Contos eróticos para ler inteiros.

Coroas

A Árvore

Kayane19 min

Madeline estava sentada em uma cadeira junto à janela do quarto do segundo andar que fora seu quando criança. Quase pegara no sono quando a motosserra rugiu outra vez. Madeline abriu os olhos e franziu a testa. Como podia dormir enquanto aqueles homens lá fora cortavam sua vida em pedaços de sessenta centímetros e os empilhavam na caminhonete?

Ela balançou a cabeça. Era a idade que fazia isso.

A árvore era sua vida, bem, pelo menos boa parte dela girara em torno dela. Seu avô arrancara aquela muda da floresta em sua fazenda no dia seguinte ao nascimento dela e a plantara ao lado da casa. Era fina e flexível na época, só um pouco mais grossa que um cabo de vassoura. Quando o vento soprava, a árvore cedia à rajada e sacudia um pouco, mas se endireitava assim que o vento parava seu ataque.

Ela se curvou um pouco quando Madeline e suas amigas enrolaram fitas no tronco para dançar ao redor do mastro. Ela tinha seis anos. Madeline achou estranho lembrar de algo assim quando, naquela manhã, não conseguira se lembrar onde pusera suas pantufas.

Sim, naquele tempo nada parecia capaz de prejudicar aquela árvore. Durante todo o tempo em que cresceu, continuou assim, apenas se curvando um pouco enquanto o vento arrancava algumas folhas da copa de galhos, e depois se erguendo de novo, tão alta como sempre. Era como se a árvore risse do vento, risse da força que sabia que jamais a derrotaria. Ela também fora assim naquela época.

Madeline olhou pela janela e viu o galho que quase alcançava a vidraça tremer, depois começar lentamente a cair. Ganhou velocidade, e então um estalo ecoou no ar quando se partiu do tronco principal e caiu ao chão. Madeline sentiu o estalo como se fosse um de seus próprios ossos se quebrando. Aquele galho fora o caminho que ela usava para sair escondida do quarto e encontrar Jack no verão em que ambos completaram dezoito anos e terminaram o colégio.

Jack jogava uma pedrinha na janela para avisar que estava ali. Madeline abria a janela e saía com cuidado para aquele mesmo galho. Segurando-se no galho de cima, ia até o tronco e então descia. Naquele tempo, parecia fácil, mas, então, naquele tempo ela era forte, assim como o tronco da árvore se tornara ao longo dos anos.

Ela se encontrava com Jack embaixo daquela árvore e passavam uma ou duas horas juntos antes que Madeline subisse de volta, se esgueirasse pelo galho e entrasse no quarto. Em agosto, ele nem precisava mais tentar beijá-la. Assim que seus pés tocavam o chão, Madeline jogava os braços ao redor do pescoço dele e o beijava até que um dos dois tivesse que parar para respirar.

Jack sempre tentava tocá-la, e depois de semanas resistindo quando na verdade não queria, ela deixou que ele enfiasse a mão por baixo da blusa. Foi ali, debaixo daquela mesma árvore, que Jack apalpou seu seio por cima do sutiã pela primeira vez.

Jack ficara tão feliz ao sentir seu seio pequeno. Madeline sentira algo mais além da mão dele. Sentira um formigamento profundo dentro do corpo, o formigamento sobre o qual sua mãe a alertara. Madeline sabia que devia impedir Jack, mas não conseguia. Tudo o que podia fazer era beijá-lo novamente e deixar que os arrepios do beijo se juntassem às sensações de seu seio e explodissem juntos em sua barriga.

Numa noite de outubro, a mãe de Madeline bateu na porta de seu quarto. Conversaram por um tempo sobre o que Madeline faria agora. Então sua mãe sorriu.

"Arranjei uma chave para você não precisar mais subir e descer daquela árvore toda noite. Umas duas vezes tive medo que você caísse. Se tentar depois que nevar, você vai cair."

A boca de Madeline se abriu.

"Você sabia e não tentou me impedir?"

A mãe tocou sua mão.

"Maddy, eu já tive sua idade e me lembro como é. Você me prometeu que não faria nada de que depois se arrependesse. Eu cheguei a vigiar você e Jack algumas vezes, e você não deixou ele fazer nada que eu não deixei seu pai fazer antes de casarmos. Sabia que podia confiar em você, então não fiz nada.

