Ardente
— Eu não te conheço de algum lugar?
Ela aparentava ter uns quarenta anos, cerca de meia dúzia a menos que eu. Um rosto que provavelmente já haviam chamado de travesso, mas que se transformara em uma beleza serena que vem com os anos. Cabelos ruivos que caíam soltos sobre os ombros. Olhos castanho-esverdeados atrás de grandes óculos redondos, e pele clara com sardas que cobriam suas bochechas e nariz. Elas também eram visíveis no decote que aparecia através de seu suéter decotado.
Estávamos ambos sentados em uma mesa comprida em uma cafeteria. Eu ia lá quase todo dia para sair do apartamento e fingir que lia o jornal ou uma revista. Ao nosso redor, havia um burburinho baixo de vozes, interrompido pelo gorgolejo alto da Máquina Infernal de Cafeína (TM) e o barista chamando um tal de Luke para vir pegar seu pedido, Luke, seu café gelado está esfriando, haha.
Baixei meu jornal e sorri. — Eu costumava ser conhecido como Daz. — Decidindo que meu café ainda estava quente o bastante para beber, tomei um gole e esperei a ficha cair.
Levou um instante. Percebi exatamente quando ela entendeu. Seus olhos se iluminaram de empolgação. — Daz! — exclamou, soando exatamente como a garota que ela devia ter sido naquela época. — Daz! Eu era tão apaixonada por você naquela época!
Dei a ela meu sorriso caloroso de sempre. — Faz muito tempo, tenho certeza. Mas é sempre um prazer conhecer uma fã. — Deixei o sorriso se transformar na careta irônica padrão. — Ou pelo menos uma ex-fã.
— Daz! — Ela parecia estar em transe. — Sabia que eu te reconhecia. Eu tinha seu pôster em cima da minha cama e tudo. Vi seu show aqui na cidade, lá por... — A frase se perdeu enquanto ela fazia as contas. — Nossa, já faz tanto tempo assim? Estou velha.
Já tinha tido a mesma conversa centenas de vezes. Claro, a constatação da idade do interlocutor era relativamente nova. Por um tempo, era "Nossa, você está tão mais velho agora!" Não, nunca me cansei de ouvir isso.
— Tá brincando? — Esvaziei minha xícara e me levantei. — Você não é velha. Você é uma mulher bonita, e tenho orgulho de ter feito parte da sua vida.
Aquela pele clara ficou vermelha, e ela gaguejou uma resposta enquanto eu me despedia e saía. Era uma frase padrão que eu usava toda vez que encontrava uma fã, mas no caso dela era verdade. Olhei pelo reflexo da porta de vidro ao sair e a vi debruçada sobre o celular, digitando furiosamente. Foi bom, pensei ao pisar na rua e voltar para casa, saber que eu tinha alegrado o dia de alguém.
Caso não tenha ficado claro, eu costumava ser famoso.
No auge da febre das boybands dos anos noventa, eu era "o Perigoso" em um grupo chamado Street5. Pronuncia-se "streets", mas com um "5" porque éramos cinco. O marketing da gravadora não era muito sutil. Nosso logotipo era o nome da banda com cinco silhuetas na frente.
Mas eles fizeram a pesquisa deles. Cada um tinha um papel. O Líder, o Bonito, o Quieto, o Perigoso, o Garoto.
Eu estava escalado para ser "o Garoto", até que tive um estirão de crescimento e minhas sobrancelhas ficaram grossas e escuras, então fui reescalado. Pelo menos isso significava que eu podia ter pelos faciais, ao contrário dos outros quatro. Eles tinham que manter a aparência lisa e limpa — não ameaçadora, apenas masculina o suficiente para as garotas perceberem que os meninos não eram todos fedidos e cheios de espinhas. Alvos seguros para sua primeira paixão adolescente.
Por outro lado, aqueles pelos faciais exigiam uma estilista separada, então não sei quem saiu ganhando. Raspei tudo assim que pude.
Nós não éramos brilhantes. Não precisávamos ser. Éramos comercializados, e vendíamos. Há uma longa névoa na minha memória, dois anos de turnês quase constantes e eventos para fãs, intercalados com sessões no estúdio e aparições em programas de entrevistas.
Lembro-me principalmente da tensão de representar o papel. Street5 era apresentado como um grupo de amigos próximos da parte pobre da cidade. Não sei se alguém realmente acreditava nisso, mas os fãs compravam a ficção e nós desempenhávamos nossos papéis. A verdade é que nunca tínhamos nos encontrado antes de a gravadora nos juntar como uma receita para ganhar dinheiro.
Você pensaria que nos odiaríamos, jogados numa jaula e esperando que nos déssemos bem. Mas no começo estávamos todos muito empolgados e preocupados demais para balançar o barco. Sabíamos que íamos estourar, e nenhum de nós ia colocar nosso sucesso em risco.
Mais tarde, quando a vida se tornou aquela longa névoa, os outros simplesmente sumiram no fundo. Todos nós fazíamos nossas partes no palco. Dizíamos nossas falas, dançávamos nossos passos, desempenhávamos nosso papel. Fora do palco, não me lembro de termos muito a ver uns com os outros.
Tudo começou a mudar quando eu saí do roteiro. Está tão claro na minha mente agora quanto estava todos aqueles anos atrás, o primeiro momento em que o mundo entrou em foco. Estávamos em turnê, hospedados em um hotel na Argélia, de todos os lugares. Eu tinha acordado cedo, irritado com o tédio, e algo que alguém disse na TV chamou minha atenção. Provavelmente ouvi errado, mas estava lá no meu cérebro, um verso mágico. "Lágrimas como as estrelas no céu à noite."
Meia hora depois eu tinha escrito uma música. E era boa também, e não tão brega quanto você pode pensar. Melhor do que a baboseira anêmica que a gravadora nos dava. Então a coloquei num fax para nosso produtor em casa, e dez minutos depois ele estava no telefone e estávamos discutindo o arranjo.
"Lágrimas Como Estrelas" foi nosso maior sucesso. Sabíamos que seria. Eu entendia o Street5, sabia como nossas vozes funcionavam juntas, conhecia todos os nossos papéis. A música funcionou para nós.
Tínhamos alcançado a maturidade, dizia a mídia. Crescido além da camisa de força do molde de boyband e evoluído para artistas sérios.
Escrevi mais músicas e dei uma polida nas músicas já escritas. Gostava disso, e era bom nisso. Sucesso seguia sucesso, e quase chegamos ao topo no Natal com "Coração na Neve". Ainda acho que teríamos sido o número 1 de Natal se aquela nevasca tivesse vindo apenas uma semana antes.
Mas foi o começo do fim. Ou o meio do fim, ou algo assim. Os outros se ressentiam do meu novo valor para a gravadora, e do dinheiro extra que eu recebia dos créditos de composição. E depois da euforia inicial de apresentar minhas próprias músicas, comecei a não gostar de todo o espetáculo que estávamos montando. Queria passar mais tempo escrevendo, e os shows atrapalhavam.
