Contos eróticos para ler inteiros.

Incesto

Tudo o que Precisamos

dineiaalvarez38 min

Por mais grossas que meus pais achassem que as paredes da nossa casa fossem, elas não eram grossas o suficiente. Eu já perdi as contas de quantas vezes fiquei deitado na cama ouvindo a mãe e o pai brigarem quando eles pensavam que a gente não ia escutar. Eu estava num ponto em que quase não me importava mais, mas não podia dizer o mesmo da minha irmã mais nova.

Assim que a gritaria começava, normalmente era só uma questão de tempo até a Monica se levantar e procurar alguma coisa para tirar a cabeça dos problemas cada vez mais óbvios dos nossos pais. Na maioria das vezes, essa distração era eu, já que eu era a única outra pessoa na casa.

Como se fosse ensaiado, ouvi as tábuas do piso rangerem bem na frente do meu quarto, depois uma breve pausa. A maçaneta da minha porta girou devagar e ela se abriu só o suficiente para a Monica espiar. Ela sempre parecia se preocupar em me acordar, mas mesmo com o desapego que eu estava sentindo, ainda não conseguia dormir com os gritos.

— Pode entrar — eu disse.

Monica entrou no quarto com cuidado, prestando atenção para não pisar em nada no escuro. Fechou a porta atrás de si e veio de mansinho até a minha cama. Estiquei o braço para acender o abajur e errei, encontrando o interruptor na segunda tentativa. Com a luz da lâmpada, consegui ver o rosto da minha irmã o suficiente para perceber que ela estava chateada, embora eu não precisasse ver para saber.

— Eles estão brigando de novo — ela disse, como se eu não soubesse.

— É, estão — respondi.

Ela parecia muito mais nova do que seus dezoito anos, como uma menina assustada querendo que tudo ficasse bem. Eu odiava quando ela ficava assim, tão insegura sobre o próprio mundo e sem nem poder recorrer aos pais em busca de conforto. Mais do que isso, eu odiava que não havia nada que eu pudesse fazer a respeito, além de oferecer uma ilusão temporária de segurança.

— Por que eles não podem simplesmente… parar com isso? — ela perguntou.

— Eu não sei — respondi.

Ela deu mais um passo hesitante na minha direção e eu finalmente me sentei, tirando as cobertas e empurrando-as para o lado. Eu sabia que ela ia querer ficar um pouco, pelo menos até as coisas se acalmarem de novo, mas ela nunca pedia. Era como se tivesse medo de eu a rejeitar uma dessas vezes, e eu nem queria pensar no que aquilo poderia fazer com ela.

— Senta aqui — eu disse. — Já já acaba.

— Queria que isso nunca acontecesse.

Seria bom, mas não passava de pensamento positivo dadas as circunstâncias.

Minha cama ficava encostada na parede e, conforme a Monica subia comigo, eu me ajeitei para que pudéssemos nos recostar nela. Assim que ela se acomodou, puxou a ponta do meu cobertor e o enrolou no corpo. Eu estava sentado na outra metade e não estava tão frio a ponto de sentir necessidade dele naquele momento.

— Lembra quando a gente era pequeno? — ela perguntou. — Acha que eles sempre foram assim e a gente só nunca percebeu?

— Não — respondi depois de pensar por um segundo. — Acho que eles realmente se amaram por um tempo, e talvez ainda se amem. Sei lá. Mas as coisas mudam, muita coisa muda.

— Mudam mesmo, né? Acho que é isso que mais me assusta. — Monica puxou os joelhos contra o peito, se encolhendo numa bola protetora. — Porque se coisas assim podem mudar, então muitas outras coisas também poderiam. Tipo, talvez eles não vão me amar para sempre também.

— Olha, eles…

— Ou talvez você não vá.

Ela virou a cabeça na minha direção com uma expressão neutra, mas os olhos a entregavam. Ela estava realmente preocupada com a possibilidade.

— Nunca vai acontecer — eu disse, balançando a cabeça com absoluta certeza.

— Por que não? — ela insistiu. — Se a mãe e o pai puderam deixar de se amar, então… talvez qualquer um possa.

— Sem chance. Você esquece que eu tive que crescer com você e já conheço todas as suas manias mais irritantes. Se a gente fosse se odiar, já estaria se odiando.

— Ei, eu não sou irritante — Monica disse com um leve sorriso.

— Se você diz, dona "pega-meus-livros-sem-pedir". Estranho como aquelas páginas ficam com orelhas sozinhas, né?

