O Naturista da Turma
— Você vai me dizer para onde estamos indo agora?
Carson espantou um mosquito enquanto pisoteava a vegetação rasteira sob os carvalhos e cedros. Apesar de todas as boas lembranças que tinha de correr pelo quintal selvagem do amigo durante a infância, brincando de caçadores de alienígenas ou fugitivos em fuga, ele nunca conseguiu se livrar totalmente do medo de tropeçar em uma cascavel, escorpião ou até na rara tarântula. Eles raramente haviam visto criaturas assim, mas não era impossível encontrar uma nessa parte do Texas.
— Quase lá — Wes disse. — Tenho que manter surpresa.
— Ugh — Carson resmungou quando um galho pequeno o atingiu na bochecha. — É melhor ser uma boa surpresa. Ainda estamos no seu quintal?
— Provavelmente não — Wes disse. — Só espero que não nos decepcionemos. O... vamos chamar de show... tem sido pontual como um relógio nos últimos dias.
— Show?
— Você vai ver.
Wes seguiu em silêncio por mais alguns minutos até que uma casa grande começou a se delinear entre as árvores à frente. Carson não se lembrava de ter visto uma casa ali antes, o que significava que provavelmente tinha no máximo uns dois anos. Tão longe da cidade, a diferença entre as casas de um vizinho para outro podia ser substancial. Trailers ficavam ao lado de casas de fazenda que pareciam pequenas mansões, e essa casa nova se encaixava na última categoria. Todos os moradores compartilhavam o desejo pela paz, tranquilidade e privacidade que vinham com os grandes lotes de terra relativamente barata na região ondulada de colinas. Carson, apesar de ter aproveitado as vantagens de crescer na cidade, a uma curta distância da escola, fast food e da piscina pública, ainda encontrava motivos para invejar o lugar do amigo.
— Novos vizinhos? — Carson disse. Eles estavam agora perto o suficiente para ver um quintal bem cuidado, completo com uma linda piscina de borda infinita, pátio, churrasqueira e horta.
— Sim — Wes disse, baixando a voz. Ele diminuiu o ritmo e tentou usar a vegetação como cobertura da casa. — Construíram a casa no outono passado e se mudaram no inverno. Lugar bem legal, se me permite dizer.
— E o quê, agora você virou espião de vizinhos?
— Prefiro o termo 'observação passiva'. — Wes estava claramente um pouco envergonhado por ser confrontado sobre seu comportamento, mas não o suficiente para impedi-lo de compartilhar.
Carson seguiu quando o amigo se aproximou mais do quintal. Wes finalmente parou quando encontrou uma pequena clareira atrás de uns arbustos densos, largando a mochila e se agachando atrás da cobertura. Carson fez o mesmo, embora sentisse um frio na barriga e lutasse contra uma forte vontade de simplesmente voltar para casa e jogar Playstation. Nada de bom poderia resultar do que quer que Wes o tivesse levado ali para testemunhar. Podia ter funcionado quando eram crianças, mas agora ambos eram adultos, prestes a se formar e entrar no mundo real.
— Água? — Wes disse, oferecendo uma garrafa da mochila. Carson aceitou agradecido, pois já estava quente e suado da curta caminhada. Apesar de ser apenas início de maio, as tardes já flertavam com temperaturas típicas de pleno verão.
— Quanto tempo vamos ter que esperar por essa surpresa? — Carson disse.
— Merda, abaixa — Wes sussurrou, acenando para ele se abaixar com a mão livre. — Ela está um pouco adiantada hoje.
Carson seguiu o olhar de Wes para a parte de trás da casa dos novos vizinhos e viu uma jovem sair pelas portas do pátio dos fundos. Ela vestia uma camisa tipo saída de praia amarela brilhante e carregava uma toalha e um livro. Suas pernas eram longas e esguias, e o cabelo estava cortado mais ou menos na altura do queixo. Carson podia apreciar a vista, mas ainda se sentia um pouco sujo por sua cumplicidade no voyeurismo de Wes.
A mulher parou ao lado de uma das espreguiçadeiras para estender a toalha e largar o livro. Foi quando ela tirou os óculos de sol de armação grande que o coração de Carson deu um salto.
— É a Emmy? — Carson semicerró os olhos para tentar ver melhor. Ainda estavam a uma boa distância dela, mas agora ele estava quase certo de que estava certo sobre sua identidade.
