Contos eróticos para ler inteiros.

Lésbicas

A Forma do Nome Dela 04: Confissões na Praia

edmilton00125 minEpisódio 4 de 5

Capítulo 7 -- Pós-brilho

Harper despertou lentamente — os lençóis enrolados em um dos tornozelos como uma fita descuidada. A luz do sol atravessava as janelas altas, formando poças douradas sobre o assoalho gasto e a selva meio morta de suas plantas.

Uma meia pendia de uma haste folhosa. Sua mesa era uma zona de guerra silenciosa — canecas vazias, cadernos rabiscados e uma única colher grudada a um guardanapo por algo suspeito.

Ela gemeu e se virou.

"Meu Deus", murmurou contra o travesseiro.

O algodão aderia à sua bochecha, cálido do sono. Ela piscou, ainda embriagada pela noite anterior — por Mira. Pela voz dela. Pela boca dela. Pelo jeito suave e deliberado como ela a beijara no carro antes de deixá-la ir.

Um segundo passou. Depois outro.

Flash: os olhos verdes de Mira observando-a — estudando-a.

Flash: os dedos de Mira roçando a parte interna de sua coxa.

Flash: os sussurros, "boa noite", cada um em um idioma diferente.

Flash: aquele último olhar para ela na rua, parada em frente ao loft, sem segui-la — mas claramente querendo. Claramente sabendo que Harper queria que ela o fizesse.

Ela havia feito. Finalmente. A coisa que estivera meio sonhando, meio temendo por semanas. Havia saído em um encontro com Mira Laurent — uma mulher — e sua queda só se aprofundara. E então a beijara — e amara.

Harper soltou um som estrangulado e puxou a coberta sobre a cabeça.

Que diabos eu acabei de fazer.

Não — que diabos a gente fez.

Ela estava sorrindo. Horrorizada. Sua pele ainda cálida onde Mira a tocara — onde ela demorara — como se seu corpo não tivesse recebido o memorando de que a noite terminara.

Certo. Certo, volte.

Comece pelos fatos.

Fato um: Ela beijou uma mulher. Duas vezes. Se contar toda a sessão de amassos no carro como um único beijo.

Fato dois: Não foram apenas beijos. Não foram qualquer coisa.

Foram cuidadosos. Deliberados. Possessivos. Ela se sentiu completamente reivindicada.

Ela gemeu de novo — mais alto desta vez — e pressionou a palma da mão contra a testa.

Não foi estranho. Essa é a parte estranha.

Não pareceu experimental. Pareceu inevitável.

Como se sua boca já conhecesse o formato da de Mira.

Como se Mira tivesse escrito seu nome em algum lugar dentro dela — em algum lugar que Harper nem sabia que existia.

Mas, por que ela não subiu?

Não — por que ela não impediu Mira de ir embora?

Por que não a beijou com mais força? Ou simplesmente implorou?

Deus. Ela provavelmente implorou. Com os olhos.

Provavelmente parecia uma órfã vitoriana estendendo uma tigela vazia — "Por favor, Senhorita Laurent, posso um pouco mais."

Ela afundou o rosto no travesseiro e gritou. Saiu como um gemido abafado.

O que Mira pensava dela agora?

Fui intensa demais?

Não fui intensa o suficiente?

Ela acha que faço isso o tempo todo? Com mulheres?

Seu coração disparava. Seus lábios ainda pareciam inchados. Suas coxas formigavam. Ela usava uma regata preta que enfiara meio adormecida — sem sutiã — e a calcinha da noite anterior — encharcada e arruinada por tudo que Mira havia feito com ela sem nem tocá-la totalmente.

Sou gay?

O pensamento não a assustou. Não exatamente.

Apenas... não se encaixava em nenhum rótulo que ela tivesse preparado.

Ela se sentou. Despencou para o lado. Sentou-se de novo. Tentou chutar a coberta como se ela a tivesse traído.

"...Filha da pu--"

Por fim, encontrou as pernas, andou descalça pelo chão aquecido e ligou a máquina de expresso. A máquina gemeu. Tudo em seu apartamento gemia — o assoalho, o corpo.

