Me Pinte Como os Garotos da Feira
Tudo começou com um caderno de esboços e um olhar furtivo.
Todo sábado de manhã, Silas chegava à feira livre da cidade bem na hora em que os feirantes montavam suas barracas, sua bolsa mensageiro de couro atravessada no peito, o caderno de esboços debaixo do braço. Enquanto todo mundo carregava cestas e ecobags, Silas carregava grafite e desejo.
Ele não estava ali pelas frutas e verduras. Estava ali por ele.
Barraca #17. Caixotes de cedro empilhados com cenouras, palitos de mel, beterrabas douradas e maços de ervas da primavera. Mas a verdadeira atração era o homem atrás do balcão.
Chase.
Vinte e poucos anos. Ombros largos, pele beijada pelo sol, cachos castanhos enfiados sob um boné virado para trás. Vestia shorts jeans desbotados, desfiados nas bordas, abraçando suas coxas de forma indecente. Sua regata branca sempre subia o suficiente para deixar à mostra aquele corte em V obsceno do abdômen inferior — e, às vezes, se Silas tivesse sorte, a trilha de pelos sumindo sob o cós.
Silas tentava não ser óbvio. Sentava-se num banco do outro lado da praça, inclinava o bloco de desenho no ângulo certo e desenhava com a obsessão de um pecador pintando sua própria tentação. Lábios. Mandíbula. A curva da bunda de Chase quando ele se curvava sobre os caixotes. As veias nos antebraços quando levantava uma cesta de maçãs.
Era um ritual. E era seguro. Chase não sabia. Não podia saber.
Até que soube.
Era o terceiro sábado de abril. O sol brilhava, a brisa cheirava a lilás e cobertura vegetal úmida, e Silas tinha acabado de sombrear a covinha do queixo de Chase quando uma sombra caiu sobre seu caderno.
"Você sempre me olha assim?"
Silas deu um pulo. O lápis escapou, arrastando um risco pela página. Ele ergueu os olhos — e lá estava ele. Chase. Com um sorrisinho de lado. Um palito de mel entre os dentes.
A boca de Silas secou. "Desculpa — eu não estava —"
"Me desenhando?" Chase sorriu, erguendo uma sobrancelha ao se inclinar para olhar. "Quase me enganou. Isso com certeza é minha bunda."
Silas fechou o caderno de estalo, o rosto ruborizado. "São só... estudos. Para uma série."
Chase se agachou para que seus olhos ficassem no mesmo nível, a voz baixando. "Que tipo de série?"
Silas hesitou. Então, ousado: "Intimidade. Masculinidade. Coisas que olhamos mas não falamos sobre."
Os olhos de Chase cintilaram. "E minha bunda se encaixa no tema?"
"Perfeitamente."
Chase riu, um som encorpado que fez o estômago de Silas revirar. Mordeu a ponta do palito de mel e mastigou, a língua deslizando pelos lábios. "Bom, se você vai me desenhar, deveria pelo menos pegar os bons ângulos. Eu fecho ao meio-dia. Quer passar na barraca depois? Eu poso para você."
Silas piscou. "Você tá falando sério?"
"Cravado. Você traz o papel; eu trago o corpo."
E, assim, o ar mudou. Fim dos olhares furtivos. Fim do anonimato. Só a promessa de pele e desenho e o tipo de tensão que Silas só tinha imaginado.
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Às doze e meia, Chase o levou para trás das tendas dos feirantes, para um estacionamento lateral onde sua caminhonete estava parada — uma Ford antiga, verde menta e enferrujada nas caixas das rodas. Um colchão estava estendido na caçamba, coberto com uma manta e dois travesseiros. Improvisado. Intencional.
"Você mora nisso?" Silas perguntou.
"Não," Chase disse, pulando para a caçamba. "Mas cochilo aqui entre as feiras. Ajuda minhas costas." Puxou a regata num movimento suave, jogando-a de lado. "Então, como você me quer?"
A pergunta bateu como um soco no estômago de Silas.
Ele respirou fundo, forçando a voz a ficar firme. "Recoste-se. Apoiado num cotovelo. Pernas relaxadas."
Chase se ajeitou com surpreendente graça, um braço dobrado atrás da cabeça, os abdominais flexionando enquanto ele se movia. "Assim?"
Jesus. A luz captava cada sulco de seu estômago, a maciez dos lábios, o volume sob o cós pressionando a costura do short.
"Isso," Silas disse com a voz embargada. "Perfeito."
Começou a desenhar. Os traços fluíam facilmente agora, seu pulso movendo-se com controle treinado, capturando a tensão na pose de Chase — o relaxamento dos músculos, a fome quieta por trás do sorrisinho.