— Uh huh — Wes sussurrou com ar presunçoso. — Sua queridinha.
— Cala a boca, idiota — Carson disse, corando ligeiramente. Mais uma vez, ele se arrependeu de ter compartilhado sua paixão secreta pela menina nova da escola. As provocações de Wes só pioraram quando Emmy foi escalada para ser parceira de Carson no laboratório de Física Avançada. Toda vez que Wes mencionava a paixão, fazia Carson perceber como era covarde por não ter coragem de convidá-la para sair. Ela era uma garota educada, mas quando trabalhavam juntos, era quase inteiramente focado na tarefa em mãos. Ela raramente se abria sobre si mesma, e Carson sempre interpretava isso como falta de interesse recíproco. Ainda assim, ela parecia se esquivar da maioria das outras pessoas na escola, mas isso podia ser simplesmente por ser uma transferência nova em seu último semestre do ensino médio.
— Não acredito que você está espionando ela — Carson disse, incapaz de desviar os olhos quando ela colocou os óculos de sol também ao lado da cadeira. — O que diabos a Gracie diria se soubesse?
— Ah, ela terminou comigo no fim de semana passado — Wes disse, claramente não desolado com o relacionamento de curta duração.
— Ah.
— De qualquer forma, eu não estava realmente tentando espioná-la no começo — Wes disse. — Nem sabia que ela morava aqui atrás. Mas você vai entender por que eu te trouxe. Só... mais ou menos... agora...
Carson sentiu sua boca se abrir involuntariamente quando Emmy puxou a blusa pela cabeça e revelou um corpo gloriosamente nu. Completamente. Pelado. Não havia como, ele pensou, no mundo real, qualquer garota da sua escola fazer algo assim. Não uma garota legal como Emmy, de qualquer jeito. Ela jogou a blusa de lado com a mesma naturalidade casual e esticou os braços acima da cabeça. Ele ficou duplamente encantado e soube que agora nunca, jamais, poderia ter coragem de convidá-la para sair. Simplesmente falar com ela durante a aula seria um desafio quase intransponível.
Emmy andou pela borda da piscina com uma graça desinibida e casual, seus quadris estreitos balançando suavemente. Seus seios eram de tamanho modesto, atraentemente cônicos e coroados com auréolas ligeiramente inchadas. Ela tinha uma barriga lisa que levava a uma área de pelos pubianos bem aparada. E, quando se virou para descer a escada da piscina, a garota revelou uma bunda convidativamente perfeita.
— Já pode respirar — Wes disse, batendo na perna de Carson.
— Uau. — Ele ainda se sentia sujo por espioná-la, mas não podia culpar o amigo por querer compartilhar. — Tem sido assim a semana toda?
— Alguns dias seguidos — Wes disse. — E, a julgar pela completa falta de marcas de bronzeado, eu diria que ela faz isso há bastante tempo. E com isso, quero dizer anos.
— Você acha que ela é uma...?
— Naturista? Sim, é o que eu acho — Wes disse. — Nunca são aqueles que a gente imagina, né?
— Não, acho que não — Carson disse. Ele continuou a observá-la, embora enquanto ela nadava houvesse pouco a ver além do cabelo puxado para trás e olhos brilhantes. Era o suficiente.
— Além disso, ontem eu vi um cara sair para chamá-la para o jantar ou algo assim — Wes disse. — Devia ser o pai dela. Nem piscou ao vê-la deitada nua, e ela também não fez nenhum esforço para se cobrir ou algo assim.
Eles assistiram em silêncio por algum tempo, Carson só mexendo as pernas o mínimo necessário para evitar cãibras. Emmy nadou apenas por um curto período antes de sair novamente e voltar para a espreguiçadeira. Cada curva de seu corpo, destacada pelo sol do final da tarde brilhando nas gotas de água, o fascinava completamente. Ele se perguntava como podia ter sido tão completamente alheio a algo tão importante sobre sua parceira de laboratório. Será que mais alguém na escola sabia que ela fazia isso?
— Sabe, você tem que convidá-la para sair agora — Wes disse, quebrando o silêncio prolongado. — Ela é doce, inteligente e obviamente gosta de tirar a roupa.
— Acho que não conseguiria convidá-la agora — Carson disse. — Ainda estou tentando assimilar isso. Provavelmente eu travaria.
— Ah. Bem, acho que você não vai se importar se eu der em cima dela então.
