Contos eróticos para ler inteiros.

Sexo Anal

A Barista

rosianchieta34 min

SEGUNDA-FEIRA

Hoje à noite. Eu faço hoje à noite.

Heller olhou para o relógio. Nove e catorze. Trinta e seis minutos até fecharem. Tempo suficiente, mas não demais. As luzes do letreiro da loja piscaram como que em resposta, iluminando o nome COMMON GROUNDS com um brilho rosa berrante. Ele conferiu rapidamente o reflexo na vidraça ao se aproximar da porta. Chuck Taylors preto e branco, limpos mas não brancos demais, jeans legais mas não caros demais, camisa branca aparecendo por baixo de um suéter casualmente amarfanhado, cabelo bagunçado mas não exageradamente. Ele passara uma hora garantindo que não parecia ter passado uma hora se arrumando. Que merda idiota. Não sabia se estava pensando demais ou de menos. Ambos.

Sininhos de latão pendurados no lintel tilintaram contra o batente da porta como o trenó do Papai Noel quando ele entrou. O cheiro de café fresco encheu seu nariz em saudação. Como lá fora, o letreiro acima do balcão estava aceso com letras rosa melancia, só que ali o "G" tinha queimado, então lia-se COMMON ROUNDS. Para todas as suas necessidades em formato circular.

Levou um segundo para perceber que Tesha era a barista da noite. Tesha com arroba. Está bem ali no crachá dela. Tesh@. Cabelo loiro brilhante que não combinava com sobrancelhas cor de barra de chocolate estava puxado para trás como uma juba de leão, e ele via um pozinho de glitter sobre o decote empurrado para fora pelo sutiã push-up tomara que caia. Um cara mais ou menos da idade dele estava apoiado no balcão, falando em voz alta e agressiva. As costas da camisa social justa dele estavam tatuadas com um padrão de raios de sol e um dragão serpenteava em bordado pela perna da calça skinny. Idiota. Heller captou seu próprio reflexo cuidadosamente planejado no espelho atrás do balcão de café. Então isso só faz de mim um sabor diferente de idiota. Summer's Eve Island Splash para o Massengill Tropical Breeze dele.

"O que você quer?" Tesh@ perguntou, a voz tão brilhante e ensolarada quanto o cabelo. O cara que estava dando em cima dela o cumprimentou com um aceno, e Heller acenou de volta.

"Latte de caramelo, 2%, e um dos muffins de banana."

Tesh@ começou a preparar o latte, puxando alavancas e acionando interruptores como um cientista maluco conduzindo um experimento. Será que devia pronunciar Tesha ou Tesh-arroba? O @ era só um 'A' estilizado ou representava literalmente "arroba"? Oi, meu nome é Tesharroba e eu trabalho no COMMON ROUNDS.

Heller olhou ao redor. A loja estava vazia, exceto pelos três. Nenhum sinal de Katie. Acho que não faço hoje à noite. Ele passou o cartão, pegou o latte e o muffin, e encontrou seu lugar de sempre no canto sem janelas no lado mais afastado da loja, fora da vista do balcão. As cadeiras eram confortáveis, macias e acolchoadas demais, e ele esticou as pernas compridas, cruzando-as despreocupadamente nos tornozelos enquanto tirava o celular e começava a rolar o Twitter. Não seja óbvio. Beba sua bebida, coma seu muffin e tente de novo amanhã.

Tesh@ e o outro cliente conversavam em vozes baixas, abafadas, ocasionalmente interrompidas por risadinhas e gargalhadas. Calça-dragão. O nome dele é Zane Calça-dragão. Heller tentou ignorá-los. Matar uns minutos, sair. Ele entrou num ritmo suave, passando por piadas, memes e manchetes de notícias. Quase não percebeu a porta de serviço da cozinha se abrir.

O cabelo dela estava preso para cima hoje, torcido num coque na nuca, de uma cor tingida entre roxo e platinado. Isso destacava o undercut raspado um dedo acima das orelhas e ao redor da nuca. Ela vestia uma camisa de flanela, desbotada, mangas enroladas apertadas até os cotovelos. Legging preta como calça, justa como uma segunda pele.

"Ah, oi Heller", ela o cumprimentou, recolhendo duas canecas parcialmente vazias de uma mesa de canto para a bacia presa no quadril com uma mão. Unhas como casca de besouro brilharam na luz enquanto ela as limpava com um pano.