— Não tenho culpa que você sempre tem os bons — ela resmungou. — E você é o que sempre acaba com o cereal e não coloca na lista do mercado.

— Mas você aguenta, não é? É disso que estou falando, a gente mora junto a vida inteira e se coisas assim não nos afastaram, nunca vão nos afastar.

— Sei lá, você acha mesmo que são só essas coisinhas?

— Tem que ser, eles se apaixonaram antes, certo? Então, a menos que seja algum grande segredo, praticamente só pode ser coisa se acumulando com o tempo.

— Talvez você esteja certo.

Monica ficou em silêncio e eu não tinha mais nada a acrescentar, então ficamos sentados juntos por um tempo. Nos minutos quietos que se seguiram, percebi em algum momento que os sons da briga dos nossos pais tinham desaparecido. Se a minha irmã também percebeu, ela não disse nada.

— Parece seguro de novo — falei por fim, insinuando que ela podia ir embora, mas sem empurrá-la.

— É — ela disse, me dando a impressão de que também tinha notado. — Você se importa se eu ficar mais um pouquinho? Tipo, só mais alguns minutos. Não estou muito pronta para voltar para a cama ainda.

— Se você quiser.

Eu estava ficando cansado, mas dormir não era um grande problema para mim. Imaginei que a Monica também estava com mais sono do que queria admitir quando ela se recostou em mim e apoiou a cabeça no meu ombro.

— Só vou ficar mais um pouquinho, não me deixa dormir — ela disse.

— Tá — respondi.

****

Previsivelmente, nós dois dormimos onde estávamos. Acordei ligeiramente desorientado, numa posição sentada e caída, exatamente onde eu tinha ficado na noite anterior. Monica estava enrolada no meu cobertor, com a cabeça no meu colo como se fosse um travesseiro.

Ela parecia mais feliz à luz da manhã, muito mais como ela normalmente era. Quaisquer preocupações ou medos que ela tivesse sentido tinham sido apagados pelo sono e ela parecia em paz. Eu só queria que ela pudesse se sentir assim o tempo todo.

Eu não precisava me levantar imediatamente, embora não pudesse ficar ali para sempre também, e me mexer significaria acordar a Monica. Decidi dar a ela mais um tempinho para acordar sozinha antes de fazer isso.

Sem nada melhor para fazer, comecei a acariciar suavemente o cabelo dela, alisando-o da bagunça noturna. Infelizmente, por mais gentil que eu fosse, o contato foi suficiente para perturbar minha irmã e ela se mexeu ligeiramente onde estava deitada antes de abrir um olho.

— Já é de manhã? — ela perguntou.

— Sim — respondi.

— Mm, desculpa. Não queria ficar aqui a noite toda. Eu te falei para não me deixar dormir.

Dei de ombros. — Tudo bem, não me importo.

Monica rolou para fora do meu colo, ainda enrolada no meu cobertor, mas me permitindo sair do que tinha se tornado uma posição um tanto desconfortável.

— Sabe, acho que gosto mais da sua cama — ela disse. — Não sei por quê, no entanto.

— O colchão, talvez? — sugeri.

— É, talvez. Pode ser só porque você está aqui também, é bom não acordar sozinha.

— Realmente, tem suas vantagens.

Me ajeitei em direção à beirada da cama, me arrastando em volta da Monica, que parecia menos inclinada a começar o dia naquele momento.

— Você vai se levantar agora? — ela perguntou.

— É, vou ver o café da manhã. Quer que eu te traga alguma coisa?

— Não, não sei quanto tempo vou ficar.

— Tá.

Ela poderia muito bem voltar a dormir na minha ausência, mas aquilo não era realmente problema meu. E meu estômago estava começando a insistir seriamente por comida.

Mal tinha chegado na cozinha quando percebi que alguém tinha chegado antes de mim. O som fraco e o cheiro de algo cozinhando chegaram ao meu cérebro um instante antes de eu virar a esquina e ter minhas suspeitas confirmadas. Mamãe estava parada perto da pia com uma xícara de café nas mãos e uma expressão cansada no rosto. Havia panquecas no fogão cozinhando ao lado de uma tigela de massa e, pelo jeito das coisas, elas precisavam ser viradas.

— Ah, bom dia — mamãe disse, parecendo pega de surpresa pela minha aparição. — Não sabia que você já tinha levantado.

— Acabei de levantar — respondi.

Passei na frente dela e peguei a espátula para salvar as panquecas de queimarem.

