Contos eróticos para ler inteiros.

Corno e Traição

Windfall: O Mar Cor de Vinho

versosdajosue16 min

Windfall: O Mar Cor de Vinho

Evan Ranvey fechou e trancou a porta da frente. Tirou os sapatos com os pés e os deixou alinhados no capacho, pendurou o paletó no cabideiro, colocou a maleta na mesa de canto e... escutou. A casa estava silenciosa. Ele sabia que Kirsti estava em casa porque checou a localização dela pelo iPhone. Escutou de novo. Nenhum som de vida. Talvez ela tivesse chegado, deixado o celular e saído outra vez.

Ele foi descalço até a cozinha e avistou a esposa no deque dos fundos, sentada a uma mesa, de costas para ele, o Chromebook aberto. Observou-a por um longo minuto. Ela não se mexeu. Não digitou uma tecla, não pôs o dedo no touchpad. Ele conseguiu perceber que ela olhava a primeira página do site do Globe.

Ele abriu a porta de correr. Ela continuou imóvel. Ele puxou uma cadeira e sentou-se. Ela fechou a tampa do laptop.

— Amor, o que foi?

Os olhos dela estavam vermelhos e inchados. No momento, secos. — Nada — ela disse.

— Você andou chorando — Evan insistiu.

Kirsti fez um gesto de "não foi nada" com uma das mãos. — Alergia.

Ele pegou o Chromebook dela antes que pudesse reagir e abriu a tampa. Ela não tinha fechado a aba.

— Cristo — Evan disse devagar. — Piratas no Adriático? — Ele continuou lendo por um instante antes de falar de novo, os olhos ainda na tela.

— Talvez ele tenha dado em cima da mulher do cara errado.

Ela se levantou e entrou na casa.

**********

Evan não tinha um calendário mental. Ele se lembrava de coisas, objetos sólidos, arquivos de renderizações em 3D. Conseguia visualizar na cabeça o esboço de um brinquedo que tinha feito dois anos atrás, mas não conseguia se lembrar agora de quando encontrara aquele livro. Podia, claro, voltar às primeiras ações que tomara depois de achar a maldita coisa. Essas ações estariam registradas com data e hora em algum lugar. Só não na memória dele.

Ele nem sequer tinha um calendário de verdade. Daqueles com cavalos ou montanhas ou aviões a jato ou qualquer outra das belas fotografias lustrosas que seus colegas penduravam nos escritórios. Ele preferia imprimir uma grade simples de um site online. Dias e um mês. Com quadrados grandes para os dias, onde cabiam seus lembretes minúsculos. Folhas presas por um clipe fichário. Penduradas no tecido perto do computador.

Ele não rabiscara em quadrado algum o dia em que seu casamento com Kirsti fora raspado para dentro de um saquinho plástico verde, amarrado e jogado num barril de merda de cachorro.

Portanto, era compreensível que não se lembrasse do dia em que foi procurar um selo. Quem mais usava selos hoje em dia? Comprara um cartão de aniversário engraçado para a mãe e queria postar antes que esquecesse. Era do Scooby-Doo, claro. Ela adorava aquele estabanado imaginário.

Achava que se lembrava de que Kirsti tinha uma caixa com uma folha de selos enfiada entre uns envelopes. Quem mais usava envelopes hoje em dia?

Não estava na escrivaninha dela. Não podia mandar mensagem perguntando a localização — ela estava na aula de spinning. Não estava na gaveta de cima. Então avistou a caixa enfiada na estante ao lado da janela. Estendeu a mão para a caixa verde e congelou, uma raiva subitamente fervendo nas tripas.

Na prateleira de cima, havia um livro que nunca vira na casa antes. Além do Blockchain. De Tomas Joyce. Evan puxou o livro e o segurou firme, pensando seriamente em atirá-lo pela janela no gramado para poder ligar o cortador de grama e fazer confete.

