazer na sua idade. Você tem... dezenove?
— Sim, mas faço vinte no mês que vem — ele destacou.
— Bem, mesmo aos vinte, eu ainda não tinha ideia do que queria fazer na vida — Veronica confessou. — Claro, naquela época não havia tantas oportunidades para as mulheres. Basicamente era trabalho de secretariado ou escritório, enfermagem ou ser professora.
Neil se viu tentando imaginar como a mulher ao seu lado era quando tinha a idade dele. A foto de casamento no aparador tinha sido tirada uma década depois, mas dava algumas pistas importantes. Era em preto e branco, então era difícil dizer a cor do cabelo dela, mas definitivamente era mais comprido do que usava agora. O porte dela era parecido o bastante para dizer que sempre tinha sido daquele jeito — magra, com seios pequenos. Ausentes estavam os óculos de velhinha que ele nunca a vira sem, mas isso não significava nada, já que muitas noivas tiram os óculos para as fotos de casamento. Considerando o envelhecimento, os traços faciais também eram consistentes, prova de que ela sempre tinha sido o que costumavam chamar de uma mulher sem graça.
— Neil? — ele ouviu Veronica dizer, trazendo-o de volta das especulações para as quais tinha se deixado divagar.
— Ah, desculpe, me distraí por um momento — Neil disse.
Veronica ficou curiosa sobre o que o tinha distraído, mas em vez disso repetiu a pergunta se ele tinha namorada.
— Ninguém fixa — ele respondeu, acrescentando que não estava procurando se amarrar cedo como os pais dele.
Ela fez mais algumas perguntas sobre a vida dele, o suficiente para que, eventualmente, Neil sentisse que devia fazer uma para ela também. A primeira coisa que lhe veio à mente foi perguntar como ela estava aproveitando a aposentadoria.
— Estou aproveitando bem — ela respondeu —, embora às vezes seja difícil encontrar coisas para preencher o tempo. Ainda dou aulas particulares de vez em quando, mas é só porque gosto. Com minha pensão, minhas economias e o seguro do meu marido, realmente não preciso mais trabalhar.
— Então por que a senhora venderia os livros do seu marido? — Neil perguntou abruptamente, já que não conseguia imaginar se desfazer de algo assim a menos que precisasse desesperadamente de dinheiro.
Mas, assim que perguntou, sentiu-se envergonhado por ter feito isso. Os pais dele frequentemente repetiam o comentário de que a maioria das pessoas se sente desconfortável discutindo finanças.
— Como eu disse antes — Veronica falou em resposta, antes que Neil pudesse se desculpar —, aquilo tinha mais a ver com limpar algumas coisas guardadas do que qualquer outra coisa. Tenho pensado ultimamente em vender a casa, então me livrar do que eu não precisava mais ou não queria me pareceu uma boa ideia.
Neil estivera tão focado em Ultra Woman e Mega Girl #1 que não tinha parado para considerar o quão grande a coleção do Sr. King poderia ser, ou o que mais poderia haver nela. Pelo jeito como ele tinha guardado a primeira edição, ficava claro que tinha sido um colecionador sério. Ficou tentado a pedir para ver o resto dos livros dele, mas se sentiu sem jeito de fazer isso.
— Sabe, Neil, quando eu estava guardando o livro, me ocorreu que, já que realmente não preciso do dinheiro — Veronica disse —, Raymond provavelmente teria preferido que ele fosse parar nas mãos de alguém que o apreciasse pelo que significava para ele, em vez de apenas valorizá-lo monetariamente.
Levou um longo momento para Neil assimilar aquilo.
— Isso significa que a senhora estaria disposta a vendê-lo por um preço mais baixo? — Neil perguntou esperançoso, imaginando ao mesmo tempo qual seria esse preço mais baixo.
— Significa que eu poderia considerar — ela respondeu.
— E qual seria o preço mais baixo? — ele perguntou.
O valor que ela citou ainda estava um pouco fora do alcance dele, a menos que ele estivesse disposto a tirar da sua conta poupança.
— Receio que ainda esteja um pouco fora do meu alcance — Neil disse, admitindo para si mesmo que não seria uma boa ideia.
— Bem, poderíamos explorar outras opções — Veronica sugeriu.
— Não sei o que isso significa — Neil afirmou.
Antes de responder, Veronica se levantou da poltrona e foi para o espaço vazio no sofá, deixando apenas cerca de trinta centímetros entre os dois.
— Pessoas como o Sr. Armstrong só estão interessadas em comprar e vender livros, mas eu me lembro de Raymond às vezes trocá-los com outros colecionadores de vez em quando — ela disse. — Me lembrava o jeito como meu irmão costumava trocar figurinhas de beisebol. Era uma espécie de sistema de escambo; ele dava a um dos amigos duas ou três figurinhas menores e eles davam a ele uma que ele realmente queria. Não me pergunte quem eram os jogadores, porque eu sei tão pouco sobre eles quanto sobre histórias em quadrinhos.