Ela lembrou meu nome. Isso não é nada. "Ei você mesmo", ele respondeu, tentando soar casual. Ok, então está de pé. Borboletas nadavam no latte em seu estômago. Provavelmente fazendo a borboleta.

"Latte de caramelo ou chocolate hoje à noite?"

"Caramelo." Ela lembrou o que eu bebo. Isso também não é nada.

Ela fez uma pausa, com um olhar curioso no rosto. "Estava querendo perguntar sobre seu nome. Vou chutar que você não recebeu o nome por causa do caso judicial."

Ele engoliu o gole de latte. "Joseph Heller, o escritor. Ele é meu tio-avô." Ele guardou o celular de volta no bolso. Isso é lisonjeiro eu guardar para prestar atenção nela ou carente? Preciso obsedar mais sobre essa merda porque é super saudável e tranquilo de um jeito que as mulheres apreciam.

"Sério?"

"Não."

Ela riu, como música.

"Meus pais eram só nerds de livros."

"Os meus eram fãs da Katharine Hepburn."

"Pelo menos eles usaram o primeiro nome dela."

"Hepburn não seria tão ruim. Hep de apelido? Eu aguentaria esse apelido."

Ele olhou para o crachá preso na flanela dela. "Katie C. Então você teria sido Hep C."

"Ah, merda!" ela recuou com um sorriso chocado que mostrou dentes pequenos e perfeitos. "É, não, Hep não então, talvez."

Ok, está indo bem. "Mas não posso dizer que alguém já me perguntou se meu nome tinha algo a ver com um caso judicial."

"Segundo ano de direito, justiça criminal." Ela imitou um mic drop.

"Bem, agora eu sei para quem ligar quando o FBI finalmente descobrir que eu era mesmo o Green River Killer."

"Agora só falta você conseguir meu número."

Jesus Cristo, isso é uma abertura, certo? Ela está me dando uma abertura. "Bem, eu estava pensando..." Suas palavras foram cortadas quando o balde de borracha escorregou do quadril dela e caiu com um estrondo. Café frio respingou nas meias-calças e sapatos dela enquanto as canecas tilintavam no chão.

"Merda." As bochechas dela ficaram vermelhas enquanto ela se ajoelhava rápido para enxugar o café.

"Você está bem?" Tesh@ gritou.

"Sim, só sendo desastrada." A colega de trabalho retomou os sussurros conspiratórios com Zane Calça-dragão.

Ela limpou o último do derramamento escuro. "Acho que não vou usar isso de novo amanhã", murmurou, gesticulando para a mancha salpicada na legging.

"Usa a saia preta." Ah. Merda.

Ela congelou por um punhado de segundos, então lentamente recolocou as canecas espalhadas no balde, evitando os olhos dele deliberadamente.

Ai, Deus, o que eu fiz?

"Eu... eu vou levar isso lá para trás." Ela se levantou e desapareceu rapidamente pela porta da cozinha, deixando-o sozinho. Então não vou convidá-la hoje à noite. Ou nunca. Sabe, porque sou um maldito esquisitão que lembra o que ela veste. Ele engoliu o resto do latte. Devia ter saboreado, já que nunca mais vou poder pisar aqui.

Kesh@ e Calça-dragão se despediram quando ele saiu, e ele deu um aceno fraco. Se der certo para esses dois, eles podem contar aos netos sobre o cara nojento que #metoo na colega deles na noite em que se conheceram.

E eu chamei ele de idiota. Fode minha vida.

TERÇA-FEIRA

Pelo menos posso pedir desculpas. É isso que se deve fazer, certo? Ele olhou para o relógio. Nove horas. Em cima do cravo como diz a garotada. Será que dizem isso? Em cima do saco? Em cima do grelo, talvez, dependendo da sua configuração? Ele estava enrolando, adiando sua caminhada pela porta como um aluno da sétima série tentando evitar as últimas dúzias de passos até a sala do diretor.

Ele suspirou e forçou um pé atrás do outro subindo o degrau até a porta. O sino soou muito menos como Natal desta vez e muito mais como um aviso. Senhoras, quando ouvirem o sino, fiquem atentas. Pode ser um esquisitão do caralho que conhece seu guarda-roupa.

Kesh@ estava atrás do balcão de novo, embora Calça-dragão estivesse ausente. Em casa praticando enfiar as calças jeans dentro dos tênis? Ele esperava que ela lhe lançasse uma carranca, mas ela apenas deu sua saudação habitual, tão animada que ele esperava um passarinho azul de desenho animado pousar no ombro dela.

"Café, preto." Combinava com seu humor.