— Achei que fazer café da manhã para você e sua irmã seria legal — ela disse. — Mas não tenho certeza se estou realmente tão disposta quanto pensei.

O fato de ela nem mencionar o papai já me dizia algo, embora não fosse nada que eu já não pudesse imaginar. A entrada da garagem era visível pela janela da cozinha e, quando olhei, vi que o carro dele não estava lá. Não tinha certeza se ele tinha saído na noite anterior ou de manhã cedo. De qualquer forma, fazia muito tempo que nós quatro tínhamos tomado café juntos e aquilo não ia mudar tão cedo.

— Eu termino daqui — eu disse.

— Tem certeza?

— É bem simples, até eu consigo virar as coisas quando começam a dourar.

Mamãe me deu um pequeno sorriso e colocou a xícara no balcão.

— Tá, obrigada. Acho que vou me deitar de novo por alguns minutos. Certifique-se de que a Monica se levante a tempo de comer, tá?

— Claro.

Ficar ali parado esperando as panquecas cozinharem não era bem o que eu queria fazer, mas de alguma forma acabei preso nisso mesmo assim. Fiquei tentado a fazer o suficiente apenas para mim e para a Monica agora e deixar o resto da massa para depois, já que não esperava que a mamãe voltasse tão cedo. A única coisa era que eu realmente não fazia ideia de quão bem ela se conservaria.

Felizmente, minha irmã apareceu pouco tempo depois, então não fiquei esperando sozinho. Ela ainda não tinha se vestido para o dia, ainda estava de camisola e pernas nuas. Ela se animou instantaneamente quando percebeu o que eu estava fazendo.

— Você fez panquecas? — ela disse. — Nem sabia que você sabia.

— A mãe fez — respondi. — Só estou cozinhando. Ela voltou para a cama.

— Ah. — Monica franziu a testa por um segundo ao captar um pouco do subtexto. — Bem, obrigada mesmo assim.

Ela pegou um prato e se serviu de um par de panquecas já prontas, além da calda que estava na geladeira, antes de se sentar à mesa.

— Sabe, na verdade talvez não fosse uma ideia tão ruim a gente cozinhar mais — ela disse enquanto despejava um pouco de calda no prato.

— É mesmo? Por quê?

— Bem, só porque as coisas estão ficando um pouco, sabe, caóticas por aqui.

— Você pode ter razão, mas sabe que meus talentos nessa área são limitados.

— Tudo bem, posso te ensinar algumas coisas. Você não vai ter alguém para cuidar de você para sempre, sabe, vai ter que aprender um dia.

— Se você diz.

****

Quando cheguei em casa naquela noite, nada parecia diferente a princípio de quando eu tinha saído. Só quando encontrei a Monica na cozinha foi que soube que algo tinha acontecido. Havia algumas latas abertas no balcão e evidências de que o jantar tinha sido começado, mas depois deixado inacabado. Minha irmã estava sentada no chão, encostada num dos armários, abraçando os joelhos e olhando fixamente para o chão, com o olhar vago. Ela parecia pronta para chorar a qualquer segundo.

— Então, hã, o que está acontecendo? — perguntei, tentando manter um tom neutro e esperando para ver qual seria a resposta dela.

— Ia fazer o jantar — ela disse. — O pai tinha voltado e ele e a mãe estavam conversando, achei que talvez ele fosse ficar. A gente podia ter ficado todos juntos e tudo mais. Aí ele foi embora. Com raiva. Ainda não vi a mãe, ela pode ter se trancado no quarto de novo.

— Droga — eu disse baixinho, mais para mim mesmo do que para a Monica.

Eu estava realmente perdendo a paciência com nossos pais. Eles precisavam resolver alguma coisa para que os problemas deles parassem de ser nossos problemas. A gente não deveria ter que lidar com isso o tempo todo, especialmente a Monica, que definitivamente não estava lidando bem. Em poucos segundos, tomei uma decisão.

— Vem — eu disse. — Vamos embora.

Estendi a mão para ajudá-la a se levantar e ela a segurou com um pouco de hesitação.

— Ir aonde? — ela perguntou.

— Qualquer lugar. Algum lugar que não seja aqui. Vamos comer fora e depois talvez voltar, ou talvez não. Não sei.

Monica inclinou ligeiramente a cabeça enquanto se levantava, depois deu de ombros.

— Tá — ela disse.

Eu a levei de volta para o meu carro, do qual eu tinha acabado de sair alguns minutos antes, e comecei a dirigir, sem ter certeza para onde estava indo. Ela ficou a maior parte do tempo olhando pela janela e não disse nada sem que eu a provocasse.

