Encontro Duplo às Cegas
A porta do restaurante tinha uma qualidade vagamente espelhada e parei para olhar meu reflexo antes de entrar. Meu estômago revirava e eu estava nervosa demais até para tentar avaliar minha aparência. Fazia muito tempo desde meu último primeiro encontro (ou qualquer encontro, na verdade) e eu nunca tinha tido um encontro às cegas. Estava tão nervosa que apoiei uma mão na parede para me manter firme enquanto me inspecionava.
Infelizmente, vi exatamente o que esperava ver. Uma bagunça. Tinha andado vinte quarteirões do meu apartamento (“está uma noite agradável!”, pensei, “e estou adiantada, bem que posso andar.” Idiota) e meu cabelo não tinha resistido bem. Mantinha meu cabelo preto comprido e o tinha alisado antes de sair, mas estava ficando frisado com a umidade do ar. Minha sombra nos olhos, que parecia esfumada quando passei no apartamento, agora estava meio borrada ao redor dos meus grandes olhos verdes, lembrando um guaxinim. Tenho a pele excepcionalmente pálida, então, no apartamento, tentei dar um tom avermelhado às bochechas. Agora, com a luz natural, percebi que tinha passado demais, ficando um pouco vulgar. De alguma forma, a cor vibrante fazia meu nariz aquilino parecer ainda maior que o normal. Pelo menos meus dentes eram brancos.
Abaixo do pescoço, a situação era ainda pior. Tinha debatido por muito tempo o que, exatamente, deveria vestir. Experimentei vários vestidos, variando de conservadores a vulgares. Mas, no fim, decidi que nenhum funcionava. Coloquei um terninho que costumava usar no trabalho porque gostava de como ele valorizava minha bunda. Mas agora, olhando meu reflexo, percebi que estava formal demais para um jantar à noite. O terninho era justo, com um casaco curto e calças apertadas, mas ainda parecia que eu ia me encontrar com clientes. Meus pés pequenos calçavam sapatilhas que não exatamente gritavam “estou pronta para namorar”. Pior, por algum motivo, tinha abotoado a camisa até o pescoço.
Rapidamente, peguei uns lenços e diminuí a maquiagem do rosto, dando um aspecto mais uniforme aos olhos e bochechas. Também usei a ponta do lenço para ajeitar o batom vermelho-escuro. Não queria sacar uma escova no meio da rua, então só ajeitei o cabelo o melhor que pude. Por fim, sem jeito, desabotoei os dois primeiros botões da blusa, expondo o topo dos meus seios 34-C. Olhei de novo para o semi-reflexo da porta e vi, mais uma vez, o que esperava ver: uma mulher desesperada de 1,60 m, 62,5 kg, 34 anos, que não tinha um encontro há seis meses e não transava há quase um ano. Mas, ei, pelo menos a maquiagem estava melhor.
Respirei fundo e empurrei a porta. O restaurante tinha iluminação baixa, com o que pareciam ser lâmpadas nuas penduradas em fios do teto de uns 4,5 metros. Olhei ao redor e vi que o salão era muito fundo e estreito. No fundo, havia um bar em forma de onda encostado na parede dos fundos, também com luz baixa e um tom meio esverdeado. Havia mesas encostadas nas duas paredes laterais, de modo que uma pessoa sentava numa cadeira de frente para a parede e a outra num banco acolchoado do outro lado. Um corredor estreito passava pelo meio, entre as costas das cadeiras. A porta ficava do lado direito da frente do salão, e o balcão da anfitriã ficava logo à frente. Ao entrar, olhei para a esquerda e vi um reservado encostado no grande vidro da fachada. A anfitriã sorriu para mim.
“Boa noite, bem-vinda ao Apple. Vocês têm reserva?”, perguntou docemente. Aquele era, de longe, o restaurante mais moderninho que eu frequentava desde os trinta anos. Olhei em volta e vi uma multidão de gente descolada conversando baixo. Como Kim e Eric acharam que este lugar combinava comigo? Se eu ia sair com alguém que gostasse daqui, como essa pessoa poderia se encaixar comigo?
“Eu... estou encontrando alguém aqui. Meus amigos disseram que vocês saberiam...”, falei. Deus, havia algo mais humilhante que isso? “Olá, sou uma mulher adulta indo a um encontro às cegas; me disseram que este restaurante tinha uma seção separada para ‘desesperados’ com sistema de ventilação próprio...”
“Ah, você é amiga da Kim”, disse a anfitriã, e eu corei. “Como ela está?”
“Bem”, respondi sem graça. Feliz por ser o centro das atenções ali.
“Ela trabalhava aqui como bartender há uns dois anos. Fazia tempo que não ouvia falar dela até ela ligar para fazer essa reserva”, explicou. Eu tinha esquecido que minha amiga próxima Kim tinha virado bartender por uns meses depois de largar o magistério e antes de se tornar contadora.
“Ah, é...”, falei. Sem saber o que deveria acrescentar.
“Então você é a Ash ou a Riley?”, perguntou.
“Ah, hum...”, fiz, sem esperar por aquilo. Eu não sabia o nome do meu par. Só me disseram o horário e o que dizer à anfitriã. Mas era curioso que nós duas tivéssemos nomes andróginos. Acho que tanto Ash quanto Riley podiam ser nomes de homem ou de mulher. “Sou a Ash.”
“Bem, você é a primeira a chegar. Vou lhe mostrar sua mesa”, disse a anfitriã. Ela pegou dois cardápios e uma carta de vinhos. Rápido, saiu de trás do balcão e me chamou com um gesto. Levou-me direto ao reservado da vitrine. Apontou o assento onde eu ficaria de costas para a porta, e eu me sentei.
“Obrigada”, agradeci, nervosa.
“Quando seu par chegar, eu a trarei até a mesa”, ela disse, virou-se e saiu. Afundei no banco e olhei o relógio. Já eram 21h05. Pensei que fosse chegar atrasada. Talvez “Riley” estivesse me dando bolo e eu pudesse ir para casa assistir tevê de pijama, como numa sexta-feira normal e feliz.
Como foi que deixei Kim e Eric me convencerem disso? Kim e eu cursamos a faculdade juntas, fomos colegas de quarto no primeiro ano, aliás. Ela era praticamente a única pessoa da faculdade com quem eu mantinha contato. Continuava sendo minha melhor amiga na cidade, talvez no mundo. E Eric era o marido dela; eles se conheceram no terceiro ano. No começo, eu não gostava muito dele, mas ele foi me conquistando. Tudo isso para dizer que ambos me conheciam havia uns 15 anos. Sabiam que eu tinha ficado mais aliviada do que qualquer coisa quando decidi desistir de namorar, seis meses atrás. Kim, e suponho que Eric, tinham ouvido todas as minhas histórias de terror sobre namorados imprestáveis e encontros horríveis.
E, no entanto, ali estava eu, sentada num reservado esperando um tal de “Riley”, do escritório do Eric, aparecer. Eu tinha resistido a esse encontro por três semanas inteiras. Lembro da primeira vez que o assunto surgiu. Kim e eu estávamos no sofá da casa dela, Eric ainda não tinha chegado do trabalho.
“Então, o que você vai fazer neste fim de semana?”, ela perguntou, e eu bufei.
“Trabalhar. Achou que eu tinha fins de semana?”, respondi. Trabalhava umas 70 horas por semana, normalmente dez horas por dia, todo dia.
“A previsão é de tempo bom esta semana. Você devia tirar um dia de folga, relaxar”, Kim disse. Manteve os olhos na tevê, mas a vi me olhar de canto, me avaliando.
“Não tenho tempo”, falei. Agora foi a vez de Kim bufar.
“Você está nesse escritório desde que se formou na faculdade de administração e nunca tirou um dia de folga. Deve ter um mês inteiro de licença pessoal e um mês de licença médica acumulados”, disse. Na verdade, era bem mais que isso. Mas eu gostava de estar ocupada e gostava de trabalhar. Além disso, o que ela tinha a ver se eu não tirava minhas licenças médicas?
“É, bem, tem muito o que fazer esta semana. Eles realmente não podem ficar sem mim neste fim de semana”, falei num tom que indicava que não queria mais falar daquilo.
“Disse todo escravo de escritório!”, Kim retrucou. Virei-me para olhá-la e ela também se virou.
“O quê?”, perguntei.
“O quê o quê?”, ela perguntou.
“Por que você quer que eu saia do escritório no sábado? Não é outra festa surpresa de aniversário malfadada, é?”, perguntei, me referindo a um evento notório de dez anos antes, em que ninguém além de Eric apareceu para minha festa surpresa. Nem eu. Todo mundo preso no trânsito. Kim riu, provavelmente lembrando daquele dia.
“Não, ainda falta um mês pro seu aniversário.”
“É isso que a torna surpresa”, respondi.
“Não”, Kim disse, ficando um pouco mais séria agora. “Com toda honestidade, Eric comentou que tem alguém no escritório dele que ele acha que seria absolutamente perfeito para você e...”
“Não, obrigada, mas não”, eu disse.
“Qual é”, Kim insistiu, chegando mais perto de mim no sofá. “Considere um favor para o Eric.”
“Eric já me deve seis favores, lembra? Três caronas pro aeroporto, duas vezes de babá do seu filho e uma vez de babá do seu cachorro”, observei.
“Então, como um favor para mim. Ele disse que essa pessoa seria perfeita para você. Pode ser divertido”, ela disse.
“Não”, repeti.
“Vamos, só me ouve”, ela suplicou. Achei aquilo meio desagradável e decidi dar um basta.
“Não quero falar sobre isso”, falei, alto e grosseiro, e então voltei a olhar para a tevê, deixando bem claro que a conversa tinha acabado. E, com isso, ela desistiu. Mas todas as noites, nas duas semanas seguintes, quando eu a via ou falava com ela por telefone, ela abordava o assunto de leve outra vez. Ficava quieta quando eu mandava parar, mas sempre dava um jeito de trazer o tema de volta. Estava realmente me deixando louca.
Fazia mais ou menos duas semanas que eu finalmente cedi, mas não sem luta. Estávamos no sofá de novo, mas ambas tomando café e batendo papo sobre nossos dias. De repente, Kim ficou quieta. Estava claro que não estava mais ouvindo o que eu dizia. Parecia estar reunindo forças para algo. Kim respirou fundo e soltou um suspiro.
“Ash”, ela disse, e eu a olhei. Ela se recusava a fazer contato visual. “Você sabe que eu te amo e sempre vou te amar”, falou. Senti meu coração acelerar. Minha boca ficou seca e minhas mãos suaram. Fiquei nervosa. Aquilo soava como o início de uma conversa ruim. O que ela ia dizer?
“O quê? Alguma coisa errada?”
“Estou preocupada com você”, ela disse, por fim. “E não posso mais ficar parada deixando isso acontecer. Eu te amo e quero que você faça o que te faz feliz, mas não posso ficar aqui enquanto você escolhe ser infeliz”, explicou. Senti como se tivesse levado um tapa. Não esperava por aquilo. Ergui as mãos e balancei a cabeça.
“Estou feliz, Kim, de verdade. Mais feliz do que jamais estive quando namorava”, expliquei, me sentindo na defensiva. Kim nunca tinha questionado minhas escolhas de vida, assim como eu não questionava as dela. Se ela queria casar e ter um monte de filhos, problema dela. Se eu queria ficar sozinha e focar no trabalho, era escolha minha.
“Ash, eu te conheço. Você não está feliz. Não está feliz há muito tempo”, ela disse. Vi lágrimas no canto dos olhos dela e senti minha defensiva diminuir. Mesmo que ela estivesse errada (e eu dizia a mim mesma que estava totalmente, TOTALMENTE errada), pelo menos ela estava sendo sincera.
“Estou mais feliz do que quando estava com Todd”, falei, me referindo ao meu namorado sério mais recente (e a última pessoa com quem transei).
“Bem, é, isso não quer dizer muito”, Kim falou. “Acho que você sempre namora... o tipo errado de pessoa... e fica infeliz, e aí você acha que a ausência de infelicidade é felicidade.” Agora ela ergueu os olhos, um pouco vermelhos. Senti uma pontada; Kim tocara num ponto sensível. Um arrepio me percorreu.
“Estou bem”, falei, minha voz soando fraca e embargada.
“Ash, com que frequência a gente se vê? Com que frequência a gente se fala?”, ela perguntou, parecendo mudar de assunto de repente.
“Todo dia, acho”, respondi, encabulada, e ela assentiu.
“Pelo menos uma vez, normalmente duas ou três por dia. Você está aqui quase todo santo dia, mesmo que falemos ao telefone duas vezes enquanto você está no trabalho”, ela disse.
“Somos melhores amigas; é o que melhores amigas fazem”, falei, imaginando aonde ela queria chegar.
“Nós não somos melhores amigas”, ela disse, e senti o ar me faltar. Não somos melhores amigas? O que diabos isso queria dizer? Num minuto estávamos falando de um encontro às cegas idiota e, no seguinte, falando de... o quê? Não sermos amigas.
“Nós...”, comecei, me sentindo lenta e desnorteada, mas Kim ergueu a mão.
“Eu sou sua melhor amiga. E você é minha melhor amiga mulher, a pessoa que procuro quando preciso falar com alguém fora do meu casamento. Você foi a madrinha do meu casamento. Temos um laço muito especial, e eu reconheço isso. Tínhamos quando nos conhecemos. Sempre teremos. Mas o Eric é meu melhor amigo”, ela disse, e as palavras saíram embargadas, como se doesse dizê-las. Senti minhas bochechas corarem, envergonhada e irritada comigo mesma. Eu não esperava por isso.
“Nunca quis... me meter no seu casamento; não estava tentando ser vela ou algo assim...”, gaguejei. Percebi que estava chorando agora. Me senti tão idiota. O tempo todo, Eric e Kim estavam me ressentindo, desejando que eu fosse embora. E lá estava eu, alheia ao quanto era irritante e intrusiva.
“Ah, por favor, Ash, você sabe que não é isso que quero dizer”, Kim falou, soando realmente irritada comigo. “Eu te amo, e o Eric te ama. A gente gosta que você esteja sempre por perto, gosta que o Steven tenha uma ‘tia’ que está com ele o tempo todo. Não seja burra. Não estou te mandando se afastar nem nada; não é sobre isso.” Agora eu estava mais confusa que nunca.
“Então o que você está dizendo?”
“Estou dizendo... estou dizendo que você precisa de algo mais na sua vida do que você tem”, disse. Ela se inclinou no sofá e segurou minhas mãos. Olhou profundamente nos meus olhos. Eu estava tão confusa e ainda envergonhada, mas encontrei conforto no toque da minha amiga. Eu podia sentir sua afeição por mim e ver amor em seus olhos. “Não estou falando das minhas necessidades ou dos meus... seja lá o quê. Não estou falando de mim. Você. Percebo, e o Eric percebe, que você não está feliz. Você não está mais infeliz, mas não está feliz. Você está buscando algo aqui, comigo, que minha família e eu simplesmente não podemos lhe dar. Você precisa de intimidade, e não estou falando de sexo. Você precisa... precisa de mais do que posso lhe dar como sua melhor amiga. Você precisa amar alguém e ser amada por alguém num nível que não tem. Você precisa do que eu tenho com o Eric.”
Senti a raiva voltando. Claro que eu já tinha comparado minha vida com a vida de Kim e Eric juntos no passado e a achado... menos gratificante em comparação. E sim, eu queria algo que eles tinham, mas não cabia à Kim me dizer isso. Não cabia a ela esfregar na minha cara que eu era menos completa que ela. Ressenti aquilo e me levantei rápido para ir embora.
“Ash...”
“Não sou uma perdedora patética...”
“Ash, querida, não é isso que...”
“Não preciso do que você tem. Só porque o que você tem te faz feliz, não significa que todo mundo queira ou precise disso...”
“Me desculpa”, ela disse de repente. “Falei tudo errado. Sei disso. Confia em mim, com certeza não estava tentando dizer nada além de... por favor, para e escuta.” Eu estava indo em direção à porta, mas parei.
“Tá”, respondi, fria, decidindo dar a ela uma última chance.
— Não estou dizendo que tenho a chave da felicidade e que você só precisa seguir meu exemplo para consegui-la. Estou dizendo que... acho que você quer um relacionamento amoroso, saiba disso ou não. Acho que você quer algo que nem sabe que quer e não consegue entender. Da mesma forma que você soube que eu estava grávida antes de mim, antes do teste saber, porque você me conhece tão bem. Eu sei disso porque te amo. Estou dizendo isso por causa dessa conexão; quero que você confie em mim. E se você for a esse encontro e se sentir menos feliz com essa pessoa do trabalho do Eric do que se sente aqui com a gente, então você volta e esquecemos que eu disse alguma coisa. Admito que estava errada, e isso acaba. Mas me faça esse favor.
Olhei para Kim no sofá. Ela estava inclinada na minha direção, seu rosto absolutamente sério. Embora eu soubesse que ela estava errada sobre mim, também sabia que ela achava que estava cuidando de mim. Senti minha raiva diminuir, substituída por um pouco de vergonha, mas também um amor intenso pela minha amiga. Ela sempre cuidou de mim, como eu poderia precisar de mais alguma coisa na vida? Mas eu sabia que ela estava sofrendo. Sofrendo por mim, mesmo que não tivesse motivo para isso. Fiquei comovida. E queria acabar com o sofrimento dela.
— Um encontro? — perguntei.
— Só precisa se comprometer com um — ela disse, o rosto relaxando, ela sabia que eu tinha aceitado.
— Tá bom — murmurei, e ela sorriu abertamente, me fazendo sorrir de volta.
— Obrigada — ela disse — Mas confie em mim, daqui a alguns dias, você vai estar me agradecendo.
— Duvido — eu tinha dito.
Agora, sentada no reservado do "Apples", mexendo nervosamente na minha faca de pão, descobri que minha previsão estava, infelizmente, extremamente precisa. Se as coisas continuassem assim, eu não estaria agradecendo a ninguém por nada disso. Pelo menos minha obrigação estaria cumprida. Nunca mais precisaria passar por essa bobagem. Olhei para o relógio novamente. Mais dez minutos haviam se passado. Decidi que se Riley não chegasse em três minutos, eu iria embora. Mantive os olhos no mostrador, desejando que avançasse até meu tempo limite. Faltando apenas trinta segundos, ouvi a voz da anfitriã.
— Bem aqui — ela disse, e senti meu coração saltar para a garganta. Tão perto de escapar disso, mas agora meu encontro estava aqui. Olhei para cima quando uma pessoa se jogou no assento à minha frente.
