Andy
Todo mundo deveria ter um hobby. Aliás, eu tenho vários, mas aquele ao qual sempre recorro é o bom e velho hábito de olhar as garotas. Era exatamente isso que eu estava fazendo depois de me sentar em um banco num dos maiores parques da cidade.
Era uma tarde de primavera excepcionalmente quente. O meteorologista finalmente acertou uma, pois a temperatura estava perto dos trinta graus. Alguns montes teimosos de neve ainda resistiam com grande tenacidade, escondidos atrás das árvores. Eu decidi fazer uma corrida antes que o tempo voltasse a chover e trovejar. Parecia que muita gente tinha a mesma ideia, pois o lugar estava lotado. Não os culpo, já que o Compton Hill Reservoir Park devia ser um dos parques mais bonitos de St. Louis.
Fiz uma pausa merecida num banco do parque. Além disso, a vista era ótima. Havia dezenas de mulheres jovens por ali, tentando bronzear aquelas pernas brancas depois dos meses escuros de inverno. Enquanto recuperava o fôlego, observei um casal de tordos precoces procurando freneticamente por gravetos e outros materiais para construir o ninho. O amor estava no ar, pelo menos para os tordos. Eu, eu não tinha planos para o amor. Não, havia simplesmente garotas lindas demais para escolher. Aliás, quanto mais eu pensava em ficar preso a um filho de nariz escorrendo e uma esposa, mais um arrepio descia pelas minhas costas.
Havia dúzias de crianças por ali, e eu tinha certeza de que suas mães estavam felizes, já que ficaram confinadas o inverno todo. Havia um pequeno lago, na falta de uma descrição melhor, nesse parque. A água simplesmente atrai as crianças; sempre foi assim. Um punhado de crianças brincava na beira da água naquele dia. Era também onde uma dúzia de gansos fazia sua morada.
Eu estava sentado a uns nove metros da água e observava um garotinho de cabelo loiro brincar com os gansos. Ele tinha várias fatias de pão apertadas nas mãos e corria para o meio dos gansos. Eles vinham de todos os lados tentando puxar o petisco de seus dedinhos. Ele ria, corria atrás das aves, só para recuar novamente até uma mesa de piquenique e pegar outra fatia. Ele era bem loirinho, com um cabelo branco como a neve, cortado com franja acima dos olhos. Pelos arranhões e cortes nos joelhos, eu apostava que ele dava trabalho.
Havia várias mulheres jovens reunidas perto da entrada do lago. Algumas estavam sentadas nos bancos do parque, outras em pé conversando entre si. De vez em quando, uma ou duas delas olhavam para o grupo de crianças brincando; vigiando como as mães devem fazer. Eu tentei descobrir qual delas era a dele, já que havia várias mulheres loiras no grupo. Algumas eram simplesmente de cair o queixo de tão lindas.
Virei a cabeça por um instante para seguir um par de pernas torneadas enquanto uma garota bonita passava. Foi quando ouvi um grito tão de gelar o sangue que quase parou meu coração. Olhei para cima e vi aquele topete de cabelo branco balançando na água. Foi quando tudo fez sentido. Na velocidade da luz, eu me vi dentro da água gelada até o peito, procurando um tufo de cabelo. Para minha sorte, a água ainda estava quase cristalina, a espuma de verão do lago ainda não tinha crescido, e eu o puxei para fora pelo cinto.
Assim que saí da água, notei que seus lábios estavam azuis, mas eu conseguia sentir seu coraçãozinho batendo. Virei-o de costas e meio copo de água escorreu de sua boca. Apertei seu nariz e soprei algumas respirações rápidas, e eis que eu tinha nas mãos um garoto apavorado e gritando. Ele logo recuperou a cor.
Eu estava na beira da água quando a mãe dele correu até nós; a lama fria e molhada escorria entre seus dedos dos pés.
"Eu só virei a cabeça por um segundo! Um segundo só!" ela disse em pânico.
O garoto estava realmente gritando uma tempestade e ela tirou o corpo molhado dele dos meus braços.
"Tá tudo bem... Tá tudo bem", ela dizia enquanto o embalava nos braços.
"Isso é bom. Deixe-o chorar. Vai ajudar a oxigenar o sangue dele de novo", eu disse a ela.
"Você é médico?"
"Não, já pensei nisso. Eu leio muito... um hobby meu." Eu disse a ela, tentando quebrar a tensão.
Acho que ajudou um pouco, pois ela me lançou um sorriso rápido. Aparentemente, alguém ligou para avisar do acidente, pois eu conseguia ouvir uma sirene ao longe. Eu distinguia a luz de goma de mascar da ambulância no topo do teto, emitindo seus raios de luz vermelha e azul. Parecia que em segundos a ambulância chegou.
Alguém me entregou um cobertor; eu estava tremendo por causa da água fria, e notei o garoto e sua mãe entrando na ambulância. Um atendente da ambulância tentava medir a pressão arterial dele, e o garoto gritava a plenos pulmões. Aproveitando a oportunidade, tirei minha carteira do bolso de trás, deixando a água escorrer, e puxei um cartão de visita encharcado.
"Aqui", eu disse, entregando o cartão molhado a ela, "me ligue. Ele vai ficar bem, mas eu gostaria de saber como vocês dois ficam de qualquer jeito."
Ela me lançou outro sorriso rápido. "Obrigada por salvar a vida dele. Eu sou a Ellen, e este é o Andy", ela disse enquanto se inclinava para fora da porta traseira da ambulância.
"Sem problema, Ellen, fico feliz por ter estado aqui para ajudar. Aliás, sou Jacob Peters. Meus amigos me chamam de Jake."
Olhei para o garotinho. "Bem, Andy, acho que você vai ter uma história para contar ao seu pai quando ele te ver."
O rosto de Ellen de repente assumiu um olhar frio e hostil. A expressão de medo em seu rosto evaporou tão rápido quanto um floco de neve numa rocha quente de primavera, substituída por algo sinistro. "Andy não tem pai."
Afaguei o topo de sua cabeça molhada. "Então você pode contar sua história para seus amigos, Andy."
Devolvi o cobertor a um dos rapazes da equipe, pois o sol já estava me aquecendo rapidamente.
"Você está bem, senhor?" alguém perguntou.
"Muito bem. Tenho um pouco de adrenalina para queimar, mas estou muito bem."
Virei-me e observei as portas da ambulância se fecharem. Acenei para o garoto e, estranhamente, o vi acenar de volta. Comecei a correr pela trilha e, enquanto corria, comecei a pensar por que diabos Ellen ficara tão irritada com o fato de Andy não ter pai; especialmente nos dias de hoje.
Eu estava pensando em Ellen e Andy quando duas beldades jovens passaram por mim. "Ah, merda", eu disse, provavelmente alto demais. Enquanto observava os traseiros das duas garotas quicando para cima e para baixo enquanto corriam pela trilha, uma mulher linda de shorts curtos passou correndo por mim na direção oposta. Sempre fui um homem de bunda e pernas, então não ia deixar passar aquilo. Literalmente. Fiz o que qualquer homem de sangue quente faria depois de ficar confinado o inverno todo cercado por mulheres usando saias longas e jeans largos — dei uma meia-volta rápida e comecei a correr atrás dela. Todo mundo deveria ter um hobby; eu gosto de olhar garotas.
****
Os dias se acumularam e parecia que a provinha que a Mãe Natureza nos deu foi só isso. O resto da semana voltou aos dias cinzentos e monótonos do final de abril. Não pensei muito em Ellen e seu filho. Ellen não era de cair o queixo de bonita. Ela não era coelhinha da Playboy. Digamos que era bonitinha. Atraente. Sabe o tipo; bonita do jeito da garota da porta ao lado. Mesmo assim, eu não me importaria de conhecê-la melhor. Estava quase encerrando o dia quando meu telefone tocou e eu vi a linha dois acender.
Fiquei surpreso quando era Ellen. Tivemos uma conversa breve. Andy estava muito bem. Alguns exames foram feitos e ele não passou nem uma hora no pronto-socorro. Me senti ousado e, num impulso, convidei Ellen para um jantar no Rolando's. Fiquei um tanto surpreso por ela ter concordado tão rápido. Eu deveria buscá-la por volta das sete da noite no próximo sábado.
O resto da semana pareceu voar. Eu estava ansioso pra caramba com o encontro que tinha marcado com Ellen. Afinal, eu não me importaria de amassar os lençóis com ela. Antes que eu percebesse, a noite de sábado chegou e eu estacionei no estacionamento do apartamento dela. O lugar parecia bem legal, sem buracos no jardim e sem carros sobre blocos. Subi na varanda e apertei a campainha. As dobradiças da porta rangeram um pouco e ali, diante de mim, estava Ellen.
"Uau!" eu disse, quase assustado.
"Nunca fui ao Rolando's antes. Não sabia o que vestir."
Eu não queria ficar encarando. Mas me perguntei o que acontecera com a jovem de pés enlameados que eu vira saindo na ambulância e quem era aquela bela jovem que estava diante de mim. Talvez eu tivesse sido precipitado demais na minha suposição sobre a aparência de Ellen.
Pensei que ela tinha mudado alguma coisa. Lembrei do cabelo dela; longo, liso e repartido no meio. Como todas as outras mulheres usavam o cabelo. Olhei para ela e seu cabelo estava repicado. Em camadas suaves que emolduravam seu rosto redondo. Sua pele, levemente marfim, parecia brilhar sob o blush rosado. Sob sobrancelhas retas, seus olhos azul-esverdeados estavam cheios da luz dourada do sol poente.
Ela usava um vestido envelope vinho escuro com meias cor de café. Seus sapatos de salto quadrado tinham apenas alguns centímetros de altura. Tentei não ficar ali olhando-a de cima a baixo, mas não consegui me controlar.
"Pelo que vejo, você acertou em cheio."
Eu a vi corar. "Obrigada..."
******
Chegamos ao Rolando's e logo entramos naquela fase constrangedora de um primeiro encontro. Cada um de nós jogava aquelas perguntinhas rápidas de um lado para o outro, tentando descobrir um pouco mais de informação. Eu percebi que Ellen estava tensa, então pedi um vinho tinto doce. Depois de uma taça e meia, Ellen pareceu se abrir.
"Então, como está o Andy?"
"É um dia de cada vez com ele. Ele é tão propenso a acidentes."
"Ele é só um pestinha. Quantos anos ele tem?"
"Fez três anos há alguns meses, e não parou mais desde então."
"Ele vai superar isso. Eu superei. Ele é só um garoto." Levei o copo aos lábios e o esvaziei. "Olha, não quero ser intrometido, mas você mencionou no parque que Andy não tinha pai. Você é divorciada?"
Ellen não olhou para mim, mas girou o líquido vermelho no fundo de seu copo. "Não... não sou divorciada. Nunca me casei."
"Ah, entendo." Observei-a fitar o copo com tanta intensidade que pensei que o copo fosse quebrar. "Muitas mulheres estão tendo filhos agora sem se casar."
"Ele morreu."
"Sinto muito." Agora me senti um lixo. "Talvez não seja a hora."
"Não, tudo bem." Ela colocou o copo na mesa com um cuidado exagerado.
Servi um pouco mais de vinho no copo dela. Ellie olhou para dentro dele e pensei por um ou dois segundos que ela fosse chorar. Em vez disso, ela se recostou na cadeira e sorriu para mim. Então afastou alguns fios de cabelo soltos dos olhos e se inclinou.
"Ele estava de licença do Exército", ela começou. "Nós nos conhecíamos há anos, estudamos na mesma escola, festejávamos quando podíamos. Tivemos muitos bons momentos, ele e eu." Ellen soltou um suspiro longo e suave e continuou. "Ele me disse aquela velha frase. Sabe, aquela de voltar para a guerra e talvez nunca mais nos vermos. Então acabamos na cama. Russell, esse era o nome dele, voltou e três semanas depois foi morto em combate. Ele nunca soube que tinha um filho."