Ela abriu a geladeira. Olhou para dentro. Esqueceu o que viera buscar.

Não conseguia parar de pensar nos lábios de Mira. O peso da mão dela. Aquela voz — escura, banhada em chamas.

Eu a beijei.

Eu beijei Mira Laurent... e estou implorando a qualquer deus que estiver ouvindo por uma chance de fazer de novo.

Uma pausa de silêncio.

Ding.

Seu celular acendeu no balcão. Ela deu um pulo.

Jules:

*Viva ou morta? Estou subindo.*

Antes que Harper pudesse responder, o interfone tocou.

Ela se arrastou até o aparelho e destrancou a porta sem pensar.

Quando abriu um momento depois — ainda de regata e calcinha, cabelo um absoluto ninho de rato — Jules estava lá, sorrindo. Dois cafés na mão. Óculos de sol pousados na cabeça como uma coroa.

Ela deu uma olhada em Harper e soltou uma gargalhada deliciada e escandalosa.

"Meu Deus. Sua danadinha. Você fez, não fez? Conte-me tudo."

Harper abriu a boca. Fechou. Então apenas deu passagem.

Jules entrou como um furacão de cafeína e caos, já a caminho da cozinha.

Harper ficou ali parada, piscando, radiante, mortificada.

Esfregou a nuca e exalou.

"...Eu nem sei o que aconteceu", disse ela.

⸻

Enquanto Harper afastava uma melhor amiga superexcitada, Mira estava parada imóvel na sala de estar. Emoldurada pelas janelas do chão ao teto, sua figura era só linhas longas e quietude, iluminada por trás por um banho dourado pálido de luz matinal.

Mira parecia o início do próprio dia.

A cidade abaixo estava meio abafada, borrada pela luz da manhã e a gaze suave de cortinas de linho claro. O ouro pálido se movia pelo piso de ardósia como um sopro.

Ela usava um roupão de cetim, amarrado frouxamente — bronze com um cintilação sutil, elegante no silêncio do quarto. Uma mão segurava uma pequena xícara de porcelana com expresso. Suas unhas estavam bem-feitas, sem esmalte. Seus dedos ainda se lembravam do peso do maxilar de Harper, da seda de sua garganta.

Em algum lugar atrás dela, Alisa Weilerstein tocava o violoncelo baixo e dolorido, pairando como fumaça no ar.

Mira fechou os olhos. Inspirou.

Segurou. Exalou.

Seu corpo estava consciente demais. Zumbia — contido, dolorido — ainda carregando a noite anterior sob sua pele.

A lembrança veio em detalhes perfeitos.

A perna de Harper jogada sobre a sua no banco de trás.

O calor em sua garganta.

O jeito como Harper se agarrava a ela como se pudesse flutuar para longe.

O pequeno som indefeso que fez quando Mira beijou por baixo de seu maxilar.

E então a caminhada. A porta. A pausa.

Os olhos arregalados e desejantes de Harper.

A palma de Mira contra a bochecha dela, murmurando ainda não.

Ela deveria ter subido.

Ou não — não deveria.

Não fez. Essa era a questão.

Mas aquele olhar... aquele olhar suave, desesperado...

Mira tomou um gole de expresso e deixou o calor se assentar em sua língua. Ela não se moveu. Não falou. Apenas assistiu a luz se curvar pelos prédios. Seu coração ainda batia em seus ouvidos — e mais abaixo. Suas coxas se lembravam do calor de Harper. Suas mãos se lembravam de onde estiveram.

Ela nunca estivera com uma mulher. Nunca desejara verdadeiramente estar.

Mas — havia algo sobre Harper.

Algo cru. Algo vivo.

Algo que puxava.

Ela sentiu isso na noite passada. Sentia isso agora.

Estava confusa? Sim.

Frustrada? Profundamente.

Animada? ...Inquestionavelmente.

Um som suave atrás dela.

Camille.