— Sinto muito — ela disse — Eu poderia pegar um... ah... desculpe... deve ser a mesa errada. — Era, para meu choque, uma mulher sentada à minha frente. Claramente, mais de um encontro estava acontecendo esta noite e a anfitriã havia cometido um erro bem óbvio.
— É... hã... — eu disse — Estou esperando um encontro às cegas... — Procurei a anfitriã, mas ela já tinha ido embora.
— Eu também — a mulher disse. Ela era bem mais nova que eu; calculei que tinha cerca de 25 anos. Ela não parecia exatamente preparada para um encontro, embora eu tivesse que admitir que ela estava muito mais bonita que eu. Tinha mais ou menos a minha altura, mas era muito mais magra. Enquanto eu tenho um corpo voluptuoso (ou empastado, se você me perguntar num dia em que não estou me sentindo tão bem comigo mesma), ela era magricela. Calculei que pesava cerca de 48 quilos. Ela usava uma camiseta branca justa com letras pretas dizendo "The Clash" e uma calça jeans preta colada ao corpo. Tinha seios pequenos e empinados que se destacavam na camiseta, uma barriga lisa, quadris um pouco estreitos e pernas finas. Notei (por algum motivo) que ela tinha mãos pequenas e delicadas que seguravam seu iPhone, e as unhas estavam pintadas de preto. Tinha a pele branca e pálida, lábios grossos e rosados, um nariz pequeno de duende e olhos azuis enormes e brilhantes. Sua maquiagem era meio intensa, embora aplicada com habilidade. O mais marcante talvez fosse o cabelo louro-sujo e bagunçado sob um chapéu preto moderno. E quando digo bagunçado, quero dizer que parecia um ninho de rato. Porém, de algum modo, considerando sua aparência geral, até que funcionava.
Dei uma risadinha para mim mesma, não exatamente o par alto, moreno e bonito que eu esperava. — Acho que o restaurante cometeu um erro, vamos resolver isso quando a garçonete vier — eu disse. A garota assentiu. Ela me deu um sorriso sem graça, bonito e cheio de dentes.
— Eu devia imaginar que algo assim aconteceria, minha sorte — a mulher disse e encolheu os ombros. Ela se espreguiçou um pouco, parecendo cansada. Arqueou as costas no reservado, empurrando os seios para frente contra a camiseta apertada, e depois recostou.
— Ah, eu sei, falei para minha amiga que isso ia acontecer. Bom, quero dizer, não exatamente isso, mas algo ruim — eu disse, e a mulher assentiu.
— Sua amiga foi quem te arranjou o encontro? — ela perguntou.
— Sim, e você?
— Ah, um cara com quem trabalho — ela disse. Não parecia haver mais nada a dizer. Olhei para ela por um momento, me senti constrangida, e depois desviei o olhar. Ela também parecia um pouco envergonhada. Embora, para ser honesta, o fato de ela estar na mesma situação me fez sentir um pouco melhor. Ela era uma garota muito atraente, então talvez um encontro às cegas não fosse só para gente velha e patética.
— Talvez nossos encontros estejam sentados juntos em outra mesa — ela disse depois de uma longa pausa constrangedora. Eu ri, um pouco mais forçado do que pretendia, tentando soar casual.
— Acho que você já teria ouvido falar agora — eu disse — Homens seriam... menos compreensivos. Acho que nossos rapazes estão atrasados. — expliquei.
— É, um pouco nervosos — ela disse, e nós duas assentimos desconfortavelmente juntas. Houve silêncio por quase um minuto depois disso. Olhei para o padrão da toalha de mesa. Ouvi a mão dela batendo no assento ao lado.
— Bom, pelo menos está uma noite agradável para um encontro... se eles algum dia aparecerem — eu disse, olhando pela janela.
— É... — ela disse. Já estava bem escuro, mas a lua estava cheia, lançando uma luz azul pálida na rua em frente ao restaurante. Pessoas passavam lentamente, e cada homem jovem que caminhava aumentava a possibilidade de que o príncipe encantado estivesse ali.
— Bom... você está muito bonita para o seu encontro — eu disse. Não sabia mais o que falar, e o silêncio estava me deixando tensa. Ela sorriu.
— Obrigada... nunca sei como me vestir para encontros. Sinto que pareço, sei lá, vulgar — ela riu — mas acho que sou um pouco vulgar. Você também está bonita, vai deixá-lo de queixo caído. — Eu sabia que ela estava falando só para preencher o silêncio, como eu, mas foi bom receber um elogio.
— Eu me senti muito executiva — eu disse.
— Bom, combina com você — ela respondeu, e eu não sabia se isso era uma coisa boa.
— Você não parece vulgar, você parece... à vontade. E combina com você — eu disse, retribuindo o elogio. Sorrimos uma para a outra e depois caímos de novo em silêncio, mas agora nos sentíamos um pouco menos estranhas. Pelo menos não éramos mais completas estranhas. Mas logo aquele silêncio se estendeu também. Onde estava a garçonete? Finalmente, a mulher suspirou.
— Até os homens que ainda não estão na minha vida não são confiáveis — ela brincou, e eu sorri de volta em resposta.
— Bom, veja por este lado — eu disse — Tudo que podia dar errado até agora deu. Pelo menos estamos prestes a ter um pouco de sorte.
— Ugh — ela disse — Eu tinha um show hoje à noite e cancelei por causa deste encontro! É melhor as coisas ficarem realmente muito boas depois disso.
— Eu deveria estar trabalhando — me solidarizei. Ela sacudiu o cabelo, deixando as madeixas selvagens ondularem, e então pegou o celular da mesa.
— O cara que me arranjou o encontro disse que meu par era tipo... pontual ao extremo. Isso está me irritando — e então ergueu o telefone na direção do rosto e começou a mexer nele. — Talvez eu mande uma mensagem para ele, Eric é um pouco distraído, pode ter me passado o lugar errado. — Senti um golpe repentino e olhei mais de perto para a garota. Ela tinha dito... Eric? Ela parecia o tipo de pessoa que trabalharia em... uma gravadora? Não podia ser verdade. Que coincidência estranha. Percebi que eu não tinha uma informação muito importante sobre essa mulher.
— Qual é o nome do seu encontro?
— Ah, a anfitriã só disse que estou procurando um cara chamado Ash. Tipo o Evil Dead, acho. Nome estranho — ela disse, folheando seus contatos. Senti o mundo girar um pouco.
— Riley? — perguntei, e ela ergueu os olhos do telefone. Uma de suas sobrancelhas estava levantada.
— Sim? — ela perguntou, e isso confirmou. Senti como se não pudesse respirar. O que diabos estava acontecendo aqui?
— Oi, eu sou Ash. Apelido de Ashley, mas por favor me chame de Ash — eu disse, estendendo a mão. Soei tensa e engasgada, mas não sabia o que mais fazer. A boca de Riley se abriu; ela sorriu nervosamente e balançou a cabeça. Nós duas percebemos o que isso significava. Nossos "rapazes" não estavam atrasados. Ambos os nossos encontros tinham chegado na hora.
— Hã... Não, eu... estou procurando um homem — ela explicou. Corei. Me senti tão idiota.
— Eu também — eu disse. Eu realmente não conseguia entender o que estava acontecendo — mas minha amiga Kim me arranjou um encontro com alguém do escritório do marido dela, Eric, alguém chamado "Riley". — expliquei. Riley bufou e balançou a cabeça de novo. Eu conhecia os fatos do que estava acontecendo. Era absolutamente óbvio que eu tinha sido arranjada para um encontro com uma mulher. Mas as implicações não conseguiam se acomodar na minha mente. Senti um zumbido chocante no cérebro, uma total falta de contexto.
— Eric Carter e a Kim Gostosa? — ela perguntou, me tirando dos meus pensamentos.
— Sim, Eric e Kim Carter — eu disse, mas a frase dela pareceu estranha — "Kim Gostosa"? — perguntei. O rosto de Riley estava extremamente vermelho, e ela estava olhando para o telefone, evitando meus olhos.
— Ah, é... Tem dois caras no departamento com esposas chamadas "Kim", então a gente chama uma de "Kim Alta" porque ela é mais alta que o marido, Hank, e a outra de "Kim Gostosa" porque ela é tão... gostosa e o Eric é tão bobão. Alguns outros caras inventaram isso — ela disse distraidamente. Bom, estávamos definitivamente arranjadas juntas. Eric e Kim tinham me arranjado um encontro com uma mulher chamada Riley do escritório do Eric. Eles sabiam que eu era uma mulher hétero. Aparentemente sabiam que Riley era uma mulher hétero. E fizeram isso com a gente. Por quê?
— Isso é tão constrangedor, sinto muito — murmurei, mas Riley não disse nada. Não sei por que me desculpei; parecia algo a fazer. Algo real para fazer. Por um minuto ficamos sentadas em completo silêncio, desconfortáveis demais para falar. O que diabos tudo isso significava? Tentei me concentrar em uma ideia, tentar encaixar essa situação em um quadro onde fizesse sentido. Tudo que eu conseguia perceber era que eu estava absolutamente mortificada. E só conseguia chegar a uma conclusão.
— Isso não é uma piada engraçada, não pensei que Eric fosse tão idiota — Riley disse, aparentemente chegando à mesma conclusão que eu. Isso era algum tipo de piada elaborada. Talvez Riley também estivesse solteira há um tempo, então eles nos arranjaram para nos fazer sentir... não sei. Estúpidas? Não fazia sentido. Mas nada disso fazia sentido. Eu não era lésbica. Por que Eric e Kim achariam isso engraçado? Deus, essa era a coisa mais humilhante de todas.
— Não é do feitio deles... — eu disse finalmente, mas sem convicção. O que mais isso poderia significar? Talvez eles tivessem nos sentado perto da janela para poderem nos olhar e rir. Olhei pela janela, mas não vi ninguém que eu reconhecesse na rua.
— Bom, aqui estamos nós, porra! — Riley explodiu. Senti o calor de sua raiva e recuei. Devo ter feito uma careta — Desculpe. Não é culpa sua. Só me sinto muito visada. Todo mundo acha que estamos num encontro ou algo assim. Toda a equipe de garçons provavelmente está metida nessa piada. E, honestamente, não me sinto confortável com você me vendo tão... desconfortável.
— Estou no mesmo barco, você não precisa ficar envergonhada comigo — eu disse. Eu ainda estava tentando entender minhas ideias. Além da mesma vergonha da qual eu tentava convencer Riley a sair, eu não conseguia nem começar a registrar minhas próprias emoções.
— Oi, eu sou a Heather, serei sua garçonete esta noite — uma voz finalmente disse. Riley e eu nos viramos e olhamos para uma jovem bonita de camisa preta e gravata, sorrindo abertamente — Gostariam de uma garrafa de vinho ou algo mais para beber para começar? — Senti-me agitada. A última coisa que eu queria era ficar.
— Não... hã, obrigada mas não — eu disse, tropeçando nas palavras. Mas repentinamente soube o que queria fazer — Mudamos de ideia. Nós vamos embora. — expliquei. Riley assentiu sem olhar para a garçonete e pegou sua bolsa, pronta para ir. Aparentemente concordava. A piada tinha acabado. A garçonete colocou as mãos nos quadris, inclinou a cabeça para o lado e mordeu o lábio.
— Ah, sinto muito ouvir isso — a garçonete disse — O que devo dizer à Kim sobre a conta? — Senti-me tão estranha ao ouvi-la mencionar Kim.
— Kim? O que isso importa para ela? — Riley cuspiu.
— Não há conta, não pedimos nada, só vamos embora — eu disse, começando a levantar.
— Ah, eu sei, quero dizer o acordo — ela disse.
— Que acordo? — perguntei, parando. Que outra piada havia? Algum tipo de bolo de casamento ou algo assim? "Olhe para aquelas duas mulheres que não conseguem arrumar homens. Melhor comprar uma dúzia de gatos e juntá-las." Coisa engraçada.
— Kim e o marido dela concordaram em pagar o seu jantar esta noite. Devo avisá-la que vocês não querem? Ou o quê? — A garçonete perguntou. Eu não me importava se Kim e Eric concordassem em pagar a hipoteca do meu condomínio, eu estava fora.
— Não me importo, só quero ir.
— Quanto eles concordaram em pagar? — Riley disse, sentando-se de novo na cadeira. A garçonete deu de ombros. Eu estava estendendo a mão para pegar minha bolsa. Parei de me mover, pois havia algo diferente agora na voz de Riley.
— Ah, eles não disseram, só disseram que pagariam a conta. Deixaram o cartão de crédito registrado — a garçonete explicou. Riley olhou para mim. Um sorriso largo se espalhou em seu rosto, fazendo-a parecer maliciosa (e bonita). Ela se inclinou para frente na mesa, colocando os cotovelos na superfície e esfregando as mãos.
— Isso é verdade? — ela perguntou. A garçonete assentiu, parecendo um pouco confusa. Riley virou-se para mim — Você está pensando o que eu estou pensando? — ela disse, sua voz soando baixa e maliciosa. Instantaneamente deduzi o que ela estava sugerindo. Um pouco de vingança. Minha humilhação em troca de uma refeição muito, muito cara. Por um segundo pensei a respeito, mas comecei a balançar a cabeça.
— Não, não posso, eles... — comecei.
— Querem que tenhamos uma boa refeição — Riley disse, sorrindo docemente para a garçonete, depois se virou para mim, erguendo ambas as sobrancelhas e falando lentamente — Eu trabalho no setor de folha de pagamento, confie em mim, o Eric pode arcar com isso. E eles MERECEM ouvir sobre NÓS estarmos felizes — ela disse, cada palavra pingando significado. Eu sabia que ela tinha razão, mas estava prestes a recusar de novo.
Eu estava com raiva de Eric e Kim, e confusa, mas não podia fazer isso. Era errado pegar o dinheiro de alguém. Especialmente de uma amiga. Mesmo que essa amiga estivesse sendo... estranhamente cruel sem provocação. Mas pensando naquela maldade estranha dos meus amigos, e ouvindo sobre o que eu merecia e sobre ser feliz, pensei na minha conversa com Kim. Aquela em que ela tinha chorado e me falado sobre meu futuro e minhas necessidades. Pensei nos altos e baixos emocionais daquela conversa, na forma como Kim parecia realmente sofrer por mim. O fato de eu ter sacrificado o que queria apenas para fazê-la feliz.
Tudo isso foi para essa... piada ou brincadeira. E eu ganhei o quê, uma refeição grátis? Quase nada. Cada lembrança, os sentimentos e a culpa que ela despertou em mim, aumentaram a raiva. Eu nunca tinha sentido tanta raiva em toda a minha vida.
— Na verdade, estou me sentindo bem faminta — eu disse, sentando-me de novo no lugar. Eric e Kim iam pagar até ficarmos quites e depois pagar um pouco mais. Depois eu talvez nunca mais falasse com eles. Isso era imperdoável. Uma piada de mau gosto era uma coisa, mas isso ia além. (Quer dizer, na verdade não, eu nunca os cortaria da minha vida. Mas era poderoso fingir que podia). Quanto mais eu pensava sobre isso, menos conseguia entender. Meus amigos estavam sendo simplesmente odiosamente maus comigo sem motivo. Eles deixaram o cartão de crédito para mitigar a pura maldade, mas isso não era realmente suficiente. Aparentemente Riley sentia o mesmo. Ela pegou o cardápio.
— Sim, senhorita. Queremos uma garrafa do seu vinho tinto mais caro... e uma garrafa do seu vinho branco mais caro. Hã... queremos um de... digamos, cada uma das entradas. Também queremos dois dos seus pratos principais mais caros e... digamos, o peixe do dia para dividirmos — ela disse, apontando para cada item no cardápio enquanto os olhos da garçonete se arregalavam. Riley falou de forma incisiva, cada palavra saindo da sua boca como se estivesse cuspindo uma lâmina de barbear. Eu gostei do som da sua voz, sentindo minha indignação justa refletida na dela.
— Na verdade, temos um branco muito bom para acompanhar o peixe... — a garçonete tentou dizer.
— É o vinho branco mais caro?
— Não, mas...
— Queremos o mais caro. Nossos paladares são incrivelmente sofisticados — ela disse e, apesar da minha raiva, tive que rir. — Obrigada. — E então Riley devolveu os cardápios para a garçonete. A garçonete parecia um pouco atordoada, mas assentiu e se afastou.
— Ai, meu Deus, você é muito louca! — eu disse assim que a garçonete saiu. Fiquei feliz que essa garota estava do meu lado. Eu queria me vingar, mas não saberia nem por onde começar.
— Espero que não se importe de eu pedir por você, afinal estamos em um encontro — ela disse e eu realmente sorri.
— De jeito nenhum, desde que prometa guardar espaço para a sobremesa.
— Sobremesas — ela disse e nós duas rimos um pouco. Ficamos em silêncio por alguns instantes, apenas tentando assimilar a nova situação. Finalmente, tive uma ideia.
— Ei, quer simplesmente ir embora? Quer dizer, eles vão cobrar a comida de qualquer jeito, vamos só voltar para casa — sugeri.
— Hã... Não, Ash. Agradeço a oferta, mas eu vou ficar — ela disse. — Primeiro, ainda estou longe de terminar aqui. Segundo, como eu disse, liberei minha agenda. Não tenho outro lugar para estar. Você tem?
— Bem, eu poderia voltar para o escritório, eu acho, mas na verdade não... — respondi, imaginando o que poderia estar fazendo de mais produtivo do que aquilo.
— Então foda-se — Riley respondeu. — Vamos relaxar e ter a refeição mais cara das nossas vidas. Você parece ser boa companhia, vamos nos vingar deles aproveitando nosso 'encontro'. — Inclinei a cabeça para o lado e olhei para Riley. O que ela disse fazia sentido. Assenti.
— É, acho que sim — eu disse. — Você parece ser mais divertida que papelada.
— Um elogio estrondoso — ela respondeu e eu ri. Naquele momento, o sommelier chegou com duas garrafas de vinho. Ele parecia surpreso por estar trazendo duas garrafas para duas pessoas. Mas ele abriu as rolhas e nós as inspecionamos. Ele estava prestes a servir o vinho nas taças.
— Ei, calma aí — Riley disse, pegando a garrafa de vinho tinto. — Nós podemos cuidar dessa parte. — O sommelier olhou para ela como se ela fosse louca.
— Eles geralmente fazem esse tipo de coisa para você.
— Não, eu geralmente faço esse tipo de coisa para mim. Ele vai encher só um quarto da taça para que possa pretensiosamente 'respirar'. Eu quero ficar bêbada com o dinheiro dos outros, vou encher minha taça — ela disse, inclinando a garrafa de vinho — e a sua até a borda. — E ela serviu seu vinho até quase transbordar. O sommelier balançou a cabeça e foi embora.
