Cara Eu Ganho, Coroa Ela Perde
Algumas coisas é melhor deixar ao acaso.
Um conto curto sobre o preço pago pela infidelidade.===========================
"Você chegou cedo hoje, Jack. O que vai querer?"
Jack tirou o dólar de prata gasto e o jogou para o alto. "Cara."
Gina, atrás do balcão, sorriu. "Maker's 46, saindo na hora."
Jack era um cara legal. Ela serviu uma dose generosa e a colocou na frente dele. Virou-se para o balcão traseiro e ergueu duas tigelas, uma com pretzels e outra com amendoim espanhol. Observou-o jogar a moeda de novo, mais uma vez se perguntando sobre essa idiossincrasia dele. "Coroa."
Ela colocou o amendoim na frente dele e se apoiou no balcão. "Quanto tempo mais essa sua experiência maluca vai durar?" perguntou.
"Na verdade, pode muito bem ser o último dia."
Gina não sabia se ficava contente ou triste. Quando ele começou a aparecer no bar, umas duas semanas antes, jogando aquela maldita moeda, ela se perguntou se ele era doido. Não demorou muito para perceber que ele era um cara inteligente, agradável de conversar, bonito e com um bom senso de humor. Era a aura subjacente de tristeza que a pegava. Não que ela não visse isso com frequência em seu ramo, mas por algum motivo esse cara a tocava.
"Isso vai ser o fim das suas visitas?" ela perguntou.
Ele sorriu. "Isso seria meio bobo, não seria? Estou só começando a te conhecer." Ela se surpreendeu com o brilho nos olhos dele e o tom paquerador. O que quer que o estivesse incomodando devia estar melhorando.
"Bom. Você não tem ideia de como é difícil conquistar um bom cliente fixo", ela brincou. "Qual é a do tablet?"
Ele estava com o tablet Android aberto, assistindo a algum tipo de vídeo. Ela não conseguia distinguir o que era, mas ele parecia incrivelmente concentrado. "Estou com um problema de roedores em casa. Tentando resolver", respondeu. De novo, aquele brilho nos olhos. Ele estava se divertindo.
"Dedetizador?" ela perguntou.
"Ainda não sei." Ele jogou a moeda, e ela o viu sorrir antes de apertar algo na tela. "Cara, hoje é o dia! Você tem as horas, Gina?"
"E o lugar", ela brincou. "São 3:45. Você chegou uns bons 20 minutos mais cedo hoje."
"Perfeito. Alguma chance de você fazer o Marty preparar aquele Murder Burger sobre o qual você vive me avisando?"
"Pode deixar, bonitão. Só um por semana, entenda. Depois do primeiro você vai ficar me implorando, mas não vou ser responsável pelo seu ataque cardíaco."
"Então é melhor você parar de usar jeans tão apertados", respondeu Jack, desviando de um guardanapo amassado jogado por ela, a garçonete sorridente.
Jack olhou ao redor do bar, observando o pequeno grupo. Seis pessoas ao todo. Ele levantou o cartão de crédito para chamar a atenção de Gina. "Estou com vontade de comemorar, linda. Bebida para todos, por minha conta. Você e o Marty também."
Aquilo a surpreendeu. Ele era um lobo solitário. Não falava com ninguém, exceto com ela e, de vez em quando, com Marty. Ela pegou o cartão, passou a máquina e então ergueu a mão e tocou o velho sino de latão, atraindo a atenção de todos. "Bebida grátis para quem quiser. Cortesia do meu bom amigo Jack..."
"Atkins", disse Jack.
"Cortesia de Jack Atkins", ela disse.
* * *
Lauren fechou os olhos e virou o rosto ligeiramente. Respirou pela boca para não ter que sentir o cheiro do suor acre do corpo do desgraçado. Nem mesmo a meia dúzia de velas perfumadas que havia espalhado pelo quarto conseguia neutralizar seu fedor. Ela fazia todos os barulhos apropriados, incitando-o, tentando fazê-lo terminar.
Não era horrível. Cinco anos antes, quando estavam na faculdade, tinha sido okay. Mas as coisas eram diferentes naquela época. Agora, ela queria estar em qualquer outro lugar que não ali, debaixo dele, mas isso não estava nos planos. Não, ela aguentaria por mais um tempinho. Pagaria pelo silêncio contínuo dele com seu corpo, se fosse o preciso. Ele iria embora em menos de dois meses, de volta para o exterior, e ela poderia lidar com isso até lá. A primeira vez, quase seis semanas antes, tinha sido a mais difícil, mas ela estava se tornando insensível.