— O quê? Sim, eu me importaria. — Carson não tinha certeza se o amigo estava falando sério ou só o provocando. — Além disso, que tipo de relacionamento começa com espionagem?
— Você está espionando ela — Wes disse.
— Sim, mas eu não sabia que era isso que eu vinha fazer aqui — Carson disse. — Além disso, eu gostava dela antes de saber da coisa de ficar nua.
— Bem, é por isso que estou te dando...
Wes, ao mudar de peso para se alongar, encostou em um galho seco e o fez estalar alto. Ambos os garotos ficaram paralisados. Carson, ainda olhando para Emmy, viu imediatamente que ela realmente ouvira o barulho quando sua cabeça apareceu por trás do livro que estava lendo e olhou diretamente na direção deles. Por trás dos óculos de sol, era difícil dizer o quão preocupada ela estava com o som.
Finalmente, ela se ajeitou na cadeira e levantou o livro novamente. Carson soltou a respiração que nem percebera estar prendendo e lançou um olhar sujo para Wes. Wes pelo menos teve a decência de parecer envergonhado. O incidente fez Carson perceber que seria quase impossível para os dois escaparem sorrateiramente enquanto ela ainda estivesse do lado de fora, já que fazê-lo quase certamente criaria mais barulho e ela provavelmente estaria mais atenta a sons adicionais.
— Você acha que eles frequentam acampamentos e colônias de nudismo? — Wes sussurrou vários minutos depois, quando seus corações já haviam se acalmado.
— Não tenho ideia — Carson disse, quase um pouco na defensiva. Embora apreciasse a beleza da jovem, ele ainda se sentia desconfortável por estar ali. Não queria estar se intrometendo na vida pessoal dela. O que ela e a família faziam não era da conta dele nem de Wes.
Mais um minuto depois, Emmy largou o livro, levantou-se e voltou para dentro de casa. Carson viu aquilo como a oportunidade de escapulirem sem serem pegos e sugeriu isso ao amigo.
— Você está brincando? Ela deixou todas as coisas dela lá fora. O show provavelmente ainda dura pelo menos mais uma hora.
Carson revirou os olhos. — Sim, ela é muito atraente e está muito nua. Se você quer ver garotas nuas, tem muitas na internet. Acho que devemos dar privacidade à Emmy.
Wes o encarou por um momento. — Ou você está virando gay, ou realmente tem um lance por ela.
— Não estou virando gay — Carson disse, balançando a cabeça.
— Viu, então eu estava certo — Wes disse com um brilho vitorioso nos olhos. — Tudo bem, como você quiser, Senhor Cavalheiresco.
Enquanto voltavam silenciosamente pela mata em direção à casa de Wes, Carson não pôde deixar de olhar para trás algumas vezes, esperando vislumbrar mais uma vez Emmy. Ele já estava se perguntando como conseguiria olhar para ela com uma cara séria na escola no dia seguinte.
* * * *
O coração de Carson batia pesado no peito e ele podia sentir um rubor quente no rosto. Era tão ruim quanto da vez em que convidara Janie Holmann para o baile de boas-vindas, só que dessa vez ele não estava fazendo nada tão estressante. Tudo o que precisava fazer hoje era sentar ao lado de Emmy e trabalharem juntos no laboratório de física.
Ele carregou uma caixa de componentes elétricos até a bancada deles, o coração dando um salto quando ela levantou os olhos do caderno e encontrou os dele. Tinha certeza de que ela seria capaz de ver através dele, lê-lo como um livro aberto, e acusá-lo abertamente de ser um voyeur bem na frente de toda a turma. Era estúpido, ele sabia, mas o aterrorizava mesmo assim.
— Pegou o medidor? — Emmy disse quando ele se sentou ao lado dela.
— Hã? — Carson estava tão perturbado por ela ter dito algo para ele que perdeu completamente a pergunta.
— O voltímetro? Você pegou um?
— Ah, sim — ele disse, tirando-o da caixa e entregando a ela.
— Ótimo, obrigada — ela disse, pegando-o e colocando de lado na bancada. — Acho que já descobri o primeiro circuito, se você estiver pronto para começar a montá-lo.
Eles trabalharam nos exercícios, calculando as características elétricas dos circuitos que o professor havia desenhado no quadro e depois testando-os com modelos construídos fisicamente. Carson, geralmente muito bom em física, percebeu-se cometendo vários erros enquanto tentava inutilmente se abster de imaginar o corpo nu da parceira sob a blusa apertada que ela usava hoje. Deixando-o ainda mais nervoso, Emmy parecia consideravelmente mais falante com ele hoje do que ele jamais se lembrava. Ela parecia francamente comunicativa, embora ele suspeitasse que pudesse ser apenas sua mente pregando peças.