Mais uma vez, o calendário lhe falhou. Nantucket tinha sido em julho, disso ele se lembrava.

**********

Kirsti dividira quarto na faculdade com Elizabeth, que crescera em Nantucket. Você pensaria que era um ótimo negócio, mas só em certos aspectos. O pai de Elizabeth fora bombeiro na ilha, e a mãe, professora. Eles se aposentaram e se mudaram para a Carolina do Norte, deixando a casa modesta disponível para os três filhos usarem. Era uma casa térrea clássica de telhas de cedro, com três quartos, bem perto da praia, o que significava que os membros da família recebiam constantemente ofertas enormes pela propriedade.

— Todos querem demolir o lugar e construir uma daquelas monstruosidades futuristas para os bonitões poderem chegar de jato e ficar na Ilha uma semana por ano — Elizabeth dissera na última vez que os visitara. — É difícil para os velhos continuarem recusando toda essa grana. É melhor vocês irem se hospedar lá logo. O Sr. Roberson, da casa azul na entrada da viela, está com as chaves.

Assim, pegaram a balsa, encontraram o homem simpático com a chave e se estenderam ao sol, besuntando-se de protetor solar. Evan, por alguma razão insana, imaginara uma longa extensão de areia deserta. Na verdade, havia um pequeno resort e várias mansões ostentosas à vista, além de guarda-sóis e toalhas de praia espalhados. Não estava cheio, mas não estava deserto.

Evan notou, com um orgulho visceral e ancestral que sabia ser superficial, que Kirsti era facilmente a mulher mais desejável à vista. Ela vestira um biquíni vermelho velho que vinha reclamando há algumas temporadas que estava velho demais, mas preenchia aquela coisa toda. Com o longo cabelo preto num rabo de cavalo e os lábios de um vermelho coral, sua esposa merecia segundas e terceiras olhadas. Ele se ajoelhou para beijá-la, cuidado com o batom, e se levantou.

— Vou pegar o cooler — disse e andou até a casa. Assim que entrou na cozinha, o telefone que deixara ali carregando tocou. Ele atendeu. Era um fornecedor de plásticos ligando do Uruguai sobre umas peças para as quais a empresa de Evan pedira um orçamento. Evan passou quase meia hora discutindo o orçamento o melhor que podia de memória, depois prometeu ao sujeito que retornaria a ligação quando voltasse ao escritório, onde estavam as especificações, explicando que estava de férias. O fornecedor se desculpou profusamente e lhe desejou um bom dia.

Quando Evan voltou ao lugar onde deixara Kirsti, ela tinha sumido. A toalha e a bolsa dela ainda estavam lá. Ele olhou para os poucos banhistas e não a viu entre eles. Então seu olhar percorreu a praia em direção ao resort e às mansões. Lá estava ela, conversando com alguém.

Evan pousou o cooler e começou a andar na direção deles. Ao se aproximar, viu que o homem com quem sua esposa falava parecia um tanto familiar. Além disso, notou que havia outros seis homens, nada vestidos para a praia, posicionados num perímetro ao redor deles. Então viu os fios retorcidos subindo da gola até a orelha. Seguranças.

Finalmente, puxou o nome do sujeito da memória. Era Tomas Joyce, o techbro que ficara popularmente famoso depois que sua criptomoeda fora lançada. Isso fazia mal dois anos, e o cara já valia um número inimaginável de bilhões.

Não era disso que Evan se lembrava melhor. O que ele lembrava melhor era a foto de Joyce nos sites de notícias de tecnologia da internet e a imagem lustrosa e nítida na capa de algumas revistas de papel de verdade. O homem tinha um rosto eminentemente socável. Arrogante, pálido, robótico. Sua imagem oscilava à beira do vale da estranheza. Com uma cara daquelas, você precisava de segurança. Evan não se metia numa briga desde a segunda série, mas estaria disposto a quebrar a mão pela chance de esmagá-la na porra do sorriso presunçoso de Joyce.

