A Rendição da Irmã
As chaves tilintaram na fechadura enquanto Kayla abria a velha porta de madeira surrada. Ela mal percebeu o rangido quando a porta se abriu para dentro, batendo na parede do corredor estreito. Com um grunhido, ela ergueu três sacolas de compras, sua bolsa de computador e a correspondência. Entrou cambaleando e, de alguma forma, conseguiu fechar a porta com o pé sem derrubar nada.
Ela colocou a bolsa do computador sobre a mesa e deixou as compras caírem no chão com um baque pesado e agradecido. Sentiu um prazer perverso em saber que o barulho irritaria sua senhoria, a Sra. Phelps, no andar de baixo. Ultimamente, qualquer coisa que pudesse irritar a hipócrita e egocêntrica Sra. Phelps era uma experiência a ser saboreada. Um sorrisinho surgiu em seus lábios com a imagem mental da velha rabugenta olhando para o teto e franzindo a testa em desaprovação.
Kayla se perguntou se alguma criança ainda se atrevia a bater na porta da velha para pedir doces no Halloween ou se todas já tinham aprendido a ficar longe.
Ao pensar em crianças, sua reflexão se voltou para sua irmã caçula, Sara, e seu sorriso desapareceu. Na verdade, Sara não era mais uma irmã caçula. Aos dezenove anos, ela era caloura na faculdade estadual a poucos quilômetros dali. Ou pelo menos tinha sido. Sara havia desaparecido há quase três semanas.
As lembranças daquelas primeiras horas terríveis passadas na delegacia de polícia inundaram sua mente e ela sufocou um soluço. As noites dolorosamente longas dirigindo pelas ruas da cidade e sentada ao lado do telefone voltaram à sua mente. Nenhum vestígio da garota esbelta de cabelos escuros pôde ser encontrado em lugar nenhum. Ela tinha ido a uma boate com três amigas numa sexta-feira à noite e, até onde se podia supor, desapareceu por volta da meia-noite. Ela não disse nada às amigas sobre sair e ninguém a viu deixar a boate. Foi como se ela simplesmente tivesse desaparecido, engolida pela noite.
Com o passar das semanas seguintes, o terror frenético e o quase pânico lentamente se transformaram em um medo e desespero profundos. Kayla era uma mulher prática e não se entregava a pensamentos ilusórios ou orações. Ela sabia, no fundo do coração, que se sua irmã não tivesse aparecido até agora, algo terrível havia acontecido com ela e as chances de vê-la viva novamente eram praticamente nulas.
Seus lábios tremeram e uma única lágrima rolou por sua face pálida com esse pensamento. Com um esforço de vontade, ela respirou fundo e enxugou a lágrima. Virou-se e concentrou toda sua energia em guardar as compras e se preparar para a Noite de Halloween.
* * *"Kayla, tem certeza de que não vem?" A voz de Mandy implorou ao telefone.
"Desculpe, não estou no clima de festa hoje à noite... sabe?" Kayla disse à sua colega de apartamento. Ela segurava o telefone sem fio no ombro enquanto preparava uma salada.
Houve uma pausa do outro lado e então a voz de Mandy, mais suave desta vez. "Sim, eu sei. Você vai ficar bem sozinha aí esta noite?"
"Não seja boba. Sou uma garota crescida, vou ficar bem. Divirta-se na festa."
"Ok, mas se precisar de mim, ligue. Ok?" Mandy disse em tom maternal.
"Sim, sim, sim... vou ficar bem..."
"É sério." Mandy interrompeu, surpreendentemente firme. "É melhor você ligar se precisar de alguma coisa."
Kayla fez uma pausa, tocada pela preocupação da amiga. "Prometo. Agora vá se divertir. E não parta muitos corações esta noite."
Houve uma risadinha malévola do outro lado, seguida por um inocente "Quem... eu?"
Era a vez de Kayla rir. "Sim, você. Seja boazinha, sua putinha."
"Eu sou sempre boazinha." Mandy disse num tom que era um pouco menos que inocente.
"Foi o que eu soube. Até mais." Kayla disse.
"Tchau."
Kayla colocou o telefone de volta na base, terminou de fazer sua salada e sentou-se à mesinha debaixo da janela. Estava escurecendo e ela viu as luzes das varandas na vizinhança começarem a se acender. As crianças pequenas logo sairiam para pedir doces. Ainda levaria algumas horas até que os mais velhos saíssem. Ela sabia por experiência passada que não receberia muitas crianças na sua porta. Muitos eram afugentados pela rabugenta Sra. Phelps lá embaixo e os demais simplesmente não sabiam da porta lateral que levava ao seu apartamento no segundo andar. Da rua, parecia apenas uma porta dos fundos da casa. Apenas algumas das crianças locais sabiam dela.
