Contos eróticos para ler inteiros.

Corno e Traição

Fevereiro É uma Droga – Meu Final

cleidineia8715 min

— Sua puta, você ajudou ela a escapar e ir embora com aquele babaca.

— Jim, ela te ama muito. Ela vai voltar amanhã e vai compensar você. Sabíamos que você deixaria ela ter essa única experiência. Ela volta amanhã e vai passar o resto da vida compensando.

— E quem é esse ‘nós’?

— Principalmente Linda e eu, mas sei que os outros amigos aqui concordaram. Pelo menos as mulheres, com certeza.

— Você teria feito o mesmo se ele tivesse te pedido?

— Ele não é babaca. Olha todo o trabalho de caridade que ele faz. Claro que eu teria ido com ele se ele tivesse me pedido. Ele é um galã e famoso. Tenho certeza que o Dave me perdoaria assim como você vai perdoar a Linda. Vai ser só um tropeço na estrada e, como eu disse, ela vai passar o resto da vida compensando você.

— Ele é babaca por definição. Só um babaca corre atrás de mulher casada e convence elas a saírem com ele para passar a noite quebrando os votos de casamento. E mais uma coisa: vai ser difícil ela me compensar depois do divórcio.

Me virei na hora e andei rápido de volta para a mesa. Percebi que Dee vinha atrás, falando alguma coisa, mas ignorei. Quando cheguei na mesa, falei:

— Dave, como você se sentiria se a Dee tivesse ido embora com aquele babaca?

— Bem, ela não foi, mas gosto de achar que eu conseguiria superar se fosse só uma noite. Afinal, ele é famoso. Eu sei o quanto você ama a Linda, mas tenho certeza que você vai perdoar ela também.

— E vocês aí? Concordam?

Dee tinha me alcançado e respondeu rápido:

— Eu falei pra ele que seria só essa noite e ela volta amanhã. Falei que ela disse que ia compensar ele. Ele fica chamando o Marc de babaca. Também falou que vai pedir divórcio da Linda.

Jane falou:

— Divórcio? Você só pode estar brincando, Jim. É só uma noite. Ele é famoso, afinal. E não atrapalha que ele é muito bonitão. Quer dizer, vocês estão casados há quase dez anos e têm dois meninos.

Eu já estava cheio.

— Certo, vocês, mulheres, teriam ido com ele se ele pedisse?

Todas as mulheres acenaram que sim, mas algumas ficaram meio hesitantes. Alguns dos homens pareceram um pouco surpresos com a resposta da esposa, mas tentavam disfarçar.

— Tá bom, cavalheiros, a vez de vocês. Vocês se divorciariam da esposa se ela saísse igual a Linda?

Todos balançaram a cabeça que não. Phil respondeu:

— Eu não ia ficar feliz, assim como você. Gostaria de acreditar que conseguiria relevar uma vez. Afinal, ele é famoso, como os outros falaram.

— Então, todo mundo, vocês não veem nada de errado no que ela fez e acham que eu devo ignorar esse desrespeito?

Todos acenaram que sim. Eu cansei de todos eles. Acreditava que alguns, principalmente a Dee, tinham ajudado ela. Eu ia me vingar de todos. Começando pela Dee.

— Vocês todos vão pro inferno. Nunca mais quero ver nenhum de vocês. Nunca mais falem comigo. Se me virem chegando, deem meia-volta e me evitem completamente. Com certeza vou entrar com o divórcio assim que puder. Eu e a Linda conversamos antes de ficarmos noivos. Eu disse pra ela que eu era do tipo ‘uma vez e acabou’.

Jane falou rápido:

— Mas ele é famoso.

As outras mulheres apoiaram com acenos.

— Não me importa se fosse um faxineiro, o Marc Babaca LaValliere, o Presidente dos Estados Unidos, o Rei da Inglaterra ou um ator famoso. Se fosse um erro de bebedeira, talvez, mas ela escapuliu de propósito e achou que eu ia perdoar no fim. Bom, ela vai ter uma baita surpresa amanhã.

Me virei pra ir embora. Dee disse:

— Dave, segura ele, pra gente trazer um pouco de juízo.

Dave se levantou e conseguiu me segurar pelo ombro. Eu me virei e dei um soco na boca do estômago dele com toda força. Enquanto ele se curvava com os braços na barriga, levantei o joelho e acertei a cara dele. Ele caiu de bunda. Dee partiu pra cima de mim.