Não fui o primeiro a sair da banda. Esse foi Gaz (nome verdadeiro Rupert), que fazia o papel do Líder. Eu estava roubando os holofotes dele, ele alegava, e ele estaria melhor sozinho. Ele teve um ou dois sucessos menores, depois caiu na obscuridade. Olhando para trás, sinto pena dele, mas na época tive um enorme prazer nisso.
O Street5 sobreviveu por mais um ano, mas a faísca tinha se apagado. Para a banda, pelo menos, e acho que para a gravadora também. Os fãs ainda eram tão apaixonados quanto sempre, mas tínhamos chegado ao fim da estrada. O Garoto, cujo nome real não lembro mas que atendia por Danny, foi ser ator e se tornou regular em uma das novelas de longa duração. O Bonito Dev e o Quieto Kev (ou Sammy e Peter, como suas mães os chamavam) se tornaram co-apresentadores de um programa de viagens surpreendentemente perspicaz.
E eu me tornei compositor e desapareci no fundo.
Era uma vida tranquila. Na maior parte, só eu e meu teclado, no meu apartamento chique com vista para a cidade. Havia dinheiro suficiente entrando para que eu pudesse fazer o que bem entendesse, e ultimamente isso significava ficar em casa, exceto pelas minhas saídas diárias para a cafeteria.
Eu não encontrava muitas ruivas bonitas da minha idade.
*
No dia seguinte ao encontro na cafeteria, fiz algo que nunca fazia. Voltei. Normalmente, quando encontrava uma fã lá, eu dava um ou dois dias antes de voltar. Dava a eles um tempinho para se acalmar. Tive algumas experiências constrangedoras em que uma velha fã ficou me esperando no dia seguinte, e no outro, e no outro.
Mas havia algo nessa mulher que me fez pensar que talvez não fosse tão ruim encontrá-la de novo. Para começar, conforme os anos voavam, meus dias de galã digno de stalker tinham ficado para trás. E as fãs também estavam bem mais velhas, e com sorte menos deslumbradas.
Então pedi o de sempre e sentei no meu lugar de sempre. Tinha trazido meu leitor digital, porque tinha acabado de comprar um livro novo, e em instantes minha mente estava viajando numa combinação da história e uma ideia que ela desencadeou para uma música.
— Oi. — Era a mesma mulher, sentando na minha frente, no mesmo lugar.
Quase tinha esquecido por que estava lá. Sim, era um livro muito bom. Pisquei enquanto meu cérebro fazia a longa viagem de volta da terra da fantasia. — Oi.
— Olha — ela começou, quase num ímpeto —, odeio ser essa pessoa, mas... você se importaria de tirar uma selfie comigo? Depois que você foi embora ontem, fiquei me martirizando por não ter pedido, e... Bem, quase não voltei hoje porque não queria te assustar.
Ela deve ter interpretado mal o olhar vazio que eu sabia estar no meu rosto, porque acrescentou: — Não sou uma perseguidora. Você provavelmente é incomodado por fãs o tempo todo.
A essa altura, eu já estava de volta ao mundo real. Consegui meu sorriso mais caloroso. — Não é problema, de verdade.
Ela soltou um gritinho de menina e se levantou, celular na mão. Seus peitos balançaram em seu suéter verde macio enquanto ela quase saltitava para o meu lado da mesa, tirando os óculos no caminho. Nos arrumamos com as cabeças juntas — fiquei feliz por ainda não ter tomado meu café, e meu hálito ainda estar fresco — e ela segurou o telefone diante de nós.
Eu podia ver nós dois na tela dela. Ela estava se inclinando para frente de modo que seu rosto estava colado ao meu, a boca aberta num enorme sorriso. Seu suéter caiu para frente, e o meu próprio sorriso provavelmente estava mais natural do que qualquer um que eu já tivesse feito para uma selfie.
Ela clicou, depois se endireitou e mexeu no celular. Uma ruga apareceu na sua testa, e ela balançou a cabeça. — Está fora de foco. Você se importa...?
Claro que eu não me importava, mesmo tendo certeza de que a imagem na tela dela estava nítida. Mas havia um calor delicioso em seu corpo, e ela cheirava a bergamota e baunilha. E quando ela se inclinou para frente de novo, aproveitei a visão dos seus peitos na telinha.
Então meu sorriso ainda era feliz, e era isso que teria aparecido na selfie, só que, instantes antes de ela tirar a foto, ela virou a cabeça e chupou o lóbulo da minha orelha.
— Muito melhor!
Olhei para ela, boca aberta de choque, e a vi sorrindo de volta para mim. Ela estendeu o celular para eu ver.
Era engraçado, tive que admitir. A expressão no meu rosto era de completo espanto: olhos arregalados, boca aberta. Era quase comicamente exagerada.
Então ri enquanto ela voltava para o seu lugar e colocava os óculos no nariz. Seus peitos se moveram levemente em seu suéter de novo. — Boa. Gostaria de ter uma cópia.
— Me dá seu número que eu encaminho.
Dei, aproveitando a oportunidade para admirar como seus seios descansavam sobre a mesa enquanto ela se inclinava nos cotovelos. Um momento depois ouvi um plim, e vi a mensagem dela. A foto, com a legenda "Myrna e Daz".
— Myrna, esse é seu nome? — Claro que era, e me senti idiota assim que perguntei. — É bonito.
— Obrigada! E desculpa por isso agora. — Ela abaixou o celular e tomou um gole do seu café. Percebi que não tinha tocado no meu e também bebi.
— É uma mudança das selfies de sempre com fãs. — Para ser justo, sabia que teria ficado chateado se Myrna não fosse tão linda.
— Aposto que você tem um monte de mulheres da minha idade se jogando em cima de você. — Havia um certo brilho nos olhos dela enquanto falava.
— Não tantas quanto costumava ter. Não estou na vida pública há muito tempo.
— Você sente falta?
A pergunta dela me pegou de surpresa. Eu nunca tinha realmente pensado no assunto. Considerei por um momento, então dei de ombros. — Não, nem um pouco. Foi divertido enquanto durou, mas--
— Aposto que você pegava um monte de buceta.
— O quê? — Fiquei boquiaberto, certo de que devia ter ouvido mal.
— Todas as fãs, se jogando em você. Você devia estar se afogando nelas.
— N-não — consegui. Me senti dois passos atrás da conversa. — Não, nada disso. Muitas meninas novas demais. O risco de um escândalo... A gravadora nos mantinha na rédea curta.
As sobrancelhas dela se ergueram sugestivamente. — Isso também pode ser divertido. — Ela riu enquanto eu me atrapalhava, então se levantou e pegou a bolsa. — Preciso ir ao banheiro. Você ainda vai estar aqui quando eu voltar? — Sem esperar resposta, ela foi em direção ao fundo do local, a bunda balançando em seus jeans.
Dei um gole no meu café, esvaziando a xícara, e respirei fundo. Minhas mãos estavam tremendo levemente, percebi. A situação parecia ter fugido do controle.