Mira a havia pedido para vir aqui, em vez de ao escritório. Acontecia em raras ocasiões.

Ela se moveu como uma sombra — toda presença, nenhum som — e colocou uma pasta na mesa baixa. O cabelo estava preso no coque austero de sempre, a expressão ilegível.

Em francês, baixo e seco:

"Vous avez deux heures avant votre premier appel ce matin."

(Você tem duas horas antes da sua primeira ligação esta manhã)

Sem se virar, Mira respondeu em árabe, a voz mais suave do que de costume:

"Shukran, ḥabībtī." (Obrigada, minha querida)

Camille fez uma pausa. Estudou suas costas. A postura dos ombros. A quietude.

Ela não falou novamente — mas algo em seu olhar se abrandou. Ela sabia.

Em todos os anos juntas, ela nunca vira Mira assim.

Uma pausa passou. Mira finalmente piscou e virou-se ligeiramente, erguendo a xícara mais uma vez. Seus olhos estavam pesados, sem sono, mas não cansados.

"Vou me vestir", disse em inglês. "Trabalharemos daqui hoje."

Camille deu um aceno mínimo — quase um sopro — e se afastou.

Mira ficou só novamente.

O violoncelo chorava baixinho ao fundo.

Seu roupão deslizou ligeiramente quando ela se moveu, expondo um ombro à luz.

Ela encarou a rua. Pensou nas mãos de Harper. Na risada. Nos olhos.

E por apenas um momento, ela permitiu-se sorrir.

⸻

Harper desabou no sofá como se seus ossos tivessem desistido. A coberta foi junto. Ela a puxou sobre as coxas nuas, de repente constrangida — não que Jules não tivesse reparado em tudo.

Jules veio atrás com os cafés, casualmente chutou um par de meias e um cabo USB com um pé, e se empoleirou no braço do sofá como se fosse a dona do lugar. Seu sorriso era feroz.

"Então?", ela perguntou, praticamente vibrando. "Você beijou? Você morreu? Como foi beijar a deusa egípcia do poder e da iluminação suave?"

Harper a encarou. Então pegou o café. Então a encarou de novo.

E finalmente disse, fracamente:

"...Acho que posso estar quebrada."

O sorriso de Jules se alargou. "Meu Deus! Me conte tudo. Comece pelo jantar. Não — espere — ela planejou tudo? O que ela vestia? Ela é uma estrategista, Harper. Ela não respira por acidente."

"Ela me mandou uma localização por mensagem", Harper murmurou, bebendo o café como se ele pudesse resgatá-la da beira.

Ela deixou a cabeça cair contra o sofá. "Foi — Jules, foi insano. Tipo... mágico. Ela é — ela é tão —"

"Gostosa?"

"Sim! Mas não só — ugh — não só gostosa. É como se ela fosse feita de seda e perigo e... private equity."

Jules bufou.

Harper continuou, impotente. "Sabe como ela tem aquela voz? E o sotaque? E fala como se já tivesse pensado em todas as versões do que você poderia dizer. E então olha para você como se estivesse te lendo... mas a parte que me mata?

Eu acho que ela gosta do que está lendo."

"Meu Deus, você está caidinha."

"Eu sei!"

"Você dormiu com ela?"

Harper fez um ruído triste contra o café.

"Não! Quer dizer — eu teria. Eu queria. Mas ela... não.

Ela me acompanhou até a porta, e eu queria que subisse, mas ela disse —"

Sua voz sumiu, os olhos arregalados. Então sussurrou:

"Ela disse para ser paciente."

O queixo de Jules caiu.

"Ela tocou meu rosto", Harper disse, como se ainda não pudesse acreditar. "Ela simplesmente... segurou minha bochecha e disse boa noite... em três idiomas diferentes."

Jules cobriu a boca. "Por que não pude encontrá-la primeiro?"

Harper bufou, "Você é casada."

Jules apenas deu de ombros.

Harper bateu a cabeça levemente contra o sofá. "Eu nem sei o que está acontecendo. Não gosto de mulheres."