— Eu também já fiz isso — Neil disse. — Na verdade, foi assim que consegui minha cópia de Batman #251, a recriação do Coringa por Neil Adams. Troquei seis outros livros por ela.
Mesmo que nunca tivesse lido um quadrinho, Veronica sabia quem eram Batman e o Coringa daquele programa de televisão ridículo dos anos sessenta. Quem era Neil Adams, porém, ela não tinha ideia.
— Mas isso só funciona se você tem algo que a outra pessoa quer — Neil disse, enquanto sua empolgação momentânea se dissipava. — Você não curte quadrinhos e eu não tenho mais nada que eu ache que lhe interessaria.
— Ah, não sei se eu diria isso — Veronica falou com um sorriso ligeiramente malicioso.
Pela expressão no rosto dele, ficou claro que Neil não tinha ideia do que ela queria dizer.
— Só estou dizendo que nem sempre precisa ser uma troca de um para um — ela disse ao ver a confusão dele. — Você é empreiteiro, certo, já fez trabalho para alguém e recebeu algo diferente de dinheiro em troca?
— Sim, já fiz — Neil disse novamente animado, ao se lembrar de um acordo que tinha feito quando estava no ensino médio. — Um dos meus vizinhos estava vendendo a bicicleta de montanha antiga do filho, mas eu não tinha o que eles estavam pedindo. Então eles me deixaram pintar o quarto deles para compensar a diferença.
— Aí está — Veronica disse —, uma simples troca de desejos. Você conseguiu sua bicicleta e eles tiveram o quarto pintado, provavelmente por muito menos do que a diferença do que estavam pedindo pela bicicleta, aposto.
No curto tempo em que Neil estivera ali, tinha visto vários itens que poderiam precisar de um pequeno reparo. A observação não tinha sido intencional, apenas consequência de ter sido treinado por alguém que o ensinara a notar essas coisas. Dado que ela tinha mencionado que poderia estar pensando em vender a casa, ele se sentiu confiante de que era isso que ela tinha em mente, e se ofereceu para fazer alguns deles.
— Essa é uma oferta generosa, mas reparos domésticos realmente não era o que eu estava pensando — Veronica respondeu inesperadamente. — O que eu tinha em mente era mais na linha de um serviço pessoal.
'Serviço pessoal?' Neil pensou, novamente sem entender o que ela queria dizer.
Pelo menos não até um segundo depois, quando sua antiga professora se aproximou e colocou a mão estendida sobre a parte interna da coxa dele, apertando com força suficiente para fazê-lo pular ligeiramente.
— Sra. King! — Neil exclamou.
-=-=-=-
'Isso', Veronica tinha dito a si mesma apenas alguns segundos antes de estender a mão, 'tem que ser a ideia mais insana que já tive.'
Uma ideia que tinha surgido na cabeça dela durante aqueles poucos minutos que passara guardando o velho quadrinho de volta no armário. Em uma prateleira acima das caixas de armazenamento havia uma pilha de revistas adultas antigas, outra coisa que Raymond gostava de colecionar. Como os quadrinhos, os periódicos cheios de fotos tinham pouco interesse para ela — bem, pelo menos a maioria deles. Havia uma que ela achava um tanto interessante, nem que fosse só porque continha um ensaio fotográfico retratando uma tarde de diversão entre uma professora e um de seus alunos. A mulher que interpretava a professora parecia jovem demais, e a modelo que atuava no outro papel, velha demais, mas aquilo acendeu suas próprias fantasias, daquelas que ajudavam a preencher algumas noites solitárias.
Ao contrário de muitas mulheres que perderam os maridos cedo demais, Veronica nunca equiparou viuvez com celibato; ela aproveitava a companhia masculina sempre que possível. Dito isso, porém, dada a idade relativa de seus pares, muitas vezes era difícil encontrar parceiros capazes de ir até o fim. E, dos que conseguiam, muitos se enquadravam na categoria de uma vez só e pronto, sem que a satisfação da parceira fosse sempre levada em conta.
A ideia de ter um amante mais jovem, mesmo que só para um encontro isolado, nunca tinha entrado seriamente na cabeça dela. Pelo menos não até seu antigo aluno aparecer inesperadamente à sua porta. A chegada dele tinha despertado fantasias proibidas, daquelas que de repente pareciam uma possibilidade tão deliciosamente perversa que ela sentiu que precisava pelo menos tentar.
— Sra. King, a senhora não pode estar sugerindo o que eu acho que está sugerindo — Neil disse.
— E se eu estivesse? — ela respondeu tão casualmente como se tivesse lhe perguntado as horas.
Neil abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. Veronica, por outro lado, tinha muito que queria dizer.
— Vou presumir que, a essa altura da sua vida, especialmente dada a sua popularidade com as garotas, você já fez sexo, estou certa? — ela perguntou, a mão sem se mover de onde a tinha colocado.
Ainda incapaz de falar, Neil acenou com a cabeça.