— Nunca bati em mulher, mas sempre tem uma primeira vez. Vem pra cima, sua vaca.

Ela, com juízo, foi ver o marido. Phil começou a se levantar, mas eu acertei ele com força entre os olhos e ele caiu. Nisso, o segurança já tinha chegado e me segurou.

— Algum de vocês quer registrar queixa?

Dave e Phil disseram ‘não’. Dee perguntou:

— Dá pra você fazer ele sentar e falar com a gente?

— Não, ele não é mais bem-vindo na boate.

Aí ele me acompanhou pra fora e me surpreendeu.

— Eu vi sua mulher sair com aquele babaca. Ouvi de outros seguranças que essa não é a primeira vez que ele apronta dessas. Eu vi a vaca ajudando sua esposa a encontrar com ele pra ela sair com ele. Ainda bem que eles não prestaram queixa. Eu teria testemunhado a seu favor. Grandes amigos esses seus. Com amigos assim, você não precisa de inimigos. Você pode voltar aqui se nenhum deles estiver. Não quero mais confusão.

— Valeu, mas eles não são mais meus amigos. Duvido que eu volte. Vai trazer lembranças ruins demais.

— Sem problema. Um último aviso: um repórter do jornal estava aqui. É frequentador. Eu vi ele tirando fotos, então pode sair alguma coisa no jornal.

— Mas não importa mesmo. Já terminei com ela. Talvez cause uns problemas pra ela e pra ele. Eu dou conta de quem vier mexer comigo.

Ele me entregou um pedaço de papel.

— Aqui, meu nome e telefone. Me liga se precisar de ajuda ou quiser que eu testemunhe.

Fui pra casa, empacotei minhas roupas e tudo que eu quis. Aí aluguei um quarto por um mês num hotel de estadia prolongada. Eu tinha banco online. Paguei a fatura do cartão de crédito e cancelei. Eu tinha uma conta corrente separada que a Linda não tinha acesso. Peguei ela bisbilhotando pouco antes do aniversário dela, anos atrás. Eu tinha a conta pra esconder os presentes que comprava pra ela. Transferi metade da poupança e da conta corrente pra uma conta separada.

Depois liguei pra minha mãe e contei o que aconteceu. Ela ficou chocada, mas disse que apoiaria minhas decisões pra lidar com a Linda. Liguei pros pais dela em seguida. Ficaram chocados, mas tentaram me convencer a não tomar decisões precipitadas. Falei que ia entrar com o divórcio, então era bom eles estarem lá de manhã quando a vagabunda chegasse em casa. Eles ainda tentavam me fazer mudar de ideia quando desliguei na cara deles.

Meu telefone enlouqueceu na manhã seguinte, então eu desliguei. Fui numa loja de celular e peguei um aparelho novo com número novo. Só passei o número novo pros meus pais, pra emergências.

Falei com meu chefe na segunda. A esposa dele tinha se divorciado depois de se apaixonar pelo chefe dela. Ele me deixou tirar uma semana de férias. Me passou o nome e telefone do advogado da ex-mulher. Explicou que odiava o cara, mas ele era o melhor advogado de divórcio do estado. Eu dei meu telefone novo pra ele.

Liguei pro advogado. Por sorte, ele teve um cancelamento no fim daquela tarde. Enquanto esperava a consulta, mandei dividir nossos investimentos e colocar em duas contas separadas. Na consulta, dei entrada no divórcio. Pedi pra entregarem a citação pra ela no trabalho quando os papéis ficassem prontos. Ele disse que provavelmente seria no fim da terça ou mais certo na quarta, quando ela seria citada.

É verdade que eu e a Linda nos conhecemos na faculdade. Ela não sabia que eu andava com gente errada no colégio. Quando me meti em encrenca, meu pai me ajudou. Eu tinha problemas de raiva, mas ele me fez fazer terapia pra lidar com isso. Também me colocou na linha. Eu ainda mantinha amizade com alguns dos maus elementos do colégio, inclusive um cara, Tony (Antonio), que estava na máfia como o pai e o avô antes dele. Ele achava que eu tinha salvado a vida dele quando impedi um membro de gangue rival de acertar a nuca dele com um taco de beisebol. Entrei em contato com vários dos meus velhos amigos na tarde de terça. Eles concordaram em me ajudar na vingança. Ajudou que um dos caras tinha um amigo a quem o babaca tinha feito a mesma coisa. Começamos a planejar.

