A Filha de Frank
Só um curtinho, já que faz algumas semanas que não posto. Como os leitores já devem saber, eu não deixo enredo e desenvolvimento de personagem atrapalharem a história.
— Querida, o que aconteceu? — Carolyn Carr perguntou à filha quando Missy entrou correndo na casa dos pais. Ela abraçou a filha soluçante, dando tapinhas nas costas com uma mão e alisando a cabeça com a outra.
— Ben foi embora! — Missy gritou. — Ele mandou entregar isso no meu trabalho! — ela chorou, se afastando da mãe antes de enfiar o envelope nas mãos do pai.
Frank Carr pegou o envelope enquanto a esposa envolvia a filha nos braços e a apertava contra o peito.
— Onde está o Benjamin? O Ben ainda está com ele? — Frank perguntou à filha. No estado em que estava, Missy não deveria estar dirigindo por aí com o filho no carro.
— Sim — Missy ofegou entre os soluços e lágrimas.
Ben tinha deixado Kevin, o filho mais novo dele e de Missy, com Frank e Carolyn mais cedo naquele dia e perguntou aos sogros se podiam cuidar de Kevin, já que ele tinha uns recados para resolver com Benjamin. Nem duas horas depois, Missy ligou para os pais quase histérica depois de receber os papéis do divórcio no trabalho. Ela dirigiu até a casa dos pais, apesar dos apelos para que deixassem que a buscassem.
Frank sentou no sofá de dois lugares enquanto a esposa e a filha desabavam nos braços uma da outra no sofá. Carolyn alisava o cabelo da filha, que chorava encostada no peito da mãe.
Frank tirou os documentos do envelope e leu "Petição de Divórcio" no primeiro documento. Ele balançou a cabeça sombriamente enquanto lia o documento. Não houve aviso nem discussão entre o futuro ex-genro e a esposa. O cretino tinha entregue os papéis para ela no trabalho sem nenhum aviso, para choque, mortificação e humilhação da filha.
Enquanto Frank lia o documento, olhou para cima, confuso:
— Missy, ele está pedindo o divórcio com base em adultério. Você traiu ele?
— Não! Ele meteu na cabeça que eu tive um caso com um colega do trabalho. Não é verdade! Eu nunca trairia o Ben. Eu amo ele! — Missy berrou a última frase num choro que soou como um animal ferido.
"Vou pregar o traseiro dele na parede do meu escritório", Frank pensou consigo mesmo. "Inventando acusações falsas para difamar a Missy e conseguir o divórcio. O filho da puta provavelmente estava traindo ela." Enquanto continuava lendo a petição de divórcio, sentiu a sobrancelha esquerda subir; um sinal claro de descontentamento.
— Missy, por que o Ben acharia que você está traindo ele?
Missy encarou o pai e depois olhou suplicante para a mãe:
— Eu não sei! Será que foi quando eu abracei um dos vendedores depois de ele fechar uma grande venda? — A declaração saiu como pergunta, enquanto Missy tentava descobrir o que o marido poderia ter visto e entendido mal.
— E foi só isso? — Frank perguntou. — Um abraço inocente num colega de trabalho?
Missy continuou encarando o pai com exasperação:
— Ele me beijou num happy hour depois do trabalho. Eu bebi demais e, assim que me dei conta, empurrei ele para longe. Mas foi só isso que aconteceu, eu juro!
Enquanto Frank continuava a ler, a sobrancelha continuava subindo em direção à testa, um tique que não passou despercebido pela esposa.
— Aonde você quer chegar, Frank? — Carolyn perguntou, com um tom cortante na voz. — Você está acusando a sua filha de alguma coisa?
— Não; ou pelo menos ainda não. Mas a gente conhece o Ben há quanto tempo... sete ou oito anos? Eu trabalho com ele todo dia. Isso é completamente fora do normal para ele, então estou tentando entender onde ele está com a cabeça.
