O Espelho
"Mas, Andrew..."
"Não vou mais falar sobre isso. Já discutimos por uma semana e eu já te disse, não curto isso."
"Escuta, eu só..."
"Tenho que ir pra aula, Alice. Te vejo à noite." Andrew Cunningham se levantou da mesa e saiu pela porta da cafeteria.
"Andrew!" Mas ele já tinha ido, e Alice Marchant, sua namorada, ficou sentada sozinha. "Babaca", ela murmurou.
Alice estava no segundo ano da Universidade Tulane. Ela e Andrew estavam namorando há mais ou menos um mês. Ela achava que não ia durar muito mais.
"Problemas no paraíso, chérie?" Alice olhou para cima e viu Josette parada ao lado da sua mesa, com uma cafeteira na mão.
Josette Chacere era a proprietária do Voodoo Bean, a pequena cafeteria que ficava bem ao lado do campus, perto do dormitório de Alice. Alice sempre se perguntara, desde que conheceu Josette no primeiro ano, como alguém tão jovem podia ter seu próprio negócio. Ela não podia ser muito mais velha do que ela.
Josette era uma mulher esbelta e esguia, com a pele da cor dos café au laits pelos quais sua cafeteria era famosa, e uma juba de cabelos cacheados cor de caramelo. Ela contava para qualquer um que quisesse ouvir que era descendente de Marie Laveau, a rainha do vodu de Nova Orleans.
"Oi, Josette. Não... quer dizer, sim. Quer dizer, essa coisa que eu tenho com o Andrew não é a ideia de paraíso de ninguém. Eu só queria entrar no concurso de fantasias de casais na Jackson Square na quinta-feira. O vencedor ganha a suíte de lua de mel no Crowne Plaza por uma noite, e eu achei que seria divertido tentar. Mas acho que não consegui convencê-lo da minha ideia para as nossas fantasias."
"Mm hmm. Halloween, meu feriado favorito." Ela esquentou o café de Alice para ela. Alice sempre gostou do sotaque cajun de Josette. "Então qual era a sua ideia para o concurso, chérie?"
"Nada, era idiota de qualquer jeito."
"Não deixe aquele rapaz te arrastar para baixo com a negatividade dele, querida. Qual era a sua ideia?"
"Bem, o tema do concurso é contos de fadas este ano. Eu queria ir de Alice no País das Maravilhas, e o Andrew de Chapeleiro Maluco."
Josette riu. "Ora, isso seria perfeito para você, chérie! Mas não sei quanto ao seu rapaz."
Alice sabia por que Josette dizia aquilo. Sua aparência não podia ser mais perfeita para a personagem de Lewis Carroll. Ela era magra, de olhos azuis e cabelo loiro claro e liso até abaixo dos ombros.
"Pois é, né? Andrew quer ir de zumbi. Ainda posso entrar no concurso individual. O prêmio para isso é só um vale-presente de duzentos dólares. Eu estava dizendo ao Andrew como seria legal ter uma noite romântica numa suíte enorme em vez de sempre ter que tentar encontrar alguma privacidade nos dormitórios."
"Bem, boa sorte para você, querida. Se eu te vir, vou torcer por você."
"Obrigada, Josette, muito gentil da sua parte. Você está planejando ir para a Bourbon Street no Halloween também?"
Josette sorriu para ela. "Chérie, eu nunca perco um Halloween lá. A maioria das pessoas prefere o Mardi Gras, mas eu gosto mais da noite das bruxas."
Seu sorriso era definitivamente a coisa mais marcante nela, Alice pensou, enquanto Josette voltava para trás do balcão para anotar os pedidos de alguns estudantes que tinham acabado de entrar. Seu sorriso era tão amplo e cheio de brilho que quase parecia que ela tinha dentes demais quando o exibia.
Alice se levantou e limpou a mesa, deixando alguns dólares no pote de gorjetas ao sair. Josette agradeceu com um aceno e gritou para ela: "Espero que a gente se encontre por aí no Halloween, chérie!"
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Andrew deu um assobio baixo quando Alice abriu a porta do seu quarto no dormitório. "Nossa, amor, você está um arraso!" Ela revirou os olhos. As coisas não tinham melhorado muito entre eles desde a briga no Voodoo Bean no início da semana. A única razão pela qual ela ainda não tinha terminado com ele era que não queria ir sozinha para a Bourbon Street, e sua colega de quarto ia para uma festa de fraternidade. Ela tinha quase certeza de que este seria o último encontro deles.