— Eu tenho trabalho de manhã — eu disse, colocando a mão sobre minha taça. Eu realmente tinha.
— Não me faça beber sozinha, Ash — ela disse, e começou a despejar o vinho da garrafa! O líquido respingou na minha mão e eu a retirei rapidamente. Logo ela estava enchendo minha taça assim como tinha feito com a dela. Eu queria ficar brava, mas apenas ri de sua audácia. Ela não tentou me convencer de nada, simplesmente fez o que queria e esperou que eu entrasse na linha. Eu admirei aquilo.
— Bem, você sabe ser persuasiva — eu disse. — Mas acho que estou dentro. — Riley ergueu sua taça, com muito cuidado, para um brinde. Eu fiz o mesmo.
— A... um encontro sapatônico, eu acho — Riley disse e tocou sua taça na minha. Eu ri.
— A... isso — eu disse. Levamos nossas taças e ambas tomamos goles profundos do vinho caro (e saboroso). Riley não se conteve, virou sua taça de vinho, engolindo como se fosse água, e então colocou a taça de volta na mesa.
— Uau, eu não virava vinho assim desde a faculdade, e aquilo era vinho barato — Riley disse quando terminou, com os olhos lacrimejando.
— Isso não pode ter sido há tanto tempo assim — eu disse, tomando outro grande gole do meu próprio vinho. Por alguma razão, eu queria acompanhar o ritmo dela.
— Eu me formei... há dois anos. Mas parece mais tempo — ela disse. A bebida pareceu relaxá-la um pouco e ela se recostou na cabine. — E você?
— E eu o quê? — perguntei.
— Há quanto tempo você se formou? — ela perguntou, e então sorriu. — Acho que é meu jeito nada discreto de perguntar quantos anos você tem. — Eu ri.
— Ah, nossa, tenho 34, então acho que me formei há... 11 anos — eu disse. Será que já fazia tanto tempo assim?
— Uau! — Riley disse. — Não teria adivinhado.
— O que você quer dizer?
— Não entenda mal, não estou dizendo que você é infantil nem nada, mas... você não aparenta 34. Achei que você tivesse no máximo 25 ou 26.
— Dá para perceber que você tem menos de 30, porque ninguém com mais de 30 anos considera ser chamado de 9 anos mais novo que a idade real como outra coisa senão um elogio — respondi. Senti uma espécie de brilho caloroso que era uma mistura do vinho caro se acomodando no meu estômago e de me sentir lisonjeada pelo elogio. Talvez meu "encontro" me desse um pequeno aumento de ego, apesar do óbvio contratempo.
Riley tornou a encher sua taça e depois completou a minha com o que restava da garrafa. Me perguntei quanto dinheiro tínhamos acabado de beber em alguns minutos. Mas não me importei. Tomei mais um gole do vinho caro e senti os efeitos já começando a aparecer.
— Então, onde você estudou? — perguntei.
— Estou bem aqui — Riley disse e então riu um pouco. Ela realmente tinha atacado o vinho e parecia que tinha subido direto para a cabeça. Eu ri da sua piada.
— Não, a faculdade, você disse que não virava vinho desde a faculdade, onde foi a faculdade? Universidade de festas? Ei, sem julgamentos, eu fiz estadual — eu disse. Riley realmente riu um pouco. Ela enfiou a mão por dentro da camisa, entre os seios, e pegou algo. Puxou a corrente de um colar por cima do cabelo e o estendeu para mim.
— Ah, foi uma viagem total, mas não era uma festa — ela disse. Senti minha testa franzir e estendi a mão para pegar o objeto que Riley oferecia. A corrente era uma fina tira de prata, mas o pingente era grande. Quando olhei, vi que não era um pingente, mas um anel. Na verdade, um anel de formatura, da Faculdade Bíblica Davis.
— Faculdade Bíblica? — perguntei, erguendo as sobrancelhas. Riley riu e assentiu, pegando o anel de volta de mim.
— Sim — ela riu. — Imaginei que eu me destacava como aluna da Davis pelo meu vestuário modesto, meu comportamento sem humor e minha conduta casta. — E então, para enfatizar, tomou um grande gole de vinho. Eu ri da sua piada, mas realmente não conseguia imaginar essa garota de aparência punk numa faculdade bíblica.
— Posso honestamente dizer que era a última coisa que eu esperava. Ficaria menos surpresa se você tivesse feito faculdade de palhaço — respondi. Mais ou menos nesse momento, a garçonete chegou com a primeira parte da nossa carga gigante de entradas. Começamos a comer imediatamente e a comida valia o preço. Ou pelo menos o preço para Kim e Eric.
— Bem — Riley disse enquanto terminava um camarão —, meus pais são ambos INSANAMENTE cristãos conservadores. Era uma escolha entre Faculdade Bíblica ou faculdade nenhuma. — Explicou.
— Não é lá muita escolha — eu disse.
— Não para mim, eu precisava sair daquela casa. Não queria me casar aos 18 anos como metade das garotas da minha igreja — ela explicou. Senti uma repentina onda de admiração por essa garota. Deve ter sido difícil desafiar sua educação tradicional, mesmo que só um pouco, e ir para a faculdade. Isso exigiu coragem. Olhei para Riley, tomando um gole do meu vinho, e a avaliei. Ela era jovem e um pouco selvagem, mas também era engraçada, deliciosamente impulsiva e corajosa. Sem mencionar muito bonita. Percebi que gostava dela e me perguntei se Eric e Kim não teriam nos apresentado como uma piada, mas talvez para que pudéssemos ser amigas. Claro, se fosse o caso, eles poderiam simplesmente ter nos apresentado. Por que toda essa encenação de romance? Não gastei muito tempo considerando essa possibilidade, o gosto do vinho na minha língua me fez perceber algo.
— Onde você virava vinho na Faculdade Bíblica? — perguntei de repente. — Imaginei que seria cheio de crentes fervorosos. — Riley riu e encolheu os ombros.
— Sim, basicamente era, exceto nos meus dois últimos anos. Quando eu estava no penúltimo ano, outra garota como eu chegou como caloura, a Heather. Nós matávamos as aulas de religião juntas e realmente nos divertíamos. Foi meio que uma experiência universitária de verdade depois disso. E eu tinha idade para comprar bebida, então era só uma questão de encontrar um lugar para ficar bêbada — ela explicou. Imaginei que fazia algum sentido.
— A julgar por aquela taça de vinho e sua postura profissional, você não era muito festeira na faculdade — ela disse. Senti-me um pouco constrangida e terminei o último gole do meu vinho. Eu talvez não tivesse bebido tanto quanto Riley, mas era fraca para bebida. Ainda não estava sentindo muito, mas sabia que logo sentiia.
— Acho que não — eu disse. — De vez em quando a Kim me convencia a...
— Kim, a Kim Gostosa? Você a conhece há tipo dez anos? — ela perguntou. Ainda era um apelido tão estranho, embora eu tivesse que admitir que Kim era uma mulher linda.
— Sim, na verdade há mais tempo — eu disse.
— Isso parece... algo típico dela? — Riley disse, voltando à nossa suposição anterior sobre o motivo dos nossos amigos. — Tipo, não consigo imaginar o Eric fazendo isso, a Kim é uma conspiradora? Só falei com ela duas vezes.
— Não — eu disse, pensando na minha amiga, que era doce, gentil e sensível. — Não, não é nada típico dela. Ela é uma pessoa adorável. — Fui mais honesta do que talvez devesse.
— Tão estranho — Riley disse, colocando uma espécie de bolinho frito na boca e mastigando. — Ai, Deus! — ela disse, cuspindo de volta no guardanapo. — Nem tão estranho quanto isso! — Eu ri tão alto que pessoas em outras cabines olharam e rapidamente me calei, embora tenha me inclinado na direção de Riley e continuado rindo.
— Acho que era algum tipo de fruto do mar — eu disse enquanto ria.
— Acho que era chulé de vestiário e cabelo queimado! — Riley disse, me fazendo rir de novo. — Malditos hipsters e sua comida esquisita. — Ela concluiu com pesar.
— Pelo menos é de graça — eu disse e Riley ergueu sua taça. Encontrei minha taça de vinho e a nova garrafa, e decidi acompanhá-la.
Suponho que seria tedioso repassar a conversa que tivemos no jantar em detalhes. Não que a conversa fosse tediosa, longe disso. Apenas que o passo a passo não é necessariamente essencial para a história aqui. Mais algumas entradas chegaram e eventualmente nossa refeição gigantesca chegou. Havia comida demais para comer e logo estávamos ambas empanturradas.
O tempo todo, mantivemos uma conversa animada. Na maior parte, eu falava sobre trabalho, porque era realmente a única coisa sobre a qual eu tinha para falar. Me senti mal, como se a estivesse entediando e também reforçando para mim mesma que eu não tinha vida pessoal. Mas Riley parecia genuinamente interessada tanto no meu trabalho quanto em mim como profissional (assim como pessoa). Ela me pediu conselhos profissionais e tive a sensação de que, apesar de sua aparência desleixada, ela tinha grandes ambições para si mesma. E a perspicácia de suas perguntas indicava que ela tinha a percepção necessária para alcançar essas ambições.
De qualquer forma, não precisei me preocupar muito se estava tornando a conversa chata, já que Riley falava por duas. Aprendi que Riley era uma de seis filhos, a mais nova. Aprendi que ela cresceu em um subúrbio afastado da cidade e que seus pais quase a deserdaram quando souberam que ela tinha aceitado um emprego em uma gravadora secular. Ela disse, brincando, que não sabia dizer se o pai ficara mais bravo por ela ter escolhido trabalhar em um meio "pecaminoso" ou por ter escolhido uma profissão em uma área fadada à extinção. Sua mãe, por quem era claro que ela sentia ódio, reverência e amor profundo, tudo ao mesmo tempo, apenas temera por sua alma. Ela explicou que os convenceu de que seria tanto uma chance de espalhar a palavra de Deus quanto de aprender habilidades de negócios transferíveis e eles cederam. Todas as histórias de Riley eram extremamente engraçadas, mesmo as que não deveriam ser. Apesar do monopólio que ela exercia sobre a conversa (que ficou mais avassalador conforme ela bebia), eu queria poder ouvir mais sobre ela. Eu a achava absolutamente fascinante e inegavelmente legal.
O tempo todo em que conversávamos e comíamos, também estávamos bebendo. Cerca de uma hora depois do início do nosso "encontro", pedimos uma terceira garrafa de vinho. Esta era uma garrafa mais barata (decidimos pegar leve com Kim e Eric porque estávamos nos divertindo), mas era indiscutivelmente mais forte que as duas primeiras. Quando ambas abandonamos as tentativas de terminar de comer, estávamos bem bêbadas. Riley sugeriu que, em vez de comprar uma sobremesa, que não conseguiríamos comer, fôssemos ao bar e "bebêssemos" nossa sobremesa. Normalmente, eu recusaria tal oferta. Nunca gostei muito de destilados. Mas eu já estava bêbada e ansiosa para prolongar meu humor positivo, e a atitude de Riley era absolutamente contagiante. Então concordei e nos mudamos para lá. Não me lembro se tomei dois ou três shots de tequila antes de chegar à minha fatídica revelação da noite, mas me lembro de como aconteceu.
Riley e eu estávamos sentadas no lado esquerdo do bar, cada uma com um shot de tequila na mão, até onde me lembro, e eu estava rindo de algo que ela tinha dito (embora não me recorde exatamente o que era, ela me fez rir muito naquela noite). Eu estava me sentindo mais solta e desinibida do que em anos. Talvez em toda a minha vida.
— Ok, olha — Riley disse. — É uma sequência simples. Primeiro, o sal. Depois a tequila. Depois o limão. Da última vez você fez ao contrário, e você tem que fazer certo.
— Eu não vou ficar mais bêbada se fizer na ordem errada? — perguntei de brincadeira.
— Não. E você vai provar de uma vez por todas que meu sonho de abrir uma escola de bebida está morto, já que não tenho capacidade para ensinar bêbados — ela disse e eu sorri. Ela estava de pé naquele momento, mal apoiando a bunda no banco do bar. Ela meio que me dominava com sua altura enquanto instruía.
— Bem, eu odiaria fazer isso! — eu balbuciei. — Ok, tequila, limão, sal. — Eu disse. Não me lembro se isso era uma piada ou se eu realmente não lembrava.
— Não! Sal, tequila, limão. Olha! — Riley disse. Ela rapidamente lambeu o sal do seu pulso, virou um shot de tequila e finalizou com uma chupada no limão. Seu rosto se contorceu de agonia. Por que as pessoas fazem isso? — Viu, fácil.
— Certo — eu disse. — Limão, sal e depois limão.
— Dessa vez você nem lembrou da tequila! — Riley riu e então se afastou do bar. — Ok, não beba isso na ordem errada. Só me espera. Vou dar uma corrida no banheiro feminino, vou voltar, pegar outra bebida e te mostrar como se faz. Entendeu?
— Entendi. Pegar outra bebida, ir ao banheiro, me mostrar como se faz — eu disse, propositalmente misturando a ordem dessa vez (eu juro). Riley riu e deu um tapa de brincadeira no meu braço.
— Você tem umas ideias estranhas, Ash. Você descobre o banheiro sozinha quando chegar a hora — ela disse e então se virou para andar em direção ao banheiro. Enquanto ela se afastava, meus olhos a seguiram. Notei a forma como seu cabelo caía bagunçado pelas costas, a estreiteza feminina de seus ombros, a maneira como sua silhueta descia das axilas até a cintura fina, e então se expandia novamente em uma forma de ampulheta. A curva de sua bunda nos jeans apertados e a maneira como suas pernas pareciam longas e delicadas no denim. Em suma, eu estava a observando e me vi... gostando do que via.
Acho que eu estava bêbada e normalmente não daria muita importância a esses pensamentos (imaginava que qualquer mulher poderia objetivamente respeitar a beleza da forma de outra mulher, não significava nada), mas uma ideia em particular me fez parar. Enquanto meus olhos percorriam a bunda de Riley, que se erguia alta e firme em suas calças, pensei: "ela tem uma bunda incrível, parece a da Kim quando ela estava na faculdade."
No começo, essa ideia mal se registrou. Era só um pensamento entre muitos. Mas então comecei a pensar em como era estranho eu ter decidido comparar atributos físicos da minha nova amiga com os das minhas antigas amigas. E, enquanto pensava nisso, percebi que não tinha sido a única coisa. Percebi outros pensamentos que tive durante a noite: "Ela tem uma risada melodiosa, como a Kim", e "Ela esfrega o lábio inferior com as costas do polegar, como a Kim", ou talvez o mais condenador: "Ela tem um senso de humor sujo, nada parecido com a Kim". Mesmo quando a Riley não tinha nada a ver com a Kim, eu me via usando isso como ponto de comparação. Era como se eu estivesse usando a Kim como régua para medir a Riley. E, ao pensar nisso, percebi que não era só com a Riley. Eu comparava todo mundo com a Kim. Ela era a constante universal.
Me senti extremamente estranha ao chegar a essa conclusão e coloquei os cotovelos no bar, tentando entender o que exatamente eu estava tentando agarrar. Pensar na Kim me fez lembrar por que eu estava ali, a "pegadinha". Mas agora bêbada, e não mais terrivelmente envergonhada, eu já não sentia que essa explicação para a situação fazia sentido. Estranhamente, a bebida tinha clareado um pouco minha mente, me permitido olhar para a situação com clareza. A Kim não faria algo só para me magoar. Ela não teria achado graça mesmo que tivesse acontecido por acidente. Eric e Kim não estavam armando uma pegadinha. Poxa, eles deixaram dinheiro na mesa para nós. Então o que estavam fazendo?
De repente, minha conversa com a Kim no começo da semana, quando ela me convenceu a ir a esse encontro, inundou minha mente. E ouvi-la na memória, sem a negação e o desconforto que senti no momento original, me permitiu ouvir coisas que eu não tinha ouvido antes.
A Kim disse: "Não posso ficar parada enquanto você escolhe ser infeliz" e "Acho que você sempre namora... o tipo errado de pessoa... e é infeliz, que você acha que a ausência de infelicidade é felicidade". Ela perguntou: "Ash, com que frequência a gente se vê? Com que frequência a gente se fala?" Talvez o mais importante, ela disse: "Você está tentando agarrar algo aqui, comigo, que minha família e eu simplesmente não podemos te dar... Você precisa... você precisa de mais do que eu posso te dar como sua melhor amiga". E resumiu tudo dizendo: "Acho que você quer algo que nem sabe que quer e não consegue entender".
Me levantei rápido do banco do bar, quase perdendo o equilíbrio. O barman olhou para mim com curiosidade, talvez se perguntando se eu estava bem. Mas a injeção de adrenalina que senti agora tinha feito maravilhas para mitigar minha bebedeira. Não consigo descrever completa ou totalmente o que senti naquele momento, as emoções eram caóticas demais. Só posso dizer que senti uma intensa vergonha existencial que tinha ramificações de medo, autoaversão, confusão, vergonha e surpresa.
Me senti como uma espécie de animal selvagem, pego fingindo ser um ser humano. Sei que isso não faz sentido, mas essa era a totalidade da minha emoção. E, como um animal, rapidamente entrei em modo de luta ou fuga. E a única coisa no mundo que eu queria era estar longe daquele lugar. Voltar para casa, fechar a porta e morrer. Isso não é drama juvenil. Naquele momento, o peso da minha vida era insuportável e, embora eu não quisesse que minha existência cessasse, parecia que seria mais fácil se isso acontecesse.
"Estou na conta da Kim e do Eric", gritei, com a voz embargada, para o barman. Ele se virou para mim, confuso. Estava falando com outra pessoa. Eu não me importava. Senti lágrimas nos olhos, lágrimas que não conseguia explicar adequadamente, e me virei e corri em direção à porta. Ainda um pouco bêbada, esbarrei em cadeiras enquanto me movia rápido. Cheguei à mesa onde Riley e eu tínhamos comido, peguei minha bolsa e então rapidamente me dirigi para a porta e saí para a rua.
Estava frio lá fora e eu podia ver minha respiração saindo em vapor pela boca enquanto cambaleava no ar escuro da noite. Não estava tão frio quando cheguei, mas o início do outono estava se transformando em final de outono; sem o sol, esfriava. Não sabia que horas eram, mas respirei fundo e me equilibrei. Então me orientei em direção ao meu condomínio e comecei a andar.