E ali estava ele, em sua carne pálida.

Evan jamais desenharia um brinquedo que se parecesse com Tomas Joyce, a menos que fosse para assustar uma criança pra caralho, o que Evan jamais queria fazer.

Ah, sim, Evan já ouvira toda a gama de gozações que seu trabalho provocava. Kirsti, pelo menos, era contadora. As pessoas entendiam aquela profissão e a respeitavam. Mesmo que você achasse que ser um calculista soasse chato, era um serviço que as pessoas precisavam e pagariam um bom dinheiro para não ter que fazer sozinhas.

Evan, porém. Evan era designer de brinquedos. Coisa engraçada. Fazia tempo que desistira de tentar explicar a qualquer pessoa do público em geral que seu trabalho envolvia design e fabricação auxiliados por computador, psicologia de marketing, espionagem e contraespionagem industrial, construir e manter uma rede de colegas anônimos na dark web, etcétera, etcétera. Nah, ele fazia bichos de pelúcia, dizia. E mudava de assunto.

Ao se aproximar, Joyce lhe lançou um sorriso cheio de dentes, arrogante, e se afastou. Sua equipe de segurança o escoltou, mantendo Evan isolado.

— Que diabo ele queria? — Evan exigiu.

— Aquele era...

— Eu sei quem era. O que ele queria?

Kirsti pousou a mão no braço dele. — Não posso simplesmente bater um papo com um estranho sem você...

Evan fulminou as figuras que se afastavam. — Gente como ele não "bate papo". Eles sempre querem alguma coisa.

Ela baixou a mão.

**********

Kirsti estava com um humor esquisito, pensou ele, enquanto punha a mesa para o almoço. Nervosa, chateada, expectante. Talvez fosse sol demais de Nantucket, refletiu. Serviu vinho para os dois e colocou os sanduíches e a salada que haviam comprado numa lojinha em Sconset. Ele disse: — Gosto desta loja. Vamos ter que provar o...

— Ele queria me pagar — a esposa deixou escapar. Ficaram em silêncio por um momento. — Ele queria me contratar por um fim de semana.

O coração de Evan martelava nos ouvidos. Ele comprimiu os lábios e tentou respirar. Ambos sabiam que ele não precisava perguntar para que tipo de serviço era. Sem dúvida, Joyce já tinha um contador.

Ficaram em silêncio por um longo tempo, Evan se acalmando, Kirsti encarando o prato.

— Um milhão de dólares — ela sussurrou.

**********

Evan apertou o livro com força. Conseguiria rasgá-lo ao meio com as mãos nuas, como o velho truque da lista telefônica? Ele o abriu. O babaca arrogante o autografara. Para Kirsti. De Tomas.

Havia muita coisa escondida entre as palavras pretas rabiscadas.

Ele folheou as páginas. Nada caiu, nada estava grifado. Nenhuma nota nas margens. Nenhuma fotografia comprometedora. Quando abriu bem o livro para ver se havia algo na guarda interna, a sobrecapa se dobrou para fora. Ele viu algo escrito no lado interno e a tirou do livro para examinar mais de perto.

Era uma lista. Dez longas linhas alfanuméricas. Listras hexadecimais pretas no branco perfeito do papel.

Evan recolocou a sobrecapa com cuidado e deslizou o livro de volta no lugar.

Inspirou fundo e soltou o ar devagar.

**********

Semanas depois de descobrir o livro e de ter lidado com as conotações da coisa, e decidido como lidar com o prático e necessário, pensou em como fazer a grande revelação. Tinha, achava ele, conseguido manter a raiva trancada. Monitorara seu desempenho como marido feliz e lhe dera nota A.

