Contos eróticos para ler inteiros.

Incesto

É Assim que Famílias São Feitas

luiza.anunciacao20 min

As pessoas reagem de forma diferente sob pressão. Algumas são como o aço, flexionando sob a carga, se adaptando. Outras são como concreto, capazes de suportar pesos imensos até desmoronarem de repente. Outras são como madeira, se retorcendo e lascando sob tensão. Reya Arnaud olhou para os resultados de seus exames e se estilhaçou como vidro.

Ela agarrou a borda da bancada da cozinha com os nós dos dedos brancos quando sentiu aquilo, aquele sinal revelador no estômago, e disparou para a pia. Ela teve ânsias, o corpo estremecendo, tossindo, e depois que passou, abriu a torneira para lavar tudo e enxaguou a boca. Quando o pior havia passado, ela ligou a chaleira para ferver água, colocou torradas na torradeira e fez café da manhã na cama para Matt, porque era domingo.

Reya ajeitou o cabelo escuro para trás com os dedos, tentando lidar com a sensação de vazio por dentro. Quando o café da manhã estava na bandeja, era como se nada daquilo tivesse acontecido.

"Você está acordado?" ela chamou ao entrar no quarto.

"Defina acordado", respondeu uma voz masculina.

"Acordado, no sentido de desperto, Matt. Não o outro acordado", ela murmurou.

"Estou acordado", Matt respondeu, "E também de pau duro."

Reya entrou no quarto e se aproximou da cama. Ela olhou para o peito nu do homem recostado na cama, descendo o olhar até as dobras cuidadosamente arrumadas dos lençóis sobre sua virilha. Reya colocou a bandeja no colo dele e ele fez uma careta, mexendo os quadris.

"Desculpa, peguei em você?"

"Você vai pegar em mim, Rey."

"Não devia ter se metido no caminho."

Ela se sentou na beirada da cama e lhe deu um selinho nos lábios.

"Não vai comer?" ele perguntou.

"Vou correr."

Ele olhou para ela, a mão tocando seu joelho nu. Gradualmente, foi subindo pela perna dela, os dedos deslizando para a parte interna da coxa, desaparecendo sob a camisola. Reya se levantou.

"Come a torrada. Volto em meia hora."

Matt fez uma careta. "Posso esperar", ele disse. "Só torrada?"

"É, amor. Não quero que você fique flácido."

"Você fala de bacon como se fosse pecado."

"Você fala de pecado como se fosse bacon."

Reya foi até as gavetas, pegando suas roupas de ginástica. Ela tirou a camisola, virando as costas para ele, sentindo seus olhos em seu corpo nu.

"Está gostando do espetáculo?" ela murmurou por cima do ombro enquanto vestia o sutiã esportivo.

"Vem aqui que eu te dou uma avaliação."

"Já posso imaginar."

Ela se curvou, consciente de como aquilo apresentava seu corpo a ele: a curva suave de seu traseiro, as pernas ligeiramente afastadas mostrando o espaço entre elas. Enfiou os pés nas calças justas lilás de ginástica e as puxou pelas pernas torneadas, escondendo o bumbum da vista. Endireitou-se, alisando as mãos sobre o tecido, e olhou de volta para a cama.

"Meia hora", Matt disse.

"É, acho que sim."

"Tá. Não se atrase."

Reya o deixou na cama mastigando a torrada e saiu pela porta da frente da casinha deles para o ar fresco e cortante de uma linda manhã de primavera. Ela virou na rua, começando uma corrida leve até ter que parar na esquina, a mão na barriga. Era demais, então ela caminhou em vez disso.

O peso foi se instalando sobre ela gradualmente. Normalmente, sair logo cedo de manhã era o seu botão de reset, clareando a mente para o dia, mas não daquela vez. Ela suspeitava de algo, mas realmente criar coragem para verificar tinha sido difícil. Ela procrastinou por dias. Depois, quando a decisão foi tomada, a determinação de não contar nada a Matt, aguentar o intervalo entre decidir descobrir e realmente ter os resultados, tinha sido um inferno. Ela carregou aquele fardo sozinha. Não faria diferença no resultado se Matt soubesse, e se o exame desse negativo, ele ficaria sem saber de nada, e não teria que sofrer a agonia da espera.