Não tinha ido muito longe quando ouvi alguém chamando meu nome. Por uma fração de segundo, sei que é loucura, mas pensei que fosse a Kim. Mas então ouvi de novo: "Ei, Ash? Ash? Você está bem?" dizia, e agora reconheci a voz de Riley. Percebi que a tinha abandonado no bar. Me virei rápido e ela estava parada a uns vinte metros atrás de mim, na porta do restaurante.
"Eu..." comecei, mas não consegui terminar. Nem tinha ideia do que ia dizer. A vontade de fugir me tomou de novo e comecei a me virar para ir embora.
"Ash? Que diabos? Foi algo que eu disse? Ei, espera aí!" ouvi Riley dizer. Continuei andando. Imaginei que ela voltaria para dentro e encontraria outra pessoa para conversar. Eu não podia ser companhia agora. Talvez ela conhecesse um homem lá dentro e pelo menos seria uma história feliz para ela. Talvez esse encontro fosse uma história estranha que ela contaria aos filhos um dia sobre como conheceu o pai deles e eu seria um detalhe curioso jogado ali.
"Ash, para, por que você está fugindo? Eu não estava tentando te ofender, beba a porra da sua tequila do jeito que quiser!" Riley disse, e agora a ouvi logo atrás de mim. Riley tinha corrido atrás de mim. Parei de andar, suspirei e deixei a cabeça cair. Eu teria que realmente dizer a ela para ir embora. Me virei para Riley e ela estava parada a cerca de um metro e meio atrás de mim. A rua estava completamente vazia e agora estava muito escuro. Riley estava debaixo de um poste de luz, encostada no poste, e parecia que o resto do mundo existia como uma escuridão impenetrável ao redor da luz. Riley tinha uma expressão preocupada no rosto e mantinha os braços cruzados sobre os seios por causa do frio.
"Me... desculpa", eu disse finalmente. Andei de volta para Riley e parei quando também estava debaixo da luz, bem ao lado dela.
"Não precisa se desculpar se você me disser o que eu fiz", Riley disse, soando muito preocupada. Fico imaginando se sua atitude meio brusca, que eu gostava, afastava algumas pessoas. Talvez ela tivesse medo de afastar as pessoas e eu estivesse alimentando esse medo. Senti uma culpa intensa e balancei a cabeça.
"Não, não, você não fez nada", eu disse, "Fui eu, foi tudo eu". Não queria dizer mais nada. Ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu estava tremendo de frio e podia ver Riley tremendo também. Finalmente, ela falou.
"Ei, já ouvi o velho 'não é você, sou eu' no final de uma dúzia de encontros", Riley brincou, "mas geralmente recebo um pouco mais de explicação". Fiz uma careta quando ela chamou aquilo de encontro e suas feições se suavizaram. Riley me olhou profundamente por vários segundos: "O que foi, Ash? Vamos lá, a gente se divertiu esta noite, já somos meio que amigas, me conta por que você saiu correndo daquele lugar enquanto a gente estava rindo e se divertindo. Eu posso ouvir".
Considerei por um momento simplesmente inventar algo, alguma mentira para encobrir tudo e ir para casa. O desejo de fazer isso era tão avassalador que, por um segundo, abri a boca para explicar que estava doente. Mas olhei nos olhos de Riley. Eu podia sentir uma espécie de... não sei, empatia ou compreensão emanando dela. Podia sentir que ela estava se abrindo para mim. E ela tinha razão, a gente tinha se divertido naquela noite, mas mais do que isso, eu tinha sentido uma conexão com ela que não conseguia entender de verdade. Ela merecia saber a verdade, ela estava no mesmo barco que eu. Mais importante, eu queria contar a verdade. Tirar essa revelação do meu cérebro e jogá-la no mundo.
"Eu..." comecei e minha voz soou sufocada, mas Riley assentiu e me olhou com curiosidade, "Eu percebi esta noite que tenho... atração sexual pela minha melhor amiga Kim. Acho que estou apaixonada por ela", finalmente consegui dizer. Riley recuou como se tivesse levado um soco.
O efeito em mim foi ainda maior. Desde que tive aquela espécie de despertar de conhecimento no bar, eu tinha evitado realmente, explicitamente, pensar sobre o que era aquilo que eu estava pensando. Eu tinha meio que murado isso, uma última defesa desesperada da minha negação. Mas dizer as palavras em voz alta tornou tudo inegável. Eu desejava minha melhor amiga, queria amá-la e fazer amor com ela.
Pensar isso fez uma dúzia de imagens dispersas passarem rapidamente pelo meu cérebro, coisas que a Kim claramente tinha notado mesmo quando eu não notei. Me lembrei de assistir a um filme com a Kim na faculdade e me aconchegar extremamente perto dela, realmente colocando a cabeça no ombro dela. Me lembrei de ir à praia com ela um ano e, de forma conspícua, tirar areia da bunda dela. Me lembrei de dirigir para um show com ela uma vez quando o Eric estava doente e não pôde ir, e realmente dizer que queria que fosse sempre só nós duas. Talvez o mais condenador, me lembrei dela me buscar no aeroporto uma vez depois de uma longa viagem de negócios; nos abraçamos e eu a segurei por tempo demais. Fui beijá-la na bochecha, mas me inclinei demais e beijei o canto da minha boca. Rimos e deixamos para lá, mas não tinha sido totalmente um acidente.
Agora, esses eram apenas um punhado de momentos em um relacionamento que se estendia por uma década e meia. Cada evento era um pedacinho minúsculo da minha vida que, por si só, era praticamente insignificante. Eu nem tinha percebido que havia um padrão. Mas, agora, pensando nesses eventos cumulativamente pela primeira vez, de repente me senti patética, transparente e estúpida. Obviamente, a Kim tinha visto esses eventos isolados e discernido o que eu não conseguia. Ela sabia que eu a amava de uma forma muito diferente da forma como ela me amava. E então ela... tentou me fazer entender. Estranhamente, isso me fez sentir intensamente envergonhada, mas também me fez amar ainda mais a Kim. Não envergonhada ou enojada de mim, ela só tentou me ajudar. Essa era a Kim que eu conhecia, não a brincalhona. Mas eu ainda era patética.
Riley ainda estava olhando para mim, os olhos arregalados e a boca ligeiramente entreaberta. Ela ainda estava tremendo, mas seu foco estava totalmente em mim agora. Percebi que lhe devia um pouco mais.
"Sinto muito mesmo. Não estava tentando te deixar assim... quero dizer, estava, mas não era sobre você. Acho que minha amiga percebeu que eu tinha sentimentos por ela e então armou esse encontro para mim com você. Não acho que foi uma piada, acho que ela estava tentando me ajudar. Mas quando percebi, só precisava ir embora. Não queria te deixar desconfortável. Nem sei por que escolheram você, talvez tenham pensado que, por você ser jovem e parecer rebelde... não sei. Mas eu só estava tentando sair antes que ficasse estranho". Despejei tudo, tentando ser verdadeira, mas dizendo o mínimo possível sobre mim mesma. Notei os olhos de Riley baixarem e imaginei que ela tivesse entendido. Ela estava balançando a cabeça. Me senti suja e envergonhada. Esperava que isso significasse que agora eu poderia ir embora.
"Tudo faz sentido", Riley sussurrou, e eu fiz uma careta. Ela tinha conseguido perceber que eu também sentia atração por mulheres? Será que eu era a única que não sabia? "A festa de Natal", ela disse.
"O quê?" perguntei. Riley ergueu os olhos para mim. Vi algo familiar em seus olhos, confusão ou algo diferente. Ela respirava fundo e engolia em seco. O que estava acontecendo?
"No inverno passado, na festa de Natal do escritório", Riley disse e então fez uma pausa por um minuto, sem deixar seus olhos encontrarem os meus, "Fiquei muito bêbada. Sempre fico bêbada em situações sociais. Sempre ajo da mesma forma, bêbada ou sóbria, mas pelo menos quando estou bêbada não sinto vergonha disso. Enfim, entrei numa discussão aos gritos com uma secretária de outro departamento e o Eric me agarrou e me puxou para o escritório dele. Todo mundo riu da situação.
"Quando voltamos para dentro, o Eric me acalmou, me fez perceber que eu ia acabar sendo demitida. Fiquei muito puta com ele no começo, mas ele foi muito querido com tudo. Então comecei a conversar com ele sobre como eu costumava me meter em brigas o tempo todo quando bebia na faculdade, e isso me fez relembrar a faculdade. Sabe como é quando você está bêbada, e só quer falar sobre coisas. E o Eric estava super disposto a ouvir e tudo mais. Então eu disse a ele que, quando eu estava na escola, a Heather me mantinha longe de problemas, assim como ele estava fazendo então.
"Isso me fez começar a falar sobre a Heather, coisas gerais, histórias e tudo mais. E devo ter contado a ele (não me lembro 100% se contei, mas devo ter contado) sobre algo que aconteceu no meu último ano. Heather e eu saímos para beber e eu comecei uma discussão aos gritos com uma garota. Por causa disso, não voltamos para o campus até tarde. Heather estava apenas no segundo ano, então ainda tinha uma colega de quarto. Ela não queria acordar a colega de quarto, então eu a convidei para ficar no meu quarto. Voltamos para o quarto e eu desmaiei de bêbada na cama.
"Então acordei na manhã seguinte de ressaca com a Heather na minha cama. Mas ela não estava apenas na minha cama. Quando acordei, a Heather já estava acordada. Ela estava deitada do meu lado esquerdo, de bruços, e o braço esquerdo dela estava sobre mim; ela estava realmente segurando meu seio. E estava beijando meu pescoço. Então me sentei muito rápido.
"'O que você está fazendo?' perguntei, ou algo assim. Ela pareceu meio confusa.
"'A gente voltou ontem à noite e conversou sobre se pegar. Você disse que queria. Foi você quem sugeriu. Aí você desmaiou. Achei que a gente podia tentar de novo hoje.'
"E eu fiquei chocada. Quer dizer, não tinha nenhuma lembrança disso. Mas sabia que ela estava dizendo a verdade. Sabia que eu tinha... sentimentos pela Heather. Eles estavam sempre logo abaixo da superfície. Éramos tão próximas". Por um momento, Riley parou de falar e apenas olhou para a calçada sob seus pés. Ouvi um leve tremor em sua voz. Mas ela continuou.
"E aparentemente eu finalmente tinha dito algo para agir de acordo com isso quando estava bêbada. E a Heather não só tinha topado na hora. Ela ainda estava disposta na manhã seguinte. Quer dizer, era a resposta para o meu desejo não declarado! Eu não podia acreditar na minha sorte. Como a Heather podia sentir o mesmo?
"E ela disse... E eu nunca vou esquecer o que ela disse, porque ela disse: 'vamos, raio de sol, eu não mordo a menos que você peça'. Ela meio que riu, mas eu senti meu sangue gelar. Minha mãe... ela sempre me chamava de 'raio de sol'. Era um apelido irônico que ela me deu porque eu era uma criança tão tempestuosa. E de repente me perguntei o que minha mãe pensaria se me visse assim. Se eu fosse adiante. Eu podia me rebelar contra meus pais indo para a faculdade ou me vestindo de forma engraçada e xingando. Ou até bebendo. Mas sexo lésbico... pureza sexual era tipo A crença principal da igreja dos meus pais. Eu tinha pedido à Heather para cometer uma abominação comigo. E ela faria. E, eu achava que não acreditava naquilo. Mas toda a minha família acreditava. E mesmo que eu rejeitasse tudo o que meus pais defendiam, minha mãe ainda era meu modelo de feminilidade. Eu ainda queria... desesperadamente queria ser uma mulher como ela. Sabia que não era, mas não podia desistir do ideal de ser como ela. Mesmo naquela época acho que sabia que não podia ser a mulher que minha mãe é, mas não estava pronta para aceitar.
— Então eu disse para a Heather que era uma piada ou algo assim. Falei que eu não queria mesmo aquilo. Tentei ser gentil; não zombei dela nem nada. Só disse que foi um mal-entendido. Ela sabia que era mentira. E pior, ela tinha se exposto livremente para mim. Ela teve a mesma criação que eu. E ela estava disposta a me amar porque eu pedi, e eu não consegui seguir em frente. Ela deve ter se sentido tão... abandonada. Nunca mais fomos as mesmas depois disso. Não falo com ela desde que me formei. Acho que ela largou os estudos. — Lágrimas rolavam pelo rosto de Riley enquanto ela relembrava essa memória. Eu senti pena dela, embora não tivesse nenhuma experiência para comparar. Queria mostrar a ela que eu entendia; estendi a mão e segurei o cotovelo dela. Aconcheguei-o suavemente e esfreguei o braço dela com o polegar, tentando demonstrar algum afeto.
— Devo ter comentado algo com o Eric, e quando a esposa dele falou algo sobre você... eles simplesmente decidiram — disse Riley. E a última peça do quebra-cabeça agora fazia sentido.
— Sinto muito se isso dói, eu não queria que você tivesse que lidar com nada disso, só quero ir embora, sinto muito — eu disse. Riley suspirou e balançou a cabeça.
— Eu convivo com isso todos os dias. Parte de mim sempre soube quem eu era. Talvez por isso eu tenha reagido tão... nem sei, instantaneamente a esse encontro. Tipo, por que eu pulei para a raiva e a defensiva tão rápido. Lutando contra quem eu sou, sabe? — Pensei nas palavras de Riley por um momento. Eu entendia quem ela era e por que se comportava daquela maneira. Fazia sentido, mesmo que fosse terrivelmente triste. Mas eu me sentia menos certa de mim mesma. De onde vinha o meu bloqueio?
— Acho que foi diferente para mim — eu disse. — Não estava logo abaixo da superfície nem nada. Estava tão profundamente enterrado que eu mesma nem percebia. A Kim quase chegou e disse na cara, e eu ainda não percebi. Eu simplesmente... não conseguia perceber. — Eu tentava explicar tanto para mim quanto para Riley.
Eu não podia alegar ter algum medo de atração pelo mesmo sexo com raízes religiosas que remontasse à infância. Minha família não era de frequentar igreja. Não tive uma mãe conservadora e controladora que tentava manter rédea curta na conformidade sexual. Minha mãe era quase uma hippie e, embora raramente falássemos sobre sexo, eu sabia que ela não se importaria, contanto que eu fosse feliz. Meu pai não era muito diferente. A única explicação que eu conseguia encontrar era que, desde os meus primeiros dias, meu objetivo absoluto na vida sempre tinha sido fazer tudo do jeito "certo". E fazer as coisas do jeito certo significava seguir o caminho mais convencional para uma vida feliz e bem-sucedida. As pessoas deveriam se esforçar na escola primária, entrar em clubes e esportes, se candidatar a faculdades impressionantes, ir para uma universidade muito impressionante, conseguir um emprego impressionante e depois trabalhar como loucas. Eu fiz todas essas coisas.
E uma coisa que as mulheres deveriam fazer era encontrar um homem que amassem e se casar com ele. E então eu nunca questionei que era isso que eu deveria fazer. E quando não deu certo, considerei um fracasso da minha parte. Eu estava fazendo algo errado. Só que... nunca me ocorreu que eu tinha estabelecido um objetivo inalcançável. Eu não conseguia me apaixonar por um homem e me casar com ele, mas porque meu coração (e meu corpo) não queria aquilo. Eu precisava de algo diferente. Esperava que Riley pudesse entender.
— Era algo que simplesmente não era para ser 'Eu', então eu não pensava nisso. Tipo, eu realmente reprimi. Não estava apenas esperando uma chance para sair. Era como se não existisse. Como se eu realmente não tivesse sexualidade. Nem tive o primeiro vislumbre de consciência disso até esta noite.
— O que fez você perceber isso esta noite? — Riley perguntou, as sobrancelhas franzidas. Eu olhei para ela, essa mulher com quem passei a noite. Ela era engraçada, rápida, ultrajante e corajosa (embora talvez não tão corajosa quanto eu tinha acreditado inicialmente; ela também era vulnerável, o que era atraente). E eu estava aprendendo que ela era doce, perspicaz e atenciosa. Olhei para a curva suave da bochecha dela, o brilho dos seus olhos azuis, os longos e delicados cílios acima deles. Vi a espessura cheia e rosada dos seus lábios (tremendo um pouco no frio). Descobri que meu corpo parecia estar vibrando, meus membros ficaram fracos, e meu coração estava simultaneamente na garganta e no fundo do estômago, batendo forte. Senti uma sensação elétrica por todo o corpo, algo que nunca havia sentido antes. Uma antecipação por algo, qualquer coisa. Meus pensamentos interiores eram um réquiem tumultuado e semiformado para uma barreira que estava prestes a se romper.
— É que... — comecei a explicar, mas descobri que as palavras me falhavam. A última represa havia se rompido. Eu tinha derrubado todas as defesas de uma vida inteira e, de repente, não tinha mais nada para me segurar. Trinta e quatro anos de desejo eram demais para conter. E agora havia essa pessoa na minha frente, finalmente, me lembrando de onde esse desejo vinha e para onde era direcionado. Fechei os olhos, virei o pescoço levemente para o lado e me inclinei para a frente. Meu corpo agora fazia o trabalho que meu cérebro não conseguia compreender, impelindo meu ser em direção ao esquecimento ou a um novo eu. E ambos.
Senti meus lábios pressionarem suavemente contra os de Riley. Seus lábios estavam ligeiramente frios e eram macios como almofadas. Estavam um pouco úmidos e carnudos, e meus dois lábios envolveram cuidadosamente o lábio inferior dela em um encaixe fácil. A sensação externa dos meus lábios pressionados contra os dela era absolutamente adorável. Mas não era totalmente estranha. Era um beijo doce, quase casto. Mas internamente, o poder físico do beijo era avassalador, além até dos intensos efeitos emocionais.
Eu já tinha ouvido as pessoas falarem sobre como um beijo, especialmente o primeiro beijo, era sentido. Eu já havia sentido beijos "bons", mas sempre achei que descrições mais exageradas eram apenas bobagem romântica e fantasiosa. Se tanto, eu havia subestimado o poder. Dentro do meu peito, meu coração palpitava levemente, fazendo o sangue correr rápido pelo meu corpo. Ao longo das minhas artérias e de todos os meus nervos, impulsos elétricos pareciam disparar. Cada ponto do meu corpo parecia pulsar com energia crua, e o todo parecia algo mais. Apesar dessa carga, meu corpo estava solto, relaxado como nunca antes. Na verdade, senti como se meu corpo tivesse derretido no beijo de Riley. Eu carecia de qualquer forma, exceto pela maneira como meus lábios se moldavam aos dela.