"Sem muffin?"

"Hoje não, obrigado." Ele pagou com o cartão e acrescentou uma gorjeta de cinco dólares por culpa.

A loja estava quase vazia, exceto por um par de senhoras de cabelo grisalho sussurrando entre si sobre canecas enormes de cappuccino. Ele encontrou seu lugar de sempre no canto afastado, longe do balcão e de outros clientes, e puxou o celular. Não conseguia se concentrar o suficiente para ler, então apenas deslizava os polegares distraidamente pelo vidro para parecer que estava fazendo algo. Ela provavelmente vai me dizer para cair fora e me expulsar. Vou pedir desculpas e ir embora. O Starbucks da Lake Street tinha um café horrível, mas os muffins eram decentes. Posso ir lá.

O tempo se arrastou. As duas senhoras mais velhas falavam sobre política e suas vozes flutuavam pela esquina, ásperas como pergaminho enrugado. A compreensão delas sobre detalhes parecia mais informada por apresentadores de rádio AM de rosto vermelho gritando do que por fatos. Ele achava que esperar por sua humilhação inevitável não podia ficar pior. Eu estava errado. Pior é ficar preso esperando minha humilhação inevitável enquanto ouço a encarnação viva das postagens do Facebook do meu tio racista.

Desta vez, foi a porta do banheiro que se abriu. Katie emergiu do corredor curto, alisando a saia plissada sobre meias-calças pretas com mãos pálidas e dedos que pertenciam a teclas de piano. Espera, ela está de saia? Ela congelou quando o viu, olhos de corça capturados por faróis. Heller enfiou o celular às pressas no bolso da frente da calça jeans, mas não se levantou. Sem movimentos bruscos. Aqui há dragões.

Após alguns segundos, ela deu um passo hesitante em direção a onde ele estava sentado. "Ei", ela quase sussurrou.

"Ei." Ele fez uma pausa, tateando mentalmente por palavras. "Escuta, eu..."

"Eu usei a saia como você mandou", ela gaguejou, interrompendo-o.

"Eu... é." Que porra é essa? Ele se viu pensando distraidamente sobre que tipo de saia era. Saia lápis é uma coisa, certo? Não é o que ela está usando, mas é uma coisa, tipo estilo Mad Men. Sabe quem saberia com certeza? Tom Ford. Ele saberia exatamente que tipo de saia é essa, e então me diria para desabotoar os quatro botões de cima da minha camisa e usar mais preto.

As bochechas dela estavam vermelhas como as de uma criança que chegou de uma tarde de trenó. "Como você mandou."

Que porra é essa? Todo o seu pedido de desculpas ensaiado foi esquecido, como palavras apagadas de um quadro-negro. Ele tinha imaginado a noite indo de várias maneiras, de terrível a mais terrível, mas em nenhum momento esse cenário tinha passado na tela da sua mente. Diga alguma coisa. Diga alguma merda!

"Boa menina." Isso não! Por que diabos você diria isso? Quem diabos diz isso?

Ela corou mais profundamente e baixou os olhos para o chão, como se esperasse. Ela está esperando eu dizer para ela fazer algo? Ela mordeu o lábio inferior, mas não fez movimento para sair.

Então diga algo a ela. Ele se levantou, principalmente para ganhar tempo. Ele era facilmente vinte centímetros mais alto que Katie e podia ver para baixo no risco nem bem prateado, nem bem ameixa do cabelo dela. "Saia de novo amanhã, algo plissado, mas sem meias-calças." Sua voz estava surpreendentemente firme. "Meias três quartos, até acima do joelho." De onde diabos isso saiu? Quem é você? Ele deu um passo para mais perto, o perfume dela encheu seu nariz acima do cheiro do café torrado. Ela tremia levemente, olhos ainda no chão.

"Em ponto às nove." Em cima do saco.

Ela assentiu levemente e permaneceu imóvel com os olhos baixos enquanto ele passava por ela e caminhava o mais rápido que podia até a porta.

QUARTA-FEIRA

Quase nove. Ele olhou para o relógio, o mostrador aceso pelo brilho rosa do letreiro da cafeteria. Ele não tinha feito nada no trabalho o dia todo. Sempre que tentava se concentrar, seus pensamentos se dispersavam como fumaça de fogueira. Tudo em que conseguia pensar era em Katie. E no que diabos foi aquilo ontem à noite.

