Contos eróticos para ler inteiros.

Coroas

Anseios do Passado

marcleide.0247 min

Sr. Evans? Mal Evans?

A jovem na minha soleira me olhou expectante. Ela era familiar, de uma forma ligeiramente perturbadora. Algo nos olhos, na postura, na caixa de sapatos que carregava; ela era como um sonho quase esquecido, daqueles que deixam uma nuvem sobre o resto do dia ao acordar.

Ninguém me chama de Mal há muito tempo.

A mulher — na verdade, pouco mais que uma garota — era bonita demais para ser facilmente esquecida, com certeza. Não era minha aluna. Alguém do campus? Talvez, mas eu não achava. Velha demais para ser amiga dos meus filhos. Jovem demais para ser colega de trabalho da Sue. E nada disso parecia certo. Ela vinha de algum outro lugar do passado.

Me desculpe, senhor. Mas... — A tampa saiu da caixa e uma enxurrada de memórias me invadiu. — Era esse o nome em todas as cartas que você escreveu para minha mãe.

Meu coração disparou. — Julia. Você é... filha da Julia e do Trevor... — Engoli em seco. — Você é filha deles.

Sim, senhor. Luisa White. — Ela estendeu a mão e eu a apertei.

Murmurei distraidamente: — Nome da avó.

O rosto dela se iluminou, um sorriso largo aparecendo. O sorriso da Julia. Os olhos escuros e profundos da Julia. Ela era alta como o pai, só um pouco mais baixa que eu, mas não desengonçada como ele; herdara as curvas da mãe também. A pele era um lindo tom de café com leite, um meio-termo entre Trevor e Julia.

Isso mesmo!

Assenti, tentando ganhar tempo. — Eu sabia que era esse o nome que ela planejava, mas... — Então as perguntas borbulharam à tona, rápidas demais para ela responder. — Espera, por que... Eu não falo com eles há anos. Por que você está aqui? Como me encontrou? Por que está com essas cartas?

A boca da Luisa abriu e fechou algumas vezes, provavelmente tentando decidir qual pergunta responder primeiro. — Eu queria fazer umas perguntas, senhor.

David. — Malcolm era meu nome do meio; eu não atendia por Mal há mais de 20 anos.

David. As cartas são o motivo de eu estar aqui, o... o motivo de eu precisar te encontrar. Não sei como você se encaixa no passado dos meus pais; na verdade, não sei muito sobre o passado deles, mas só percebi isso recentemente. E eu queria descobrir mais. Mais sobre eles, e... e sobre o homem que escreveu essas cartas para minha mãe.

Quanto ao como, isso... Levou um tempo. E foi tanto sorte quanto qualquer outra coisa eu finalmente ter te encontrado. Isso é... — Ela balançou a cabeça. — Eu não sou... juro que não sou uma stalker maluca. Mas quando encontrei isso entre as coisas da minha mãe, fiquei com tantas perguntas, e precisava de respostas.

Por que você não pergunta diretamente a ela?

O rosto dela caiu. — Não posso.

Não pode ou não quer?

Ela suspirou. — Não posso. Meus pais, eles... — Luisa olhou para o horizonte. — Houve um incêndio. E eles, hã...

Fiquei surpreso com uma dor que nunca imaginei que sentiria de novo. Eu os tinha perdido pela segunda vez. Nunca pensei que doeria assim, nunca pensei que conseguiria sentir esse tipo de perda pelos dois como sentira antes. Era uma dor abafada, mas estava lá; isso me deixou, talvez, mais triste do que a notícia de que eles tinham partido.

Ah, Deus. Sinto muito, Luisa.

Ela me deu um sorriso pequeno e grato. — Obrigada. Já faz uns dois anos, mas... — Balançou a cabeça. — Enfim. Não posso perguntar a eles. Não posso perguntar a ninguém. Meus avós já se foram todos, mamãe e papai não tinham irmãos, e... — Deu de ombros. — Acho que você é a única pessoa que pode me contar o que eles não contaram.

Uma parte de mim queria contar tudo, responder todas as perguntas dela. Outra parte queria deixar o passado enterrado. Mais outra sabia que havia um bom motivo para eles esconderem coisas dela, e achava que talvez eu devesse isso a eles; mas então uma outra parte, mais sombria, quase esquecida, rosnou que eu não devia porra nenhuma a eles. Mas mesmo que não devesse, o que eu devia a mim mesmo?

Mas aí o olhar esperançoso, tão parecido com o da Julia, decidiu por mim. — Por que você não entra?