"Me soca, amor. Isso é tão bom. Me dá com força", implorou.
Doug metia dentro dela, olhando para a beleza abaixo. "Isso mesmo", grunhiu, investindo. "Você sabe que sentiu falta. Ninguém poderia te fazer como eu."
"Só você, Dougie", ela disse, acrescentando um gemido de efeito. "Goza pra mim."
Não era a primeira vez que se perguntava se estava fazendo a escolha certa. Ele jurou que essa seria a última e ela nunca mais ouviria falar dele. Claro, era o que o desgraçado tinha dito quase cinco anos antes.
* * *
"Última chance de mudar de ideia", Jack murmurou para si mesmo.
"O que foi?" Gina perguntou, deslizando o enorme cheeseburger com bacon na frente dele. Quase meio quilo de carne moída, 8 fatias de bacon grosso, 4 fatias de queijo pepper-jack, dois ovos fritos e uma colherada de chili. Mais de 680 gramas de decadência de hambúrguer envoltas em um pão do tamanho de um prato.
"Nada", Jack disse. "Isso é grande demais para um humano comer. Quer um pouco?"
Ela riu. "Certo. Eu me esforço danadamente para caber nesses jeans, que, não posso evitar notar, você aprecia. Comer isso me faria ter que usar um muumuu."
"Uma mordida. Tenho certeza de que você pode pensar em algum exercício para queimar." Jack cortou o hambúrguer ao meio. Ele olhou para o vídeo streaming, esticou o braço e apertou o botão piscando. Ele riu, pegou o hambúrguer e deu uma mordida enorme, assistindo às peripécias na tela.
Gina se recostou e o observou, se perguntando de onde tinha vindo a mudança.
* * *
"O que foi isso?" Lauren perguntou alto, empurrando Doug e tentando se sentar. Ela podia jurar que tinha ouvido uma porta bater.
Doug continuou transando com ela. "Não ouvi nada."
"Luuucy, cheguei!"
"Ai, Deus! Ele está aqui!" Lauren guinchou, tentando empurrar o idiota de cima dela.
"E daí?" Doug disse. "O que ele vai fazer a respeito?"
"Se veste, seu idiota do caralho! Ele vai nos matar! O cara tem mais armas que o Exército Canadense inteiro."
"Surpresa, querida!" a voz bêbada do marido soou alto, logo do lado de fora da porta. O som característico de uma espingarda sendo bombeada precedeu suas próximas palavras. Eu tenho um presente para você e para o amante!
Doug saltou de cima dela, as pernas se enroscando no lençol, e caiu da cama, de cara no chão. Ele agarrou as calças. A explosão de um tiro de espingarda soou como se estivesse bem ao lado deles. "Porra!" Doug gritou. Ele se arrastou até a janela e tentou abri-la, mas ela não se moveu.
"Abre, seu idiota!" Lauren sibilou para ele. "Rápido!"
Outro bombeio da espingarda foi ouvido, seguido de batidas na porta. Você tem cinco segundos para abrir essa porta. Se abrir, eu mato só um de vocês. A risada soava demente. Cara, amor. Eu ganho. Cuida para ficar longe do amante.
Doug enrolou as calças na mão e bateu no vidro o mais forte que pôde, estilhaçando-o.
Cinco... Quatro..."Vai, vai, vai!" Lauren gritou, enquanto Doug tentava limpar os cacos pontiagudos e os alarmes da casa começavam a disparar, uma sirene estridente. Merda, bem o que precisavam.
Três... Dois..."VAI!" Lauren gritou, empurrando Doug com força pelas costas, fazendo-o rolar pela janela do segundo andar. Ela se virou para ver se o marido estava entrando pela porta enquanto engatinhava pela abertura.
* * *
Gina observou Jack rindo baixinho, enquanto jogava a moeda. "Cara", disse, olhando para ela.
"Outro bourbon?"
"Não." Ele hesitou diante dos dois botões na tela. Essa era uma escolha bem radical, mas até agora, deixar as coisas ao acaso não o havia decepcionado. Não como suas escolhas normais.
"Você está demitido", ele riu. "Whoosh!"
* * *
Lauren viu as chamas subindo pelas duas cortinas, ladeando a janela. As velas tinham caído?
Um! Preparado ou não, aqui vou eu!Ela se arrastou pela janela, cortando a mão e a perna na saída. Saltou para fora, tentando passar por cima do paisagismo abaixo. Bateu forte no chão e sentiu uma dor aguda no tornozelo.
