Contos eróticos para ler inteiros.

BDSM

O Que Ele Queria, o Que Ela Se Tornou Pt. 00

ellem31 min

Eles se conheceram no trabalho.

Não foi num momento dramático, daqueles que parecem coisa do destino — só duas pessoas num escritório claro demais, usando os mesmos elevadores e se esbarrando nos corredores. Faye trabalhava no marketing, Drew no financeiro. Times separados, andares separados. Mas desde o instante em que a viu, Drew soube que havia algo diferente.

Ele não sabia exatamente o quê. Só que, quando Faye entrava numa sala, o ar mudava.

Ela era alta — talvez 1,75 m —, com pernas longas e torneadas que pareciam carregá-la com uma postura sem esforço. O corpo era atlético, mas curvilíneo nos lugares certos: uma bunda firme e gostosa sob saias lápis que o deixavam distraído, e seios fartos e perfeitos que nunca precisavam se esforçar muito para chamar sua atenção. Os olhos dela eram deslumbrantes — azul-oceano, profundos e focados. E o cabelo, uma cascata castanha com ondas suaves, às vezes caía solto, mas na maioria das vezes estava preso num rabo de cavalo elegante que a fazia parecer afiada. Polida. No controle.

Faye não falava muito no trabalho. Era reservada nas reuniões, sempre calma, nunca se abalava. Mas por baixo daquela aparência quieta havia algo mais — confiança. Não barulhenta, não performática. Apenas algo firme. Como se ela não precisasse provar nada a ninguém.

E então tinha a voz.

A primeira vez que Drew a ouviu falar — ouviu de verdade —, ele quase esqueceu o que ela tinha dito. Tudo em que conseguia prestar atenção era o sotaque britânico suave que enrolava as palavras. Controlado. Preciso. Um pouquinho sensual. Atingiu o peito dele como um peso lento e afundando.

Depois daquilo, ele estava perdido.

Drew também era alto — 1,88 m, o suficiente para se destacar —, mas nunca tentava. O cabelo castanho de comprimento curto a médio estava sempre um pouco bagunçado, como se ele tivesse tentado domar e desistido no meio do caminho. Faye adorava aquilo, embora ele ainda não soubesse. Foi uma das primeiras coisas que ela notou nele — a frustração silenciosa no jeito como ele passava a mão pelo cabelo quando ele não ficava no lugar. Aquilo, e o fato de que ele era muito bom no trabalho. Subindo na carreira. Querido. Inteligente.

E só um pouquinho tímido.

Essa parte, Faye gostava mais que tudo.

Começaram com conversas no corredor. Nada de flerte no começo — só provocações de bom humor e um contato visual que durava tempo demais. Mas o interesse de Faye era óbvio. Ela tocava o braço dele um segundo a mais que o necessário. Ficava perto o bastante para que ele sentisse o perfume dela. Arrumava motivos para passar no andar dele, sempre com aquele sorriso suave e sabido que dizia: Estou esperando. Quando você vai fazer algo a respeito?

Mas Drew hesitava. Não porque não a quisesse — mas porque a queria demais. Havia algo nela que tirava toda a sua compostura habitual. Ela o fazia se sentir um adolescente de novo — nervoso, desajeitado, desequilibrado do melhor jeito.

E então veio aquela noite.

A festa de Natal da empresa. Todo mundo meio bêbado, fingindo que não estava olhando quem flertava com quem. Faye chegou usando uma blusa de seda preta e uma calça de couro justa de cintura alta que grudava nas pernas como se tivesse sido costurada no corpo. Drew a viu do outro lado da sala e quase esqueceu como se respirava. Ela estava devastadora. Fria e elegante, como se soubesse o que estava fazendo com ele.

Ele não foi falar com ela naquela noite. Ficou no bar, segurando a bebida com força demais, olhando enquanto ela se movia pela multidão como se não pertencesse a ela. Foi para casa sozinho e não dormiu. Por dias, não conseguia parar de pensar no jeito como aquela calça abraçava os quadris dela. Ele não entendia por que aquilo mexia tanto com ele — mas mexia. Sempre mexeria.

Meses se passaram.

O flerte se aprofundou. Os olhares de Faye viraram encaradas que demoravam. Ela começou a mandar mensagens depois do expediente. "Só para ver como você está", ela dizia. "Como foi o seu dia?" Mas o subtexto estava sempre ali. Esperando.

E finalmente — finalmente — Drew a chamou para sair.

Foi depois do trabalho. Ela estava juntando as coisas na mesa quando ele se aproximou, com as palmas suadas e o coração batendo forte. Ficou ali parado um segundo longo demais antes que as palavras saíssem aos tropeços.