À luz fria da manhã, depois do ocorrido, ela conseguia ver que aquilo era pura ilusão. Confrontada com a verdade, Matt teria que saber e a vida confortável deles de repente ficaria muito mais difícil. Ela completou um circuito lento pelo bairro sem chegar a uma resolução, grata por uma pequena misericórdia: não ter esbarrado em ninguém que conhecia.

Em casa, Reya tirou as roupas no banheiro e abriu o chuveiro. Ela se sentia um pouco melhor agora depois de sair de casa, não mais como se seu corpo tivesse se virado contra ela. Ficou mais fácil fingir que era apenas um domingo com Matt, igual a todos os domingos desde que se mudaram juntos, anos e anos atrás. Quando ela entrou na torrente fumegante, ouviu a porta se abrir.

"Espaço para dois?" Matt perguntou.

"Sério?"

"A culpa é sua. Seu pequeno strip-tease reverso destacou um problema."

Ela se virou para ele, a água com sabão espumando sobre o peito nu. Não se escondeu dele; Matt a encarou de um jeito que a fez tremer. Ela não disse nada enquanto ele abaixava o short de dormir pelas pernas musculosas, ficando nu na frente dela. Abriu a porta do box sem ser convidado e entrou.

"Quer que eu esfregue suas costas?" ele murmurou, parando perto dela sob a torrente, a água escorrendo em filetes pelo seu corpo.

Matt havia mudado ao longo dos anos, ficando mais encorpado sem ficar robusto, camadas de músculo sobre a estrutura magra do jovem que ela vira pela primeira vez no encontro no café, uma década e meia atrás. Ele seguiu o olhar dela, olhando para si mesmo.

"Nada mal para alguém a meio caminho dos quarenta", ele sorriu.

"Porque eu regulo o seu consumo de bacon. Além disso, a meio caminho dos quarenta seriam vinte. Você quis dizer mais perto dos quarenta do que dos trinta, ou fazer contas te confunde?"

Reya podia ouvir o tom sarcástico em sua voz, um pouco irritada com o jeito que ele simplesmente decidiu invadir o santuário do seu banho. Ela ainda se sentia sobrecarregada e sem vontade de encará-lo.

Ela ergueu os olhos para os dele, prestes a repreendê-lo, mas então ele a beijou e, assim, o peso se dissipou.

"Você me deixou com tesão acumulado", ele resmungou.

A mão dela deslizou pelo corpo dele, alcançando entre suas pernas para acariciar o saco. Matt grunhiu de surpresa quando ela apertou de leve.

"Você vai explodir?" ela respondeu.

Ela o sentiu enrijecer e soube o que ia acontecer a seguir. Ele se pressionou contra ela, e ela sentiu a ereção cutucando sua barriga, permitindo ser empurrada contra os azulejos frios. Ela afastou os pés e Matt dobrou os joelhos, se posicionando com destreza, a ponta pressionando sua entrada. Reya o beijou profundamente e ele a penetrou.

Eles fizeram amor sem pressa, as mãos dele segurando o traseiro dela, apoiando-a na ponta dos pés enquanto a penetrava. Reya envolveu os braços no pescoço dele, beijando-o profundamente, apreciando a sensação de ser preenchida pelo homem que amava. O exame e todas as suas implicações pareciam a milhões de quilômetros de distância: eram só os dois, como sempre foi, sozinhos juntos.

Os lábios de Reya se entreabriram, soltando pequenos ruídos agudos quando Matt começou a aumentar o ritmo, investindo com mais força dentro dela. Ela sentiu seu próprio fogo, alimentado ao ver a paixão nos olhos dele, sua luxúria pelo corpo dela. Ela chegou à beirada e irrompeu de uma vez, chegando ao clímax no pau dele enquanto ele mergulhava fundo e estremecia, enchendo-a com sua semente, e nada mais importava.

Reya se agarrou a ele, enterrando o rosto em seu pescoço, a respiração ofegante, sentindo cada movimento de seu corpo, tentando se perder naquilo, resistindo ao mundo que invadia. Quando ele finalmente escorregou para fora dela, ela sentiu o vazio retornar, mas sorriu para ele e o beijou de novo, e ele não percebeu.

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Reya deu início à reunião geral de segunda-feira, e todos começaram a rodada de atualizações de status e planos para a semana. A agência de assistência familiar sem fins lucrativos não era grande e as atualizações terminaram rápido. Ela fez anotações, depois dispersou a equipe e se sentou à sua mesa para checar a caixa de entrada. Mah apareceu às dez, como de costume.

