Contos eróticos para ler inteiros.

Corno e Traição

O Covarde

raiannysenhora20 min

O Covarde

Por Bruce Watson. Todos os direitos reservados.

"A civilização não passa de um fino verniz esticado sobre as paixões do coração humano." Bill Moyers

Subindo as escadas para o segundo andar de sua casa, Andrew Shan ouviu os gemidos vindos do quarto e se perguntou mais uma vez se estava fazendo a coisa certa. Ele não precisava estar ali: havia enviado o relatório do detetive particular para seu advogado e protocolado os papéis, acionando a máquina fria do sistema legal. Podia acabar com tudo sem contato nenhum, sem estresse — uma transação estéril, em que Doreen receberia os papéis e ele lavaria as mãos de todo aquele caso sórdido.

Ele tinha pensado muito em seguir o caminho mais fácil, mas algo nisso o incomodava profundamente. Ele estivera presente no começo do relacionamento deles, e parecia justo que estivesse presente também no fim. Além disso, havia algo naquilo de fugir, na covardia da coisa toda. Claro, ele estaria se protegendo, mas também estaria dando a ela um passe livre. Protegendo ela da feiura da sua própria bagunça, das consequências de sua falha estúpida e escrota.

Mas o principal, o verdadeiro motivo de ele estar ali, era que precisava de um fim definitivo, um encerramento absoluto. Era difícil escapar dos hábitos arraigados que aprendera ao longo dos cinco anos juntos, e ambos sabiam que, se Doreen pressionasse o suficiente, ele geralmente cederia. Claro, aquilo era diferente de uma discussão sobre a cor de um sofá ou o formato de uma cabeceira — era uma questão de princípios, e nisso ele nunca cedia — mas, no fim das contas, ele sabia que enfrentaria a escolha sombria entre uma esposa chorosa e arrependida e um futuro incerto no mundo dos encontros, e não confiava em si mesmo para não ceder.

Ele precisava de algo que batesse a porta de qualquer reconciliação. E se isso significasse colocar os dedos nas feridas de Cristo, ver a expressão no rosto dela e saber que a vida que construíram juntos estava morta e enterrada — bem, era isso que ele ia fazer.

Ele lera as transcrições, então sabia como falavam dele quando se encontravam, mas era diferente ouvir através da porta do seu quarto. Diferente ouvi-la gritando seu êxtase. Ouvindo seus insultos arrasadores.

"Ele te fode assim?"

A cama batia contra a parede, martelando um acompanhamento grave para o ritmo staccato de seus gemidos agudos. Drew se perguntou como a parede não tinha rachado, como nunca notara arranhões na cama, marcas na pintura. Alguma coisa.

"Nunca — uh — NUNCA me fodeu assim! Só você!"

O pulso de Drew acelerou. Calma, porra! Ele respirou fundo, depois de novo. Sentiu a frieza invadi-lo. A dor e a raiva fluindo para fora.

Pum, pum. "De quem é essa boceta?"

"Sua — uh — su—"

Pum, pum, PUM. "DE QUEM é essa boceta, vadia? DE QUEM?"

"Su— uh— SUA!"

Saiu como um grito. Um lamento. Drew já ouvira aquele som vezes suficientes para saber o que estava acontecendo. Ela estava gozando. Inundando o pau do babaca.

As batidas diminuíram, e Drew escolheu aquele momento para escancarar a porta. Doreen estava de joelhos, as mãos brancas agarrando a cabeceira, enquanto o idiota a segurava por trás. Drew abafou uma risada. Era simplesmente ridículo — os braços desajeitados do namorado segurando seus quadris enquanto sua bunda magricela bombeava nela. Uma imagem surgiu na cabeça de Drew — um macaco-aranha fodendo um puro-sangue. Ele bufou.

O merda levantou os olhos e debochou, logo antes de Drew agarrar seu cabelo oleoso e puxá-lo de cima da esposa. O homem nu caiu no chão ao lado da cama, um emaranhado de membros, o rosto vermelho de raiva e vergonha. Ele se debateu para se levantar, mas Drew colocou seu pé tamanho 42 no meio do peito dele e o jogou de volta no chão.

"Uma palavra, babaca," ele rosnou. "Uma palavra, e você vai mijar por um cateter." Ele olhou para o pau murchando do idiota. "Um cateter pequeno."