"Ah, merda, Ellen, eu não queria desenterrar lembranças ruins. Acho que você deve tê-lo amado muito?"
Ellen mexeu nos talheres enquanto eu via um canto de sua boca se levantar e um pequeno sorriso escapou. Então, tão rápido quanto apareceu, desapareceu.
"Eu o amei o suficiente..." A voz de Ellen se perdeu no burburinho do restaurante.
Tentei mudar o rumo da conversa. "Também passei dois anos no Exército. Eles precisavam de médicos, então me tornei um. Mas, sabe, escrevi um pequeno artigo para o Stars and Stripes e ele foi notado. Quando vi, me colocaram na frente de uma máquina de escrever e virei jornalista. Acho que não precisavam de tantos médicos assim, afinal."
"Você é escritor?" Ellen perguntou enquanto brincava com os talheres.
"Aparentemente, um escritor melhor que médico. Ah, sou editor de cidade no jornal do centro." Vi o olhar confuso de Ellen.
"Trabalho com outros repórteres e edito tudo junto. A editoria de cidade cobre o funcionamento político da cidade, do condado e do estado. Adoro política. Políticos são especialistas em mentir, distorcer a verdade e esconder fatos. Adoro vê-los se contorcer quando os pego numa mentira", eu disse. Acho que estufei um pouco o peito e Ellen riu.
"Trabalho num escritório de advocacia", Ellen disse. "A propósito, meus amigos me chamam de Ellie."
"Ellie. Gostei."
Eu a vi corar e então eu simplesmente disse sem pensar. "Ellie, você é muito atraente."
Ellie abriu a boca como se fosse falar e a fechou de novo. Seu olhar estava me deixando nervoso. Algo nos seus olhos tinha mudado. Eu não sabia ao certo o quê. Sem saber por que, seu corpo se arqueou por vários segundos. Ela se remexeu ligeiramente na cadeira e seus olhos percorreram o ambiente. Um único dedo percorria a borda do copo.
"Não quis dar em cima de você assim", eu disse.
Ela estendeu a mão e tocou a minha. Seus dedos eram tão suaves e senti arrepios surgirem no meu braço.
"Fico lisonjeada", ela disse. "Faz muito tempo que um cara não me diz isso."
Como num passe de mágica, nossa comida chegou. Antes que eu percebesse, estávamos em frente ao apartamento de Ellie. Nossa noite juntos tinha acabado. E agora começava o constrangimento do fim de um primeiro encontro. Cogitei a ideia de um beijo de boa noite, mas de alguma forma senti que Ellie não faria aquilo. Ficamos parados juntos, a mão dela na maçaneta do apartamento, pelo que pareceu uma eternidade.
"Tive uma noite ótima, Ellie." Ela apenas assentiu com a cabeça. Estendi a mão, achando que um aperto de mão era tudo que eu conseguiria, quando de repente Ellie se ergueu nos saltos e deu um beijo rápido na minha bochecha direita.
"Obrigada por salvar meu filho."
Ela sorriu para mim por um segundo, e então baixou os olhos para o chão. Então, de repente, ela se ergueu de novo e deu um beijo longo e molhado nos meus lábios. "Faz muito tempo que não me dizem que sou bonita." Ouvi a porta se abrir e ela entrou. Pouco antes de a porta fechar, eu disse: "De nada, Ellie."
*********
Foi voltar à rotina. Duas semanas se passaram. Conversamos algumas vezes ao telefone e nos encontramos para almoçar de vez em quando. Ellie parecia estar sempre na minha mente.
A equipe e eu estávamos ocupados com as últimas notícias e a maioria dos repórteres e fotógrafos estavam na rua. Só meu amigo Mick e eu estávamos no escritório. Mick tinha acabado de terminar um artigo sobre a câmara municipal e o colocou na caixa de saída sobre sua mesa. Ele enfiou um pedaço de tabaco no cachimbo e o acendeu com um clique do isqueiro. Pelo canto do olho, vi-o virar a cabeça. "Caramba, quem é a garota nova?"
Ouvi o distinto toc-toc dos saltos de uma mulher batendo no chão. Vi Mick ajeitar a gravata. Eu estava procurando um artigo e tinha acabado de virar as costas para a porta.
"Oi. Me disseram no outro escritório que Jake Peters estava aqui."
Reconheci aquela voz. "Ellie? O que você está fazendo aqui neste antro de iniquidade?" perguntei enquanto me virava.
"Estava pensando em você e tinha um tempinho livre. Só queria passar para dar um oi."
Apresentei Ellie a Mick e então Ellie sentou na beirada da minha mesa, balançando a perna esquerda para frente e para trás. Conversamos por não mais que quinze minutos. Parecia que ela mal tinha sentado quando se levantou. "Preciso voltar ao trabalho." Ellie me pegou de surpresa quando passou a mão no meu pescoço e deu um beijo bem nos meus lábios. "Passei a manhã toda pensando em fazer isso." Ellie sorriu para Mick e para mim e então saiu do escritório.
Olhei para meu amigo. "Me pergunto que diabos foi isso?"
"Ela tem sentimentos por você", Mick disse.
"Não vai começar a criar caso."
—Bem — Mick disse enquanto dava uma longa tragada em seu cachimbo —, ela andou pelo menos quatro quarteirões, talvez mais para chegar aqui.
—Como você poderia saber disso?
Mick tirou o cachimbo dos lábios e tocou seu narigão com a ponta do dedo. —Eu já estava farejando notícias e fatos quando você ainda cagava nas fraldas. O nariz sabe.
Eu ri dele. —Ah, Mick, como você saberia que ela andou tudo isso? Aposto que ela veio de carro.
—Elementar, meu caro Watson. Elementar.
Revirei os olhos. —Tá bom, Sherlock, desembucha, como você sabe?
Ele tirou o cachimbo da boca, segurou o fornilho na mão e apontou o tubo para a minha mesa. —Ellie é uma mulher bonita. Tem pernas bonitas. Reparei que ela usava meia-calça bege, provavelmente meia-calça mesmo, pela idade dela. Vi várias manchas cinza-arenosas na parte de trás da panturrilha direita. Ficaram presas na meia.
—Tudo bem, Ellie tem pernas atraentes, mas aonde você quer chegar?
—Não chove há cinco dias, então não é lama.
—E daí? — incentivei.
—Mas tem uma construção no centro e eles estavam despejando cimento na frente do prédio Howard ontem e hoje. Então, as manchas na parte de trás da meia da Ellie devem ser de cimento que respingou enquanto ela andava pela calçada. O prédio Howard fica a dois quarteirões daqui. Portanto, ela andou no mínimo daquele prédio até aqui e voltou. Pelo menos quatro quarteirões ida e volta. — Ele tocou o nariz. — O nariz sabe.
Balancei a cabeça. —Caramba, você nunca para de me surpreender.
Ouvi o fundo da gaveta da mesa de Mick se abrir e o tilintar de dois copos. —Toma — ele disse —, precisamos conversar. — Ele despejou meio dedo de Kessler's em cada copo.
—Sabe, aquela moça que acabou de sair tem sentimentos por você. Você não acha que talvez haja mais entre vocês dois do que você está demonstrando?
—Como você sabe o que ela sente?
—Eu não sei. Mas olha, é simples. Ela veio andando até aqui — de salto alto — só para um papo rápido sobre nada em particular e um beijo rápido. Agora, o que você acha?
Girei o líquido cor de caramelo no fundo do meu copo, depois inclinei a cabeça para trás e engoli metade da bebida em um gole longo. Queimou minha garganta ao descer.
—Ela certamente não é feia de se ver — eu disse.
—Sem discussão.
Mick sentou na beirada da mesa dele, a mão esquerda apoiada em um caderno. Segurando o fornilho do cachimbo na mão direita, ele o movimentava no ar enquanto falava. Quando parava, pequenos anéis de fumaça branca escapavam pelo tubo. Depois colocava o cachimbo de volta na boca e o fornilho ficava laranja enquanto ele puxava uma tragada longa e suave. —Me diga, Jake, o que você notou na Ellie?
Eu meio que encolhi os ombros. —Ela é bonita. Se veste bem. Nada mais.
—Você não notou como a blusa amarela que ela usava combinava com o cabelo castanho mel?
—Não, nem reparei.
—Entendo. — Mick bateu o cachimbo no cinzeiro. — E a pulseira de tornozelo prateada no pé direito? E os sapatos que ela usava? Scarpins pretos com um salto baixo o suficiente para dobrar o tornozelo e arredondar as panturrilhas. Ellie usava meia-calça melhor do que a maioria das mulheres da idade dela, porque não amontoava nos tornozelos. A saia preta era curta o suficiente para chamar atenção para o corpo, mas ainda assim profissional. Isso me sugere que o cargo dela no trabalho é um pouco mais alto na hierarquia do que a maioria das mulheres da idade dela teria.
—Você está especulando — eu disse.
—Jake, você olha com os olhos, mas nunca vê. — O cachimbo dele brilhou laranja. — Você notou o colar em forma de coração no pescoço dela? Tinha esmeraldas em toda a borda e no meio uma granada vermelho-sangue.
—Eu estava olhando para outro lugar.
Mick acionou o isqueiro e reavivou o cachimbo. —Pensando com o pau de novo, hein — ele disse. — Você me contou semana passada que deu um presente de aniversário para ela. Esmeraldas são as pedras de maio, e aposto que a granada no meio é pelo filho. Granada é a pedra de janeiro.
Pensei por uns instantes. —Quando tirei o Andy do lago, ela disse que ele tinha feito três anos alguns meses antes. É.
Vi Mick sorrir. —Um colar em forma de coração... Esmeraldas circundando uma granada. O amor de mãe envolvendo o filho. Jake, você olha, mas não vê.
Parecia que um cavalo tinha me dado um coice no peito. Maldito seja. Estendi a mão para o telefone quando senti a mão de Mick sobre ele. —Ela veio andando de salto alto.
Mick estava levando o copo aos lábios quando aquele pirralho de repórter aspirante e fotógrafo meia-boca, Terry, passou por acaso. Ele enfiou a cabeça na nossa sala.
—Sabe, vocês podem ser demitidos por beber no trabalho.
—Terry, cai fora — eu disse.
—Você não pode falar assim comigo! Além disso, você sabe que não pode beber álcool durante o expediente.
—Vem cá — Mick disse.
Terry deu alguns passos hesitantes para dentro da sala. —Não vejo ninguém bebendo aqui. Você vê alguém bebendo aqui, Jake?
—Claro que não — eu disse. — Isso é contra as regras.
Mick enfiou a mão na caixa de saída da mesa dele. —Aqui, já que você vai nos dedurar, entregue isso para a Joyce na produção.
Terry pegou os papéis da mão dele e saiu da sala bufando. —Sabe, esse cara deve ter fotos da mulher de alguém — Mick disse.
—Ou fotos de alguém comendo a mulher de alguém.
Mick sorriu e nos serviu mais um pouco de bebida em cada copo. —Você tem muito potencial dentro de si, Jake. Já pensou em sossegar? Você é um escritor brilhante. Eu sei que se você seguir sua paixão, sua paixão pelas palavras, há grandes coisas dentro de você.
—Sossegar, tipo casar? Não quero uma esposa, muito menos um filho ou dois. Paixão? Não sei.
—Talvez você ainda não tenha deixado aflorar. Jake, um dia desses, você vai acordar e vai ter cinquenta e sete anos. Vai olhar por cima do ombro e deitada ao seu lado vai estar uma velha e gasta prostituta de uísque. Vai ter peitos que parecem um mapa de ruas de St. Louis, cheios de veias azuis e vermelhas. Então, quando você se levantar para mijar de manhã, vai gritar de dor porque pegou alguma coisa de outra mulher uma semana antes.