— E vou tomar como certo que você gosta — ela continuou, sem esperar por uma confirmação antes de prosseguir. — Além disso, baseado no que você disse antes, prefere manter as coisas nesse aspecto casuais, em vez de levarem a algo mais permanente.
Novamente Neil acenou com a cabeça, respondendo quase automaticamente.
— Então, tendo estabelecido tudo isso, estou lhe dando a oportunidade de conseguir algo que você considera valioso em troca de algo que eu consideraria — Veronica declarou. — Agora eu sei que sou um tanto mais velha que você, mas garanto que todas as minhas partes ainda estão em boa ordem de funcionamento. Além disso, a maioria dos homens jovens não tem uma fixação por mulheres mais velhas em um momento ou outro?
Neil não sabia se aquilo era verdade para a maioria dos jovens, mas uma vez certamente tinha sido verdade no caso dele. Durante a adolescência, muitas vezes tivera pensamentos eróticos sobre mulheres mais velhas, imaginando-as nuas durante suas fantasias masturbatórias. Algumas delas tinham sido professoras na Jackson High.
Mas não Veronica King. Na verdade, apesar de ela ser casada, ele nunca tinha sequer considerado se a então cinquentona tinha vida sexual. Não, ele era mais inclinado a imaginar mulheres como Joan Rudelstein, sua professora de história, debruçada sobre a mesa. Ela não só era quase vinte anos mais jovem que a Sra. King, mas parecia com Morgan Fairchild, que tinha causado uma baita impressão nele quando a viu nua em 'A Sedução'.
Enquanto Neil continuava em silêncio, Veronica começou a se perguntar se talvez tivesse ido longe demais. Uma coisa era alimentar aquilo como fantasia, outra bem diferente era tentar torná-la real. Ainda assim, ela tinha ido tão longe, como poderia não ir até o fim?
— Então — ela finalmente perguntou —, o que você acha?
— Eu... eu acho... — Neil disse, novamente gaguejando, sem saber o que dizer.
O que ele não conseguia dizer em palavras, Veronica então notou, estava muito mais claro em ações, ou mais precisamente — reações.
— Sua mente ainda pode estar tentando tomar uma decisão, mas acho que seu corpo já tomou — Veronica disse enquanto, chegando ainda mais perto, moveu a mão da coxa dele para cima do seu pau agora visivelmente duro.
— Sra. King! — Neil chamou novamente, mas desta vez com muito menos convicção.
Olhando para baixo, Neil ficou surpreso ao descobrir que estava de pau duro, um que parecia ficar ainda mais duro ao toque dela. Era uma sensação extremamente prazerosa, tanto que ele não fez nenhuma tentativa de remover a mão dela. Algo que não passou despercebido, enquanto Veronica deslizava lentamente os dedos para cima e para baixo ao longo do comprimento.
— É gostoso, não é? — Veronica perguntou, afirmando o óbvio. — Pode ficar ainda mais gostoso se você quiser; tudo que você precisa fazer é dizer.
'Porra!' Neil pensou, já que tinha que admitir, era realmente muito gostoso.
— Ou eu poderia parar, se você não estiver gostando — Veronica acrescentou, levantando os dedos do pau dele. — Gostaria que eu parasse?
— Não, não pare — Neil respondeu antes mesmo de pensar no que estava dizendo.
— Então, temos uma troca? — Veronica perguntou, lembrando que aquela era a frase que ouvia o irmão usar com as figurinhas de beisebol.
— Sim, ah, porra, sim — Neil disse numa voz muito menos hesitante.
Veronica sorriu radiante enquanto se inclinava para frente e, passando a outra mão ao redor da nuca dele, puxou a cabeça dele na direção dela até que suas bocas se encontraram.
-=-=-=-
O beijo foi, pensou Neil, surpreendentemente prazeroso, nada do que ele esperava de uma mulher da idade dela. Uma sensação intensificada pela pressão da língua de Veronica enquanto ela passava pelos lábios dele e entrava fundo em sua boca. Ele estava acostumado com garotas sendo mais hesitantes, ou pelo menos tentando parecer, antes de fazer algo assim. Mas, novamente, Veronica também tinha agarrado o pau dele sem hesitação apenas alguns minutos antes. Não, a mulher que o beijava não estava preocupada com sua 'reputação', apenas com seu prazer. Um pensamento que excitou Neil imensamente.
Eles se beijaram mais algumas vezes, cada uma mais intensa que a anterior. Enquanto continuava a esfregar o pau de Neil por cima das calças, Veronica pegou a mão dele e a colocou contra seu seio esquerdo, convidando-o a fazer o mesmo. Seus montes podiam ser pequenos, mas eram surpreendentemente firmes, o suficiente para que ela não precisasse usar sutiã. Com apenas o tecido fino do vestido e da combinação entre sua mão e a carne dela, o adolescente conseguia sentir a dureza do mamilo dela.
— Ah, eu gosto muito disso — ela disse enquanto ele pressionava os dedos com força contra o botão rijo.