"Agora que é adulta, sei que não posso impedir você de fazer o que quer, e sei o que você quer fazer. Só peço que seja fiel a si mesma e, se decidir dormir com Jack, tenha certeza de que é o que realmente quer e que não acabe grávida antes de casar."

Outro estalo agudo arrancou Madeline do devaneio enquanto mais um galho caía ao chão. Os homens esperaram até que os galhos perdessem todas as folhas e a árvore fosse agora apenas o esqueleto retorcido do que um dia fora uma copa espessa e sombreada, mais alta que a casa. Enquanto os homens cortavam um galho retorcido atrás do outro, era como se estivessem decepando seus próprios dedos nodosos. A idade fazia isso tanto com árvores quanto com pessoas, refletiu, deformava o que antes era forte e reto em retorcido e fraco.

Quando tinha dezenove anos e Jack fora convocado, ela não pensara em envelhecer. Tudo em que pensava todos os dias na fábrica de guerra e todas as noites antes de adormecer era Jack, se ele estava bem e se voltaria para casa. Os dias não passavam rápido o bastante. Agora, parecia que tinham acabado de ter Natal e já estava chegando de novo. Não devia ser assim, pensou Madeline. Quando se é jovem e se tem tudo pela frente, os dias deviam passar rápido. Quando se é velho, deviam desacelerar e dar mais tempo para viver.

Na noite antes de ele embarcar no trem, ela dissera a Jack que queria que ele a fizesse mulher, mas Jack acariciou seu rosto e sorriu.

"Maddy, nenhum de nós sabe como isso vai terminar. Não quero tirar isso de você quando posso não conseguir voltar para casa e casar com você."

Madeline o abraçou forte por muito tempo naquela noite, e na manhã seguinte, ela correu pela plataforma da estação ao lado da janela do trem em que Jack se debruçava até a plataforma acabar. Enquanto o trem se afastava da cidade, Madeline se virou com lágrimas nos olhos e então dirigiu de volta para casa.

Toda noite, quando estava quente e claro o bastante, ela se sentava numa cadeira de jardim debaixo daquela árvore e escrevia cartas para Jack. Se estivesse claro o suficiente, passava os dedos sobre o coração com "Jack + Maddy" dentro que Jack gravara no tronco com seu canivete. Lembrava-se daquela noite, sorria e então começava a escrever como tinha sido seu dia. Terminava cada carta com "Até você me beijar debaixo da árvore outra vez, Com amor, Maddy". Ela lia as cartas de Jack debaixo daquela árvore todo domingo. Ele não tinha tempo de escrever com mais frequência, e Madeline sempre esperava até domingo para poder ler a carta dele mais de uma vez antes de precisar fazer outra coisa.

Quando esfriava, ela se sentava em seu quarto para ler as cartas dele e escrever para ele. Não era o mesmo que sentar debaixo da árvore onde ele a beijara pela primeira vez, mas podia olhar pela janela e ver os galhos, nus e às vezes com linhas brancas de neve, e recordar.

Quatro anos levaram uma eternidade para terminar, mas Jack voltou para casa. Ela o encontrou na estação, e quando ele desceu do trem, Madeline o cobriu de beijos e molhou o ombro de seu uniforme com suas lágrimas. Duas semanas depois, quando Jack encontrou um emprego, ele a pediu em casamento enquanto ela estava sentada na mesma cadeira de jardim onde escrevera todas as suas cartas. Tiveram uma lua de mel curta num hotel a alguns quilômetros dali, e foi naquele quarto de hotel que Madeline finalmente se entregou a Jack.

Madeline sorriu quando as motosserras pararam enquanto os homens carregavam os galhos menores na caminhonete. Olhando para trás, era engraçado, aquela primeira noite juntos como marido e mulher. Nenhum dos dois sabia direito o que estava fazendo. Jack simplesmente tentava algo e então perguntava a Madeline se era bom. A maior parte do que ele fazia era bom, bom o bastante para que Madeline estivesse ansiosa para que ele se ajoelhasse entre suas coxas erguidas e fizesse aquela primeira estocada que poria fim à menina e daria início à mulher.

Ela soltou um gritinho quando aquilo aconteceu, e teve lágrimas nos olhos pelos poucos momentos que Jack levou para gemer e estocar rápido e fundo. Ela ficara dolorida depois, e Jack dissera que podia esperar, já que tinham toda a eternidade pela frente.