Ela se sentou à mesa da cozinha. — Quer beber alguma coisa? Água? Refri? — Fiz um cálculo rápido. — Cerveja?

Água, por favor.

Se não fosse fim de tarde, eu teria optado pela cerveja, mas em vez disso coloquei um copo de água na frente de nós dois. Sentamos e bebemos por alguns instantes, até que o silêncio passou de desconfortável a sufocante. — Você tem certeza de que quer saber? Ou é só curiosidade ociosa?

Preciso saber a essa altura. Olha, eu... Sei que isso é estranho. E sei que é muita coisa para jogar em você de uma vez. Me desculpa aparecer de surpresa na sua casa, mas não consegui achar seu telefone residencial em lugar nenhum, e imaginei que isso era... bem, o tipo de coisa que deveria ser feita pessoalmente e não no trabalho.

Ela tomou um gole. — Antes de mamãe e papai morrerem, eles me contaram como se conheceram, a vida que tinham antes de nos mudarmos para Miami, tudo. E eu sei... ou pelo menos acho... Depois do incêndio, tentei juntar as peças por dois anos, mas nunca tive sorte, e agora percebo que pelo menos parte do que me contaram era mentira.

Essas cartas foram a primeira pista disso, e fizeram algumas lembranças antigas se encaixarem. Umas fotos de vocês três em caixas que achei no depósito. O fato de meu pai e meu avô terem brigado e ninguém querer me contar o motivo. O jeito como minha avó desconversava toda vez que eu perguntava sobre o tempo de mamãe e papai antes de Miami.

No fim, desisti; era beco sem saída atrás de beco sem saída, e eu precisava parar de me obcecar. Quando o incêndio aconteceu, eu estava no terceiro ano da faculdade, e tirei aquele ano de folga para lidar com tudo, o que me levou a esvaziar o depósito da minha mãe, o que levou a... — Ela fez um gesto para a caixa de sapatos. — E aí mergulhei de cabeça nessa busca pelo resto daquele ano, tentando descobrir qualquer coisa, mas ninguém conseguia me dar respostas. Então voltei para a faculdade, terminei o bacharelado e me inscrevi para um mestrado.

Assenti lentamente. — Como você acabou me encontrando, então?

Luisa deu uma risadinha autodepreciativa. — Pura sorte de principiante. Eu queria saber mais sobre a universidade que tinha me aceitado para o mestrado. Entrei no site, percorri as páginas dos vários professores, e...

... E achou uma foto minha.

Ela apontou um dedo. — Bingo. Eu, hã, não quero ser leviana, mas você envelheceu muito bem. Reconheci quase na hora; quer dizer, o fato de seu nome do meio estar lá também ajudou. — A linda jovem sorriu com tristeza e baixou o olhar. — Antes de achar sua foto no site da faculdade, eu sinceramente... eu sinceramente achei que você pudesse ser meu pai. Isso, pelo menos, faria sentido. O segredo, quero dizer. Essas cartas são... bem, são realmente alguma coisa.

Fiz uma careta de leve. — Você as leu?

Hã, eu passei os olhos em partes, mas sim. Você claramente, claramente amava a mamãe. Pelo jeito que ela estava com você nas fotos que achei, era recíproco. E as datas... Não batem com as histórias que meus pais contavam sobre o passado deles.

Uma respiração profunda me deu um tempinho para organizar os pensamentos. — Por que você não me conta o que sabe, ou pelo menos o que acredita, e aí continuamos daí? Não preciso de um relato detalhado, mas, por exemplo, eu não sabia que Trevor e Julia tinham se mudado para Miami. Então que tal uma sinopse rápida do seu passado, e do deles, como você entende?

Acho que... — Ela mordeu o lábio. — Vejamos. O que me contaram é que se conheceram no ensino médio numa cidadezinha do Texas. Os dois tinham se mudado para lá com os pais; minha avó ia dar aula de espanhol na escola, e meu avô tinha um emprego de escritório. Nunca ficou muito claro. Ficaram amigos e depois algo mais, acabaram se mudando para Austin para estudar na UT juntos.

Aí me tiveram sem planejar, se casaram e se mudaram para Miami, onde estava o resto da família dela. Mamãe queria que eu crescesse perto dos meus primos. Vovó acabou voltando para lá também. Fui filha única, mas eles pareciam um casal feliz. Eram bons pais. Mamãe era professora, papai era programador. Não parecia haver nenhum segredo obscuro nem nada.