"Você sempre desenha as pessoas assim?" Chase perguntou, os olhos seguindo os traços de Silas.
"Só as que eu quero ver peladas," Silas murmurou antes que pudesse se conter.
Chase ergueu uma sobrancelha. "Ah é?"
Silas levantou os olhos, as bochechas queimando. "Desculpa, isso foi —"
"Não, eu gostei," Chase interrompeu, a voz baixa, grave agora. "Você é honesto."
Então, lenta e deliberadamente, Chase levantou os quadris e desabotoou o short.
O lápis de Silas congelou.
"Pensei que você queria os bons ângulos," Chase murmurou, abrindo o zíper. O short deslizou pelas coxas, revelando cuecas brancas justas que não escondiam nada de seu formato — grosso, curvado, claramente já meio duro.
"Chase," Silas respirou.
"Não sou tímido, Silas. E você também não precisa ser."
O caderno de Silas caiu no colchão enquanto ele se arrastava para frente, a carga entre eles estalando como um fio vivo. Pairou sobre Chase, os olhos indo para sua boca. "Você tem certeza?"
A resposta de Chase veio com uma mão atrás do pescoço de Silas e um beijo que derreteu cada grama de contenção que ele ainda tinha. Foi firme, com gosto de mel e cítricos, lábios se abrindo para deixar Silas entrar. Suas línguas se encontraram, lentas e quentes, mãos vagando sem direção.
Chase puxou a camisa de Silas, dedos roçando seu peito, suas costelas, até chegar ao cós de sua calça jeans.
"Você tem pensado nisso?" Chase sussurrou, se esfregando contra ele, o volume na cueca pressionando a coxa de Silas.
"Todos os sábados."
Suas bocas colidiram de novo. Silas deslizou para baixo, beijando o maxilar de Chase, seu peito, seu estômago, arrastando a língua pela trilha de pelos que levava ao cós. Chase arqueou sob ele, ofegando.
"Então para de desenhar," ele gemeu, "e faz alguma coisa."
Silas fez.
E a feira livre nunca mais teria o mesmo sabor.
As coxas de Chase tensionaram sob Silas enquanto o artista descia, lento e deliberado, provocando-o com nada além de hálito e o arranhar da barba por fazer. A cueca estava úmida, grudando em cada curva do que havia sido esboçado e imaginado por semanas. Silas fez uma pausa ali, bem na borda, deixando seus lábios roçarem o tecido.
"Você está indo com muita calma," Chase murmurou, a voz rouca de antecipação.
"Esperei um mês por isso," Silas disse, dando um beijo bem onde o pau de Chase esticava o pano. "Vou aproveitar cada segundo."
Dito isso, passou a boca sobre o contorno, a língua traçando o formato através do algodão. Chase deu uma leve empurrada de quadris, um gemido baixo escapando de sua garganta. Encorajado, Silas puxou a cueca para baixo, liberando o pau de Chase — grosso, vermelho, já babando na ponta.
"Porra," Silas sussurrou, só olhando por um instante. Era ainda melhor do que ele tinha desenhado.
Chase arqueou uma sobrancelha. "Você vai ficar olhando ou vai usar essa boquinha bonita?"
Silas deu um sorrisinho — e obedeceu.
Sua língua traçou lentamente a cabeça, recolhendo a gotinha de lubrificação natural, saboreando o gosto levemente salgado. Então abocanhou, centímetro por centímetro, a mão se enrolando na base enquanto sugava as bochechas. Chase soltou um gemido rouco, os dedos se enroscando no cabelo de Silas.
"Isso," Chase sibilou. "Deus, você com certeza já fez isso antes."
Silas se afastou com um estalo. "Eu estudo o que desenho."
Então mergulhou de novo, mais fundo dessa vez, trabalhando a garganta, deixando Chase foder lentamente sua boca. Cada chupada, cada giro da língua arrancava outro gemido, outro palavrão, até que as coxas de Chase começaram a tremer.
"Para — merda — para, ou eu vou gozar."
Silas recuou com um sorriso malandro. "Ainda não."
Rastejou pelo corpo de Chase, montando em sua cintura. Os paus se esfregavam, lisos e duros, moendo num ritmo lento que deixava os dois ofegantes. As mãos de Chase agarraram seus quadris, unhas cravando.
"Eu quis isso desde a primeira vez que te vi me desenhando," Chase confessou. "Você parecia tão sério, como se estivesse tentando não ficar de pau duro em público."
"Eu estava," Silas admitiu com uma risada. "E falhei."