—Caramba, Mick, você não sabe disso.
—Jake, eu sei que você já levou para a cama todas as mulheres que trabalham no jornal. Você tem fama. Deixe-me perguntar uma coisa. Você já fez um talho no cinto com o nome da Ellie?
Tomei um gole da bebida. —Não, não fiz.
—E por que não?
—Por mais que eu queira, não sei, Mick.
—Talvez, só talvez, você sabe que há algo mais entre vocês dois do que uma trepada casual entre os lençóis. Jake, você não sente isso, nem um pouquinho?
Entreguei meu copo a Mick e peguei meu paletó.
—Aonde você vai?
—Está um dia bonito. Acho que vou dar uma caminhada.
Mick se sentou na cadeira e enfiou outra folha de papel na IBM Selectric enquanto uma baforada de fumaça escapava do cachimbo. —Cuidado com o cimento molhado na frente do prédio Howard. — Ele sorriu e tocou a lateral do nariz com dois dedos.
********
Ellie e eu marcamos um encontro; um de vários nas semanas seguintes. Mick estava certo. Eu tinha sentimentos por ela. E odiava admitir, mas eu gostava do filho dela, Andy, também — nariz escorrendo e tudo. Mas Ellie tinha um namorado. Ou pelo menos parecia. Ela nunca falava muito dele. Eu só sabia que ele trabalhava na construção e o nome dele era Matt. Eles dividiam um apartamento, mas de alguma forma eu sentia que Ellie era o arrimo. Matt nunca parecia trabalhar muito.
Tenho uma regra não escrita pela qual vivo. Não transo com mulher casada nem com mulher que está em um relacionamento. Ellie era intocável.
O tempo estava esquentando, assim como a política. Os membros do conselho municipal estavam revoltados com uma mudança de rumo que achavam que o prefeito não deveria ter feito. Era hora de alimentação na política da cidade e eu estava engordando. Depois houve o arrombamento de um hotel em DC que estava inundando os serviços de notícias da AP. Mick e eu estávamos ocupados martelando as teclas de nossas máquinas de escrever, produzindo editoriais sobre política.
Era de manhã cedo. Só restavam alguns dedos na primeira garrafa de café. Nenhum de nós a viu chegando, mas quando ela bateu no batente da porta, ambos levantamos o olhar. Ali, de calça flare azul e sapatos plataforma baixos, estava Ellie.
—Preciso conversar — ela disse. A voz estava rouca e áspera.
—Claro. — Puxei uma cadeira. Eu via que algo estava errado. Muito errado. Eu sabia que ela não podia usar calças no escritório, então ainda não tinha ido trabalhar. Ellie ficava favorecendo o lado esquerdo do rosto, mantendo o lado direito sempre virado.
Ela se sentou na cadeira. Vi as mãos dela tremerem. Mudei uma das cadeiras vazias de lugar e sentei ao lado dela.
—O que houve? — Ela não me respondeu. Eu ganho a vida lendo o rosto das pessoas. O jeito como ficam de pé e como se portam. As palavras que usam e o jeito como os olhos se movem. Eu sabia que havia algo terrivelmente errado. Só não sabia o quê.
—Ellie, você veio aqui por algum motivo, o que houve?
—Não sei o que fazer. — As palavras jorraram. Ela virou o rosto para longe de mim. A essa altura, Mick parou de digitar e se aproximou.
Estendi a mão e, o mais gentilmente que pude, virei o rosto dela na minha direção. —Ai, Jesus. — Ellie tentava em vão cobrir um hematoma perto do olho direito com maquiagem. — Olha, Mick.
—Ah, isso vai ser um olho roxo daqueles — Mick disse enquanto tocava a bochecha dela. — Quem te bateu?
Ellie não disse nada a princípio, depois deixou escapar: —Ele tentou machucar o Andy. Eu fui impedir e ele me bateu. Peguei o Andy e corri. Jake, ele bateu no Andy!
—Matt?
Ellie assentiu. —Você disse que conhecia todo tipo de gente na cidade. Não posso voltar. Não podemos voltar. Precisamos de um lugar para ficar. Vai ser só por algumas semanas, talvez um mês, até eu juntar dinheiro para um apartamento. Não tenho nem um centavo agora. Jake, ele bateu no Andy! Não posso voltar.
—Não conheço ninguém de imediato. Posso fazer umas ligações. — Olhei para Mick. Ele colocou um dedo ao lado do nariz e bateu algumas vezes. Eu sabia o que ele queria dizer. Eu conhecia sim alguém que tinha muito espaço para as duas pessoas. Mick sabia. Era eu.
As mãos de Ellie voavam. —Se tivermos que dormir no meu carro...
—Conheço alguém, Ellie, que tem espaço para vocês dois.
—Tem?
—Sim, tenho sim.
—Não vou poder pagar nada por pelo menos duas semanas, até receber de novo.
—Isso não vai ser problema — eu disse o mais tranquilizador que pude. — Você e o Andy vão ficar comigo.
As mãos dela pararam. —E-e-eu — Ellie gaguejou. — Eu durmo com você em troca de casa e comida — ela disse sem pensar.
—Isso não vai ser necessário. — Quase me peguei rindo da oferta rápida de sexo. O rosto dela ficou vermelho vivo. Ellie sabia que o que tinha dito não era o que queria dizer.
—Não vamos incomodar. Só até eu me ajeitar.
—A gente conversa sobre isso depois, tá? Agora, primeiro o mais importante. Não tenho muita comida em casa, sou um cozinheiro horrível.
Peguei minha carteira. Dei a Ellie quatro notas de vinte dólares. —Compre algumas coisas para você e o Andy.
Assim que entreguei o dinheiro a Ellie, olhei para cima e vi Terry encostado na porta. —Ah, estou vendo que você está trazendo suas putas para o escritório agora.
Eu explodi. Pulei sobre uma cadeira, agarrei-o pela gola e o levantei do chão, depois o esmaguei contra a parede. —Se eu ouvir você chamá-la disso de novo, vou quebrar todos os ossos da sua cara. Você entendeu, seu merdinha de homem?
Terry assentiu. Estava com medo demais para falar. Senti a mão de Mick no meu ombro. —É melhor baixá-lo antes que você o mate, Jake. A papelada seria um saco.
Soltei e ele caiu no chão. Olhei para Ellie, ainda sentada na mesa. —É melhor você pedir desculpas a ela.
—Desculpe, senhorita. — Terry quase saiu correndo da sala.
Virei para Mick. —Sabe, aposto que aquele fuinha estava ali o tempo todo escutando e quando a Ellie soltou—
—Um dia desses, esse cara vai levar uma surra de bandeja — Mick disse.
—Me arruma uma bandeja, Mick — eu disse enquanto arregaçava a manga da camisa.
—Segura a onda. Ele não vale a pena ser demitido.
Ouvi o som da gaveta de Mick se abrir. Ele pegou um copo e limpou a borda com uma toalha de papel. Sentou na frente de Ellie. —Toma, Ellie, isso vai te acalmar. — Mick serviu um pouco de Kessler's no copo dela. —Vai, Ellie. Nem vamos te denunciar por beber em horário de trabalho.
Ellie bebericou a bebida. —Você chamou a polícia? — Mick perguntou.
—Não, não vai adiantar; é a palavra dele contra a minha. Não podemos ficar lá. — Ellie virou na cadeira e olhou para mim. —Eu não queria dizer aquilo. Quer dizer, simplesmente saiu. Mas se você quiser, acho que eu disse mesmo.
—Conheço esse homem há muitos anos, Ellie — Mick interrompeu. — Ele não é do tipo que se aproveitaria de você. Não se preocupe com o que você disse. — Mick serviu mais um pouco de Kessler's no copo dela.
—Nunca tive um homem que me defendesse assim, Jake. Espero que você não tenha problemas.
—Vai passar — eu disse. —Não foi problema. Ninguém deveria chamar você disso. — Mick e eu conversamos com Ellie por um tempo até ela se acalmar. Remexi na minha mesa e encontrei a chave reserva de casa que eu guardava. Dei a Ellie e a beijei nos lábios, dizendo que a veria, e ao Andy, quando chegasse em casa.
********
Ellie não tinha muitas coisas e colocamos tudo em uma das vans de entrega do jornal. Tenho que admitir que demorou um pouco para me acostumar a ter um garotinho correndo por aí; especialmente um como o Andy. Juro que ele conseguia bater em cada quina de mesa, caiu da escada, tentou voar pulando do corrimão da varanda, e a lista continuava. Mas, sabe, depois de um tempo, eu meio que gostava de ver o baixinho. Ele me encontrava na porta toda noite. Me entregava um desenho ou algo que tinha feito. Uma noite, cheguei em casa e dei a ele um Godzilla de plástico verde. Ah, você precisava ver os olhos dele brilharem quando entreguei. Instantaneamente se tornou o bem mais precioso dele. Quando ele envolvia meus dedos com aquelas mãozinhas, simplesmente enchia meu coração de luz. É, nariz escorrendo e tudo, Andy rapidamente se tornou meu melhor amigo.
Descobri que Ellie é uma ótima cozinheira, então meus dias de jantares mornos de comida chinesa para viagem chegaram a um fim abrupto. E Ellie não era feia de se ver também. Uma manhã, ela estava na cozinha usando uma minissaia de camurça com franjas na barra e botas combinando. Ellie preparou o café da manhã para Andy e para mim e eu deixei meus olhos percorrerem o corpo dela como uma mão invisível.
Uma manhã, pouco antes de irmos trabalhar, Ellie estava ocupada preparando minha marmita quando estendi a mão sobre a cabeça dela para pegar algo no armário de cima. Minha mão desceu até o ombro dela e deslizou pela curva das costas. Apertei a bunda dela na palma da mão e pude sentir a calcinha sob a saia. Meus dedos traçaram lentamente o contorno. Ellie parou de embrulhar sanduíches e ficou parada de olhos fechados. Ela balançava levemente nos saltos. O perfume de Ellie encheu minha cabeça com a fragrância terrosa de jasmim misturada com chuva de primavera. As costas da minha outra mão roçavam de um lado para o outro sobre o seio direito dela. Abaixei os lábios e ela ficou na ponta dos pés para me encontrar. Nós nos beijamos. Nossos lábios ardiam de desejo. Apertei a bunda dela e apalpei o seio. De repente, Andy entrou saltitando na cozinha e nós nos afastamos. Andy subiu na cadeira e comeu o café.
—Desculpe — eu disse. Mas Ellie não disse uma palavra.
Ellie nunca falou comigo sobre aquela manhã na cozinha. Não éramos amantes. Nunca dormimos juntos. Não ficamos de pegação. Eu a achava sexualmente atraente, quero dizer, que cara de sangue quente não acharia, mas eu também a respeitava imensamente. Não queria que Ellie fosse apenas uma transa casual. Ela merece mais do que isso. Ellie simplesmente não ia acabar como mais um risco no meu cinto. Essa era a parte do nosso relacionamento que eu não conseguia definir direito.
Ellie me ligou no final de uma tarde, tinham pedido para ela fazer hora extra, e o dinheiro foi suficiente para convencê-la a ficar. Peguei Andy na creche e fiz o jantar de sempre para ele. Já passava das oito e Andy estava na cama quando ouvi a porta ranger lentamente ao se abrir. Ellie entrou e eu percebi, pelo jeito que ela se movia, que tinha sido um dia longo e pesado.
Sei que não sou lá grande cozinheiro, mas consegui preparar algo que eu sabia que não ia matar nenhum de nós dois. Ela chutou os saltos para longe. "Oi."