Foi imediatamente encharcada. Droga! Os sprinklers estavam ligados! Por que os sprinklers estavam ligados? Ela procurou por Doug e o viu tentando sair de enormes roseiras, choramingando enquanto lutava para afastar os galhos. A maldita roseira devia ter quase dois metros de altura. Ela mesma deveria ter podado, quando suas exigências para lidar com a vegetação crescida foram ignoradas. Deveria ter percebido que algo estava errado naquela época. O marido estava de mau humor havia semanas. Ela achava que era o trabalho. Agora tinha certeza de que ele os havia descoberto.
Ela se virou para trás, para longe da casa, e quase desmaiou. O ônibus escolar estava na esquina, deixando as crianças. Todo mundo estava olhando na direção deles.
Ela estava nua.
Com um guincho, ela se virou e procurou um lugar para se esconder. Mancou dolorosamente até a garagem, onde os dois carros estavam cuidadosamente estacionados, longe de olhares curiosos. Ela digitou o código no controle remoto externo três vezes, antes de perceber que ele devia ter mudado. "Porra!" gemeu.
Doug estava de pé ao lado dela, sangrando de mil cortes e arranhões, uma mão cobrindo a virilha, a outra cobrindo a bunda. Droga, havia muito sangue.
"Abre, sua puta estúpida!" Doug disparou.
"O código foi mudado, babaca!" ela respondeu. Ela correu até o portão do quintal dos fundos e puxou a maçaneta. Filho da puta. Estava trancado com cadeado por dentro. A cerca tinha quase dois metros e meio e era quase impossível de escalar. Eles haviam se certificado disso quando instalaram a piscina, para evitar invasores no quintal.
Lauren olhou de volta para a casa e ficou paralisada de choque. O andar de cima inteiro parecia estar em chamas. Eles tinham saído pela janela, mas ele ainda devia estar lá dentro!
Ela se virou de volta para a rua, vendo os vizinhos observando. Martha, do outro lado da rua, estava na calçada dela, filmando-os com o iPhone. Lauren mancou até ela e arrancou o telefone da mão da vizinha assustada.
* * *
Jack se surpreendeu ao ouvir seu telefone tocar. Ele atendeu. "Jack Atkins."
"Amor! Sinto muito. Você tem que sair de casa. Sai agora. Está pegando fogo. Esconde a arma, não vamos falar nada. Você tem que sair agora."
"Calma, Lauren. Qual o problema?"
"Escuta, Jack! Sai de casa. O quarto está pegando fogo. Você tem que sair. Dá um jeito na espingarda. Vou negar tudo sobre ela, mas não sei o que esse desgraçado vai fazer, então você tem que se livrar dela. Vai, vai, vai!"
Jack acionou o seletor de câmera e deu zoom nela, mancando nervosamente de um lado para outro na entrada da garagem, a mão cobrindo o telefone enquanto falava.
"Não estou em casa, querida", Jack explicou com cuidado.
"Pelo amor de Deus, Jack! Não sei o que você pensa que está tramando, mas não há tempo para isso. Já estou ouvindo as sirenes chegando. Sai pelo quintal dos Simmons, mas se livra da espingarda e não vem pela frente! Está me ouvindo?"
Jack olhou para a moeda na mão. Não tinha uma escolha preparada para essa eventualidade. "Tudo bem, querida. Eu saí de casa."
Ele a ouviu soluçar. "Graças a Deus. Agora vai. Rápido. Eu... eu sinto muito, Jack. Nunca quis que nada disso acontecesse. Eu te amo."
* * *
Lauren olhou para o arquiteto de seus problemas, agachado atrás do arbusto de azevinho ao lado da garagem. Alguém estava segurando uma jaqueta sobre seus ombros, e ela se virou para ver Cindy, da casa dois portões adiante, de pé sobre ela.
"Se cubra, Lauren", a loira avoada sussurrou baixinho. "Não deixe eles te verem assim."
Lauren viu o caminhão de bombeiros chegando, com uma viatura de polícia logo atrás. Sentiu as lágrimas brotarem nos olhos e olhou para o rosto preocupado da vizinha. Estendeu um braço e o enfiou na jaqueta corta-vento, depois colocou o braço na outra manga, antes de fechar a frente. Era grande demais, graças a Deus, chegando até a metade das coxas.
"Obrigada", sussurrou.
Cindy a abraçou com um braço, dando-lhe um aperto. "Vai ficar tudo bem", disse.
Lauren soltou uma risada dolorida. "Acho que não, Cindy. Nunca mais. Mas obrigada assim mesmo."