Na segunda vez, Madeline ficou tensa quando Jack se ajoelhou entre suas pernas. Ele foi tão gentil que ela mal sentiu o primeiro empurrão. Sentiu o segundo, relaxou e se deixou abrir, e quando aquilo não doeu, seus quadris se ergueram sozinhos. Madeline não se lembrava de muito mais sobre aquela segunda vez, exceto do final. Ele veio com uma tensão que aumentou, depois a fez arquear as costas, e então a levou para longe de tudo enquanto ondas de prazer agonizante a percorriam. Ela ainda sentia aquelas ondas quando Jack gemeu e então desabou sobre ela.

As motosserras começaram seu ranger e rugido estridente novamente enquanto Madeline olhava ao redor do quarto onde ela e Jack passaram os primeiros anos de casamento. Não mudara muito, exceto por uma cama nova e papel de parede novo.

O pai de Madeline falecera durante a guerra, então ela e Jack se mudaram para o antigo quarto dela na casa da mãe. Madeline não se importava. Sua mãe tivera Madeline tarde na vida e estava envelhecendo. Precisava de alguém para cortar a grama e fazer reparos na casa quando necessário. Jack amava a mãe de Madeline quase tanto quanto amava Madeline, e estava feliz com o arranjo.

Um ano e meio depois, Madeline precisava de ajuda para fazer as coisas e sua mãe estava lá para ajudá-la. A pequena Kimberly foi planejada, mas Madeline não percebera quanto trabalho um bebê podia dar. Sua mãe lhe mostrou pacientemente como cuidar de um bebê, e quando Kimberly já podia andar e comer sozinha, a mãe de Madeline dividiu a responsabilidade de cuidar dela. Isso foi bom, porque Madeline estava grávida de oito meses outra vez. Jack Júnior nasceu dois anos, menos um dia, do aniversário de Kimberly.

Um galho raspou na lateral da casa naquele momento, e Madeline lembrou da tempestade de gelo no ano em que sua mãe falecera. Não estivera frio o bastante para nevar, mas estivera frio demais para chover. O que caía do céu era uma espécie de chuva lamacenta que grudava nos galhos das árvores e se acumulava. A noite toda, Madeline ficara deitada na cama ao lado de Jack e ouvira os estalos agudos enquanto galho após galho cedia ao peso, quebrava e roçava a lateral da casa ao cair ao chão.

Jack acabara de limpar todos aqueles galhos quando sua mãe se queixou de uma dor no peito. A mãe achou que era só indigestão, mas Jack não se convenceu. Jack a levou ao médico, que a mandou imediatamente para o hospital. Ele ligou de lá para contar a Madeline que sua mãe falecera e que viria para casa buscá-la assim que pudesse.

Foi naquele mesmo ano que Kimberly se casou com Jerry. Jerry era um bom rapaz, pensou Madeline, e tratava Kimberly bem. Ela e Jack tinham se mudado para o andar de baixo quando a mãe faleceu, então ela disse a Kimberly que ela e Jerry podiam morar no andar de cima até encontrarem um lugar próprio.

Numa tarde de sábado, Madeline subiu para pôr lençóis limpos no armário do corredor. Ao passar pela porta do quarto de Kimberly e Jerry, ouviu Kimberly ofegar e então gritar. Madeline sorriu até ouvir Kimberly dizer: "Deus, como eu amo quando você faz isso. Agora me fode."

Madeline sorriu abertamente então. Não ficara feliz por Kimberly ter usado uma linguagem tão grosseira, mas entendia.

O emprego de Jack era como homem da manutenção na universidade local. Ele estava instalando uma porta nova num armário de um dos dormitórios um verão e achou um livro de bolso numa das prateleiras. Trouxe para casa, e ele e Madeline passaram meia hora lendo juntos naquela noite.

O livro era uma coletânea de histórias sobre homens que fazem sexo oral em mulheres. Depois de lerem algumas histórias, Jack se virou para Madeline e sorriu.

"Quer tentar?"

Madeline não disse nada. Apenas tirou a camisola e a calcinha, se esticou na cama e abriu as pernas. Jack lambiscara hesitantemente seus lábios, e então começou a fazer o que tinham lido.

Madeline sorriu. Ela fizera o mesmo que acabara de ouvir Kimberly fazer. No começo, era excitante porque era novidade. Depois de um tempo, tornou-se mais que excitante. A língua de Jack a estava levando lá mais rápido do que jamais tinha experimentado. No fim, ela gritara, arqueara-se contra o rosto de Jack e agarrara os lençóis até os nós dos dedos ficarem brancos.