"Obrigada. Você está... tipo um zumbi, eu acho." Andrew claramente não tinha se esforçado muito. Sua maquiagem de zumbi parecia que ele tinha comprado um daqueles kits baratos de maquiagem do Wal-Mart e colado as crostas e sangue falso no rosto uns dois minutos antes de sair pela porta. Ele vestia uma camiseta branca suja coberta de sangue falso. Ele tentou beijá-la, mas ela se afastou.
"Ei! Não chega perto de mim com todo esse sangue, pelo menos não até depois do concurso! Não quero me bagunçar."
Ela tinha trabalhado duro na sua fantasia. Sua mãe passara anos ensinando a ela e à irmã a costurar, como boas garotas sulistas, e Alice tinha sua própria máquina de costura portátil que trouxera para a faculdade. Ela mesma fizera o vestido de crinolina azul-claro. Ele terminava logo abaixo dos joelhos, com mangas bufantes e franzidas que iam até o meio do caminho dos cotovelos, e tinha um avental de linho branco que cobria a frente. Por baixo das múltiplas anáguas que usava para dar o volume adequado ao vestido, ela colocara meias brancas e sapatos de verniz. Pensara em usar meia-calça branca, mas decidira usar meias de verdade e um cinto de ligas. Isso a fazia se sentir mais sexy. Ela tinha quase certeza de que não ia deixar Andrew desfrutar de seus esforços nessa área esta noite, e se divertiu com o pensamento de que ele não conseguiria ver o que havia sob o vestido.
"Estou sendo muito mesquinha esta noite", ela pensou consigo mesma enquanto saíam dos dormitórios para pegar o bonde que os levaria ao French Quarter.
O French Quarter estava fervendo quando eles chegaram à Jackson Square bem no pôr do sol. Centenas de pessoas fantasiadas perambulavam, a maioria carregando bebidas dos bares próximos e das lojas de daiquiri para viagem.
Andrew logo estava carregando um enorme Hurricane, cortesia de sua identidade falsa. Ela recusara a oferta dele de pegar um para ela. Embriaguez pública aos vinte anos não é algo que ela queria no seu histórico.
Ele a deixou para procurar alguns amigos enquanto ela ficava na longa fila para se inscrever no concurso de fantasias. Ela estava na metade do caminho para a frente e pensando em desistir da ideia. Ela se virou para sair da fila e bateu com força total em alguém e quase caiu. Josette a segurou pelos braços e a impediu de cair.
"Chérie, quando eu disse que esperava que a gente se encontrasse, não quis dizer literalmente", ela riu.
Alice mal a reconheceu. Ela estava vestida de gata, usando um macacão roxo profundo com listras pretas de tigre e uma cauda peluda de noventa centímetros presa logo acima do bumbum. O padrão no macacão fazia parecer pele à primeira vista, mas um olhar mais atento revelou que era Lycra justa ao corpo. Ela parecia ter sido mergulhada em tinta. Seu cabelo natural estava despenteado em um black power total, e envolvia seu rosto como uma juba de leão, com um par de orelhas felinas pretas e felpudas saindo de seu cabelo. Aparentemente, ela investira em um par realmente caro de lentes de contato de efeitos especiais, porque suas íris estavam com o dobro do tamanho normal, e de um verde brilhante em vez do castanho normal. Seus olhos tinham pupilas felinas para combinar com os bigodes que pintara nas bochechas. Quando Josette riu, expôs seus dentes caninos, que pareciam muito mais longos e afiados para Alice do que o normal. Ela devia ter colado presas falsas nos dentes.
"Uau, Josette. Desculpa quase ter te atropelado. Você está incrível! Podia estar no elenco da Broadway de Cats!"
"Ora, muito obrigada, querida! Você está uma graça. Pode ter uma chance lá em cima esta noite."
Alice franziu a testa. "Eu estava prestes a desistir da fila e tentar encontrar o Andrew. Acho que não quero mais fazer o concurso individual."
"Não? Que tal o concurso de casais, então?"
"Andrew não quer. Além disso, ele não usaria a fantasia de Chapeleiro Maluco que eu estava fazendo."