Drew observou a rápida sucessão de emoções no rosto do namorado. Raiva. Medo. Incredulidade. E... finalmente... compreensão. A percepção de que, em toda sua pose de machão sobre o homem estúpido e fraco que ele estava corneando, ele negligenciara algumas informações importantes — informações que, agora, podiam significar a diferença entre sair andando por conta própria ou sair numa maca.

Seus olhos se fixaram nos de Drew e ele assentiu lentamente, cuidadosamente. Drew tirou o pé, e ele se levantou devagar. Drew permitiu. De cabeça baixa, ele juntou suas roupas enquanto Doreen assistia, atordoada, da cama.

"Drew... Uh, amor—" Doreen começou.

"Agora não," ele disparou. "Deixa o Casanova terminar sua caminhada da vergonha." O idiota começou a levantar os olhos, depois achou melhor não. Um momento depois, ele se foi.

Foi aí que Drew percebeu seu erro. O plano era fazer tudo rapidamente — expulsar o namorado, dizer a Doreen os termos do divórcio e dar o fora dali. Dez minutos, no máximo. Quando ela se recompusesse, ele já estaria longe.

Ele se lembrara das coisas importantes — arranjar um lugar para ficar, dividir as contas, cancelar os cartões de crédito. Quando Doreen fosse notificada amanhã de manhã, a separação deles seria oficial, pelo menos até onde o banco, o tribunal e o RH da empresa dele estivessem preocupados.

Mas ele esquecera de fazer a mala. Tinha a intenção de deixar para o último minuto — sem necessidade de alertar Doreen com um armário vazio — mas na correria de mover dinheiro, protocolar papéis e informar o RH, isso passara batido.

Ele suspirou. Não havia o que fazer agora. Choque e pavor lhe compraram um pouco de tempo; com alguma sorte, ainda poderia sair antes que ela tivesse chance de se orientar. Ele puxou uma mala do armário e a jogou na cama, por pouco não atingindo os pés dela. "Drew—"

Ele estava jogando roupas na mala. Dois ternos e três camisas, duas calças sociais e um par de jeans. Não havia por que se preocupar com amassados — não ficariam ali por muito tempo.

"Drew!"

Ele estremeceu. "Doreen, deixa eu te poupar algum tempo: sei que esta não é a primeira vez. Sei que você o conheceu no trabalho. Sei sobre o Starlite Inn, e sei o que você disse a ele enquanto estavam na cama juntos." Ele olhou para a pilha de roupas na mala. Será que precisava mesmo levar todos os cabides? Deu de ombros — melhor prevenir do que remediar — e foi até a cômoda. Cinco cuecas, cinco pares de meias. "Sei mais do que o suficiente, Doreen. Estou pedindo diferenças irreconciliáveis. Uma divisão de 50/50 dos bens. Sem pensão, e eu fico com a casa."

O rosto de Doreen estava pálido. Ela fungou. "Não consigo viver com isso."

Ele pensou em dar conselhos — cortar os luxos, largar o clube de campo, comprar um carro mais barato — mas a última coisa que queria era ser arrastado para uma discussão sobre as finanças dela. Jogou um par de tênis e algumas roupas de ginástica na mala. "Você provavelmente conseguiria um acordo melhor no tribunal, mas se contestar, eu peço adultério e o relatório do meu detetive vai para os autos." Ele deu uma risada, mas não havia humor nela. "Acredite, você realmente não quer isso."

Ela ficou vermelha. "Então é isso?" Sua voz subiu. "Você me pega na cama e acabou tudo?"

Merda, ela está começando. Drew se xingou de novo por ter esquecido de fazer a mala. Fique calmo, cara. Está quase acabando. Ele deu de ombros e foi para o banheiro. "Basicamente — é o jeito mais rápido de tirar você da minha vida, e não vou gastar um minuto a mais do que o necessário com você." Ele começou a jogar coisas na nécessaire — pasta de dente, escova de dentes, creme de barbear. "O quão fácil isso vai ser depende de você. Tenho vídeos, fotos, transcrições. Meu advogado tem cópias. Se você me encher o saco pedindo terapia de casal, vai ficar feio."

"Sem conversa?" A voz dela falhou. Merda. "Sem discussão?"

Drew bancou o durão. "Sobre o que há para conversar? Você traiu, me insultou pelas costas, fodeu com ele na minha cama. Você acha que estou remotamente interessado em suas desculpas?" Ele fechou o zíper da nécessaire. "Pro inferno com isso. Cansei de ser o compreensivo com a Doreen. Fale sobre isso com suas amigas, ou sua terapeuta, ou seus pais, ou a porra da sua irmã. Eu não dou mais a mínima."