Quando seu coração parou de bater como uma britadeira, Madeline sorrira e dissera: "Aquele livro estava certo, mas ainda estou excitada. Me faça como sempre fazemos, agora mesmo."

Enquanto outro galho estalava e caía ao chão, Madeline sorriu novamente. Naquela noite, Kimberly perguntara por que ela estava sorrindo tanto. Madeline apenas dissera que estava feliz, mas por dentro lembrava as muitas vezes que Jack a tomara daquele jeito, primeiro com os dedos e a língua e depois se unindo a ela.

Houve um baque surdo lá fora, e Madeline foi olhar pela janela outra vez.

O esqueleto da árvore era agora apenas uma espinha nua. O baque fora o topo caindo ao chão. Agora, havia só o tronco irregular, despido de seus galhos, erguendo-se solitário e aguardando o próximo ataque da motosserra. Madeline quase podia sentir como a árvore devia se sentir. Ela se sentira assim quando tinha sessenta e oito anos.

Por um tempo naquele ano, desejara poder simplesmente morrer e acabar logo com aquilo. Jack Júnior decidira seguir carreira militar. Passara por duas missões no Vietnã e voltara para casa como Sargento. Madeline suspirara de alívio quando a Guerra do Vietnã terminou. Jack Júnior não precisaria voltar.

Jack Júnior estaria seguro agora. Cumpriria o tempo que lhe restava antes da aposentadoria no exército em tempos de paz e estaria seguro. Ficou contente ao saber que ele fora designado para a Zona do Canal, no Panamá. Escreveu que o clima era ótimo e a paisagem mais do que ela jamais acreditaria. Também fora promovido a Sargento-Mor. Queria que ela e Jack voassem até lá no verão seguinte para uma visita.

Pouco antes do Natal daquele ano, o noticiário na televisão disse que o Exército dos EUA invadira o Panamá. Madeline ficou preocupada quando não recebeu telefonema nem carta de Jack Júnior até o Ano-Novo. No dia 2 de janeiro, um sedã preto entrou na entrada da garagem e um homem de uniforme do Exército saiu e caminhou até a porta.

Três meses depois de ver o caixão de alumínio ser baixado à terra, ela acordou e encontrou Jack já de pé, sentado numa poltrona na sala. Perguntou por que ele se levantara tão cedo. Jack disse que não conseguia respirar muito bem e não conseguia dormir. Parecia pálido para Madeline, então ela o levou ao médico.

Foi quase o mesmo cenário que ele descrevera sobre a mãe dela. O médico examinou Jack, escutou seu coração por cerca de três segundos e então chamou uma ambulância. Madeline foi na ambulância segurando a mão de Jack e o ouviu dizer "Eu te amo" antes de ele escorregar silenciosamente.

Ela perdera os dois homens que mais importavam em sua vida, e Madeline não sabia se aguentaria aquilo. Por semanas, ficou desanimada, às vezes chorando, mas geralmente apenas sentada e pensando. Foi em abril, quando a árvore começou a brotar folhas, que ela saiu, sentou-se na cadeira de jardim e passou as pontas dos dedos sobre o coração gravado no tronco da árvore. Estava difícil de ver agora, mas ainda estava lá depois de todos aqueles anos.

Aquele coração tornou mais fácil aceitar sua perda. Enquanto aquele coração entalhado estivesse ali, Jack também estava, pelo menos em sua mente. Jack Júnior também. Quando ele tinha sete anos, achara a machadinha de Jack e tentara derrubar aquela árvore. Quando Madeline perguntara por quê, ele dissera que a professora contara uma história sobre George Washington, e ele queria ser como George Washington.

As marcas na casca ainda estavam lá, embora o tempo as tivesse quase curado. Assim como a árvore curava suas feridas, Madeline mais uma vez se erguera, endireitara os ombros e levantara a cabeça. Se sua árvore podia sobreviver ao vento, ao gelo e à tentativa de Jack Júnior de derrubá-la, ela também podia continuar vivendo, mesmo tendo perdido tanto.

Madeline riu baixinho ao olhar pela janela novamente. Ela e a árvore haviam ficado tão parecidas ao longo dos anos. Quando ambas eram jovens, eram esguias e flexíveis. Com o passar dos anos, ambas ganharam um pouco mais de corpo. Agora, eram largas na base e mais finas no topo.