— Enfiada no próprio rabo — Carolyn retrucou para Frank enquanto continuava a consolar Missy. Ela trouxe uma caixa de lenços de papel para Missy, e já havia uma pilha crescente de lenços usados na mesa de centro à sua frente. — Como você pode sequer considerar ficar do lado dele depois do que fez com a nossa filha?
— Não estou tomando partido de ninguém até terminar de ler esta petição — Frank disse.
— Com quem ele está te acusando de trair? — Frank perguntou à filha. — E por que ele acha que foi um caso em vez de um abraço inocente e um beijo de bêbada?
Missy se afastou da mãe e limpou o rosto com um lenço:
— Ele acha que eu estava tendo um caso com o Andy Hebert, um dos nossos representantes de vendas. Mas eu não tive! Ele deve ter visto alguma coisa e entendeu mal.
Frank assentiu lentamente:
— O que você acha que ele pode ter visto?
Missy começou a chorar de novo.
A expressão de Frank estava mudando lentamente de compreensiva e solidária para o que a esposa chamava de "cara de pedra", enquanto ele continuava lendo os documentos.
— O Ben está pedindo a guarda compartilhada 50-50 do Benjamin, se nomeando o responsável principal. — Frank olhou para a filha, a expressão sombria. — Ele não está pedindo a guarda nem visitas ao menor conhecido como Kevin Andrew Davis. Ele pede ainda que o nome dele seja removido da certidão de nascimento do menor Kevin Andrew Davis e que o sobrenome de Kevin seja alterado.
Carolyn e Missy arfaram com a revelação. Missy se jogou nos braços da mãe e começou a soluçar e berrar.
— Missy? Missy! Olhe para mim! — Frank disse em voz alta, sobrepondo-se aos gritos da filha.
Missy parou de chorar e olhou para o pai. Carolyn Carr olhou para o marido com irritação pela falta de empatia dele com a filha.
— O Ben está te acusando de trair com o Andy Hebert. O nome do meio de Kevin é Andrew porque você disse que sempre gostou desse nome. Vou perguntar de novo: você traiu o Ben com esse tal de Andy?
Em resposta, Missy soltou um berro alto e começou a soluçar ruidosamente nos braços da mãe. Carolyn olhou para o marido com raiva.
— Por favor, você pode parar com isso? — Ela sibilou para o marido.
— Você sabia? — Frank perguntou à esposa.
— Sabia o quê? — Ela perguntou. Frank podia ver a fúria fervendo nos olhos da esposa.
Frank ergueu uma folha de papel:
— Isso aqui é o motivo pelo qual o Ben não está pedindo nenhuma porcentagem da guarda do Kevin. É um teste de DNA que diz que há menos de 0,00002% de chance de o Ben ser o pai do Kevin. Então, me diz, Carolyn, há quanto tempo você sabia disso?
Depois de quase trinta anos de casamento, Carolyn conhecia o marido melhor do que ele mesmo. Ela sabia que o casamento estava à beira do precipício. Se ela admitisse ao marido que Missy tinha lhe contado, desde o início da gravidez, que não tinha certeza de quem era o pai, então Frank muito provavelmente se divorciaria dela. Se, no entanto, ela mentisse e Frank descobrisse a mentira, o casamento estaria definitivamente acabado. Mas só se ele descobrisse.
Carolyn balançou a cabeça e jogou os dados:
— Eu não sabia. Estou ouvindo isso pela primeira vez. Acho que a Missy está tão chocada quanto nós.
— Duvido — Frank disse, seco. — Mas tem uma forma de me tranquilizar. Quero ver o celular de vocês duas.
Carolyn se levantou de repente e apontou o dedo furiosa para o marido:
— Você não vai invadir a nossa privacidade — retrucou Carolyn. — Você não vai vasculhar os nossos celulares.
Frank olhou para a esposa e assentiu lentamente:
— Dizem que quem não deve, não teme. Estou supondo que você tem muito a esconder, então vou ser bem claro para não haver chance de você interpretar mal ou não entender o que estou dizendo. Ou vocês duas desbloqueiam os celulares e me entregam agora mesmo, ou eu entro com o divórcio amanhã.