O rosto dela se encheu de raiva. "Você — seu COVARDE!" ela sibilou. "Você não tem culhões para falar sobre o nosso problema, então vai simplesmente fugir! Pegar seus brinquedos e ir para casa! Eu estava certa — você É um bundão!"

Drew reprimiu sua raiva. Fique calmo. Desapegado. Ele ignorou as palavras dela. Nenhuma resposta. Não dê nada a ela. Não mais.

Na ausência de combustível, a fúria dela pareceu se alimentar de si mesma. "Você sempre foge!" ela disparou. "Você é um banana! Bundão!" Ela estava fora da cama agora. Nua. Ela socou as costas dele. Socou de novo. E de novo e de novo e de novo. "Seu covarde de merda!"

Drew a olhou de relance. Viu seu cabelo suado, a porra escorrendo pela perna. Ele começou a fechar o zíper da mala. Quase terminando.

Ele mal sentiu os punhos dela choverem em suas costas, mas algo se moveu dentro dele. Ele imaginou aquilo abrindo um olho. Inclinando a cabeça.

"Fdp! Covarde!" Os punhos continuavam vindo. "Você tem medo de lutar! Você é tão FRACO!"

Eu REALMENTE devia ter feito a mala antes, ele pensou. Então ela acertou o lado da cabeça dele e ele viu um clarão de estrelas. Ele se virou para ela.

*

Quando Drew tinha quatorze anos, descobriu que tinha um temperamento. Antes disso, houve alguns episódios — gritar com as pessoas, se meter em brigas, responder — esse tipo de coisa. "Coisa de menino," os adultos diziam, balançando a cabeça e talvez se lembrando de sua própria juventude turbulenta. Eles o castigavam, ele se desculpava, e ninguém pensava muito no assunto.

Mas quando ele tinha quatorze anos, algo aconteceu, e ele — e seus pais — não podiam mais fingir que a raiva dentro dele era apenas entusiasmo juvenil. Que era normal.

Começou como muitas noites — Drew estava sentado no sofá, assistindo TV e falando ao telefone com seu melhor amigo Jeff. Eles estavam batendo papo sobre as coisas de sempre — dever de inglês, a música nova do Pearl Jam, a cor da calcinha de Callie Soncini e a eterna questão de se ela sabia que estava mostrando-as para a turma inteira. Uma conversa comum numa noite comum.

A irmã de Drew, Fiona, estava ocupando dois terços do sofá e determinada a tomar conta do resto. Ela começou a chutá-lo, mas ela tinha pés pequenos e pouca força nas pernas, então ele conseguiu basicamente ignorá-la. Diabos, ele nem interrompeu a conversa. Não até ela acertar o telefone e ele bater no lado da cabeça dele. Por um momento, ele viu estrelas.

Drew mais tarde se lembrou daquela noite em sensações fragmentadas. O baque do telefone quando bateu nela. O choque que subiu pelo seu braço. Fiona segurando a cabeça e gritando. Ele dizendo a Jeff que teria que ligar depois, e então desligando.

O sangue escorrendo pelas mãos dela enquanto ele tentava ajudá-la a se levantar.

Os gritos.

Tantos gritos.

O primeiro impulso de Drew foi correr: seu pai também tinha um temperamento — uma vez arrancara um punhado de cabelo de Drew só porque o garoto abrira a janela do carro na New Jersey Turnpike. Drew nem conseguia imaginar o castigo que receberia por bater na cabeça da irmã. Mas assim que escapou de casa, ele não soube o que fazer em seguida. Chegou até o jardim da frente antes de perceber que realmente não havia nada a fazer. Nenhum lugar para ir. Ele desabou no chão e tentou pensar num plano.

As lágrimas vieram. Ele não conseguia fazê-las parar.

Depois de um tempo, o pai de Drew sentou-se ao seu lado. Drew sentiu uma mistura de terror e vergonha — seu pai não tinha muita paciência para lágrimas, e desde que Drew tinha uns dez anos, ele ouvira a ladainha de frases que os pais dizem aos filhos quando querem que eles endureçam. "Homens não choram," e "seja homem," e o clássico favorito, "se você quer motivo para chorar, eu te dou um motivo para chorar."