Seus seios passaram de pequenos a grandes quando ela fez cinquenta anos, e Jack ficou feliz. Agora, eles repousavam planos sobre seu peito. Ela sabia que Jack não teria se importado. Ele tinha dito isso quando encontrou o caroço. O médico os sentou e explicou que a remoção completa era a melhor escolha, mas havia outras opções e que ela teria que decidir.

Naquela noite, eles se sentaram com uma xícara de café e discutiram as opções. Jack tentou facilitar a decisão dela. Ele simplesmente disse que a amava, não os seios dela, e que qualquer coisa que ela decidisse não mudaria isso.

Madeline pensou sobre aquilo por dois dias, e decidiu que preferia correr o risco de apenas remover o caroço. Tirar seu seio seria tirar parte do que a fazia mulher. Jack apenas assentiu, e então a abraçou forte enquanto ela chorava em seu ombro.

A última seção do tronco caiu no chão com um baque, e Madeline desceu as escadas e saiu. Um dos homens da equipe se aproximou com duas pequenas fatias da árvore.

"Conseguimos, senhora, exatamente como a senhora queria. Foi meio difícil encontrar o coração, mas conseguimos pegar tudo. As marcas do machado foram fáceis, e pegamos todas elas também. Ah, e as duas últimas seções do tronco deixamos com um metro e oitenta de comprimento, como a senhora pediu. Estão ali perto da sua garagem."

Madeline agradeceu, pegou as duas pequenas fatias e caminhou até a garagem. Tim, o homem que havia se casado com sua neta Melody, gostava de marcenaria. Ele disse que, se ela quisesse, montaria as duas fatias em molduras e, se ela lhe desse um pedaço do tronco, ele faria algo para ela.

Tim era uma verdadeira joia, quase como Jack, ela pensou. Era por isso que ela ofereceu que morassem em sua casa depois do casamento. Eles não tinham muito dinheiro porque ambos estavam na faculdade. Tim fazia alguns trabalhos de marcenaria além do emprego de meio período na universidade, e estava se saindo muito bem vendendo o que fazia. Ele queria ser arquiteto, e Madeline não tinha dúvidas de que conseguiria.

Ela se virou com um som diferente e viu os homens da árvore operando o que parecia uma serra gigante sobre o que restava do toco da sua árvore. Em menos de dez minutos, tudo o que restou foi um monte de serragem e terra. Madeline colocou as duas pequenas fatias de madeira dentro da garagem e entrou em casa. Sua árvore era apenas uma lembrança agora, e ela se sentiu cansada.

A menininha se agarrou ao tronco da muda plantada a poucos metros da casa e a balançou até as folhas farfalharem. Com o som, Melody levantou os olhos do livro.

"Madeline, não puxe essa árvore. Você vai quebrá-la."

A garotinha trotou até o lado de Melody.

"Eu não ia quebrar. Só gosto de ouvir as folhas."

"Bem, sua bisavó Madeline plantou essa árvore só para você, e ela não gostaria se visse você balançando-a."

"Mamãe, por que ela plantou uma árvore para mim?"

Melody balançou a cabeça. Madeline estava quase com cinco anos e cada outra coisa que saía de sua boca era uma pergunta.

"Querida, ela plantou porque disse que toda menininha precisa de uma árvore."

"Por que eu preciso de uma árvore?"

"Não sei, querida. No dia em que te trouxe para casa do hospital, lá estava ela com dois homens plantando-a. Ela simplesmente disse que você precisava de uma, então estava plantando uma no mesmo lugar onde a árvore dela costumava ficar."

"Não me lembro dela."

"Não, querida, você não lembraria. Você tinha apenas dois anos quando ela foi estar com o bisavô Jack."

"Ela vai voltar algum dia?"

"Não, Madeline, ela não pode voltar. Acho que talvez seja por isso que ela plantou a árvore, para que você tivesse alguma forma de se lembrar dela."

"Você se lembra dela?"

"Sim. Ela era uma senhora muito querida e às vezes me contava histórias quando eu ia para a cama."

"Ela contava histórias para mim também?"

"Sim, querida. Você era muito pequena para se lembrar."

"Minha árvore vai crescer tão grande quanto as outras árvores?"

Para ler em seguida