Chase enfiou a mão entre eles, masturbando os dois juntos, o punho trabalhando em bombadas lentas e provocantes. "Aposto que você ia para casa depois e batia uma olhando aqueles desenhos."
O rosto de Silas ficou vermelho. "É. Mais de uma vez."
Chase gemeu e os rolou, virando Silas de costas. Sua boca encontrou o pescoço de Silas, depois seu peito, depois mais abaixo — beijando o estômago, mordiscando de leve o cós da sua calça jeans.
"Tira isso," Chase ordenou, a voz sombria de desejo.
Silas obedeceu, empurrando a calça e a cueca para baixo num movimento desesperado. Chase se inclinou, dando uma lambida lenta e comprida no pau de Silas antes de engoli-lo inteiro. Silas arfou, as costas arqueando, as mãos tateando por algo para se segurar.
Chase chupou como um homem faminto — bagunçado, ávido, fundo — e Silas sentiu como se estivesse sendo devorado. Seus dedos agarraram a manta sob eles enquanto Chase subia e descia, a garganta trabalhando, os sons molhados e obscenos.
"Porra, Chase — tô quase —"
Chase se afastou bem na hora, sorrindo. "Nem pensar. Se você gozar, para de me desenhar."
Silas o puxou para um beijo, sentindo seu próprio gosto na língua de Chase, seus corpos escorregadios de suor e ar primaveril. Enrolou uma perna na cintura de Chase, puxando-o para perto, os paus deslizando um contra o outro de novo.
"Então me fode," Silas respirou. "Aqui mesmo. Agora."
Chase congelou, os olhos indo para os de Silas. "Você tem certeza?"
"Eu pareço não ter certeza?"
Chase remexeu o porta-luvas da caminhonete, sacando uma camisinha e um lubrificante de viagem. "Você não é a primeira pessoa que eu quis foder nesta caçamba," admitiu, rasgando o pacotinho com os dentes.
Silas riu. "Me sinto honrado."
Assistiu enquanto Chase se encapava, então lambuzou os dedos e se aproximou. Silas abriu as pernas, receptivo, a respiração presa quando Chase enfiou um dedo, depois dois. Ele preparou Silas com gentileza, pacientemente, sussurrando elogios entre beijos.
"Você é perfeito," Chase murmurou. "Tão apertado. Tão quente."
Silas gemeu baixinho, empurrando contra a mão dele. "Preciso de você. Por favor."
Chase se posicionou e penetrou, lento mas firme, observando cada expressão cruzar o rosto de Silas. A abertura queimou por um momento — depois derreteu num prazer tão intenso que roubou seu fôlego.
"Porra," Silas arfou. "Você é tão gostoso —"
Chase o beijou, fundo e bruto, e começou a meter — raso no início, depois mais forte, mais fundo, até que seus corpos se movessem em ritmo perfeito. Pele batia, respirações se emaranhavam, e o mundo inteiro se reduziu aos dois, enroscados em calor e mel e suor de primavera.
O sol filtrava pelas árvores, pintando sua pele com riscas douradas. Pássaros cantavam, alheios. Em algum lugar ao longe, alguém ria perto de uma barraca de limonada. Mas ali — entre os rangidos da caçamba e os sons de sexo — era como se o tempo tivesse parado.
Chase agarrou a coxa de Silas, metendo mais forte agora, o pau acertando no ponto certo. Silas gritou, as mãos arranhando as costas de Chase.
"Goza comigo," Chase rosnou. "Quero sentir você todo em mim."
O orgasmo de Silas veio como um trovão — quente, ofuscante, seu corpo estremecendo enquanto jorrava entre eles. Chase seguiu com um grunhido, enterrando-se fundo enquanto gozava, pulsando forte dentro da camisinha.
Desabaram, sem fôlego, melados, completamente desfeitos.
Por um tempo, nenhum dos dois falou. Só o som da respiração ofegante e o farfalhar das folhas acima.
Então Chase deu uma risadinha baixa. "Então... acha que eu sirvo como uma boa musa?"
Silas rolou para encará-lo, roçando um beijo em seu maxilar. "Você vai ser minha exposição inteira."
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O dia da Caminhada de Arte da Primavera amanheceu luminoso e selvagem — azaleias em plena exibição, tulipas derramando cor por cada fresta de calçada, e os nervos de Silas dançando com a mesma intensidade.
Chase tinha prometido que viria.