Sorri de volta. Estava orgulhoso de mim mesmo e tinha tudo arrumado. Duas velas, taças de vinho, uma toalha de mesa branca e meus melhores talheres. Não era o Rolando's, mas estava muito bom. Ellie estava exausta, dava para ver nos olhos dela. Comemos em silêncio e, na metade, percebi que os dedos dela deslizavam para lá e para cá sobre os meus. Sei que é clichê dizer isso, mas havia uma espécie de eletricidade quando nos tocávamos. Os dedos dela percorriam as costas da minha mão enquanto os dedos dos pés dela, ainda de meia-calça, se mexiam debaixo da barra da minha calça. Me inclinei e, com o toque mais leve possível, beijei seus lábios. Os olhos de Ellie brilharam à luz das velas, mas era um brilho sem viço. Ela estava tão cansada que dava para ver.
"Ei, por que você não sobe e se apronta para dormir? Eu limpo aqui e, quando terminar, faço uma massagem relaxante nas suas costas. O que me diz?"
"Isso seria bom." Ellie se afastou da mesa e se arrastou escada acima.
Terminei na cozinha e, quando entrei no quarto dela, ela já estava debaixo dos lençóis, quase meio adormecida. Sentei ao lado dela com um frasco de álcool canforado na mão. "Vira de bruços", eu disse.
Ellie estava só com a parte de cima do pijama e eu a empurrei até os ombros. "Seria melhor se eu tirasse isso?", Ellie perguntou.
"Seria." Virei a cabeça enquanto Ellie puxava a blusa pela cabeça. Quando me virei de novo, ela estava de barriga para baixo, as costas nuas expostas aos meus dedos. Derramei um pouco do líquido verde nas mãos e comecei a espalhar na pele dela. Ellie se sobressaltou quando o líquido frio tocou sua pele.
"Aah, Jake, aah, isso é tão bom."
"Dia difícil?"
"Aah, foi sim... um pouquinho mais para a esquerda. Aah, isso, bem aí..."
Massageei suas costas, depois subi para os ombros e desci pelos braços. Acho que não deu dez minutos e Ellie já estava apagada. Quero dizer, estava morta para o mundo. Fiquei mais ousado. Puxei sua calcinha para baixo e massageei suavemente seu traseiro firme, depois meus dedos subiram pela parte inferior das costas até os ombros. Parei por um minuto e só admirei sua silhueta. Ah, Deus, era tão tentador virá-la de costas e explorar seus tesouros. Se fosse qualquer outra mulher deitada na minha cama, dormindo, era exatamente o que eu teria feito, mas não fiz com Ellie. Me inclinei e beijei atrás das orelhas dela, depois desci pelo pescoço e pelo ombro. Puxei um lençol sobre o corpo dela e caminhei até a porta. Olhando para trás, ponderei por que Ellie me mantinha à distância daquele jeito.
Será que Mick estava certo? Havia um nó queimando no meu estômago. Senti minha cabeça balançar de um lado para o outro. É assim que o amor começa?
Na manhã seguinte, era voltar ao trabalho. Deixei Ellie dormir mais um pouco enquanto eu preparava as marmitas e arrumava Andy para a creche. Tinha alguns minutos livres, então estava saboreando uma xícara de café. Logo ouvi o familiar toc-toc dos saltos de Ellie enquanto ela descia as escadas. "As marmitas de todo mundo estão prontas", gritei.
Ellie caminhou lentamente e puxou uma cadeira. Quando se sentou, os joelhos dela tocaram os meus.
"Como você dormiu?", perguntei.
"Eu estava podre de cansada."
"Dava para ver, você apagou em poucos minutos durante a massagem nas costas", eu disse.
"Preciso perguntar", Ellie começou, "você me bolinou enquanto eu dormia?"
"O quê?"
"Você bolinou?"
Não sou nenhum George Washington, pois às vezes conto uma mentira ou outra. Mas não ia mentir para Ellie. Desviei o olhar dos olhos dela. "Posso ter dado umas esfregadas na sua bunda, mas nada mais."
Ellie pegou minhas mãos e as colocou nos joelhos dela, depois as empurrou para debaixo do vestido até que a barra ficasse sobre meus pulsos. Ficamos sentados assim por um tempo. Nenhum de nós disse uma palavra. Minhas mãos estavam a poucos centímetros dos seus tesouros.
"Por que você não fez?", Ellie perguntou. A voz dela era suave e baixa.
Fiquei sentado por um bom tempo. Não tinha uma resposta. Observei os olhos dela enquanto eles observavam os meus. Fui puxar minhas mãos para fora do vestido quando ela me impediu.
"Por que você não fez?"
"Não teria sido a coisa certa a fazer."
Um sorriso preencheu o rosto de Ellie e ela colocou a mão na minha bochecha. "Jake, preciso te contar uma coisa. Jake, eu—"
"Mamãe!", Andy chamou enquanto entrava correndo na cozinha.
**********
Ellie só pediu para ficar algumas semanas. No entanto, aquelas poucas semanas se transformaram em vários meses. Eu não queria ser o porco machista sobre o qual Gloria Steinem pregava, mas, caramba, era ótimo ter Ellie como hóspede morando comigo. Conversamos sobre o acordo que tínhamos e concordamos que, enquanto as coisas estivessem indo tão bem, continuaríamos como estávamos.
Ellie estava me dando sinais contraditórios. Às vezes, eu só queria arrebatá-la e carregá-la para o andar de cima, arrancando suas roupas pelo caminho.
Mas eu tinha outros planos para uma garota especial que eu conhecia para o próximo fim de semana—Sue Ling.
Eu a conheci muito antes de Ellie. Repórter de uma estação de televisão local, fiquei instantaneamente enfeitiçado por ela. Era uma beleza absoluta; uma oriental estonteante que simplesmente emanava sexo. Baixinha, com cerca de um metro e sessenta, seu longo cabelo preto, repartido ao meio, caía pelas costas até a cintura. Sue Ling tinha seios perfeitos que pareciam desafiar a gravidade e pernas... ah, como ela tinha pernas.
Ela entrava numa sala e aquelas íris negras dos seus olhos capturavam a luz e a refletiam de volta nos seus olhos. Com um movimento de cabeça, seu cabelo se espalhava pelo rosto. Seu andar, longo e lento, ela se movia pela sala como uma gata siamesa negra e elegante procurando encrenca—e eu suspeito que geralmente a encontrava.
Fiz dela meu projeto pessoal. Porque se havia uma coisa que eu queria na vida, era deslizar sua meia-calça por aquelas pernas deliciosas e tirá-la de seus pés delicados. Depois, levantar seu sutiã sobre aqueles peitos empinados que eu sabia que ela devia ter, e então vê-la se contorcer e se retorcer enquanto eu deslizava sua calcinha pelas coxas. Ah, sim. Sue Ling seria minha. Ela só não sabia disso ainda. Eu estava atrás dela há mais de seis meses e, finalmente, ela concordou em sair comigo. Era minha oportunidade de marcar um golaço. Não ia jogar isso fora.
******
Sexta-feira chegou e meu encontro com Sue Ling estava a apenas algumas horas de distância. Eu estava tão nervoso quanto uma criança num concurso de soletração. Desci as escadas, já passava das sete, e meu encontro com Sue Ling era às nove. Passei a gravata em volta do pescoço e fiquei me atrapalhando com ela em frente ao espelho do corredor. Notei Ellie enquanto ela caminhava lentamente por trás.
"Queria que você não fosse", ela disse bem baixinho.
"Estou planejando isso há muito tempo, Ellie."
Eu observei Ellie umedecer os lábios. "Por que ela?"
Não havia resposta que eu achasse que Ellie entenderia. Como eu poderia dizer a ela que esperava ter Sue Ling nua com meu membro dentro dela?
"É só sexo que você quer?", Ellie perguntou.
"É só um encontro."
Me virei e coloquei as mãos nos ombros dela. Ela ajeitou minha gravata. "Se eu te contar uma coisa, você não vai rir?"
Ela assentiu.
"Eu gosto de mulheres de vestido. Sue Ling me disse que comprou um especial para o nosso encontro. Gosto das coisas macias e sedosas que ficam escondidas debaixo de um vestido."
"Eu uso vestidos."
"Eu sei que usa."
"E com coisas de seda por baixo também." Ela ajustava minha gravata, puxando-a mais apertada em volta do meu pescoço. Seus dedos pararam. "Por favor, não vá."
"Por quê?"
Ela não respondeu, mas, em vez disso, puxou minha gravata para fora. "Esta está amassada. Vou pegar uma melhor."
Ellie se virou abruptamente e saiu. Entrei na cozinha quando senti um puxão na minha calça. Era Andy. Eu o levantei e o sentei na beirada da bancada. "O que foi, homenzinho?"
"Tô com fome."
"Tá bom, aposto que você quer mais fatias de maçã?" Por alguma razão estranha, Andy simplesmente adorava maçãs, bananas e vagem; não tudo ao mesmo tempo, é claro.
"É!", ele assentiu com a cabeça. "Cadê a mamãe?"
"Lá em cima, pegando uma gravata para mim. Vou sair por um tempo."
"Por quê?", Andy perguntou enquanto mastigava ruidosamente as fatias de maçã que eu cortei para ele.
"Só uma coisa que quero fazer."
"A mamãe chora quando você sai."
Peguei o miolo da maçã e joguei no lixo. "A mamãe chora?"
"É." Andy juntou as mãos e depois afastou os braços o máximo que conseguiu. "A mamãe ama você deste tanto."
"Como você sabe disso?" Minha respiração pareceu travar na garganta.
Andy esticou a cabeça o máximo que pôde e eu me inclinei para que ele pudesse sussurrar no meu ouvido. "A mamãe me contou. É um segredo." Andy envolveu meus braços no meu pescoço e me apertou o mais forte que pôde. "Andy ama papai." Ele juntou as mãos e abriu os braços. "Eu e a mamãe amamos você montões." Ele mordeu outra fatia de maçã. Eu o coloquei de volta no chão. Ele saiu correndo para a sala de estar.
Minha cabeça estava girando. 'Papai', ele me chamou de papai. Naquele instante, Ellie entrou na cozinha com uma gravata nova na mão. "Aqui, não posso deixar você sair com a aparência que estava." Ellie passava uma ponta sobre a outra enquanto ajustava a gravata. Eu sabia que não levava tanto tempo quanto ela demorou para pegar uma gravata. Observei o rosto dela. Seus olhos estavam vermelhos e eu podia ver rastros de lágrimas secas em sua bochecha. Ellie tinha estado chorando lá em cima.
"Se você pedisse..."
"Pedisse o quê, Ellie?"
"Pedisse para eu usar um vestido, eu usaria. Eu também uso coisas macias e de seda debaixo dos meus vestidos. Eu não ofereceria resistência se você quisesse ver como minhas coisas são macias debaixo do meu vestido."
Eu não sabia o que dizer. Não esperava por aquela e Ellie me pegou completamente desprevenido. Só fiquei ali enquanto ela ajeitava minha gravata. Ellie terminou de dar o nó e senti suas mãos descerem pelos meus braços até que as pontas dos dedos pousaram nas minhas mãos. "É só pedir... Jake, por favor, não vá. Não quero que você saia com ela."
Meus olhos pegaram o relógio no fogão. "Conversamos sobre isso mais tarde." Fui em direção à porta e, quando girei a maçaneta, olhei por cima do ombro para Ellie, parada ali de shortinho de pijama e blusa de moletom. Pensei em Sue Ling. Mamãe chora. "Conversamos quando eu voltar." Abri a porta e saí.