Ela deu de ombros. — Aí fui para a faculdade, estava indo bem, o incêndio aconteceu e descobri que... bem, que no mínimo, mamãe estava apaixonada por outra pessoa durante boa parte do tempo em que supostamente estava com meu pai. Se eu fiz as contas direito, você começou a mandar essas cartas para ela no último ano do ensino médio, e elas não pararam até quase o fim do segundo ano de faculdade dela. Vocês estavam noivos. E aí as cartas terminam.

Luisa coçou a nuca. — Isso não seria tão estranho, mas há fotos de vocês três depois dessa época juntos. Eu tinha pensado que talvez mamãe tivesse terminado as coisas e você foi embora, mas isso não combinaria com as fotos. Você, mamãe e papai pareciam unha e carne em todas elas até o último ano da UT. Então tinha que ser outra coisa, mas não consegui descobrir o quê.

Ela tinha a maior parte das informações, mas não o suficiente para juntar tudo. Luisa claramente amava os pais; talvez fosse melhor para ela não descobrir. Mas eu percebia que ela ia continuar cavando.

Olhei para o relógio na parede, então assenti para mim mesmo. — Certo, posso te contar mais sobre isso depois, mas tenho que ir buscar meus filhos na escola. Por que você não vem jantar com a gente? — Minha vida de estudante não tinha sido exatamente uma sucessão de banquetes; pela expressão no rosto dela, aquela que tentava equilibrar decoro, o desejo de não incomodar a pessoa que tinha a informação que ela queria e a vontade de algo além de miojo e burritos congelados, ela estava no mesmo barco.

Não quero abusar.

Estou oferecendo. Não é abuso. Faça a minha vontade; nos faria bem uma companhia extra, e talvez eles se divirtam com a ideia de que o velho pai deles realmente tem um passado.

Sua esposa não vai se importar?

Ela percebeu, quase imediatamente, que pisara em uma mina terrestre, mas era uma tão antiga que não houve explosão. — A Sue está... Temo que ela não esteja mais entre nós. Ela era médica de emergência. Os protocolos de EPI não eram lá grande coisa no começo da pandemia, e, bem, ela sofria de asma. Não sabiam o quanto isso podia ser perigoso naquela época. — Dei a ela um sorriso tranquilizador. — Tudo bem. Você não tinha como saber.

Mesmo assim, sinto muito.

Obrigado. — Balançando a cabeça, continuei. — Enfim. Você seria bem-vinda para jantar conosco, e depois podemos conversar um pouco mais. A menos que você tenha algum lugar para estar?

Luisa concordou, e nos enfiamos no meu carro. Meus filhos tiveram reações bem diferentes a ela. Dana, minha filha de doze anos, mostrou-se quase desinteressada; ela estava naquela fase de pré-adolescente em que começava a se encontrar, ou pelo menos tentava, e a indiferença fria era seu modo padrão. Lewis, por outro lado, tinha quatorze anos e estava a mil com os hormônios, e Luisa era uma jovem lindíssima. Ele ficou pendurado em cada palavra dela.

Enquanto nos sentávamos no restaurante e comíamos, conversando sobre nada em particular, fiquei impressionado com o quanto Luisa era notável. Não digo pela beleza; ela era uma mulher muito inteligente e culta. A graduação dela era em bioquímica, mas também amava literatura, a minha área.

Ela também era gentil. Meu filho estava caidinho por ela, e em vez de ignorá-lo ou provocá-lo, ela conversava com ele como se fosse quase um colega; não de um jeito que o fizesse pensar que tinha alguma chance com ela, mas ainda assim o suficiente para que ele se sentisse bem consigo mesmo em vez de envergonhado.

Como esperado, os garotos realmente acharam graça na ideia de que o pai tinha um passado; eu nunca tinha conversado com eles sobre isso, por motivos parecidos, embora não exatamente os mesmos, pelos quais os pais da Luisa não tinham discutido o deles com ela. Na janta, fiz alusão à minha amizade com os pais dela, mas nada além disso.

Depois que terminamos e voltamos para casa, despachei as crianças para fazerem o dever de casa e se aprontarem para dormir. Luisa e eu nos sentamos no sofá juntos para conversar com semiprivacidade. — Eles são ótimos garotos.

Obrigado. Tenho muito orgulho deles. Eles... bem, os últimos anos têm sido difíceis, mas eles realmente se recuperaram. Melhor do que eu, provavelmente. — Ela sorriu com simpatia. — Luisa, quero te perguntar uma coisa.

Sim?