Ela o recompensou com mais um beijo, tendo removido a mão entre as pernas dele para poder colocar ambas ao redor do pescoço dele. A língua dela serpenteou fundo em sua boca, girando para frente e para trás enquanto acariciava a língua dele com a ponta da sua. Fosse lá o que mais ela se provasse ser, ele já tinha decidido que ela era uma beijadora incrível.
Neil mudou a mão livre para entre as pernas dela, deslizando a barra do vestido e da combinação para cima ao redor da cintura dela até expor a simples calcinha branca que ela usava por baixo. Colocando os dedos estendidos na mancha molhada no centro delas, começou a deslizá-los para cima e para baixo, massageando o monte sensível abaixo.
— Ah, sim — Veronica gemeu suavemente, satisfeita com a iniciativa dele.
Então, num movimento bem praticado, Neil usou o polegar para deslizar parte da roupa íntima dela para o lado, pressionando a ponta dos dedos para além das dobras da boceta dela e fundo nas paredes rosadas e macias além. Um movimento que arrancou outro grito de Veronica, muito mais intenso. Enquanto isso, ele continuava a trocar beijos e a massagear o seio dela.
— Ah, é, baby, continua assim — Veronica exaltou.
Ele rapidamente acelerou o ritmo, acrescentando um terceiro e depois um quarto dedo aos seus esforços. O movimento de sua mão tornou-se quase um borrão enquanto ele demonstrava seu conhecimento arduamente aprendido da anatomia feminina. Se ainda estivessem na sala de aula dela, Neil definitivamente teria tirado um 10, seu primeiro.
Veronica poderia não ter sido abençoada com o tipo de aparência que atraía facilmente os homens, mas fora presenteada com um gatilho sensível no que dizia respeito à resposta sexual. Tanto que, depois de um tempo muito mais curto do que Neil estava acostumado, ele a levara à beira do orgasmo. Um limiar no qual a manteve por quase um minuto inteiro antes que seu corpo começasse a tremer incontrolavelmente, liberando uma explosão climática bem do fundo de seu ser que percorreu seu corpo com a velocidade de um raio.
"Aaaah, meu Deus, sim!" Veronica gritou em êxtase enquanto ondas de prazer ressoavam por todo o seu corpo.
Tão intenso fora seu clímax que, por um momento, isso assustou Neil. Ele pensou que ela pudesse estar tendo algum tipo de convulsão. Foi só quando ela finalmente parou de tremer e colocou uma mão em cada lado de sua boca para beijá-lo profundamente que ele entendeu o quão intenso o orgasmo de uma mulher podia ser. Ele já fizera garotas gozarem antes, mas nunca daquele jeito.
"Estou vendo que seu pai tinha razão", Veronica disse assim que finalmente recuperou o fôlego.
"Meu pai?" Neil repetiu confuso, com um olhar perplexo no rosto.
"Você tem mãos talentosas", Veronica sorriu antes de beijá-lo uma segunda vez.
A expressão de Neil então se transformou em uma de orgulho silencioso.
"Por que não subimos para o meu quarto, onde estaremos mais confortáveis?" Veronica então sugeriu.
-=-=-=-
Por mais estranho que pudesse parecer, Neil nunca tinha transado em uma cama. Suas experiências anteriores tinham sido no sofá de alguém ou no banco de trás do carro. Animado, ele disse que ir para o quarto seria ótimo. Ele a seguiu escada acima e depois pelo corredor, entrando no quarto principal à frente dela, enquanto ela se afastava para o lado para permitir que ele o fizesse.
O quarto estava decorado bem no estilo da sala de estar lá embaixo, com móveis grandes e pesados, cuja peça central era uma cama enorme com moldura de carvalho que parecia poder acomodar três, senão quatro pessoas. Aproximando-se de Neil, Veronica o envolveu nos braços, beijando-o mais uma vez. Desta vez foi um beijo mais simples, com sua língua mal acariciando seus lábios. Ela então ergueu as mãos até os ombros dele e o fez sentar na beirada da cama, uma posição que, pela primeira vez, permitia que ela o dominasse com sua altura.
'Deus, ainda não acredito que estou fazendo isso', ela pensou enquanto olhava para seu físico bem desenvolvido, cuja beleza a fez soltar um suspiro suave, quase silencioso.
Mas ela estava fazendo sim, e nada menos que um raio vindo do céu incendiar a casa a impediria agora.
Afastando-se de Neil por apenas um instante, Veronica tirou os óculos e os colocou na mesa de cabeceira. Então voltou sua atenção para Neil, agachando-se, e suas mãos alcançaram o cinto de sua calça.
O cinto de lona de seu jeans tinha uma fivela deslizante, então foi coisa de um segundo para desfazê-lo; o mesmo aconteceu com o zíper abaixo. Quando suas calças ficaram frouxas, Veronica as puxou até abaixo dos joelhos. Seus olhos se focaram no volume em sua cueca branca, julgando que tinha um comprimento e grossura mais do que aceitáveis. Ela passou um dedo alongado pelo contorno e então segurou o cós do short, puxando-o para baixo também.