"Eu não estava falando do seu rapaz, chérie. O Chapeleiro não é o único que Alice encontra através do espelho, sabe." Josette sorriu o mais amplamente que pôde, e Alice de repente percebeu que Josette seria um Gato de Cheshire perfeito.
"Uau, ok, acho que se você quiser, seria legal! Espera, você usou isso esperando me encontrar?"
"Chérie, eu já tinha esse visual há um tempo. É só uma circunstância fortuita. Cuidado, a fila está andando sem a gente."
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Ela e Josette tinham passado pelas primeiras rodadas de votação e eram um dos três casais finalistas.
O casal número um se vestira de Woody e Jessie de Toy Story. Não era tecnicamente um conto de fadas, mas perto o suficiente para levá-los às finais, aparentemente. O casal dois era um pouco mais engenhoso; uma Rapunzel com inversão de gênero, com a Princesa interpretada por um homem drag e o Príncipe por uma mulher masculinizada. Alice se sentia um pouco otimista. Todos subiram juntos ao palco e o mestre de cerimônias pediu aplausos da multidão para cada casal.
Os dois primeiros casais foram razoavelmente bem, deixando Alice nervosa, mas Josette sussurrou para ela: "Só entra na onda comigo, chérie."
Quando o mestre de cerimônias apontou para as duas, Josette caiu de quatro e começou a rondar ameaçadoramente as pernas de Alice. Ela parecia quase desumana, do jeito que se movia, ágil e graciosa. Ela rastejou ao redor de Alice, sorrindo de orelha a orelha, expondo suas presas e fazendo movimentos de arranhar na direção do vestido dela. Alice fez o papel de garota assustada, fazendo um grande "O" com a boca e cobrindo-a com a mão, e levantando um pé para longe do assustador Gato de Cheshire. A multidão adorou e o mestre de cerimônias as declarou vencedoras, entregando a Alice um envelope. As garotas se abraçaram para comemorar, e então Alice abriu o envelope e encontrou a chave do hotel para a suíte no Crowne Plaza e um vale-presente de duzentos dólares.
"Vamos dividir isso totalmente, Josette! Foi tão divertido!"
Andrew se aproximou da dupla, ignorando Josette. "Amor! Isso foi demais! Bom trabalho, vamos conferir nossa suíte? Talvez a gente possa convidar um monte de caras do dormitório para fazer uma festa."
"NOSSA suíte? O que você fez para me ajudar a ganhar isso?"
"Bem, quer dizer... eu sei que não ajudei, mas você tem essa suíte agora. Você não quer ir, sabe, aproveitar?" Ele ergueu as sobrancelhas sugestivamente para ela.
Alice de repente percebeu que já tinha se cansado dele. "Não, obrigada, Andrew. Josette e eu vamos aproveitar uma noite de garotas, já que, sabe, NÓS fizemos todo o trabalho. Mas te conto como foi na próxima vez que te vir."
"O quê?" Ele gritou. Alice enganchou o braço no de Josette e começou a puxá-la em direção à Bourbon Street.
"Você vai simplesmente me largar? Sua VAGABUNDA!" Ele ficou lá vendo-as se perder na multidão.
"Chérie, você talvez queira arranjar um novo homem aí", Josette disse arrastado. "Acho que esse já passou da data de validade."
"Não se preocupe, muito à frente de você nisso."
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Depois de passar algumas horas na Bourbon Street curtindo as fantasias e dançando ao som da música que saía dos bares para a rua, elas fizeram check-in no Crowne Plaza e foram conduzidas para cima por um mensageiro até a suíte de lua de mel.
"A suíte é de vocês até o meio-dia de amanhã", ele disse enquanto mostrava as comodidades. "O serviço de quarto e o frigobar estão incluídos na estadia. Por favor, liguem para a portaria se houver algo que possamos fazer para tornar sua estadia mais agradável." Josette lhe deu uma gorjeta quando ele saiu.
"Frigobar incluído! Ganhamos na loteria, chérie!" Josette exclamou, tirando uma garrafa de champanhe da geladeira.
"Hã, você sabe que eu não tenho vinte e um, né?" Alice parecia um pouco nervosa. "Eu realmente não bebi muito álcool."
"Bem, eu tenho mais de vinte e um, não estamos planejando ir a lugar nenhum esta noite, não vamos ver mais ninguém, então me parece bem seguro, eu acho. Quer dizer, se você não quiser um pouco, não vou te julgar, chérie."