Por um momento considerei dar uma fugida para a porta antes de fazer ainda mais papel de idiota. Myrna devia estar achando que eu era lento de raciocínio ou algo assim. Mas decidi que seria rude ir embora sem me despedir.
Além disso, ela era muito atraente, e havia algo erótico na sua franqueza. Ela parecia muito confortável com quem era e com o que queria.
Então decidi esperar ela voltar, e então oferecer outro café. Para matar o tempo, chequei o celular, mesmo sabendo que ele só me lembraria que eu tinha músicas para escrever.
Mal o peguei e ele tocou com a chegada de uma nova mensagem. Vinha do número de Myrna, com um anexo. Sem pensar — supondo que era a primeira selfie que ela tinha tirado — abri o arquivo.
Imediatamente, antes mesmo de meu cérebro processar o que meus olhos estavam enviando, soube que não era a selfie. Pele clara demais. O ângulo errado. Nenhum cara de meia-idade apertando os olhos para a câmera esperando uma visão melhor do decote.
Em vez disso, era o reflexo de Myrna no espelho do que presumivelmente era o banheiro feminino. Seu suéter estava puxado para cobrir seu rosto e revelar seu torso nu e um sutiã verde rendado cobrindo dois montes firmes. Caso eu tenha te assustado, dizia a legenda.
Ainda estava olhando para aquilo quando ela surgiu pela porta ao fundo. A expressão em seu rosto era recatada, como se nada tivesse acontecido, mas seus mamilos estavam furando o suéter. Ela se sentou e apoiou o queixo nas mãos. — Você ainda está aqui. Tinha certeza de que já teria ido.
— Pensei nisso. — Não sabia por que admiti aquilo. — Mas já tinha decidido ficar antes mesmo de você enviar a foto.
— Espero que tenha gostado. Você parecia fascinado pelos meus peitos, então pareceu uma boa forma de me desculpar por ter te deixado desconfortável.
Estava acontecendo de novo. Meu cérebro estava se movendo na metade da velocidade do lado dela da conversa. Meu corpo, no entanto, não estava. Pude sentir o sangue subir para minhas bochechas, e me dei conta de que já tinha começado a fluir para o meu pau também.
— Talvez você possa pegar café para nós enquanto tenta pensar em algo para dizer? — Ela sorriu docemente.
Me levantei, murmurando algo incoerente antes de conseguir perguntar: — Preto?
— Sim, por favor. Se eu quiser creme, eu mesma pego. — E o olhar dela desceu para abaixo da minha cintura, onde eu sabia que havia um volume visível nas minhas calças.
Segurando o celular estrategicamente na minha frente, consegui chegar ao balcão sem atrair olhares do barista ou dos outros clientes. Fiz o pedido e comprei um grande muffin de chocolate também. Queria ver o que Myrna faria com aquilo.
Voltei para a mesa me sentindo um pouco mais no controle e coloquei o prato com o muffin entre nós. — Aqui, caso queira algo para mordiscar. — Vi sua boca se abrir e acrescentei: — Algo além do meu lóbulo.
Ela sorriu. — Vou me contentar com um pedacinho de muffin por enquanto. — Sua mão se estendeu, e com dedos finos arrancou um pedaço e o colocou na boca. Ela o saboreou por um instante, depois engoliu. — É bom. Bem úmido. E você, Daz? Gosta de mordiscar um muffin úmido?
Mas eu já estava esperando por isso. "Eu? Adoro um muffin docinho." Peguei um pedaço, mas antes de conseguir levar a mão à boca, os dedos de Myrna o seguraram. Seus olhos encontraram os meus, seus lábios se entreabriram e ela guiou meus dedos em direção à sua boca aberta.
Senti seu hálito quente, depois seus lábios se fecharam em volta do bolo. Sua língua lambeu meus dedos repetidamente antes de afastá-los. O tempo todo seus olhos não deixaram os meus.
Uma pontada no peito me lembrou de respirar. "Hmm..."
"Desculpa." Ela não soou nem um pouco arrependida. Nem pareceu, enquanto pegava um guardanapo e o usava para limpar meus dedos. "Pronto. Como se isso nunca tivesse acontecido."
"Hmm..."
Nesse momento, o barista chegou com nossos cafés. Outra surpresa. Normalmente os clientes tinham que pegá-los no balcão, até mesmo celebridades locais menores como eu. Mas fiquei grato, porque não tinha como esconder o volume ao longo da perna da calça agora.
Eu estava fora de prática com as pessoas, percebi. Tempo demais trancado em casa, compondo músicas. Não interagia o suficiente com gente fora da minha zona de conforto.
A questão é que minha zona de conforto era bem confortável pra caramba. Eu não precisava fazer nada que não quisesse. Não precisava ver ninguém que não quisesse. Não esbarrava em ruivas predadoras com frequência.
Por isso meus reflexos mentais não estavam tão afiados quanto poderiam estar. Houve um tempo em que eu teria uma resposta espirituosa para cada investida da Myrna, com um flerte sutil meu para ver como ela reagia.
Agora eu estava ali, atrapalhado, com a aparição do barista cujo nome me escapava enquanto eu gaguejava meus agradecimentos.
Myrna estava ciente disso. Dava para perceber pelo jeito como ela me olhava que sabia o quanto eu estava fora do meu elemento. Poderia pensar que ela estava se divertindo às minhas custas. Mas não parecia haver maldade ou crueldade em suas provocações, e mesmo me sentindo um idiota completo, eu estava gostando o suficiente para aproveitar.
Então tomei um gole do meu café novo e imaginei o que ela faria a seguir. Bem, o que ela fez foi sorrir e depois perguntar sobre a vida em turnê, como as coisas como café e comida se comparavam à vida normal. Parecia que ela tinha ficado com pena de mim.
Conversamos por mais uma meia hora antes de eu me desculpar. Por mais que eu gostasse da companhia de Myrna, a acústica ruim da cafeteria estava me cansando. Além disso, eu tinha tido inspiração para três músicas novas e queria começar a trabalhar nelas.
Saímos juntos. Estava um dia lindo, quente e ensolarado. Fiquei parado, sem jeito, sem saber exatamente qual era a proximidade do nosso relacionamento. Depois de um instante, apontei o polegar por cima do ombro. "Esse é o meu prédio, ali."
Ela olhou por trás de mim e ergueu as sobrancelhas. "Parece chique!"
"É, pois é." Todo Natal chegava um cheque gordo de royalties por "Heart In The Snow", e isso por si só bastava para pagar o apartamento luxuoso no topo da torre. De repente me perguntei se ela esperava que eu a convidasse para subir, e percebi, em pânico, que não queria. Mesmo que ela me provocasse mais, e mesmo que essa provocação levasse ao sexo, naquele momento eu precisava ficar sozinho.
Por sorte, ela pareceu sentir isso. Inclinou-se para a frente e encostou o rosto no meu. "Tchau, Daz. Te vejo amanhã?"
Tentando não soltar um suspiro de alívio, beijei-a na bochecha. "Amanhã parece ótimo."