— Então, algum lugar para onde você quer ir? — perguntei.

— Sei lá — ela disse. — Não importa muito.

— Exatamente, não importa. Então a gente bem que pode ir aonde você quiser.

Ela se virou para mim por um momento, com sua expressão vagamente triste se transformando numa de reflexão.

— Lembra daquele lugar que a gente costumava ir às vezes quando era mais novo? — ela perguntou.

— Aquele que a mãe e o pai levavam a gente quando não estavam a fim de fazer comida?

— É. Ainda existe?

— A gente pode descobrir.

Eu soube na hora de que lugar ela estava falando, porque era o único restaurante que costumávamos frequentar com alguma regularidade. Era um lugar meio familiar, um ou dois degraus acima de fast-food, mas onde você podia levar seus filhos e não se preocupar muito em vesti-los bem e fazê-los se comportar. Eu tinha quase certeza de que ainda existia, embora já fizesse uns dois anos desde a última vez que eu tinha ido.

Começamos indo no caminho errado, então tive que fazer uma rota cheia de voltas para chegar na área que eu queria. Monica ainda não dizia muito, mas de vez em quando, quando eu olhava de relance, percebia que ela estava prestando mais atenção aonde estávamos. Aquilo me pareceu um bom sinal.

O lugar estava exatamente onde eu me lembrava, embora com algumas pequenas mudanças desde a minha última visita. A disposição das mesas era diferente do que eu imaginava na minha cabeça e algumas das decorações das paredes não me eram familiares. Nada muito grande, no entanto.

Uma vez sentados, um de frente para o outro num reservado, pude estudar a reação da minha irmã mais de perto. Ela ficava olhando ao redor e seus lábios se contraíam para cima de vez em quando, com lembranças felizes do passado, imaginei. Fiquei contente que ela pudesse focar nelas em vez de em como as coisas tinham mudado desde então.

Não demorou muito para uma garçonete passar e nos dar um cardápio para cada um. Monica abriu o dela imediatamente e folheou as opções enquanto eu esperava um momento.

— Posso trazer algo para beber enquanto decidem? — a garçonete perguntou.

Fiz contato visual com a Monica, mas não esperei pela resposta dela.

— Sim, a gente pode pedir dois milk-shakes, por favor? — eu disse. — Um de chocolate, um de morango.

Eu tinha minhas próprias lembranças e sabia que um milk-shake de morango era sempre o objetivo da Monica para conseguir dos nossos pais. E ela conseguia na maioria das vezes também.

— Você não precisa… — Monica começou.

— Dois milk-shakes, por favor — repeti para a garçonete, que assentiu e se virou. — Vamos, você vai mesmo me dizer que não quer um? — perguntei, erguendo uma sobrancelha para a minha irmã.

— Não, mas… não sei. É que você não precisava fazer isso, só isso. Quer dizer, eu sei que você está pagando e tudo, já que não trouxe dinheiro, então…

— Então eu posso te pagar um milk-shake se eu quiser — interrompi. — Sério, não se preocupa com essas coisas agora, tá? A gente vai só ter um tempo em que fazemos o que queremos e foda-se as consequências.

Monica deu uma risadinha quando eu praguejei e olhou ao redor instintivamente para ver se alguém tinha me ouvido.

— Era para você ser uma boa influência para mim, sabia? — ela disse.

— Não, eu tenho que ser seu irmão e às vezes isso significa dar um mau exemplo se for do seu interesse. Tipo, às vezes você precisa simplesmente esquecer seus problemas por um tempo, mesmo que isso não vá realmente ajudar a resolvê-los.

— Sei lá, isso soa como um conselho meio ruim. Ou talvez bom pra caralho, não tenho certeza.

Nós dois sorrimos conspiradoramente, como crianças que tinham acabado de descobrir a palavra pela primeira vez e sabiam que não deviam dizê-la. Na verdade, a gente não xingava muito na maioria das vezes, mesmo sendo bem mais que velhos o suficiente e não havendo motivo para não fazermos se quiséssemos. Havia algo no lugar também, algo sobre como só tínhamos estado lá com nossos pais, que fazia se comportar mal ligeiramente parecer mais do que realmente era.

— E aqui estão suas bebidas — disse a garçonete, reaparecendo quase despercebida ao lado da nossa mesa.

— Obrigada — Monica e eu dissemos ao mesmo tempo.