Ambas recuaram para o lado, em direção à calçada, enquanto os bombeiros saíam do veículo; dois deles acionaram a mangueira, disparando um jato potente de água para dentro do quarto, enquanto mais dois arrombavam a porta da frente para entrar na casa.
* * *
Gina se inclinou sobre o balcão e observou a cena se desenrolar no tablet dele. Bombeiros enxameavam ao redor de uma casa, enquanto um homem nu coberto de sangue era escoltado para longe da câmera. "Que programa você está assistindo? Isso é notícia ao vivo?"
Jack riu. "Reality show." Ele fechou o tablet e olhou para ela. Jogou a moeda. "Coroa."
"Harp?"
Ele assentiu.
* * *
Às 7:30, o bar tinha um bom número de frequentadores. Gina estava preocupada com seu novo cliente fixo favorito. Ele estivera de tão bom humor pela primeira vez desde que começara a frequentar o lugar, mas agora estava de volta ao seu jeito quieto, no quinto drinque, um Harp novamente. Tudo estava errado. Ele nunca ficava mais de uma hora, mais ou menos, saboreando seus dois drinques antes de desaparecer. Ela estava contente por ele ter comido o hambúrguer. Ajudaria a absorver um pouco da bebida.
O barulho no bar caiu para zero, e ela olhou ao redor para ver o que tinha acontecido. Uma morena descabelada estava de pé na porta aberta, olhando ao redor. A jovem mirou na direção de Gina e começou a andar, mancando bastante. Ela estava uma verdadeira bagunça, descalça, as pernas cobertas de filetes de sangue seco, curativos na coxa, na canela e no braço. Vestia uma jaqueta leve azul-escura e, pelo visto, pouca coisa mais. A maquiagem seriamente borrada indicava que ela estivera chorando.
O grupo ao lado do bar se abriu enquanto ela se aproximava. Jack se levantou do banco e o ofereceu a ela.
"Há quanto tempo você está aqui?" a mulher perguntou.
Jack se virou para Gina. "A que horas eu cheguei?"
"Por volta das 3:40. Lembra?"
A mulher olhou para Gina. "E ele esteve aqui o tempo todo?"
Gina assentiu. "Acho que ele não saiu desse banco uma vez sequer. Eu estava começando a me perguntar se ele tinha uma bexiga do tamanho do Lago Michigan."
Jack andou até o final do bar e pegou o único banco vazio, carregando-o de volta e colocando ao lado do da mulher. "Que falta de educação a minha. Gina, esta é minha ex-esposa, Lauren. Lauren, esta é a melhor bartender da cidade, Gina."
Lauren apenas fitou o marido. "Como?"
Ele deu de ombros. "Importa?"
Ela balançou a cabeça. "Acho que não. Pode me dizer por quê?"
"Você sabe por quê. Aliás, sou eu que deveria estar te fazendo essa pergunta."
Ele esperava raiva, mas tudo que viu foi tristeza. "Acho que é justo", ela disse. "Você compraria um drinque para sua 'ex'? Parece que deixei minha bolsa em algum lugar."
"Cerveja?"
Ela riu com tristeza. "Acho que preciso de algo um pouco mais forte."
"Cara, Adios Motherfucker. Coroa, um Zombie?" Jack zombou.
Gina se pronunciou. "Posso dar uma sugestão?"
Ambos se viraram para ela, expectantes.
"Que tal um Bastard on the Beach?" Gina disse.
"Você não tem nada chamado 'Puta Estúpida que Provavelmente Merece o que Tem Vindo'?" Lauren perguntou.
Gina riu. "Isso seria uma Lindsay Lohan — uma Red Headed Slut com um toque de coca. Mas você não é ruiva."
"Bastard on the Beach vai servir para ela", Jack disse. "Eu vou querer um Screaming Sex with the Bartender."
Gina lhe deu um sorriso. "Meio afrescalhado para um bebedor de bourbon." Ela se virou e começou a preparar as bebidas.
Lauren se esticou e pegou o copo meio cheio de Harp de Jack. Ela o virou de uma vez. "O que você quer saber, Jack?"
"Por quê? Por que você me trairia? Achei que o que tínhamos era perfeito."
"Chantagem." Ela disse calmamente, sem expressão.
"Como? Como ele pôde te chantagear? E por que você simplesmente não me contou e me deixou resolver?"
Lauren ajeitou o cabelo para trás, constrangida. "Fiz algumas coisas muito estúpidas na faculdade. Muito estúpidas. Experimentei drogas, para começar. Isso levou a coisas ainda mais estúpidas."