Uma parte dele ainda estava convencida de que ela estava brincando com ele. Ele apareceria hoje à noite, e ela reviraria os olhos e lhe mostraria o dedo do meio. Só que ela não está brincando comigo. Fora-se a sensação de um prisioneiro marchando para a cadeira elétrica da noite anterior, substituída por excitação e curiosidade.

Os sininhos tilintaram quando ele abriu a porta. O tom deles estava novamente alegre, e o cheiro familiar de grãos torrados e produtos assados da loja o saudou como um velho amigo. Tesh@ não estava trabalhando, e em seu lugar atrás do balcão estava uma garota mal-humorada, meio masculinizada, com piercings faciais demais para contar. Você foi ótima no remake do Hellraiser.

"Cappuccino de baunilha e um dos muffins de framboesa com nozes." Ela grunhiu em afirmação e começou a vaporizar o leite para seu cappuccino. Agora eu me tornei a morte, destruidor de muffins. Ele passou o cartão para pagar e resistiu ao impulso de olhar em volta procurando por Katie. Mantenha a calma.

Ele encontrou seu lugar de sempre e olhou com atenção para a arte que adornava as paredes do canto. Era o típico de cafeteria, óleos abstratos de estudantes e artistas locais cujas maiores exposições aconteciam durante a Feira dos Agricultores de verão. Aquela ali é boa, no entanto. Ele nunca tinha certeza, mas achava que os redemoinhos de tinta representavam notas musicais. São acordes ali. Ele tentou se perder no quebra-cabeça da tela enquanto esperava, mas pensamentos de Katie interrompiam constantemente. Finalmente, ele simplesmente desistiu e mordiscou o muffin, tentando não olhar fixamente para a porta da cozinha.

Ele não teve que esperar muito antes que ela se abrisse, o aço brilhante refletindo o néon. Ela saiu na loja carregando um pano úmido. Suas madeixas cor de anime presas em maria-chiquinha hoje, cada uma enrolando nos ombros. Ela estava de saia, plissada como ele havia pedido, curta, com uma camiseta preta combinando que dizia BLEACHED em letras quadradas. Wednesday Night Melody é uma música muito boa. Mas não foi isso que chamou sua atenção. Jesus, ela fez. Ela estava usando as meias, pretas com duas listras brancas perto do topo. Elas subiam até acima do joelho, deixando uns cinco centímetros de pele nua antes da barra da saia no meio da coxa. Ele sabia que havia uma palavra japonesa para aquilo, mas não conseguia se lembrar. Zatoichi? Não, esse é o espadachim cego.

Ela caminhou direto para o canto, a salvo da vista do cenobita que trabalhava no balcão. "Fiz bem?"

Ele assentiu, e ela abriu um sorriso aliviado, os cantos da boca tocando as manchas vermelhas pálidas em suas bochechas.

"Dê uma volta", ele ordenou gentilmente, fazendo um movimento giratório com o indicador. Os olhos dela se arregalaram, mas ela obedeceu após um momento, girando lentamente no sentido horário.

Então eu vou além? Ele havia debatido consigo mesmo o dia todo. Aquilo não era uma transa aleatória num bar, ou dar match, ou a garota com piercing no nariz da contabilidade depois de três taças de vinho na festa de fim de ano. Aquilo era alienígena. Onde estava o limite? Porque se havia um, fazer isso vai ultrapassá-lo.

Ele tomou um fôlego, decidindo. Ultrapasse.

"Pare!"

Ela congelou, de costas para ele.

Hora de descobrir. "Levante-a. Devagar." Ela virou a cabeça para olhá-lo em choque, mas após um momento ela abaixou a mão até a saia com mãos trêmulas e gradualmente ergueu a barra para cima, revelando centímetro após centímetro de pele pálida, leitosa e lisa. Ela girou a cabeça para olhá-lo. "Não, não olhe. Em frente." Ela virou a cabeça de volta.

A protuberância da bunda dela apareceu, as nádegas macias espremendo para fora da parte de baixo de uma calcinha estilo cheeky de cintura baixa, branca com debrum verde. Ele sentou-se em silêncio, apenas olhando para as curvas carnudas da bunda dela. Jesus.

"Agora tire-as." Ele ouviu um suspiro audível. "Devagar."

Ela não respondeu a princípio. Ela vai, no entanto. O jogo tinha ido longe assim, e ele sabia que nenhum dos dois tinha terminado ainda. Após uma dúzia de segundos, ela prendeu os polegares sobre o cós da calcinha e começou a deslizá-la para baixo.