A galeria comunitária era pequena, aninhada ao lado de uma padaria vegana que cheirava a patchouli e fermento natural. Dentro, cheirava a verniz e sonhos. Silas estava perto do centro, observando as pessoas vagarem por sua exposição, bebericando vinho e murmurando sobre as peças — cada uma delas esboçada, pintada ou traçada de memória.
Todas de Chase.
Algumas eram suaves. Algumas explícitas. Uma, em particular — Caçamba, Luz do Meio-Dia — já estava arrancando exclamações escandalizadas de um casal mais velho.
Silas não se importava. Ele sabia o que era desejar.
"Minha nossa," uma voz familiar disse atrás dele. "Eu sabia que sua arte era boa. Mas não sabia que ia me deixar de pau meio duro em público."
Silas se virou — e lá estava Chase, vestindo uma camisa azul-clara de botão, mangas arregaçadas, os abdominais ainda aparecendo como um segredo sujo sob as boas maneiras.
"Não achei que você viesse," Silas murmurou.
Chase deu um passo para perto. "Também não achei que eu fosse deixar você chupar minha alma pelo pau na caçamba de uma caminhonete. E, no entanto, aqui estamos."
Silas sorriu. "Então, você gostou do trabalho?"
"Eu gosto de ser o trabalho." A voz de Chase baixou. "Mas também — este aqui?" Apontou para uma pintura onde Chase jazia seminu numa cama de flores da primavera. "Você me fez parecer uma porra de uma fada renascentista."
"Só porque não tive tempo de te pintar pelado na barraca da feira."
Chase se inclinou. "Ainda dá."
Eles escaparam pelos fundos da galeria depois que Silas deu uma desculpa meia-boca ao curador. Nenhum dos dois podia esperar — não com as lembranças da última vez ainda frescas na pele.
Dessa vez, não precisavam da caminhonete. Tinham o minúsculo depósito atrás da padaria, onde ervas pendiam das vigas e o ar era morno de fermento e canela.
Chase puxou Silas contra si e o beijou como se tivessem passado meses, não dias. O calor veio rápido — botões estouraram, jeans empurrados para baixo, as mãos de Silas por todo o peito de Chase, traçando cada músculo como se estivesse estudando de novo.
"Você desenhou este?" Chase sussurrou, pressionando a mão de Silas contra seus abdominais.
"Quis sentir primeiro."
Chase empurrou Silas contra a parede, seu pau já duro e exigente entre eles. "Então sente, rapaz artista."
Silas caiu de joelhos.
Não perdeu tempo. Sabia do que Chase gostava agora — o arrastar lento da língua sob o tronco, a sucção apertada, o jeito como podia girar a língua sob a coroa e fazer Chase gemer baixinho. Fez um boquete profundo, deixando a saliva escorrer, os sons obscenos e molhados ecoando pelos sacos de farinha e prateleiras.
"Porra, você é bom nisso," Chase gemeu, mãos agarrando seu cabelo. "Você é meu agora."
Silas gemeu com ele na boca, dedos acariciando as coxas de Chase, seu próprio pau doendo contra a perna. Chupou até Chase ter que tirá-lo.
"Empina," Chase ofegou. "Agora."
Procuraram o lubrificante na mochila de Silas — ele veio preparado — e Chase não esperou muito. Lambuzou os dedos e preparou Silas rapidamente, já babando de desejo. Quando finalmente entrou, ambos soltaram sons entrecortados — prazer e pressão e a dor crua e deliciosa de estar preenchido.
Chase o fodeu com força — sem provocação dessa vez. Só metidas profundas e rápidas, grunhidos baixos, estalos de pele com pele. Silas se apoiou na parede, mordendo o lábio, gemendo toda vez que Chase acertava aquele ponto perfeito.
"Você me aguenta tão bem," Chase rosnou. "Você adora ser fodido assim, não adora?"
Silas arfou, "Sim — sim, eu adoro pra caralho."
Chase envolveu o pau de Silas com a mão, masturbando-o no ritmo das metidas. Não demorou muito. Silas gozou em cima da prateleira, as pernas tremendo. Chase seguiu com um grito rouco e profundo, pulsando dentro da camisinha, enterrando o rosto no pescoço de Silas.
Ficaram assim por um momento, enroscados no pós-gozo, o suor esfriando no ar perfumado do depósito.
E então, suavemente: "O que acontece agora?" Silas perguntou.
Chase beijou o topo de sua coluna. "Você continua pintando. Eu continuo vendendo abóboras. E todo domingo, eu te curvo em cima da mesa de verduras."
Silas riu, sem fôlego. "Romântico."
"Você torna tudo romântico," Chase murmurou.
E lá fora, os sinos do Festival da Primavera soaram como uma bênção.
Fim