Se houvesse um segredo sobre a minha esposa que mudasse a forma como eles a veriam, você acha que eu deveria contar a eles? Não agora, mas talvez quando estivessem na faculdade?

O rosto da Luisa mostrou que ela entendeu imediatamente o que eu estava dizendo, mas entrou no jogo. — Acho que dependeria. Se fosse algo bom, sim, com certeza. Neutro? Talvez. Provavelmente. Mas ruim... — Ela suspirou. — Acho que dependeria muito de quão ruim fosse. Mas a situação deles é diferente da minha.

É?

Se esse segredo hipotético existisse, eles ainda não têm a menor pista dele. Eu tenho. Eu só tenho metade da história, e não consigo acreditar que as coisas que imaginei sejam piores do que a verdade.

Respirei fundo. — Vou dizer o seguinte por enquanto: o que posso te contar vai mudar a forma como você vê os seus pais. Se eu só tivesse te conhecido e soubesse que você era filha deles, se você não tivesse essa caixa de sapatos cheia de cartas, eu nunca, jamais te contaria. Vai significar uma mudança desse tamanho na maneira como você olha para eles. Juro a você.

Luisa pareceu surpresa. Ela tinha imaginado algo grande, eu acho, mas não tão grande quanto o que eu estava sugerindo. Antes que pudesse falar, continuei, em voz baixa. — Você ama seus pais; dá para perceber. Tenho certeza de que você tinha suas diferenças com eles, como todo filho. Mas quero que você durma sobre isto: não consigo acreditar que eles mesmos teriam te contado isso. Se você realmente precisa saber, eu conto. Mas você tem que decidir se é uma necessidade de verdade ou só uma curiosidade que você levou longe demais. Porque não dá para desouvir o que eu disser, Luisa.

Ela assentiu solenemente. — Certo. Estou ouvindo. Vou pensar, pensar de verdade. Hã... como devo entrar em contato depois que tomar minha decisão? — Trocamos números de celular antes de ela ir embora; não precisei esperar muito para ela ligar.

Alguns dias depois, estávamos sentados do lado de fora de um café perto do campus. Havia uma vozinha no fundo da minha cabeça fazendo tut-tut; ela era aluna e eu era professor, e certas deduções incorretas poderiam ser tiradas se alguém estivesse inclinado a isso. Mas ela não era minha aluna. Eu nunca tinha dado aula para ela. Eu não teria impacto direto nenhum na carreira acadêmica dela; não havia regras éticas sendo violadas, mesmo que fôssemos algo mais do que um simples par de conhecidos sentados para conversar.

Obrigada por vir, David. Eu... pensei muito sobre o que você disse. E a verdade é que estou preocupada com o que posso descobrir, mas realmente preciso saber. Isso vai me corroer até eu saber.

Assenti. — Certo. Vamos começar do começo, então. Seus pais te contaram algumas meias verdades e algumas falsidades descaradas. Sim, sua mãe e seu pai se conheceram no segundo ano do ensino médio quando se mudaram para uma cidadezinha no Texas. O que eles omitiram foi que eu me mudei para lá no mesmo ano. Nós três nos unimos pelo fato de sermos todos forasteiros; Trev era de Nova York, Julia era de Miami, e eu era de Los Angeles. Minha mãe se mudou para ficar perto de parentes; meu pai tinha nos abandonado, e ela precisava de um lugar para ficar, então fomos parar nessa cidadezinha de fim de mundo.

Não era lá grande coisa para basear uma amizade, mas funcionou. Trevor foi o melhor amigo que eu tive até então no fim do nosso segundo ano. Eu sabia que ele estava interessado na Julia, mas eu também estava. E o Trev, bem... ele era quieto e humilde, enquanto eu era o oposto. — Dei uma risada. — Eu tinha uma pose de 'rebelde sem noção' naquela época, e sua mãe foi atraída por isso.

Ela e eu começamos a namorar no terceiro ano. Trev aceitou numa boa e saía com outras garotas. Nós fizemos um pacto de que íamos sair juntos daquele buraco de cidade, e saímos, indo para a UT em Austin, como seus pais te contaram.

As cartas eram... eu as escrevia para sua mãe porque um dos poucos interesses que tínhamos em comum era escrever. No colégio, a gente trocava cartas toda hora. Na faculdade, a UT tinha uma regra na época de que você precisava morar em casa ou no dormitório nos dois primeiros anos; continuei escrevendo cartas pelo mesmo motivo, para termos algo um do outro enquanto não podíamos estar juntos.