Carolyn olhou para o marido com os olhos apertados de raiva e gritou:
— Eu nunca te dei motivo para desconfiar de mim! Nós não vamos te dar os celulares e não vamos nos divorciar!
Frank franziu a testa para a esposa:
— Eu te peguei em várias mentirinhas ao longo dos anos. Sempre deixei passar porque achava que a briga que teríamos por causa das mentiras não valeria o desgaste. Que vergonha eu ter te encorajado todos esses anos. Até onde sei, as mentiras que você contou estavam encobrindo traições suas. Antes de hoje, eu não teria considerado essa possibilidade, mas agora... vendo a sua filha tentando enganar o marido para criar o filho de outro homem? Dane-se isso. As vendas caíram. Ou são os celulares ou o divórcio. E se você acha que estou blefando, atreva-se a descobrir.
Aquele era um lado de Frank que nem Carolyn nem Missy jamais tinham visto. A determinação sombria não admitia negociação.
— Vai se foder! — Carolyn gritou, mostrando os dentes num rosnado feio. — Eu vou te deixar pelado no divórcio. Vou tirar tudo que você tem e você vai ter sorte se morar no carro.
Frank se levantou do sofá de dois lugares, jogando os papéis na mesa de centro. Olhou para a esposa e a filha e balançou a cabeça enquanto caminhava para a cozinha. Voltou um minuto depois carregando um saco plástico Ziploc. Ele inverteu o saco sobre a mão e, usando o saco como luva, pegou um punhado dos lenços usados na frente de Missy. Inverteu o saco de volta à posição normal, prendendo os lenços lá dentro, e então fechou o lacre do Ziploc deslizando entre o polegar e o indicador.
— O que você vai fazer com isso? — Carolyn perguntou, enquanto se movia em direção a Frank, a voz aumentando para um grito. Ela tremia de raiva mal contida ao apontar para o saquinho com os lenços usados. Em quase trinta anos de casamento, Frank nunca tinha testemunhado aquele aspecto da personalidade dela. Começou a se perguntar se conhecia a esposa de fato.
— Vou descobrir com o Ben qual laboratório ele usou para o teste de DNA que mostrou que o Kevin não é filho dele. Depois vou descobrir se a Missy é minha filha ou se você esteve mentindo para mim por quase trinta anos.
Carolyn soltou um guincho e se lançou sobre Frank, as unhas cravando e arranhando o rosto dele.
A menos que tenha acontecido com você, é difícil descrever o efeito de ficar sem ar. É uma frase tão comum, mas a maioria das pessoas nunca vivenciou de fato. Ficar sem ar induz pânico porque o ar é instantaneamente expelido dos pulmões quando eles se esvaziam. Não conseguir respirar nem puxar nenhum ar para o corpo gera terror na mente, já que você pensa que vai morrer. Os segundos que os pulmões levam para se encher de novo parecem minutos, enquanto o corpo luta para respirar. Frank fez seis anos de karatê na juventude e, embora já fizesse quarenta anos, tem coisas que a gente nunca esquece.
Quando as unhas da esposa rasgaram sua carne, Frank usou um golpe com a palma da mão na região superior do plexo solar de Carolyn. Não foi um golpe forte; na verdade, Frank sabia que deixaria pouca ou nenhuma marca. Mas o efeito foi expulsar todo o ar dos pulmões de Carolyn, deixando-a rolando no chão, arranhando o ar em terror e sem conseguir respirar. Isso fez Carolyn entrar em pânico, o que por sua vez fez Missy entrar em pânico ao ver a mãe agarrar a garganta e tentar respirar.