******
Deixei a porta de tela bater furiosamente atrás de mim. Minha mente parecia um emaranhado confuso de nervos. De desejos. De necessidades. Meu carro seguiu pela estrada. Minha mente conjurava imagens de Sue Ling em pé diante de mim com um vestido curto de malha. Meus pensamentos se detinham, obcecados pela possibilidade de que, de alguma forma, eu estava cometendo um erro. Mas qual é o erro? Ir encontrar Sue Ling? Talvez conseguir algo com ela. Ou voltar para Ellie? Eu não sabia. Girei o volante. Precisava pensar—realinhar meus pensamentos. Entrei num bar que eu conhecia. Sentando num canto no fundo, pedi uma bebida rapidamente. Meus dedos envolveram o copo e eu olhei fixamente para o reflexo de um homem vazio e oco. Qual será o preço se essas forças fervendo dentro de mim não puderem escapar? Não posso ter as duas. A tempestade de dúvida crescia dentro de mim. Será que eu quero Sue Ling ou será que eu preciso de Ellie?
Mamãe chora. Essas palavras queimavam na minha mente como se alguém tivesse cravado um prego enferrujado fundo no meu cérebro. Lembro-me de todas aquelas vezes em que Ellie fez gestos sutis e provocantes. Um toque no cabelo, um ajuste na alça do sapato. Um rápido vislumbre de sua coxa quando ela se virava. Essas ondas de luz agora cortavam a escuridão. Eu estivera tão cego.Sue Ling estava me esperando. Aquelas pernas longas e lindas dela estavam me esperando. Eu queria acariciá-las, senti-las com meus dedos. Saboreá-la com meus lábios. Mamãe chora. Muti os lábios e a bebida ardeu quando coloquei o copo na boca. O que é o amor? Será que me apaixonei por Ellie? Sou um escritor procurando palavras que não consigo dizer. Será que amo Ellie?
Permito que imagens de Ellie flutuem na piscina da minha memória. Coisas maravilhosas. Sinto na minha mão a maciez do traseiro de Ellie quando a toquei sem querer meses atrás. Ela não me afastou. Meu coração e meu cérebro competem entre si. Qual caminho? O que meu futuro reserva?
Será que será um novo e glorioso nível de existência, um paraíso inequívoco na terra, ou meu inferno pessoal particular? Sue Ling é linda. Perguntas. Perguntas. Inclino a cabeça para trás e esvazio o copo. Perguntas. Mais perguntas. Elas me corroem como um parasita invisível roendo lentamente de dentro para fora. Respostas? 'É só pedir.' Ellie disse. E se eu estiver errado? Outra bebida. Olhei para o relógio sobre o espelho do bar. Mamãe chora.
Deixo a maior parte do segundo drinque na mesa. Deslizei o trocado para a palma da mão e caminhei até o telefone público. Com o tilintar de uma moeda caindo, coloquei meu futuro em movimento.
******
Enfio a chave na fechadura. O quarto está silencioso. Ouço a TV baixinha no outro quarto. Joguei as chaves no balcão no momento em que Ellie emergiu do outro quarto. Ela parou e me olhou. Meu coração acelerou quando a olhei. Sim, eu tomara a decisão certa.
Quando não falei nada, ela começou: "Você chegou cedo. O que aconteceu?"
"Fui a um bar", eu disse entorpecido, olhando nos olhos dela. Meu coração estava disparado.
"Por que você fez isso?", Ellie perguntou confusa.
"Precisava pensar direito sobre algumas coisas.", respondi.
"Sobre o quê?"
"Eu não encontrei Sue Ling." Lágrimas pareceram encher meus olhos. "Ellie, eu te amo."
Ellie disparou pelo quarto e pulou nos meus braços, enroscando as pernas na minha cintura. Ellie cobriu meu rosto de beijos. Passei a mão por baixo da blusa de moletom dela e minhas mãos subiram e desceram por suas costas nuas e quentes. Ellie era real. Ela era quente e estava nos meus braços. Sue Ling era uma fantasia. Uma imagem de Kodachrome projetada numa tela de contas de vidro sem substância.
Ellie me apertou forte e inclinou a cabeça perto do meu pescoço. "Eu amo você, Jake. Ai, Deus, eu me apaixonei por você e achava que você não sentia o mesmo."
Ellie começou a me beijar suavemente ao redor do contorno dos meus lábios, e depois roçou a boca pelas minhas bochechas antes de descer e mordiscar a linha do meu maxilar. Meu corpo pareceu estremecer. Meu rosto ficou ruborizado. Os dedos de Ellie se moveram rapidamente pelo meu peito, soltando botão por botão enquanto seus dedos desciam pela minha camisa. Ela abriu minha camisa e beijou meu peito, descendo os lábios até o abdômen. Seus beijos tão molhados, tão sensuais, que meus joelhos pareciam incapazes de me manter de pé. Meus dedos percorriam o cabelo dela, desciam pelos ombros e voltavam.
Ellie me empurrou, mantendo-me à distância, sem poder ver seus tesouros. Ela puxou a blusa de moletom pelos braços. Ergui as mãos para acariciar seus seios, mas ela as puxou para baixo. Os dedos de Ellie trabalharam no meu cinto. Ouvi o zíper sendo abaixado e os dedos dela pressionaram a frente da minha calça, abrindo-a. Sua mão deslizou sobre meu pau, quente, duro e pronto.
Ela segurou meu pau na mão, ainda escondido dentro da cueca. Movendo a mão lentamente para cima e para baixo no meu membro, eu fiquei na ponta dos pés.
"Quero isso dentro de mim", Ellie arrulhou. Sua voz parecia desesperada, cheia de desejo.
De repente, ela puxou minha camisa do meu corpo e pressionou os seios com força contra o meu peito. Seus mamilos quentes e duros cravaram fundo na minha carne. Fechei os olhos por um instante e, quando os abri, Ellie estava vestindo minha camisa. Meus olhos flagraram seus seios nus brincando de esconde-esconde por trás da camisa aberta. Ela se mexeu. O seio direito ficou exposto. Minha respiração pareceu travar nos pulmões. Minhas mãos subiram, mas então pararam. Meus olhos se encheram dela.
Ellie recuou alguns passos e, pela primeira vez desde que estávamos juntos, vi a mulher adorável e sensual que ela era. Seus olhos cravaram nos meus e, com um movimento lento e contínuo, ela baixou a calça do pijama até o chão. Ali ficou. Seus seios deslizando para dentro e para fora do tecido da minha camisa, me provocando com promessas sedutoras do que estava por vir. A menor calcinha de renda branca que já vi abraçava seus quadris.
A ponta do dedo de Ellie traçou o contorno dos meus lábios, roçando-os com o toque mais leve.
Não sei o que ela estava pensando. Mas pelo sorriso em seu rosto, devia ser algo bom. Minhas calças estavam abertas, meu pau empurrava contra a cueca e eu estava prestes a explodir. Até os pelos do meu peito formigavam.
Ellie passou os braços ao redor do meu pescoço e eu olhei para baixo e vi os seios mais perfeitos que já tinha visto. Ela sussurrou: "Me siga." Peguei a mão dela e a segui como uma criança pequena até a sala de estar.
Parecia que Ellie havia feito um pequeno forte para Andy com o sofá, algumas cadeiras e cobertores. Havia uma entrada pequena e eu engatinhei para dentro, com Ellie logo atrás de mim. Assim que estávamos lá dentro, notei Ellie mexendo nos meus sapatos. Ela os tirou, junto com minhas meias. De joelhos, ela se movia sedutoramente como um gato perseguindo sua presa. Seu cabelo caía solto, seus seios balançavam de um lado para o outro e eu podia ver seus mamilos. Ellie puxava e arrancava minhas calças, e parecia tão estranho que eu não estivesse no controle. De costas, meu corpo parecia congelado enquanto ela puxava minhas calças dos meus pés.
Seu cabelo se movia sobre minhas pernas nuas. Meu pau lutava para se libertar da cueca. Ellie abaixou o rosto contra minha masculinidade latejante e plantou um beijo logo abaixo do meu umbigo. Meu corpo se arqueou e, quando o fez, ela deslizou os dedos por baixo da minha bunda e puxou a parte de trás da cueca para baixo. Eu a observei. Sua língua desceu até o cós da cueca e então traçou a faixa elástica. Com um rosnado vindo da garganta, Ellie puxou a cueca para baixo com os dentes, libertando meu pau desesperado de sua prisão.
Fiquei envergonhado. Estava em exibição. Meu pau duro e rígido se erguia ereto e orgulhoso do meu corpo. Era Ellie quem controlava a ação. Eu era o objeto sexual. Ellie segurou meu pau na mão e depositou um único beijo em sua cabeça. Meu corpo estremeceu. Ellie aninhou minhas bolas na mão. Seus dedos desceram até a raiz do meu pau e ela me apertou firme. Beijou ao longo do corpo. Sabendo que eu estava à flor da pele, ela me soltou.
Suas mãos subiam e desciam pelas minhas pernas, sentindo meus músculos duros e tensos. Ela deixou seu cabelo chover sobre meu pau inchado. Seus dedos deslizaram nos meus pelos curtos, puxando-os gentilmente. Então seus dedos começaram a explorar as partes mais íntimas do meu corpo. Eu me contorcia contra seus dedos curiosos. O ar pareceu sair correndo dos meus pulmões. Aquilo era demais. Muito demais. Eu agarrei as mãos dela.
"Vou gozar!"Ela me soltou e baixou o corpo contra o meu. "Ainda não," ela sussurrou.
Levei minhas mãos aos ombros dela e deslizei a camisa de seu corpo. Rolei-a de costas. Enfim, Ellie estava na minha frente. Meus olhos seguiram os contornos do seu corpo. A cor do seu cabelo. Minhas mãos seguraram seus seios pela primeira vez. Ellie era tão macia. Seus seios fartos e perfeitos. Seus mamilos estavam quentes e pontiagudos. Meus dedos desceram até sua calcinha e eu puxei um lado pelo quadril, depois o outro. Senti um sorriso encher meu rosto enquanto uma faixa de pelos castanho-dourados era exposta. Ellie estava finalmente nua e era minha.
Abaixei meu rosto para seus seios, levando um e depois o outro à boca. Meus dedos se moveram pelos pelos curtos e encaracolados entre suas pernas. Demorando ali por alguns momentos, a ponta do meu dedo mergulhou em sua umidade aveludada. Encontrei seus pequenos lábios, afastei-os e provoquei a carne delicada e macia de seu botão de rosa. As costas de Ellie se arquearam e ela cravou os dedos no carpete. Apenas as pontas dos meus dedos deslizaram sobre a rigidez de seu clitóris. Eu podia senti-lo tremendo contra as pontas dos meus dedos enquanto sua umidade inundava minha mão. Meu polegar roçou sua boceta.
Ellie agarrou meu braço. "Preciso de você dentro de mim," ela disse desesperadamente. Ellie movia a cabeça de um lado para o outro.
Afastei suas pernas e lentamente me posicionei em cima dela. Os dedos de Ellie envolviam meu pau inchado e em brasa, e ela o guiou para dentro de seu túnel quente e molhado. Meu pau parecia duro como aço e quente como metal derretido. Eu estava contra sua entrada e podia sentir seu pulso contra a cabeça do meu pau. Senti sua resistência e empurrei levemente. Ellie gemeu um pouco e eu me aprofundei em seu corpo. Ela abriu mais as pernas para me acomodar. Eu estava desesperado. Nossas pernas roçavam, as de Ellie eram tão macias e suaves. O perfume dela, a cor da sua pele. Meus sentidos estavam sobrecarregados. Eu poderia me afogar em sua essência.
Ellie ergueu os quadris e eu entrei nela agonizantemente devagar para que Ellie pudesse sentir cada centímetro de mim enquanto eu a preenchia. Seus músculos se contraíram e puxaram meu pau. Os olhos de Ellie cravaram nos meus. Nós compartilhamos nossas almas. Não tínhamos mais segredos. Não haveria como esconder o que nossos corações sentiam. O que nossos corpos exigiam. Nossos lábios se tocaram e lutaram por dominância enquanto derramávamos beijos um no outro.