Foi com uma sensação de dupla felicidade que voltei para o apartamento. Felicidade por estar de volta e felicidade por Myrna querer me ver de novo. Peguei meu celular para dar uma boa olhada na foto que ela tinha enviado.
Eu estava justamente dando zoom, com uma mão me tocando distraidamente, quando uma nova mensagem apareceu. Reconheci o número como sendo de Myrna, mesmo ainda não tendo adicionado à minha lista de contatos.
Você está olhando a foto que eu mandei? Estou, para falar a verdade, respondi. Eu me sentia mais confortável trocando mensagens do que lidando com pessoas pessoalmente. Então vou te deixar sozinho por uns minutos. Divirta-se!Bem, com esse tipo de incentivo, o que mais eu podia fazer? Fui para o quarto e bati uma.
*
Passei o resto do dia compondo. Era como se meu cérebro estivesse pegando fogo. Linhas fluíam da minha mente para o papel e dali para o teclado e para o ar. Era como se eu nunca tivesse acessado a musa antes, e agora ela estava explodindo de ansiedade para escapar.
Era o começo da noite, e eu estava relaxando na sacada com uma taça de vinho quando meu celular tocou de novo. Myrna.
Você se divertiu com a foto?Mostrava Myrna -- seu rosto não estava visível, mas era o corpo dela, com as roupas que ela usava mais cedo -- com o jeans desabotoado. A mão dela estava enfiada até o pulso.
Fiquei duro na hora. Que delícia! Espero que você tenha se divertido tanto quanto eu.
Eu me divirto o quanto quero.Não havia muito o que dizer a isso, então só mandei uma carinha sorridente.
Depois de um instante, uma nova mensagem chegou. Dessa vez mostrava o rosto de Myrna, sem os óculos, sorrindo para a câmera. Ela estava usando algo lilás, com decote quadrado que exibia os montes dos seios.
Adivinha onde estou?Consegui focar no fundo. Parece um ônibus.
Esperto! Agora adivinha para onde estou indo? Isso veio com outra foto, dos joelhos e pernas nus sob o vestido lilás, com sandálias de salto alto nos pés. Aonde quer que seja, tenho certeza de que você vai ter muitos admiradores. Só um. Ele não sabe a sorte que tem.Seria aquela uma pontada de ciúmes que senti? Apertei os dentes e ignorei. Tenho certeza de que ele sabe.
Vai saber em breve. O que você acha disso? Dessa vez a foto a mostrava puxando o decote do vestido de lado para revelar um sutiã bem rendado, roxo escuro. Sexy! E era. Meu pau recuperou parte da dureza que tinha perdido um instante antes. A calcinha combina? Aguenta aí. Houve uma longa espera até a próxima foto chegar. Quando chegou, todos os pensamentos de ciúmes sumiram.Era a mesma foto dos pés de Myrna de antes, só que agora havia uma calcinha amontoada em volta dos tornozelos.
Lingerie combinando. Gostou? Amei! Você está duro? Duríssimo! Eu estava além de duro. Estava quase pronto para explodir. Fazia muito tempo que eu não batia uma na sacada. Bom. Porque estou quase chegando no seu prédio.O quê? Fiquei olhando para o celular. Myrna estava a caminho daqui? Devo ter encarado por mais tempo do que pensei, porque uma nova mensagem apareceu.
Você ficou muito quieto. Não quer me ver? Claro que eu quero! Nunca digitei uma mensagem tão rápido. Só estou surpreso, só isso.O telefone quase escorregou da minha mão, e percebi que meus dedos estavam suados. Eu estava tremendo como um adolescente prestes a beijar pela primeira vez.
Você tem uns minutos para se recompor. Estou no ponto de ônibus agora.O ponto de ônibus ficava a uns cinco minutos a pé, mesmo contando com o salto alto. Pulei da cadeira e dei uma olhada rápida para dentro. A faxineira tinha vindo de manhã, então o lugar estava limpo e arrumado. Alguns papéis espalhados onde eu estivera compondo, mas eu era vaidoso o bastante para esperar que me fizessem parecer mais interessante.
Corri para o banheiro para me refrescar, e cheguei na cozinha exatamente para limpar os restos do jantar quando o celular apitou de novo.
Qual o número do seu apartamento?Por um momento fiquei confuso -- afinal, ela estava mandando mensagem para o meu número -- antes de entender. Aperta PH
Um segundo depois, o interfone do sistema de segurança tocou, e corri para o aparelho no hall. Na tela preto e branco, vi Myrna olhando ao redor com ar tranquilo. Por hábito, escaneei o resto do saguão. Ela estava sozinha.
Apertei o botão que mandava o elevador descer e observei enquanto ela desaparecia da tela. Meu sistema de segurança me informou que alguém havia apertado o botão da cobertura.
O elevador nunca tinha demorado tanto para rastejar do saguão até o meu andar. Bem, talvez exceto aquela vez em que eu realmente precisava fazer xixi. Pareceu uma eternidade, mas de repente ouvi um baque suave e as portas se abriram, e lá estava ela.
Myrna saiu do elevador para o meu hall, tranquila, quase distante. Seus saltos estalaram nas lajotas de pedra. "A cobertura", ela disse. "Street5 deve ter sido um sucesso maior do que eu me lembrava."
Por um instante, quis corrigi-la, contar a ela sobre o dinheiro que eu ganhava como compositor. Depois só sorri. "Vivo com simplicidade."
"Dá para perceber. Uma cobertura e pagando café para mulheres estranhas. Não vai me mostrar o resto?"
Gaguejei um pedido de desculpas e fui na frente. "Posso te oferecer algo para beber? Vinho, chá, café?"
"Vinho seria ótimo." Ela parou no centro do cômodo, absorvendo tudo: a área de estar, a cozinha aberta, a sacada.
Minha taça ainda estava lá fora, mas peguei rapidamente a garrafa na geladeira e uma taça no armário. Quando me virei, Myrna tinha largado a bolsa no sofá e estava saindo para a sacada. Cada movimento parecia suave e controlado.
Parei e a admirei. O vestido lilás abraçava sua silhueta, e os saltos realçavam o formato de suas pernas e bunda. Tentei imaginar a calcinha que eu tinha visto na foto, mas ela estava amontoada e tudo que eu tinha como referência era a cor e o pouco do padrão que eu vira no sutiã.
Ela não olhou para trás quando me juntei a ela do lado de fora. Só quando eu já tinha servido o vinho na taça e colocado a garrafa na mesa é que ela me olhou de relance. Então sorriu e pegou a taça de mim. "A vista é magnífica."
"Estava justamente admirando." Fiquei orgulhoso da naturalidade com que saiu, e fui recompensado com um par de sobrancelhas erguidas.
Bebemos o vinho, e ela se virou de novo para olhar a cidade. A leve brisa brincava com seus cabelos. "Você deve se sentir no topo do mundo quando fica aqui."
"Acho que sim." Considerei acrescentar que dependia de quem estava ali comigo, mas decidi que seria meloso demais. "Tive sorte de ter minha chance com o Street5. E o sucesso foi graças a muito trabalho duro de outras pessoas também."