Quando seus lábios responderam ao meu beijo, correspondendo ao meu encaixe, senti meus joelhos fraquejarem e minha cabeça ficar nebulosa. O resto do mundo meio que desapareceu. Tudo o que não estava contido sob a luz em forma de saia acima de nossas cabeças era uma abstração, uma ideia. A única coisa no mundo inteiro éramos nós, tremendo levemente no frio. Nossos lábios estavam pressionados um contra o outro, e eu podia sentir o cheiro de vinho misturado com perfume. Minha mão ainda repousava gentilmente no cotovelo de Riley, e nós nos inclinávamos uma em direção à outra, mas nossos corpos não se tocavam. Foi... perfeito, e ficamos assim por um longo tempo.
Finalmente, nosso beijo se desfez, e eu abri os olhos enquanto me afastava ligeiramente. Os olhos de Riley ainda estavam fechados, e ela parecia angelical, inocente. Por fim, seus grandes olhos azuis se abriram lentamente, mas seu corpo permaneceu relativamente mole e relaxado.
— Uau — ela disse após uma longa pausa. Não consegui decifrar seu tom. Não sabia se ela estava ofendida ou confusa ou o quê. Mais importante, eu não sabia como me sentia. A súbita percepção do que eu acabara de fazer desabou sobre mim. Eu tinha beijado uma mulher. Eu tinha beijado uma mulher de surpresa. Eu tinha beijado uma mulher de surpresa e mal a conhecia. Meu cérebro foi inundado pelo influxo de informações aterrorizantes.
— Sinto muito — eu disse, sentindo meu coração acelerar. Riley instantaneamente começou a balançar a cabeça.
— Foi incrível — ela disse, sorrindo. Então ela levantou a mão direita e a deslizou em volta da minha nuca. Senti seus dedos escorregarem pelo meu cabelo, e sua palma pareceu quente contra minha pele. Logo, as pontas dos seus dedos se espalharam pela minha espinha, e ela me puxou em sua direção. O medo que eu tinha sentido, o quase pânico que me tomou, se dissipou ainda mais rápido do que havia surgido. Agora eu sentia apenas excitação. E desejo.
Enquanto eu permitia que a mão de Riley puxasse minha cabeça, olhei para seu rosto bonito. Ela fechou os olhos e entreabriu os lábios. Fechei os olhos e fiz o mesmo. Em um instante, nossos lábios estavam juntos novamente. Desta vez, não havia confusão ou surpresa. Nós duas sabíamos que queríamos aquele beijo. Que queríamos mais do que aquele beijo. Senti os lábios de Riley se separarem e sua língua deslizar levemente entre eles. Senti-a passar rapidamente pelos meus lábios. Deixei minha própria língua sair da boca, perseguindo e tentando pegar a dela. Ela era muito rápida, mas ainda assim permiti que minha língua lambesse o lábio inferior de Riley. Ouvi-a dar uma risadinha.
Enquanto nossos lábios se moviam um contra o outro e nossas línguas testavam o pequeno abismo que ainda restava entre nós, nossos corpos não podiam mais suportar a distância. Minha mão esquerda subiu do meu lado e encontrou o quadril dela. Meu braço serpenteou pela parte inferior das costas dela. Eu podia sentir sua pele fria através da blusa fina, a maneira como seus músculos e carne se sentiam contra os meus. Minha mão envolveu totalmente suas costas, agarrando seu quadril do outro lado e afundando levemente em sua carne. Isso nos puxou para perto, e senti meus quadris pressionarem contra os de Riley. Nossos quadris e pernas estavam colados, mas nossas costas estavam levemente arqueadas, criando uma cavidade entre nossos seios.
Enquanto sua mão direita ainda estava na minha nuca, sua mão esquerda se soltou do meu aperto em seu cotovelo. Ela deslizou o braço entre meu corpo e meu braço, roçando meu seio e enviando um arrepio pelo meu corpo. Agora ela enganchou o braço por baixo da minha axila e meio que agarrou meu ombro pelas costas. Então me puxou com força. Senti nossos seios e depois nossos estômagos se pressionarem. Meu braço se apertou em volta da cintura de Riley, enquanto ela praticamente me abraçava pelo pescoço e ombro, me puxando para perto.
O tempo todo nos beijávamos, nossas línguas flertando com os lábios uma da outra. Mas, à medida que nossos corpos se apertavam mais e mais, nossas inibições se afrouxaram. Eu sei que ambas sentíamos o mesmo desejo uma pela outra. Eu podia sentir o corpo dela tremendo contra o meu, da mesma forma que o meu tremia contra o dela, e não era apenas o frio. Senti a maneira como meus seios pressionavam os dela, uma estranha pressão sexual que eu nunca tinha experimentado antes. Como resultado, nossas línguas ficaram mais ousadas.
Após alguns instantes, senti a boca de Riley se abrir mais. Eu queria desesperadamente sentir o interior da boca dela, saber qual era o seu sabor. Abri minha boca ao mesmo tempo. Aparentemente, Riley teve a mesma ideia, porque nossas línguas jorraram de nossas bocas. Senti o calor úmido de sua língua enquanto pressionava contra a minha. Parecia áspera, mas incrivelmente macia. Ela tinha gosto superficial de vinho e tequila (e isso não era ruim, honestamente), mas por baixo havia algo mais, algo primal e necessário.
Senti a língua de Riley entrar na minha boca e deslizar pelos meus dentes. Sua língua explorou minha boca de forma espessa e lânguida. Então eu empurrei para dentro da boca dela, deixando minha língua sondar seus dentes lisos, gengivas mornas e língua generosa. Logo, nossos lábios formaram um selo quase perfeito, nossas línguas compartilhando uma única boca grande, movendo-se livremente juntas e uma contra a outra.
Não sei por quanto tempo nos beijamos daquele jeito; nossos corpos pressionados firmemente, nossas bocas fundidas como uma só. Pareceu uma eternidade e tempo nenhum. Era como se tivéssemos ativado todas as minhas percepções sensoriais a um grau nunca antes experimentado. Meus olhos estavam firmemente fechados, mas eu sentia como se pudesse ver as feições delicadas de Riley. Eu podia sentir o cheiro do perfume de Riley, mas também podia sentir algo mais profundo borbulhando por baixo. Eu saboreava sua boca, tentando engolir sua essência para que se tornasse parte de mim. Não ouvia nada além do som suave e úmido do nosso beijo. E eu podia sentir seu corpo, real e bonito contra o meu. E algum outro sentido, um sentido da minha sexualidade e desejo, pareceu explícito para mim pela primeira vez na vida. Eu sabia o que queria e precisava.
Finalmente, depois de muito tempo, nosso beijo se desfez. Fiquei entrelaçada nos braços de Riley enquanto nossos olhos se abriam. Nós nos encaramos por um momento, sorrindo como um par de adolescentes bobas e apaixonadas. Então rimos juntas. Nossos apertos se afrouxaram quando percebemos que não íamos nos perder, mas permanecemos próximas.
— Nunca tive um beijo assim — eu disse.
— Nem eu — Riley respondeu; parecia estranho falar. Como se tivéssemos nos tornado algo diferente do que éramos momentos antes. Mas o que faríamos agora? Eu sabia o que meu corpo queria. Mas o que Riley queria? Decidi ser direta.
— Você quer... ir lá para casa? — perguntei nervosamente. Parte de mim sabia que ela diria sim, mas eu ainda não estava confortável com tudo aquilo. Sem falar que nada daquilo parecia real. Riley murmurou suavemente e descansou a cabeça no meu ombro.
— Eu só tive esse tipo de oportunidade uma vez antes e estraguei tudo — ela disse. — Não quero estragar de novo. Meu apartamento fica a apenas dois quarteirões daqui. — Ela ergueu a cabeça novamente e olhou para mim. Tinha um sorriso brincalhão no rosto, e eu devo ter retribuído. Num instante, as mãos de Riley deslizaram do meu corpo. Ela rapidamente agarrou minha mão e começou a correr. Eu nem pensei, apenas a segui.
Corremos desenfreadas pela rua, sem prestar atenção em mais nada no universo. Eu podia ouvir Riley rindo enquanto corria e observava a forma requintada do seu corpo em movimento. Eu ria junto com ela, aproveitando o passeio. Corremos de volta para o restaurante onde nos conhecemos. E então atravessamos uma rua lateral. Riley ganhou velocidade agora, correndo mais rápido, e minhas pernas de workaholic nove anos mais velhas lutavam para acompanhar. Corremos por outro cruzamento e ouvi uma buzina de carro estridente para nós, mas não vi o carro.
Em poucos instantes, corremos até um prédio de tijolos cor de areia. Riley escancarou a porta e entramos correndo. Havia um saguão relativamente grande com quatro elevadores, dois de cada lado. Riley correu para o meio da sala e apertou o botão, me puxando pelo chão, ofegante e rindo, enquanto eu cambaleava desajeitadamente. O elevador não chegou imediatamente, então ela me puxou, arfando, para o fundo da sala. Ela abriu um par de portas.
— É só o segundo andar — ela disse e começou a me arrastar pelas escadas. O fato de estarmos tão perto me deu um segundo fôlego, e eu subi com força a escadaria sinuosa. Poucos segundos depois, saímos no segundo andar do prédio de apartamentos. Riley se moveu rapidamente para uma porta, presumivelmente a dela, e parou.
— Merda — ela disse.
— O quê?
— Deixei minha bolsa e as chaves no restaurante — ela explicou. Senti uma sensação de esvaziamento. Tudo ia desmoronar. O que eu estava fazendo? — Dane-se — ela disse e se ajoelhou. Eu me perguntei se ela esperava que eu fizesse amor com ela ali mesmo (e eu estava tentada). Mas ela levantou o tapete de boas-vindas e pegou uma chave. Rapidamente se levantou, enfiou-a na fechadura e abriu a porta.
Ela acendeu as luzes enquanto eu entrava cambaleante no quarto. Era um pequeno apartamento estúdio com móveis baratos, mas uma grande janela que dava para a rua apenas quatro metros e meio abaixo. Riley tinha um grande sofá que ficava ao longo da parede, a poucos metros da porta da frente. Era uma cama conversível e claramente o lugar onde ela dormia. Estava aberto e os lençóis estavam um pouco bagunçados. Ela não tinha planejado trazer o encontro masculino para casa, ao que parecia. Eu não me importava se estava bagunçado. Eu queria estar naquela cama.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Riley pegou meu braço e me girou. Ela envolveu os braços em volta da minha cintura e me puxou para o corpo dela. Mais uma vez, senti nossos quadris e nossos seios se pressionarem. Fechei os olhos e senti a língua de Riley brincar pelos meus lábios. A excitação estava aumentando agora. Nós duas estávamos disparando em direção a algo, e essa percepção nos fez querer mais rápido, agora! Nosso beijo foi mais selvagem desta vez, nossas bocas se movendo caoticamente. Sem perceber que eu estava agindo, senti meus braços se moverem ao redor do corpo de Riley e meus dedos sentirem a parte inferior das costas dela, seus ombros, seu pescoço enquanto nos abraçávamos apaixonadamente. Nós duas estávamos completamente loucas de desejo agora; nossa incerteza de novatas não podia nos conter. Nossos corpos haviam assumido o controle e continuaríamos agindo até alcançarmos algo que nos trouxesse paz.
Ao sair do frio e entrar no apartamento apertado e superaquecido de Riley, senti calor instantaneamente. Claro, meu contato com Riley também deve ter contribuído. Empurrei-me ligeiramente para trás e tirei rapidamente um braço do casaco. Depois, arremessei a peça toda de uma vez e me virei para continuar beijando Riley. Mas ela foi rápida. Enquanto meus braços estavam estendidos, a mão dela voou para o meu corpo. Seus dedos encontraram meus botões e os abriam com rapidez. Soltei um gemido baixo e a deixei continuar. Ela desabotoou minha camisa para fora da calça e a jogou por cima dos meus ombros. Deixei a blusa deslizar pelos meus braços. Agora eu estava exposta, exceto pelo meu sutiã preto de meia-taça.
Riley olhou para o meu corpo, a curva dos meus quadris, o volume dos meus seios, a covinha do meu umbigo, tudo agora totalmente à mostra. Eu podia ver o desejo nos olhos dela e me senti incrivelmente sexy naquele momento, algo que não me lembrava de ter sentido antes. Mas Riley precisava ver mais. Ela se inclinou e deslizou os dedos por dentro do bojo esquerdo do meu sutiã. Soltei um suspiro quando senti seus dedos quentes e unhas frias pressionarem minha pele. Então Riley puxou rapidamente para baixo, fazendo meu seio saltar para fora do bojo e ficar exposto ao ar do apartamento dela.
Soltei um suspiro com a sensação, menos pela sensação física do que pelo impacto emocional da exposição. Uma parte do meu corpo que eu raramente mostrava estava livre. Pela primeira vez na vida, meu seio não estava sendo obedientemente exposto durante um sexo obrigatório com um homem por quem eu não sentia nada. Eu estava desesperada para que Riley visse todo o meu corpo. Era... bom. Olhei brevemente para o meu seio. Vi a curva suave do topo (empurrado para cima pela mão quente de Riley), vi o contorno vermelho-escuro da minha auréola, do tamanho de uma moeda de vinte e cinco centavos, e vi meu mamilo, um nódulo duro de cerca de um centímetro e meio que doía de um jeito que eu nunca tinha sentido.
Não tive muito tempo para olhar. Em um segundo, Riley se curvou pela cintura, com a boca aberta. Em uma fração de segundo, meu mamilo não estava mais exposto, estava envolto pela boca dela. Soltei um grunhido (admito) e minhas pernas tremeram um pouco. Não consegui manter o equilíbrio e me apoiei na porta da frente. Riley não pareceu notar. Ouvi um gemido suave sair da garganta dela enquanto continuava a beijar meu mamilo. Sua língua quente e úmida movia-se pesadamente sobre a pele tensa do meu mamilo, lambendo e brincando com ele suavemente.
"Ai, Jesus!" gemi e fechei os olhos. A sensação era intensa demais para suportar. O rosto de Riley afundou na carne macia do meu seio e suas atenções ao meu mamilo eram intensamente apaixonadas. Parecia que todos os nervos do meu corpo passavam por aquele mamilo e cada movimento minúsculo da língua dela puxava cordas nos meus joelhos e ombros, me fazendo desfalecer.
Riley começou a sugar suavemente meu mamilo e eu abri os olhos. Olhei para baixo, através do meu peito. Eu podia ver os olhos grandes e lindos de Riley me olhando dali. Suas íris, geralmente muito brilhantes, reluziam com um tipo de brilho que eu não achava possível. Ver aquelas grandes luzes azuis brilhando para mim aumentou o ardor do momento. Eu precisava de algo mais.
Enquanto a boca de Riley ainda estava firmemente enrolada no meu mamilo, eu me empurrei ligeiramente da porta. Alcancei minhas costas e desenganchei desajeitadamente meu sutiã. Deixei o sutiã deslizar pelos meus braços e ele caiu entre Riley e eu. Meu outro seio agora exposto, a mão de Riley subiu rapidamente, encontrando seu mamilo endurecido. Sua mão massageou suavemente meu seio, apertando a carne, mas não a ponto de causar dor. Ela deixou meu mamilo rolar entre seu polegar e indicador, dando-lhe pequenos puxões e fricções.
"Porra, Riley, isso é tão bom!" gemi e a vi sorrir ao redor do meu seio. De alguma forma, Riley tinha conseguido aumentar o nível de sensação que eu estava sentindo, tinha subido além do ponto que eu achava possível compreender. Sua boca e seus dedos se moviam com um conhecimento e habilidade que eu nunca tinha experimentado antes com um amante. Como se ela soubesse exatamente como meu corpo funcionava.
Enquanto brincava com meus seios, Riley moveu sua mão livre para baixo entre nossos corpos. Senti a mão de Riley contra a fivela do meu cinto. Movi meus quadris ligeiramente para trás, dando-lhe o acesso que precisava. Eu a senti tirar o cinto das presilhas e abri-lo. Senti seus dedos tatearem meus botões. Finalmente, ela desabotoou minha calça e até abaixou o zíper.
Foi nesse momento que percebi que, em poucos segundos, eu estaria completamente nua e Riley ainda estaria totalmente vestida. Eu queria desesperadamente ver o corpo dela. Só de pensar nisso, meu estômago revirou. Olhei para Riley, que agora estava de olhos fechados, concentrada em todas as suas tarefas (e ainda fazendo um trabalho incrível). Notei que seus pés estavam meio para frente, sua bunda para trás. Ela estava um pouco desequilibrada. Tive uma ideia divertida.
Em um movimento rápido, levei minhas mãos para o pescoço de Riley, agarrei a gola e a puxei bem aberta sobre sua camiseta, e lhe dei um empurrão suave com meus pulsos. Riley cambaleou e começou a cair para trás. Meu mamilo soltou-se da boca dela, "Uau!" ela disse quando perdeu totalmente o equilíbrio. Enquanto caía, segurei firme em sua camisa. Ela passou pela cabeça dela e, um momento depois, Riley caiu de costas no sofá-cama, rindo, vestindo apenas um sutiã rosa acima da cintura.
"Você se acha muito esperta," ela disse rindo e eu sorri de volta. Joguei sua camiseta para ela, que a pegou e jogou no chão. "Vem aqui," ela disse, enganchando o dedo indicador para mim. Eu queria ir atrás dela naquele momento. Ela estava tão incrível. Seu corpo, o que eu podia ver dele, era tão adorável quanto eu tinha imaginado. Ela era suave e delicada, com curvas primorosas. Seus seios pequenos estavam bem empinados em seu peito enquanto ela se sentava na cama.
"Eu mostrei os meus, mostra os seus," exigi, apontando para meus seios. Seus olhos seguiram meu dedo e eu a vi dar um sorriso sonhador quando me olhou.
"Acho que meus seios não se comparam aos seus, mesmo se eu tirar o sutiã," ela disse e lambeu os lábios.
"Eu vou julgar," respondi. Riley parecia querer fazer isso e, sem mais comentários, ela levou as mãos às costas e desenganchou o sutiã. Em um instante, ela o deslizou pelo corpo pequeno e jogou no chão.
"Tão linda," eu disse sem pensar, no instante em que ela o tirou. Seus seios pequenos ainda estavam bem empinados no peito, como se ela não tivesse tirado o sutiã (ah, a juventude!) e tinham a forma perfeita de gota que todo mundo quer. Seus mamilos eram pequenos e extremamente rosados, destacando-se lindamente em sua pele branca e cremosa. Pareciam que teriam um gosto delicioso quando colocados na minha boca.
"Você acha?" Riley perguntou, soando realmente um pouco reticente.