Primeiro foi a Dee. Ela normalmente era a primeira a chegar no escritório. Estacionava o carro novo perto do fundo do estacionamento porque não queria ninguém encostando ao lado. Na quinta de manhã, quando ela abriu a porta da frente do escritório, o carro explodiu. Claro que ela me culpou. A polícia investigou, mas me descartou como suspeito. Descobriram que a câmera de segurança do vizinho registrou a colocação da bomba. O cara usava uma máscara de meia na cabeça, mas dava pra ver o pescoço, e era um sujeito negro. Também calcularam que ele era entre 15 e 20 centímetros mais alto que eu e pesava pelo menos 45 quilos a mais, a maior parte provavelmente de músculo.

Depois foi o Dave. Na sexta, ele foi tomar cerveja com os colegas do trabalho. Foi assaltado por quatro caras. Deram uns sopapos nele antes de levarem a carteira e as chaves. Os caras que bateram nele tiraram o dinheiro da carteira. Jogaram as chaves no rio. Deram a carteira pro Tony, que repassou pra uns conhecidos que comandavam quadrilha de roubo de identidade. De novo, eu levei a culpa, mas eu tinha um álibi blindado no horário do assalto.

Jane e Phil não guardavam os carros na garagem. Estava cheia de tralha. Jane foi fazer compras no sábado de manhã. Encontrou os dois carros em blocos, sem os pneus. Todos os oito amigos tiveram vários problemas ou acidentes ao longo do mês seguinte, até que falei pro Tony que já bastava. Claro que eu era culpado toda vez, mas sempre tinha álibi, então a polícia não podia fazer nada. Também não me encontrei com nenhum dos amigos depois daquela reunião de terça à tarde. Meu único contato era um celular descartável escondido, pelo qual eu ligava pro Tony uma vez por dia, mas nunca no mesmo horário. Destruí o telefone quando a vingança terminou.

Ah, eu esqueci do babaca. O Tony tinha algo especial planejado pra ele. O Tony achava que o castigo devia ser proporcional ao crime. O babaca foi seguido. Quando ele tentou a mesma gracinha com outro marido desavisado, três sextas-feiras depois que a Linda saiu com ele, ele foi rendido por assaltantes de carro no caminho pra casa com a ‘presa’ dele. A presa foi despida, só de sutiã e calcinha. Deixada pra ir buscar ajuda a pé. O babaca foi vendado e levado pra um galpão da máfia. Um cara sussurrou no ouvido dele que aquilo era um presente dos maridos da Linda e do Bill. Bill era o amigo do outro cara de quem o babaca tinha feito a mesma coisa. Todos os homens se revezaram dando chutes nas partes dele e explicando que ele não devia correr atrás de mulher casada. Quando ficaram satisfeitos com os danos nos testículos e no pênis, bateram no rosto, quebraram o nariz. Também danificaram os dois joelhos, acabando de vez com a carreira no futebol americano.

Enquanto isso rolava, eu ligava meu celular antigo uma vez por dia. Apagava qualquer registro de chamada, mensagem e correio de voz da vagabunda. Conferia as outras ligações, mensagens e correio de voz. Claro, ignorei qualquer coisa dos meus ex-amigos. O advogado conseguiu que eu tivesse visitas com meus meninos. Tive que, infelizmente, concordar com uma reunião de uma hora com a Linda. Ficou marcada pra sexta à tarde depois que a vagabunda saiu com o babaca.

Linda tagarelou sem parar por uma hora. Ela sentia muito. Foi só uma vez. Ele era famoso, pelo amor de Deus. Ela tinha aprendido a lição e jamais aconteceria de novo. Até nossos amigos não viram problema nenhum em ela ir com o Marc. Fiquei ouvindo e respondi:

— Não, eles são só seus amigos agora.

Isso arrancou uma expressão chocada dela. Ela reclamou do que aconteceu com o carro da Dee. Apontei que a polícia tinha provas de que eu não coloquei a bomba. Ela continuava tentando me fazer conversar, mas eu basicamente ouvia. De vez em quando perguntava por que outro motivo eu deveria considerar perdoá-la. Isso a mantinha tagarelando.