Jules suspirou. "Acho que ela poderia virar qualquer mulher."

Harper riu novamente, "Né?"

Uma pausa. E então um retorno ao pânico.

"Eu não sei!" Harper agitou um braço. "Quero dizer — eu nunca — tipo — eu nem sei o que é isso."

Jules se inclinou, de repente mais gentil. "É uma queda, gata. Uma queda com C maiúsculo, muito sexy, de uma mulher muito poderosa que sabe exatamente o que está fazendo."

Harper piscou.

"E," Jules acrescentou, "você está sorrindo desde que entrei. Mesmo enquanto se agitava. Então talvez apenas... deixe ser uma queda. E veja no que dá."

Harper deixou aquilo afundar. Envolveu ambas as mãos em torno do café, os lábios se curvando em um sorrisinho atordoado.

Jules derreteu, então brindou sua xícara com a de Harper com cuidado exagerado. "Vamos ter que garantir que sua roupa seja melhor quando ela subir."

⸻

Harper ainda sorria para o café quando seu celular vibrou contra a almofada ao seu lado.

Ela olhou para baixo, esperando spam ou um alerta de renovação de domínio — mas seu estômago despencou no instante em que viu o nome.

MIRA LAURENT

1 Nova Mensagem

Sua respiração prendeu.

Jules estava agora esparramada no chão, folheando os discos de vinil de Harper e cantarolando algo vagamente parecido com Fleetwood Mac. Harper virou o celular de lado e abriu a mensagem.

Mira:

*Acordei com o gosto de você ainda nos meus lábios. Você sonhou comigo? Ou estava quente demais para dormir?*

Harper ficou vermelha brilhante.

"Banheiro", Jules anunciou, espreguiçando-se e saindo sem olhar.

No segundo em que ela saiu, Harper derreteu de volta no sofá como um fósforo aceso.

Que mensagem era aquela.

O que era sua vida agora.

Quem era essa mulher?

Ela encarou a tela, coração acelerado, lábios entreabertos. Então, com dedos trêmulos, digitou:

*Você não pode simplesmente dizer coisas assim quando eu mal acordei e ainda estou de calcinha, que você arruinou noite passada. Mas sim. Sonhei com suas mãos. E sua voz. ...Jules não para de te chamar de minha "deusa egípcia".*

Ela hesitou.

Então apertou enviar.

Oito segundos completos se passaram. Seu pulso deslizou como uma pedra.

Então —

Mira:

*Que bom. Gostaria de ser sua deusa. Você estava magnífica noite passada.*

Harper soltou um ruído suave e desumano e se sufocou com um travesseiro.

Ela não sabia se gritava ou entrava em combustão.

Então — outra vibração.

Mira:

*Não parei de pensar no jeito que você soa quando me deseja.*

Sua espinha inteira virou vapor.

Ela poderia ter morrido ali mesmo. Simplesmente combustido em êxtase. Ela puxou a coberta mais apertada ao redor, rindo sem fôlego, o coração batendo como um tambor no peito.

Ela queria contar tudo a Jules — sempre podia contar qualquer coisa a Jules. Essa era a mágica dela. O motivo de Harper ainda estar de pé.

Elas não começaram próximas. Jules entrou na Nudge seis meses depois, quando Harper mal estava se segurando. Ela apareceu, assumiu dois departamentos por pura força de vontade, e simplesmente... ficou. Ela fez o mundo de Harper voltar a fazer sentido.

Ela devia a Jules. De todas as formas que importavam.

Mas isso?

Isso ela queria guardar para si.

Por ora.

Algo pequeno. Sagrado. Dela.

Ela enfiou o celular sob a coberta e se enroscou mais fundo no sofá.

Um minuto depois, Jules reapareceu, o cabelo úmido de lavar as mãos, verificando o celular com uma careta.

"Ugh. Chamada de crise. Alguém está bloqueado do banco de dados de clientes — tenho que ir lá reiniciar."

"Vou junto", Harper ofereceu, já se movendo.