Myrna se virou ao ouvir aquilo e se apoiou no parapeito. O olhar em seu rosto era cético. "Você está dizendo isso para parecer modesto?"
Sorri. "No começo da carreira era discurso. Mas depois que precisei trilhar meu próprio caminho no mundo, percebi o quão pouco daquilo era mérito meu."
"Hmm." Ela bebericou o vinho e me olhou por cima da borda da taça. Pousando a taça, virou o rosto para o sol poente e fechou os olhos. "Adoraria ter uma foto disso. Você poderia fazer a gentileza de pegar meu celular na minha bolsa?"
Ela estava me dando ordens na minha própria casa. Parte de mim se ressentia, mas no geral eu estava feliz em obedecer. Uma ruiva deslumbrante no controle total. Homens melhores do que eu já se deixaram comandar.
Coloquei minha taça ao lado da dela e entrei. Sua bolsa era o que uma mulher provavelmente chamaria de clutch, perfeitamente projetada para caber um celular moderno, além de quaisquer outros tesouros que ela achasse indispensáveis.
Mesmo sob as instruções dela, parecia bisbilhotagem. Mas abri a bolsa e olhei dentro.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi renda, num tom familiar de roxo. Olhei fixamente, depois desviei o olhar para fora. Ela estava olhando para mim, com um sorriso conhecedor.
"Achou?"
Ah, sim, eu tinha achado. Peguei o celular e, em seguida, a calcinha de renda. Observando-a enquanto ela me observava, levei-a ao nariz e aspirei. O que senti era principalmente cheiro de tecido, com talvez um leve toque de couro da bolsa. Mas, por baixo, havia um aroma quente e feminino.
"É só guardar quando terminar."
A voz de Myrna me assustou, embora eu estivesse olhando diretamente para ela. Havia um leve rubor em seu pescoço. Ela sorriu e acrescentou: "Não vou precisar delas. Só do celular."
Eu quase tinha esquecido o celular na minha mão. Sorri e fiz questão de cheirar a calcinha de novo antes de amassá-la e enfiá-la na bolsa.
Minhas pernas tremiam levemente quando saí de novo para a sacada e entreguei o celular a Myrna. Saber que ela não estava usando nada por baixo do vestido -- exceto o sutiã, presumivelmente -- e, mais do que isso, saber que ela queria que eu soubesse... Bem, nem me dei ao trabalho de esconder o volume nas calças.
Ela abriu a capinha e me devolveu o celular, desbloqueado. "Faça as honras."
Justo. Eu conhecia o melhor ângulo, e seria melhor do que uma selfie, de qualquer forma. Então me posicionei e enquadrei a foto. Fiquei satisfeito ao ver que Myrna não fez uma pose exagerada, nem uma pose casual forçada. Nada de biquinho também, apenas um sorriso feliz enquanto apoiava as mãos no parapeito atrás de si e se reclinava.
Bati a foto, mas antes que eu pudesse devolver o celular, ela deixou as mãos caírem até a barra do vestido. Levantando-a levemente, até o meio das coxas, ela ergueu as sobrancelhas para mim.
Muito bem, eu podia lidar com isso. Bati outra foto, depois outra enquanto ela puxava o vestido ainda mais para cima, até ficar logo abaixo da bunda. Sua pele era lisa e pálida, e sedutora. Abaixei o celular e fiquei olhando.
"Já deve chegar." A voz dela rompeu meu devaneio de novo. Ela sorriu enquanto eu devolvia o celular. "Por enquanto, pelo menos."
Meu coração batia forte. Não era tanto a ideia de fotos picantes, mas a expectativa do que poderia vir. O que provavelmente viria.
Ela colocou o celular na mesa sem olhar as fotos. E sem fazer upload delas em lugar nenhum, o que teria matado o clima. Nada diz mais "não estou realmente neste momento" do que compartilhá-lo com todos os seus amigos e familiares.
Peguei minha taça de vinho, mas ela me deteve com a mão no meu braço. "Hoje de manhã você mencionou que gostava de mordiscar um muffin."
Minha respiração parou. Se meu coração já batia forte antes, agora parecia prestes a explodir do peito.
A pergunta devia estar clara no meu rosto, porque Myrna afastou os pés e fez um leve aceno de cabeça na direção do chão. O rubor em seu pescoço tinha se espalhado, e a frente arredondada do vestido agora estava marcada por dois mamilos nítidos.
"Aqui?"
"Nunca transei na sacada de uma cobertura." Pela primeira vez, senti algo de hesitação em sua voz. "Mesmo que seja coisa batida para você."
"Não é, não. Não ultimamente, pelo menos." Caí de joelhos -- grato por todas as horas na academia de casa -- e olhei para cima. O queixo dela estava um pouco erguido, e ela me fitava ao longo do nariz. Daqui de baixo, o rubor era evidente.
Deliberadamente desviei os olhos e os abaixei até ficar olhando bem para a frente. Lentamente, pedacinho por pedacinho, ela puxou a barra do vestido para cima, sobre as coxas. Levou uma eternidade, e eu saboreei cada segundo.
Eu estava perto o bastante para captar o mesmo leve perfume que tinha ficado em sua calcinha. Era inebriante no ar quente, tão inebriante quanto a própria Myrna. Respirei fundo, aproximando o nariz de suas coxas.
Foi então que os primeiros pelos dourados apareceram. Curtos e crespos, mais claros que os cabelos da cabeça. Um instante depois, vi seus lábios rosados, apertados um contra o outro. Cada vez mais alto subia o vestido lilás, até que todo o monte de Vênus ficou revelado e eu percebi que estava inclinado para a frente, perto o bastante para que meu nariz quase roçasse os pelos.
Olhei para cima. Myrna sorria, mas parecia haver algo de ansioso em seu rosto. Fechei os olhos e inspirei de novo, pressionando-me totalmente contra ela. O perfume estava muito mais forte agora, inebriante e feminino.
Abri a boca e estendi a língua, pressionando-a contra seus lábios. Eles se abriram ao menor toque, e eu provei de sua excitação úmida. Ela tinha um gosto tão maravilhoso quanto eu imaginara: quente e doce. Passei a língua para cima e para baixo, sentindo um leve tremor começar em suas pernas.
Ela inclinou os quadris para a frente, me dando acesso à sua entrada. Minha língua a explorou, fazendo círculos em volta, depois voltei para encontrar seu botãozinho.
Estava duro e inchado, ansioso para ser satisfeito. Toquei-o de leve com a língua, depois com mais pressão. Myrna quase se contorceu contra meu rosto. Senti uma mão pousar na minha cabeça, os dedos se enroscando em meu cabelo.
Agarrei suas coxas e pressionei meu rosto nela. Minha língua e lábios trabalharam, lambendo e chupando, procurando suas áreas sensíveis. Deslizei uma mão mais para trás e para baixo, até alcançar sua entrada com a ponta do dedo. Movendo em círculos lentos enquanto sugava seu clitóris entre os lábios, pressionei-o cada vez mais fundo.