"Não. Não, eu vou tomar um pouco. Eu só estou um pouco... Sim, por favor, eu gostaria de um pouco."
Josette sorriu, enquanto estourava a rolha com os dois polegares e a mandava voando pela suíte. "É pra já, querida!" Ela serviu duas taças e as duas se acomodaram no sofá luxuosamente decorado em frente à lareira. Havia uma janela do chão ao teto ao lado delas, com vista para a Bourbon Street, vinte andares abaixo.
Alice tomou um gole e olhou para a taça com apreço. "Isso é bom!"
"E é de graça, então é ainda melhor, não?" Josette tinha esvaziado metade da taça no primeiro gole.
"Como alguém tão jovem acabou sendo dona da única cafeteria ao lado de uma grande universidade? Você está sempre cheia, deve estar indo bem."
"Oh, chérie, não sou tão jovem quanto você pode pensar."
"Como assim? Você não pode ser mais do que alguns anos mais velha do que eu."
"As aparências enganam." Seus olhos brilharam.
Elas já estavam na segunda garrafa de champanhe quando Josette perguntou: "Há quanto tempo você está namorando aquele rapaz encantador, querida?"
"Ah, ele. Tipo um mês. E estou bem certa de que terminamos depois de hoje à noite. Eu provavelmente nem devia ter vindo com ele em primeiro lugar."
"Ele não parece ser o seu tipo, de qualquer forma."
"Não. Quer dizer, ele é bonitinho e tal. Acho que ele foi um perfeito namorado de faculdade de um mês. Mas não do tipo que eu quero para um relacionamento de longo prazo. Acho que quero alguém mais... interessante. Complexo. Andrew com certeza não era isso."
"Mmmm", Josette apenas cantarolou, observando-a.
"E você? Qual é o seu tipo? Não sei muito sobre sua vida pessoal, você tem namorado?"
Josette soltou uma risada encantada, jogando a cabeça para trás. "As presas dela parecem tão reais", Alice pensou.
"Não, chérie. Não tenho namorado. Quanto ao meu tipo, bem..." ela se inclinou em direção a Alice.
Quando percebeu que estava prestes a ser beijada, já era tarde demais para Alice fazer qualquer coisa a não ser guinchar: "Espera, eu não...!" Então a boca de Josette fez contato com a sua. A boca de Alice ainda estava aberta para protestar e a língua de Josette saiu e acariciou a sua.
Alice sentiu uma faísca, quase como um choque elétrico literal. O calor percorreu seu corpo e ela parou de protestar e simplesmente congelou, absorvendo as sensações. Josette se afastou dela, seus olhos felinos com pupilas fendidas a observando, sem piscar. Alice abriu os olhos e retribuiu o olhar.
"Isso foi... eu nunca... como você fez isso?"
"Fez o quê, chérie? Eu só te beijei."
"Isso pareceu mais do que um beijo. Eu senti isso pelo corpo inteiro." Ela nunca tinha sequer considerado sentir atração por uma mulher em toda a sua vida. Na pequena cidade onde fora criada, tal coisa teria sido impensável. Mas o último minuto de sua vida a fez questionar tudo.
"Você me lisonjeia, chérie, mas fico feliz que tenha gostado." Ela sorriu, um sorriso bastante felino, e tomou outro gole de seu champanhe, então colocou a taça na mesa. Ela olhou para Alice e esperou.
Alice colocou sua própria taça no chão, então lentamente, hesitantemente, se inclinou para a frente em direção a Josette. Josette não a deixou fazer todo o trabalho. Ela a encontrou no meio do caminho, e elas se beijaram novamente.
Desta vez, a faísca não foi tão súbita, tão dramática. Mas estava definitivamente lá, e o calor que se irradiou através dela novamente lhe disse que se ela não parasse agora, não seria capaz de parar de jeito nenhum.
Ela escolheu não parar. Josette foi a primeira a estender as mãos, deslizando os dedos pelo pescoço de Alice e acariciando seu cabelo. Alice a imitou, enroscando a mão nos cachos rebeldes de Josette. Alice se enrijeceu ligeiramente quando sentiu a outra mão de Josette começar a acariciar seu seio, e então relaxou. Ela não tinha certeza do que fazer com a outra mão, então a apoiou no joelho de Josette. O material sedoso do macacão, sobre os músculos tonificados das pernas de Josette, era maravilhoso ao toque.