Jules a dispensou com a mão. "Nem. Entro e saio rápido. Você fica. Aproveite seu sábado. Beba chá. Escreva poesia sobre sua talvez-namorada aterrorizantemente sexy."

"Ela não é minha — "

"Mmm-hmm."

Jules pegou a bolsa e as chaves, parando na porta.

"Sério mesmo", ela acrescentou, mais suave agora, "você parece... feliz. Não pense demais."

Harper sorriu.

"Vou tentar não pensar."

Jules piscou e desapareceu.

O loft se aquietou atrás dela. Luz cálida filtrava pelas janelas. Algumas plantas balançavam na brisa fraca.

Harper afundou no silêncio.

Ela não abriu o celular.

Ela apenas descansou a palma da mão sobre ele.

E sorriu.

⸻

O expresso de Mira esfriava ao seu lado, intocado desde o primeiro gole.

Ela se recostou na poltrona de veludo perto da janela — vestida agora, composta com fluidez. Uma blusa de seda creme suave se moldava sobre seu corpo, ligeiramente larga, as mangas enroladas com elegância até o cotovelo. O botão de cima estava desabotoado, revelando um vislumbre de clavícula e colares sobrepostos — turquesa e ouro — capturando a luz matinal com intenção silenciosa.

Suas pernas longas estavam envoltas em calças de linho de cintura alta, tom taupe quente. Sob medida mas amplas, pregueadas. Moviam-se como estrutura líquida quando ela cruzava os tornozelos.

Sua trança escura fora enrolada em um coque baixo, com algumas mechas deliberadamente soltas para emoldurar o rosto. E porque estava em casa — estava descalça. Seus pés eram estreitos e elegantes, com um brilho discreto em cada unha imaculadamente pintada.

Seu celular repousava em sua mão.

Tela escura.

Ainda sem resposta.

Mas ela não estava preocupada.

Estava sorrindo.

Ela tamborilou a borda do aparelho com um dedo enquanto relia sua própria mensagem:

*Não parei de pensar no jeito que você soa quando me deseja.*

Um arrepio pequeno e privado enrolou-se na base de sua espinha.

Ela imaginou aquilo — Harper lendo. Corando. Xingando baixinho. Provavelmente escondida sob um travesseiro, mãos sobre o rosto.

Era... divertido.

Ela não flertava assim há anos. Não desse jeito. Não sem estratégia. Não por alegria.

E essa garota — essa garota caótica, brilhante — trouxe isso à tona com um único olhar.

Seu olhar derivou para a pasta que Camille trouxera mais cedo.

Ainda estava intocada sobre a mesa.

Ela deveria estar trabalhando.

Camille havia saído vinte minutos atrás para buscar um envelope de courier assinado. Ela não dissera uma palavra sobre as mensagens que Mira enviara em sua presença — mas Mira notara o leve tique de sua sobrancelha. O silêncio expressivo de alguém absolutamente não julgando.

Ainda assim. Mira não se importava.

Ela estava mandando mensagens para uma mulher... uma mulher mais jovem.

E trabalhando descalça, de casa.

Ela nunca imaginara que seria esse tipo.

Ela nunca havia sequer pensado em si como alguém curiosa. Ela só namorara homens. Dormira com eles. Amara um ou dois. Ela conhecia seu efeito sobre os homens — o formato do olhar deles, o jeito como podia inclinar os cômodos em que estavam. Homens eram fáceis.

Mas isso...

Harper havia desatado algo nela.

E ela tinha vinte e seis.

Mira vira a data de nascimento dela no arquivo da Nudge Engine.

Mira soltou um suspiro lento e inclinou a cabeça para trás contra a cadeira.

Nove anos.

Mira era nove anos mais velha que Harper.

O escândalo disso.

Ela sorriu para si mesma.

Será que Harper sabia? Mira duvidava. Ela não havia feito a mesma pesquisa. Sua voz ainda carregava aquela qualidade aberta, maravilhada — crua e desprotegida. Ela não estava calculando. Ainda não.

Se ela se importasse... se hesitasse... Mira a mostraria. Gentilmente. Claramente.