A essa altura, sua respiração vinha em arfadas e gemidos. Aquele tremor na perna estava visivelmente mais forte, e seus dedos se apertavam em meu cabelo. Deixei meu dedo deslizar dentro dela, depois acrescentei um segundo. Ela era tão apertada que mal cabia.
Seu botão ficou ainda mais duro. Suguei-o para dentro da boca e o lambi com a língua enquanto meus dedos exploravam sua entrada. Seus gemidos e arfadas se transformaram em grunhidos, respirações trêmulas e sussurros, então, de repente, voltaram a ser arfadas, superficiais e rápidas, com uma urgência por trás. Deixei meus dedos e língua guiá-la, conduzi-la até onde ela precisava estar, combinando seus movimentos com sua respiração, e então ela tensionou, soltou um sussurrado "Nngh...!" e um grunhido, e seu corpo espasmou, de novo, e de novo, enquanto eu a assaltava implacavelmente, até que ela gemeu sem fôlego, "Para, para..." e eu diminuí o ritmo, acariciando-a e lambendo-a, apertando sua bunda com a mão, beijando seu monte e seus lábios e a pele macia e lisa da parte interna de suas coxas, ouvindo sua respiração vir em arfadas profundas e trêmulas, até que ela se estabilizou novamente e eu lhe dei um último beijo e me recostei.
Seus dedos soltaram meu cabelo. Olhei para cima. Eu sabia que tinha um sorriso orgulhoso no rosto. Durou até eu me levantar e meus joelhos gemerem em protesto. Aparentemente, todas aquelas horas na academia caseira não tinham me preparado para isso.
O cabelo de Myrna grudava em seu rosto, um vermelho mais escuro onde estava úmido de suor. O rubor havia alcançado suas bochechas e seus lábios brilhavam.
Lutando para manter meu rosto sem demonstrar minha dor, inclinei-me para ela e beijei sua bochecha. "Isso foi..." Não sabia como terminar.
"Sim." Sua voz estava ofegante. "Sim, foi." Ela virou o rosto até nossos lábios se roçarem. "Você vai me odiar para sempre se eu não retribuir o favor?"
Não respondi imediatamente. O desejo lutava com o alívio. Por um lado, meu pau estava pronto para explodir para fora das calças. Eu podia sentir o gosto da excitação dela em meus lábios, sentir seu cheiro em meu rosto. Queria agarrá-la, sentir sua pele nua sob meus dedos, enterrar meu pau dentro dela e deixar seu calor me envolver...
Mas, ao mesmo tempo, meus joelhos gritavam de protesto com a ideia. E mesmo que Myrna me jogasse na cama e fizesse todo o trabalho, eles seriam uma distração.
Além disso, eu estava gostando desse jogo lento que ela estava jogando comigo. Gostava de como ela conseguia me surpreender repetidamente. Eu me sentia vivo com desejo e antecipação.
"Parte de mim te odeia," murmurei, roçando meus lábios nos dela.
Ela sorriu. Eu podia sentir sua respiração. "Acho que posso adivinhar que parte é essa." De repente, sua mão estava esfregando minhas calças, acariciando a extensão do meu pau, me provocando através do tecido.
Um gemido escapou antes que eu pudesse evitar. Ela sorriu novamente e sua mão foi para as minhas costas. Puxando-me para perto, ela pressionou os lábios contra os meus e nos beijamos, lentamente, depois com força e rapidez, e meu corpo estava dizendo aos meus joelhos para irem se foder, isso era o que queríamos, podíamos superar a dor, tudo o que queríamos era sentir o calor dela contra nós e--
Ela se afastou, me deixando ofegante. Sua própria respiração também estava rápida e superficial. "Isso também foi bom," ela murmurou. "Vamos ter que fazer de novo amanhã."
*
Acordei cedo na manhã seguinte. Assim que terminei no banheiro, meu celular tocou. Quase deixei cair na minha ânsia, e quando vi o nome de Myrna, meu pau deu um estremecimento.
Era uma foto de uma blusa creme do que parecia ser linho, e uma saia plissada verde escura. Isso é o que vou usar hoje.
Imaginei-a vestindo aquilo. Legal!
Outra mensagem chegou. Dessa vez, a foto era de um conjunto de sutiã e calcinha dourados, renda com cetim. E isso é o que não vou usar.
Aquele estremecimento se tornou uma ereção completa.
As horas se arrastaram até a hora de ir ao café. Era outro dia lindo, e quando saí do saguão, senti o sol brilhando no meu rosto. Isso me lembrou de Myrna na minha sacada na noite anterior.
Eu estava vestido de forma sensata, com calças largas e uma camisa que descia até abaixo da bunda. Isso ajudaria a cobrir a reação que eu previa que ela provocaria em mim. Eu havia arregaçado as mangas antes de sair. Odeio ter os antebraços cobertos e, além disso, queria que Myrna me tocasse.
Antes que eu desse mais de três passos, meu celular tocou novamente. Era Myrna, claro. Olhe para a sua esquerda.
Olhei, e lá estava ela. Do outro lado da rua, perto da entrada do parque. Vestindo aquela blusa creme e a saia verde, com sandálias de salto alto e uma bolsa a tiracolo. A pele de suas pernas brilhava à luz do sol da manhã, e seu cabelo era como uma cachoeira dourada.
Assim que houve uma pausa no trânsito, atravessei correndo para me juntar a ela. Ela sorriu quando me aproximei e virou a bochecha para eu beijar.
"Sem café hoje?" perguntei. Eu queria olhar para sua blusa, para ver se ela estava realmente sem sutiã e se seus mamilos estavam aparecendo. Mas seria rude, decidi, pelo menos imediatamente. Além disso, eu estava muito feliz em olhar para o rosto dela.
"Você se importa?" Ela colocou o braço no meu e me guiou em direção ao parque. "Está bom demais para ficarmos sentados lá dentro agora."
"Eu tenho café. Poderíamos beber na minha sacada."
Pelo olhar que ela me lançou, estava claro que ela entendia o que eu estava insinuando. "Talvez mais tarde. Quem sabe, você pode ficar entediado comigo depois de terminarmos nossa caminhada. Venha, vamos para aquelas árvores."
"Você pretende ser entediante?" Agora arrisquei uma olhada. Sua blusa se movia enquanto ela andava, mas o material -- linho, como imaginei pela foto -- era grosso demais para eu ver através dele.
"Eu fui entediante até agora?"
"Nem por um segundo!"
"Fico feliz que você pense assim." Já havíamos alcançado a sombra das árvores. O caminho serpenteava e logo parecia que estávamos sozinhos. "Tem um banco ali."
"Achei que você queria andar?"
Ela encolheu os ombros. "Poderíamos fazer isso, suponho. Eu ia subir em cima de você e montar no seu pau, mas se você quiser--"
"Não!" Eu quase a arrastei para fora do caminho. "O banco é bom. Podemos andar mais tarde."
O banco ficava um pouco recuado, cercado por árvores e arbustos. Duas latas de cerveja vazias falavam de um ocupante anterior, mas, fora isso, a pequena clareira estava arrumada.