Enquanto a esposa rolava no chão, Frank caminhou rapidamente para o fundo da casa, onde ficava seu escritório. Sabia que, em cerca de um minuto, Carolyn estaria respirando normalmente de novo, e ele queria sair de casa o mais rápido possível. Frank pegou o MacBook Air e o iPad e rapidamente acessou o roteador Wi-Fi, alterando a senha. Carolyn ainda poderia usar o celular para acessar a internet, mas ficava frustrada fazendo qualquer coisa além de rolar o Facebook ou Reddit no telefone. Qualquer atividade bancária ou de cartão de crédito ela preferiria fazer no computador de mesa Windows no quartinho dela. Frank rapidamente jogou algumas mudas de roupa na mochila e saiu de casa, passando pela esposa, que estava sentada, inspirando profundamente os pulmões em grandes golfadas de ar. E disse adeus a trinta anos de um casamento majoritariamente feliz.
Frank saiu dirigindo rápido até chegar ao McDonald's mais próximo, onde usou o Wi-Fi deles para acessar o Safari. Frank entrou na conta do American Express, pagou o saldo e encerrou o cartão Amex Gold conjunto. Depois entrou no Chase, pagou o saldo e encerrou o cartão de crédito conjunto do Chase, antes de acessar o Chase BillPay e emitir um cheque para si mesmo, aos cuidados da empresa de paisagismo que possuía, no valor da metade do saldo restante na conta conjunta. Os paisagistas de Frank cuidavam do jardim dele, e ele pagava uma taxa simbólica à própria empresa para manter a legitimidade; por isso, havia muito tempo cadastrara a empresa como beneficiário.
+++
— Frank — Adam Davis disse, o tom seco e sem inflexão.
— Oi, Adam — Frank cumprimentou o futuro ex-sogro da filha. — É uma situação dos infernos, não é?
— Não podia estar pior — Adam disse, abrindo a porta para Frank. — Vamos para o pátio ver os golfistas. Bourbon? — A casa dos Davis ficava num cul-de-sac que dava para o campo de golfe do clube, do qual ambas as famílias eram sócias. A esposa de Adam tinha vencido o campeonato feminino do clube nos últimos quatro anos, fato do qual Adam se orgulhava extraordinariamente.
Depois de se acomodarem no pátio dos Davis, com bourbon na mão, Frank começou a conversa:
— Como o Ben está?
Adam inclinou a cabeça para Frank, como quem pergunta: "Sério?"
— Eu sei; pergunta idiota. O que ele está passando é praticamente a pior coisa que um homem pode passar. Eu diria, exceto perder um filho, mas é exatamente isso que ele está passando, não é? Ele está perdendo o filho mais novo, e você está perdendo o neto mais novo.
— Como a Missy pôde fazer isso com ele? O que aconteceu com aquela garota?
Frank suspirou e balançou a cabeça:
— Ela sempre foi mimada, e em vez de eu bater o pé, simplesmente fiz vista grossa. Acho que isso torna a culpa tanto minha quanto de qualquer pessoa.
Adam deu de ombros:
— Talvez, mas provavelmente não. Ela é uma mulher adulta, plenamente capaz de tomar as próprias decisões e assumir a responsabilidade pelos atos dela.
Frank assentiu, concordando, antes de tomar um gole de bourbon:
— Onde o Ben está se escondendo? Imagino que ele esteja com o Benjamin?
— Estão na casa do lago. Ele não quer ver nem falar com a Missy, e quatro anos é muito novo para ver a mãe tendo um colapso. Ainda bem que o Kevin não tem nem um ano. Ele não vai se lembrar do Ben. Não posso dizer o mesmo do Ben, no entanto. Ele estava tão feliz por ter dois meninos.
Frank balançou a cabeça tristemente, com lágrimas nos olhos:
— Eu não culpo ele. Também não estou com muita vontade de ver ela. Nem a mãe dela. Acontece que minha doce e amorosa esposa soube o tempo todo que havia a chance de o Ben não ser o pai do garoto, e não me disse uma única palavra sobre isso. Agora estou desconfiado de não ser o pai da Missy, e larguei a Carolyn.