"Você? Você nem bebe nem fuma", Jack disse.
"Não mais. Não depois do que aconteceu."
Gina se inclinou. "Bastard on the Beach parte I. The Suffering Bastard." Ela empurrou a bebida na direção de Lauren, que deu um longo gole.
"O que aconteceu?" Jack perguntou.
"Um vídeo muito sujo. Vergonhoso. Repugnante. Eu, outra garota e uma sala cheia de caras. Eu estava completamente fora de mim e não me lembro da ocasião, mas definitivamente era eu. Eu me lembro da estadia no hospital depois."
"Você ainda poderia ter me contado. Foi antes de nos casarmos. Eu não te julgava por isso."
Ela deu de ombros. "Talvez você não julgasse. E o meu trabalho? Minha família? Sua família? Nossos amigos? Nossa igreja?"
"Você está brincando, né?"
"Nem um pouco. A Debbie, a outra garota, descobriu da pior maneira."
"Screaming Sex With A Bartender", Gina anunciou, empurrando a bebida alaranjada no copo furacão na direção de Jack. "Só um toque, Jack. Nenhuma bartender em sã consciência gritaria por um homem que bebe algo tão afrutado."
Ele riu. "Desculpe, Gina. Não resisti. Sempre quis pedir um desses." Ele jogou a moeda. "Cara."
Ela sorriu maliciosamente. "Assim está melhor. Maker's 46. Depois que sua companheira tomar A Bastarda Parte II."
Jack virou-se para a esposa. "Você ainda assim devia ter me contado, Lauren. Não sei o que poderíamos ter feito, mas poderíamos ter resolvido juntos."
Ela esvaziou o último gole do seu Suffering Bastard. "Ia ser só uma vez por semana por menos de três meses. Depois ele jurou que acabaria. Fui idiota e medrosa. Não queria perder você. Você é a melhor coisa que já me aconteceu."
"Você devia ter me contado", Jack insistiu.
Ela baixou a cabeça. "Eu sei. Sinto muito. Você nunca vai imaginar o quanto. Eu... eu não sabia o que fazer. Aconteceu tudo tão rápido. Na primeira vez, ele insistiu que eu fizesse ali mesmo, ou mandaria o DVD para todo mundo. Postaria online. Tudo. Então eu fiz. Odiei cada minuto, mas fiz. Depois que cheguei a esse ponto, achei que era tarde demais. Alguns meses e tudo acabaria. Não sou muito esperta, sou?"
"Dying Bastard. Por que não acaba com o sofrimento dele?", Gina disse, pegando o copo vazio e substituindo pela nova bebida.
"Estou percebendo um tema aqui", Lauren comentou.
Jack se inclinou para mais perto dela. "Não. Não foi nada esperto. Devíamos ser uma equipe, Lauren. Eu teria ficado ao seu lado, não importa o quê. Depois da primeira vez, você devia ter vindo falar comigo."
"Eu sei. Deus, você acha que eu não sei, Jack? É tarde demais agora. Tenho certeza de que todos que conhecemos receberão uma cópia em breve. Imagino que o Doug não esteja muito feliz comigo."
"Por que você me ligou, Lauren? Eu ameacei sua vida. Você e seu amante."
"Por favor, Jack. Não o chame assim. Não havia amor. Você tem que acreditar em mim."
Jack assentiu. "Certo. Ameacei você e seu chantagista. Por que você me ligou?"
"Não podia deixar você se machucar. Nada disso foi culpa sua. Eu sabia que você estava sofrendo. Bebendo, agindo taciturno. Não me tocava há semanas. Queria cair nos seus braços e explicar tudo, mas só conseguia pensar que em mais algumas semanas tudo acabaria. Eu poderia passar o resto da vida compensando você. Não, não podia deixar você se ferir ou ter problemas por causa da minha cagada." Ela tomou um gole da bebida, fazendo careta.
"Maker's 46", Gina disse, empurrando o bourbon para Jack. "Você vai beber isso?", perguntou, erguendo a mistura alaranjada na frente dele.
"Acho que vou passar", Jack respondeu.
Gina sorriu. "Meu turno acabou faz meia hora, quando a Angela chegou. Se importa se eu tomar?"
"Por favor, fique à vontade."
Gina se inclinou para a frente, bebericando sua bebida, descaradamente ouvindo a conversa do estranho casal à sua frente.
"Suponho que não haja mais chance para nós, não é?", Lauren perguntou ansiosamente.