Verifiquei a madeira em busca de manchas pegajosas enquanto jogava as latas no lixo. Estava limpo, e me acomodei no banco e peguei as mãos de Myrna. Ela veio ficar na minha frente, pés afastados para que eu pudesse deslizar minhas pernas entre os dela.
Ela colocou minhas mãos em sua cintura. "Você estava ansioso por isso?"
"Ah, sim!" Meus dedos deslizaram de sua cintura até sua bunda. Era deliciosamente firme e carnuda. Eu podia sentir seu calor irradiando através do tecido da saia.
"Eu também estava." Ela tirou os óculos e os guardou na bolsa, depois a colocou cuidadosamente no banco. Com uma mão, ela enfiou por baixo da saia e fez um movimento de esfregar. Então retirou-a e estendeu dois dedos brilhantes. "Viu? Aqui, prove."
Abri a boca e os chupei. Eram minúsculos comparados aos meus próprios dedos. Muito mais frios também. Sua outra mão veio pousar na minha cabeça, como no dia anterior.
Ela tinha o mesmo gosto delicioso de antes. Lambi seus dedos até limpá-los, depois chupei as pontas e as provoquei com minha língua.
"Muito bom," ela murmurou enquanto os retirava. Sua outra mão agarrou meu cabelo. "Agora observe."
Com a mão livre, ela puxou a frente da saia e a dobrou na cintura. Sua boceta estava no nível dos meus olhos, tão linda quanto eu lembrava. Inclinei-me para inalar seu cheiro, para provar sua excitação, mas a mão em meu cabelo me conteve. "Observe."
Com as pernas bem abertas, ela se inclinou para se esfregar. Um leve som molhado alcançou meus ouvidos, então ela pressionou dois dedos dentro de si mesma. Ela os moveu para dentro e para fora, depois os retirou e acariciou seus lábios até alcançar o clitóris. Alguns círculos apertados e de volta à sua entrada.
"O que estou fazendo?"
Dei uma olhada para cima. Seus olhos estavam fixos em meu rosto. Ela não estava tendo dúvidas sobre estar ali. Ela queria me ouvir descrever suas ações.
"Você está... você está brincando consigo mesma." Estremeci quando seus dedos apertaram o aperto em meu cabelo. "Você tem dois dedos pressionando sua entrada. Só as pontas dentro. Um está saindo, o outro está entrando mais fundo."
"Uh-huh." Sua voz estava ofegante.
"Agora você está se esfregando. Seu... como você chama? Seu clitóris? Sua pérola? Seu botão?"
"Chame de meu clitóris."
"Bem, você está esfregando ele com dois dedos. Círculos, agora para cima e para baixo. Mais círculos." Me ajeitei no banco. Apesar das minhas calças largas, meu pau estava desconfortável. Estava pressionado contra a parte interna da minha perna e queria ficar ereto. Bem, ele queria estar onde os dedos de Myrna estavam, mas a coisa de ficar ereto era mais urgente.
"Tire para fora." Era suave, mas autoritário. "Tire para fora e me mostre."
Foi um pouco estranho, mas consegui desabotoar minhas calças e libertar meu pau. Havia uma grande gota de líquido claro escorrendo, e esfreguei minha cabeça até ficar lubrificada.
A respiração de Myrna estava irregular. Seus dedos esfregavam com força seu clitóris. Os pelos ao redor estavam todos pegajosos de sua excitação.
"Me agarre," ela disse. "Suas mãos na minha bunda. Aperte com os dedos."
Estendi as mãos e as deslizei pela parte de trás de sua saia. Sua bunda era maravilhosa, firme e macia e lisa. Cravei meus dedos em sua carne e fui recompensado com um gemido.
"No que estou pensando?"
Essa me pegou de surpresa. Fiquei boquiaberto por um segundo, depois arrisquei um palpite. "Você está quase lá. Você pode sentir que está chegando perto. Você está imaginando... você está se lembrando de ontem à noite, quando era minha boca ali em vez de suas mãos."
"Uh-huh." Foi um suspiro superficial. "Continue."
"Você está imaginando como será quando estiver me cavalgando." Apertei sua bunda, arrastando meus dedos sobre sua carne. "Você está ansiosa para eu apertar você. Você-- você está imaginando colocar os joelhos de cada lado das minhas pernas. E minha cabeça deslizando ao longo de suas dobras--"
"Sim!" A palavra saiu em um sussurro sibilante. Seus dedos estavam vacilando. Eu a senti tensionar em minhas mãos, quase tremendo.
"E você está imaginando ela pressionando sua entrada, e então você desce e ela força o caminho para dentro de você..."
A respiração de Myrna prendeu, e ela se curvou para frente, pressionando a mão contra seu monte. Um espasmo a fez estremecer, e outro. Olhei para cima. Seus olhos estavam firmemente fechados, mas sua boca estava aberta em um grito silencioso e mudo. Novamente ela estremeceu, e eu ergui minhas mãos para sua cintura para firmá-la quando ela começou a balançar.
Após um longo momento, ela se recuperou. Seu rosto estava vermelho e sua respiração ainda rápida e superficial. Ela sorriu, então tirou os dedos de entre as pernas e os levou à boca. Eles estavam pegajosos, e ela os lambeu limpos um por um, seus olhos nunca deixando meu rosto. Nenhum de nós falou.
Levantando as laterais da saia, ela ergueu um joelho e o colocou no banco ao meu lado, depois o outro. Seu corpo estava próximo o suficiente para que agora eu pudesse ver seus mamilos através do tecido da blusa. Inclinei-me para frente e pressionei meu rosto em seus seios, inspirando. Havia um perfume sutil nela, o mesmo bergamota e baunilha de quando estávamos no café, que ganhava vida com o calor de seu corpo.
Esse mesmo calor estava ampliado acima do meu pau. Eu a senti deslizar ao longo do meu comprimento, espalhando sua lubrificação, unindo-a à minha. De repente, ela agarrou meu rosto entre as mãos e o virou para cima em direção ao dela. Um instante depois, nossos lábios se encontraram. Seu beijo era tão faminto quanto o meu, e demos gemidos abafados contra a boca um do outro.
Minhas mãos ainda estavam em sua bunda, e eu apertei, separei suas nádegas, depois as juntei novamente. Ela respondeu com mais gemidos, então moveu seu corpo para frente até que a cabeça do meu pau estivesse posicionada contra sua entrada.
Ela se afastou do beijo. Meu rosto ainda estava entre suas mãos, um centímetro separando nossos lábios. Seus olhos estavam arregalados, sua boca aberta.
Então ela empurrou para trás lentamente, sobre minha cabeça. Eu a senti se esticando para me acomodar, senti seu calor me envolvendo.
Seus olhos se estreitaram em fendas, ainda fixos nos meus. Com a boca ainda aberta, sua língua saiu para lamber seus lábios. Ela soltou meu rosto e apoiou as mãos em meus ombros. Inclinei-me para beijá-la novamente, mas ela fez um leve movimento negativo com a cabeça. "Agora não," ela sussurrou. "Quero olhar para você."