Não há mais cartas depois do segundo ano dela porque então fomos morar juntos. Estávamos noivos, como você disse. E nos casamos no verão entre o terceiro e o quarto ano."

Os olhos de Luisa se arregalaram. "O quê?!"

Assenti solenemente. "Fomos casados por três anos. Seu pai ainda era nosso amigo, claro, mas ele meio que se afastou durante aquele período. Não totalmente, quer dizer; ainda era meu melhor amigo, e provavelmente o de Julia também. Ele foi o padrinho do nosso casamento. Mas éramos recém-casados, e ele ainda tentava encontrar alguém, e sei que se sentia meio como um estranho no ninho.

Quando nos formamos, tínhamos decisões a tomar. O sonho de Julia era ser professora; eu queria terminar o mestrado e depois fazer doutorado, mas isso não parecia estar nos planos. Tinha prometido a mim mesmo que não seria como meu pai, um vagabundo que não cuidava da família. Então peguei meu diploma em Letras e fui trabalhar escrevendo anúncios publicitários. Não gostava do trabalho, mas pagava bem.

Escrevi umas coisas boas, e meus chefes pediram para eu viajar como parte da equipe que fazia propostas para novos clientes. Significava mais dinheiro, o que era ótimo; Julia e eu queríamos filhos, e decidimos que, com ela finalmente conseguindo um emprego estável de professora e eu ganhando mais, estávamos em condições de ela parar com a pílula. E ela parou."

Respirei fundo e soltei o ar devagar. "Quando você disse que achava que podia ser minha filha, bem... para falar a verdade, você deveria ter sido."

Ela levou a mão à boca. "Mamãe e o P-Papai, eles...?"

"Eu estava fora da cidade a trabalho. Não acho... Eles me contaram, e eu acreditei, que aconteceu uma vez e só uma vez. Ele tinha vindo nos visitar, eu não estava lá, e decidiram passar um tempo juntos, só os dois, o que não faziam havia um tempo. Trevor tinha terminado com a namorada, os hormônios de Julia estavam descontrolados por parar com a pílula, ficaram bêbados e chapados e..." Dei de ombros.

Lágrimas começavam a se formar nos olhos de Luisa. Eu sentia por ela, e sabia que só ia piorar. "Quer fazer uma pausa?" Ela balançou a cabeça com veemência, 'Não'.

Tomei um gole do meu café. Não contava a história havia anos. Esperava que doesse mais, como antes, mas eu sentia mais por Luisa. "Eles não tinham planejado me contar. Foi um erro, eles se arrependeram, e decidiram mutuamente que saber só me machucaria. Julia estava... ela tentou compensar quando cheguei em casa. É só o que vou dizer. Trevor me evitava, e quando eu o via, dava para perceber que algo estava errado. Não sei se eles teriam conseguido manter o fingimento, mas então a situação deles foi forçada. Julia estava grávida.

Ela esperou para me contar até poder falar com Trevor, e eles me contaram juntos. Eu nem suspeitava que ela estava grávida antes de descobrir a traição deles. Eu..." Meu olhar caiu para as mãos apoiadas na mesa. "Vou ser honesto, fiquei furioso. Ataquei seu pai. Mas ele não revidou, só manteve os braços erguidos e tentou não se machucar muito. Parei quando ele estava no chão, frustrado por ele não me dar a satisfação de uma briga de verdade. Julia só gritava para eu parar. Saí e fiquei tão bêbado quanto nunca fiquei por... bem, por vários dias."

Lágrimas agora escorriam pelo rosto de Luisa. Eu a via tentando formar perguntas, mas apenas continuei; ela saberia tudo em breve.

"Acho que Julia tinha esperança de que, me contando assim, sem me surpreender no fim da gravidez se o filho fosse de Trevor, eu a perdoaria. Eu... talvez pudesse ter perdoado, se o bebê... se você fosse minha. As pessoas cometem erros. Eu poderia ter aceitado e tentado superar." Ri com amargura. "Ou talvez não pudesse; eu estava tão furioso com ela. E, para ser justo, estávamos casados havia só três anos. Mas, como eu disse, queria ser o bom pai que meu pai não foi, então gosto de pensar que poderia.

No entanto, eu disse a ela que de jeito nenhum criaria o filho de outro homem, que era resultado de infidelidade, especialmente um que... bem, que claramente não era meu. Isso foi antes de poder fazer teste de paternidade com exame de sangue durante a gravidez, e nenhum de nós queria arriscar a vida de uma criança com um teste intrauterino.

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