Drew tentou parar, mas as lágrimas continuavam vindo. Dessa vez, porém, seu pai nem pareceu notar. Ele cutucou Drew. "Eu tinha a sua idade a primeira vez que machuquei alguém de verdade," ele disse.

Sua voz era baixa e suave, e Drew se esforçou para ouvi-lo. Ele tentou segurar os soluços e tremeu enquanto eles o atravessavam. "S-sério?" ele sussurrou.

"Sim. Um garoto da minha classe do nono ano. Dennis Greenbaum. Ele não parava de tocar na minha melancia." O pai de Drew balançou a cabeça. "Eu disse para ele tirar as mãos imundas da minha melancia. Ele não escutou."

"O que você fez?"

O pai de Drew estremeceu. "Eu cravei um transferidor na mão dele." Ele encarou a rua. "Tomei três dias de suspensão."

Jesus. "El-ele alguma vez se vingou?"

O pai de Drew riu. "Sim, mais ou menos uma semana depois. Ele quebrou um lápis na minha coxa."

Drew já tinha visto aquilo — um pedaço escuro de grafite flutuando logo abaixo da superfície da pele de seu pai. Mas era a primeira vez que ouvia a história. "E aí, o que aconteceu?"

"Eu aguentei." Seu pai suspirou. "Acho que eu mereci. Acabamos ficando amigos. Ele foi um dos padrinhos do meu casamento."

"Tio Denny?"

"Tio Denny."

"O que... o que você vai fazer comigo?" Drew fungou. "Qual é o meu castigo?"

O pai de Drew encarou as mãos por um tempo. Finalmente, soltou um suspiro longo e lento. "Imagino que você está pensando coisas bem terríveis agora, não está?" Drew assentiu. "Imagino que você esteja se sentindo muito mal com isso."

"Sim, senhor."

O velho suspirou. "Você herdou meu temperamento. Vai precisar aprender a controlá-lo. Como eu fiz."

Drew se lembrou da New Jersey Turnpike. Da vez que seu pai o arrastou de baixo da cama pelos tornozelos e ele mancou por três dias. Da vez que jogou Max, o gato da família, nele. Drew ainda tinha a cicatriz. Ele se perguntou quão bem seu pai aprendera a controlar seu temperamento. Não parecia ser a hora de mencionar isso.

"Como — como eu faço isso?"

"Sei lá." Seu pai se virou rapidamente e seus olhos — castanhos, quase pretos — cravaram em Drew. Ele o encarou com força por um segundo antes de voltar a olhar para a rua. "Mas você precisa fazer isso, filho. Não pode lutar contra isso a vida toda. Aprenda a respirar. Aprenda a se afastar."

"E-e a Fiona?"

"Sua mãe a levou para o pronto-socorro." Seu pai ficou quieto de novo. Drew se perguntou se devia dizer algo, mas não conseguia pensar em nada. "Fiona vai precisar de atenção," seu pai disse. "Ela vai ficar brava e você vai ter que aguentar. Diabos, talvez esse seja o seu castigo."

Foram necessários nove pontos para fechar o corte na testa de Fiona. Felizmente, ficou atrás da linha do cabelo, então a cicatriz não aparecia; infelizmente, aconteceu na semana antes das fotos da escola, então o episódio do sofá foi permanentemente imortalizado numa foto da turma onde sua risca severa e descentrada a fazia parecer uma versão perturbada de Hester Prynne.

Quanto a Drew, ele aguentou. Fiona gritava e berrava, empurrava e o culpava por tudo. Uma semana depois, quando ele se abaixou para pegar um saco de compras, ela se afastou e o chutou na cabeça. Segurando a têmpora, Drew olhou para o pai. "Fiona, entre," seu pai disse. "Drew, pegue as compras."

Drew não disse uma palavra.

Com o tempo, Drew encontrou outras maneiras de extravasar a raiva. Gritar silenciosamente em seu quarto. Socar travesseiros e — quando isso não funcionava — socar paredes. Às vezes socar através das paredes. Alguns amigos comentaram sobre a disposição desordenada dos quadros no quarto de Drew. Ele deu de ombros.

A última vez que Drew socou uma parede foi na pós-graduação; dessa vez, acertou uma viga e quebrou dois nós dos dedos da mão direita. Os médicos chamaram de fratura de boxeador e o engessaram. Anos depois, ele ainda tinha fotos daquele verão na praia — ele dentro d'água até a cintura, o braço erguido bem acima da cabeça, para manter o gesso seco.