"Você é a mulher mais bonita que eu já vi," eu disse e, naquele momento, eu falava absolutamente sério. Nunca havia sentido desejo de possuir algo como sentia pelo corpo de Riley. Riley sorriu abertamente.
"Então vem dar uma olhada mais de perto!" ela implorou. Eu já não estava me segurando mais. Dei dois passos em direção à cama e pulei em cima dela. Riley riu enquanto nos sacudíamos na cama. Logo ela estava meio sentada com as costas na cabeceira (e com isso, quero dizer o encosto do sofá) e eu estava perto de seus pés. Em um movimento rápido, joguei minha perna direita sobre os quadris de Riley e agarrei seus pulsos. Agora eu estava montada sobre sua cintura e Riley caiu para trás na cama. Adorei a forma como seus seios se espalharam pelo peito quando ela se deitou. Ela estava me olhando agora, mordendo o lábio inferior. Empurrei seus pulsos para trás, de modo que ficassem na cama, um de cada lado de sua cabeça.
"Não acredito que isso está acontecendo," eu disse, subitamente impressionada com a improbabilidade dos eventos do dia.
"Não deixe escapar," Riley suplicou e me pareceu um bom conselho. Inclinei-me para frente e meu cabelo cobriu o rosto de Riley. Senti meus seios grandes pendendo sobre o corpo dela e me inclinei mais. Movi meus quadris um pouco para trás, de modo que eu estava montada sobre os joelhos de Riley e meu corpo ficou mais baixo. Senti meus mamilos roçarem a pele de Riley.
"Porra!" Riley gemeu. Senti um calafrio e não soube se era da pele de Riley ou de suas palavras. Deixei meu corpo cair ainda mais e meus seios pressionaram os de Riley. Nossos seios estavam completamente juntos agora. Não consigo descrever quão estranha (e maravilhosa) foi a sensação de ter sua carne contra a minha, tão macia e perfeita. Senti seus mamilos duros pressionando minha pele e isso aumentou a sensação.
Riley e eu ainda estávamos envoltas no dossel formado pelo meu cabelo. Eu podia vê-la sorrindo na luz suave. Inclinei-me e pressionei meus lábios nos dela. Esse beijo foi diferente dos outros. Não era menos apaixonado que os beijos anteriores, mas eram mais conscientes. Nossos lábios se encontraram facilmente, nossas línguas moveram-se sem pensar. Já tínhamos aprendido o que a outra pessoa queria.
Por vários minutos, Riley e eu apenas ficamos deitadas uma sobre a outra no sofá. Nossos lábios selados, nossas línguas mais uma vez explorando. Nossos seios estavam pressionados juntos, acrescentando uma pressão e uma emoção aos nossos beijos. O mais interessante era que nossos quadris estavam se movendo. Não posso dizer que estávamos tentando algo intencionalmente, mas a tensão estava transbordando. Enquanto beijava Riley, eu balançava meus quadris para frente e para trás sobre as pernas dela, meu corpo desesperado por algum tipo de alívio da tensão sexual. Infelizmente, minha posição dificultava obter qualquer satisfação, embora ocasionalmente minha boceta roçasse no joelho de Riley através de várias camadas de tecido, me fazendo gemer. Para Riley era ainda pior. Mesmo que nossos beijos a levassem cada vez mais à frustração sexual completa, sua posição só lhe permitia se contorcer na cama e gemer alto em sua boca.
Finalmente, depois de um longo tempo apenas nos beijando e sentindo nossos corpos pressionados, decidi dar a ela (e a mim) algum alívio. Enquanto ainda beijava Riley (na verdade ela estava chupando minha língua naquele momento), levantei minhas pernas e juntei meus joelhos. As pernas de Riley se abriram e eu caí de joelhos entre elas. Sentei-me ligeiramente, meus seios se erguendo dos de Riley, mas mantive nossas bocas firmemente unidas. As mãos de Riley rapidamente encontraram o caminho para meus seios, massageando minha pele e me fazendo gemer alto.
Eu lambi a língua de Riley enquanto minhas mãos voavam para sua calça jeans. Rapidamente desabotoei e abaixei o zíper. Afundei as mãos na cintura do jeans apertado (amando a sensação dos meus dedos roçando em seus quadris) e Riley sabia o que eu queria. Ela levantou sua bunda firme da cama, arqueando levemente as costas. Ela realmente levantou tanto que nosso beijo se rompeu e seu estômago pressionou meus seios. Eu me afastei um pouco e comecei a puxar o jeans de Riley para baixo. Eles eram tão incrivelmente apertados que tive que puxar com força, primeiro de um lado e depois do outro, tentando fazê-los passar pela sua bunda redonda. Riley riu e mordeu os nós dos dedos enquanto me observava lutar.
"Você podia ajudar," eu disse e ela balançou a cabeça. Sorri para sua brincadeira e me esforcei mais para tirar o jeans. Finalmente, eles desceram pela sua bunda. Eu os deslizei rapidamente pelo seu corpo. As pernas de Riley eram lindas. Eram suaves, delicadas e afilavam maravilhosamente de sua coxa cheia e feminina até seus pés pequenos. Me movi ligeiramente para o lado, dando espaço para remover suas calças e jogá-las no chão, e então levantei sua perna esquerda para beijar sua panturrilha leitosa. Riley riu e apontou o dedão do pé, chutando meu cabelo suavemente enquanto eu a beijava.
Agora Riley estava deitada de costas na cama, vestindo apenas uma calcinha rosa no estilo short. Suas pernas ainda estavam abertas e eu podia ver uma pequena mancha de rosa escuro no centro de sua calcinha. Riley estava extremamente molhada. Na verdade, eu já podia sentir seu cheiro no ar. Era surpreendente tanto quão potentes seus feromônios pareciam ser quanto o quanto eu gostava disso. Nunca antes eu tinha gostado dos cheiros do sexo (ou sons, ou sabores... etc.). Mas o aroma agudo, mas delicioso, de Riley encheu minhas narinas e me fez salivar.
Além disso, agora que ela estava quase nua, eu podia ver todo o seu corpo em seu estado natural. Ela era magra, tinha braços longos e um pouco ossudos e uma bunda surpreendentemente redonda, e seus seios eram perfeitamente proporcionais. De alguma forma, ela era mais do que a soma de suas partes. Parecia tão inocente e sexy ao mesmo tempo. Eu não conseguia acreditar no quanto a desejava.
Eu estava perto de seus pés agora, e decidi que precisava desesperadamente beijá-la de novo. Determinei-me a tentar me mover de forma sexy. Abaixei-me sobre as mãos e os joelhos, de frente para seu rosto. Lancei-lhe um olhar animalesco, quase lupino, e então comecei a rastejar em sua direção. Senti meus seios grandes balançando sob mim enquanto engatinhava em direção a Riley. Ela abriu mais as pernas e me olhou com seus olhos perfeitos. Pus as mãos de cada lado de seus quadris, rastejando mais perto.
Conforme meus mamilos começaram a se arrastar pela barriga de Riley e depois por seus seios, ela fez algo um pouco interessante. Suas pernas ainda estavam abertas, mas ela as trouxe ligeiramente para trás, puxando-as em direção ao estômago. Então, habilmente enganchou seus dedões na cintura da minha calça social, perto dos meus quadris. Quase não notei no começo, apenas sentindo uma leve pressão nos quadris. Mas minha calça ainda estava desabotoada e com o zíper abaixado desde nosso beijo na porta. Conforme eu avançava, fiquei surpresa ao ver minha calça deslizar pelos meus quadris. Na verdade, os dedos de Riley tinham chegado tão perto da minha pele que estavam puxando minha calcinha também! Quando meu rosto estava pairando a poucos centímetros do de Riley, minhas calças e calcinha já estavam nos meus joelhos! Eu estava essencialmente nua.
"Truque fofo, Dedinhos de Macaco," eu disse e Riley riu.
"Ai Deus, por favor não me chame disso enquanto estamos..." ela disse e então eu ri também. Achei que era tarde demais para ser modesta agora. Mudei meu peso de um joelho para o outro, e rapidamente tirei minhas calças e as joguei no chão. Eu estava completamente nua agora. Eu podia ver Riley tentando olhar ao meu redor e percebi que ela queria ver como eu era totalmente nua. Senti-me lisonjeada e decidi satisfazê-la. Inclinei-me para frente e dei-lhe um beijo rápido na bochecha e depois me levantei sobre os joelhos entre suas pernas novamente.
Instantaneamente, os olhos de Riley percorreram dos meus olhos, pelo meu pescoço, pelo meu peito, sobre meus seios e então barriga, e então para baixo entre minhas pernas. O que ela viu entre minhas pernas foi minha boceta, depilada à máquina (eu odiava fazer isso, mas era uma tradição de "primeiro encontro"), com lábios internos inchados e vermelho-escuros. Meus lábios internos eram um pouco grandes e meio assimétricos, e isso geralmente me deixava desconfortável quando alguém via. Mas por alguma razão não me senti constrangida na frente de Riley. Eu vi pelos seus olhos e seu sorriso suave que ela gostava. Eu estava igualmente apreciativa do corpo dela, pois podia ver que o pequeno nódulo vermelho do meu clitóris estava claramente visível e exposto para fora do capuz, e toda a minha boceta reluzia com meus fluidos. As sensações que formigaram meus mamilos e através dos meus dedos pareciam ressoar naquele ponto apertado. Minha boceta estava doendo, como se fosse explodir se algo não aliviasse a pressão insuportável.
"Posso tocar?" Riley perguntou e me olhou animada. Quase ri da inocência de sua pergunta. Como se isso não tivesse sido o objetivo o tempo todo!
"Quero que você faça o que quiser comigo," eu disse, tentando transmitir a Riley a sensação de abandono que eu sentia. Liberada, eu queria que ela tomasse cada parte de mim. Eu queria me entregar a ela. Ela assentiu lentamente, sentindo a profundidade completa do que eu estava dizendo.
Eu me movi de modo que fiquei montada na perna direita de Riley, minha boceta molhada quase pingando sobre a coxa dela. Então me inclinei para frente de novo, mais rápido. Coloquei a mão na cama atrás de Riley, deslizando-a sob a curva do pescoço dela, envolvendo seus dedos em volta da espinha e a puxei para mim. Num instante, nossos lábios se encontraram de novo. A boca de Riley se abriu, deixando minha língua mergulhar em sua boca. Ela simplesmente me deixou entrar por inteiro, e minha língua a sondou profundamente, quase até sua garganta.
Com a mão direita, encontrei rapidamente o seio esquerdo de Riley. Senti meus dedos afundarem em sua carne (e ela gemeu levemente). Seu mamilo parecia uma bala dura contra minha palma. Circulei suavemente a palma em volta da ponta do mamilo, provocando-a e esperando fazer seu corpo tremer. Então me movi para frente com mais força, apertando seu seio firme mas delicadamente e amando a sensação dele na minha mão. Nunca tinha sentido um desejo consciente de tocar um seio antes (eu nem brincava com os meus enquanto me masturbava), mas por algum motivo, tocar o seio de Riley parecia tão certo. Talvez fosse apenas a sensação certa de sentir uma mulher.
De qualquer forma, a atenção de Riley não estava mais em nossos beijos ou em seus seios. A mão direita de Riley subiu da cama e encontrou o caminho entre minhas pernas. "Porra!" gemi, quase gritei. Os dedos quentes de Riley haviam deslizado entre minhas pernas e roçado suavemente pela minha fenda molhada. Apenas as pontas dos dedos contra minha pele. Mas a sensação era intensa. A ânsia dentro de mim instantaneamente ficou mais poderosa e meu corpo tremeu. Meus quadris se moveram para baixo, quase automaticamente, tentando encontrar os dedos de Riley. Minha língua ficou rígida na boca de Riley. Riley continuava se fazendo de difícil, apenas roçando de leve pela minha fenda e afastando as mãos de mim. Eu gemi em pura frustração.
Decidi que duas podiam jogar esse jogo. Tirei a mão direita do peito de Riley, descendo-a sobre sua barriga e entre suas pernas. Ela ainda estava de calcinha, mas eu podia sentir o calor emanando de entre suas pernas. Ela sentiu minha mão contra a parte interna da coxa e seus quadris se empinaram levemente. Cuidadosamente, movi meus dedos contra o tecido da calcinha de Riley. Ele estava completamente encharcado e meus dedos ficaram escorregadios com seus sucos aromáticos. Riley guinchou e se contorceu na cama.
"Ai, meu Deus!" Riley gemeu, "Pega meu clitóris! Por favor, pega meu clitóris!" Ela gemeu.
"Você começou isso, me dá primeiro," eu gemi de volta. Enquanto falava, deixei meus dedos percorrerem a boceta de Riley de novo. Eu queria tanto tocá-la. Mas precisava me segurar. Não demorou muito.
"Ai, Deus, isso é tão intenso!" Riley gemeu quando meus dedos mal roçaram seu clitóris através da calcinha. Parecia que era tudo que ela precisava para ficar excitada. Num instante, senti a mão direita dela subir, não mais se afastando da minha boceta, não mais provocando. Agora eu sentia as almofadas dos dedos dela pressionarem molhadamente na minha fenda.
"Oh!" foi o único barulho que consegui fazer. Em poucos instantes, os dedos de Riley faziam círculos apertados pelos meus lábios, pressionando levemente na minha fenda quente. Depois disso, seus dedos estavam encharcados nos meus sucos. Ela continuou circulando os dedos, mas os moveu mais para cima na minha boceta. Senti seus dedos escorregadios e molhados circulando em volta do meu clitóris dolorido e por um momento minha mente ficou em branco. Era quase como se fosse demais, muita percepção sensorial e muita descoberta emocional. Minha mente não aguentava. Sem pensamentos, apenas prazer. Meu corpo estava consumido pela tensão sexual crescente dentro de mim e pelo desejo de ver essa tensão explodir.
"Eu também, amor, por favor," Riley gemeu. Eu olhei para baixo nos olhos dela, e eles pareciam desesperados e suplicantes. Abaixei minha cabeça de volta, beijando Riley profundamente. Sua boca se abriu facilmente, esperançosa, recebendo minha língua. No mesmo instante, minha mão direita desceu totalmente sobre a calcinha molhada de Riley. Senti a calcinha pressionar o monte molhado de Riley e a ouvi gemer. Comecei a mover meus dedos em círculos apertados, assim como os dedos de Riley se moviam nos meus. Meus dedos circulavam, deslizando o tecido molhado da calcinha de Riley contra seu clitóris. Riley estremeceu, e seus dedos se moveram mais rápido contra mim.
Por um bom tempo, Riley e eu ficamos assim. Eu ainda estava levemente montada em sua perna, curvada sobre seu corpo. Nossos lábios estavam pressionados juntos, e nossas línguas se moviam livremente entre nossas bocas. Minha mão esquerda estava atrás do pescoço de Riley enquanto minha mão direita se movia furiosamente entre suas pernas, escorregando no algodão molhado de sua calcinha. A mão esquerda de Riley havia subido para seus próprios seios e ela apertava sua carne e beliscava os mamilos. Ao mesmo tempo, a mão direita de Riley estava contra sua coxa e seus dedos brincavam habilmente entre minhas pernas. Senti as pontas dos seus dedos deslizarem pelos meus lábios inflamados e pelo meu clitóris duro e pequeno. Nós duas gememos alto na boca uma da outra e eu podia sentir o corpo de Riley tremendo embaixo de mim. O cheiro da nossa excitação havia se misturado e se tornado deliciosamente avassalador no quarto.
Eu poderia ter ficado assim a noite toda, apenas brincando com a boceta de Riley enquanto ela brincava com a minha. Havia algo absolutamente maravilhoso nisso, algo perfeito. E me senti subindo cada vez mais em direção a um clímax. A ansiedade era intensa demais para durar muito mais. Mas então Riley fez algo que mudou a ação. Ela rapidamente puxou a mão direita da minha boceta e quebrou nosso beijo. Eu gemi alto quando ela fez isso, a perda do toque dela era quase insuportável. Quase ia pedir para ela continuar, mas a vi levar rapidamente os dedos em direção ao rosto. Seus dedos brilhavam com meus sucos e, tão perto do meu rosto, o cheiro da minha excitação era espesso. Riley me olhou com seus olhos brilhantes, sorriu, e então mergulhou o dedo indicador profundamente na boca. "Hmmm," ela disse.
Eu não conseguia acreditar como era excitante ver a linda Riley chupando meus sucos. Por um momento, pareceu que seus dedos estavam novamente acariciando suavemente minha fenda. O prazer que senti ao vê-la era quase físico. Ela manteve os olhos abertos enquanto chupava o dedo, me lançando um olhar safado. De repente, ela puxou o dedo indicador da boca e então enfiou rapidamente o dedo médio na minha boca! De repente, eu estava sentindo o calor e a maciez do dedo de Riley contra minha língua. Mais requintadamente, aquele dedo estava coberto dos meus próprios sucos. Pela primeira vez na vida, provei a essência salgada e picante da minha sexualidade. Chupei forte o dedo de Riley, fechando os olhos e me deleitando. Logo, eu havia chupado o dedo de Riley até ficar limpo e meus sucos repousavam no meu estômago.
Mas eu queria mais. Tinha sido bom demais para parar agora. Além disso, eu não queria apenas provar minha própria essência. Eu queria provar a feminilidade suprema do centro sexual da minha amante. Queria bebê-la inteiramente para que seu sexo alimentasse meu corpo, se tornasse parte das minhas células e, portanto, parte da minha existência. Puxei gentilmente o dedo de Riley da minha boca.
Então me movi rapidamente. Meus dedos escorregaram de entre as pernas de Riley e recuei na cama. Riley começou a se sentar, mas coloquei minha mão em seu seio, lentamente deitando-a de volta. Num instante, eu estava agachada de joelhos entre as pernas de Riley. Ela estava olhando para mim incerta, sua mão ainda molhada sobre a boca. Eu me inclinei e agarrei o cós da calcinha de Riley. Ela instantaneamente levantou os quadris da cama e eu facilmente removi a peça molhada.
Depois que joguei sua calcinha no chão, olhei agora entre as pernas de Riley. Sua boceta era absolutamente deslumbrante de linda. Seus lábios internos eram da mesma cor rosa-claro de seus mamilos e sua fenda era pequena, apertada e simétrica. Como ela estava extremamente excitada e com as pernas bem abertas, eu podia ver a bela carne rosada de sua fenda e sentir os mistérios contidos mais profundamente. No topo da boceta, seu clitóris duro e pequeno, mais ou menos do mesmo tamanho que o meu, se erguia firme e dolorido. Acima do clitóris, em seu monte de Vênus, havia uma faixa de pelos loiros cuidadosamente aparada. Ela era de tirar o fôlego e eu precisava estar mais perto.