Que não importava.

Que idade não significava nada quando as mãos de Mira estavam sobre ela.

Quando Mira a fazia rir. Quando Mira a beijava de novo.

Ding.

Seus olhos desceram.

Harper:

*Para ser honesta. Não dormi. Você me deixou latejando, Mira. Estou aqui sentada tentando trabalhar e não consigo parar de pensar nas suas mãos nas minhas coxas. Minha melhor amiga acabou de sair e estou oficialmente sozinha. Diga mais alguma coisa que me arruíne.*

Os lábios de Mira se entreabriram.

Ela se ajeitou na cadeira, subitamente consciente da pressão entre suas coxas.

A ânsia. O calor.

Seu pulso desacelerou. Se aprofundou.

Ela pousou o espresso delicadamente. Pegou o celular. Deixou o dedo pairar sobre o teclado.

E sorriu.

⸻

O bar era estreito e mal iluminado, todo em tons âmbar quentes e cabines descombinadas. Luzinhas de fada serpenteavam sobre tijolos aparentes, lançando um brilho suave que fazia até a tinta descascada e a madeira arranhada parecerem românticas.

Era uma segunda-feira, o que significava que não estava barulhento – só os frequentadores de sempre pós-expediente, alguns tipos da mídia, um flerte de fundo e um cover acústico terrível de Mr. Brightside vazando dos alto-falantes.

Harper estava encolhida em uma cabine de canto ao lado de Jules e Max, uma perna dobrada sob a outra, uma margarita de mezcal meio bebida suando em sua mão. Ela estava no meio de uma história – algo sobre uma falha de UX envolvendo um emoji acidental de mamilo em uma notificação de produto – e rindo com convicção de corpo inteiro.

Max riu, mas Jules se acabou – um bufo completo, a bebida quase saindo pelo nariz.

"Você não lançou isso ao vivo."

"Lancei!" Harper sorriu. "Trinta e seis horas antes de alguém perceber. A Compliance me ligou, chorando de rir. Tivemos que redigir uma política interna de 'sem emojis em comunicações transacionais'."

Ela usava um tricô macio, cor de osso, com o decote largo escorregando por um ombro para revelar a alça de um sutiã escuro. Seu cabelo estava bagunçado pelo vento, ainda um rabo de cavalo desgrenhado, e suas bochechas estavam coradas do calor da cabine e do mezcal.

Max não conseguia parar de olhar para ela.

Não de um jeito assustador. Só... quietamente. Como se ele estivesse observando uma luz na qual não podia pisar. Suas mãos, o jeito como ela falava com elas. O rubor em sua garganta quando ela se empolgava. A curva de seu sorriso. O jeito como ela inclinava a cabeça e cravava aqueles olhos azuis nos seus quando ouvia – sua mente sempre correndo à frente da sua.

Ele não conseguia se lembrar de não ter uma queda por ela. Todo mundo que conhecia Harper por mais de dois minutos tinha. Aos seus olhos – ela era dolorosamente linda, perfeita. Uma gênia caótica.

Mas agora, ela se iluminava à mera menção do nome DELA.

Ele não estava com ciúmes. Não exatamente. Mas algo dentro dele doía. Ela era brilhante e estranha e inalcançável, e nunca havia pertencido a ninguém.

Até... talvez agora.

E era por outra mulher. Ele não tinha nada contra isso. Mas Harper sempre tinha sido hétero, não era? Pelo menos tinha sempre namorado homens.

Ele tinha visto alguns deles – as poucas vezes que eles tinham vindo ao Nudge para buscá-la. Nenhum deles tinha sido bom o bastante. Ele esperava que essa mulher fosse.

⸻

O celular de Harper acendeu ao lado de sua bebida.

Ela olhou para baixo, meio ouvindo a história de Jules – e parou.

Mira:

*Fica aí.*

Harper encarou a tela. Seu pulso disparou – algo imprudente, florescendo quente sob sua pele.

Levou um segundo para entender o que a mensagem significava...

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