Os movimentos de nossos corpos ficaram mais urgentes. Eu podia sentir-me inchar dentro dela, esticando-a. O olhar em seus olhos. O calor de seu corpo subiu e se misturou ao meu. O quarto parecia tão quente que pensei que pegaríamos fogo.
Aquele acúmulo quente de um clímax no meu ventre me preencheu. Beijei Ellie e ela envolveu as pernas na minha cintura. Sua cabeça pendeu para trás e ela abafou seus gritos enquanto cravava as unhas nas minhas costas. Ellie explodiu sob mim. Seu corpo se arqueou e então ela se agarrou às minhas costas, puxou meu cabelo enquanto suspirava meu nome. Ela veio com um orgasmo terrível e glorioso de tal intensidade que fiquei assustado. Segundos depois, senti-me acumulando quente e profundo. Tomei sua boca mais uma vez enquanto apertava Ellie e inunde seu sexo com minha semente com tal ferocidade que cravei minhas mãos em seus ombros. Meu corpo pulsou, sacudiu e esperneou enquanto me drenava profundamente dentro dela. Quando os últimos espasmos passaram, me apoiei nas mãos, pairando sobre Ellie. Roubei mais um beijo.
Nossa união estava completa.
Ellie envolveu as pernas nas minhas. Nossas mãos se encontraram e nós as apertamos firmes enquanto nossas respirações se misturavam. Rolei de lado, deixando um rastro longo e molhado saindo de entre as pernas de Ellie. De costas, tentei recuperar o fôlego. Olhei de relance para Ellie e notei uma mão provocando um mamilo enquanto a outra deslizava para dentro e para fora de seus pelos encaracolados. Nenhum de nós se mexeu por vários minutos. Eu tentava encontrar palavras e Ellie estava apenas sorrindo.
Nós nos ajeitamos contra as costas do sofá. A mão de Ellie encontrou a minha e a apertou gentilmente. "Uau. Aquilo foi algo," Ellie disse e então sorriu para mim.
Ficamos aninhados dentro do nosso pequeno forte por quase meia hora. A TV, com o volume baixo, tocava ao fundo.
Ellie movia a perna para frente e para trás sobre a minha. Seu braço envolveu meu ombro e ela me puxou para perto. "Se você me pedisse."
"Pedir o quê?"
Sua voz soou baixa e cautelosa. "Me pedisse para usar um vestido."
Olhei para ela e vi o quão séria ela estava. Apertei os dedos dela nos meus. "É por causa do que eu disse sobre a Sue Ling?"
"Talvez um pouquinho," Ellie disse e mordeu os lábios. Seus dedos se moveram sobre meu peito nu tocando minha pele com o toque mais suave. "Eu estava esperando que você fizesse isso comigo," Ellie disse.
"O que você quer dizer?"
Ellie olhou para mim. Era como se ela tivesse acabado de me entregar uma chave obscura para uma fechadura muito obscura; a fechadura que ela carregava em volta do coração. A fechadura que só ela podia ver; aquela que só ela podia sentir.
Ellie virou-se para mim e agarrou minhas mãos. "Todo cara com quem já estive foi tão bruto. Eu gostaria de saber como é."
"Ellie, seria um pouco estranho depois de termos acabado de transar, só isso."
Ellie olhou em volta no nosso minúsculo ninho de amor. "Regras não existem no nosso mundo agora."
Por alguns momentos sentei com as costas contra o sofá e pensei sobre aquilo. Não era como se ela tivesse me pedido para enfiar um garfo na mão. Eu certamente estava interessado, afinal, havia planejado seduzir Sue Ling para tirar suas roupas. Toquei a mão de Ellie.
"Você colocaria um vestido para mim?"
"Serei rápida." Ellie enxugou os olhos e rastejou para fora do nosso forte.
Não cronometrei, então não sei se ela ficou fora por três minutos ou trinta. Ouvi o toc-toc de seus saltos enquanto Ellie descia as escadas. Notei um formigamento entre minhas pernas e meu pau parecia quente.
Ellie parou na frente da TV, a luz bruxuleante dela a colocava em silhueta. Ela usava sapatos marrom-escuros com uma tira delicada que se enrolava em volta de cada tornozelo. Ellie puxou a mesinha de centro e ergueu o pé sobre ela. Colocou as mãos no tornozelo e então, muito lentamente, Ellie deslizou a mão pela perna. Ellie empurrou a barra do vestido para cima até suas mãos brincarem com o cós da meia-calça. Jesus, pensei. Eu não conseguia acreditar no que meus olhos estavam me dizendo. Empurrei minhas costas contra o sofá, apreciando o show. O vestido se abriu ligeiramente quando ela mudou de posição, expondo mais de sua perna. Molhei os lábios. Caramba, como ela estava incrível.
Suas mãos subiram pelos lados e então envolveram seus seios. A rigidez voltou à minha masculinidade. Ellie ficou de quatro e se moveu em minha direção. Seus olhos brilhavam um azul índigo profundo. Ela rastejou e se deitou ao meu lado, passando o braço em volta do meu ombro. Ellie baixou as pernas sobre as minhas e lentamente moveu uma para frente e para trás no meu colo. Sua coxa roçou meu pau inchado.
Que visão estranha devíamos ser. Eu nu como vim ao mundo e Ellie, enroscada ao meu lado parecendo pronta para entrar em uma reunião de diretoria no seu escritório.
"Isso é diferente," eu disse. Ellie me olhou e inclinou a cabeça para um lado. "Normalmente, estou eu com toda a roupa e a garota está perdendo a dela."
"O que quer que você queira fazer comigo," Ellie disse calmamente. "Apenas certifique-se de fazer devagar."
O náilon macio de sua meia-calça formigou minha mão quando a esfreguei, deixando as fibras escorregadias deslizarem sob meus dedos. Eu movia minha mão um pouco mais rápido, um pouco mais forte enquanto lentamente abria seu vestido. Vi Ellie fechar os olhos e um sorriso encher seu rosto. Afastei suas pernas e minhas mãos envolveram sua virilha, ainda úmida do nosso amor. A ponta do meu dedo acariciou para frente e para trás sobre sua meia-calça e calcinha. O rosto de Ellie ruborizou e seus lábios formaram um 'o' quando eu a toquei. A boceta de Ellie inundou e meus dedos rapidamente ficaram encharcados com sua umidade.
Ela empurrou a virilha contra minha mão, submergindo meus dedos na umidade que escorria de sua calcinha e meia-calça. Ellie sugou várias respirações curtas e entrecortadas e as soltou como gorjeios curtos de pássaro. "Ooh. Ooh. Ooh. Ooh." ela exclamou. Eu observei enquanto seu rosto ficava vermelho e seus quadris começavam a se mover de um lado para o outro, girando lentamente, então seu ritmo aumentou. Ellie fechou as pernas de repente e manteve minha mão cativa.
Coloquei a mão livre em sua bochecha e rocei sua sobrancelha com os dedos. "Ellie, você é encantadora."
"Ooh. Ooh. Ooh. Ooh!"
Os olhos de Ellie reviraram e ela estremeceu e gemeu suavemente.
Abaixei a cabeça até nossas testas se tocarem. "Sua danada. Você estava se segurando, não estava?"
"Ah, Jake, aquilo foi tão bom."
Minha mão deixou sua virilha e se moveu entre seus seios, abrindo a frente do vestido. Deslizei a mão para dentro. Minha mão se encheu dela e eu sorri como um garotinho segurando seu saquinho de doces de Halloween. "Você não tem ideia de quantas vezes eu quis fazer isso." Meu polegar circulou seu mamilo escondido sob uma camada de náilon.
Ellie parecia empurrar seus seios mais fundo nas minhas mãos. "Você não tem ideia de quantas vezes eu quis que você fizesse," ela disse.
Alcancei suas costas e puxei o laço que prendia seu vestido, e espalhei o vestido sobre seus ombros. Meus dedos se moveram sobre seus seios em taça de champanhe escondidos atrás do sutiã e de uma camisola sedosa de náilon. Passei o braço em volta do ombro dela e então puxei uma respiração longa e profunda e a soltei lentamente.
"É disso que você gosta?" ela perguntou enquanto trazia o joelho contra meu pau duro. "Eu sou macia o suficiente para você?"
"Mais do que eu jamais poderia imaginar." Alcancei a mão, soltei a tira do sapato dela e tirei seu calcanhar para fora, deixando o sapato ainda no pé. "Deixa assim."
Pesquei as alças do sutiã dos ombros dela e com uma beliscada rápida o soltei do corpo, e puxei-o para baixo e para fora de sua camisola. A sensação do náilon contra seus seios nus e minha mão era simplesmente intoxicante. Deslizei seu vestido dos ombros e gentilmente o puxei para longe do corpo. A camisola azul-clara de Ellie descia apenas até o umbigo, seu sutiã era uma pilha amassada no chão. Ela estava reduzida apenas à calcinha e à meia-calça, um sapato, e a camisola.
"Foi assim que você pensou que seria?" perguntei a Ellie.
"Foi melhor do que eu poderia ter imaginado."
Estudei seu rosto e seus olhos. "Ellie, eu não trocaria este momento por todas as Sue Lings do mundo." Ellie recostou a cabeça no meu ombro. A TV lançava um caleidoscópio de cores em nosso pequeno ninho.
"Andy me chamou de papai hoje à noite."
"Chamou?"
"Você gostaria que eu te contasse?"
"Há algumas semanas, quando o peguei na creche, ele estava chorando e irritado. Quando perguntei às professoras o motivo, elas me disseram que ele não queria fazer desenhos para o pai porque não tinha um pai para dar."
"Entendo..."
"Então eu meio que disse a ele que você era o pai dele. Não achei que você se importaria."
"Nunca pensei que ouviria essas palavras." Pensei por alguns segundos. "Mas está tudo bem. Sim, é melhor do que apenas tudo bem."
"Você é mais pai para ele do que qualquer homem que já conheci," Ellie disse enquanto se aconchegava mais perto.
A curva do quadril de Ellie encheu minha mão. Inclinei a cabeça no ombro dela e fechei os olhos. Não sei o que Ellie estava pensando, mas pela forma como sua respiração havia diminuído e o brilho em seu rosto, arriscaria dizer que a fechadura havia caído do seu coração.
"Ooh, isso é tão bom," Ellie disse.
A fragrância do perfume que ela usava encheu minha cabeça. O toque floral do xampu ainda pairava em seu cabelo. A maciez de seus seios enchia minha mão. Beijei a maquiagem de seus olhos.
Meus braços a envolveram e eu puxei Ellie contra meu peito. "Eu seguro você e sinto o frescor de uma caminhada fresca em uma floresta de outono. O calor de uma lareira na véspera de Natal. O cheiro do ar logo após uma tempestade. O som de uma chuva suave de primavera em um telhado de metal. Eu seguro você."
Tracei o contorno de seus lábios com a ponta de um dedo, então segurei seu rosto em minhas mãos e beijei Ellie com o mais suave dos beijos.
Os braços de Ellie se moveram em volta do meu pescoço e me puxaram mais perto. "Todo esse tempo, você estava fingindo. Jake, você estava procurando amor."
"Eu o encontrei, não foi?"
"Sim, você encontrou, Jake."
Não sei quanto tempo ficamos sentados dentro do nosso forte. Sei que os programas de madrugada já tinham acabado e a tela mostrava um padrão de teste. Tirei o resto da roupa de Ellie o mais devagar que consegui. Não sei quem gostou mais, ela ou eu, mas fico feliz que ela tenha colocado aquele vestido. Ellie tinha razão. Eu nem sabia que estava em uma busca, mas encontrei o que estava procurando. Tinha tomado a decisão certa.
*******
"Grrrrr."
Abri lentamente um olho e depois o outro. Meus olhos focaram em um pequeno Godzilla verde que mordia meu nariz. "Grrrrr," respondi. Era Andy. Tirei o braço de baixo dos lençóis e o peguei do chão, colocando-o na cama. Fiz cosquinhas até ele rir.