Considerou um confronto direto, mas era ruim nesse tipo de coisa, então simplesmente deixou para a esposa esta piada escrita numa folha de papel, enfiada cuidadosa e discretamente entre a sobrecapa e a encadernação:

Um filho perguntou ao pai a diferença entre teoria e realidade. O pai disse: Vá perguntar à sua mãe se ela dormiria com um estranho qualquer por cinco vírgula seis milhões de dólares. O filho foi, voltou e disse: Ela disse que era muito dinheiro e que sim, ela dormiria. O pai disse: Filho, em teoria, estamos sentados em cima de uma fortuna. Na realidade, sua mãe é uma puta.

Evan sabia que Kirsti não entenderia o significado de uma quantia tão específica na piada, mas, se entendesse, e examinasse mais a fundo os números no lado oculto da capa, não ficaria mais sabida de imediato. Pois uma das coisas com as quais lidara fora a sobrecapa. Fora a uma livraria, encontrara um exemplar do livro e trocara a sobrecapa da esposa pela nova. Depois, forjara cuidadosamente um conjunto similar de números e letras na nova sobrecapa, de modo que ficasse bem parecido com a antiga.

Mas parecido é o mesmo que vai se foder quando se trata de uma chave de criptomoeda. Tinha que coincidir exatamente ou valia tanto quanto a tinta na página.

Se Kirsti tentasse converter o número em dinheiro, seria barrada. Se o futuro dono da sobrecapa tentasse converter o número em dinheiro uma vez, e se adivinhasse que era uma chave e para qual moeda era a chave, também ficaria a ver navios. Porque Evan já tinha chupado todo o sabor daquele pirulito.

**********

Joyce implementara uma criptomoeda com algumas características inovadoras, além da anonimidade e da impossibilidade de rastreamento usuais que a tinham tornado notória como motor de todo tipo de transações escusas. Uma dessas novidades era o AIBE — o Artificial Intelligence Binding Escrow (Caução Vinculante por Inteligência Artificial). Usando a moeda de Joyce — que ele batizara de ZapCoin —, a pessoa A podia solicitar um serviço ou bem da pessoa B e depositar moedas em caução, a serem reivindicadas quando o serviço ou os bens fossem entregues. A novidade da implementação da ZipCoin era o agente fiduciário de IA, que monitorava canais de informação especificados antes que os fundos fossem liberados para B.

Digamos que você quisesse alguém morto. Você posta o pedido na página da Darkweb da ZapCoin. Recebe respostas com preços cotados. Escolhe uma e deposita a quantia combinada no caução da ZipCoin. Especifica uma janela de tempo para o feito e, antes do fim dessa janela, não pode retirar os fundos. Os fundos também não podem ser liberados para o contratado. Você informa ao agente fiduciário de IA quais fatos precisam ser confirmados pela extensa varredura de teias dele antes que as moedas sejam liberadas para o contratado.

Quando Evan leu aquele capítulo do livro, sorriu um sorriso maligno e disse "Zap!" baixinho, embora estivesse sozinho. Seu sorriso se tornou um sorriso de satisfação antecipada. Leopardos comeriam algumas caras.

**********

Depois de dar uma última olhada no site do Globe e fechar o Chromebook, ele seguiu a esposa para dentro de casa. Ela fora para o escritório e estava sentada à escrivaninha. Quando Evan entrou, flagrou-a desviando o olhar do livro.

— O Adriático — ele disse sem preâmbulo — é o que Homero chamava de "mar cor de vinho". Significa que geralmente era agitado e a água, escura. Cheio de piratas na época dele. Eu teria pensado que esse problema estava sob controle.

Ela o encarou, sem reação.

— Mas parece estranho para piratas, pensando bem. Piratas fazem isso por dinheiro. Abordam seu navio e levam seu butim. Esses caras nem deram um oi antes de lançar granadas propelidas por foguete no iate e depois atirar em quem tentasse abandonar o navio.

A expressão dela mudou. Ela vasculhava a memória. Aquele detalhe não saíra no Globe.

Ele fez uma pistola com a mão e disparou tiros imaginários contra um mar imaginário, um silencioso POW POW POW com os lábios.