Apesar de tudo o que já acontecera, Neil ainda não conseguia acreditar que sua antiga professora estava brincando com seu pau. No entanto, era uma realidade que ele tinha que aceitar, conforme ela procedia para fazer mais do que isso.
Livre das amarras, o pau de Neil ficou em posição de sentido, exibindo uns dezesseis centímetros e meio de comprimento. Um pouco mais longo, Veronica notou, do que o do seu marido havia sido. Ela olhou para os olhos do rapaz mais novo, absorvendo a excitação refletida ali, então retornou seu olhar para o membro ereto, deslizando uma mão ao redor da base enquanto abaixava a boca em direção à sua cabeça.
"Minha nossa!" Neil ofegou alto ao sentir sua umidade envolvê-lo, o calor daquela sensação percorrendo seu corpo com uma velocidade eletrizante.
Como a maioria dos rapazes de sua idade, Neil costumava exagerar o número de vezes que tinha transado. Porém, quando o assunto era boquete, ele nunca precisava fazê-lo. Verdadeiramente, ele recebera sexo oral de quase metade das garotas com quem saíra, e aquelas que não estavam dispostas a usar a boca nele geralmente ficavam felizes em pelo menos dar uma mão. Algumas foram boas nisso, algumas péssimas, mas mesmo as melhores não chegavam nem perto da mulher que estava curvada sobre ele agora.
Surpreenderia Neil saber que a mulher agora chupando seu membro tão entusiasticamente era, sexualmente falando, uma flor que desabrochara tarde. Ela atingira a maturidade durante uma época muito mais conservadora, mas uma vez que finalmente entregara sua virgindade, o gênio saíra da garrafa e parecia não haver nada que ela não estivesse disposta a tentar.
E seu novo marido tivera muito a lhe mostrar, tendo servido na Europa durante a ocupação do pós-guerra, de onde voltara para casa com uma educação sexual muito maior do que a de seus pares. Sexo oral, em todas as suas formas, era apenas a ponta do iceberg. Ao longo do casamento, Veronica estimava que o tomara na boca quase mil vezes, o que a deixara bastante habilidosa na prática.
Uma habilidade que Neil passou a apreciar rapidamente quando sua língua rolou para frente e para trás ao longo de seu comprimento, descendo até suas bolas, onde lavou o suor de sua excitação antes de tomar cada uma em sua boca. Então ela fez o caminho de volta ao topo do seu pau antes de recomeçar tudo de novo.
"Ai, Deus, Sra. King", Neil gemeu ao sentir a maré crescente em suas entranhas, "isso é incrível."
Pausando por um segundo, Veronica considerou dizer a Neil que estava tudo bem chamá-la pelo primeiro nome; afinal, ele estava com o pau enterrado em sua boca. Mas rapidamente descartou a ideia, pensando que, embora pudesse ser considerado pervertido, ela gostava que ele a chamasse pelo seu nome de casada. Isso tornava a fantasia mais ilícita e, portanto, mais excitante.
Com uma mão ainda em volta de suas bolas, Veronica deslizou a outra para cima e para baixo em seu comprimento, bombeando seu pau para dentro e para fora de sua boca. Ela podia sentir o corpo dele tensionando enquanto se aproximava do clímax, uma reação que elevou seu próprio nível de expectativa. Embora fizesse apenas uma semana desde a última vez que chupara um pau, o Sr. Thompson do mercadinho, aquilo não fora nem metade da diversão.
"Eu vou gozar!" Neil exclamou, com a cabeça girando.
Veronica mal precisava ser avisada. Levando-o mais fundo na boca, ela engoliu novamente todo o seu comprimento, algo que poucas de suas parceiras anteriores tinham experiência para fazer. Neil explodiu uma dúzia de respirações depois, os frutos daquela erupção enchendo sua boca por apenas breves momentos antes de deslizarem por sua garganta.
Ela continuou a chupá-lo até que ele estivesse totalmente exaurido, soltando seu aperto no pau apenas quando o sentiu começar a amolecer e encolher. Com resquícios do clímax dele ainda em seus lábios, ela se ergueu novamente e o beijou profundamente na boca.
-=-=-=-
"Isso foi maravilhoso", Neil disse quando Veronica se sentou na cama ao seu lado. "Podemos fazer de novo?"
Veronica sorriu, uma pergunta que ela não ouvia havia um tempo.
"Claro", ela disse, mesmo enquanto seus olhos miravam um pau que, embora não totalmente ereto, também não estava totalmente mole.
Segurando sua camiseta, Veronica a levantou para fora dele e então a jogou no chão, descobrindo o peito nu por baixo. Neil tinha pelos claros e, embora não fosse excessivamente musculoso, tinha um porte atlético atraente. Pousando a mão direita no centro de seu torso, a mulher mais velha passou os dedos para frente e para trás sobre sua pele lisa, levando as pontas deles até seus pequenos mamilos, estimulando-os suavemente.
"Muito bonito", ela disse com uma voz que era quase um ronronar. "Vejo que você se cuida bem."