"Hora do café?" ela perguntou, sorrindo animadamente para Reya. "Tudo nos trilhos?"

Reya deu uma olhada na agenda e então se levantou da cadeira.

"Claro, vamos", ela respondeu.

Mah a acompanhou para fora do prédio, tagarelando sobre o fim de semana dela, colocando o papo em dia com a família. Mah tinha uma família grande, três filhos agora finalmente na escola, o que permitiu que ela voltasse a trabalhar e a conviver com adultos depois de uma década entre ficar descalça, grávida ou ambos, como ela descrevia. Ela tinha uma família grande, morando numa casa enorme nos subúrbios distantes com os sogros nos fundos, quartos cheios com os próprios filhos e, no último andar, um santuário privado de calma para ela e o marido. Sempre que Reya e Matt iam visitar, a casa estava invariavelmente cheia do aroma de comida balinesa e de crianças gritando.

Reya sabia o quanto aquele emprego significava para ela, mais do que apenas ter uma modesta segunda renda para apoiar as finanças da família. Numa noite de bebedeira, depois da segunda garrafa de vinho, Mah confessou por que queria vir trabalhar toda manhã e a revelação, combinada ao excesso de Chardonnay, levou Reya inesperadamente às lágrimas.

Mah revelou que era a ovelha negra da família, emigrando de Bali na casa dos vinte anos, juntando-se a uma diáspora que se espalhou pelo mundo em busca de trabalho melhor, estabelecendo-se por fim com um homem de sua cidade natal original em um país do outro lado do mundo de onde cresceram. Ela sabia tudo sobre o fardo da separação dos entes queridos. Ela tinha vindo trabalhar para Reya quase por necessidade, como se pagasse uma dívida.

Reya havia subido na carreira, assumindo o lugar do chefe que se aposentou aos trinta anos, de repente encarando a realidade de gerir uma organização sem fins lucrativos que continha uma grande variedade de personalidades. Mah chamava aquilo de "colocar gatos para trabalhar", mas gatos com uma missão.

Mah estava certa, era uma missão: Reya também sentia isso. Ela dirigia uma organização nascida de tragédias e circunstâncias infelizes, famílias separadas, crianças adotadas. O trabalho deles era ajudar aquelas crianças, ou os adultos que se tornaram, a se reconectar com seus irmãos ou com seus pais. Pessoas como Mah e Iris, a veterana que tanto intimidara Reya quando ela entrou, adquiriram um conjunto de habilidades que lhes permitia transpassar as paredes das burocracias que governavam seu mundo. Entre as duas, e sua rede cultivada de contatos, parecia que conseguiam encontrar qualquer pessoa.

Mas o trabalho de Reya era moderar tudo aquilo, pegando o dossiê e o reduzindo a uma escolha simples para todas as partes envolvidas: se queriam ou não iniciar contato umas com as outras. Encontrar um pai que estivera desaparecido por trinta anos muitas vezes trazia alegria, mas às vezes trazia desgraça. Reya sabia tudo sobre isso, e Matt também.

"Como está seu pai biológico?" Mah perguntou enquanto voltavam para o escritório, com os cafés nas mãos.

Reya deu de ombros. "Na mesma. Não é realmente problema meu. Os filhos dele estão lá para cuidar dele."

Mah estava fazendo aquilo de novo, só verificando, mostrando que se importava. Seu instinto maternal era forte; era o que a tornava tão boa no seu trabalho.

A primeira interação de Reya com a agência tinha sido como cliente. Ela entrou pelas portas com uma cópia da certidão de nascimento e se sentou na sala de reunião dois e chorou copiosamente. Ela tinha dezessete anos, deixando os pais adotivos esperando no carro enquanto fornecia seus dados ao homem à sua frente. O Sr. Purvis era o responsável naquela época, e ele fez um trabalho minucioso, usando os canais disponíveis para rastrear seus pais biológicos. Ele a chamou de volta à agência alguns meses depois e perguntou se ela queria mais alguém presente enquanto ele lhe dava os resultados da pesquisa. Ela recusou.