Minha irmã imediatamente deu um gole experimental pelo canudo e assentiu aprovadoramente com o resultado. Aí tivemos que pedir, para o que eu não tinha me preparado adequadamente. Escolhi um hambúrguer com fritas, já que geralmente era uma opção segura o suficiente, e eu não estava lá realmente pela comida mesmo.

— Sabe, só nós dois aqui, isso parece um pouco um encontro — Monica disse assim que ficamos a sós de novo. — Quer dizer, tirando o fato de você ser meu irmão, obviamente.

— É, acho que é meio isso. Só que se fosse, eu talvez tivesse te levado a um lugar onde não tivesse criança correndo por aí — respondi, olhando de propósito para uma família a algumas mesas de distância, onde os pais tinham dificuldade de manter os filhos nos assentos.

— Ah, não é tão ruim. Além disso, fui eu quem escolheu, lembra?

— Lembro. Acho que tenho sorte de você ser um encontro barato, então.

— Ou talvez eu só tenha planos para mais tarde e esteja te dando uma falsa sensação de segurança.

Sorri e revirei os olhos, sem acreditar nela nem por um segundo. Se ela realmente quisesse fazer algo depois que a gente terminasse, por mim tudo bem, desde que ela estivesse feliz e eu não precisasse me preocupar com ela.

****

Acabamos ficando ali sentados e conversando por muito mais tempo do que eu esperava, tempo suficiente para provavelmente já estarmos incomodando bastante se o restaurante estivesse um pouco mais cheio. Quando voltamos para o carro, Monica imediatamente tomou conta do rádio, achou uma estação que gostava e aumentou o volume. Ela me olhou quase me desafiando a brigar com ela por isso, mas eu deixei pra lá.

Quando chegamos em casa, me perguntei por um instante se alguém ia ficar se perguntando onde a gente tinha ido. Papai ainda não estava lá e, no fim das contas, eu nem sabia se mamãe tinha percebido que a gente tinha saído.

Monica caminhou ao meu lado até a porta, depois pulou na frente e parou diante dela, bloqueando minha passagem. Ela juntou as mãos atrás das costas e me olhou com ar inocente.

— Se isso fosse um encontro de verdade, agora seria a hora em que você teria que me beijar, sabia? — ela disse.

— Você acha, é?

Os olhos dela brilharam com um toque de travessura e eu sabia que ela só estava me provocando. Talvez tenha sido isso que me fez agir, a certeza de que ela não esperava nada além de me tirar uma reação. Seja como for, eu a beijei.

O corpo dela registrou apenas surpresa a princípio, quando fechei a distância entre nós e enlacei meus braços na cintura dela. Seus lábios também não responderam, depois, de repente, eles se derreteram nos meus enquanto ela superava o choque inicial.

Eu não tinha planejado manter o beijo por muito tempo, só o suficiente para provar algum ponto, mas isso foi pro espaço bem rápido. Por alguma razão, assim que comecei, não consegui me soltar logo, simplesmente não consegui me afastar da minha irmã, mesmo que provavelmente devesse. Era para haver algo inerentemente estranho em beijá-la, algo físico ou mental que a diferenciasse das outras garotas, e simplesmente não estava ali.

Uma hora acabamos ficando sem ar e tivemos que nos separar brevemente, mas eu nunca a soltei e nossos rostos não ficaram a mais de alguns centímetros um do outro o tempo todo. Nós só nos encaramos, ofegantes e buscando pistas sobre o que o outro estava pensando. Então, como se tivesse sido combinado antes, nos movemos juntos de novo.

As mãos de Monica foram para os meus ombros e pareceu que ela ficou na ponta dos pés para compensar a pequena desvantagem de altura, porque de repente o rosto dela estava nivelado com o meu. Eu a puxei para mais perto, sentindo os seios dela contra o meu peito e o calor do seu corpo através da camisa sob minhas mãos. Ela era exatamente como uma garota deveria ser; tão maravilhosamente macia e perfeita quanto qualquer das minhas experiências anteriores, só que de alguma forma mais ainda.

Só foi quando os lábios dela se entreabriram, fosse em convite ou não, que eu caí em mim. Beijar minha irmã era uma coisa, usar a língua já era levar para um nível completamente injustificável. Me afastei no instante em que ela tentou se agarrar a mim por um segundo, depois também recuei abruptamente e desviei o olhar, envergonhado.

— Isso pode ter ido um pouco longe demais — ela disse depois de um momento de silêncio constrangedor.

— É, provavelmente — concordei. — Quer dizer, não é grande coisa, né? Mas se alguém visse algo assim, provavelmente ia ter a impressão errada.

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