Neil sorriu com o elogio, corando levemente.
Inclinando a cabeça para dentro, Veronica deu um beijo em cada um daqueles círculos rosados, rodopiando a ponta de sua língua para frente e para trás sobre os pequenos mas eretos botões no meio deles. Ele nunca tivera uma garota que prestasse atenção neles antes, pelo menos não mais do que no resto de seu peito. Era novo e excitante.
Mandando que ele se levantasse, Veronica ajudou Neil a sair do resto de suas roupas e calçados, deixando-o totalmente nu enquanto dava alguns longos passos para trás para admirar a vista agora desobstruída.
"Muito bonito mesmo", ela repetiu enquanto, com um movimento giratório da mão, pedia que ele desse uma volta completa.
Enquanto ele o fazia, Veronica notou sua bunda quase perfeita, uma paixão particular sua. Ela se perguntou como ele reagiria se ela enfiasse um dedo ou sua língua em seu buraco mais apertado. O último homem com quem ela fizera aquilo surtara, achando o ato homoerótico. Não parecia importar que ele tivesse gostado ou que estivesse sendo feito por uma mulher. Então, quando Neil completou seu círculo completo, Veronica lhe disse para sentar novamente.
Agora era a vez dela de ficar mais confortável. Depois de tirar os sapatos, Veronica alcançou atrás do pescoço e, segurando o zíper de seu vestido, puxou-o até o fim, fazendo com que a peça se soltasse. Em seguida, tirou um braço de sua manga, depois o outro, fazendo o vestido cair ao redor de sua cintura e então no chão, deixando-a vestida apenas com a fina combinação que usava por baixo. Uma combinação quase translúcida sob a luz do sol da tarde que entrava pelas duas janelas à sua direita. As pontas de seus mamilos estavam altamente visíveis através do material diáfano, chamando a atenção para os pequenos montes arredondados ao redor deles. Olhando mais para baixo, entre as pernas de Veronica, Neil quase conseguia distinguir a espessa mata de pelos entre suas coxas.
Ali, a mulher de cinquenta e cinco anos hesitou, subitamente consciente do fato de que seu corpo refletia quase cada um daqueles anos. Era improvável que Neil já tivesse visto uma mulher nua tão velha quanto ela, e Veronica agora se preocupava com sua reação. Finalmente decidindo que não havia nada que ela pudesse fazer a respeito agora, ela segurou sua combinação e a puxou para cima e sobre a cabeça antes de deixar aquilo também cair no chão. Tudo o que restava era sua calcinha, que, curvando-se levemente, ela deslizou para fora também, revelando que os pelos em seu monte combinavam com os de sua cabeça.
"Bem, esta sou eu", ela disse enquanto também dava uma rápida volta.
Novamente ela sentiu certa preocupação quando Neil pareceu não reagir, imaginando se ele estaria pensando que cometera um erro horrível e tentando descobrir a saída mais rápida dali. Só mais tarde ela perceberia que o silêncio do rapaz se devia ao seu fascínio pelo corpo dela. Sim, ela não se parecia com nenhuma das garotas que ele vira nuas, e certamente não se assemelhava às mulheres mais velhas que ele vira em revistas adultas enquanto crescia. E esse era o ponto.
Sim, as garotas com quem ele saíra e, em alguns casos, levara para a cama estavam em forma muito melhor, mas quando você as comparava, todas pareciam iguais. Ah, havia pequenas diferenças na cor do cabelo e no tamanho dos seios, mas no geral, elas poderiam ser a mesma garota. O mesmo podia ser dito das modelos nas revistas. Na verdade, com todo o trabalho de aerografia e outros ajustes técnicos que seus editores de foto faziam, elas também pareciam perfeitas demais.
Veronica parecia real.
"Nada?" ela finalmente perguntou.
"Eu acho você linda", ele respondeu.
-=-=-=-
Sua apreensão agora dissipada, Veronica subiu de volta na cama, sentando-se ao lado do adolescente agora nu. Ela o beijou suavemente, então sussurrou em seu ouvido que ele podia fazer qualquer coisa que quisesse.
Neil respondeu beijando-a uma segunda vez, pousando uma mão em seu seio nu enquanto o fazia. Ao contrário da maioria de seus amigos, ele nunca se impressionara com seios grandes, preferindo seguir o ditado de que qualquer coisa além de um punhado era desperdício. Das garotas que ele vira de perto e intimamente, sempre achara que Sandra Barnes tinha os melhores peitos. Na noite em que ele finalmente conseguira tirar seu sutiã no banco de trás do carro, houvera luz suficiente do poste para ler a etiqueta; era um 32B. A julgar pela maneira como o monte de Veronica se encaixava em sua mão, Neil pensou que ela era mais ou menos do mesmo tamanho.