Rapidamente me afastei um pouco mais e então me abaixei sobre cotovelos e joelhos. Agora meu rosto estava a poucos centímetros da boceta de Riley. Eu podia ver os contornos do sexo dela mais claramente agora, as cores suaves e as curvas macias. Além da boa aparência, eu absolutamente amava o cheiro inebriante da excitação de Riley. Sua boceta brilhava com seus sucos e eles tinham um cheiro cru e divino. Algo delicioso. Senti minha boca salivando e meu corpo doía. Minha boceta estava ainda mais molhada agora do que antes, e senti minha umidade fria contra a parte interna das coxas.
Me inclinei para frente levemente, fechando o espaço entre meu rosto e a boceta de Riley. Por um momento parei, e olhei para cima em direção ao rosto de Riley. Era uma visão incrível daquele ângulo. Meus olhos percorreram a barriga lisa e sexy de Riley, subindo pelas colinas brancas e macias de seus seios, depois para seu pescoço e seu lindo rosto. Seus olhos estavam brilhantes, olhando para mim e parecendo me incentivar a ir mais longe. Sua mão ainda estava sobre a boca e eu não tinha certeza se ela ainda estava respirando. Decidi não deixá-la em suspense por mais tempo.
Me inclinei para frente e pressionei meus lábios contra a fenda de Riley. Meus lábios afundaram na carne macia e molhada de seus lábios. Eu podia sentir o calor intenso irradiando de sua boceta e encharcando meus lábios. Foi o beijo mais incrível que já compartilhei com alguém. Abracei plenamente meu desejo pela feminilidade, minha necessidade dela. O beijo simbolizava, para minha mente febril de luxúria, uma aceitação das minhas descobertas sobre mim mesma. E foi libertador.
Quebrei o beijo brevemente e lambi meus lábios. "Hmmm," eu disse, de algum lugar profundo na garganta. Riley tinha um gosto diferente do meu. Ela não era tão salgada e seus sucos eram mais espessos, mais potentes. Eu não conseguia acreditar como ela era gostosa. Precisava de mais. Estendi a língua, plana e grossa, e a pressionei gentilmente contra a boceta de Riley. Senti seu corpo tremendo enquanto fazia isso. Movi minha língua para cima e para dentro de sua fenda lentamente. Gemi ao fazê-lo, dominada pelo momento. Os sucos de Riley cobriram minha língua e seus lábios quentes apertaram levemente em volta da minha língua. Saboreei seu sabor e seu toque, sem nunca querer que o momento acabasse.
"Cristo, amor, ai, Cristo!" Riley gemeu. Suas mãos desceram para a cama e vi seus dedos afundarem nos cobertores. Minha língua rolou até o topo da boceta de Riley, pressionando contra a conta dura de seu clitóris. Instantaneamente, todo o corpo de Riley ficou completamente tenso e ouvi uma inspiração rápida de ar em sua boca. Eu sorri o melhor que pude na situação. Eu sabia exatamente o que Riley queria.
Enrolei meus lábios gentilmente em volta do clitóris de Riley, beijando-o suavemente e me deleitando com os guinchos que ela fazia. Meu lábio inferior pressionava contra sua fenda e meu nariz estava enterrado no tufo macio de pelos pubianos acima. Peguei meu braço esquerdo e meio que o enrolei em volta da coxa direita de Riley, segurando-a perto enquanto ela se contorcia. Me achatei de barriga na cama, deixando meus seios pressionarem o tecido. Ao mesmo tempo, meu braço direito serpenteou pelo corpo de Riley até que as pontas dos meus dedos caíram sobre seus mamilos.
Agora que eu estava confortável e em posição, comecei a dar a Riley a atenção que ela merecia. Lancei minha língua para fora entre meus lábios apertados e senti a ponta deslizar pelo clitóris de Riley. Ela gemeu alto. Suas mãos saltaram dos lados e as senti na minha cabeça, me empurrando para baixo e agarrando meu cabelo. Ela puxou meu cabelo com força e eu gemi. As vibrações do meu gemido percorreram o corpo de Riley, fazendo-a apertar mais forte. Toquei o mamilo de Riley com minha mão direita e minha língua imitou o movimento contra seu clitóris.
Fiquei entre as pernas de Riley por um bom tempo. Às vezes eu deixava minha língua dura e circulava em volta do clitóris dela, ou até mesmo descia brevemente e empurrava para dentro de sua fenda. Outras vezes, eu deixava minha língua gorda, molhada e macia e lambia sua boceta como uma gatinha. Ainda outras vezes, eu sacudia minha língua com força e rapidez contra seu clitóris. Eu realmente não tinha ideia do que estava fazendo, apenas meio que tentava coisas que amantes tinham feito comigo que funcionaram no passado. Mas rapidamente aprendi as coisas que Riley gostava, baseado no movimento de seu corpo e nos sons que ela produzia. Toda vez que ela gemia ou se contorcia na cama, eu sabia que era algo que funcionava para ela e dobrava a aposta. Eu queria desesperadamente dar prazer a Riley, agradecê-la de alguma forma por sua parte na minha epifania e por me trazer de volta para casa no turbilhão da paixão e se entregar a mim.
Não demorou muito. Depois de alguns minutos brincando com o mamilo de Riley enquanto provocava e lambia seu clitóris, eu pude dizer que ela estava chegando perto. Cada estalo da minha língua fazia seu corpo pular. Seus olhos estavam fechados e ela mordia o lábio inferior, respirando superficialmente. Logo, seus músculos ficaram incrivelmente tensos. Seus dedos se enrolaram mais firmemente no meu cabelo. Suas pernas apertaram em volta da minha cabeça (beliscando minha mão fora de seu seio). Eu nunca parei, continuei provocando Riley, empurrando-a cada vez mais longe. Até que, finalmente, ouvi Riley soltar um longo e baixo suspiro. Seu corpo se tensionou ao ponto de todos os seus músculos ficarem travados (e minha cabeça parecia que ia explodir), então ela soltou um gemido fofo ("Ai, Deus...") e seu corpo começou a tremer. Naquele momento, seu corpo ficou completamente mole e ela caiu de volta na cama. Meu queixo estava de alguma forma ainda mais coberto de seus sucos do que antes e eu podia sentir algo dentro dela parecer pulsar. Riley tinha gozado. Eu tinha feito uma mulher gozar. Nunca me senti tão sexy em toda a minha vida. Era como se eu tivesse encontrado algo novo que queria fazer direito e acertei na primeira tentativa.
Por um momento, continuei lambendo Riley, tentando fazê-la gozar de novo! Riley riu, e me empurrou para longe, e eu me levantei sobre os joelhos. Então Riley fechou os joelhos. Ela estava sensível demais para ser tocada lá de novo. Eu sorri para ela quando seus olhos se abriram.
"Ash, isso foi... incrível. Eu nunca tive... um orgasmo assim na minha vida!" ela se entusiasmou e eu me senti ficando envergonhada. Mas também feliz.
"Que bom que você gostou," eu murmurei.
"Ai, Deus, seu rosto!" ela disse e eu não sabia o que ela queria dizer. Coloquei a mão na bochecha. Mas num segundo ela se levantou de joelhos na minha frente. Seus olhos ainda brilhavam com aquela intensidade de antes, mas eu podia ver um relaxamento nela que não existia antes. Ela parecia serena e linda. Me perguntei brevemente que tipo de frustração enlouquecida ela via em mim.
"O que foi?" eu perguntei, mas ela não disse nada. Em vez disso, ela se inclinou para perto de mim. Senti uma maciez molhada contra meu queixo e percebi que Riley estava lambendo meu rosto!
"Você está coberta dos meus sucos, deixa eu te limpar," Riley disse e eu estremeci. Não sei por que essa ideia me excitou, mas naquele momento eu queria que ela fizesse isso mais do que qualquer coisa na minha vida. Senti sua língua traçar meu queixo e percorrer meus lábios, até mesmo levemente na bochecha. Eu podia cheirar os sucos de Riley em sua boca enquanto ela os bebia. Depois de alguns momentos, meu rosto estava quente e pegajoso, mas seco.
A língua de Riley encontrou o caminho de volta para meus lábios e pressionou para dentro. Logo estávamos nos beijando de novo, a língua de Riley mergulhando na minha boca. Eu chupei sua língua, puxando seus sucos dela e engolindo-os. Tinha um gosto mais potente direto da fonte, mas havia algo safado em lamber o sexo de Riley da própria língua dela que me fazia sentir mal de todas as maneiras certas. Enquanto nos beijávamos, Riley me envolveu em seus braços, me puxando apertado. Mais uma vez nossos seios se pressionaram, mamilos duros pressionando a carne uma da outra, enquanto nossas línguas lambiam e beijavam com velocidade e intensidade.
Depois de vários minutos nos beijando, senti que estava perdendo a cabeça. Cada instante desde que eu beijara Riley pela primeira vez fora como uma provocação longa e constante. Cada ação que fazíamos me empurrava cada vez mais para um terreno sexual que eu nunca havia alcançado antes. Estava perdendo a capacidade de pensar racionalmente. Tudo o que eu queria, tudo o que eu precisava, era sentir o que Riley sentira. Pela primeira vez desde que começamos, uma imagem de Kim surgiu na minha mente. Mas não senti desejo por ela, senti uma compreensão de que havia algo que eu precisava e que ela não podia me dar.
Felizmente, Riley parecia saber do que eu precisava e, embora ela pudesse ser um pouco sádica, decidiu não me deixar esperando mais. Ela rompeu o beijo, mas manteve os braços ao meu redor. Ela me puxou rapidamente, me pegando de surpresa. Eu tombei sobre a perna esquerda de Riley e caí na cama, rindo. Rolei e fiquei de costas na cama.
"Que ideia é essa?" eu disse com raiva fingida. Riley se virou para me olhar.
"O troco é justo," Riley disse, se referindo ao meu empurrão de antes. Abri as pernas na cama e joguei o cabelo para o lado.
"Estava pensando a mesma coisa," respondi. Riley sorriu maliciosamente e rapidamente se pôs de joelhos na cama. Seus olhos estavam focados entre as minhas pernas, com um olhar selvagem e faminto. Eu gostava de como o corpo dela ficava da minha posição, o jeito como sua bunda redonda ficava empinada no ar, a curva da sua cintura e quadris, seus seios pendendo. Eu queria agarrá-la e puxá-la para mim, mas a deixei vir no seu próprio ritmo.
Ela não esperou muito. Em poucos momentos, seu cabelo longo e bagunçado estava caído sobre o meu colo e seu rosto a poucos centímetros da minha boceta. Eu a encarava intensamente por cima dos meus seios, incapaz de desviar o olhar. Minhas duas mãos estavam fechadas em punhos sob o meu queixo e meus dedos dos pés estavam curvados. Nunca sentira um aperto tão grande na vida. Meu coração martelava, minha respiração estava superficial e eu me sentia um pouco tonta. E tinha uma sensação de desejo tão grande que tomava conta de toda a minha consciência.
Riley olhou para mim agora, apenas abrindo seus grandes olhos e deixando-os cintilar para mim. Meu coração parou por um instante. A linha que brilhara dentro deles desde que voltamos ao apartamento dela estava mais brilhante do que nunca. Acho que eles teriam brilhado se todas as luzes estivessem apagadas. Eu a vi inspirar profundamente com o nariz, cheirando minha excitação e reagindo agradavelmente. Olhei para minha boceta reluzente e me perguntei se ela amava a minha tanto quanto eu amava a dela.
Finalmente, a boca de Riley desceu mais. Seus olhos permaneceram em mim o tempo todo. Por um momento, senti seu hálito quente contra a pele nua da minha vagina e gemi alto. Mas então uma nova sensação dominou a sensação úmida do hálito de Riley.
"Jesus, porra!" eu disse, todos os músculos do meu corpo se contraindo como meus punhos e dedos dos pés. Senti a sensação áspera e molhada da língua de Riley roçando no meu clitóris. Meus olhos se fecharam enquanto cada centímetro da minha atenção se focava diretamente entre as minhas pernas. A língua de Riley começou a brincar no meu clitóris. Como eu, Riley não parecia saber exatamente o que estava fazendo, mas sabia do que gostava. Ela replicou meus movimentos de volta para mim e prestou muita atenção às minhas reações. E acho que dei a ela boas dicas. Enquanto ela me lambia suavemente, meu corpo se contorcia na cama e eu gemia alto. Não conseguia acreditar que ainda não tinha gozado, minha necessidade de liberação era insuportável, mas não chegava.
E cada pequena coisa que Riley fazia aumentava ainda mais essa necessidade. Sua língua era alternadamente suave e amorosa, e dura e vigorosa. Parecia que ela sabia exatamente quando me levar tão perto que eu estava prestes a cair, só para mudar de rumo e encontrar uma maneira totalmente nova de me enlouquecer. O tempo todo, eu podia sentir sua pele macia contra a minha e seu hálito quente contra o meu corpo e simplesmente parecia tão certo.
Depois de um longo tempo de Riley me lambendo suavemente, senti uma pressão suave contra minha racha. Meus olhos, pela primeira vez desde que Riley começara a me lamber, se abriram. Olhei para baixo e vi que seus olhos ainda estavam abertos, olhando para o meu corpo vorazmente. Mesmo enquanto ela chupava meu clitóris, parecia ter um sorriso no rosto. Sua mão estava arqueada sob o corpo e eu percebi o que causara a pressão. O dedo indicador de Riley estava pressionado contra minha racha molhada. Eu não conseguia falar nem gemer, só conseguia acenar com a cabeça.
Riley não precisou de mais encorajamento. E, dado meu estado naquele momento, a tarefa não foi particularmente difícil para Riley. Senti uma leve pressão, mas eu estava tão molhada que o dedo de Riley deslizou para dentro de mim. Minha respiração ficou presa na garganta e meus olhos pareceram ficar vesgos. A mão de Riley estava com a palma para cima e, enquanto sua língua continuava a lamber meu clitóris, ela curvou o dedo para cima, roçando contra as cristas macias dentro do meu corpo. Senti minha boceta se contrair em volta do dedo dela, involuntariamente. Meu corpo estava tentando mantê-la no lugar, para fazê-la continuar suas ações.
Por alguns minutos ficamos assim. Eu estava de costas, meus olhos agora abertos e minhas pernas afastadas. Minhas mãos de alguma forma tinham ido parar nos meus seios e eu apertava minha carne enquanto meu corpo tremia suavemente. Riley estava de bruços entre as minhas pernas. Suas bochechas brilhavam levemente e sua boca cobria meu clitóris. Eu podia sentir sua língua contra ele. Seu dedo estava dentro da minha boceta, curvando-se e massageando meu interior no mesmo ritmo insuportável que guiava sua língua. A bela agonia daqueles minutos está gravada indelevelmente na minha mente. Posso me lembrar de cada visão, cheiro, gosto, som e sensação corporal quando quiser. Às vezes, a lembrança daquela alegria sensual e atormentadora toma conta de mim nos momentos mais estranhos, nas horas mais esquisitas. Uma memória de maravilhosas contradições do desejo sexual, desejo que eu negara por tempo demais.
Quando aquela massa de contradições caiu, foi substituída por uma sensação mais pura e menos ambígua. Lembrei-me de que tinha parado de respirar, não havia mais capacidade na minha mente para lembrar de inspirar e expirar. Meus olhos estavam abertos, mas eu não via realmente nada. A tensão continuava seu implacável acúmulo e eu sentia que nunca cessaria. De repente, atingi um pico e me vi despencando do outro lado, quase antes de perceber o que estava acontecendo. Uma vibração elétrica começou no fundo, entre as minhas pernas, onde Riley me amava. Começou como uma sensação intensa, branca e quente, menor que a ponta de um alfinete. Depois de um momento, começou a transbordar daquele ponto, incapaz de ser contida em uma área tão pequena, incapaz de ser contida pelo meu corpo inteiro. Como uma onda rolante, um intenso prazer físico e espiritual ondulou da minha área mais sagrada e engolfou meu corpo. Rolou pelas minhas pernas, subiu pelo meu torso, pelos meus seios, pela minha garganta e então dominou minha mente.
Minha mente foi completamente entregue à mais pura sensação de prazer. Uma liberação sexual como eu nunca sentira antes. Nunca com um homem. Nunca sozinha. Nada jamais se comparara à perfeição inalterada do sentimento que eu estava recebendo. Eu não poderia, naquele momento, ter pensado "Kim estava certa" ou "Riley me deu esse prazer" ou "Eu sou lésbica". Esses pensamentos eram complexos demais. Mas enquanto eu jazia na cama, gemendo desenfreadamente, eu sabia que encontrara algo mais que eu "deveria fazer". Mas, ao contrário das outras "obrigações" na minha vida, eu não "deveria fazer" isso por algum ideal estranho e externo do que era a "coisa certa" a fazer. Eu fora feita para isso, era uma das minhas razões para estar aqui na terra. Eu deveria fazer isso porque parecia certo para mim. E isso me deu um sentimento de paz que eu nunca tivera antes.
Eu realmente não me lembro de ter voltado do orgasmo mais intenso da minha vida. Algum tempo depois, lembro de Riley deitada ao meu lado na cabeceira da cama. Lembro de nossos braços e pernas se entrelaçando naturalmente como se fôssemos feitos para nos encaixar. Lembro de seus lábios mais uma vez pressionando os meus e sentindo o gosto de meus sucos espessos em seus lábios e depois em sua língua. O resto daquela noite permanece nebuloso, quase dominado por uma sensação de satisfação que eu nunca sentira antes. Mas sei que nos abraçamos, sei que nos beijamos, sei que nos sentimos certos uma com a outra e, finalmente, dormimos uma ao lado da outra.
* * * * *
Minhas pálpebras se abriram na manhã seguinte enquanto a luz do sol entrava pela janela. A luz era tão brilhante que eu não conseguia ver nada. Por um momento, não tinha absolutamente nenhuma ideia de onde estava ou o que estava fazendo. Tinha uma leve dor de cabeça e um gosto um tanto estranho na boca. Lembrei-me de que tinha bebido na noite anterior. Então tive três constatações em sequência. Primeiro, lembrei-me com quem eu estivera na noite anterior. Segundo, meus olhos clarearam e pude ver Riley dormindo, de frente para mim a poucos centímetros de distância. Terceiro, pude sentir seu corpo contra o meu. Estávamos entrelaçadas como tínhamos estado a noite inteira; eu estava de lado com as pernas afastadas. Riley estava de bruços com a perna direita entre as minhas. Minha boceta estava na coxa direita dela, a boceta dela estava na minha.