Felizmente, o laboratório finalmente terminou e eles guardaram tudo. Os nervos de Carson tinham finalmente começado a se acalmar perto do fim da aula, e ele conseguira manter um pouco de conversa sem fazer papel de completo idiota. Se ela havia percebido algo de estranho nele, não tinha demonstrado.
— Carson? — Emmy disse.
— Sim?
— Eu queria te pedir um favor.
O coração de Carson deu um salto e suas palmas instantaneamente ficaram suadas novamente. — Claro.
— Eu realmente preciso ir bem nessa prova final semana que vem — ela disse. — Uma das minhas bolsas de estudo que estou conseguindo tem um requisito de GPA bem rígido e eu estou bem no limite. Se eu não for bem, acho que posso perdê-la antes mesmo de ver o primeiro pagamento, o que seria muito ruim.
— Poxa. Eles podem fazer isso?
— É uma bolsa privada, então sim. Enfim, eu queria saber se você estaria disposto a me ajudar a estudar para ela. Sei que você provavelmente está bem ocupado estudando para todas as provas finais semana que vem, então é totalmente tranquilo se você não puder...
— Não, não — ele disse, um pouco atrapalhado. — Eu ficaria feliz em ajudar.
— Ótimo! Pensei que, já que você praticamente me carregou em alguns desses laboratórios, seria minha melhor esperança.
Emmy, por sua vez, parecia um pouco envergonhada por ter que admitir sua dificuldade. Era um olhar que Carson achava tanto cativante quanto completamente em desacordo com a mulher que exalava autoconfiança no dia anterior junto à piscina.
— Obrigado, eu acho — ele disse, sentindo-se idiota pela forma como saiu. — Espero não te decepcionar. Quando você queria estudar?
— Você está livre depois da aula hoje?
— Hã, claro — ele disse, embora não estivesse pensando com clareza suficiente para lembrar se realmente tinha outros planos ou não.
— Podemos fazer aqui em casa, se você quiser — ela disse. Onde eu gosto de ficar pelada, Carson ouviu no fundo da mente, a continuação não dita dessa frase.
— Ok — ele disse, com a voz falhando.
— Aqui — ela disse, pegando um pedaço de papel e escrevendo enquanto dava as direções. — 5598 Westchester, saída da FM9066.
— Sim, eu sei onde é isso — ele disse ao pegar o papel.
Emmy ergueu as sobrancelhas com isso. — Você sabe?
— Sim — ele disse, tentando não se atrapalhar. — Meu melhor amigo mora por lá. Não é o lugar mais fácil de achar a menos que você saiba onde é.
— Não, não é — ela disse, um olhar curiosamente satisfeito cruzando seu rosto antes de desaparecer rapidamente. — Estarei em casa às quatro, então qualquer hora depois disso está bom. Provavelmente quanto mais cedo, melhor. Me liga se surgir algo.
— Certo — ele disse, notando que ela havia escrito o número do telefone abaixo do endereço. — Vou tentar às quatro então.
— Ótimo, até mais!
Carson assentiu e observou aparvalhado enquanto ela se dirigia para a saída da sala de aula. Seu olhar foi inevitavelmente atraído para a bunda dela e a lembrança de tê-la visto nua. Ele poderia ter sobrevivido ao tempo juntos no laboratório, mas não tinha tanta certeza se conseguiria passar por uma sessão de estudo a sós com ela. Engoliu em seco e guardou o pedaço de papel no bolso.
* * * *
Durante a maior parte do trajeto até a casa de Emmy, a imaginação de Carson especulou descontroladamente sobre como ele reagiria se ela abrisse a porta nua. Era o tipo de fantasia que provavelmente o desestabilizaria se algum dia a enfrentasse na realidade. Ainda assim, ele se esforçou muito para se convencer de que ela seria completamente comum durante o tempo que passasse lá.
Eliminando o último resquício de receio, ele subiu a espaçosa varanda frontal e apertou a campainha. Emmy, ainda vestida com as roupas da escola, atendeu alguns instantes depois e o recebeu. Para seu alívio, ela parecia quase tão nervosa quanto ele — o mesmo tipo de nervosismo que ele sentia nas poucas vezes em que visitara a casa de uma namorada pela primeira vez.