Quando se separaram, Alice estava ofegante e corada. Ela tinha dificuldade em encarar os olhos de Josette.
"Josette, eu... eu... eu nunca fiz isso antes. Não sei o que fazer."
"Oh, chérie, não se preocupe. Josette vai cuidar MUITO bem de você agora." Seu sotaque cajun tinha engrossado. Ela se inclinou para a frente e empurrou Alice de costas no sofá, deslizando para se ajoelhar no chão entre as pernas dela. Beijou o pescoço de Alice, então mordiscou seu lóbulo da orelha, fazendo Alice ofegar bruscamente. O vestido do País das Maravilhas dela fechava nas costas, então Josette não se incomodou em tentar tirá-lo. Ela deslizou para baixo e levantou o vestido, então juntou as múltiplas anáguas nas mãos e as deslizou para cima para expor as meias de Alice e as coxas brancas cremosas acima delas. Ela lambeu um pedaço nu de pele na perna esquerda de Alice, então mudou para a direita e mordeu suavemente a carne ali.
Alice pulou: "Oh!"
"Foi demais, cherie?"
"Não, não, não foi demais. É que suas presas falsas são bem afiadas."
"Vou tomar cuidado, docinho." Ela abaixou a cabeça e pressionou os lábios contra o calor úmido da boceta de Alice através da calcinha de seda. Alice saltou de novo, mas apenas gemeu desta vez. Josette soprou suavemente o hálito quente sobre Alice, então estendeu a mão e puxou a calcinha para o lado. Alice era lisinha, com apenas uma faixa de pelos não mais larga que seu polegar. Josette rosnou sua apreciação e então se curvou para passar a língua entre os lábios de Alice. Ela estava úmida, e Josette lambeu avidamente sua umidade, arrancando suspiros altos do objeto de sua atenção.
Enquanto Alice começava a se contorcer e enfiava as mãos nos cabelos de Josette, Josette deslizou o dedo médio para dentro de Alice, que imediatamente apertou os músculos ao redor dele e gritou. Levou muito pouco tempo para Josette fazer Alice chegar ao topo de uma onda de prazer, e então despencar enquanto seu orgasmo a dominava como nunca sentira, gritando sílabas sem palavras de assombro com as sensações que sua nova amante lhe proporcionara. Quando começava a recuperar o fôlego, ela se apoiou em um cotovelo e encarou Josette, ofegante.
"Não acredito... Eu não... Josette, nunca senti nada assim antes. O que você fez comigo?"
Josette sorriu, enquanto ainda acariciava suavemente as coxas de Alice com a língua. Ela ergueu a cabeça. "Ah, cherie, acho que seu garotinho Andrew simplesmente não sabe como tratar uma mulher direito."
"Meu Deus, não, ele nunca me fez sentir nada parecido. Esse foi o melhor sexo que já tive!"
Josette se levantou e puxou Alice para ficar de pé. "O melhor sexo que você já teve? Você não acha que já terminamos, acha?"
"O quê? O que você... AH!" Ela engasgou quando Josette a girou bruscamente para ficar de costas para ela. Ela puxou o zíper do vestido e ajudou a tirá-lo dos ombros. Ele se amontoou no chão aos seus pés. Josette desenganchou o sutiã, então começou a abaixar as anáguas que ela usava, deixando Alice puxar o sutiã sozinha.
Alice agora estava nua, exceto pelas meias, cinta-liga e os sapatos de verniz. Josette a virou de volta para que ficassem de frente uma para a outra, então se aproximou, de modo que seu body de seda fizesse contato com a pele de Alice por todo o corpo. As mãos de Josette percorriam suas costas, enquanto a beijava de novo. Logo os joelhos de Alice tremiam e ela se segurava nos ombros de Josette para manter o equilíbrio.
Josette a girou bruscamente de novo, desta vez em direção à janela. Alice exclamou alto "Ai, meu Deus!" enquanto Josette a empurrava contra a janela, agarrando seus pulsos e colocando suas mãos no vidro acima da cabeça. Alice olhou para a Bourbon Street centenas de metros abaixo. Embora fosse improvável que algum dos turistas bêbados lá embaixo ou nos prédios do outro lado da rua as notasse, Alice nunca se sentira mais nua ou exposta na vida. Ela não achava que fosse possível, mas se sentiu ficando ainda mais molhada do que já estava.