O que tínhamos feito! Por um momento, senti um pânico frio. Eu realmente não percebera na noite anterior que estava bêbada. Mas agora, à luz do dia, com a dor de cabeça e a garota que eu mal conhecia para provar, percebi que tomara algumas decisões bastante inesperadas. Antes que pudesse processar completamente o que estava pensando, meu primeiro instinto foi simplesmente fugir. Algo estranho acontecera e eu queria estar sozinha, no meu apartamento, para pensar sobre isso. Descobrir o que significava. Mas, antes que tivesse a chance de tentar escapar, percebi que Riley estava basicamente em cima de mim. Seria impossível sair sem acordá-la. Me acomodei de volta na cama, meu coração e cérebro batendo no mesmo ritmo.
Eu me vi encarando o rosto adormecido de Riley, tentando fazer sentido daquilo. Agora me lembrava do jeito que ela parecia na noite anterior, suas feições coradas de desejo sexual. Eu via seu rosto inocente e adormecido agora. Não importava o que acontecesse, eu cruzara algum tipo de barreira na noite anterior. Não era mais possível para mim fingir que não me sentia atraída por Riley. Ou por mulheres em geral. Eu não podia negar que era lésbica. Ela parecia tão bonita, seu corpo parecia tão... certo contra o meu. Que eu sabia que era a verdade. Agora, sóbria, essa constatação parecia ainda mais estranha do que na noite anterior.
Ainda não tinha descoberto nada além desse fato quando vi os olhos de Riley começarem a tremer ao abrir. Segurei a respiração, tentando não acordá-la. Por alguma razão, eu estava nervosa com isso. Não sei o que esperava. Talvez ela ficasse brava ou envergonhada. Ela afastara sua amiga da faculdade depois que uma noite de bebedeira saíra do controle. Talvez eu fosse rejeitada também. Meus esforços foram em vão, depois de alguns momentos, os lindos olhos azuis de Riley estavam olhando diretamente para mim. Ela pareceu confusa por um momento, e então sorriu timidamente.
"Uh... Bom dia," ela disse e então riu nervosamente.
"Bom dia," respondi. Seus olhos se desviaram dos meus, incapazes de encontrar meu olhar. Eu estava contente, me sentia tão estranha. Mas nenhuma de nós ousou se mexer, nossos corpos nus permaneciam emaranhados e eu podia sentir os músculos dela se moverem levemente contra os meus. Depois de vários minutos agonizantes, o olhar de Riley voltou para mim.
"Desculpe, só não estou acostumada com isso," ela se desculpou. Eu dei de ombros um pouco.
"Acordar com uma garota?" perguntei.
"Bem, sim, obviamente isso. Mas quero dizer, acordar depois de uma transa de bêbados e ter a pessoa ainda na minha cama," ela explicou, "É um pouco estranho." Lembrei-me da minha tentativa de fugir.
"Bem, acho que isso mostra como os homens são diferentes das mulheres, teria sido tão desrespeitoso da minha parte simplesmente te abandonar," eu disse, tentando dar um ar de conhecimento à minha voz. Riley pareceu perceber.
"Não conseguiu sair de baixo de mim, hein?" ela perguntou.
"Não por falta de tentativa," eu disse e agora ela riu, dessa vez sem ansiedade. Eu amava o jeito como ela soava, aquela qualidade musical e feminina de sua risada e eu a acompanhei. Riley descansou a cabeça no travesseiro ao meu lado, olhando para mim com certa concentração.
"Então o que aconteceu?" ela perguntou depois de uma longa pausa. Parecia uma pergunta simples, mas não era. Dei a resposta simples.
"Nós transamos," eu disse. Riley fez um barulho de língua como uma framboesa.
"Bem, sim," ela disse, "Mas quero dizer... O que aconteceu? Num segundo estávamos bebendo e sendo amigas, no seguinte estávamos revelando nossa roupa suja sexual, e então de repente estávamos aqui transando. Tipo, sexo incrível." Eu corei com a descrição dela, mas era precisa. O melhor sexo que eu já tivera. E muito repentino.
"Não sei," respondi honestamente, mas quanto mais eu pensava sobre isso, minha mente agora sóbria, mais fazia sentido. Bem, algum tipo de sentido. Então decidi compartilhar com ela, "Acho que nossas amigas perceberam que queríamos algo que tínhamos escondido de nós mesmas. E na noite passada, em um momento desprotegido, nós duas fomos expostas ao mesmo tempo. Nós duas, pelo menos pela noite, aceitamos o que queríamos e ficamos surpresas ao encontrar outra pessoa que queria a mesma coisa. E nos agarramos uma à outra tanto porque sabíamos o que a outra estava sentindo quanto porque sabíamos que se parássemos ali, se recuássemos, simplesmente nos esconderíamos de nós mesmas de novo. Nós duas sabíamos, sem pensar ou dizer nada, que... se parássemos ali, poderíamos nos enterrar para sempre." Era a única explicação que eu tinha, e parecia tão certa na minha mente.
"Obrigada," Riley disse depois de um longo momento. Eu balancei a cabeça levemente.
"Por quê?" perguntei. Eu não fizera nada que merecesse agradecimento.
"Acho que você está certa sobre a noite passada. E não acho que eu poderia ter feito aquilo sem você. E não estou falando só do óbvio, tipo que eu não poderia ter transado sem outra pessoa. Quero dizer, acho que eu não teria conseguido fazer nada com ninguém, exceto com você. Alguém que estava sentindo e pensando as mesmas coisas."
"Bem, então obrigada a você," respondi, "Porque eu sinto o mesmo." Eu me inclinei e beijei Riley suavemente nos lábios. Parecia a única coisa a fazer. Nossos olhos se fecharam, foi muito como nosso primeiro beijo na noite anterior. Casto mas de alguma forma sexual, gentil mas poderoso. Senti meu corpo começar a reagir e pude sentir Riley responder também. Lentamente, nosso beijo se rompeu. Nós nos olhamos novamente por vários minutos, apenas sorrindo como duas crianças apaixonadas pela primeira vez.
"O que isso significa? Tipo, para mim... ou para... nós?" Riley perguntou depois de um longo tempo. Eu estivera pensando sobre a mesma coisa, mas me faltara coragem para perguntar. Soltei um suspiro.
"Não sei. Eu sei, para mim, isso significa que não posso mais me iludir. Eu sei que sou uma mulher lésbica e sei, pela noite passada, que isso é certo para mim. Nada nunca pareceu tão certo quanto a noite passada," eu disse, Riley corou e assentiu, "Mas aprendi na noite passada que tenho sentimentos complicados pela minha melhor amiga com os quais nunca realmente lidei. Sei que esses sentimentos não podem levar a lugar nenhum, Kim não é lésbica. Mas tenho que de alguma forma lidar com esses sentimentos agora que os reconheço. Não sei o que isso significa para nós..." Era difícil de dizer. Eu queria simplesmente dizer a Riley que a amava e ter minha história terminada com um felizes para sempre, mas a vida não é tão fácil. Mesmo depois de uma única noite, eu tinha um afeto real por Riley, eu compartilhava um vínculo com ela que nem Kim e eu tínhamos. Mas isso não significava que eu soubesse algo além disso. Caramba, eu realmente mal conhecia essa garota que era 9 anos mais nova que eu.
"Ainda não consigo imaginar o que minha mãe diria se soubesse", Riley disse depois de uma longa pausa. Percebi que a vida dela não era mais simples que a minha. Passei a mão suavemente pelo braço de Riley e lhe dei apoio: "Sei que não vou para o inferno pelo que aconteceu ontem à noite. Sei disso porque sei que não existe um lugar como um lago de fogo e, se existisse, eu não iria para lá por fazer algo natural. Mas é difícil simplesmente desligar isso. Quero dizer, acreditei nisso por tanto tempo." Riley meio que olhou através de mim enquanto falava. Eu sabia que ela estava tentando dizer a mesma coisa que eu. Decidi simplesmente falar logo.
"É cedo demais para saber", eu disse, "Minha vida mudou completamente nas últimas 12 horas. Toda a sensação de previsibilidade se foi." Os olhos de Riley focaram e ela sorriu de novo.
"Então o que fazemos? Quer dizer, eu sempre fazia tudo o que me mandavam. Como eu vivo se não estou vivendo a vida da minha mãe?", ela perguntou. Eu me perguntava a mesma coisa. O que era minha vida se não fosse a visão mística de normalidade que eu havia criado para mim mesma há tanto tempo? Estranhamente, esse pensamento era reconfortante. Senti uma liberdade de amarras que eu não conseguia descrever. Minha vida, assim como a vida da mãe de Riley, estava irrevogavelmente quebrada. O que fizéssemos agora seria o que fosse.
"Bem", eu disse sorrindo, "Talvez a gente viva hoje como vivemos ontem à noite. Não vamos fazer planos nem nos prender a nada que não possamos suportar. Vamos fazer hoje o que parece certo para hoje e presumir que isso levará a algo certo amanhã." Era a única decisão possível e Riley concordou com a cabeça, o rosto sem preocupação.
"O que parece certo neste minuto?", ela disse, e enquanto falava, moveu ligeiramente a perna direita. Senti a pele lisa e quente da coxa dela roçar na minha boceta e soltei um leve suspiro. Meu corpo formigou. Gemi baixinho e olhei para Riley. Ela estava tão linda e eu me lembrei do jeito que ela me fez sentir na noite anterior. Percebi que ela era a única pessoa no mundo, naquele momento, que sabia quem eu realmente era. Falei sem pensar.
"Não quero dizer algo que vá além deste momento. Não estou tentando planejar um futuro que ainda não consigo imaginar. Mas preciso te contar que agora, neste momento, eu te amo. E não importa o que o futuro traga, se este for nosso último momento juntas, eu vou te amar para sempre neste momento. O que parece certo, neste momento, é te mostrar o quanto eu te amo." Inclinei-me para a frente, fechei os olhos e pressionei os lábios na bochecha de Riley. Meus lábios se derreteram na pele macia dela e a ouvi soltar um leve suspiro. Sua respiração estava no meu ouvido e eu sabia que sua boca estava bem encostada na minha bochecha.
"Eu também te amo", ela sussurrou e então virou o rosto na minha direção. Eu me virei para encontrá-la. Num instante, nossos olhos se fecharam e nossas bocas se encontraram. Ao contrário da novidade estimulante do nosso primeiro beijo ou da paixão insaciável dos nossos abraços posteriores na noite anterior, este beijo tinha algo diferente. Uma ternura genuína. Senti os lábios de Riley na minha boca e o mais leve toque da língua dela e senti um conforto vindo dela. Envolvi meus braços em volta dela, puxando-a mais para perto. Nossos seios, ainda desnudos da noite anterior, se pressionaram e senti o calor úmido do corpo dela.
Por vários minutos, ficamos deitadas ali, nuas nos braços uma da outra, nossas bocas coladas. De vez em quando, eu abria a boca e a língua dela encontrava a minha. Mas até isso era gentil, doce mais do que ardente. Pensei em como era diferente beijar Riley estando sóbria, ter controle total sobre mim mesma. Mas mesmo com esse controle, saber que isso era o que eu queria. De certa forma, foi melhor do que na noite anterior.
Senti meu corpo começar a responder ao nosso abraço e aos nossos beijos. Só porque estávamos mais calmas não significava que beijar Riley fosse menos excitante. Na verdade, nosso abraço amoroso parecia ainda mais excitante. Senti minha boceta começar a ficar molhada de excitação. Talvez mais importante, eu podia sentir a boceta de Riley pingando na minha coxa. Ela estava excitada também. E isso criava uma espécie de ciclo virtuoso. Minha excitação a excitava, assim como a excitação dela me excitava. Minha excitação aumentava a excitação dela e vice-versa.
Não foi algo muito consciente, mas logo nossos corpos começaram a desejar algo mais. Eu meio que rolei completamente de costas. Minha boca permaneceu quente contra a de Riley porque ela rolou comigo. Mantive a perna direita ligeiramente dobrada no joelho e Riley a montou. Ao mesmo tempo, ela enterrou o joelho direito na cama, deslizando-o abaixo da minha bunda, de modo que minha boceta ainda estava contra a coxa dela. Riley se inclinou sobre mim, os mamilos pendendo ligeiramente (mas empinados) contra minha pele. O beijo dela continuou a me enfeitiçar enquanto mudávamos de posição.
Sem nenhum tipo de comunicação, nós duas começamos a nos mover ao mesmo tempo. Não tínhamos um plano, simplesmente agíamos como nossos corpos queriam. Comecei a esfregar minha boceta molhada na coxa de Riley. Da posição dela montada nas minhas pernas, ela começou a fazer o mesmo. Eu podia sentir o calor da boceta dela e sua umidade deliciosa enquanto roçava para cima e para baixo na minha perna. Os mamilos dela traçavam minha pele enquanto se movia. Comecei a esfregar com mais força, amando a sensação do meu clitóris molhado na pele deliciosamente lisa dela. Gemi na boca de Riley e ela retribuiu.
Por um longo tempo ficamos assim. Nossas bocas trancadas em um abraço incessante, nossos seios mal se tocando (fazendo nossos corpos formigarem e aumentando nossa excitação), e nossas bocetas pressionadas contra as pernas uma da outra. Continuei esfregando cada vez mais forte, sentindo meus quadris se moverem sensual e femininamente enquanto eu buscava a sensação. Riley se movia do mesmo jeito e enquanto minhas mãos percorriam o corpo dela, eu podia sentir o movimento sexy do corpo dela enquanto esfregava o clitóris na minha coxa. Encontramos um ritmo juntas, nos movendo ao mesmo tempo e da mesma maneira, sentindo a mesma coisa. Era como se houvesse um prazer compartilhado que ambas estávamos buscando, e estávamos indo atrás dele juntas.
Quanto mais nos movíamos juntas, mais altas ficávamos. Nós nos recusávamos a quebrar o beijo, mas eu fazia barulhos na garganta e podia ouvir Riley fazer um barulhinho fofo e sexy. Eu podia sentir a tensão crescendo juntas, os barulhos dela me elevando mais, assim como meus barulhos a afetavam. Nossos cheiros sexuais, aqueles que eu tinha aprendido tão intimamente na noite anterior, se misturavam também, criando uma espécie de névoa que nos engolfava deliciosamente. Enquanto nossos corpos, sons, cheiros e gostos se mesclavam, deixamos de parecer seres separados. Eu sabia o que ela experimentava porque eu experimentava, sabia o que ela pensava porque eu pensava, e sabia o que ela sentia porque eu sentia. E bem naquele momento, entendi exatamente o que Kim tinha dito quando me falou que eu estava procurando algo que eu nem entendia. Não era apenas uma amante, era essa união requintada, essa intimidade de espírito que minha alma estava carente e agora encontrava.
"Ai, Deus", gemi ao redor da boca de Riley. Aquele pensamento, a perfeição daquela ideia foi o suficiente. Assim que cheguei a essa realização, meu corpo também alcançou o clímax. Senti Riley tremendo e sabia que ela sentia também. Nossos corpos se entrelaçaram mais firmemente e era impossível saber de quem era o corpo e onde a sensação maravilhosa e orgásmica estava localizada. Ela flutuava entre nossos corpos e nos envolvia como uma só. Ouvi um grito e não pude dizer se era minha voz ou a dela. Senti um prazer tão intenso; um calor ondulante, envolvente e absorvente que eu sabia que não poderia vir de um único corpo. Eu havia me tornado uma com minha amante, e compartilhávamos o desejo emocional e físico de duas.
Riley desabou em cima de mim enquanto nossos orgasmos se dissipavam. Nós duas respirávamos pesadamente e ficamos deitadas juntas. Ela enterrou o rosto nos meus seios e eu enrolei meus braços em volta dela. Por um longo tempo ficamos assim, juntas e satisfeitas. O pós-brilho do nosso orgasmo parecia mais íntimo do que na noite anterior, talvez porque o tivéssemos compartilhado. Brinquei gentilmente com o cabelo dela por um tempo e não senti nenhuma necessidade avassaladora de falar ou pensar como antes. Tudo fazia sentido e eu me sentia tão contente. Eu podia dizer pelo jeito que Riley se sentia contra mim que ela estava sentindo a mesma coisa. Depois de meia hora, quase adormeci de novo. Mas então Riley falou.
"Bem, tenho que levantar e comer", Riley disse confortavelmente. Não parecia que precisávamos de mais explicações, estávamos em paz, "vem, eu faço café da manhã para você." Eu a beijei mais uma vez enquanto ela rolava para fora de mim. Ela se levantou e atravessou o quarto e eu apreciei a visão do seu corpo nu se afastando de mim, os contornos tonificados da sua bunda e as curvas suaves do seu corpo. Estendi a mão para pegar meu celular enquanto me sentava. Eu não tinha ligado para o trabalho e me perguntei se estava encrencada. Diria a eles que estava doente.
Tudo o que eu tinha era uma única mensagem. De Kim. Abri rapidamente e li: "Ai, meu Deus!", eu disse, "Você tem que ouvir isso!" Riley estava quase na área da cozinha do seu apartamento, mas se virou e olhou para mim.
"O quê?", ela perguntou.
"Kim escreveu: 'Verifiquei o saldo da minha conta esta manhã. Seu jantar custou a mim e ao Eric US$ 421,74. É melhor você ainda estar naquele encontro!'", Olhei do celular para Riley. Os olhos dela se arregalaram e então nós duas começamos a rir. Quanto custou cada garrafa de vinho? Eventualmente, nossa risada morreu e Riley balançou a cabeça.
"Nunca esperei por isso!", Riley disse e eu pensei na sua atitude despreocupada e como ela tinha me atraído para ela. Claro que ela não esperava, era isso que a tornava Riley, "Vamos ter que pagar a eles.", ela concluiu, mostrando que não havia malícia em seu descuido. Sorri para ela e senti meu afeto crescendo.
"Acho que nunca vamos conseguir", eu disse e me levantei da cama para tomar café da manhã com meu encontro às cegas. Resolveríamos todos os nossos problemas depois.
Fim.
Eu escrevo honestamente para poder ouvir os comentários que vocês dão. Então, por favor, me digam o que acham. Mesmo que seja apenas uma frase. Considerem isso o pagamento pela história grátis. E se gostaram, imploro que leiam minhas outras histórias. Obrigado!YKN
P.S. - Eu faço uma edição no meu trabalho e tento ser minucioso. Mas imagino que, quando se trata de distribuir pornografia de graça, vocês seriam mais bem servidos recebendo rápido (mesmo que um pouco bruto) do que esperando eu polir como se estivesse sendo pago pelo meu trabalho. Então, resumindo, sei que há alguns erros e não me importo muito com isso. Apenas tentem curtir a pornografia.