"Assim." A bunda dela era macia e carnuda e perfeitamente pálida do inverno de Minneapolis, duas bolas de sorvete de baunilha. Ele queria experimentar e ver se derreteriam na sua língua. Uma vez passada a curva da bunda, o elástico ficou frouxo e elas deslizaram até o meio das coxas. Ele podia ver o contorno dos lábios vaginais na sombra entre as pernas dela.

Eu posso sentir o cheiro dela. A compreensão o atingiu como um tapa. Mesmo daqui, a um metro de distância, eu posso sentir o cheiro dela. Aquilo não deveria ser possível com os cheiros de café da manhã enchendo a loja, mas ele tinha certeza de que podia farejar o cheiro selvagem dela, como uma onça no cio.

"Até o fim", ele ordenou, lutando para ignorar a pressão do seu pau duro armando contra o jeans. "Dobre na cintura, e faça devagar."

Katie obedeceu imediatamente, dobrando o corpo para baixo, a bunda em formato de coração empinada para ele. Ele podia ver a pele escura no fundo do vale entre as nádegas dela enquanto ela se dobrava, e os lábios da boceta dela se uniam como num beijo. Ela tirou um pé, depois o outro, e pegou a calcinha, a saia caindo de volta para cobrir a bunda. Ele se levantou em silêncio para ficar atrás dela. O cheiro dela estava mais forte quando ele se aproximou, algo primal e perigoso.

Ele teve que se inclinar para sussurrar no ouvido dela. "Boa menina." Ela se sobressaltou com a surpresa do hálito dele no pescoço. "Agora me entregue." Ela levou a mão para cima sem hesitar e as entregou por cima do ombro. Estavam quentes em sua mão, como se tivessem assado num forno, e visivelmente úmidas e escorregadias no reforço. O cheiro o deixou tonto. Ele as levou ao nariz, inspirando profundamente o aroma picante antes de enfiá-las no bolso interno do paletó.

Vou apostar tudo. Ele se imaginou numa mesa coberta de feltro, chapéu baixo sobre os olhos, rosto tenso enquanto empurrava uma pilha de fichas para o centro. Tudo ou nada. Ele levou a outra mão para apertar suavemente a bunda dela por cima da saia. A respiração dela prendeu, mas ela não se afastou. "Saia de novo amanhã, meias de novo, mas dessa vez sem calcinha." Ela assentiu lentamente. "Estarei aqui às 8 de novo." Oito na labe. "Antes de eu chegar, quero que você vá ali." Ele gesticulou em direção à porta do banheiro no canto mais distante da loja, descendo um curto corredor. "E quero que você se toque." Ela estremeceu com as palavras. "Sem gozar. Você ainda não tem permissão para isso, mas se toque até ficar perto."

Ele se inclinou perto o suficiente para que ela pudesse sentir o hálito dele no pescoço. Ela estava tremendo como se estivesse com frio, a pele arrepiada.

"Você entendeu?"

"Sim, papai," ela sussurrou, quase imperceptível.

Ele quase gozou quando ela disse aquilo.

QUINTA-FEIRA

Heller deu um tapinha no bolso do paletó para ter certeza de que o pacote ainda estava no lugar. Estava lá, um volume pesado dentro de uma bolsinha de cordão de veludo falso. Porque seria superconstrangedor se a faxineira encontrasse no meu cubículo. Ele teve que lutar para não escancarar a porta da frente da cafeteria. Fica frio.

Ele se forçou a ser casual ao entrar, recebido pelo familiar tilintar do sino e a visão da loira animada atrás do balcão. Tesh@ resolveu a caixa enigma e baniu a filha do Pinhead. Bom pra ela. Calçadragão estava parado ao lado da registradora, o lagarto adornado subindo pela perna esquerda do jeans como uma tatuagem chamativa. Heller cumprimentou os dois e fez o pedido antes de encontrar seu lugar de sempre no fundo da alcova isolada. Alguém tinha deixado duas canecas meio cheias de cappuccino nas mesas de cada lado da cadeira, e seu conteúdo enchia o canto com aroma quente de especiarias de abóbora.

Ele passou os dedos pelo cabelo enquanto esperava. Preciso cortar o cabelo. Deveria fazer aquele corte degrade/pompadour que todo cara da minha idade tem? Mas aí eu teria o mesmo degrade/pompadour que todo cara da minha idade tem. Além disso, parece uma baita dor de cabeça para manter. Ele revirou os olhos para os próprios pensamentos. Ugh. Isso foi a uma referência a Huey Lewis de distância de um monólogo do Psicopata Americano.

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