**********

Três dias depois — ele calculou que demorara isso para ela localizar alguém na empresa que entendesse dessas coisas —, ela o abordou na sala de estar, onde ele assistia ao Ozzy Man zoar vídeos de gente escorregando e caindo.

— Seu filho da puta! — ela gritou e atirou uma bola de papel amassada nele. Ela quicou no peito dele.

Evan deduziu que ela não gostara da piada dele. O confronto que ele não esperava com ansiedade estava na iminência. Engraçado, para um homem que gostava de saber das coisas, nesse caso ele não dava a mínima para o porquê de ela ter feito aquilo ou quando conseguira fazer. Não teria importância.

— Foi tudo embora, seu... seu... — As palavras lhe faltaram.

— O que foi tudo embora, querida?

Ela segurava o livro na mão que não arremessara. Fez um gesto na direção dele, incapaz de formar uma palavra coerente em português.

— O dinheiro! — Ela conseguiu articular por fim.

— Que dinheiro, querida?

— Você sabe muito bem que dinheiro! Cadê ele? — Ela diminuiu o ímpeto enquanto seus olhos se arregalavam. — Você pegou! Você mandou matar ele! Não foi? NÃO FOI?

Evan manteve os olhos no livro. Ela acabara de provar a força e a precisão do braço. — Não estou entendendo, querida.

— PARE DE ME CHAMAR DE QUERIDA!

— Nunca mais — ele prometeu.

— Você roubou meu dinheiro e mandou matar ele. De algum jeito. Eu sei. — Ela queimara um pouco da raiva. — Vou chamar a polícia.

— Estou ansioso por isso — ele disse calmamente, jogando o celular para ela. — Fique à vontade.

Kirsti hesitou e deixou o telefone passar por ela. Ele caiu, quicando no carpete. Essa não era a reação que ela esperava.

— Você deveria, na verdade, chamar o FBI — ele ressaltou. — Vamos imaginar essa conversa. 'Alô, FBI? Meu marido roubou cinco vírgula seis milhões de dólares de mim.' 'Sim, senhora. E onde a senhora conseguiu esse dinheiro?'

A esposa dele não respondeu.

— 'Era originalmente um milhão. Em criptomoeda. Acho que o valor dela subiu desde então...'

Ela deixou o livro cair no chão, bem ao lado do telefone dele, perfeitamente alinhado.

— 'Senhora? Ainda está na linha? Isso foi renda ou ganho de capital? Pagamento por um serviço? Precisaremos ver os formulários de imposto adequados.'

Kirsti sentou-se pesadamente no sofá.

— 'Esquece isso. Meu marido roubou de mim e usou para matar um homem. Um bilionário famoso. No Mar Adriático. Saiu nos jornais. Em todos os malditos jornais. E na televisão. E na internet inteira.'

Ela se afundou em si mesma, visivelmente derrotada.

'Sim, senhor. Seu marido é algum tipo de mercenário? Ele tem formação militar? Treinamento especializado em armas, talvez. Ah, entendi... Ele é designer de brinquedos?'

A cabeça da esposa afundou entre as mãos.

'Por que a senhora não deixa seu nome e telefone e entraremos em contato. A propósito, a senhora sente que está correndo algum perigo?'

A cabeça dela se ergueu de repente. Ela perscrutou o rosto dele com os olhos.

Evan olhou para sua linda esposa pelo que suspeitava ser a última vez.

'Eu posso estar. Ele provavelmente ainda tem parte do dinheiro depois de ter mandado matar meu amante. Ele pode ter o suficiente para mandar me... machucar. Não sou uma pessoa rica. Quanto custaria? Provavelmente menos do que assassinar um bilionário.'

Ela o encarou em choque. Finalmente lágrimas brotaram em seus olhos. Ela se levantou de um salto e saiu correndo de casa. Evan ouviu o Camry dela ligar e acelerar pela entrada, pela rua e ir embora.

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