Depois disso, ele pesquisou e leu alguns livros. Aprendeu algumas técnicas para lidar com a raiva. Respirar fundo. Contar até dez. Liberá-la nos esportes, onde jogava com uma competitividade feroz que muitas vezes surpreendia seus amigos. Em algum lugar, ele leu a frase "Não se estresse com coisas pequenas — e tudo são coisas pequenas," e a levou a sério.

Ele se tornou um homem gentil.

Depois da viga, Drew nunca mais perdeu a compostura, mas a raiva nunca morreu; ela ainda se inflamava quando alguém o cortava no trânsito ou falava besteira no supermercado ou gritava com seus filhos. Mas ele a mantinha acorrentada dentro de si, alimentando-a com as emoções engolidas que nunca expressava. Controlada e aprisionada, mas nunca completamente ausente.

Aquele era o homem que Doreen conheceu e com quem se casou. Um cara legal que levava a vida na boa, e raramente revidava, a menos que fosse algo realmente importante. Firme, mas gentil. Inabalável em seus princípios, mas suave na aplicação deles. Drew decidiu que, quando finalmente tivessem filhos, jamais seria um homem como o pai, jamais os deixaria ver a fúria que ele se esforçava tanto para controlar. Seus filhos o respeitariam, mas não o temeriam.

Quanto à raiva, ela dormia quieta, satisfeita na vida que Drew construíra.

*

Isso não estava saindo como Doreen esperava. Onde estava seu homem gentil e bondoso? O cara doce, com o sorriso bobo sempre pronto, cheio de piadas e aberto a concessões? Ela não conseguia acreditar na rapidez com que ele se livrara de Will, na facilidade com que despira as camadas da pose de seu amante, mostrando que ele não passava de um garoto se escondendo atrás de uma parede de papel feita de palavras grandiosas e autoilusão.

Só que Will não era o único iludido aqui, era?

Ela ignorou a vozinha interior e se concentrou em Drew. No fato de que ele a estava descartando. Ele não se importava com ela? Não ia nem tentar fazer o casamento funcionar?

Ficou surpresa ao perceber que se sentia traída. Não deveria ser assim. Era ele quem deveria se desculpar. Bem, talvez não se desculpar, isso provavelmente era pedir demais, mas pelo menos perdoar. Tentar consertar as coisas. Tentar achar um jeito de mantê-los juntos.

Mas Drew não estava fazendo isso. Porra, ele nem estava olhando para ela! Ele tinha dito que ia pedir o divórcio. Anunciou para ela com uma voz estranha e sem emoção, como se ela nem importasse. Como se mal pudesse esperar para tirá-la da vida dele. ELA! A mulher que era o mundo dele. A futura mãe de seus filhos! A mulher que ele adorara, protegera, tratara como um diamante precioso durante os cinco anos em que estiveram juntos.

Ela sentiu uma pontada de raiva. Foda-se ele.

Não, sério, FODA-SE ELE!

Ela deixou a raiva crescer, ficar mais quente. Deixou que ela jorrasse sobre sua culpa e vergonha. Deixou que queimasse suas dúvidas, afogasse a vozinha que dizia que a culpa era dela, que ela o tinha quebrado.

Com a raiva veio a força. A fúria. A vingança.

E então ela estava gritando com ele. Como ele ousava dispensá-la? Agir como se ela não importasse! "Você... seu COVARDE!" ela disparou. "Você não tem coragem de falar sobre o nosso problema, então vai simplesmente fugir! Pegar seus brinquedos e ir para casa! Eu estava certa... você É um bundão!"

E então estava batendo nele, os punhos golpeando suas costas. "Você sempre foge!" ela gritou. "Você é um merda de um fracote! Bundão!" Socando-o. "Seu covarde de merda!"

Ele não parou de fazer a mala. Diabos, nem sequer diminuiu o ritmo. Era como se ela nem estivesse ali.

Sua fúria queimou mais forte. "Desgraçado! Covarde! Você tem medo de brigar! Você é tão FRACO!"

Ela deu um soco no lado da cabeça dele. Ele se virou para ela, e num instante ela sentiu a mão dele em sua garganta. A torrente de palavras parou de repente.

Era um toque suave, quase uma carícia.

Gentil. Firme.

Seus punhos congelaram no ar e pela primeira vez ela viu os olhos dele. Viu o vazio frio ali. Os olhos de alguém que ela não conhecia. Lentamente, ela deixou os braços caírem ao lado do corpo.

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