Ela desejava que algumas das crianças menores viessem procurar doces. Adorava ver suas fantasias e como ficavam animadas com o feriado. Eram os adolescentes que ela podia dispensar. A maioria deles, parecia-lhe, nem se dava ao trabalho de tentar uma fantasia. Simplesmente subiam, batiam e esperavam doces. Era mais do que um pouco irritante para ela.
Engolindo a última garfada de sua salada, ela viu o primeiro grupo de crianças descendo a rua, parando em uma velha casa vitoriana algumas casas adiante. Ela olhou para a grande tigela de doces no balcão e se perguntou quanto dela e Mandy teriam que comer.
* * *Uma batida suave na porta assustou Kayla, tirando-a do sono. Um olhar para o relógio lhe disse que era quase meia-noite. Um pouco apreensiva, ela se levantou e foi na ponta dos pés pelo corredor até a porta. Ouvindo, esperou um momento. A batida se repetiu, um pouco mais alta desta vez. Ela se perguntou quem poderia estar batendo àquela hora. Era muito tarde para crianças pedirem doces. Talvez seja algum tarado ou estuprador, pensou, olhando para o telefone a alguns passos de distância. Então lhe ocorreu que talvez fosse Mandy. Talvez ela tivesse perdido as chaves ou algo assim. Ela estava prestes a abrir a boca para perguntar quem estava lá fora quando uma voz além da porta falou.
"Kayla? Você está aí?"
A respiração de Kayla congelou na garganta enquanto um choque percorria seu corpo. Seus dedos atrapalharam-se freneticamente com a fechadura por um momento antes que um clique soasse e ela escancarasse a porta. Lágrimas imediatamente brotaram nos cantos de seus olhos e seus lábios tremeram enquanto ela tentava encontrar palavras.
"Oi Kayla, eu senti sua falta." Disse Sara.
O choque de Kayla deu lugar a uma imensa onda de alívio e alegria ao ver sua irmã novamente. "Sara!" Ela pulou sobre a irmã e ambas caíram no chão do corredor. "Não posso acreditar que você está aqui! Eu pensei..." Sua voz se embargou por um momento, "Eu pensei que você estava... estava... bem, morta." Lágrimas rolaram por suas faces, "Eu estava com tanto medo... eu... eu..." Ela sufocou novamente e abraçou Sara ferozmente.
"Eu sei... me desculpe por isso, mana. De verdade." Sara disse enquanto se levantava e então ajudou Kayla a ficar de pé.
A mente de Kayla finalmente começou a funcionar novamente e sua alegria foi temperada com uma explosão repentina de raiva reprimida que vinha fervendo por semanas sem ter onde descarregar. "Onde diabos você estava!?" Ela gritou, agarrando Sara pelos ombros e olhando-a diretamente nos olhos, continuou: "Eu..." Sua raiva rapidamente vacilou e suas palavras se perderam quando ela notou algo diferente em sua irmã. Onde antes os olhos de Sara eram de um verde vivo, agora eram de um cinza prateado pálido. "Eu... eu estava... eu..." suas palavras saíram aos tropeços enquanto ela se via encarando os olhos da irmã, incapaz de organizar seus pensamentos. Ela se sentiu como se estivesse sendo sugada para dentro daqueles olhos, como poças de mercúrio vivo, caindo neles... impotente. Ela tentou desviar o olhar, mas parecia não se lembrar de como se mover. Os pelos na nuca se arrepiaram e, em algum lugar bem no fundo de sua mente, um alarme silencioso disparou. Algum instinto primal indefinível lhe dizia que algo ali estava errado, terrível, perigosamente errado.
Um sorrisinho malicioso se espalhou nos lábios de Sara e ela desviou o olhar, quebrando o feitiço. "Eu estive," ela fez uma pausa, "fora." Seu sorriso se tornou mais caloroso. "Vou explicar tudo para você, eu prometo." Ela ergueu a mão, "Posso entrar?"
Kayla balançou um pouco a cabeça, tentando recuperar os sentidos. A sensação de perigo e pavor havia desaparecido tão rapidamente quanto viera, deixando Kayla atordoada. "O quê?" Ela perguntou estupidamente.
"Posso entrar?" Sara repetiu, inclinando a cabeça em direção à porta aberta.