"Papai, a gente tá com fome," Andy guinchou.
"Tá bom. Fatias de maçã pra você e o que o Sr. Godzilla quer?"
"Ele quer uma banana."
"Entendi. Bom, você desce a bunda pra lá e quando eu vestir a calça, vou descer pra alimentar vocês dois."
"Grrrrr," Andy rosnou e saiu correndo do quarto.
Sábado de manhã é hora de desenho na nossa casa, então cortei uma maçã e uma banana e deixei ele assistindo TV. Voltei pro andar de cima e sentei na beirada da cama, perto de Ellie. Ela ainda dormia, exausta da farra da noite passada no chão da sala.
O sol de sábado se esforçava feito louco pra entrar no quarto. Abri as cortinas, deixando os raios quentes entrarem. Sentei ao lado de Ellie. Ela parecia dormir. Toquei o rosto dela com as costas da mão e depois puxei o lençol que ela usava pra se cobrir, expondo os seios nus. Cruzei as mãos no colo e fiquei olhando ela deitada ali. O cabelo dela fluía ao redor do rosto, emoldurando-o com seu brilho loiro. Puxei o lençol até os dedos dos pés. Com as costas dos nós dos dedos, acariciei os pelos castanhos e encaracolados entre as pernas dela.
Sob a luz do sol, o corpo dela parecia brilhar. Na noite passada, a luz oscilante da TV era fraca e não consegui apreciar plenamente a forma feminina dela. Lembrei da noite passada, a pinta no seio direito, a pequena marca de nascença perto da cintura. Meus dedos deslizaram pela pele lisa das pernas dela. Um sorriso cresceu no meu rosto.
Meus dedos tocaram os seios dela, tão cheios e maduros, macios e lisos. Aproximei os lábios da orelha dela. "Eu te amo." Tirei alguns fios de cabelo perdidos do rosto dela. Vi um sorriso surgir no rosto dela. Eu sabia que ela estava fingindo dormir.
Ellie abriu um olho. Eu a peguei. Ela encheu minha mão com a sua e depois se apoiou nos cotovelos.
Ellie pegou minha mão e a colocou no seio. Assim como na noite passada, a curva do seio dela se encaixou na minha mão como se fosse feita sob medida pra mim. Ellie deslizou a mão por trás do meu pescoço e puxou meus lábios para os dela. Ela mordeu os lábios. "Agora este é nosso quarto?"
"Sim, com certeza é, de agora em diante." Eu a beijei bem onde a base do pescoço encontra a clavícula. Senti o corpo dela se incendiar. "Ooh, por mais que eu queira, é melhor a gente levantar."
"Acho que sim," Ellie disse com certa relutância.
Eu me levantei e fui até uma das cômodas. Abri a primeira gaveta e depois a de baixo. Encontrei o que procurava: os sutiãs dela.
Ellie tinha tirado as pernas das cobertas e estava sentada na beirada da cama. Fui até ela. "Vira de costas," eu disse.
Ellie se virou um pouco e eu enfiei os braços dela no sutiã, passando as alças pelos ombros. Com cuidado, ajeitei os seios nos bojos. Satisfeito, prendi o fecho.
Ellie olhou por cima do ombro pra mim. "Sabe, eu tenho vinte e cinco anos. Já tive minha cota de homens na vida, mas essa é a primeira vez que um cara veste minha roupa."
"Eu gosto de coisas sedosas em uma mulher bonita."
"Eu sou bonita?" Ellie se virou pra mim. "Tão bonita quanto Sue Ling?"
Peguei na cômoda uma calcinha. Levantando os dois pés dela, deslizei a calcinha pelas pernas até a cintura.
"Jake?"
Passei a mão pelas costas dela. Meus dedos traçaram as alças do sutiã. "Você é a mulher mais bonita que já conheci. E, Ellie, não só por fora, mas por dentro também."
Ellie girou na beirada da cama, os joelhos agora pressionados contra os meus. "Não quero parecer gananciosa, mas, Jake, não quero te dividir com outras mulheres. Você pode, agora, me dizer que sou sua?"
Juntei as mãos dela e as segurei nas minhas. "De agora em diante, nunca mais vou segurar outra mão que não seja a sua." Me inclinei e nos beijamos. Então ouvimos os sons de pezinhos subindo as escadas. Ellie puxou o lençol até os ombros bem quando Andy subiu na cama. Ele se aconchegou perto de Ellie e eu os envolvi com meus braços. "Papai ama vocês dois montões."
*********
A vida parecia nos dar só coisas boas. Era tão difícil de acreditar, mas já fazia mais de um ano que Ellie e eu nos conhecemos. Andy fez quatro anos e era um tagarela. Um verdadeiro falastrão. Era junho e os tordos que chamam o Compton Hill Reservoir Park de lar estavam criando seus filhotes. Essa decisão foi mais fácil.
Ellie estava tão sexy com sua minissaia e camisa amarela. Sentamos num banco. O mesmo banco onde sentei quando tirei Andy do lago dos patos. Nossos joelhos se tocaram. Passei o braço pelo ombro de Ellie. "Estou cansado de te apresentar como minha namorada."
Ellie se virou pra mim, surpresa. "Como mais você me chamaria?"
"Ah, sei lá, tem alguns nomes que a gente poderia usar, acho."
"Tipo o quê?"
"Eu gosto de Sr. e Sra. Ou marido e... esposa."
Pesquei um anel do bolso da calça e me ajoelhei. Tremia como um carro velho. Ouvi Ellie suspirar. "Ooh, Jake, você está...?"
"Ellie, não é o maior anel do mundo, mas é grande o suficiente pra guardar todas as lembranças que você e eu vamos criar juntos. Ellie, quer casar comigo?" Deslizei o anel no dedo dela.
Dessa vez peguei Ellie desprevenida. Ela só olhou fixamente pro anel que coloquei no dedo dela. Então ela pulou e envolveu meus braços no meu pescoço.
"Oh Deus, sim. Sim! Sim! Eu amo o som de marido e esposa juntos. Ooh, Deus, sim!"
Ellie chorou e eu tentei o meu melhor pra secar as lágrimas dela com meus dedos. Segurando as mãos dela nas minhas, observei as lágrimas se acumularem nos cantos dos olhos e escorrerem pelo rosto.
"Eu te amo, Jake."
Quando voltamos pra casa, e depois que a babá foi embora, contamos pro Andy. Não sei se a cabecinha dele entendeu a ideia de eu casar com a mãe dele, mas ele parecia feliz. As engrenagens da vida começaram a girar ao nosso redor. Conversamos sobre o futuro. Sobre talvez dar um irmão ou irmã pro Andy.
Já que meus dias de olhar pras garotas tinham acabado, decidi que precisava de um novo hobby. Então Ellie e eu começamos a transformar a casa em um lar pra ela, pro Andy e pra mim. Andy era meu ajudante. Ele segurava minhas ferramentas. Andy era meu melhor amigo.
Descobri que lar é onde você cultiva tomates, arma uma rede entre duas árvores e dá as boas-vindas aos lírios de dia no começo do verão. É um lugar onde os dedos dos pés são bem-vindos num tapete verde de gramado. Lar era um lugar onde Andy podia perseguir vaga-lumes numa noite de verão.
Acampamos no quintal. Só Andy, Ellie e eu. Ouvíamos os grilos ao anoitecer e olhávamos a lua surgir no céu noturno. Torrávamos marshmallows na fogueira e eu contava uma história assustadora pra ele enquanto a grama ficava molhada de orvalho. Ellie e eu sentávamos perto do fogo; meu braço em volta dela, nossas mãos entrelaçadas. Eram realmente os melhores tempos e eu daria qualquer coisa pra guardar aquelas lembranças, aquelas noites, se eu pudesse mergulhá-las em gotas de âmbar, trancando-as para sempre.
*******
Eu estava excepcionalmente ocupado, afinal era ano de eleição e os políticos estavam mais escorregadios que meleca em maçaneta polida. Era uma ótima temporada de caça pra um jornalista como eu. O ex-presidente deu ao país um Ford usado, e editoriais voavam como OVNIs sobre o deserto de Nevada. Quando voltei pro escritório, um bilhete estava na minha mesa. Eu deveria ir imediatamente ao consultório do médico de Andy. Larguei a maleta na cadeira e saí voando. Me perguntei o que poderia ser dessa vez. Torci pra que ele não tivesse tentado pular do corrimão da varanda tentando voar de novo.
O consultório do médico fica no centro. Não é muito longe do meu escritório, e parecia que eu estava lá em quinze minutos. Não vi Ellie nem Andy na sala de espera, então bati na janela de vidro deslizante.
"Ah, Sr. Peters. Sim," disse uma enfermeira. Eu já tinha ido tantas vezes lá que estava praticamente em bases de primeiro nome com a equipe.
Segundos depois, a porta lateral se abriu. "O que ele fez dessa vez?"
A enfermeira sorriu, como sempre fazem, mas em vez de me levar pra uma das salas de exame, fui conduzido ao consultório particular do médico. Meu estômago apertou quando vi Ellie, um lenço de papel nas mãos, e o médico na mesa.
"Andy? O que tem de errado com o Andy?"
"Talvez o senhor devesse se sentar, Sr. Peters."
Eu desabei na cadeira. Isso não era um dos arranhões e cortes usuais de Andy. Eu percebi. Era mais. Muito mais. Senti a mão de Ellie na minha.
"Ele se queixou de dor de cabeça hoje. Mal conseguia falar. As palavras saíam todas embaralhadas," Ellen começou. "Doía tanto que eu não conseguia fazê-lo parar de chorar. Jake, ele não consegue ficar em pé."
"O quê?"
"Sr. Peters, ainda não sabemos, mas estamos tirando radiografias da cabeça dele agora. Elas não vão dar uma imagem muito clara, mas se houver algo..."
"Algo? Algo tipo o quê?"
"Sr. Peters. Não estou afirmando nada agora. Mas..."
"Um tumor?"
"Suspeito que sim."
Ellie começou a chorar. "Não..."
"Estamos falando de câncer?" perguntei timidamente.
"Estamos fazendo alguns exames agora mesmo."
Bem nessa hora, uma enfermeira entrou na sala, com várias radiografias grandes debaixo do braço. O médico colocou a primeira no negatoscópio. Eu não conseguia distinguir nada. Afinal, eu era só um médico de campo e obviamente não muito bom. Ele tirou-a e colocou outra. Depois a terceira. Ele apagou a luz.
"Vou encaminhar vocês dois a um oncologista."
Eu o olhei com o olhar mais sincero que pude reunir. "O que o senhor suspeita?"
"Sem cirurgia exploratória, os raios-x são nossa única ferramenta. São sombras de luz e escuridão. Pensei, como vocês provavelmente pensaram, que Andy era apenas um garotinho travesso que parecia ter mais acidentes do que um cachorro tem pulgas. Agora me pergunto se o senso de equilíbrio dele estava sendo afetado. Com seu histórico de quedas e perda de equilíbrio e os problemas recentes com a fala..."
"Doutor?"
"Dado o histórico e as sombras que vejo nas radiografias, suspeito que Andy sofre de um glioma."
"Que diabos é isso?" perguntei.
"Em termos leigos. Um tumor cerebral."
Pronto, ele disse. Olhei pra Ellie e ela ficou branca como papel. "Oh, não, meu filho não. Andy não. Oh Deus, Jake. Andy não."
Segurei Ellie em meus braços o mais forte que pude, tentando com toda a minha força manter nós dois inteiros.
*****
O tempo não era nosso aliado. Eu conhecia muita gente na prefeitura e cobrei alguns favores. Quando contei nossa história, eles aceleraram a adoção de Andy. Semanas depois, Andy era legalmente nosso. Eu tinha um filho.