Habilmente ele manipulou o pequeno botão entre seus dedos, fazendo-o ficar mais duro enquanto fechava a outra mão no segundo monte, duplicando sua ação no primeiro. Seguindo o exemplo de Veronica, ele substituiu cada mão por seus lábios e língua, puxando o máximo de cada seio para dentro de sua boca quanto possível enquanto chupava a carne macia. Veronica suspirou suavemente, expressando seu deleite enquanto agarrava a parte de trás da cabeça do adolescente, forçando mais de seu seio para dentro de sua boca.
"Isso mesmo, querido, chupa meus peitinhos", ela disse, passando os dedos pelo cabelo dele. "Assim mesmo."
De um lado para o outro, Neil movia-se de um seio para o outro, usando a mão para massagear o monte que não estava enchendo sua boca. Sua língua rodopiava ao redor do perímetro de cada auréola, lavando-a enquanto cutucava os mamilos rígidos em seus centros.
Ele começou a descer beijando sua barriga, caindo abaixo de sua cintura enquanto separava suas coxas para ter uma visão melhor. A espessa mata de pelos que cobria seu monte era uma mistura do castanho original, cinza e uma pitada de branco. Gentilmente, ele estendeu os dedos e afastou as dobras como fizera antes, estudando a beleza da flor diante dele.
Qualquer um que soubesse do sucesso de Neil com garotas ficaria maravilhado em saber que esta era a primeira vez que ele via uma boceta tão de perto. Ele já tinha colocado os dedos nelas, e até seu pau, mas nunca tivera a chance de simplesmente parar e olhar para uma. Ah, ele vira fotos em revistas e as poucas fitas de vídeo adulto que conseguira colocar as mãos, mas nenhuma se comparava à coisa real.
"Você gosta de chupar boceta?" Veronica perguntou enquanto o observava estudar a sua.
"Eu... eu nunca fiz isso de fato", Neil disse enquanto olhava para a mulher mais velha.
"Sério?" ela disse, incapaz de acreditar. "Você realmente nunca fez isso?"
"Isso nunca surgiu de verdade", ele disse.
"Bem, acho que está na hora de corrigirmos essa falha em sua educação", Veronica disse em um tom severo.
Voltando sua atenção para o monte peludo diante dele, Neil repetiu seus movimentos manuais anteriores, com resultados similares. Mas ele estava consciente de que a Sra. King esperava mais dele desta vez. Então, deixando de lado toda história nojenta que ouvira sobre fazer sexo oral em uma mulher, ele se inclinou para dentro e esticou a língua.
Em apenas alguns minutos, ele tinha coberto praticamente cada centímetro de sua carne mais íntima, imaginando por que nunca tentara aquilo antes. O gosto não era nada do que ele esperava, nem havia um odor de peixe como alguns afirmavam. Acima de tudo, havia a resposta ainda mais vibrante de Veronica à sua ação, superando em muito aquela apenas aos seus dedos. Ele passou quase vinte minutos seguindo as instruções dela, movendo a ponta de sua língua para os lugares que ela indicava. Se todas as lições que ela uma vez tentara lhe ensinar tivessem sido tão prazerosas, ele certamente teria entrado para o quadro de honra.
Veronica recostou-se na cama enquanto Neil continuava a praticar suas novas habilidades aprendidas. Ela estivera massageando os seios com as mãos, brincando com os mamilos de uma maneira que aumentava seu prazer. Lembrando-se de uma cena de um dos filmes pornôs que ele vira, Neil colocou uma mão sob cada uma de suas pernas inferiores e as levantou, empurrando cada uma de volta em direção à mulher embaixo dele de uma forma que lhe permitiu pressionar seu rosto ainda mais fundo.
"Quero que você lamba minha bunda também", Veronica disse, usando o que ele se lembrava como sua voz de sala de aula.
Para seu crédito, Neil nem hesitou, imaginando que Veronica estivera certa sobre todo o resto até agora. Ele passou a língua pelo vale entre suas nádegas, pressionando sua ponta contra o minúsculo buraco e então para dentro dele.
"Ah, sim, querido, enfia essa língua aí dentro", Veronica gritou.
Neil continuou a fazê-lo, mesmo quando ela pousou uma mão novamente contra a parte de trás de sua cabeça e a outra sob seu joelho esquerdo. Com sua própria mão agora livre, o adolescente a estendeu e a fechou sobre seu seio mais próximo, retomando de onde ela havia parado.
"Agora eu quero seu pau dentro de mim", Veronica disse pouco tempo depois.
Como antes, Neil foi rápido em responder, erguendo a cabeça de entre as pernas dela e então movendo todo o seu corpo sobre o dela, beijando seu caminho de volta até sua boca. Uma vez ali, eles compartilharam um último beijo profundo antes que ele alcançasse e segurasse seu pau duro, colocando a cabeça dele na entrada da boceta dela.
— Me fode com força! — ela disse, suas palavras novamente soando como uma ordem em vez de um pedido.
O caminho dentro dela havia sido bem preparado por seus esforços anteriores, então Neil pressionou para frente com toda a sua força, enterrando seu pau o mais fundo que podia. A pressão da carne dela contra seu pau podia não ser tão forte quanto ele estava acostumado, mas a excitação de quem ele estava fodendo mais do que compensava. Ele rapidamente estabeleceu um bom ritmo, movendo-se para dentro e para fora dela em um ritmo cada vez mais acelerado. Um que enviava ondas radiantes de prazer para cada parte do corpo dela.