"Ei, Faye... eu estava pensando se talvez... você gostaria de jantar qualquer dia desses?"

Ele parecia estar se preparando para a rejeição. Faye, escondendo o sorriso, virou-se para encará-lo. Os olhos dela brilhavam.

"Eu estava me perguntando quando você ia me chamar", ela disse.

O primeiro encontro não foi nada extravagante. Só um bar de vinhos perto do apartamento da Faye. Um lugar aconchegante com velas demais e aquele tipo de música baixa que faz você se inclinar mais perto sem perceber.

Drew chegou cedo. Nervoso. Ajeitando o colarinho no reflexo da janela pela terceira vez. Faye chegou cinco minutos atrasada, vestida com algo simples — calça jeans preta, botas e um top verde-escuro que fazia os olhos dela parecerem quase prateados na luz baixa.

Ele se levantou quando ela se aproximou da mesa. Ela sorriu. Dali em diante, já era.

A conversa fluiu fácil, como se estivessem retomando de onde tinham parado em outra vida. Eles riram — riram de verdade — de histórias constrangedoras do trabalho, de comida ruim por delivery e do gerente do escritório que uma vez encomendou 2000 canetas personalizadas com um erro de digitação. Drew contou a ela sobre crescer numa cidade pequena, sobre como nunca tinha se imaginado no mundo corporativo. Faye falou da irmã, da infância no interior e de como odiava a cor laranja sem um bom motivo.

Ela o observava enquanto ele falava — observava de verdade —, e Drew percebeu, porque ninguém nunca tinha feito isso antes.

E ele a ouvia como se ela importasse. Não só o que ela dizia, mas como dizia. Ria quando ela fazia piadas secas que a maioria das pessoas não entendia. Fazia perguntas que ninguém nunca tinha se dado ao trabalho de fazer. Ela se sentia vista. Confortável. E isso a apavorava um pouco.

O encontro durou quatro horas.

Depois virou mais duas, andando por ruas tranquilas, as mãos se roçando, mas ainda sem se segurar. Por fim, Faye parou em frente ao prédio dela, virou-se para encará-lo com aquele sorriso suave e indecifrável que usava tão bem.

"Eu me diverti muito", ela disse.

Drew abriu a boca, depois fechou de novo. Então, finalmente: "Eu adoraria te ver de novo."

Faye inclinou a cabeça, os olhos brilhando. "Você vai."

Eles se beijaram — só uma vez, lento e quente —, e então ela o deixou ali parado como alguém que tinha acabado de receber um segredo que não sabia como guardar.

Dali em diante, foi fácil.

Eles se viram duas vezes na semana seguinte. Depois três. Então ela começou a deixar uma escova de dentes na casa dele, e ele passou a guardar o leite de aveia favorito dela na geladeira. Tudo se encaixava. Sem esforço.

O tipo de amor que se aproxima de fininho.

Drew estava completamente conquistado. Faye era tudo em que ele pensava — a risada dela, a presença, o jeito como ela podia olhar para ele do outro lado da sala e fazê-lo sentir que ela sabia coisas sobre ele que ele mesmo ainda não tinha admitido. Ela tinha esse jeito de beijá-lo como se estivesse escolhendo fazer isso toda vez. Como se ele fosse sortudo. Como se ela soubesse.

E Faye? Ela estava desfeita pela profundidade do cuidado dele. Como ele ouvia. Como nunca tentava controlá-la ou dizer o que fazer, mas ainda assim a fazia se sentir protegida, adorada. Ela gostava de estar perto dele. Gostava de como ele ainda ficava nervoso quando ela usava algo decotado, de como ele não conseguia disfarçar quando ficava olhando. Gostava que ele tentasse bancar o homem confiante. Era doce. Cativante.

Mas ela sempre soube que ele era macio por dentro. Gentil. Dedicado. Disposto a lhe dar qualquer coisa, mesmo que ainda não soubesse.

Pelos primeiros dois anos, Drew e Faye foram como qualquer outro casal — na superfície.

Ele tomava a dianteira. Planejava os encontros. Escolhia o vinho. Abria as portas. Pagava a conta. Em público, usava a máscara do namorado confiante: seguro, capaz, educado com um toque de atitude suficiente para parecer no comando. E ela deixava. Fazia o seu papel. Sorria docemente quando ele passava o braço pela cintura dela, deixava que ele pedisse por ambos nos restaurantes, até se entregava ao beijo dele como se fosse a coisa mais natural do mundo.

E, em muitos sentidos, era.

Eles estavam apaixonados. Essa parte nunca esteve em questão.