Com um vestido de noiva emprestado, um smoking alugado, família e amigos, enfermeiras e médicos, Ellie e eu nos casamos no quarto de hospital de Andy. Mick foi meu padrinho. A irmã de Ellie veio de Los Angeles pra ser sua madrinha. Eu prometi a ela um segundo casamento, completo com a igrejinha branca no campo, mas ela disse que nunca foi tão feliz quanto vendo o rosto de Andy enquanto trocávamos nossos votos. Nós tínhamos nos tornado uma família.
Exames confirmaram que Andy tinha glioblastoma multiforme. É um câncer agressivo, e os médicos de Andy não perderam tempo em começar o tratamento. Se é que se pode chamar ser bombardeado por uma máquina de radiação de tratamento. Depois vieram os remédios. Até um adulto forte teria sido derrubado de joelhos. Mas Andy, sempre o guerreiro, aguentou firme.
Os tratamentos de radiação fizeram o cabelo dele cair. A medicação deixou Andy fraco, então Ellie estava lá todos os dias pra ajudar a alimentá-lo. Eu também. Mas, de alguma forma, minha tarefa era mantê-lo de bom humor. Eu virei o cara do alívio cômico, contando histórias bobas. Eu entrava no quarto usando um chapéu de aba larga, dizendo que tinha voltado de um safári tentando pegar dinossauros.
Rapidamente descobrimos que ter um filho com câncer exigia uma mudança de paradigma no nosso modo de vida. A rotina do hospital logo se tornou a nossa rotina.
Mas não importava o que fizéssemos. Ou o que as enfermeiras e médicos fizessem. O câncer de Andy não respondia. Os médicos lançaram uma barragem de todas as armas que tinham. Mas o tumor permanecia. Desafiador como sempre.
******
As semanas pareciam se arrastar. As viagens intermináveis ao hospital. Nunca boas notícias. Caímos num sulco profundo forrado de dúvidas e arrependimentos. Às vezes, à noite, eu segurava Ellie nos braços enquanto deitávamos na cama. Ela chorava lágrimas sem fim. Eu também.
Ellie sempre mantinha uma mala arrumada e pronta perto da porta da frente. Tinha duas mudas completas de roupa pra ela e pra mim, um rolo de moedas de dez centavos pro telefone, alguns livros de colorir e brinquedos. Era nosso "kit de emergência", porque assim que o telefone tocasse, estaríamos prontos pra sair. Usamos nosso kit algumas vezes quando o hospital ligava tarde da noite.
Quando se é pai com um filho doente no hospital, você dorme com um olho aberto. Por alguma razão, essa noite, eu dormi com os dois olhos bem abertos. Tive um pressentimento. Por volta de quinze para as quatro da manhã, o telefone tocou. Pegamos nossas malas.
De alguma forma, eu acreditava que podia soltar o volante do carro e ele iria sozinho para o hospital, como se soubesse o caminho de cor. Chegamos poucos minutos depois das quatro da manhã e rapidamente subimos por elevadores e corredores até o quarto de Andy. Quando nos aproximamos, notamos um jovem médico esperando do lado de fora do quarto. Foi ele quem nos ligou. Ellie falou com o médico, eu fiquei de guarda. Não queria ouvir as palavras suaves e sombrias que ele disse.
"Nãããão..." ouvi Ellie gemer, enquanto ficava pálida como pedra.
Senti a mão do médico no meu ombro. Ele segurou a mão de Ellie. "Fiquem com ele. Sinto muito." O médico deu alguns passos para trás e desapareceu por um longo corredor. Nós dois sabíamos o que ele quis dizer. Sabíamos que esse dia estava chegando; e ele havia chegado. Então Ellie e eu fizemos o que todo pai com um filho à beira da morte faz antes de entrar no quarto — nos tornamos ator e atriz. Pintamos nossos rostos com a maquiagem da calma, da segurança, da esperança.
Ellie entrou no quarto primeiro. Senti ela desmoronar ao meu lado. Andy tinha se encolhido na cama. No começo, não consegui olhar, então virei a cabeça para os personagens da Disney pintados com cores vivas nas paredes. Mas, de alguma forma, até eles sabiam, pois parecia que até o Mickey Mouse tinha uma lágrima no olho.
Como estuque caindo de um prédio velho e podre, a fachada que tínhamos pintado em nossos rostos segundos antes se desfez em grandes pedaços, atingindo o chão como gemidos de perda. Ficamos ali, nossas emoções à flor da pele. Cruas. "Ah, merda," eu disse.
Ellie chutou os sapatos e, enquanto eu levantava Andy da cama, Ellie se deitou e eu coloquei Andy nos braços dela. "Ei, o médico disse que você não estava se sentindo bem, então o papai e eu viemos aqui pra te ajudar a dormir," Ellie disse o mais tranquilizadoramente que pôde.
Ellie embalou Andy suavemente e eu sorri um sorriso fraco e fui até a porta do quarto. Precisava de ar. Voltei-me para o quarto e Ellie olhou pra mim. "Ele quer você."
Havia uma grande poltrona de couro que parecia ser mais velha que Ellie e eu juntos. Era bem gasta e quase duas pessoas caberiam nela. Peguei Andy e o levei para a poltrona. Ellie juntou travesseiros e nós os enfiamos nas laterais e sob a cabeça de Andy. Segurei meu filho nos braços. Seu cabelo branco como neve tinha desaparecido, só restavam alguns longos fios rebeldes. Ele parecia tão pequeno. Tão leve. Ele estava acordado, mas fechava os olhos de vez em quando.
"Como você está?"
Houve uma longa pausa. "Eu vou morrer, não vou?"
Dessa vez eu pausei. Engoli em seco.
"Já falamos sobre isso antes, Andy." Minhas palavras saíram como poeira que se dissipava sem forma ou significado. Olhei para Ellie, em pé na nossa frente. Ela tinha um nó dos dedos na boca e mordia com força.
Juntei tudo o que tinha e afastei aqueles poucos fios longos de cabelo do rosto dele. "Sim..."
"Eu vou para o céu?"
"Sim, você vai."
"Como é lá, papai?"
"Eu não sei, Andy. Só sei que não tem agulhas, nem soros, nem enfermeiras bobas que te acordam pra perguntar se você está dormindo bem." Ele sorriu de leve, quase imperceptível.
"Você e a mamãe vão estar lá?"
"Sim, estaremos lá num piscar de olhos." Ellie se ajoelhou, esfregando a mãozinha de Andy entre as suas. Andy fechou os olhos e logo os abriu. "Tudo bem, você pode dormir."
Andy moveu a cabeça para os lados, devagar. "Não... se eu fechar os olhos, não vou mais ver vocês."
Meu polegar acariciou a bochecha dele. "Claro que vai."
Rios de lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem controle quando senti os dedinhos de Andy tocarem meu queixo.
"Papai, você está chorando?"
Eu o embalei e encostei os lábios no ouvido dele. "Ah, Andy, vou sentir tanto a sua falta. Eu te amo, Andy. Estarei aqui para você... sempre. _Sempre_."
Ellie e eu nos revezamos a noite toda, segurando Andy nos braços enquanto estávamos sentados naquela velha poltrona de couro. É engraçado como o subconsciente acompanha o tempo. Notei a movimentação quando o turno da noite terminou e o turno do dia começou. O barulho dos carrinhos de comida. O zumbido mecânico de uma lavadora de piso; o som de vassoura e pá dos funcionários da limpeza. Uma enfermeira entrou por volta das seis e removeu o cateter da mão dele. Ellie confortava Andy o máximo que podia. Andy parou de falar.
O sol brilhava, um novo dia começava, mas no nosso mundo, as cortinas permaneciam fechadas enquanto tentávamos em vão impedir que a morte encontrasse Andy. O meio-dia chegou sem alarde, e uma jovem enfermeira entrou e deu uma injeção de algo em Andy. Não perguntei. Não teria feito diferença. Ellie segurava Andy. O quarto estava tão silencioso. Até a agitação do posto de enfermagem não ousava entrar no quarto.
Dava para perceber que o fim estava próximo, e Ellie ficou com Andy na poltrona. Foi ela que o segurou nos braços quando ele nasceu, e agora, ela o segurava nos braços enquanto Andy esperava a morte. Ellie cantarolou baixinho uma canção de ninar para o filho. Sua voz tão suave e reconfortante, que me acalmou também.
Não era bem três da tarde quando sua canção se desvaneceu em quietude. Ellie olhou para mim, o rosto molhado de lágrimas. "Ele se foi..."
Desviei o olhar por alguns segundos, depois voltei a olhar para Ellie segurando o corpo de Andy. Assenti, confirmando. Caminhei para fora do quarto. Cruzei o olhar com uma enfermeira parada perto de uma mesa. Nenhuma palavra foi dita. Ela sabia.
Duas enfermeiras entraram no quarto e fecharam a porta. Encostei-me na parede. Fechei os olhos e tentei com todas as forças impedir que as lágrimas que sentia se acumulando nos olhos se libertassem. Ouvi Ellie gritar. Um longo lamento de desespero encheu o quartinho. Mordi os lábios—com força. Cerrei os punhos. Então senti minhas pernas derreterem, virando líquido. Minhas costas deslizaram pela parede lisa verde-azulada até minha cabeça repousar entre os joelhos. Minha mente explodiu em um caleidoscópio de imagens que piscaram diante dos meus olhos. Pensei em Andy e chorei.
******
Dizem que quanto mais velho você fica, mais rápido o tempo parece passar. Acho que é verdade. Agora as semanas parecem passar como dias e notei que estou arrancando as folhas do calendário com mais frequência. Embora o tempo pareça passar mais rápido, nós dois desaceleramos.
A morte de Andy quase nos destruiu. Ellie caiu em uma depressão profunda. Por um tempo, achei que ela e eu simplesmente não conseguiríamos continuar juntos. Pensei em ter um caso, mas mantive minha promessa para Ellie. Nunca segurei outra mão além da dela. Lentamente, Ellie melhorou. Nosso laço se tornou ainda mais forte.
Não me lembro quando foi, talvez cinco, ou oito anos depois que Andy morreu, que o Mick faleceu. Mick estava certo, como sempre esteve. Eu havia encontrado minha paixão; minha esposa, meus filhos e meu amor pela escrita. Nos anos que se seguiram, escrevi uns vinte e tantos livros, muitos deles na lista de mais vendidos do New York Times.
Aquele merdinha de fotógrafo, o Terry, foi demitido do jornal. Ele desenha roupas femininas em Nova York. Vale milhões. E a Sue Ling? Penso nela de vez em quando, especialmente tarde da noite, com a Ellie deitada ao meu lado dormindo. Soube que ela passou uma dose braba de sífilis para um dos caras com quem saiu na redação. Dez anos atrás me disseram que ela estava morrendo de complicações relacionadas à AIDS. Tenho certeza de que já se foi.
Quanto à Ellie e eu, ela me deu quatro filhos em nosso casamento; cada um precioso e único. Agora somos avós. Temos uma boa vida juntos. Ainda há muita vida pela frente, e Ellie e eu não terminamos ainda. Planejamos ficar por aqui tempo suficiente para segurar nosso primeiro bisneto nos braços. A vida tem sido boa para Ellie e para mim.
Levantei a gola contra o frio e a umidade quando senti o calor familiar da mão de Ellie na minha. O dia não estava mais tão quente quanto naquela época. Colocamos uma única rosa branca na lápide de Andy; assim como fizemos todos os anos nos últimos trinta e nove anos.
Pois veja, quando Andy morreu, concordamos que não lembraríamos o dia de sua partida. Em vez disso, lembraríamos dele em um dia diferente. Escolhemos aquele dia extraordinariamente quente de primavera, 29 de abril de 1972, o dia em que tirei um garotinho loiro do lago de patos do parque. O mesmo garotinho que conquistou meu coração e abriu meus olhos para o amor...