A cama balançava sob eles com a força de seus movimentos giratórios enquanto seus corpos logo ficavam cobertos de suor, cada um sentindo uma paixão crescente se acumulando dentro de si. Pelo menos por enquanto, Veronica estava disposta a deixar Neil assumir o controle e ela apenas se recostou e aproveitou a jornada. Ocasionalmente, ela oferecia mais encorajamentos verbais, mas na maior parte do tempo ela o deixou fazer por conta própria.
Mas, quando eles passaram do ponto em que a maioria de seus parceiros mais recentes geralmente começava a se cansar, Veronica decidiu assumir novamente um papel mais ativo. Ela instruiu Neil a tirar o pau de dentro dela e trocar de lugar com ela no colchão. Uma vez que ele o fez, ela subiu em cima dele e, segurando seu pau rígido, abaixou-se sobre ele. Ela não tinha dúvidas de que o homem mais jovem poderia ter continuado do jeito que estavam, mas ela nunca se sentia confortável em ser uma princesa passiva e gostava de contribuir com sua parte.
Com abandono selvagem, ela cavalgou o pau dele, levantando e abaixando seu corpo sobre ele, seus seios balançando para lá e para cá. Neil a segurava pelos lados, ajudando a mantê-la equilibrada enquanto aproveitava as mais maravilhosas sensações. A maioria de suas interações carnais havia sido na posição missionária tradicional, com algumas também envolvendo estilo cachorrinho — mas isso era diferente. Veronica era quem estava no controle; era ela quem estava fodendo ele.
Suor escorria pelo corpo dela, deixando rastros molhados em seus seios. Ela parecia incansável, impulsionada por explosões cada vez maiores de energia. Neil podia sentir a represa dentro dele se esforçando para estourar, e ainda assim ela continuava. Então, justo quando ele sentiu que não aguentaria mais, Veronica bateu seu corpo contra o dele enquanto gozava com força explosiva, a fúria de sua detonação orgástica desencadeando uma dentro dele também.
-=-=-=-
— Isso foi bom pra caralho — Neil disse longos momentos depois, enquanto eles estavam deitados com corpos entrelaçados e cobertos com os efeitos posteriores de seus esforços.
— Foi mesmo, não foi? — Veronica concordou. — Faz um tempo desde que eu dei uma assim.
Nenhum deles estava com pressa de se levantar da cama, e quase uma boa hora se passou antes que algum deles o fizesse. Envolvendo-se em um roupão, Veronica sugeriu que Neil tomasse um banho rápido antes de se vestir. Ela o faria mais tarde, disse ela. Enquanto ouvia o som do chuveiro ligado, ela considerou momentaneamente se juntar a ele, mas então pensou melhor. Eles tinham feito um acordo, e ele certamente havia cumprido sua parte.
Neil havia levado suas roupas para o banheiro com ele, então quando ele saiu pouco tempo depois, estava totalmente vestido. Ele não parecia ter muito a dizer, mas o largo sorriso em seu rosto dizia tudo.
Ele seguiu Veronica pelas escadas e, quando ele se virou em direção à entrada da frente, ela o chamou.
— Não está esquecendo de algo? — ela disse.
Neil fez uma pausa como se estivesse pensando, mas nada lhe veio à mente. Ele havia considerado beijá-la para se despedir, mas achou que poderia parecer estranho.
— Sua revista em quadrinhos — Veronica disse.
Por mais impossível que parecesse, Neil havia ficado tão sobrecarregado por todo o resto na última hora e meia, que ele havia esquecido completamente dela.
Veronica o conduziu pelo corredor até o antigo estúdio de trabalho de seu marido, onde ela abriu o armário de armazenamento dele e, depois de acender a luz pendente, pegou o cobiçado periódico para entregar a Neil.
O armário havia sido originalmente projetado como um guarda-roupa embutido, duas vezes maior que os outros da casa. Com a luz acesa, Neil podia ver pelo menos uma dúzia de caixas de armazenamento de quadrinhos, quatro de largura e três de altura. Fazendo as contas rapidamente, ele percebeu que devia haver pelo menos mil revistas ali.
— Sabe, eu não pensei em perguntar antes — Veronica disse —, mas você acha que poderia estar interessado em alguma dessas também?
Aproximando-se da pilha mais próxima, Neil puxou algumas edições aleatórias protegidas por plástico, cada uma se revelando, embora não tão rara quanto a que ele acabara de receber, bem valiosa.
— Acho que poderia — ele disse, acrescentando após um fôlego —, se o preço for justo.
— Ah, acho que podemos chegar a um acordo — Veronica sorriu novamente. — Por que não escolhemos um dia na próxima semana em que você possa voltar e podemos discutir isso?
O sorriso no rosto de Neil ficou ainda mais radiante.
FIM