O Sr. Purvis expôs tudo para ela, a intervenção que resultou em sua remoção da casa da mãe algumas semanas depois do seu quarto aniversário. Eles fotografaram suas contusões, registrando tudo no relatório que o homem do outro lado da mesa estava lendo. Ele fez uma pausa ali, e ficou em silêncio por um momento, os olhos nas fotos. No final, ela saiu para a luz do sol, até onde sua mãe estava sentada no carro, com duas coisas: o endereço do pai biológico e o atestado de óbito da mãe biológica. Acontece que ela finalmente conseguiu beber até morrer, e seu pai, o homem de quem ela nem se lembrava, que havia partido quando ela era bebê, tinha concordado em ser contatado. Mas era só isso, apenas concordado, nenhum encontro marcado. Ele morava na cidade vizinha, tendo recomeçado com uma família própria e três filhos uma década mais novos que ela.

O Sr. Purvis fez uma coisa a mais. Ele a apresentou a um grupo comunitário de pessoas como ela. Reya hesitou por semanas antes de finalmente ir, temendo aquilo, mas saiu no final da reunião sentindo que seu fardo havia mudado.

Eles se chamavam Jovens Órfãos, embora a maioria deles, como Reya, viesse de famílias adotivas amorosas, unidos pelo mesmo fio condutor de querer entender seu lugar no mundo. Alguns membros vinham de abrigos para menores, e cada uma de suas histórias era diferente, e frequentemente triste. Foi ali que ela viu Matt pela primeira vez.

Ele era dois anos mais velho, e era fácil conversar com ele. Parecia que eles simplesmente se conectavam. Ele ria das piadas dela, de verdade, uma risada genuína, como se realmente entendesse o humor. Eles foram se abrindo sobre seus passados pouco a pouco: um pai distante, uma mãe abusiva, tornando-se pupilos do Estado aos quatro e seis anos, respectivamente. Quando ela completou dezoito anos mais tarde naquele ano e saiu de casa, seus pais, seus pais adotivos, ficaram felizes em vê-la se mudar para uma república com Matt e mais alguns amigos deles.

Matt e Reya concordaram em permanecer juntos, suas semelhanças os aproximando, abrindo-se sobre seus passados, revelando seus segredos, sua amizade se aprofundando. Então, pela segunda vez em sua vida, depois de primeiro ter recebido a notícia de que a mãe e o pai que ela amava não eram seus pais biológicos, Matt lhe confidenciou um segredo e o mundo dela virou completamente de cabeça para baixo. Ela fez um pacto solene com ele, jurando sempre estar presente e levar tudo para o túmulo. Havia lágrimas nos olhos dela, e nos dele.

A república era barulhenta, com uma porta giratória de personagens entrando e saindo das vidas de seus ocupantes. Reya namorava com cautela, mas Matt, sendo um pouco mais velho, se jogava de cabeça com toda a energia da juventude. Ambos frequentavam a mesma faculdade, Matt escolhendo Engenharia enquanto Reya fazia Ciências Sociais, presos inescapavelmente nas órbitas um do outro, ligados gravitacionalmente por seus segredos compartilhados.

Os namorados de Reya iam e vinham, às vezes literal e figurativamente, e a pequena semente de um pensamento começou a germinar no fundo de sua mente. E se ela fosse como a mãe, afinal de contas, e se os genes fossem inescapáveis? Deitada na cama no escuro às duas da manhã, ainda bêbada e sozinha de novo depois de um caso de uma noite, ela quase podia sentir as cordas a puxando. E se essa fosse a sua vida, se casar e se ver com filhos de um homem que nunca amou de verdade? Será que ela trilharia o mesmo caminho? Será que seu relacionamento iria ruir, deixando-a com seus próprios filhos e uma necessidade de fuga através da bebida? Seus cursos da faculdade pintavam um quadro de formação de hábitos, de a história se repetir em certos contextos sociais, e ela reconhecia todos os sinais de alerta em si mesma.

Reya tinha ido no meio da noite até a única pessoa que a entenderia. Ele a envolveu nos braços enquanto ela chorava no escuro, e então ele fez a coisa mais imperdoável: a beijou.

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Mah abriu a porta para ela, e elas voltaram para dentro. Havia apenas uma coisa que ela podia fazer. Matt tinha todos os seus segredos. Ela teria que contar a ele sobre a sensação na barriga, sobre os exames, e a coisa terrível que aquilo significava sobre o futuro. Não era justo, ela pensou com amargura, mas então muito pouca coisa na vida parecia ser justa. Ela girou a aliança no dedo repetidamente. Muita coisa parecia ser atos de dor inteiramente aleatórios e inescapáveis.