— Santo Jesus — Adam disse, exalando lentamente. — Quando eu estava pensando que isso não podia ficar ainda mais fodido, você disse: "Segura minha cerveja".
Frank ergueu o copo para Adam num brinde silencioso.
Adam continuou:
— Por mais puto que eu esteja, você deveria ver a Babe. Ela me dá um medo do caralho. — Babe Davis era a esposa de Adam havia trinta e dois anos. Filha de fazendeiro e atleta talentosa durante todo o ensino médio e a faculdade, recebeu o nome em homenagem à atleta mundialmente famosa e nativa de Port Arthur, Texas, Babe Didrikson Zaharias. Como aquela Babe, Babe Davis (nascida Landry) tinha se destacado no tênis e no golfe durante toda a escola e a faculdade. Babe chegou a passar um ano jogando contra profissionais como amadora em torneios da LPGA antes de engravidar do Ben.
— Se não fosse a Missy ser a mãe do Benjamin, acho seriamente que ela mataria a Missy a tiros. Nunca vi ela tão furiosa — Adam acrescentou.
Frank balançou a cabeça:
— Mantenha ela na rédea. Não quero que ela se meta em encrenca por causa daquelas duas vagabundas. Já é ruim o bastante eu provavelmente ir para a cadeia.
— Você? Cadeia? Que porra é essa, Frank? Tem a ver com esses curativos na sua cara? — Frank havia parado numa CVS para comprar Neosporin e band-aids para o rosto antes de chegar na casa de Adam e Babe.
Frank assentiu e contou a Adam a história de ter pegado os lenços usados de Missy para teste de DNA e o subsequente ataque de Carolyn contra ele, antes de ele dar um soco no estômago dela.
— Jesus Cristo do caralho, Frank! — Adam olhou para Frank com respeito. — Normalmente eu não concordaria com bater numa mulher, mas porra, se já houve alguém que merecia uma boa surra...
— Ela mereceu, mas sei que aquelas duas vão inventar uma versão diferente, então imagino que serei preso em breve. É sobre isso que eu queria falar com você. Pode entrar em contato com o Ben e avisar que ele vai precisar se virar sozinho por um tempo? — O genro não só trabalhava na empresa de paisagismo de Frank, como havia comprado uma participação e agora era dono de um quarto do negócio.
— Com certeza. Ele tem um celular descartável, e vou confirmar se posso te passar o número.
A conversa deles foi interrompida quando a esposa de Adam, Babe, atravessou a cozinha e entrou na sala. Ela olhou friamente para Frank e, sem tirar os olhos do visitante, perguntou ao marido: "O que ele está fazendo aqui? E por que a polícia estava chegando bem na hora em que eu entrava na garagem?"
"Calma, querida. Frank está do lado do Ben nessa história toda. Acontece que a Carolyn sabia de tudo sobre o caso da Missy e que o Kevin talvez não fosse filho do Ben. Frank saiu de casa..." O que quer que Adam fosse dizer em seguida foi interrompido pelo toque da campainha.
Babe atendeu a porta para os policiais e, diante da pergunta deles, virou-se para Frank, que assentiu com a cabeça. "Eu imaginei que isso ia acontecer", disse ele enquanto caminhava até a porta para receber os oficiais, que prontamente o fizeram se virar e se submeter a ser algemado.
Os policiais sentaram Frank e pediram sua versão dos fatos. Quando ele descreveu o ataque de Carolyn e suas ações defensivas, mostrando os arranhões no rosto, os oficiais se mostraram compreensivos, mas inflexíveis.
"Se o senhor tivesse nos chamado naquela hora, provavelmente seria ela quem estaria sendo presa em vez do senhor."
"Vou fazer o Ben acionar o advogado dele para você", disse Adam. Babe abraçou Frank enquanto a polícia o escoltava para fora da casa.
Seis meses depois, a tempestade de merda já tinha amainado em grande parte. Missy lutou contra Ben no divórcio; primeiro exigindo aconselhamento e, quando isso foi negado, tornando os termos tão onerosos que Ben teria que ceder e se reconciliar.