"Oh, sim, sim, claro. Por favor, entre." Ela fez sinal para Sara entrar e fechou a porta atrás delas. Enquanto a porta se fechava, ela repassou o último minuto em sua mente. O que tinha acabado de acontecer?, ela se perguntou. Seria apenas imaginação? Talvez uma reação ao choque combinada com a falta de sono? Quanto mais ela se concentrava, mais o momento lhe escapava, como um sonho na luz da manhã. Apenas impressões vagas permaneciam.
Com a mente ainda um pouco zonza, Kayla se virou e olhou para sua irmã, agora na cozinha mais iluminada. Ela notou outras coisas diferentes em sua irmã. Sara sempre tinha sido um pouco moleca e habitualmente usava roupas muito casuais e confortáveis, como jeans, calças de moletom e camisetas. Mas as roupas que ela usava agora eram de natureza totalmente diferente. Uma blusa preta de mangas compridas, tão fina que era completamente transparente, estava por cima de um top preto justíssimo. A saia preta curta que ela usava abraçava firmemente as curvas de seu traseiro e subia tanto que Kayla se pegou pensando se cobriria algo quando ela se sentasse. Meias-calças pretas e saltos agulha pretos completavam o visual.
"O que aconteceu com você?" Ela sussurrou para si mesma.
"Como?" Sara se virou, um sorrisinho malicioso nos lábios.
"Eu disse..." Ela se interrompeu quando mais uma vez cruzou o olhar com o de sua irmã. O alarme em sua mente voltou e seus pensamentos se dispersaram. "Eu... eu estava..." Ela gaguejou. "Nada." Ela conseguiu dizer.
O sorriso de Sara se ampliou como se ela tivesse acabado de descobrir algo importante. Ela desviou o olhar lentamente.
Os pensamentos de Kayla voltaram com força quando Sara se virou. A sensação de pavor era mais forte desta vez e não recuou como antes. Ela agora pairava em sua mente, alertando-a sobre... algo. "Acho que preciso de uma bebida." Kayla disse.
"Isso soa maravilhoso. Você tem algum vinho?"
"Sim. Alguma preferência?"
O sorrisinho malicioso estava de volta. "Tinto." Sara disse, então se virou e foi para a sala de estar.
Kayla observou as costas de Sara que se afastavam por um momento enquanto sua mente se agitava. O alarme estava ficando mais alto e um nó desconfortável se desenvolvia na boca do estômago. Algo estava errado e ela não fazia ideia do que era.
Pegando uma garrafa de Merlot da prateleira, ela a abriu e deixou respirar por um minuto enquanto pegava duas taças. Virando a cabeça, ela olhou pela porta e viu Sara parada na sala escura. Ela estava olhando para a estante, um dedo percorrendo as lombadas dos livros. Kayla notou que, enquanto antes sua irmã sempre tinha sido um pouco desajeitada e sem graça, agora ela era equilibrada e parecia exalar uma sexualidade confiante. Ela também parecia diferente. Seu corpo esguio, quase magro e juvenil, parecia ter se preenchido, transformando-se em uma mulher curvilínea e sedutora. Até seu cabelo parecia mais bonito, se é que isso era possível. A melhor característica de Sara sempre tinha sido sua longa juba de cabelo lustroso cor de cobre/dourado. Agora parecia ainda mais longo e cheio do que antes. Quando Kayla vira Sara pela última vez, seu cabelo estava apenas um pouco abaixo dos ombros. Agora a espessa cabeleira descia até abaixo da cintura.
A mente de Kayla estava clareando cada vez mais a cada momento que passava e, com essa nova clareza, sua apreensão com a estranheza da situação aumentava. Ela começou a temer a explicação da irmã sobre onde ela estivera e o que exatamente havia acontecido com ela nas últimas três semanas.
As taças tilintaram quando Kayla as colocou na mesa de centro junto com a garrafa. "Taça cheia?"
"Por favor." Sara respondeu sem desviar a atenção da estante.
Kayla serviu as taças e sentou-se, tomando um longo gole, seguido por outro. Em pouco tempo a taça estava vazia e ela a encheu novamente. Quando estava na metade da segunda taça, Sara finalmente veio se juntar a ela.
"Obrigada." Ela disse, pegando a taça e sentando-se na poltrona em frente a Kayla. "Então, sentiu minha falta?"
O alarme de Kayla agora rugia a todo vapor. O álcool estava ajudando a acalmar sua mente, mas quanto mais ela olhava, mais óbvias se tornavam as mudanças em sua irmã. Não havia como negar que ela ainda era a mesma pessoa, mas parecia tão diferente em tantos aspectos.