Joguei seguro. Deixei ela falar por uma hora e dez minutos. Aí levantei a mão. Falei pra ela ficar quieta enquanto eu respondia. Disse que eu tinha conversado com ela antes de ficarmos noivos. Falei, naquela época, que eu era do tipo ‘uma vez e acabou’. Disse que talvez eu tivesse relevado se houvesse circunstâncias atenuantes, como se ela estivesse bêbada. Ela tentou: ‘mas ele era famoso’. Eu disse que não me importava se ele fosse um sem-teto, o presidente ou até o rei da Inglaterra. Ela foi por vontade própria e quebrou o voto que fez pra mim. Eu jamais a aceitaria de volta. Ela chorou quando eu disse que não a amava mais. Que ela devia simplesmente assinar os papéis. Assim que estivesse livre dela, eu pretendia achar uma esposa que cumprisse os votos. Aí me levantei e saí da sala.

Tivemos a primeira audiência do divórcio. Linda queria terapia de casal. Meu advogado chamou Dee como testemunha. Ela negou ter ajudado Linda a encontrar Marc. Chegou a dizer que eu dei consentimento pra ela ir com ele. Meu advogado tinha um plano. Ele percebeu que os outros amigos poderiam tentar ajudá-la. Imediatamente depois de Dee, ele chamou o segurança. Ele testemunhou que Dee ajudou ao avisar que precisava ir ao banheiro. Linda foi com ela, mas depois encontrou Marc e saiu. O segurança mencionou o confronto com Dave, Phil e eu. Me tirarem do bar. O advogado dela deveria estar preparado, mas havia câmeras no bar. Elas confirmaram a história dele, embora não tivesse áudio. O juiz mandou o oficial de justiça deter Dee por perjúrio.

O resto dos meus ex-amigos testemunhou e confirmou a história do segurança. O juiz pareceu horrorizado. Ele perguntou se eu toparia alguma vez reatar com a Linda. Eu disse: ‘claro, quando porco criar asas e voar pra lua’. Isso arrancou risadas de muitos espectadores no tribunal. Ah, esqueci que saiu um artigo na seção de esportes do jornal de domingo. Não era uma reportagem boa pra Linda nem pro Marc. O time de futebol e a NFL também levaram uma cacetada. Parece que o time e a NFL tinham várias queixas contra o Marc que ignoraram e varreram pra debaixo do tapete. O juiz decidiu que não havia esperança pro casamento e negou a terapia. Acredito que a Linda finalmente viu que o destino estava selado. Ela concordou na hora em assinar os papéis do divórcio. Sessenta dias depois, eu era um homem livre.

Epílogo

Meu advogado processou Marc, o time e a NFL depois que o divórcio foi finalizado. Eles fizeram um acordo sigiloso comigo. Recebi dinheiro suficiente pra não precisar trabalhar, se fosse cuidadoso. Não queria o dinheiro. Fiz aquilo pra deixar claro. Coloquei dinheiro numa conta pra pagar a educação dos meninos. Botei a maior parte do restante num fundo fiduciário pros meus meninos.

Linda nunca mais namorou. Afundou em depressão e começou a beber. Mais ou menos um ano depois do divórcio, meu advogado conseguiu me dar a guarda dos meninos. Linda ficou com visitas supervisionadas. Fiz questão de que os pais dela vissem os meninos pelo menos uma vez por mês. Fui legal e deixei a Linda ficar com a casa, que eu quitei com parte do dinheiro do acordo. Queria que ela tivesse um lugar legal, caso um dia conseguisse visitas sem supervisão.

Conheci uma moça legal num grupo de apoio pra pessoas que se divorciaram de cônjuges infiéis. Começamos a namorar mais ou menos seis meses depois do divórcio. A gente se dava muito bem e tinha a mesma visão sobre infidelidade. Ela tinha uma menina com idade entre a dos meus meninos e um garoto da mesma idade do meu caçula. Casamos um ano depois que começamos a namorar.

Senti um pouco de tristeza quando a Linda morreu num acidente de carro sozinha, mais ou menos dois meses depois do meu casamento. A causa foi considerada acidental, mas um policial conhecido me confidenciou que foi provavelmente suicídio.

Marc nunca mais jogou futebol. Acabou virando comentarista do time de futebol universitário perto da cidade natal dele, vários estados dali. Fiquei sabendo que ele nunca mais conseguiu ter relações sexuais depois de ser ‘assaltado’.

Três dos quatro casais que estavam lá naquela noite fatídica acabaram se divorciando. Será que teve algo a ver com a nota anônima que enviei. Apontei que, ao apoiarem a Linda, eles estavam dando permissão para que suas esposas traíssem no futuro. Acho que o fato de as mulheres terem ficado do lado da Linda selou o destino deles.

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