O exame de DNA revelou que Missy era filha de Frank; um resultado sobre o qual os sentimentos dele eram decididamente ambivalentes. Ele sempre amaria Missy porque ela era sua filha, no entanto, não tinha respeito algum por ela. Eles tinham muito pouco contato um com o outro e Frank não previa que isso mudaria tão cedo. Ela havia lhe negado qualquer contato com seu neto Kevin. Com base na foto de registro de Frank, que mostrava claramente marcas de unhas e arranhões em seu rosto, Frank foi considerado inocente da agressão de contravenção de Classe C contra sua esposa.
Frank se divorciou de Carolyn. Ele não confiava nela, nem a respeitava. Ela também havia lutado contra o divórcio e seus advogados ergueram obstáculo após obstáculo e teriam continuado a fazê-lo se Carolyn e Missy não tivessem sido assaltadas no estacionamento de uma boate que haviam frequentado juntas. Embora não tenham conseguido descrever o agressor, as câmeras do estacionamento registraram um homem baixo, vestido todo de preto e usando uma máscara de esqui, brandindo o que parecia ser uma barra fina com peso, atacando implacavelmente as duas mulheres. A gravação mostrava as duas mulheres sendo repetidamente golpeadas pela barra de aço até que a barra ficasse torta e deformada. De seus leitos de hospital, a dupla sustentou que não fazia ideia de quem as havia atacado e que a única pessoa com motivação era o marido de Missy, que estava tentando se divorciar dela, mas, dada sua altura de 1,93 m, Ben Davis foi imediatamente descartado como suspeito.
Embora houvesse uma investigação aberta sobre a agressão, não havia pistas nem suspeitos. As duas mulheres, embora gravemente feridas com vários ossos quebrados e dentes perdidos, não sofreram lesões permanentes. Carolyn e Missy pararam de sair para boates e, com sua paranoia sobre novos ataques aumentando, passavam a maior parte do tempo em casa, implicando uma com a outra. Elas permitiram que seus divórcios prosseguissem sem impedimentos.
A guarda de Benjamin foi decidida como 50-50, sendo Ben o genitor custodial. Nem Ben nem Missy receberam pensão alimentícia para o filho ou alimentos para o cônjuge. O nome de Ben foi removido da certidão de nascimento de Kevin e um exame de DNA ordenado pelo tribunal revelou que Andrew Hebert era o pai biológico de Kevin. Andy foi condenado a pagar pensão alimentícia a Missy. A esposa de Andy pediu o divórcio alegando adultério, e Andy foi obrigado a pagar tanto a pensão alimentícia para os três filhos que teve com a esposa quanto os alimentos para ela ordenados pelo tribunal, já que, por insistência de Andy, sua esposa havia sido dona de casa desde o nascimento do primeiro filho. Isso efetivamente deixou Andy em um estado de penúria do qual dificilmente se recuperaria.
Com o apoio e o amor de seus pais, Ben conseguiu enfrentar a tempestade de merda que sua esposa adúltera fez cair sobre ele. Ele continuou trabalhando para Frank e continuou comprando participação no negócio de paisagismo. Seu filho, Benjamin, era saudável e feliz, exceto nas vezes em que tinha que ficar com a mãe na casa de Carolyn. Essas visitas o entristeciam, pois sua mãe parecia ou furiosa com seu pai, ou chorando desconsolada por sentir falta dele. Sua avó parecia estar em um estado contínuo de raiva dirigida contra o avô. O fato de Frank ser um parceiro de encontros muito requisitado pelas mulheres solteiras do clube de campo deles jogava combustível no fogo que ardia dentro de Carolyn.
Adam e Babe continuavam dando apoio ao filho e ao neto sempre que necessário. Babe ganhou o campeonato feminino de golfe pelo quinto ano consecutivo, apesar de estar sem um taco de ferro 4 em seu conjunto de tacos.