Josette se pressionou contra ela por trás, usando um pé para chutar uma das pernas de Alice mais para fora, expondo-a ainda mais. Josette esticou a mão esquerda por baixo do braço de Alice e ao redor para acariciar seus seios. Então apertou um mamilo com força, arrancando um ganido alto de Alice, e depois agarrou sua garganta, não exatamente a sufocando, mas usando o aperto para mantê-la firme contra o vidro. A outra mão desceu e ela acariciou os globos pálidos do traseiro de Alice, então foi mais baixo e deslizou dois dedos dentro dela por trás. Ela fez algumas estocadas para deixá-la se acostumar com a largura extra, depois acrescentou um terceiro dedo, fazendo Alice gritar, a bochecha pressionada contra a janela.
Josette moveu os dedos lenta e constantemente, entrando e saindo. Alice podia ouvir o som que sua umidade fazia, sons suaves de sucção enquanto suas paredes agarravam os dedos de Josette. Conforme a respiração de Alice acelerava e ficava mais superficial, Josette se abaixou e mordeu seu ombro, suas presas quase rompendo a pele. A dor aguda combinada com o prazer requintado lançou Alice ao abismo novamente.
"Ai, meu DEUS, JOSETTE! Ai, DEUS! Ai, ai, ai, ai!" Ela foi diminuindo, tentando afundar de joelhos, mas o braço de Josette a segurou de pé, enquanto beijava sua orelha, seu pescoço, aninhando-se em seus cabelos.
"Ah, minha cherie, você é um docinho de pessoa", Josette sussurrou em seu ouvido.
"Ai, meu Deus, Josette. Isso foi incrível." Ela tentou se virar e encarar sua amante, mas Josette a manteve pressionada contra a janela. Alice olhou por cima do ombro para o reflexo de Josette na janela escura. "Posso fazer algo por você agora?" ela perguntou. Josette ouviu a incerteza em sua voz. Ela sabia que aquele seria um salto muito maior para Alice do que simplesmente deixar Josette fazer a devastação.
"Não, cherie. Isso fica para outra noite."
"O quê? Você está falando sério?" Alice perguntou, incrédula.
"Séria, minha cherie. Esta noite foi seu primeiro passo através do espelho."
"Mas... " Alice parou e congelou. Olhando para o reflexo de Josette no vidro escuro da janela, ela acabara de notar... que... conseguia ver o quarto atrás de Josette... através de seu reflexo.
"O... o quê?!" Ela tentou se virar, mas Josette a segurou firme. Seu corpo desaparecia de vista cada vez mais a cada momento.
Josette sorriu. Seus olhos verdes de gato encararam os de Alice, e ela disse: "Volte para mim se quiser continuar descendo pela toca do coelho, está me ouvindo, cherie?" Ela continuou desaparecendo até que a única coisa que Alice podia ver era seu sorriso largo de Gato de Cheshire, as presas reluzentes pairando desencarnadas no ar. Então, finalmente, o sorriso também desapareceu e ela não pôde mais sentir o braço que a segurava. Ela deslizou até ficar de joelhos, e depois se sentou no carpete, virando-se para encarar o quarto enquanto o fazia, pressionando as costas contra o vidro frio da janela.
"Josette!" ela chamou, assustada. "JOSETTE! Onde você está! O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!"
Mas o quarto estava vazio.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Alguns dias depois, Alice se aproximou do Voodoo Bean, cautelosamente. Era um dia claro e ensolarado, e os estudantes entravam e saíam, como se fosse qualquer outro dia normal. Como se fosse uma cafeteria qualquer. Ela esperou do lado de fora até que o fluxo de estudantes parecesse diminuir, e então lentamente abriu a porta. Havia apenas uma pessoa na fila do balcão, e ela pôde ver Josette na máquina de espresso preparando uma bebida.
Ela hesitante se aproximou do balcão quando o garoto na sua frente pegou seu café e foi embora.
Josette a viu e sorriu. "Ei, docinho, eu estava imaginando se você voltaria para me ver de novo."
Alice simplesmente ficou ali, olhando para ela.
Josette piscou lenta e deliberadamente. Quando abriu seus olhos castanhos de novo, as íris tinham se tornado enormes e verdes e as pupilas se transformaram em ovais felinos e escuros.
"Qual é o problema, cherie? O gato comeu sua língua?"
Obrigado por ler, amigo.