Drew adorava Faye. A sagacidade dela, a força calma, o jeito como ela parecia se mover pela vida sem nunca ter pressa, mas sempre sabendo exatamente para onde estava indo. Ela tinha essa maneira silenciosa de ler um ambiente — e a ele — com uma precisão inquietante. E mesmo quando estava provocando, havia um cuidado nisso. Uma gentileza por trás do sorriso de canto. Ele amava aquilo.

Faye amava Drew de um jeito que a surpreendia. Ele era sagaz, motivado, sintonizado emocionalmente. Quando ela tinha um dia ruim, ele não tentava resolver — só ouvia. Trazia o chá do jeito que ela gostava sem que ela pedisse. E mesmo quando ele era desajeitado ou pensava demais em tudo, ela achava aquilo cativante. Charmoso, até. Ele a fazia rir em momentos tranquilos. A abraçava sem hesitar. A venerava de maneiras que ele nem percebia.

Ainda assim, por baixo de tudo — sob as rotinas compartilhadas, os domingos preguiçosos, as conversas profundas e o sexo melhor ainda —, havia indícios.

Não eram coisas que nenhum dos dois conseguisse nomear ainda. Mas estavam ali.

Faye às vezes assumia o controle sem perceber. Direcionava os planos do fim de semana sem perguntar. Reorganizava os móveis sem consultá-lo. Fazia sugestões que não eram bem sugestões, e ele as seguia sem reclamar. Ela gostava de estrutura. Clareza. Controle. Isso a fazia se sentir segura. Estável.

E Drew?

Ele gostava quando ela fazia isso.

Gostava mais do que jamais admitia.

No começo, não pensou muito a respeito. Só sabia que havia algo profundamente satisfatório em deixá-la assumir as rédeas de pequenas maneiras. Ele não se importava quando ela tomava o volante — preferia. Especialmente quando ela lhe lançava aquele olhar, o que dizia que ela já sabia a resposta e só estava esperando que ele a alcançasse.

Mas ele guardava esses pensamentos para si. Enterrava-os. Assim como aqueles que carregava desde muito antes de se conhecerem.

Seus outros desejos.

Nunca havia contado a ela — não sobre os pensamentos que viviam no fundo da sua mente quando estava sozinho. Aqueles em que ele não conduzia, não era forte. Aqueles em que ele se ajoelhava. Servia. Venerava. Onde Faye não era apenas confiante, mas dominadora. Onde ela vestia látex justo que estalava suavemente a cada movimento, onde os olhos dela o pregavam ao chão sem que ela jamais levantasse a voz.

Ele não conseguia falar. Não em voz alta. Dizia a si mesmo que era só uma fantasia. Algo melhor intocado. Não queria arriscar quebrar o que tinham. Faye era tudo para ele. E se ela não entendesse?

Então ele fazia o papel.

E Faye — embora não soubesse do segredo dele — também sentia algo. Uma tensão. Uma corrente. Como se algo dentro dela estivesse esperando para ser liberado.

Ela se pegava pensando, quando Drew fazia algo particularmente doce ou desajeitado: Meu Deus, ele é meu. Não de um jeito romântico. De um jeito possessivo. De um jeito que parecia... mais profundo. E ela não questionava. Ainda não. Mas estava ali. Fervendo.

Às vezes, no quarto, chegava perto da superfície.

Ela o empurrava para baixo, montava nele sem aviso, agarrava os pulsos dele e os prendia contra os lençóis. E Drew — Deus, ele se derretia sob ela. Sempre. E na manhã seguinte, ele agia como se nunca tivesse acontecido, e ela também.

Era tudo amor. Tudo real. Tudo eles.

Mas algo dentro de ambos estava se agitando — sutil, quieto, esperando.

Esperando por uma confissão.

Esperando por uma mudança.

Esperando pela noite em que tudo mudaria.

Começou como uma noite tranquila.

Uma garrafa de tinto. Um filme visto pela metade no sofá, Faye enroscada nele, as pernas nuas dela entrelaçadas com as dele. Drew estava com o braço em volta dela, acariciando distraidamente o ombro. O ar estava morno, parado, cheio de conforto e intimidade doméstica.

Mas por dentro, Drew?

Estava se despedaçando.

Os pensamentos estavam se acumulando de novo. Ultimamente, eles nunca paravam de verdade. Quanto mais ele a amava, mais impossível se tornava mantê-los enterrados. Ele não conseguia mais olhar para Faye — para o comando natural dela, o jeito calmo como ela assumia o controle sem nem perceber — sem sentir aquilo. A atração. A ânsia. A necessidade.