Justo. Eu também estava gostando de olhar para ela. Ver as reações de seu corpo pintadas em seu rosto. Sentir ela tensionar e relaxar, aproveitando a pressão de seus peitos contra meu rosto cada vez que ela dava uma respiração trêmula.
Minha cabeça já estava dentro dela agora, e ela ficou parada antes de subir ligeiramente. Então pressionou para baixo novamente, e dessa vez deslizou por todo o meu comprimento. Um gemido baixo e prolongado veio do fundo de sua garganta, pontuado por arfadas, até que sua bunda estivesse em minhas coxas e eu pudesse sentir seus pelos curtos fazendo cócegas em meu estômago.
"Agora", ela disse, "agora você me beija."
Foi mais lento dessa vez, mais deliberado. Ergui meus braços para suas costas e a puxei contra mim. Seus seios eram como dois travesseiros pressionando meu peito. Nossa respiração vinha como uma só, e meus ouvidos estavam cheios de seus gemidos suaves e arfadas enquanto ela começava a cavalgar, tão cuidadosamente, tão lentamente.
Ela era apertada. Eu havia notado na noite anterior, quando mal conseguia colocar um segundo dedo dentro dela, como ela era apertada. Agora, era como se nossos corpos nunca tivessem estado separados, como se fossem um encaixe perfeito, projetados um para o outro.
Seus lábios se afastaram dos meus novamente. "Isso é gostoso," ela sussurrou.
Eu assenti. Era mesmo.
"Aqui," ela continuou, e estendeu a mão para pegar meus pulsos. "Quero suas mãos aqui." E colocando-as em sua cintura, por baixo da blusa, ela as puxou para cima até seus seios. "Aperte meus mamilos. Aperte meus peitos como você estava apertando minha bunda."
Fiquei feliz em obedecer. Seus mamilos eram grandes e entumecidos, e cada vez que eu os apertava ela soltava um suspiro e um estremecimento. Ela colocou uma mão em meu ombro e, com a outra, alcançou atrás de suas costas. Um momento depois, senti seus dedos entre minhas coxas, em minhas bolas, traçando sua entrada enquanto meu pau entrava e saía.
Então seu dedo desapareceu. Um momento depois, senti uma leve pressão na parte de baixo do meu pau e percebi que ela estava explorando seu cuzinho. Para dentro e para fora, para dentro e para fora, combinando com o ritmo da nossa foda.
Apertei seus mamilos novamente, puxando-os. Ela jogou a cabeça para trás, arqueando o corpo em minha direção. Seus gemidos enchiam a pequena clareira, misturados com meus grunhidos e arfadas enquanto eu tentava manter meu corpo sob controle.
Meu clímax se aproximava. Não eram apenas as sensações físicas -- seu calor apertado deslizando para cima e para baixo no meu pau, a provocação de seu dedo através da membrana que o separava do meu membro, a firmeza carnuda de seus seios em minhas mãos -- ou mesmo a proximidade de nossos corpos. Era também a ideia dessa mulher linda tendo tanto prazer consigo mesma e comigo, se satisfazendo ao máximo e não se deixando inibir.
"Não tenho... certeza... de quanto tempo... quanto tempo eu aguento," murmurei.
Ela não me olhou. "Goze para mim. Goze para mim!"
Isso foi o suficiente. A faísca surgiu dentro de mim, e eu a mantive sob controle até que queimasse como uma chama branca. Meu corpo tremeu com o esforço, com a antecipação do que estava prestes a vir, e minha cabeça inchou como se fosse explodir.
Myrna se endireitou e colocou ambas as mãos no banco ao lado da minha cabeça. Seus olhos encararam os meus novamente enquanto ela se levantava de mim, depois se abaixava novamente deliberadamente. Então para cima, e para baixo, um pouco mais rápido dessa vez.
Soltei os peitos dela e apertei a bunda com as mãos. Levantei-a, guiei-a para baixo. Para cima e para baixo, para cima e para baixo. Mais rápido, mais rápido, o tempo todo moldando o fogo que crescia dentro de mim, até que eu pudesse senti-lo em cada célula do meu corpo, lutando para escapar, martelando contra minhas pálpebras e minha vontade, e então não consegui mais segurar e ele explodiu livre, inchando meu pau e jorrando para se libertar numa explosão avassaladora, e outra, e outra, e Myrna soltou um grito sufocado e eu senti dentes afiados no meu pescoço, e as mãos dela estavam nas minhas costas, me arranhando, me apertando contra ela, e houve outra explosão de fogo branco, só que um pouco menor dessa vez, e ainda menor na próxima, e eu pude respirar de novo e me dei conta do mundo além do meu próprio corpo, mesmo com o rosto enfiado no peito de Myrna e os olhos fechados, e tudo o que eu queria era me agarrar a ela e respirar o cheiro de bergamota e baunilha e sentir o calor do seu corpo.
Os únicos sons eram nossa respiração, e em algum lugar o canto de um pássaro, e nos meus ouvidos o martelar do meu sangue. Inclinei a cabeça de leve até que meus lábios estivessem no pescoço dela, e a beijei e ela soltou um murmúrio de apreciação.
"Acho que eu te mordi."
Lembrei da dor súbita que tinha sentido. "Tudo bem. Tenho certeza de que você teve um bom motivo."
Ela bufou, depois se empurrou para ficar ereta e me olhar. "Não podemos ficar aqui. Mais cedo ou mais tarde alguém vai querer usar esse banco."
"Egoístas de merda." Minhas mãos ainda estavam debaixo da bunda dela, então eu apertei. Ela realmente tinha uma bunda bonita.
"Não faça isso. Não a menos que esteja preparado para recomeçar."
Meu pau deu um tremor com o pensamento, depois se acalmou. "Me dá uma hora."
"Não vou ficar assim enquanto você se recupera." Ela passou a perna por cima de mim e se levantou. "Me passa minha bolsa, pode ser?"
Eu passei. "Você não precisa me pagar, sabe."
Ela mostrou a língua enquanto abria a bolsa e fuçava dentro. Um instante depois puxou algo cintilante e dourado. A calcinha de cetim e renda da foto que ela tinha me mandado.
Ela me devolveu a bolsa e eu observei enquanto ela a vestia, apoiando uma mão no meu ombro enquanto erguia primeiro um pé, depois o outro, depois me soltou para puxar a calcinha pelas pernas. Alguns rebolados, e quando tudo estava no lugar ela puxou a barra da saia de dentro do cós e deixou cair livre.
Os peitos dela balançaram na blusa, mas eu percebi que o show tinha acabado. Guardando meu pau de volta nas calças, me levantei e peguei a mão dela. "Vamos fazer aquela caminhada agora, ou suas pernas estão tão bambas quanto as minhas?"
Ela sorriu e acariciou meus dedos com os dela. "Que tal eu te pagar um almoço mais cedo? Acho que já é hora de a gente se conhecer." Ela encostou a cabeça no meu ombro e acrescentou: "Algo leve, no entanto. Ainda temos uma tarde inteira pela frente."