Reya preparou o jantar para eles naquela noite, mas beliscou o seu.

"Sem fome?" Matt perguntou, olhando para ela do outro lado.

"Não."

"Barriga?"

"Sim."

"Ainda? Você devia ir verificar isso. Já faz semanas."

"Acho que sim."

Matt enrolou o garfo no emaranhado de fettuccine e enfiou na boca. "Está bom", ele murmurou de boca cheia.

Reya mordiscou a massa, observando Matt comer, a sensação horrível de afundamento pesando muito agora. Ela largou o garfo e as palavras começaram a sair quase antes que ela estivesse pronta.

"Já fui ao médico de novo", ela confessou.

A mão dela pousou na barriga.

Matt pegou mais um garfada de macarrão, assentindo. "E?" ele disse.

"Ele fez alguns exames complementares."

"De intoxicação alimentar? Pensei que você tinha dito que ele falou que seriam alguns dias de vômito e depois acabou."

"Sim, ele disse, mas..."

"Mas isso foi há mais de um mês."

O garfo de Matt ficou suspenso sobre o prato. Ele franziu a testa.

"Pois é, amor, então eu fiz um acompanhamento."

"Você está sentindo dores esse tempo todo? Por que não me contou?"

Reya desviou o olhar, encarando a refeição pela metade.

"Eu melhorei depois. Achei que tinha posto tudo para fora. Mas aí comecei a me sentir estranha."

"Estranha? Como?"

"Náusea. Pesquisei na internet. Às vezes, depois de uma intoxicação alimentar, o corpo demora um pouco para voltar ao normal. É como se o sistema digestivo ficasse hipersensível, reagindo a qualquer coisinha. Achei que fosse isso."

Matt largou os talheres com cuidado e estendeu a mão para segurar a dela. Ela via a preocupação nos olhos dele. Ele tentava disfarçar, mas ela o estava assustando.

"Reya, eu te amo. Só me conta", ele disse, a voz mais suave agora.

"Eu suspeitava de algo, mas recebi os resultados dos exames na sexta. Ficaram na porcaria do envelope por dois dias até eu criar coragem para abrir."

"Me conta."

A atenção de Matt se deslocou para a mão dela sobre o abdômen e depois para o medo em seus olhos.

"Amor, me conta", ele repetiu. "Câncer? De ovário?"

Com a palavra, a visão de Reya se embaçou e as lágrimas vieram. Matt estava lá, de repente, envolvendo-a nos braços enquanto ela chorava.

"Não, pior que isso", Reya sussurrou. "Estou grávida."

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Eles construíram uma vida juntos, Matt se formando primeiro e conseguindo um estágio em uma empresa aeroespacial. Ele ganhava o suficiente para montar um pequeno apartamento onde Reya ainda pudesse ir para a faculdade e ele não tivesse um trajeto interminável até o escritório. Parecia tão simples, montar uma casa juntos, compartilhar suas vidas, sua cama. Tudo se encaixou como destino. Simplesmente parecia certo, como nada mais em sua vida jamais havia parecido antes.

Quando ela finalmente se formou, Matt usou seu estágio para conseguir um emprego em outra cidade e eles se mudaram. Ele se ajoelhou à beira do rio no primeiro dia de março e ela colocou o anel. Ela ligou para seus pais, seus pais verdadeiros, não seu pai biológico, com a notícia e o que eles disseram a levou às lágrimas de novo. A magnitude da compreensão deles a deixou sem fôlego.

Ela foi aos cartórios do governo local e reverteu seu nome para o nome de nascimento, adotando Arnaud e deixando Curtis para trás. Foi uma das coisas mais difíceis que ela já fez, porque parecia uma traição a seus pais. Mas suavizou o atrito em suas vidas, compartilhar o sobrenome de Matt. As pessoas viam suas alianças de casamento e ouviam seus sobrenomes e isso era tudo o que alguém precisava saber, até mesmo o banco. Eles conseguiram uma hipoteca e um carro de verdade e passaram uma década viajando pelo mundo juntos enquanto o trabalho de Matt o levava para outros países.

Com o tempo, voltaram para onde cresceram e Reya começou a trabalhar na agência que tinha sido tão importante em sua vida, instalando-se em um bairro dois subúrbios distantes de seus pais. Iam a churrascos, ajudavam em arrecadações de fundos, como todos os casais casados ao redor, com uma diferença: todos os amigos deles tinham filhos.

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