"O que aconteceu com você?" Kayla finalmente conseguiu perguntar.
Sara olhou para o topo de sua taça, uma sobrancelha arqueada, "Você gosta da mudança?"
"Ainda não tenho certeza." Ela fez uma pausa, "Responda minha pergunta."
O mesmo sorriso malicioso voltou. "Não vou contar." Inclinando-se para frente sobre a mesa e colocando sua bebida no chão, Sara disse: "Vou lhe mostrar."
Kayla se viu novamente encarando os olhos prateados de sua irmã. Um pânico irracional floresceu em seu estômago e ela quis recuar, mas descobriu que não conseguia se mover. Sua mente se esforçava e lutava contra as amarras invisíveis, mas por mais que tentasse, não conseguia nem piscar os olhos. A taça de vinho vazia escapou de seus dedos sem vida e se estilhaçou no chão ao lado do sofá. Seus pensamentos começaram a desacelerar enquanto tudo ao seu redor começou a escurecer. Tudo desapareceu, exceto os olhos de sua irmã. Os olhos de Sara pareciam crescer cada vez mais, como poças sem fundo de mercúrio nas quais Kayla estava mergulhando.
Sara se levantou lentamente e contornou a mesa, tomando cuidado para não quebrar o contato visual. Kayla percebeu, de forma distante, que, embora não pudesse se mover voluntariamente, sua cabeça girava para acompanhar os olhos da irmã.
Sentando-se ao seu lado, Sara se inclinou para perto. "Eu senti sua falta, mana. Mais do que você provavelmente imagina. Foi a primeira vez que ficamos realmente separadas." Ela mordeu o lábio inferior num gesto surpreendentemente tímido e juvenil. "Eu estava com muito medo no começo. Eu queria tanto voltar para você, mas não podia. Minha..." Ela fez uma pausa, pareceu reconsiderar e então recomeçou, "Eu simplesmente não podia."
Kayla queria mais do que tudo naquele momento se levantar e correr para o outro lado da sala, mas seu corpo permanecia imóvel. Ela sabia, no fundo de sua alma, que algo terrível estava prestes a ser revelado e ela não queria saber o que era.
Sara continuou, "Eu fui mudada. Sei que você notou. Posso ver em seus olhos. Posso ver tudo em seus olhos agora, seus pensamentos, seus sonhos, esperanças, medos..." Uma longa pausa seguida por, "desejos." A palavra saiu quase como um sibilo. "É maravilhoso, Kayla. Mais incrível do que qualquer coisa que você possa imaginar."
Sara finalmente quebrou o contato visual ao se mover para o lado, mas Kayla descobriu que ainda não conseguia se mover. Ela não conseguia nem mover os olhos para o lado para ver o que sua irmã estava fazendo.
"Posso ler sua própria alma agora, Kayla." A voz veio num sussurro, tão perto de seu ouvido que ela podia sentir o hálito frio da irmã a cada sílaba. "Eu sei tudo sobre você. Coisas que você nunca contou a ninguém, nem a mim. Sei de coisas que você nem admite para si mesma, até coisas que você só sonhou nas caladas da noite."
Algo fresco e úmido roçou brevemente em sua orelha. Depois outro toque mais longo, depois outro mais longo ainda. Kayla ficou horrorizada quando percebeu que era a língua de sua irmã contornando sua orelha. A frieza daquilo a chocou e a fez querer gritar de horror. Ela desejava desesperadamente afastá-la, mas não conseguia, seu corpo era uma estátua. Outra lambida longa e Kayla sentiu algo mais; um calor familiar lentamente florescia em seu âmago. Sua mente gritava para seu corpo resistir e não ceder às sensações que sua irmã de alguma forma acendia nela. Kayla sabia que deveria estar enojada com as ações da irmã e também com a reação de seu corpo a elas, mas de alguma forma estranha, parecia estranhamente certo. Algo há muito reprimido se agitou dentro dela.
Sara desceu mais, deixando um rastro de beijos suaves e molhados pela lateral do pescoço de Kayla. Cada ponto que sua irmã beijava enviava um arrepio formigante pela mente de Kayla. O calor em seu estômago rapidamente se transformava num fogo que se espalhava por todo o seu corpo. Ela sabia, com não pouca vergonha, que se pudesse se mover, já estaria gemendo agora.
"Como está se sentindo, mana?" Sara arrulhou em seu ouvido.