Tinha dito a si mesmo que conseguiria viver com o segredo. Que as fantasias poderiam ficar trancadas para sempre. Que amá-la, estar com ela, acordar ao seu lado era o suficiente.

Mas não era.

Porque ele não queria só amor.

Ele queria se ajoelhar para ela. Dar-lhe tudo. Ser usado. Possuído.

E mais que tudo... queria que ela soubesse.

Ele olhava para a tela à frente, mal a vendo, com o coração batendo tão alto no peito que tinha certeza de que ela conseguia ouvir.

Ela se mexeu ao lado dele, ergueu os olhos e imediatamente leu o rosto dele.

"O que foi?" ela perguntou suavemente.

Drew congelou. Nem tinha percebido como seu corpo estava tenso.

"Eu..." A garganta dele se apertou. Ele não conseguia encará-la. "Preciso te contar uma coisa."

Faye se sentou um pouco, não alarmada, só concentrada. Preocupação perpassou suas feições. "Tá. O que é?"

Ele abriu a boca, mas as palavras emperraram.

Não faça isso. Você vai estragar tudo. Ela nunca mais vai te olhar do mesmo jeito. Ela vai te achar fraco. Nojento. Ela vai embora.

Suas mãos se fecharam nos joelhos. Ele respirou. E então de novo.

"Eu tenho... esses pensamentos", ele disse por fim, a voz pouco mais que um sussurro. "Fantasias. Coisas que nunca contei a ninguém. Nem a você."

Faye não se mexeu. Só ouviu. Imóvel, quieta, firme.

"Não são sobre mais ninguém", ele acrescentou rápido. "São sobre você. Sempre você."

Ela inclinou levemente a cabeça. "Continue."

Ele baixou os olhos para as mãos. "É sobre... querer entregar o controle. Não só um pouco. Completamente. Eu penso em... você no comando. Na cama. Fora dela, talvez. Eu... servindo você. Obedecendo você. Sendo seu."

Ele fez uma pausa, a respiração entrecortada.

"Eu penso em... você me usando. Me dizendo quando posso gozar. Se posso. Às vezes... não deixando. Até... me trancando." Ele engoliu seco, a voz quase inaudível agora. "Imagino você de látex. Luvas. Vestidos. Meias. De pé sobre mim. Me possuindo."

Silêncio.

Drew não conseguia olhar para ela. Todo o seu corpo vibrava em pânico.

"Eu sei que parece loucura", ele disse, forçando as palavras. "Mas sempre esteve aí. Antes de você. Mas agora... agora que eu te amo, é insuportável continuar escondendo. Eu preciso que você saiba. Mesmo que te assuste. Mesmo que você não queira. Mesmo que você não consiga me olhar do mesmo jeito depois disso."

Faye não disse nada.

O silêncio se estendeu. Segundos pareciam minutos. Então ela se recostou, não friamente — só precisando de espaço.

Ela estava apenas se ajeitando devagar, sua expressão indecifrável, mas não distante. Os olhos continuavam presos nos de Drew, sondando — gentilmente, profundamente.

Não era julgamento. Não era repulsa.

Era só... surpresa.

Quando finalmente falou, sua voz estava mais baixa que o normal. Cuidadosa.

"Certo", ela disse. "Isso é... muita coisa."

O estômago de Drew se retorceu. Suas mãos se apertaram no colo. "Eu sei."

Ela balançou levemente a cabeça, não em desdém — mais como se tentasse clarear uma névoa. "Não estou brava. Nem mesmo chateada. Só — surpresa e um pouco chocada, acho."

"Eu não sabia como dizer", ele falou, a voz quase um sussurro. "Você é o amor da minha vida. Eu não queria te perder por causa de algo assim. Mas também... não consigo mais esconder de você. Estou carregando isso há tanto tempo, é como um peso que não sei mais segurar."

Faye engoliu seco e depois se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. "Então você quis isso por anos? Mesmo antes de mim?"

"Sim. Mas com você... é diferente. Mais forte. Você já tem essa presença. Esse poder. E quando estou com você, parece que poderia ser real — não só uma coisa na minha cabeça."

Ela olhou para ele por um longo momento. As sobrancelhas estavam levemente franzidas, mas a boca havia se suavizado.

"Por que você achou que eu não conseguiria lidar sabendo disso?" ela perguntou, a voz pouco mais que um murmúrio.

O coração de Drew se partiu um pouco ao som daquilo. "Porque eu não tinha certeza de que conseguiria lidar com você não querendo. Não entendendo. Eu não queria que você me achasse quebrado."

Faye estendeu a mão então, lentamente, e a colocou sobre a dele.

"Você não está quebrado."

As palavras dela caíram como uma tábua de salvação.