— Pensei que a gente podia trabalhar na mesa da sala de jantar, se tudo bem — ela disse.
— Claro — Carson disse, seguindo um passo atrás enquanto observava o novo ambiente.
A casa era pelo menos o dobro do tamanho da de seus pais, mas usava o espaço extra para dar aos cômodos tetos abobadados e outras áreas abertas. Claraboias permitiam que a luz do sol lançasse um brilho quente sobre os pisos de madeira, e obras de arte simples nas paredes acrescentavam elegantes toques de cor à decoração minimalista. O lugar era organizado e limpo, e ele teve a impressão de que estavam sozinhos no momento.
— Lugar legal — ele disse enquanto atravessavam a cozinha e paravam na mesa ampla já coberta com as anotações de aula dela.
"Valeu," ela disse. "É mais ou menos a casa de aposentadoria dos meus pais, mas eles ainda estão a anos de realmente se aposentarem. Só vou aproveitar por alguns meses antes de ir para a faculdade."
"Provavelmente faz parecer mais uma casa de veraneio para você, então, imagino."
"É, o que não é de todo ruim, eu acho."
Emmy pegou alguns refrigerantes na geladeira e eles se acomodaram na mesa para começar a trabalhar. Carson ficou um pouco nervoso quando ela sentou em uma cadeira ao lado dele, mas acabou sendo a maneira mais prática de eles revisarem várias equações do dever de casa que estavam dando trabalho para ela nas últimas semanas. Para seu grande alívio, eles rapidamente se concentraram em física e ele se viu finalmente capaz de relaxar e conversar naturalmente na presença dela. Emmy, por sua vez, pareceu se abrir com ele muito mais do que jamais havia feito na aula, e ele descobriu nela um senso de humor doce e autodepreciativo que nunca tinha visto antes.
"Sabe, acho que você provavelmente faria um trabalho melhor ensinando essa matéria do que o Sr. Andrews," Emmy disse após cerca de uma hora debruçada sobre o material. "Algumas coisas estão finalmente começando a entrar."
"Que bom," Carson disse, corando um pouco com o elogio. "Provavelmente é só ver as coisas de um jeito diferente que ajuda, mesmo."
"Bem, eu agradeço de qualquer forma."
"Sinceramente, acho que isso está sendo a melhor maneira de eu também poder estudar," ele disse.
"Como assim?"
"Bem, ao tentar explicar como eu resolvo os problemas para você, estou me forçando a entender realmente como as equações funcionam, e não apenas como substituir os números."
"Legal. Fico feliz em saber que não estou desperdiçando totalmente o seu tempo, então."
"Não, de jeito nenhum."
"Eu ia fazer uma pausa por um minuto," Emmy disse. "Preciso encontrar aquele outro caderno de laboratório antes de avançarmos mais com a parte de energia cinética. Se quiser, pode vir junto -- ganhar um tour pelo andar de cima e ver meu quarto."
Algo na oferta pareceu uma armadilha para Carson. Ele genuinamente gostava dela, mas não queria parecer ansioso demais. Além disso, ele ainda tinha reservas sobre sua capacidade de superar as visões em sua cabeça dela pelada. Se recusasse, porém, arriscava parecer distante ou completamente desinteressado.
"Ah, claro," ele disse fracamente.
Enquanto ela o levava para o andar de cima, eles conversaram amenidades sobre seus respectivos interesses e hobbies. Carson ficou surpreso e impressionado com o interesse dela por vela e mergulho autônomo, que ela havia aprendido com a família ao longo dos anos. As incursões de Carson em programação de computadores e design de sites, em comparação, soavam um tanto monótonas e banais, embora Emmy pelo menos tentasse agir interessada.
"Bem, aqui está," Emmy disse, abrindo a porta de seu santuário moderadamente bagunçado. "Desculpe pela bagunça. Ainda não terminei de desfazer as malas da mudança."
"Não, está tudo bem," ele disse. "Muito mais limpo que meu quarto... e com uma vista muito mais bonita."
Carson foi atraído pelas janelas que davam tanto para o quintal dos fundos quanto para a lateral da casa. Mesmo do segundo andar, a vista sobre o campo ondulado era impressionante. A piscina, junto com o belo trabalho em pedra e o paisagismo, também chamou sua atenção, junto com lembranças do dia anterior.