Sem nenhum esforço consciente de sua parte, Kayla soltou um longo e grave gemido de prazer. Junto com a crescente felicidade sexual que agora inundava seu corpo, havia outro sentimento novo, um desejo de se render. Algo em sua mente lhe dizia que isso era certo. Que era assim que sempre deveria ter sido. Ela deveria se submeter a Sara.
"Eu te disse que sabia o que você realmente queria." Sara se moveu de volta para ficar de frente para a irmã. "Agora me diga, não é isso que você sempre quis?" Uma mão deslizou pelo peito de Kayla enquanto falava. Com a ponta de um único dedo, ela traçou lentamente um círculo ao redor de um dos mamilos de Kayla, que começavam a aparecer através do tecido fino de sua camiseta. "Não é, maninha?"
Kayla sabia que sua irmã estava de alguma forma controlando seu corpo, fazendo-o responder aos seus desejos. Com uma determinação teimosa, ela resistiu aos sentimentos que agora rugiam através de seu corpo e ao estranho controle de sua irmã sobre ela. Podia sentir o suor brotando em sua testa com o esforço mental. Algo dentro dela a impelia a responder, mas por pura força de vontade ela conseguiu resistir. Sua irmã podia controlar seu corpo, mas não podia ter sua mente também.
"Ainda tão teimosa como sempre, vejo." Em vez de ficar irritada ou mesmo aborrecida com a resistência, Sara na verdade parecia divertida. Ela se inclinou tão perto que as pontas de seus narizes se tocaram. "Mas você se esquece, maninha; eu sei o que te faz funcionar." Seu dedo parou de traçar círculos preguiçosos ao redor do mamilo e deu um beliscão firme.
A determinação de Kayla se dissolveu em uma explosão repentina de prazer ardente. Ela ofegou e teria desabado para frente se pudesse se mover. Seus olhos se fecharam e outro gemido alto escapou de seus lábios. Uma parte distante de sua mente registrou que ela estava recuperando mais controle, pelo menos de seus movimentos faciais.
Sara perguntou novamente. "Não é isso que você quer?"
Kayla proferiu uma única palavra, "Sim."
"O que é que você quer, maninha? O que você realmente quer? O que você sempre quis... me diga." Sara sussurrou.
Kayla se ouviu respirar, "Você." Ela não tomou a decisão consciente de dizer a palavra; pareceu sair de sua boca por conta própria. Mas uma vez dita, Kayla soube que era o que ela realmente queria, o que ela sempre quisera. Pensamentos que haviam sido reprimidos por toda a sua vida vieram à tona em uma onda avassaladora de emoção e necessidade. Uma vida inteira de fantasias sombrias e proibidas surgiu em sua mente, cortejando seu desejo, seduzindo sua vontade, exigindo sua obediência. Ela se rendeu a elas.
Por quase toda a vida que Kayla conseguia se lembrar, ela teve que ser a responsável.
Quando os pais das meninas morreram anos antes, ambas foram colocadas aos cuidados da avó. Ela era uma senhora bondosa que as mimava, mas também frágil e doentia. Então Kayla foi forçada à posição de chefe da casa antes dos dez anos. A responsabilidade a forçara a amadurecer cedo e ela levara seu trabalho a sério. Cuidar da avó enquanto a mulher envelhecia quase diante de seus olhos e vigiar sua irmãzinha que estava se transformando em um feixe de energia imprudente. Ao longo dos anos, ela conseguira guiar a irmã pelos caminhos certos da vida e, com a morte da avó alguns anos atrás, tornara-se a guardiã legal de Sara.
Mas através de tudo isso, Kayla escondera um terror privado que nunca revelara a ninguém. Secretamente, ela tinha pavor da responsabilidade de tudo aquilo. Queria mais do que tudo ter alguém que assumisse o controle e lhe dissesse o que fazer. Ela não queria tomar decisões; só queria que lhe dissessem o que fazer. Não queria viver com as consequências se tomasse a decisão errada. Por anos, Kayla desejara todos os dias alguma pessoa forte para confiar, para confortá-la, para simplesmente assumir o controle de tudo para que ela não precisasse.
Mas quando as luzes se apagavam, os desejos de Kayla se tornavam mais sombrios. Fantasias proibidas e luxúrias secretas torturavam suas noites há anos. Com o tempo, Kayla suprimira seus medos e desejos secretos, mas de alguma forma sua irmã os trouxera de volta à tona.
Sara sussurrou em seu ouvido. "O que você disse, maninha?"
"Você... eu quero você." Kayla gemeu.
"O que você quer que eu faça?" Sara sussurrou em seu ouvido enquanto os dedos deslizavam sobre seu mamilo novamente.