"Eu ainda não sei como me sinto", ela acrescentou, honesta. "Nunca realmente... pensei nesse tipo de coisa antes. Mas eu preciso aprender. E quero entender. Por você. Porque isso claramente importa para você."

Drew assentiu, os lábios pressionados tão forte que estavam brancos.

"Não vou embora", ela disse, mais firme agora. "Só preciso de tempo para descobrir o que isso significa. E como se encaixa comigo."

Naquela noite, não conversaram muito mais. Deitaram-se na cama, de costas um para o outro, e Drew não dormiu. Nem um segundo.

Ele tinha certeza de que havia ido longe demais.

Dizia a si mesmo que era melhor ela saber, mesmo que significasse que ela fosse embora. Mas por dentro, sentia como se um fio tivesse se rompido. Como se já estivesse vendo tudo desmoronar.

Ele se odiava por querer aquilo.

Mas Faye?

Faye não estava julgando. Não estava fugindo.

Ela estava processando.

Depois que Drew saiu para o trabalho na manhã seguinte, o apartamento parecia pesado de silêncio.

Faye sentou no sofá, ainda de roupão, os dedos pousados no teclado do laptop sem digitar por um longo momento. Seu chá esfriara. O edredom ainda estava uma bagunça na cama. Tudo parecia normal.

Mas nada parecia normal.

Ela amava Drew. Isso nunca esteve em questão. Ela nunca havia sentido esse tipo de conexão com ninguém antes — esse ritmo natural entre eles, como se fossem duas metades de um só fôlego.

E agora ele havia mostrado a ela algo tão profundo, tão cru, que estremeceu algo dentro dela.

Ela abriu o navegador e, depois de alguns começos hesitantes, finalmente digitou:

"Femdom."

Os resultados vieram rápido — rápido demais. Artigos. Blogs. Pornografia. Ensaios pessoais. Subreddits. Até guias escritos para iniciantes. Ela pairou sobre os links por um tempo, o coração acelerado, sem saber por onde começar.

A primeira página em que clicou foi um blog de estilo de vida. Uma mulher escrevendo sobre seu casamento — sobre como seu marido tinha se aproximado dela uma noite e confessado desejos parecidos.

A escritora descrevia a jornada lenta da confusão à curiosidade, e, eventualmente, ao comando.

Faye se inclinou para a tela.

Ela clicou em outro. Um post intitulado "O que Realmente Significa Ser uma Domme (E o que Não Significa)." Ela o leu com calma. Repetidamente, viu as mesmas palavras: consentimento, poder, confiança, controle, cuidado.

Não parecia frio ou cruel, como ela meio que temia. Parecia... complexo. Pessoal. Estranhamente íntimo.

Ela clicou de novo.

"10 Sinais de que Você Pode Ter uma Personalidade Dominante."

Faye piscou. Leu a lista.

Na metade, percebeu que estava concordando com a cabeça.

Então clicou em um tópico de fórum. Era um homem submisso descrevendo como foi se ajoelhar na frente de sua Domme pela primeira vez. Como ele esperou dias só para tocar os pés dela. Como ela o fez implorar. Como ele chorou — não de dor, mas de entrega.

A respiração de Faye ficou presa.

Ela engoliu em seco, se ajeitando no sofá.

Então — com mais hesitação — ela abriu outra aba e pesquisou:

"Fetiche por látex. Por que excita as pessoas."

Imagens encheram a tela. Mulheres vestidas em látex preto justo. Vestidos como sombras líquidas. Luvas, espartilhos, botas de cano alto. Seus corpos brilhavam sob as luzes de estúdio, mas não era só o apelo sexual — era a postura. A presença. Elas pareciam deusas.

Seu olhar se demorou em uma foto em particular: uma mulher em um vestido de látex de gola alta, luvas até os bíceps, um salto pressionando levemente o peito do homem sob ela.

Faye exalou lentamente.

Ela nem tinha percebido que estava prendendo a respiração.

Não a assustou — não de verdade. Parecia alienígena, sim. Estranho. Mas do jeito que uma porta trancada é estranha até você girar a maçaneta. Não do jeito que uma placa de aviso te diz para parar.

Seu coração bateu forte contra as costelas.

Ela não tinha certeza se era confusão. Ou curiosidade. Ou o primeiro lampejo de excitação.

Talvez os três.

Ela leu mais a fundo. Seguiu links. Assistiu a um clipe curto. Só um. Uma Domme de voz suave, calma e no controle, guiando seu parceiro com autoridade tranquila. Sem gritar. Sem teatralidade. Apenas presença.

Faye sentiu algo se mover no fundo do ventre.

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